10 – Sobre panquecas e amor

Os funcionários de William Darcy perceberam que há três meses, desde que o patrão começou a namorar a simpática Srta. Elizabeth, ele estava mais alegre. Acostumados com um homem sério e taciturno, a princípio, todos estranharam, mas gostaram da mudança.

Mas neste dia em especial, ele não estava apenas alegre. William Darcy se sentia o homem mais feliz do mundo. Cumprimentou o porteiro com um enorme sorriso. Assobiou dentro do elevador. Deu bom dia para todos que cruzavam seu caminho. Abraçou e deu um beijo no rosto da secretária, Sra. Reynolds, que mesmo o conhecendo desde criança, nunca tinha visto o patrão tão feliz.

Novamente, ele estava atrasado para o trabalho, algo que estava acontecendo com frequência. Darcy sentou em sua cadeira atrás da enorme mesa, ligou o computador e rapidamente, uma imagem de Elizabeth apareceu na tela. Com um suspiro de contentamento e um sorriso sereno no rosto, ele lembrou os acontecimentos da manhã.

Darcy acordou e logo sentiu o calor de Elizabeth pressionado em seu corpo. Sorriu e olhou o relógio. Ainda era muito cedo e por isso, seria perfeito para surpreendê-la. Ele escutou Jane comentar, dias atrás, que o café-da-manhã preferido de Elizabeth eram panquecas, e ele resolveu aprender a prepará-las da maneira preferida dela.

Depois de tudo pronto, ele colocou a iguaria em uma bandeja de café-da-manhã na cama junto com uma xícara de cappuccino e um botão de rosa vermelha. Tudo muito simples e bonito.

Entrou no quarto para encontrar Elizabeth sentada parecendo um pouco desorientada pelo recente despertar. Os cabelos estavam bagunçados, a camisa amarrotada e os olhos lacrimejavam devido a luz do sol que entrava pela janela. Para ele, aquela imagem era de tirar o fôlego.

Assim que ela o viu com a bandeja nas mãos, suspirou. "Sr. Darcy, você está deixando terrivelmente difícil encontrar motivos de reclamação."

Com uma risada, Darcy levou a bandeja até a cama e a depositou ao lado de Elizabeth. "Veremos se continuará assim depois que você provar essas panquecas. Foi a primeira vez que eu fiz. Não sei se você vai gostar..."

Ela o olhou com carinho. "É meu café-da-manhã preferido, William. Como você sabia?"

Darcy ficou um pouco tímido, mas respondeu. "Eu escutei Jane comentar."

Elizabeth acariciou o rosto dele e virou-se para seu café-da-manhã. Pegou a xícara do cappuccino, cheirou o aroma quente e delicioso e tomou um gole. Em seguida, cortou um pedaço da panqueca e comeu, estava deliciosa.

Então ela olhou para Darcy e de repente, foi atingida por um sentimento forte que ela já sabia que estava ali, mas não com aquela intensidade. Pensou no homem que estava em frente a ela tão ansioso, tão inseguro só para saber se ela tinha gostado da panqueca. Aquele mesmo homem que sempre foi tão sério, até mesmo temível para quem não o conhecia. O homem que evoluiu tanto para merecê-la. Nos últimos três meses ele tinha convivido com a família dela confortavelmente, mesmo estranhando o comportamento deles. Tratava a todos ao redor com respeito e a tratava não como uma superior ou inferior, mas como uma igual. Nesses três meses ela descobriu sua timidez, e se encantou com isso.

Darcy já tinha declarado o amor dele diversas vezes. Desde o primeiro dia juntos. Todos os dias antes de dormir, ao acordar, ao se despedirem... A frase saia de seus lábios de forma fácil e natural, mas Elizabeth nunca tinha falado isso para alguém que não sua família. O homem forte e severo estava em frente a ela naquele momento parecendo adoravelmente vulnerável e ali estava ela, olhando nos olhos dele com o coração disparado.

"William, eu... Eu amo você. Muito. Tanto que eu nem consigo explicar."

Darcy congelou por um momento. Era a primeira vez que ela dizia a frase que ele tanto ansiava por escutar. Ele sentou ao lado dela e a puxou em um abraço apertado, quase doloroso. Seu rosto estava enterrado no pescoço dela.

"Eu queria tanto escutar essas palavras... Elizabeth, eu te amo tanto... Você é a luz da minha vida. Sem você é tudo escuridão."

Elizabeth tinha os olhos marejados. Ela segurou o rosto dele para olhá-lo nos olhos. "William, você é a nota mais perfeita na minha vida. Sem você, é tudo silêncio."

Continuaram abraçados por um longo tempo, nenhum dos dois querendo se separar. Cada um sentindo o coração do outro batendo acelerado.

Quando a Sra. Reynolds entrou no escritório do patrão, o encontrou com o semblante iluminado. Ela estava feliz com a alegria que via crescendo na vida do menino que teve a vida tão difícil e tinha se transformado em um homem tão severo. "William, você parece particularmente feliz hoje. Vai me contar o que aconteceu?"

Darcy olhou para a secretária que conhecia desde sempre e sorriu. "Kate, eu aprendi a fazer panquecas."