Olá pessoas lindas que estão seguindo a fic até aqui!
Esse é um capítulo meio intrigante, então leiam com atenção HAHA
Desculpe o atraso! peço que dessa vez REALMENTE leiam as notas finais HAHA

~ GALERA AVISÃO AQUI, LEIAM SEUS LINDOS: ~

Dias 16 eu vou pro Rio de Janeiro comemorar os 4 anos e 6 dias que eu e a T. estamos together as twins! ( Ps: A data é comemorada no dia 10 de julho. DEAL WITH THAT, SASUKE AND NARUTO ~ ) Então capítulo 10 vai dar uma atrasadinha xD
Também vamos estar no Anime Friends em São Paulo nos dias 18, 19 e 20! Por isso, gostaria de dizer que se forem no YaoiRoom e encontrarem 2 pessoas vestidas semelhantemente no dia 18, baixinhas e com 2 camisetas SasuNaru pintadas a mão SOMOS NÓS! Podem ir falar com a gente, ficaremos super felizes de responder qualquer pergunta sobre Utopia ou discutir o rumo de Naruto e muitos outros assuntos! HAHAHA!

Have Fun~~

Betado por: TKitsunne


Os olhos estupidamente azuis abriram-se lentamente, sendo ofuscados pela tímida luz do sol que passava pelas grossas cortinas brancas da janela, o que o forçou a fechá-los imediatamente. Tornou a abri-los, dessa vez posicionando a mão contra a claridade. Levantou o torso bronzeado, ainda incomodado com a luz, quando sentiu a textura do lençol diretamente na sua pele e algo morno escorrer entre suas nádegas, além da dor familiar no local.

" Mas o que diabos... ?", olhou freneticamente ao seu redor, não tendo a mínima ideia de onde estava. Engoliu em seco ao ver as suas roupas no chão, e pior, pelo fato de estar nu e de ressaca, provavelmente dormira com alguém!

Encarando a porta de madeira, pôde ouvir o barulho de uma ducha ligada do outro lado do recinto, não tendo certeza se queria saber quem era a pessoa que estava ali dentro.

— Mas que droga! Maldita bebida, 'ttebayo! — Murmurou irritado consigo mesmo, controlando o tom da voz propositalmente para que não chamasse atenção. Nunca mais ia beber, nunca mais!

Embora sua cabeça pulsasse dolorosamente, obrigou-se a forçar a mente e tentar lembrar do que ocorrera na noite anterior. Será que ele e Gaara haviam transado de novo? Mesmo que não desse pra ter certeza, apenas pensar na possibilidade lhe causava um bloqueio mental, como se suas memórias adormecidas lhe negassem tal fato. Certo... Se não fora com ele, com quem mais seria?

Os orbes azuis procuraram pelas roupas do seu misterioso parceiro no chão e, ao encontrá-las, pequenos flashes começaram a clarear sua consciência. Primeiro, recordou-se de quando chegara com Kiba ao Dark Souls, encontrando Gaara no bar. Até aí, tudo bem. Logo depois, experimentou uma bebida engraçada e repetiu a drink várias vezes consecutivas. Depois, por culpa de sua estupidez, não conseguia acompanhar a linha de raciocínio pois, do jeito que era fraco quanto ao álcool, naturalmente ficara bêbado, trancando qualquer autonomia que pudesse ter em algum lugar da mente.

Insistiu mais um pouco ao tentar se lembrar e, repentinamente, uma vaga lembrança de estar dançando com Gaara na pista de dança veio à cabeça, o que destrinchou outras, como o amigo sendo empurrado por alguém, um rapaz alto encarando o ruivo, a voz rouca conhecida e aquela frieza inconfundível...

Arregalou os olhos quando finalmente tomou ciência do que aconteceu.

— EU DORMI COM O SASUKE! — Gritou exasperado.

— Poderia parar de exclamar o óbvio, dobe? — Virou abruptamente, vendo o moreno sair do banheiro com apenas uma toalha na cintura e uma pequena secando os cabelos, os olhos fechados e a expressão um pouco irritadiça. — Não sei quanto a você, mas eu estou com uma puta dor de cabeça.

— M-M-Mas... E-E-Eu... V-V-Você...— Apontou hiperativamente para a figura alva que o encarava tranquilamente, completamente indiferente ao desespero do loiro. Cobriu o máximo possível do corpo. — N-N-NÓS, NÓS... — Naruto mal conseguia formular uma frase coerente.

— Dobe, acalme-se primeiro. — Depositou a pequena toalha no pescoço, encarando o loiro que, a esta altura, já estava tão vermelho quanto um tomate.

Naruto, ao perceber os inexpressivos orbes ônix fixados em si, desviou os seus. Pôde sentir suas bochechas fervendo. Fitou as próprias coxas parcialmente tampadas pelo lençol, tentando recuperar a compostura. Pela primeira vez durante os seus 22 anos, havia ido para a cama com alguém além de Gaara. Lógico que deveria culpar a bebida, afinal, se não fosse por ela, não sabia responder se teria tamanha coragem... Ou sabia?

A verdade era que estava muito confuso, Sasuke despertava isso em si. Nunca conheceu alguém que lhe causasse tais sensações e o deixasse tão intrigado quanto o homem à sua frente, levando-o até a comparar tal sentimento ao que pelo sentia pelo amigo ruivo, mas, de longe, eram diferentes. Enquanto podia descrever perfeitamente o que sentia em relação a Gaara, quando o assunto envolvia Sasuke, não sabia nem por onde começar, porém, sempre que se lembrava dele, um sorriso involuntário adornava os seus lábios. Não podia definir o que estava acontecendo e, sinceramente, estava disposto a não pensar muito sobre isto, apenas se entregar e aproveitar enquanto tais momentos ainda fossem responsáveis por aquele calor que começava a aquecer seu peito.

Levou os dedos à coxa, com o objetivo de beliscá-la, tentando provar para si que aquilo era real, entretanto, os chupões e as marcas de mordidas já eram provas o suficiente. —Isso não é um sonho, 'ttebayo? — Perguntou baixinho, quase em um sussurro, olhando para Sasuke.

— Não. — Disse enquanto vinha em direção ao loiro, depositando um leve beijo nos lábios deste, sorrindo malicioso em seguida. — Não é, Na-ru-to.

— Hehe. — Naruto riu divertido e nem um pouco incomodado com a aproximação e o contato íntimo. É, de fato, ele e Sasuke haviam dormido juntos, era uma pena que estivesse tão bêbado na hora e não ter muitas lembranças a respeito da noite. Olhou hipnotizado para a figura à sua frente. Sasuke Uchiha, semi nu, na sua frente. Desceu dos olhos negros até os lábios vermelhos, lambendo, inconscientemente, os seus ao vê-los. Viu o pescoço lúrido com pequenas marcas de chupão, corando um pouco ao perceber que quem fizera isso fora ele. Seguiu adiante pelo peitoral arranhado, a barriga tonificada e a cicatriz extremamente alva riscando o abdômen perfeito, o que chamou a sua atenção. Intrigado, levou a mão até a mesma, passando lentamente os dedos sobre ela. Sasuke congelou ao sentir o toque.

— Que cicatriz é essa? — Perguntou totalmente alheio ao choque repentino nos orbes negros.

O Uchiha não teve certeza se foi no momento em que sentiu a área sendo tocada ou a simples indagação que o fez ter, depois de tanto tempo, um flashback. Os joelhos ficaram fracos e, apoiando os braços nas coxas do loiro, sentiu a visão escurecer, dando a ele uma última imagem dos olhos azuis surpresos antes de abrir os próprios para a lembrança que vinha a seguir.
_

As estrelas se faziam presente no céu escuro daquela típica noite de Konoha. A brisa fria brincava com as madeixas negras do menino deitado semi nu no futon. Os enigmáticos olhos negros, adornados por um par incomum de olheiras, encaravam o teto do quarto de hóspedes, sem realmente enxergá-lo. Não haviam resquícios de vida naqueles orbes infantis, e os pensamentos que preenchiam sua cabeça estavam longe do que uma criança de apenas treze anos deveria ter. Perguntava-se mentalmente se aguentaria, mais uma vez, tudo aquilo.

Ao ouvir o barulho da porta ser aberta, qualquer devaneio coerente foi substituído pelo desespero. Arregalou os olhos ao ver o corpo esguio e orbes espertos seguindo animalescamente em sua direção enquanto tremia incontrolavelmente e as lágrimas começavam a brotar. Gritou.

Como um flash, a memória mudou repentinamente para o mesmo garoto, agora com dezessete anos, correndo pela casa com toda a velocidade que pôde até o antigo quarto dos pais, onde entrou e trancou a porta com uma cadeira, dando a ele o tempo de achar o que precisava.

— SASUKE! — Ouvia do outro lado da porta mesclada com as batidas fortes. Apenas o som da voz daquele ser era o suficiente para lhe causar náuseas. — ABRA JÁ ESSA PORTA! — As incansáveis agressões contra a porta continuavam. — OU VOCÊ QUER QUE EU LIGUE PRA ELE? — Era sempre assim, sempre a mesma chantagem. Aquele desgraçado sempre sabia onde o atingir. Já estava farto.

Sasuke abriu, finalmente, a porta. Os olhos cobertos pela sombra da franja. Ao encarar o homem por quem sentia tanto repúdio, o cenário perdeu sua cor, tornando-se preto e branco, como costumava lembrar. Apontou a arma certeiramente para a testa do maior, os orbes ônix brilhavam tamanho ódio, sendo retribuído com a surpresa estampada no semblante do seu alvo, mas não teve coragem nem tempo o suficiente de apertar o gatilho antes que este corresse para a cozinha, fugindo como o verdadeiro covarde que era.

Seguiu o homem até o cômodo, ainda empunhando a arma, porém, inconscientemente abaixou a guarda, pois ao adentrar o recinto, sentiu algo de encontro ao seu baixo ventre, cortando-o dolorosamente e, em seguida, a sensação morna na pele. Desviou os orbes, olhando finalmente a pureza monocromática ser manchada pelo liquido escarlate.

— Eu... EU...EU SÓ ESTOU ME DEFENDENDO, SEU MALUCO! — Viu o homem gritar exasperado largando a faca manchada com o seu sangue e caindo trêmulo no chão da cozinha. — A CULPA É TODA SUA! TODA SUA! VOCÊ É O CULPADO DE TUD-

— CALE A BOCA! — Vociferou com toda a raiva que fora obrigado a conter durante anos e, antes que pudesse realmente pensar, levantou a arma e, "privado de sentidos e de inteligência, matou-o com seis tiros"¹.

Olhou, chocado, uma última vez para seu próprio sangue, agora misturado com o sangue amaldiçoado daquele homem, correndo, logo após, pelo corredor e acabar sendo engolido pelos olhos tristonhos, o barulho ensurdecedor dos últimos dois tiros, e o sussurro que parecia ainda vívido em seus ouvidos:

— Sas-Sasuke...
_

Sentiu leves tapinhas consecutivos contra o seu rosto e seu nome ser chamado repetidas vezes. Abriu, de súbito, os orbes ônix, tendo o rosto de um Naruto assustado em seu campo de visão.

— Por quanto tempo eu apaguei? — Perguntou com a voz mais rouca que o normal.

— E isso lá importa?! — O loiro estava sobressaltado. Ainda que o intervalo de tempo em que o moreno levou entre desfalecer e recuperar a consciência houvesse sido curto, quando viu aquele olhar em choque e o mesmo perder as forças, seu coração foi à boca. Lembrou-se instantaneamente do ocorrido no Café Gourmet, onde conheceu Sasuke e a uma reação parecida acontecera. — Você desmaiou, 'tteba! E está suando frio! O que acon-

— Nunca... — Pôde ouvir o Uchiha sussurrar revolto à medida que se levantava do colo de Naruto. — Nunca mais pergunte sobre essa cicatriz.

— M-Mas, e-eu, o que está acon- — Insistiu ingenuamente, antes de ser friamente interrompido novamente.

— Vá tomar um banho. — Olhou com desprezo para o menor, deixando implicitamente claro que não queria conversar. — Agora.

As palavras acertaram em cheio o interior do loiro, o desdém que brilhava naquelas piscinas negras tomou de si toda e qualquer capacidade de resposta. Então era assim, não era? Ele - Naruto - não era digno de sua confiança, somente de sua depreciação, e Sasuke não parecia nem um pouco disposto a mudar isto. Como fora idiota...

Com um nó na garganta, levantou-se coberto com o lençol. É, de fato, ele precisava de um banho se quisesse ir embora dali o mais rápido possível. Seguiu em silêncio e a passos largos até o chuveiro, sentindo o canto dos olhos pinicarem, mas não iria chorar, não na frente daquele bastardo. Ao entrar no cômodo, fechou a porta atrás de si. Ligou o chuveiro e se pôs embaixo d'água, deixando que esta levasse junto ao suor e aos resquícios da noite que tivera com Sasuke, suas lágrimas que jamais ousaria mostrar para o homem responsável por elas.
_

Sasuke observou as costas tensas e marcadas do loiro entrarem no banheiro, batendo de leve a porta. Tendo certeza de que estava sozinho no cômodo, apoiou os cotovelos nos joelhos, cobrindo o rosto com as mãos. As lembranças assombradas lhe causaram um péssimo mal estar, fazendo com que controlasse ao máximo a ânsia de vomitar.

— Droga... — Desabafou consigo, percebendo no tato que o que Naruto dissera era realmente verdade: Ele estava suando frio. Mais uma vez, permitiu que aquele garoto visse uma de suas crises, e logo no momento mais inoportuno. Inadmissível!

Sabia que havia magoado o loiro de olhos azuis ao tratá-lo tão mal, mas a culpa também era dele por se intrometer em algo que não era da sua conta e insistir numa explicação que sequer dera a alguém nessa vida. Não era algo que podia se abrir com tanta facilidade, pois só a mínima possibilidade de pensar naquele homem era o suficiente para o deixar aflito. Embora Naruto houvesse confiado em si e lhe contado sobre o peso do seu passado, nunca prometeu reciprocidade, afinal, fora Naruto quem optou por conversar a respeito, e ainda que o loiro carregasse um fardo tão pesado quanto o seu, isto ainda não era o suficiente. Aliás, nada era o suficiente neste mundo, nada apagaria todas as cicatrizes cravadas no fundo da sua alma, nada faria com que ele voltasse.

Precisava fumar e relaxar. Levantou da cama, indo à calça jogada no chão, onde de dentro do bolso tirou o maço de cigarros, o isqueiro e seu celular. Ao acender a tela, constatou que havia nada mais, nada menos do que quinze ligações perdidas de Kakashi. Levantou uma sobrancelha intrigado, acendendo um cigarro em seguida. Andou até a janela, apoiou-se nesta e, com um suspiro de desgosto, retornou a última ligação, sendo imediatamente atendido.

— Bom d- — Algo estalou na sua mente. Afastou o aparelho da orelha e observou que já era meio-dia e cinquenta. —Boa tarde, Kakashi. — Corrigiu-se.

— Boa tarde? Pra quem, Sasuke? — Estranhou a ironia e o tom de voz do padrinho. — Você já deu uma olhada no jornal da cidade? Se por acaso não, compre um no seu caminho pra cá. E não, eu não estou te convidando, isso é uma intimação. Venha pra cá agora.

— Mas o qu- — Ouviu o barulho do celular sendo desligado rudemente. Jornal? Que jornal? E por que diabos Kakashi o tratou daquele jeito? Tentou associar os fatos, não percebendo que a tensão sobrepôs completamente sua aflição recente.

Apagou o cigarro contra o apoio da janela, tratando de se vestir. Não tinha nem mais cabeça pra fumar. Viu de relance Naruto sair do banheiro, secando o cabelo.

— Arrume-se agora. Vou te levar pra casa. — Disse objetivamente enquanto colocava a calça.

— Não precisa, eu vou sozinho, 'ttebayo. — Naruto virou o rosto com desgosto, os olhos azuis transbordavam frustração, entretanto, para sua decepção, Sasuke sequer reparou nisso. Tudo o que conseguia pensar era que tinha que comprar o tal jornal o mais rápido possível, e a teimosia infantil do outro só o atrasava.

— Dobe, você ao menos sabe onde está? — O loiro nada respondeu, fazendo com que o Uchiha interpretasse o silêncio como uma afirmação. — Deixe de ser tão idiota e só aceite.

Naruto cerrou os punhos, a raiva parecia crescer dentro de si. Não conseguiu não retrucar a ofensa: — Será que você tem alergia à educação, dattebayo?! Seu bastardo! Quem você pensa que é pra me tr- — Porém, obrigou-se a fechar a boca quando recebeu o olhar furioso de Sasuke. Trincando os dentes, resolveu não prosseguir com a discussão. Não estava a fim de brigar, seria inútil e perda de tempo. Tudo o que queria era ir pra casa e não ter que ver aquela cara azeda do moreno por um bom tempo. — Teme... Eu não tô a fim de discutir contigo, 'tteba. Me leva logo embora daqui. — Enfim cedeu, indo se vestir também.
_

O trajeto até a casa do loiro seguiu-se com os dois homens completamente em silêncio. Sasuke, ainda preocupado com o que havia saído de tamanha importância no jornal, e Naruto, por sua vez, segurando o ímpeto de desabar ali mesmo. Estava arrasado, sentia-se péssimo e ainda incrédulo de que havia dormido com uma pessoa tão... egoísta, insensível, cujo mundo gira em torno somente do próprio umbigo. A conhecida sensação de nó na garganta voltava, porém, tratou de engoli-la. Seria humilhação demais demonstrar sua fraqueza diante de alguém que não parecia dar a mínima pra isso. Para Sasuke, ele não deveria passar de algo além de mera diversão noturna, mais um que ele levava pra cama... Enquanto pra ele - Naruto -, Sasuke...

Cortou a linha de pensamento, focando-se na paisagem afora. Não iria mais pensar nisto ali, caso contrário, não conseguiria se manter forte. Nunca suspirou tão aliviado ao ver sua casa de aproximando. Sasuke estacionou o carro em frente à calçada, sem desligar o motor. Sequer olhava para o loiro que, ao contrário de si, o encarava triste, esperando, ao menos, um olhar de quem se importasse ou estivesse se sentindo mal, coisa que não recebeu. Naruto, então, suspirou novamente e saiu mudo do carro, dando as costas para alguém que esperava nunca mais ver e andou cabisbaixo em direção à casa.

Sasuke acelerou o carro, finalmente podendo estar à vontade para sanar a curiosidade. Parou na banca mais próxima, comprou o tal jornal e, encostado no capô, leu a manchete. Seus olhos se arregalavam à medida que seu cérebro processava cada palavra junto à foto onde seu rosto se destacava nitidamente:

"Nem tão inabalável: Sasuke Uchiha, o advogado prodígio e rei da indiferença, briga bêbado com estranho numa boate."

— Mas que... merda... — Jogou o jornal de lado, entrando no veículo e pisando ainda mais fundo no acelerador.
_

Abriu os enigmáticos olhos verde-água ainda sonolento, incomodado com algo em torno de sua cintura, impedindo-o de se mexer livremente na cama. A primeira imagem no seu campo de visão foi o rosto sério e adormecido de Neji, que fez com que todo o sono se esvaísse e as cenas da noite anterior viessem imediatamente à sua cabeça. Descendo o olhar, constatou o motivo de estar involuntariamente imóvel: O moreno dormira o abraçando.

Tinha que sair dali o mais rápido possível, antes que o parceiro acordasse, porém, por conhecê-lo tão bem, sabia que este possuía o sono leve, para o seu infortúnio. Com cuidado, segurou a mão alva possessiva, tendo como objetivo afastá-la do seu corpo, mas ao sentir o toque e o calor do qual não desfrutava há anos, hesitou. Voltou os orbes à face inconsciente do Hyuuga, analisando cada traço de suas belas feições. Devido aos anos, o jovem adquiriu traços mais maduros, embora o semblante fechado ainda se fizesse presente. Os longos cabelos castanhos caiam sobre o rosto e o corpo pálido, obrigando o ruivo a segurar a vontade de tocá-los mais uma vez. Deveria admitir: O tempo fizera muito bem a Neji. Será que a personalidade dele continuava a mesma? Será que... os sentimentos continuavam os mesmos?

Suspirou. Estas eram perguntas que não haviam necessidade de serem respondidas, e o leve calor aconchegante em seu peito não era nada mais do que a euforia de vê-lo novamente. Agora, mais do que nunca, tinha certeza de que precisava ir embora. Ignorando o bem-estar proporcionado pelas mãos de Neji, empurrou-as delicadamente, não querendo acordar o jovem, coisa que deu certo. Gaara estranhou tal feito, suspeitando da razão por trás do êxito. Aproximou seu rosto do outro, respirando fundo e sentindo o cheiro do álcool invadir suas narinas. Era óbvio.

Levantou-se, vestiu-se e andou em direção à saída do quarto. Ao abrir a porta, deu uma última olhada para trás. Os orbes verdes continuavam inexpressivos como sempre, todavia, de maneira contraditória, seu coração foi tomado por uma agitação descompassada. Fechou os olhos, optando incessantemente pela idêntica atitude de anos atrás: Ignorá-la.
_

Chegou ao seu apartamento, retirando imediatamente as suas roupas e indo tomar um banho. O ruivo encostou a cabeça no azulejo frio do banheiro, podendo encarar o próprio reflexo na superfície branca. O som da água se chocando no chão pareceu levá-lo para longe da realidade, fazendo com que refletisse sobre a própria vida.

O loiro de olhos azuis, como de costume, era a primeira coisa que vinha à sua mente. Inevitavelmente se perguntou por onde ele estaria agora. À essa altura do campeonato, sabia que era quase impossível ele e o Uchiha não terem transado...

Cerrou os punhos, batendo-os contra à parede frustrado. Era com muita raiva e desgosto que admitiu que provavelmente não era mais o único para Naruto, não era mais o único que o tocara e... Céus, como era doloroso... Não ocupava o lugar pelo qual mais ansiou: Seu coração. Pra ser sincero, será que ele realmente havia deixado tal chance escapar? Ou, melhor, será que ela, algum dia, realmente existiu para si?

Lembrou-se do beijo do qual, de forma humilhante, fora telespectador, despertando-o para um fato que, até então, não havia percebido: Sasuke e Naruto eram perfeitos contrastes. Tudo neles eram opostos, suas aparências, personalidades, trabalhos, tudo, e tais opostos, segundo a teoria, se atraiam, não?

Estava sem rumo, não tendo a mínima ideia de como as coisas seriam daqui para frente.

Desligou o chuveiro, secando-se em seguida. Colocou sua calça de moletom e seguiu cansado para a cama, disposto a passar o resto do dia dormindo e, desta maneira, não seria mais torturado pelos próprios pensamentos. Estava farto, irritado e confuso, por hoje já bastava. Deitou entre o lençol e a manta cor de areia, sentindo como se ela fosse mais macia do que o normal. Os olhos se fecharam lentamente, entregando-se à escuridão e...

~ YOU ARE MY FRIEND
Ah Ah, ano hi no yume ~

Praguejou, arrependendo-se amargamente de ter esquecido de desligar a porcaria do celular. Guiando-se pela luz que se destacava em meio ao quarto escurto, pegou o aparelho e, controlando-se para não xingar quem quer que fosse do outro lado da linha, atendeu de má vontade:

— Alô? — Respondeu rudemente.

—... — Silêncio absoluto.

— Eu tô com um super mal humor. Se isto for um trote, eu juro que vou te empal-

— Gaa... — Ouviu a voz chorosa, alertando-se ao reconhecê-la. — P-Poderia vir aqui? Preciso conversar, 'ttebayo...

— Naruto? — O sono repentinamente sumiu. Acendeu a luz do cômodo, indo rápido em direção ao guarda-roupas. — Está em casa? Estou indo aí. — Desligou o telefone.

"O que diabos aquele filho da puta fez?"
_

Esticou o braço para bater na superfície de madeira, ato este que foi desnecessário, pois a porta abriu antes que o fizesse, revelando um Kakashi irritado.

— Eu disse claramente para vir no exato momento em que desligasse o telefone.

— Eu suponho que não era de sua vontade que eu trouxesse Naruto comigo, certo? — Rebateu olhando no fundo do olhos negros do homem à sua frente.

— Tsc. Entre. — O grisalho grunhiu, virando-se de costas e andando rumo às escadas, mas antes de subi-las, dedicou um olhar cúmplice para Iruka, que estava sentado no sofá, recebendo um aceno positivo com a cabeça pelo moreno. A atitude não passou despercebida por Sasuke. Seguiu o mais velho, subindo os degraus e adentrando o escritório da casa. Os dois homens sentaram-se opostamente.

Kakashi segurou a cabeça com as duas mão sobre a mesa, onde se encontravam alguns papéis que aparentavam estarem cuidadosamente separados para tal conversa. O mais velho respirou fundo, como quem calculava cada palavra que iria falar.

— Kakashi, eu- — Sasuke tentou começar.

— Não, deixe-me falar primeiro. — Interrompeu já prevendo o que o outro diria, ainda não o fitava. — Não preciso de suas desculpas, preciso que uma vez na sua vida você me ouça.

Sasuke se manteve calado pelos minutos seguintes, não ousou pronunciar um som, mesmo quando Iruka entrou e deixou as xícaras de café preto apressado. Estava disposto a ouvir o que o padrinho tinha para falar.

— Sasuke... — Kakashi disse, calmamente. — Fui eu quem permitiu que a notícia fosse publicada. — Confessou de maneira objetiva.

— ... Como? — O moreno pareceu não entender de súbito o que acabara de ouvir. Havia, de fato, achado estranho a notícia ter saído no jornal cujo dono era amigo de infância de Kakashi, mas não conseguia crer no óbvio.

— Antes que comece a me acusar, como sei que vai fazer, ouça-me primeiro. — Kakashi levantou os olhos impassíveis, lendo a expressão do Uchiha. — A notícia e as fotos que chegaram às mãos de Guy não se prendiam apenas à sua pequena discussão com o menino... — Mexeu nos papéis por um segundo, lendo uma folha em questão. —...Sabaku no Gaara. Mas também à sua explícita "dança do acasalamento" com Uzumaki Naruto. — Sasuke engoliu em seco, embora o semblante costumeiro de indiferença não denunciasse isto. — Se não fosse pelo meu poder e pela sorte do destino da notícia ter parado no Força da Juventude, não sei como estaria a sua reputação nesse momento, ou pior, a reputação desse menino. — Apontou para a foto de Naruto que havia acabado de tirar de um dos arquivos depositados na mesa.

—... — Os orbes negros analisavam o rosto sério e os olhos azuis da foto à sua frente, tomando noção, pela primeira vez no dia, de como ele havia tratado o outro.

"Eu nem me despedi apropriadamente", pensou, sentindo a consciência pesar.

— Sasuke... — Tomou a atenção do moreno para si novamente. — Eu te amo e você sabe que você e o Iruka são tudo o que eu considero família hoje. — Deu um gole no café. — E eu sei, de verdade, como você está se sentindo, sendo que esta é a primeira vez, suponho, na sua vida que alguém mexe com você de forma significativa. — Olhou firme dentro das esferas negras do Uchiha. — Eu sei muito bem. Mas tudo o que eu vejo, além do fato de você estar mais aberto e menos implosivo, é que, de tudo o que você já passou há dez anos atrás, — Sasuke passou a mão inconscientemente pela cicatriz na barriga.— Você está seguindo o mesmo caminho que o meu, arriscando não só a sua reputação, mas a reputação e a vida pessoal, a relação familiar que esse garoto tem com o pai. — Kakashi deixou que a tristeza do passado transbordassem de seus olhos, fazendo com que o rosto do afilhado adquirisse um leve tom de surpresa. — E você não sabe, meu filho, como ver a pessoa que você ama sofrendo dói. Dói até mais do que a sua própria dor. — O mais velho cerrou os punhos ao se lembrar de tudo que fora obrigado a passar, o que fazia ser convincente no que dizia, deixando Sasuke cada vez mais desconfiado, perguntando-se mentalmente o porquê daquela aura em torno do padrinho. — Enfim, o que eu estou tentando dizer é que não se trata só de você, mas de vocês. Sasuke, você tem certeza de que quer arrastar esse menino para o seu mundo? — Ouviram uma pequena batida na porta. — Entre.

— Eu... Eu só vim avisar que o almoço está pronto. — Iruka falou timidamente, encarando diretamente Kakashi, desculpando-se silenciosamente pela intromissão.

— Tudo bem, nós já descemos. — O grisalho disse, vendo a porta se fechar logo em seguida.

Sasuke mirava profundamente os seus braços alvos depositados sobre o joelho, sentindo o peso das palavras de Kakashi. Ele estava certo, teve que aceitar. Envolver-se com alguém, na sua atual posição e somado às correntes do seu passado, era algo suicida não só para si, como também para Naruto. Não tinha a menor noção do que deveria dizer; Tudo o que se passava pela sua mente era um jato de memórias, medos e visões que seu cérebro insistia em criar, concluindo num futuro tão negro quanto o seu próprio passado.

— Kakashi, eu... — O som da sua voz se fez presente, vocalizando as palavras de maneira sincera. — Eu preciso pensar. — Levantou-se. — Peça desculpas ao Iruka por mim. —Começou a andar em direção à porta.

— Certo. Pense por quanto tempo for preciso para tomar a decisão correta. — Mesmo não recebendo um aceno de Sasuke, sabia que ele escutara suas palavras antes de sair. O som abafado da porta se fechando se fez presente. O grisalho jogou a cabeça sobre a mesa. — Ah... — Soltou o ar. — Se você soubesse...

Mirou o porta-retrato no canto da mesa com a foto de um Sasuke com traços infantis e sorridente e, em seguida, pegou a foto de Naruto, que ainda não havia guardado, e a levou para perto do objeto de madeira, encostando-a do lado. Sorriu tristemente. Aqueles dois, sem dúvidas, estavam seguindo para o mesmo caminho...

Kakashi havia conhecido Iruka um pouco antes da morte de Mikoto e Fugaku Uchiha, quando, por fim, Sasuke e Itachi ficaram sozinhos na casa, dando a ele o peso de cuidar dos pequenos e da empresa que havia fundado junto com Fugaku. Sasuke não sabia tanto sobre essa parte da história, afinal, ele tinha apenas cinco anos quando seus pais morreram, já Itachi, na época, tinha dezesseis anos, tomando toda a dor para si.

Além do fato de ter acabado de se tornar responsável por três grandes coisas, Kakashi ainda teve seu coração finalmente domado por um moreno tagarela e gentil que, desde que teve a oportunidade de conhecer os Uchihas, vinha cuidando das crianças junto com ele, dando todo o amor que elas precisavam no momento. E até aí tudo bem, se não fosse o fato de que o relacionamento que havia começado com Iruka acabasse por separar o moreno da família, que repudiava de forma explícita relações entre pessoas do mesmo sexo.

Tudo: Seus melhores amigos e mentores, o compromisso de sustentar a empresa até que Itachi tivesse idade e experiência suficiente para assumi-la, cuidar de duas crianças, e as dificuldades, tanto por meio da família de Iruka, quanto da própria sociedade sobre si, tudo vinha desmoronando sobre suas costas, e ele sabia que, se não fosse toda a responsabilidade que sentia sobre isto, ele não aguentaria.

Abriu a gaveta, tirando de lá uma velha pasta, abrindo-a. Seu conteúdo reunia notícias variadas, como os prêmios da empresa, a criação dela, as vitórias de Sasuke e Itachi, a morte de Fugaku e Mikoto, de Itachi, e, finalmente, a manchete onde, em letras negras no papel já amarelado, cuspia em sua cara sua "Incapacidade como mentor e líder devido à sua sexualidade", tornando pública a sua relação com Iruka, destruíndo toda e qualquer chance do moreno de ter uma vida normal.

Respirou fundo. Recordar-se unicamente do caos em que resultou o vazamento da sua vida pessoal na mídia o fazia ter certeza de que não queria isto para Sasuke e, principalmente, para Naruto.

Ouviu o barulho da maçaneta, fechando automaticamente a pasta em suas mãos.

— 'Kashi... Sasuke foi embora sem almoçar conosco. Aconteceu algo?

— Nada com que você precise se preocupar, Iruka. — Devolveu a pasta à gaveta, indo em direção ao moreno e, beijando de leve a testa, disse com um sorriso triste: — Nada com que você precise se preocupar...
_

Sasuke sentou em seu carro, amparando a cabeça na volante. O recente diálogo ecoava em sua cabeça, as palavras ditas fizeram-no abrir os olhos para a amarga realidade para qual, sem perceber, havia se cegado. Ele não podia mais negar que sentia algo pelo loiro, tampouco contestar que não tinha a menor ideia do que fazer em relação à sua carreira ou até mesmo à própria vida. Ele não era a pessoa mais estável do mundo e sabia que o peso de seu passado somado à confusão de manter um relacionamento com o loiro e o próprio passado torto desse, iria acabar não só o machucando, mas, como o Kakashi havia dito, também machucaria Naruto e, de causar sofrimento, ele já estava cansado.

E ainda havia outro fator: Não era como se existisse um futuro para si e para Naruto juntos. A felicidade não lhe era uma virtude, não tinha o direito de sequer cogitar a possibilidade de senti-la. Ele simplesmente não podia, era o preço a se pagar, era o seu débito que tinha com ele. Castigaria seu corpo e sua consciência a cada dia de sua vida, não se permitiria sentir mais, abraçaria a escuridão do seu ser e não se desviaria de sua promessa com ele. Abriria mão de tudo o que contrariava o seu objetivo, e isto incluía o loiro de olhos azuis.

Cortaria os laços que criara com aquele garoto e, a partir do momento em que desse as costas para uma fase de sua vida que pensou jamais poder vivenciar, seria o fim, embora soubesse que precisaria de muita determinação para deixar de lado aqueles olhos hipnotizantes e aquele sorriso...

Precisava encontrar Naruto e conversar sobre o que aconteceu; como as coisas seguiriam a partir de agora, devia isto a ele. Ligou o carro, dirigindo rápido até a casa do garoto hiperativo, ignorando ao máximo o aperto incômodo no peito. Não poderia hesitar, não mais.

Avistando a vizinhança conhecida, enxergou a figura tristonha do outro sentado na calçada. Pisou no freio, processando a imagem de forma dolorosa no seu interior, principalmente por ter plena ciência de que o culpado pelo atual estado do loiro era ele. Saiu do veículo, disposto a andar até Naruto e conversar, todavia, antes que desse o primeiro passo, uma bicicleta passou por ele, deixando para trás apenas um murmuro audível, algo como "bastardo". Reconheceu a cabeça ruiva jogar a bicicleta na rua e abraçar fortemente o loiro, deixando este, enfim, soltar todo o choro contido.

Assistir às lágrimas do loiro caindo desenfreadamente do rosto marcado provocou uma reação de choque em Sasuke, como se algo acertasse em cheio seu estômago. Por sua culpa, ele estava chorando. Por sua incompetência de sequer parar de pensar nos próprios problemas, não pôde dar a Naruto uma explicação no mínimo justa do que estava acontecendo. E agora, as consequências de seus atos egoístas haviam machucado a última pessoa que queria machucar. Parecia ser inevitável não trazer sofrimento para aqueles ao seu redor, era como uma maldição. Aquela foi prova mais do que suficiente de que deveria se afastar o quanto antes.

Entrou novamente dentro do carro, ligando a ré e dando a volta em silêncio, derrotado e descartando completamente a ideia de ter uma conversa com o loiro. Não tinha tal direito e, pela primeira vez na vida, não agiria de forma egoísta, não mais causaria dor e sofrimento naqueles que ainda lhe importavam. Seguiu até a sua casa, nunca olhando para trás, tendo consigo a companhia da conhecida voz interna cuspindo a seguinte frase em seu orgulho:

"Eu te disse, Sasuke. Eu te disse."

Se fosse outro homem e não eu
Se isso fosse apenas uma fala de comédia
Eu queimaria todas as cicatrizes trocando-as pelo seu amor.


*¹: Citação do trecho "Tragédia Brasileira" do digníssimo autor Manuel Bandeira. Trecho levemente modificado.

Notas da Autora:

Eai, gente linda, o que acharam?

Eu gosto bastante da historia do Kakashi, ele é um dos personagens que mais quero que fique feliz pra sempre, tanto em Utopia quanto no Mangá!

Agora vem dois avisos sobre os próximos capítulos: As coisas realmente irão ficar tensas e, finalmente, Utopia está chegando ao seu fim! Quero começar a agradecer desde já aos leitores e aos comentários!

Gente, obrigado por lerem! Até o próximo capítulo!

Abraços do titio Att. ~