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UMA SKATISTA DIFERENTE

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.Capítulo 9.

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Onii-san

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Não dava nem para tentar conter os boatos e comentários sobre o ocorrido na Rock Jidai no dia anterior: eles simplesmente corriam pelos corredores do Hitomiko School, se espalhando como um câncer. Estavam sempre lá: nos intervalos, aos cochichos nas aulas, nos bilhetinhos entre amigas. Mesmo não sendo um leitor de mentes, dava pra saber qual era o assunto até entre os não fãs presentes no colégio; apenas pelo fato de que a Rock Jidai ficava a poucos quarteirões da escola e os The Wolfs eram uma banda em ascensão, popularmente conhecida por todo o Japão.

Era de se esperar que algo como a chance de descobrir as identidades secretas dos integrantes virasse mesmo o assunto no dia seguinte. A pergunta 'quem na verdade eram os The Wolfs' nunca manteve qualquer população adolescente tão afoita quanto naquele dia.

E, é claro, também era bem compreensivo que, caso você simplesmente fosse um desses astros se escondendo sob um pseudônimo, ter que se enfiar num meio social – que, bem, estava simplesmente recheado com esses adolescentes afoitos após um dia de escândalo; não parecesse lá a situação mais convidativa do mundo. Enquanto todos no Hitomiko School se perguntavam 'quem são os The Wolfs?', Inuyasha Taishou, vulgo Mukuro Takahashi, só rezava para que ninguém resolvesse desconfiar logo dele.

E, concordemos, dadas as circunstâncias, não era a toa que Inuyasha estava preocupado em ser reconhecido. Era só comparar o estrago que três garotas fizeram à três wolfs no dia anterior. Imaginem o que não aconteceria caso toda a população do colégio resolvesse correr atrás de Dark Great? Aí sim a situação seria realmente catastrófica.

Embora Miroku dissesse a todo momento que aquilo era besteira da parte de Inuyasha. Quer dizer, sequer ele havia reconhecido o melhor amigo no primeiro dia de aula! Como algum aluno daquela escola simplesmente viraria para Mukuro e diria: ei, você não é Dark Great disfarçado?

Aquilo era ridículo.

Mas o hanyou ainda se sentia temeroso com tantas pessoas falando em sua banda de modo tão explicito por aí. Por isso evitava, naquela manhã, contato visual muito explicito com qualquer pessoa que visse no corredor, enquanto caminhava até sua sala de aula. Entrou no recinto logo após Miroku, e não entendeu porque o amigo parou de repente. Só entendeu assim que seus olhos chegaram ao lado leste da sala, onde geralmente ficava seu lugar, logo atrás de Kagome.

Sango, com a skatista a tiracolo, agia como uma verdadeira obcecada relatando a uma roda de pelo menos quinze garotas como ela esteve no lugar na hora do Grande Acontecimento.

-E, é claro, eu vi Lord Maru. – ela finalizou com a voz enfática. –Num momento, estava eu e Kagome na Rock Jidai ouvindo música, no outro, nós ouvimos gritos e quando olhamos para o lado, lá estavam: Lord Maru, Second Crash e First Wolf, engalfinhados de gente ao redor deles. Destruíram perucas e arrancaram até os sapatos deles!

Inuyasha ouviu exclamações da roda de pessoas. Encarou Kagome, que parecia bem envergonhada com aquela situação e atenção toda. Não era para menos, Sango parecia uma maluca relatando uma abdução alienígena, pelo jeito que ela falava, mesmo que o assunto realmente interessasse para a maioria das garotas por ali. Pelo que Inuyasha compreendera daquele dia afobado na escola, dizer que conseguiu ver os wolfs na Rock Jidai no dia anterior, com todo o furdúncio que acontecera após aquilo, era quase como dizer que ETs desceram a nave-mãe no seu quintal e entraram para tomar um chá.

Chegando ao ponto em comum entre as comparações: mesmo que você jurasse ser verdade, alguém iria apontar o dedo na sua cara dizendo que duvidava.

E foi o que aconteceu. Balançando as pernas cruzadas, e com olhar claramente duvidoso lançado na direção de Sango, Kagura Kaze, do nono B, lançou sua arma:

-Ah, é? – ela disse atraindo a atenção do grupo. –E o que vocês diriam se eu contasse que, Lord Maru, no auge de seu desespero, subiu a escada de incêndio do meu prédio para se esconder e aceitou brincar de boneca com a minha irmã mais nova apenas para fugir dos maníacos que ainda o perseguiam?

Silêncio sepulcral. Pares de olhos arregalados se voltaram na direção de Kagura. Inuyasha até que tentou, mas sentiu o riso crescendo em seu estômago. Então foi assim que Sesshoumaru conseguiu todas aquelas presilhinhas de cabelo? Seu irmão devia estar realmente desesperado para aceitar algo desse tipo. De qualquer forma, definitivamente iria contar aos outros caras da banda como Sesshoumaru tinha se safado da perseguição. Ah, se ia!

-E – ela continuou. –Se eu dissesse que eu vi o rosto dele? Inteiro? – a jovem disse erguendo as sobrancelhas, ainda esperando a reação das pessoas ao seu redor.

-Calma lá! – Sango se exaltou, já que ninguém se voluntariou a contradizer aquela blasfêmia. –Está dizendo que sabe quem é Lord Maru? Que ele simplesmente mostrou a cara pra você e fim? Quer que acreditemos nisso?!

Inuyasha arregalou os olhos. Trocou olhares com Miroku, que estava com o olhar igualmente arregalado. Ainda estavam no canto da sala, observando a orda de garotas 'conversando'. Ao invés de se sentir acuada com o confronto tão direto, Kagura permaneceu até que bem tranquila; dada à informação que ela tentava passar. Pelo contrário, até conseguiu um bom argumento para confrontar Sango de volta. Eis o que ela soltou:

-E você? – ela disse com um tom ácido. Sango não captou a ideia da réplica de primeira, assim como aparentemente ninguém do grupinho ao seu redor. Kagura continuou: - Quer que simplesmente engulamos que você e sua amiguinha cdf estiveram no lá na Rock Jidai só porque os The Wolfs estiveram lá, ao invés de estarem na biblioteca estudando como fazem todos os dias?! Eu tenho a prova de que Lord Maru esteve no meu apartamento: tenho os sapatos e as meias guardados!

-Os sapatos e as meias podem ser de qualquer um! – Sango quase gritou, enfurecida pelo tom de Kagura. Kagome, com uma careta, segurou o braço da amiga antes que ela resolvesse partir para cima da outra. Sabia como Sango era quando ficava nervosa. À medida que a skatista se moveu para segurar a amiga, seus olhos azuis passaram rapidamente pela sala ainda quase vazia. E seu raciocínio foi mais rápido ainda quando ela avistou no dono dos cabelos vermelhos, parado próximo a porta de entrada da sala, a solução daquele dilema todo. Kagome ergueu as sobrancelhas, e disse, no tom mais alto que conseguiu:

-Takahashi e Miroku estavam com a gente! Eles quem acionaram o alarme de incêndio! – ela apontou por sobre a roda de pessoas para a direção de Inuyasha e seu melhor amigo. Seus olhos se arregalaram levemente quando, em conjunto, todas aquelas cabecinhas curiosas se voltaram na direção dos dois. Sem escolha, ambos caminharam para o meio de tudo aquilo, logo ao lado de Sango e da skatista.

Como se esperassem por uma manifestação, Inuyasha achou melhor dizer algo àquele monte de alunas curiosas.

-É... Verdade. – ele confirmou com um sorriso amarelo, não muito crente de que sua afirmação convencesse a todas aquelas garotas. Entretanto, quando Sango lançou um olhar azedo na direção de Kagura, Inuyasha concluiu que aquilo havia bastado. Talvez fosse mais crível um rapaz afirmando que esteve no meio de um furacão de fãs doidões do que uma fã obcecada tentando fazer o mesmo. Kagura estreitou os olhos vermelhos.

-Meu relato também é. – resmungou. –Podem procurar na internet a garota que conseguiu pegar um dos sapatos do Lord Maru, ela dedicou um post inteiro no blog dela para falar e mostrar suas provas. Eu trago no dia seguinte o outro pé do mesmo sapato!

-Pois traga, então. – Sango provocou.

-E vou trazer mesmo! – Kagura se curvou, correspondendo à provocação, numa pose intimidadora na direção de Sango. –E vou fazer também, hoje à tarde, um esboço do rosto dele! Da maneira que eu vi!

-Ah, tá. Aproveita e traz a cédula de identidade e o telefone do Lord Maru de uma vez. – Sango rodou os olhos, ácida. Kagura inflou as narinas, respirando rápido e com raiva.

As duas ficaram trocando faíscas por alguns momentos, enquanto todas as outras ao redor assistiam. Foi Miroku quem decidiu dispersar aquela garotada toda, até porque, logo o sinal da primeira aula soaria. E pela maneira que Kagura ficara brava por duvidarem dela, ele também temia um pouco pela integridade física de sua querida Sangozinha.

-Ok, ok, meninas, acho que esse assunto se encerrou. – ele disse tentando fazer com que o clima tenso se amenizasse. Algumas garotas começaram a se levantar e ir para suas salas, outras continuaram ali, para ver no que ia dar o confronto das duas garotas.

Mas, a única coisa que Miroku conseguiu por parte das duas encrenqueiras foi dois pares de olhares raivosos virados na sua direção e na de Mukuro. Sabe-se lá por qual razão, Inuyasha se sentiu realmente desconfortável quando os olhos vermelhos de Kagura se demoraram em seu rosto. Viu a expressão dela mudando. A incompreensão transformava sua careta intimidadora em algo mais surpreso.

Seu coração quase parou quando ela finalmente soltou seu veredicto.

-Sabe, você se parece bastante com Lord Maru... – ela comentou, mais para si mesma, franzindo as sobrancelhas perfeitas – embora o hanyou estivesse ciente de que todas ali ao redor puderam ouvir as palavras da garota. Inuyasha viu, agora além dos de Kagura, dezenas de pares de olhos se focando em si. Inclusive os de estranhamento vindos de Sango e... E de Kagome.

Naquele momento, embora não fosse oficialmente adepto de uma religião, ele realmente começou a rezar.

-HÁ! Tanto quanto Miroku tem a cara do Elvis Presley. – uma voz feminina e aguda, porém carregada com força total de sarcasmo, ricocheteou pelos ouvidos apurados do hanyou, soando como a verdadeira salvação em forma de som. Inuyasha olhou para o seu lado e, entre Miroku e ele, a pequena Rin segurava um caderno e encarava as pessoas reunidas ali com bastante indiferença. Teve quase vontade de abraça-la. Embora fosse pequena, sua pose corporal desafiava qualquer uma ali a duvidar de seu argumento. E, como sempre, Rin conseguiu o sucesso quando apenas o silencio foi dado como resposta a seu comentário ácido.

Ignorando as garotas que começavam a se dissipar, finalmente, para suas respectivas salas; Rin, ainda sob o olhar atento de pelo menos três garotas (Kagome, Sango e Kagura) se virou para o cara de cabelos vermelhos ali presente sem a menor preocupação. Empurrou-lhe nada amigavelmente o caderno que segurava, contra o peito do hanyou.

-Isso provavelmente lhe pertence. Se aparecer de novo no meio do meu material, - ela ameaçou, num tom nada agradável. –Vou postar tudo na internet. – completou arqueando uma sobrancelha. Inuyasha sentiu a cor fugindo de seu rosto. Depois de ter esclarecido as coisas, a pequena Kagewaki simplesmente virou as costas e foi embora. Alerta à curiosidade de pelo menos três pessoas, Inuyasha se viu preso na situação seguinte: Kagura, Kagome e Sango, e talvez até Miroku, esperando, ainda que sem qualquer direito, pela explicação que o hanyou daria pela pequena cena estrelada por Kagewaki Rin.

Ele, apertando o caderno preto contra o peito e soltando mais um sorriso amarelo, apenas disfarçou:

-É... Só meu caderno de japonês. – e, dito isso, viu Kagura e Sango revirando os olhos. Kagome enrugou as sobrancelhas, mas desviou o olhar assim que viu que o aluno novo a encarava.

Apertando ainda mais o caderno contra o corpo, como se qualquer uma daquelas garotas simplesmente fosse tentar assaltá-lo ao menor descuido, o hanyou se perguntou o que elas fariam caso soubessem que as possíveis músicas para o próximo álbum dos The Wolfs se encontravam ainda rabiscadas em sua letra corrida nas folhas daquele caderno...

O caderno que Dark Great anotava seus insights musicais.

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A claridade do começo de dia incomodava um pouco os olhos dourados do hanyou, mas mesmo assim nada podia ser melhor que aquele lugar para desfrutar dos lanches do intervalo. Inuyasha mastigava um bolinho de arroz, enquanto relatava a Miroku o que realmente aconteceu a seus amigos no dia anterior. Estavam novamente no terraço da escola, onde quase ninguém ia na hora do intervalo.

E Rin estava com eles.

-Bankotsu chegou em casa dizendo que quase foi parar em Shibuya. – comentava o hanyou, enquanto Miroku arregalava os olhos violeta.

-Shibuya?! – repetiu um tanto incrédulo. Rin rodou os olhos, beliscando seu lanche com os hashis.

-Ele não foi correndo até lá, idiota. – ela comentou, ácida.

-Ah tá. – Miroku murchou sua postura. Encarou o amigo. –Então como ele chegou lá?

-Ele se escondeu numa linha de metrô. Simplesmente se enfiou no primeiro buraco que achou. – Inuyasha deu mais uma mordida em seu bolinho de arroz. Rin ecoou seu próprio 'idiota' de antes. Miroku assentiu, de forma exagerada, finalmente entendendo.

-Há! Que trouxa! – ele disse rindo. Rin lançou um olhar nada agradável para Miroku. Subentendido naquele gesto, Inuyasha quase podia ler o comentário 'olha quem fala' dela. Mas o amigo não pareceu notar. –E Kouga?

-Se escondeu numa agencia bancária. – Rin retrucou mastigando. –E ele até agora ainda se acha um gênio por isso.

-Hm. – Miroku se esticou e roubou um bolinho de arroz de Inuyasha. –Bom, a única coisa que eu realmente ainda acho difícil de imaginar é Sesshoumaru brincando de boneca.

Inuyasha engasgou com a comida, soltando o riso preso desde a hora em que soube por Kagura que técnica o irmão utilizara para fugir das fãs perseguidoras.

-Cara! – ele começou, ainda rindo. –Isso porque você nem viu o jeito que ele chegou em casa! Teria tirado uma foto se não estivesse tão chocado!

Rin rodou os olhos, lembrando-se da cena. Um sorrisinho brincou em seus lábios. Só pela constatação de Rin sorrindo, Miroku já arregalou os olhos.

-Tão... Espantoso assim? – ele perguntou movendo rapidamente os olhos do hanyou morrendo de rir para a garota ácida sorrindo, e vice versa. Mas eles pareciam muito entretidos lembrando-se da cena para se importarem em dar mais detalhes da situação para Miroku. Ele ficou bravo por isso. –Qual é! Me contem!

Rin foi quem se começou.

-Esse aí só faltou cair duro quando o irmão abriu a porta do apartamento. – ela agora ria baixinho.

-Cair duro?! Por um momento achei que a teoria de Kouga era verdadeira! – Inuyasha gargalhava, seus olhos estavam até lacrimejando de tanto rir. –Rin sequer disfarçou! Gargalhou na cara do onii-san!

Miroku arqueou uma sobrancelha. Devia se ter muita coragem para rir abertamente da cara do irmão mais velho de Inuyasha. Sesshoumaru era... Assustador.

Mas, bem, levando em conta que a pessoa que se atreveu a fazer isso era a pequena Kagewaki Rin, talvez não fosse tão absurdo assim.

-Que teoria esse lobo fez? – Miroku perguntou curioso. Rin explicou com uma careta.

-A de que eles tinham sido raptados por uma fã maníaca e estavam trancafiados num porão servindo de escravos sexuais.

-UAU. – dessa vez ele tinha se surpreendido de verdade. Só mesmo Kouga para pensar numa besteira tão elaborada como aquela. Virou-se para o hanyou, ainda afoito, enquanto ele limpava as lágrimas que escorreram de seus olhos de tanto rir. Seu rosto estava vermelho como um tomate. Miroku comentou, ainda incrédulo imaginando a cena: – Definitivamente vou pedir para minha mãe para ir morar com vocês! Seu irmão com cara de escravo sexual? Isso não tem preço!

E com isso o hanyou começou a rir como louco novamente. Miroku, não aguentando, acompanhou o amigo. Até Rin, se lembrando da cena, começou a rir também.

Porém, todos eles pararam subitamente, sentindo todo o sangue sumir do rosto, quando ouviram uma quarta voz perguntando...

-Irmão de quem?

E, ao se virarem para a origem do som, se depararam com Sango e Kagome, acabando de subir as escadas que levavam até ali. Ambas tinham bentôs nas mãos, e Sango ostentava um olhar curioso na direção dos três jovens. De certo elas estavam os procurando. Nunca imaginariam serem descobertos naquele local justo pela skatista e pela amiga dela.

-Então, estavam falando do irmão de quem? – Sango perguntou curiosa.

Rin, recuperando rapidamente a expressão indiferente de sempre, respondeu a pergunta da amiga da skatista.

-Do Mukuro. – ela disse retornando a atenção para sua própria comida. Inuyasha trocou olhares arregalados com Miroku, e ambos tornaram sua atenção para a pequena Rin. Sango e Kagome se sentaram ao lado dos três, no chão.

-Não sabia que você tinha um irmão, Takahashi. – a skatista comentou numa voz delicada, cruzando as pernas e puxando a saia para o meio delas, para não exibir nada que não devesse. Ela focou seu olhar azul no aluno de cabelos vermelhos, e suas bochechas branquinhas se ergueram levemente num sorriso.

Inuyasha, ainda em um estado de choque pela situação toda de Sango perguntando de Sesshoumaru, não soube dizer se era o sol batendo no rosto dela e deixando-o ainda mais branco, os olhos mais azuis e a boca mais corada e... convidativa... Ou se era sua mente lhe pregando peças. Mas Kagome pareceu tão bonita de repente. Parecia que tudo que ela fazia era em câmera lenta, especialmente para que ele pudesse apreciar. Com os cabelos pretos, mesmo que meio desgrenhados num coque, ela... ela ainda parecia uma boneca viva.

Figura essa que simplesmente se transformava quando não usava a saia do uniforme. Mas mesmo assim, Inuyasha sabia que não era tão normal uma garota que, mesmo sem qualquer intenção (pelo contrário, ele sabia que ela até se esforçava para contra aquilo) ter uma aparência ressaltada estrategicamente em cada traço... Sempre tão delicados, tão... lindos. Em todos os sentidos.

Pelo menos não tão facilmente como Kagome fazia, sem precisar se empetecar com mil adereços cosméticos antes de vir à escola, como Kikyou. Tudo nela era... Natural. Sem qualquer intenção pré-moldada.

Sentindo suas bochechas esquentando, ele encolheu os ombros fitando o próprio lanche. Sentiu que de repente toda a atenção do grupo caía sobre ele. Lembrou-se do último comentário, dirigido a sua pessoa.

-Ah! – ele exclamou, com se acordasse para a situação. –Sim, tenho sim. – todos o observavam enquanto ele falava. Mas seus orbes dourados escolheram a imensidão azul da skatista para encarar enquanto ele soltava as palavras sem pensar. – Ele é mais velho. Todos os dias vem me buscar na escola, de furgão...

Rin rodou os olhos, suspirando. Aquele idiota...

-Sério? – Inuyasha quase pulou quando ouviu a voz empolgada de Sango. Quase tinha se esquecido de sua presença. Não soube bem dizer o porquê, mas parecia, por um breve momento, que era apenas ele e Kagome ali. –Todo dia? Então ele vem te pegar hoje também?

-Hai. – o hanyou respondeu, temeroso. Não sentia que algo muito bom pudesse vir daquele tom de voz de Sango...

-Oh, então podemos conhecê-lo se acompanharmos você na saída hoje? – a amiga da skatista emendou, sorrindo empolgada.

-Porque quer conhecer o irmão do In... Do Mukuro! Que interesse você pode ter no irmão dele?! – Miroku perguntou enciumado, corrigindo o nome do amigo na ultima hora.

-Oras, por nada. Só queria conhecer. – Sango respondeu de má vontade a Miroku. Só faltou lhe mostrar a língua de birra. Rin revirou os olhos mais uma vez, suspirando de novo.

-Bem, garanto que ele não é uma pessoa assim tão simpática para alguém querer conhecê-lo. – Rin retrucou, retomando sua atividade de comer seu próprio lanche. Sango voltou seus olhos cor de chocolate para a pequena Kagewaki.

-E você o conhece? – ela perguntou.

-Claro. – Rin murmurou indiferente, mastigando. –Ele é insuportável.

-Na verdade, - Miroku se intrometeu. –Acho que ele é bem parecido com Rin-chan. Os dois às vezes agem da mesma forma.

O rapaz recebeu um olhar estreito da pequena.

-É verdade. – Inuyasha comentou não percebendo a raiva implícita no olhar de Rin por ser comparada a Sesshoumaru. –Acho que deve ser por isso que os dois não se dão muito bem.

-Deve ser como ter que brigar consigo mesmo. – Miroku completou o devaneio, apoiando o queixo na mão. –Puxa, Rin-chan, - ele se voltou para ela, que ainda sustentava um olhar assassino. –Se você começar a se dar bem com Sessh... Seichiro! Se você começar a se dar bem com Seichiro vai ser como se você tivesse driblado sua própria personalidade. Pode ter efeito até terapêutico! Porque não tenta? Quem sabe não deixa de ser tão azeda? – ele completou com um sorriso bobo sobre a face, encarando Rin. Ela estava tão perplexa com aquelas palavras que a única coisa que fez, além de manter sua carranca, foi resmungar um 'heim?!' incrédulo. Miroku, palhaço como era, abriu mais o sorriso e deu um apertão no nariz da garota.

-Béeeeeim. – ele fez som de uma buzina. Rin ficou vermelha como um pimentão, mas era de raiva. Ignorando a pulsação de ódio ao seu lado, Miroku se virou simpático para o melhor amigo. – Acho que descobri a cura para o mau humor da Rin! – ele anunciou feliz.

Estranhou quando, ao invés de estarem felizes com sua descoberta, três rostos temerosos o encaravam de volta. Inuyasha foi o único que ousou apontar.

-Heim? – Miroku cerrou as sobrancelhas. Olhou para a direção que o hanyou apontava e se deparou com Rin, literalmente, roxa. –Oh, o que foi, Rin-chan? – ele ainda perguntou, ingênuo.

Uma veia saltou na testa de Rin. Ela se ergueu, hiperventilando e grudou os dedos no nariz de Miroku, com força. Deu um puxão doído para cada lado, conforme praticamente gritava:

-Nunca. Mais. Mexa. No. Meu. Nariz! – e, com isso, deu um último puxão mais forte e o soltou. Gemendo, o rapaz se encolheu no chão segurando o próprio nariz. No silêncio da pequena plateia que assistia a cena, Kagome foi a primeira que não conseguiu conter a gargalhada. Soltou um ruído estranho com a garganta e não aguentou mais. Logo estava rindo e apontando para Miroku.

-Bem feito! – ela disse segurando o próprio estômago. Se empolgando com o som do riso de Kagome, Inuyasha começou a rir também, dizendo que Miroku não devia ter mexido com Rin. Sango, entrando por último na onda dos outros dois, aproveitou o momento para zombar um pouco de Miroku também.

E foi assim que a conversa se dissipou do assunto Irmão Mais Velho do Mukuro. E ele não podia se sentir mais contente, já que pelo resto do intervalo o clima se manteve descontraído entre os cinco jovens. Inuyasha sentia que aos poucos ia conseguindo ganhar algum território no campo de Kagome...

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Kagome quase deu um pulo quando uma bolinha de papel voou do além até sua mesa. O professor de álgebra se virou por um instante, desviando os olhos do quadro negro, onde ele escrevia uma lista de exercícios. Deu uma olhadela na sala. Kagome amassou o papel, escondendo com as mãos sobre o colo. O professor se virou de novo para a lousa e continuou escrevendo.

A classe toda estava em silêncio. Kagome, se perguntando de onde diabos tinha vindo aquilo, deu uma espiada em Sango. Ela estava concentrada copiando a lição. Então, algo mais ao fundo chamou sua atenção.

Kikyou balançava, ainda que não muito discretamente, os braços, na direção de Kagome. Nesse momento a skatista entendeu que era para era ler. Suspirando, desamassou a bolinha e se deparou com um parágrafo escrito em caneta cor de rosa, com uma letra quase desenhada.

"No domingo a costureira vai lá em casa tirar as medidas das minhas quinze garotas, para começar a fazer os vestidos, se não eles não ficam prontos a tempo. Uma equipe profissional vai cuidar da confecção das roupas, então vocês tem que estar lá às 13:30. Como não sabem onde é minha casa, posso pedir para o motorista do meu pai as apanharem na entrada do parque Ueno, para não ficarem muito perdidas. Depois ele traz vocês de volta. Passe para sua amiga Sango, por favor!"

Kagome respirou fundo e encarou Kikyou. Ela ergueu as sobrancelhas, como se perguntasse se a skatista tinha entendido o bilhete. Ela suspirou e assentiu. Amassou-o de novo e jogou na mesa de Sango. Ela fez uma cara feia quando a bolinha de papel acertou sua cabeça e caiu sobre sua mesa. Olhando torto para Kagome, a skatista fez um gesto apontando Kikyou. Ela se virou e encarou a Miss. Depois, curiosa por saber do que o bilhete se tratava, abriu o papelzinho e começou a ler.

Sua boca se abriu num 'o' redondo quando ela terminou. Sango pareceu bem mais empolgada com essa coisa do vestido do que Kagome. A skatista viu ela escrever algo a mais no papel. Depois, lançou-o na mesa de Kagome. Ela abriu e viu, alem do escrito de Kikyou, um enorme OK no final da pagina. Rodou os olhos e lançou o papel para a mesa da miss, de onde ele tinha vindo na primeira vez. Ficou a observando por um minuto, enquanto ela abria o papel de novo e lia o OK de Sango. Abriu um sorriso depois disso e mandou um jóinha com o polegar para Kagome.

Kikyou parecia bem empolgada com essa festa. E, para ser sincera, Kagome começava a ficar também. Se fosse pensar bem, daqui a quase duas semanas conheceria Dark Great!

E aquilo definitivamente seria empolgante. Mesmo estando travestida como um dos quinze clones de Kikyou, pelo menos ela sabia que a Miss a deixaria bonita para encontrar seu ídolo.

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Doce ilusão. Doce, doce ilusão. E ele que achava que tinha se safado daquela história de conhecer Sesshoumaru... Quer dizer, Seichiro. Que era como Miroku definira o novo nome de seu irmão. Quem imaginaria que Sango fosse tão persistente?

Inuyasha coçou a peruca, preocupado. Olhou no grande relógio preto, acima do quadro negro, na sala. Dez minutos para a saída. Dez malditos minutos.

E Sango não parava de lhe mandar olhares insistentes, como se tivesse monitorando seus movimentos. Ele sabia que era por causa do seu irmão. Sabia porque, no começo da última aula, um maldito bilhetinho pousou em sua carteira, quase flutuando.

"Não vá fugir na hora de ir embora! Quero conhecer Seichiro-sama."

Seichiro-sama. Argh! Porque foi abrir a maldita boca sobre Sesshoumaru?! Podia muito bem ter dito, na hora do intervalo, que era o... Irmão de Rin. É. Pelo menos, se elas quisessem conhecer Naraku, poderiam dizer que ele estava viajando, ou algo assim.

Mas não. Rin teve que falar de Sesshoumaru. E o hanyou imbecil ali ainda teve que complementar que o irmão vinha buscá-lo todos os dias. Uma coisa ele aprendeu disso tudo: não conversar mais a toa. Pelo menos não se ele estivesse enfeitiçado pelos olhos azuis de Kagome. Aquilo era perigoso. Podia facilmente dizer quem ele era, se naquele momento ela o perguntasse qualquer coisa, encarando-o daquele jeitinho... Mas que droga. Nem ele sabia do efeito que aquela garota tinha sobre si. Kagome era perigosa quando iluminada pelo sol da manhã!

Ah, se pelo menos ele pudesse avisar Sesshoumaru para não vir busca-lo hoje... Ou para vir com um capuz na cara, sei lá. Só não podia deixar nem Sango nem Kagome vê-lo! Ela tinham visto Lord Maru no dia anterior, no fuzuê todo da Rock Jidai! O reconheceriam na hora se o vissem dirigindo o furgão!

E que conclusão as duas certamente teriam? A de que ele conhecia os The Wolfs. Ou fazia parte deles também. Bem, se isso acontecesse, sua vida se resumiria numa única palavra: um inferno. Teria que se esconder de novo, como seus colegas de banda faziam. Voltaria a estudar em casa e nunca mais andaria livremente pelas ruas e teria amigos, como vinha fazendo quando estava disfarçado. Fora que Kagome e Sango poderiam espalhar para a mídia que Mukuro Takahashi era parente de Lord Maru. E disso, sabendo que eles eram irmãos, se espalharia o boato de que Sesshoumaru também seria um Takahashi. E, quando a mídia pesquisasse a fundo, descobririam que Mukuro Takahashi não existia, e que Inuyasha cometera um crime para voltar a estudar!

Oh, mas que droga, aquilo arruinaria a carreira dos The Wolfs, mesmo se tentassem explicar! Ayame simplesmente arrancaria suas vísceras se tudo resultasse num escândalo dessa magnitude!

Não. Definitivamente não podia deixar Sango descobrir Sesshoumaru. Foi isso que o motivou a fazer o que fez em seguida: no exato momento em que o sinal da escola tocou, Inuyasha pulou da cadeira e saiu correndo pela porta, com a mochila nas costas. Atravessou como um foguete os corredores que começavam a ficar tumultuados de gente, e nem se arriscou a olhar para trás.

Inuyasha achava que seu plano estava funcionando bem, até então. Não viu ninguém o seguindo e foi um dos primeiros a deixar o prédio escolar. Quase chorou de emoção quando viu o furgão parado em frente ao portão da escola. Era só ir até lá, entrar no veículo, e mandar Sesshoumaru pisar no acelerador. É isso aí. E tinha que fazer isso antes que Sango, ou Kagome, resolvessem descer correndo atrás dele, para ver que doideira que o fez correr como um foguete dessa vez. Na pressa não tinha nem falado nada com Miroku... E Rin! Rin ficaria furiosa quando soubesse que o hanyou havia a deixado para trás. Mas, bem, era uma questão de vida ou morte. Vida da banda, ou morte do Taishou mais novo. Era bem fácil escolher.

Inuyasha começou a dar um passo em direção ao furgão, quando sentiu subitamente uma mão segurando seu braço, o impedindo de continuar seu trajeto.

-Onde pensa que vai com tanta pressa, seu estúpido? – ele quase desmaiou quando ouviu a voz feminina. Se virou para o lado e viu a pequena Rin segurando seu braço. –Se você me deixasse aqui, saiba que nem implorando eu faria mais comida para você. – ela ameaçou.

Sentindo seu sangue fluindo de novo, ele respirou fundo.

-Ah, é você. – suspirou, aliviado. –Anda, temos que ir antes que Sango apareça. – ele pegou a mão de Rin e começou a puxá-la na direção do veículo.

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-Aquele Takahashi é um estúpido! – Sango vociferava enquanto descia correndo os degraus da escada de acesso do Hitomiko. Kagome, ainda com uniforme, foi arrastada junto à amiga. Miroku as acompanhou também, a tiracolo.

-Calma, Sango! – a skatista pediu enquanto sentia a mochila batendo com força contra suas costas, conforme corriam. Miroku, também tentando fazer Sango ficar menos irritada, tentou amenizar a situação. E atrasa-la também, para dar tempo do amigo fugir.

-Ele deve ter se esquecido, Sango! Ou então recebeu uma ligação urgente!

-Ficou louco, Miroku?! – ela parou para gritar com ele. Aquelas hipóteses eram absurdas! –Não tem como ele ter esquecido. Eu o lembrei no começo da aula; e Takahashi não tem celular!

E, brava, começou a marchar de volta à saída, de novo, ganhando alguma distancia dos dois. Miroku, espantado com o tom da garota, encarou Kagome, de olhos arregalados, como se pedisse uma explicação. A skatista apenas deu de ombros, como quem diz: fazer o que?

E os dois começaram a correr atrás de Sango.

Quando puseram os pés para fora do prédio, a primeira coisa que Miroku avistou, no meio da bagunça de alunos indo embora, foi o furgão preto, com detalhes vermelhos na lataria, parado em frente ao portão da escola. De longe, viu o amigo abrindo a porta e Rin ao seu lado. Logo depois, seus olhos avistaram uma garota correndo como doida na direção do veículo.

Praguejou um palavrão quando viu que era Sango.

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-Oh, droga. – Inuyasha resmungou quando ouviu Sango chamando seu nome. Faltou tão pouco!

-Rápido. – Rin disse, abrindo a mochila e lançando um lenço laranja para Sesshoumaru, que estava sentado indiferente no banco do motorista, esperando os pirralhos subirem para dirigir de volta para o apartamento. Uma sobrancelha prateada se arqueou quando Rin o lançou aquele lenço. –Esconda esses cabelos, rápido!

-Posso saber porque? – ele perguntou sem se importar com o lenço. Fuçando mais alguma coisa na mochila, Rin tirou uma máscara branca de resfriado. Jogou em direção ao baixista, ainda fuçando qualquer coisa que pudesse ser útil para esconder sua identidade.

-Tem uma garota vindo aqui e quer te conhecer. Seu nome agora é Takahashi Seichiro e você não pode deixar ela, de jeito nenhum, te reconhecer. – Inuyasha explicou rápido. Suspirando, Sesshoumaru prendeu os cabelos prateados num coque e passou o lenço laranja por cima, segurando-o, formando uma bandana bem... Estranha. Pôs a máscara e se debruçou no banco do carona, esticando uma mão na direção de Rin. Ela, surpresa pela ação do baixista, ficou imóvel enquanto ele lhe arrancava os óculos de grau do rosto e punha no próprio.

-Cada coisa que vocês me arrumam. – Sesshoumaru bufou retomando sua posição como motorista.

Rin, corando, sentiu sua pele arder onde Sesshoumaru havia tocado para lhe tirar os óculos do rosto. Encarou a figura em que ele se transformara. Parecia... Um nerd louco e doente. De fato, duvidava um pouco que Sango se interessasse de novo por Seichiro quando visse aquela figura...

-Takahashi! – os dois estremeceram quando ouviram Sango ralhando com eles. –Takahashi! Você correu de propósito! – ela acusou. Logo atrás de si, Kagome e Miroku vinham caminhando, parecendo temerosos por conta da raiva de Sango. A skatista parou assim que chegou perto, e seus olhos foram em direção ao homem sentado no banco do motorista do furgão, que tinha a porta do carona aberta. Mukuro segurava a porta aberta, enquanto Rin tinha um pé apoiado no piso do veículo, com a mochila sobre a coxa. Quando viu os olhos azuis sobre si, a pequena jogou com cuidado a mochila de volta as costas. Kagome parou por um momento para avaliar Seichiro. Ele era mais pálido que Mukuro, aparentemente mais velho e tinha o corpo menos esguio. Estava usando roupas aparentemente de ficar em casa, um jeans preto rasgado em vários lugares, e uma camiseta cinza e folgada.

Tinha coturnos semiamarrados nos pés. E, como se tivesse que se ocultar as pressas, em sua cabeça estavam: óculos de grau que não se encaixavam em seu rosto, uma bandana laranja que o fazia parecer uma múmia, já que cobria boa parte de sua testa e bochechas, e uma máscara de resfriado.

A cabeça não parecia nada condizente com o resto do corpo.

-A-ah! – Inuyasha ergueu o braço e apoiou a mão na nuca, sem graça por Sango tê-lo pego no flagra. – É que meu irmão não gosta de esperar... A propósito, Sango, Kagome, este é... Takahashi Seichiro. – ele disse dando passagem para que a amiga de Kagome pudesse ver a figura direito. A skatista preferiu mandar um aceno do lugar onde já estava.

-Oh! – Sango exclamou encarando o motorista do furgão. Sesshoumaru lançou um olhar de desdém para a garota. Acenou de volta para Kagome.

Kagome, desviando a atenção da amiga, percebeu quando, ao mesmo tempo, Rin e Mukuro endireitaram as costas e pareceram prender a respiração, conforme Sango se debruçava para dentro do furgão. Só então Kagome notou que havia algo de errado em Rin. Seu rosto estava mais limpo. Kagome forçou a memória para tentar descobrir o que estava faltando...

Os óculos! Ela estava sem os óculos de grau que usava!

-Prazer em conhecê-lo! – Sango disse meio encabulada pela presença de Seichiro. Kagome ouviu Miroku trincar os dentes ao seu lado. Sango não pareceu se importar muito com os adereços que Seichiro estava usando para se esconder. –Seu otouto nos falou de você. – ela emendou, simpática.

Sesshoumaru massageou as têmporas, descansando uma mão sobre o volante. Esboçou um levíssimo sorriso ao comentário de Sango, sem sequer olhar em direção à garota. O sarcasmo estava impregnado em sua voz quando ele respondeu.

-É, deve ter falado mesmo. – tinha uma voz fria, indiferente. E o olhar que lançou ao irmão mais novo não foi nada simpático. Mukuro engoliu seco. Seus ombros estavam tensos...

Seichiro estava usando os óculos de grau de Rin. Kagome tinha certeza. E, talvez, aquela coisa laranja que ele colocou ao redor da cabeça também não fosse de livre e espontânea vontade. A skatista se lembrou de Rin com a mochila apoiada na perna. E da reação dela e de Mukuro quando Sango deu uma bela encarada no irmão do garoto de cabelos vermelhos. Eles estavam o escondendo! Escondendo-o para que Sango não pudesse ver seu rosto direito. Bastava ler o olhar que Seichiro lançara a Mukuro quando Sango disse que ele havia falado do irmão para os amigos. Estava óbvio que eles não deveriam poder saber quem era o irmão de Mukuro.

Mas... Por quê? Qual a necessidade de tudo aquilo? Que segredo aquele Seichiro tinha que não podia se mostrar às pessoas?

-Bom, - Inuyasha juntou as mãos numa palma. –Então, é isso. Desculpem-nos a pressa, mas preciso ir logo para casa. – o hanyou disse com um sorriso amarelo, as palavras saindo rápido demais.

-É, isso aí. – Miroku disse, de repente, chamando a atenção de Sango e Kagome. –Você já conheceu o irmão dele e tudo mais, agora deixem os dois irem. Eles devem ter mais o que fazer além de ficar aqui perdendo tempo. – ele disse encarando Sango. Seus olhos púrpuros correram furgão adentro, em direção a Sesshoumaru. –Bom te ver, Seichiro-san. – o rapaz fingiu bater continência, com um sorriso largo. Sesshoumaru rodou os olhos, impaciente, embora parecesse bem grato por Miroku expulsar Sango dali.

Sango bufou.

-Ah. – ela se afastou do furgão, dando passagem para Rin. –Tudo bem, então.

Rin empurrou o banco do carona e se enfiou no banco de trás do furgão. Ainda com um sorriso amarelo, Mukuro se virou para as garotas e Miroku.

-Bem, vejo vocês à tarde. – ele disse tentando soar simpático. Mas sua voz saiu num tom bem nervoso. Talvez fosse por conta do olhar intimidador que Seichiro ainda lançava em sua direção...

-Ok. – Miroku respondeu. Kagome assentiu, lançando também um aceno para o rapaz de cabelos vermelhos. Sango cruzou os braços, ainda contrariada.

-Tchau. – ela disse, indo até o lado de Kagome. Dando uma ultima espiadela nos olhos azuis da skatista, Inuyasha puxou a porta do furgão e Sesshoumaru finalmente os tirou dali. O hanyou afundou o rosto nas mãos, lamuriando.

-Oh, mas que garota bisbilhoteira! – ele reclamou. Sesshoumaru arrancou com uma mão só o lenço laranja e a máscara de resfriados. Lançou os objetos a Rin, no banco de trás. Ela os guardou de volta na bolsa.

-Inuyasha. – a voz do aniki soou fria no interior do veículo. O hanyou se endireitou no banco e encarou temeroso o irmão. –Esteja ciente de que não vou repetir essa cena. – Sesshoumaru sentenciou olhando o meio-irmão de esguelha. Inuyasha engoliu seco.

-Hai hai. – ele balançou a cabeça. Rin, rodando os olhos, se apoiou no banco do motorista e arrancou os óculos que ainda estavam no rosto de Sesshoumaru.

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Bankotsu estava bem confortável no sofá dos Taishou, com um notebook no colo, quando ouviu a porta de entrada rangendo. Por lá, entraram Inuyasha, Sesshoumaru e a pequena Rin.

-E aí, grande guerreiro? – Bankotsu pergunta encarando Inuyasha, enquanto o hanyou joga a mochila no outro sofá e solta os cabelos prateados. Com a outra mão, lança a peruca vermelha em qualquer canto. –Como foi a escola?

-Normal. – o hanyou responde de jogando no sofá, ao lado de sua mochila. Rin passa pelos dois, a caminho do quarto de Inuyasha e solta um 'há' irônico. Bankotsu arqueia uma sobrancelha.

-Por normal ele quer dizer contar às amiguinhas sobre seu irmão e as fazer ficarem todas fogosas querendo conhecê-lo. – Rin emendou, quando Inuyasha ficou quieto, continuando seu trajeto até o quarto do hanyou.

-Não foi culpa minha! – Inuyasha rebateu gritando para Rin, ali da sala mesmo. –Foi você quem falou que eu tinha um irmão!

-E você quem disse que ele era mais velho e que vinha buscá-lo todos os dias! –ela gritou de volta. Inuyasha prendeu a respiração, cruzando os braços. Bem, aquela parte era verdade... Mas ele não diria na frente de todos que só agira com essa impulsividade por estar um pouco... Embriagado com o olhar de Kagome. Quer dizer, maldito sol da manhã. Era tudo culpa dele.

-Oh. – Bankotsu arregala os olhos. –Quer dizer então que você foi assediado, Sesshou-chan? – o vocal pergunta com um sorriso, torcendo o pescoço no encosto do sofá para que pudesse ver o baixista.

-Quase. – ele disse saindo da cozinha com uma garrafa de suco nas mãos. –A pirralha deu um jeito.

-De nada! – Rin gritou do quarto.

-Bom, - Bankotsu meneou a cabeça. –De qualquer forma, eu tenho notícias para vocês. Tem pelo menos uns mil vídeos na internet sobre o incidente de ontem. Para esclarecer as coisas, já fiz uma nova postagem no meu blog com alguns vídeos da bagunça toda e expliquei que foi tudo culpa do Kouga. Disse que estávamos de passagem por Tóquio e ele inventou de testar alguns disfarces. – ele disse bem satisfeito com sua atitude. –E expliquei também que aprendemos a lição e nunca mais faremos isso de novo, já que quase perdi as pernas de tanto correr.

Sesshoumaru se lançou no pequeno sofá, ao lado de Inuyasha.

-Não acho que isso vá conter as fãs. – ele disse indiferente.

-Claro que vai! Já falei que não íamos fazer isso de novo. – Bankotsu argumentou, formando um bico. O baixista virou a garrafa de suco pelo gargalo. Inuyasha suspirou.

-De qualquer forma... Não acho bom vocês ficarem saindo muito. – ele opina, encarando os outros dois. –Não podemos nos dar ao luxo de sermos pegos de novo. Acho que Ayame, aí sim, nos daria o esporro da história. Ela pode querer argumentar que estamos quebrando regras do contrato, ou sei lá. – ele argumenta. Recebeu um olhar estreito dos outros colegas de banda. –É serio! Imagina se alguém se machuca nessas perseguições? Podem querer processar os The Wolfs!

Bankotsu contra-argumentou:

-Nós sairíamos bem machucados. – ele apontou. –E não poderíamos processar ninguém. Nem adianta vir com esse papinho, Sr Great, porque não pretendo ficar trancado aqui por quase vinte dias. Mesmo que eu ame o Sesshou-chan, você deve entender que não é fácil olhar pra cara dele o dia inteiro.

-Nem eu. – Sesshoumaru disse direto. –A não ser que você queira voltar andando para cá todo dia depois da escola.

Inuyasha soltou um grunhido em desaprovação. Seu irmão esboçou um sorriso, que logo murchou, se transformando numa carranca, quando ouviu o risinho do vocal, no outro sofá. O baixista arqueou uma sobrancelha. Deu um chute no sofá em que Bankotsu estava e lhe lançou um olhar frio.

-Contenha seu lado homoafetivo quando estiver na minha presença. – ele resmungou.

-Magoei seus sentimentos, Sesshou-chan? – Bankotsu perguntou com um sorriso largo. Aquele novo apelido era um dos seus progressos na arte de irritar Sesshoumaru. Adorava irritá-lo, e descobrira, recentemente, que ele odiava brincadeiras daquele tipo.

Como resposta, ele recebeu outro chute. Inuyasha rodou os olhos e foi tirar o uniforme escolar.

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-Sango. – a skatista interrompeu o falatório aleatório da amiga. –Você não achou aquele irmão do Takahashi meio estranho? – ela perguntou enquanto as duas andavam de volta para casa. Este era um daqueles dias em que a amiga almoçava na casa dos Higurashi, ao convite de sua mãe.

-Hm... –Sango pareceu ponderar. –Não sei. Um pouco, talvez, com aquela pressa toda. Quero dizer, que mal tem em conhecer uma amiga do irmão?

Kagome formou um bico.

-Não quis dizer nesse quesito. – ela começou. –Bem, a pressa era algo também, mas você não achou estranho o jeito que ele... Hm, se vestia? Digo, aquele lenço e tudo mais...

-Ah. – Sango ergueu as sobrancelhas. –Claro. Parecia bem fora de moda. Mas cada um tem seu estilo, não?

A skatista bufou.

-Sango. – ela chamou. – Ele se vestiu as pressas. Você viu as roupas dele?

Sango lançou um olhar de estranheza para Kagome.

-Eu vi as roupas dele. Calça rasgada e camiseta. Que tem demais?

-E você não acha meio estranho alguém de coturnos com um lenço laranja na cabeça? – Kagome argumentou. Sango enviesou suas sobrancelhas.

-Aonde quer chegar, Kagome? – ela perguntou, séria.

-Seichiro estava com os óculos da Rin. Sei disso porque ela estava sem os dela. Quando a gente chegou lá, Rin tinha a mochila apoiada nas pernas, como se tivesse acabado de mexer nela. – Kagome foi explicando e viu os olhos de Sango se arregalando enquanto ela acompanhava. –Ela e Takahashi esconderam as pressas o irmão dele, para falar com você.

-Então... – Sango parecia pensativa. Kagome mantinha os olhos azuis fixos na amiga, esperando sua conclusão. –Será que ele é algum bandido? Oh, coitado do Takahashi.

Sua postura murchou quando Sango concluiu. Não esperava aquele tipo de dedução para a questão.

-Não foi isso que eu pensei. Mas acho que também é válido... - a skatista fitou o chão enquanto andavam. Se o irmão de Takahashi Mukuro fosse um bandido... Bem, isto explicava um pouco sobre algumas atitudes estranhas dele. Mas não explicava o envolvimento dele com Rin, de como ela o ameaçava às vezes por conta de algo que sabia...

E o principal, o que aquilo tinha a ver com os The Wolfs? Seichiro seria algum tipo de bandido envolvido com celebridades? Um perseguidor, talvez?

-Mas, - Sango argumentou. –Se ele fosse um bandido, porque Takahashi daria informações sobre seu irmão tão facilmente?

-Aparentemente ele não as deu por vontade própria... Rin quem começou dizendo que ele tinha um irmão.

-Mas ele completou depois dizendo que era mais velho e vinha sempre buscá-lo. – Sango completou. Kagome piscou algumas vezes.

-Aliás, - a skatista começou. –Porque, pra começo de conversa, você se interessou tanto pelo assunto? Digo, pelo irmão do Takahashi?

Sango deu um sorriso cheio de perversão. Apertou com força as alças da mochila sobre os ombros.

-Você vai me zoar, mas tudo bem. Lembrei de Kaze Kagura falando hoje que achou o Takahashi meio parecido com Lord Maru. – ela fez um gesto para que Kagome a deixasse continuar, quando viu que a skatista já ia começar a contra argumentar. – Tá, eu sei que é bem difícil de acreditar no que ela dizia, mas achei... Que, bem, se fosse verdade, que o irmão do Takahashi pudesse ser um pouco parecido com Lord Maru. Para mim, já ia ser tão empolgante quanto conhecê-lo achar algum tipo de sósia dele por aí. – Sango juntou as palmas das mãos, enquanto seus olhos brilhavam.

Kagome piscou algumas vezes.

-Sósia? – sua mente fervilhava.

-É. Imagina que legal conhecer alguém idêntico ao seu ídolo?

-Hm... É. – Kagome respondeu olhando o chão. Sango começou a matraquear qualquer coisa sobre Lord Maru.

Agora que Sango apontara a questão da semelhança, Kagome sentia que algo completamente óbvio se esvaía pelos seus dedos. O que aconteceria se Seichiro se parecesse com Lord Maru? No que isso influenciaria no fato de ele ser um provável bandido e não poder se mostrar para as pessoas? E o mais estranho: o que aquilo tudo tinha a ver com The Wolfs? O que Mukuro escondia e que Rin e sabia? E até mesmo Miroku?

Qual a relação de tudo aquilo?

O mais irritante era não ter a resposta de nenhuma daquelas perguntas. Mas ela sabia, sabia que havia algo a mais por trás dos irmãos Takahashi e as pessoas que já os conheciam. E ela estava completamente disposta a descobrir o que era.

Só faltavam algumas peçazinhas daquele quebra-cabeça...

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A porta do apartamento Taishou se abre de súbito; todos os presentes na pequena sala de estar se viram para ela.

E um cara totalmente suspeito entra com um sorriso no rosto.

-Primeiro lobo tá na área! – ele diz com pose de rapper. Sesshoumaru, jogado no sofá, revira os olhos. Bankotsu arqueia uma sobrancelha, ao ver as roupas de Kouga, e volta sua atenção ao enorme televisor preso a uma parede da sala. –Qual é, que desanimo, malucos. – ele resmunga indo até os amigos. –Que bicho mordeu vocês?

Ninguém responde. Kouga se irrita. Caminha até a TV e desliga o aparelho pela tomada. Recebe alguns retrucos dos outros dois.

-Bom, venho em paz desta vez. Recebi um telefonema da Ayame. – Kouga diz direto. Tem em seguida toda atenção que queria. Bankotsu até se senta no sofá, ao invés de continuar deitado.

-E? – ele pergunta, pouco ansioso. O vocal e o baixista sabiam muito bem que a produtora ia no mínimo dar um esporro em cada por terem sido tão irresponsáveis no dia anterior. Ayame era casca grossa quando queria. E provar que ela não estava errada era no mínimo uma missão suicida; logo, ela sempre tinha os wolfs nas mãos.

E, em grande síntese, eles também deviam muito de seu sucesso ao trabalho dela.

-E, que mesmo ela estando fula da vida conosco, eu consegui um carrão para nos levar à entrevista para Elle Girl amanhã. – ele disse orgulhoso. – Ele vem nos pegar de manhã. Ayame disse que toda a imprensa vai estar esperando na frente do prédio da revista. Vai ser mais um daqueles 'aparecimentos em público', então, acordem cedo para fazer a maquiagem – ele completou zombando. –Oh, olá, Rin-chan. – o lobo disse quando viu a pequena passando com a mochila nas costas em direção a cozinha. –Pelo visto se instalou bem aqui.

Ela lhe mostrou a língua.

-Pirralho! Vem aqui um pouquinho. – Bankotsu gritou para Inuyasha, que estava no quarto. O hanyou veio em passos arrastados.

-Que foi? – perguntou, coçando o couro cabeludo.

-Você precisa de uma desculpa para faltar à escola, não precisa? – ele perguntou, erguendo as sobrancelhas. Foi Sesshoumaru quem respondeu.

-Precisa. – ele disse indiferente. –A entrevista para Elle Girl é amanhã cedo. Não vai poder ir às aulas. – ele explicou.

-Eu já sabia, você já tinha me falado. – Inuyasha retrucou. –Qual o problema?

-Que desculpa a gente vai dar? – Bankotsu perguntou fazendo uma pose pensativa. Sesshoumaru se levantou e foi ligar a televisão de novo. Kouga se sentou ao lado do segundo vocal.

-Isso é tão importante assim? Dê qualquer desculpa. Diga que ele ficou doente. – o lobo resmungou.

-Você não captou bem a coisa de viver no anonimato, né? – Bankotsu alfinetou. –Tem que ser algo que aconteceria de verdade. Como se ele não pudesse ir à escola por um motivo palpável, e não porque a gente tem entrevista amanhã. – o segundo vocal pareceu animado com a ideia. –Tem que ser algo... Bom.

-Posso me encarregar de dizer na diretoria amanhã que ele ficou com diarreia por causa da comida do Seichiro. – Rin sugeriu com um sorriso perverso. Inuyasha bufou.

-Não precisa. – o hanyou retrucou entre dentes. –Sesshoumaru liga para a escola antes de sairmos.

Rin balança a cabeça num gesto negativo. Apanha uma garrafa de água na geladeira e dá um aceno aos quatro wolfs na sala.

-Estou indo para a escola. Você não vem? – ela pergunta à Inuyasha.

-Quem é Seichiro? – Kouga perguntou encarando o hanyou.

-O novo 'nome' do Sesshoumaru. – Inuyasha respondeu. Viu Kouga soltando um 'ah...' enquanto assentia.

-Já sei! Podemos dizer que ele pegou uma virose. Viroses são comuns, qualquer um pode pegar. – Bankotsu bateu o punho direito na palma esquerda. Kouga começou a rir.

-Não vou pegar virose! Todos irão achar que estou sujando as calças e tive que faltar. É mais fácil dizer que estive com diarreia se forem falar de virose. – o hanyou bufou, se esquecendo da pergunta de Rin. Bankotsu o encarou por alguns minutos.

-Tudo bem então. Só achei que você não gostasse dessa ideia. – ele disse piscando. Inuyasha demorou alguns minutos para entender o que o vocal quis dizer.

-Bankotsu: Eu. Não. Vou. Pegar. Isso. – ele quase guinchou. –Qual o problema de vocês? Porque não posso pegar um simples resfriado?

-Porque o resfriado não se curaria magicamente até sexta-feira. – Kouga interveio, adotando o pensamento do colega. Bankotsu assentiu em movimentos exagerados, balançando a cabeça, concordando com o lobo.

-Que diferença faz? Posso ter melhorado a ponto de poder ir a escola até o outro dia. – Inuyasha bufou.

-Mas daí teríamos que simular coriza e abatimento, para dizer que você realmente esteve doente. – Bankotsu disse sério. Ainda mantinha a pose de pensador. Inuyasha revirou os olhos.

-Parem queimar neurônios tão inutilmente. – Sesshoumaru comentou, mudando de canal pelo controle remoto da TV. – É só uma desculpa idiota. Ninguém vai vir aqui checar se ele está doente.

-E se vierem, não o encontrarão em casa. Fim. – Rin concluiu, pouco irritada com aquela discussão inútil. –Então, você vem ou não? – ela perguntou impaciente. O hanyou balançou a cabeça.

-Hoje não. Se eu for, Sango vai ficar me enchendo de perguntas sobre Sesshoumaru. – ele estremeceu, imaginando a cena. Era melhor deixar as coisas esfriarem por enquanto. –Vou estudar aqui hoje. – o hanyou concluiu. Rin assentiu, seus olhos ligeiramente mais abertos.

-Ok, se é o que diz... – ela lançou um olhar aos outros wolfs na sala. –Boa sorte. Eu aviso Miroku.

-Ok. Obrigado. – Inuyasha acena enquanto a pequena sai pela porta do apartamento. Logo depois, ele se vira para Bankotsu, que ria baixinho.

-Ah, Houshi Miroku. Aquele seu amiguinho era uma farra! – o vocal comenta com o olhar perdido, a mente divagando em velhas memórias. Sesshoumaru faz uma careta e resmunga algo ininteligível. Kouga dá de ombros e se acomoda no sofá, assistindo o baixista mudar de canal.

-Ali! Ali! – ele grita para Sesshoumaru. -Volta naquele. Estavam falando da gente. – diz com um sorriso. Sesshoumaru, erguendo as sobrancelhas, aperta o controle até o canal em que Kouga disse. A imagem dos wolfs preenche a tela. Os três parecem se interessar pelo conteúdo. Inuyasha suspirando, os deixa assistindo ao programa e retorna a seu quarto.

Porque, como Mukuro Takahashi, ainda que temporariamente, ele deve estudar.

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Kagome estava dando um descanso aos olhos de tantas fórmulas de física. Permitiu-se, por algum tempo, apoiar a cabeça na mão e olhar o movimento da biblioteca. Sango continuava empenhada em estudar. Parecia já ter se esquecido do acontecimento que estrelara na hora da saída de hoje.

Mas Kagome não havia se esquecido. A cada fórmula de física estudada, ela ainda se perguntava qual seria a resposta para todas aquelas perguntas que rondavam sua mente. Seichiro... Mukuro... O que de fato eles tinham a esconder em tudo aquilo.

Não conseguia tirar da cabeça a ideia absurda de que os irmãos Takahashi estivessem ligados de alguma forma aos The Wolfs. E que Rin soubesse daquilo porque também teria algum tipo de ligação com eles. Afinal, eles estavam mesmo em Tóquio, não estavam?

Os olhos azuis da skatista se focaram numa pequena garota que adentrava sozinha a biblioteca da escola. Ela jogou a mochila sobre uma mesa qualquer perto das estantes e começou a abrir os livros. Ela era, de alguma forma, uma parte das aflições de Kagome.

Era Kagewaki Rin. Ah, que vontade que Kagome tinha de ir até a pequena e simplesmente fazê-la falar tudo que soubesse a respeito de Mukuro... De perguntar por que diabos eles esconderam Seichiro...

Mas não podia. Tudo que ela podia era apenas usar a mente, para tentar chegar àquelas respostas, sozinha. Kagome cutucou Sango, quando percebeu algo importante.

-Sango. Olha, Rin veio sozinha. – ela cochichou, apontando com a caneta a pequena Kagewaki.

-Hm. – Sango murmurou se virando e observando a figura apontada por Kagome. –O que tem?

-Porque será que Takahashi não veio com ela? – a skatista perguntou. Viu a amiga abrir mais os olhos ligeiramente.

-Sei lá. – a amiga deu de ombros.

-Aposto que tem a ver com o negócio do Seichiro. – ela lançou.

-Negócio do Seichiro. – Sango repetiu, arqueando uma sobrancelha. –Kagome, eu acho que você está um pouco obcecada demais.

A garota viu a skatista arregalando os olhos.

-Obcecada?! – ela disse alto demais. Recebeu uma bronca da bibliotecária. –Obcecada pelo que?! – perguntou aflita, tentando manter o tom de cochicho. Sango não percebia que algo importante se desenrolava bem debaixo dos olhos delas?! Como amiga, ela devia ajudar a descobrir o que era e não ficar acusando a skatista de ser uma obcecada!

-Pelo Takahashi. – Sango disse simplesmente, retornando sua atenção para os exercícios que ela estava resolvendo.

Kagome inclinou a cabeça, encarando Sango. Estava tão perplexa com a resposta da amiga que até sua boca não conseguiu se manter fechada. Encarou-a durante alguns minutos, enquanto Sango resolvia tranquilamente seus exercícios sem sequer se importar com o que acabara de dizer à Kagome.

Até que ela viu que não resultaria em nada.

-Sango. – começou. –É o seguinte: tem algo que Rin, Mukuro e Miroku estão escondendo da gente.

Ela recebeu um olhar perverso por parte de Sango.

-Mukuro, é? Já está chamando ele pelo primeiro nome?

Kagome corou furiosamente.

-Mukuro. Takahashi. Não faz diferença alguma no que eu quero dizer. – ela resmungou, emburrada. –O que eu quero dizer, é que... – parou, vendo que Sango ainda continuava com o olhar perverso. –Sango! – ela ralhou com a amiga.

-Que foi? – a outra perguntou se fazendo de desentendida. –Anda. Continue. – ela disse ainda com um sorrisinho sobre os lábios.

-Isso não tem nada a ver com o Takahashi. – ela se apressou em explicar, ainda sentindo suas bochechas quentes. –Nada nesse sentido aí em que você está insinuando.

-Aham. Sei. – Sango retrucou irônica. Kagome revirou os olhos.

-O que estou querendo dizer é que acho que tem algo com aquele Seichiro. Algo sobre os The Wolfs.

-Com os The Wolfs? – Sango enviesou as sobrancelhas. –Como assim?

-Sango, não comentei com você sobre aquela coisa de esconder o Seichiro? Com o lenço, os óculos e tudo mais?

-Hm.

-E o que o Takahashi disse ontem, quando Kikyou falou da festa dela, ele disse que: se os The Wolfs estivessem na festa, ele não poderia estar também.

-Hm. – Sango disse de novo. –Tá. Porque ele 'desmaia' quando vê First Wolf. – ela fez aspas com os dedos. – E daí?

-É esse o ponto. Você acha que ele desmaia mesmo? Tipo, isso é meio estranho, não?

Sango encolheu os ombros.

-O que isso tem a ver com o Seichiro? – ela perguntou, fazendo uma careta. –Nossa hipótese não era que ele fosse um bandido, ou sei lá?

-Sango... – Kagome sabia que era preciso ser cautelosa com o que ela iria sugerir a seguir. Até porque, sequer ela mesma acreditava que havia chegado a tal conclusão. Quer dizer, era absurdo demais para que fosse verdade. Absurdo. –Eu acho que Seichiro é um Wolf.

O queixo de Sango pendeu, deixando-a com a boca aberta enquanto encarava Kagome, visivelmente descrente no que a amiga estaria propondo.

-Ou está na equipe deles, ou conhece eles ou sei lá! Mas Rin sabe disso. Miroku eu acho que também. Eles estão sempre muito próximos do Takahashi... E ele não podia ficar falando do irmão por causa disso. Mas acabou falando. Mas eu acho que, mesmo bem difícil de acontecer, tem uma chance de ser de verdade. Digo, de Seichiro ser um Wolf mesmo, sabe. – Kagome começou a tagarelar, nervosa. –E que Takahashi não poderia ir ao baile da Kikyou porque... Porque é o irmão dele, ou sei lá. Argh! Só sei que minha cabeça tá dando um nó, de tanto que já pensei nisso! Ontem, na Rock Jidai, foi Rin e Miroku que acionaram o alarme de incêndio! E depois disso, ela saiu correndo com Takahashi, antes dos wolfs! Vi um vídeo mostrando isso, na internet. Eu sei que ele tá escondendo alguma coisa, e sei que tem mesmo a ver com os The Wolfs. Quero dizer, certeza mesmo eu não tenho, mas se tivesse que apostar, apostaria todas as minhas fichas nisso!

A skatista respirou fundo, encarando a amiga. Sango piscou algumas vezes, processando as informações.

-É... É impossível, Kagome. – Sango disse, ainda sob efeito de choque. Os olhos azuis da skatista se focaram na nova figura que vinha pela entrada da biblioteca. Sango a viu olhando fixamente para um ponto atrás de si, e se virou para ver o que era.

Seus olhos se depararam com Houshi Miroku, caminhando alegremente até a mesa onde Kagewaki Rin estava sentada, sozinha.

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-Hey, pequena Rin. – Miroku chegou de supetão em sua mesa, jogando a mochila sobre ela. Rin respirou fundo e ergueu uma sobrancelha, olhando sugestivamente para o objeto deturpando sua organização. –Onde está Mukuro?

Ela suspirou, quando o rapaz não percebeu que estava a atrapalhando.

-Ficou no apartamento. – ela disse simplesmente. Miroku franziu as sobrancelhas.

-Ah é? – ele se sentou. –Porque essa decisão repentina? Achei que ele quisesse ser uma 'pessoa normal' durante o tempo em que estivesse aqui. – ele fez aspas com os dedos.

-Ele ficou com medo da sua namorada ficar perguntando sobre Seichiro-sama. – ela retrucou em tom irônico.

-Oh... – Miroku deu um sorriso bobo. –Quem dera ela fosse minha namorada...

-Ela estava tão interessada nele hoje... – Rin adicionou, ácida, explodindo como que com uma agulha a bolha de sonhos em que Miroku entrara. Ele formou uma carranca.

-Ok. – ele resmungou, emburrado. –Você faz mesmo questão de nos lembrar de certos fatos.

-Oh – Rin esboçou um semblante inocente. –Você disse certo, agora. Fatos.

Miroku lançou um olhar estreito para a pequena.

-É. – ele começou. –E nossa teoria estava mesmo certa. Você é fria como Sesshoumaru. – disse como se fosse a pior coisa que alguém pudesse ser acusado. –Vocês formariam uma dupla e tanto. Talvez fiquem juntos no futuro. – completou, sabendo que aquilo a irritaria.

-Acho que não. – Rin não se deixou abalar. –Aposto como ele vai estar bem ocupado cuidando de Sango, no futuro. – disse encarando o rapaz. Miroku ficou vermelho, e ela sabia que era de raiva. Havia poucas coisas com que ele era ciumento. E uma delas era Sango. Embora a amiga da skatista sequer tivesse olhos para o Houshi.

Miroku suspirou, admitindo sua derrota.

-Ok, viborazinha. Três a um para você. Estou indo. – ele se levantou pegando a mochila.

-Onde você vai? – Rin perguntou fingindo inocência, quando o rapaz já estava um pouco distante. Um sorriso perverso brincava em seus lábios. Miroku lançou um olhar de desprezo para a garota, antes de respondê-la, num tom pouco alto para se usar em uma biblioteca.

-Vou visitar o Mukuro.

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Sango se virou para a amiga no momento em que Miroku saiu pela porta da biblioteca. Trocou um olhar cúmplice com a skatista. Praticamente todos ali ao redor ouviram a última frase do rapaz para Kagewaki. Sem entender a determinação nos olhos de Sango, Kagome ergueu as sobrancelhas, formando uma expressão que a instigava a se explicar.

-Kag. – ela disse, decidida. –Vamos segui-lo.

Wow. É. Era assim mesmo quando Sango decidia que alguma coisa era importante.

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Miroku ainda estava praguejando pelas palavras de Rin quando acionou o interfone do prédio de Inuyasha. Bankotsu atendeu, com uma voz entediada perguntando 'quem é'. Depois de reconhecido, o vocal ainda tirou uma com a cara do amigo de Dark Great, dizendo que já estava com saudades de três anos de duração. A trava do portão foi desativada e Miroku passou pelo porteiro do prédio.

Enquanto cumprimentava o porteiro na guarita, ninguém percebeu as duas figuras femininas aproveitando a trava aberta e se esgueirando para dentro do edifício. As duas se esconderam atrás de um enorme vaso artificial que ficava ao ar livre. Assim que Miroku passou por elas, caminhando calmamente em direção à entrada do lugar e logo em seguida acionando o elevador – que se abriu na hora e o engoliu para algum andar; as amigas se permitiram relaxar e respirar fundo.

-Ok, estamos dentro. – Sango comentou como se estivessem reportando a situação das duas para algum superior de espionagem.

-E agora? – Kagome perguntou, sentindo seu coração batendo forte, com medo de ser pega. Olhava em volta preocupada.

-Agora... A gente acha o apartamento em que ele foi. – Sango concluiu apertando o botão do elevador.

-Ah, claro. – Kagome ironizou. –Depois aperta a campainha e pede pra tomar um chá com os The Wolfs.

-É isso aí. – a garota disse decidida.

-Aiaiai... – Kagome choramingou. –Sango, tem certeza de que está ouvindo o que está dizendo?

Sango a lançou um olhar desdenhoso.

-Não vamos apertar a campainha dele, Kag. – ela explicou o obvio. Embora por um momento a skatista pudesse jurar que era aquilo que ela estava decidida a fazer.

-Vamos fazer o que, então?

-Só... Checar o lugar. Se a gente topar com Takahashi por aí, aí a gente se convida para ir ao apartamento dele.

-Ta. – Kagome cruzou os braços. –E como nós acharemos o dito cujo?

Sango ficou quieta. O elevador chegou. Não era o mesmo em que Miroku subira. As duas entraram nele e observaram a enorme lista de andares que piscavam m botões coloridos.

-É... – Sango concluiu. –Vai ter que ser tentativa e erro.

A skatista suspirou, batendo a palma da mão contra a própria testa. Porque mesmo foi contar suas suspeitas à Sango...?

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Uma veia pulsou em sua testa. Uma gritaria de outro mundo eclodia no apartamento. Inuyasha ainda tentava entender as malditas fórmulas que foram passadas nos exercícios da aula de hoje, mas com três roqueiros jogando videogame na sala bem ao lado do seu quarto, e ligando o som da TV em amplificadores de instrumentos, seus estudos não iam lá às mil maravilhas.

Pelo menos ele tentava. Mas sabia que tentar não ia ajudar muito quando tivesse que fazer suas provas. Bom, pelo menos nas provas ele sabia que não teria que enfrentar tanto barulho assim. Pelo menos era o que esperava.

Inuyasha amassou com raiva uma folha de papel enquanto olhava com um olhar estreito a porta de madeira de seu quarto. Levantou-se num repente, praticamente marchando até a sala, com seus passos duros.

Chegando lá, viu a farra que seus três colegas de banda faziam. Latinhas de energético estavam espalhadas por todos os cantos da sala enquanto Sesshoumaru e Bankotsu disputavam uma corrida com o que pareciam ser carros monstros. A tela da TV estava dividida em dois, mostrando em cada lado o desempenho dos dois jogadores. Kouga estava sentado no braço de um sofá, gritando e opinando no que os dois jogadores deviam estar fazendo.

Eram em momentos como aquele que o hanyou mais se perguntava quantos anos mesmo aqueles malditos tinham.

-EI – ele tentou chamar a atenção dos três. Só Kouga parou para se virar. –Dá pra vocês abaixarem o volume disso um pouquinho? Estou tentando estudar lá no meu quarto! – Inuyasha resmungou.

-Daqui a pouco, pivete! Daqui a pouco! – ele disse tornando sua atenção à TV. – Bankotsu! Vai atropelar a velha, seu infeliz!

-Cala a boca! – o vocal gritou de volta.

Inuyasha suspirou quando ouviu a campainha soando. Caminhou até a porta e abriu-a, se deparando com Miroku, que tinha uma expressão emburrada.

-O que está havendo aí? Uma corrida de fórmula 1? – o amigo perguntou arqueando uma sobrancelha.

-Quase isso. São carros monstros. – ele respondeu dando de ombros. –Entra aí.

-Com licença. – Miroku disse tirando os sapatos. Seus olhos correram pelo lugar, parando na sala, onde os três wolfs jogavam. –Mas o que é isso? Eles ligaram a TV no amplificador! Pode fazer isso em apartamento? – perguntou incrédulo.

Inuyasha deu de ombros.

-Sei lá. Se não puder, espero que alguém venha reclamar logo. Estou tentando estudar desde que cheguei. – ele reclamou.

-Blé, que estudar que nada! – Miroku replicou, indo até onde a sala. –Você devia era estar jogando aqui com eles! É um amplificador, cara! – o rapaz se ajoelhou ao lado do sofá.

-Ei! – Bankotsu disse abrindo um sorriso quando viu Miroku. –Vejam só se não é o amiguinho do Inuyasha! E aí, jovem guerreiro?

-Fala, Wolf! – Miroku cumprimentou o vocal com uma batida de punhos. –Na próxima eu entro! – ele anunciou.

-Depois de mim, pivete. – Kouga interveio, arqueando uma sobrancelha. Apertou com força a latinha de energético nas mãos, amassando-a.

-Ok. – Miroku assentiu, os olhos grudados na tela. –Ei, se vocês levarem esse amplificador lá pra minha casa, podem ir jogar lá sempre que quiserem.

Kouga esboçou um sorriso e bagunçou os cabelos de Miroku, se levantando. Inuyasha revirou os olhos e foi de volta para seu quarto. O lobo foi em direção à cozinha, procurando por mais energético. Abriu a geladeira e não encontrou nada.

-Pivete! Não tem mais bebida? – ele gritou para Inuyasha, encarando a geladeira vazia.

-Vocês devem ter tomado tudo! – o hanyou gritou de volta.

-Droga. – Kouga praguejou. Caminhou em direção à porta do apartamento, pegando no caminho uma japona que era parte de seu disfarce para chegar até ali. – Ei, pirralho, pode pegar minha vez. Vou comprar mais bebida. – anunciou, para alegria de Miroku.

-Beleza! – ele comemorou. Sesshoumaru apoiou a cabeça no encosto do sofá e olhou Kouga se aprontando para sair.

-Aproveita – ele disse alto para o lobo escutar. –E traz papel higiênico.

-Pode deixar. – o lobo mandou um joia para o baixista antes de sair. Puxou o capuz sobre a cabeça e se foi.

Ao sair no corredor, Kouga acionou os dois elevadores que o prédio tinha. Assim que chegaram ao andar em que estava, o objeto abriu as portas e o lobo caminhou para dentro. Tamborilando os dedos nos próprios braços, que estavam cruzados, ele se encara no espelho lateral, no interior do elevador. Devia ter posto seus óculos escuros. Só aquele capuz não o escondia quase nada.

Mas, bem, ia só até o mercado comprar mais energéticos. E papel higiênico, por sinal. Não tinha como iniciar qualquer nova perseguição com atos tão simples, tinha?

Sem pensar muito nisso, o lobo ficou quieto, escutando a música tocar enquanto o elevador descia. Alguns andares depois, o elevador parou e as portas se abriram. Duas garotas estavam esperando, mas pareceram assustadas por alguém estar no elevador. Ele puxou o capuz e ia desviar o olhar, só para garantir. Mas algo o impediu. Seus olhos azuis ficaram fixos na figura de preto, ao lago da outra garota.

Era... Ela. A fã que estava com Inuyasha no primeiro dia em que ele esteve em Tóquio. Reconhecia-a pelo estilo. As roupas eram quase as mesmas, outra camiseta da sua banda e as correntes fazendo barulho em sua calça.

Ela e sua amiga, ao invés de entrarem e irem para qual andar quisessem ir de início; ficaram paradas, o encarando de volta e parecendo em choque, com semblantes assustados.

Enquanto Kouga ainda estava dentro do elevador. Inconscientemente, o lobo deu um peteleco na barra do capuz da blusa, para analisar melhor as garotas. Percebeu seu erro quando se lembrou de que o capuz era a única coisa que escondia vagamente sua identidade. Martirizou-se por não ter posto óculos escuros ou alguma coisa assim. A expressão das duas, que já era de choque, talvez susto, por não terem pegado o elevador vazio, se transformou em total incredulidade quando Kouga deu aquele peteleco. Quase parecia que seus olhos iam saltar das órbitas.

Elas tinham o reconhecido. Oh, droga, ele não estava podendo ser perseguido de novo. Embora aquela fã, em especial...

Não. Nada disso. Esperando que elas ainda entrassem no elevador, Kouga já ia se preparar para pular fora dali. Já estava com as pernas em posição, quando percebeu que elas ainda estavam encarando-o fixamente. Seus olhares ainda eram arregalados, e elas não tinham dado um passo sequer para dentro do elevador. Aproveitando-se disso, ele bateu no botão para as portas se fecharem.

E elas se fecharam. E o elevador continuou a se mover. E Kouga respirou aliviado.

Sango e Kagome ficaram para fora, ainda tentando digerir a situação. Cruzaram olhares, um tão arregalado quanto o outro. Foi a skatista quem arriscou perguntar.

-Aquele era... First Wolf? – ela perguntou ainda não conseguindo acreditar nas próprias palavras. Sango piscou algumas vezes, engoliu seco e respondeu.

-Parece que sim.

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Nota da Autora: Muito obrigada a todos que já deixaram reviews na fanfic e que favoritaram! De coração.

O próximo capítulo sai dia 04/06. Adianto já que ele está tão gordinho quanto este. Até o capítulo 10!