N/A: Mesmo sabendo que ninguém lê essas malditas N/A's, (Não é dona Cimalla? Uú) acho que são necessárias, e continuarei a escrevê-las.

Pra começar bem... Vamos começar com jabá! ushaiushai Ok, prometo não tomar muito o precioooso tempo de vocês... Só queria avisar de uma fic nova aqui no fanfiction, em parceria com a senhorita Johnson. É uma H/G pós Half-blood Prince, primeiro cap on e eu só tenho DUAS reviews, que absurdo, não? ôo

Pois é... Com vocês: Capítulo Oito, Momentos Assim. Porque eu descobri o segredo da J.K. (MUAHAHAHA) E conseqüentemente vocês descobrirão, assim que terminarem de ler.

Feliz demais com si mesma, Madame Pomfrey deitou-se em sua cama na sala dos fundos da enfermaria. Finalmente tinha conseguido fazer aquelas pestes dormirem, mal sabiam eles que o outro dia seria domingo. Pelo menos agora, teria uma ótima desculpa para acordá-los cedo, refazer os curativos, medicá-los e despachar os que haviam chegado primeiro, Lílian e James. Suspirou, sentia pena do menino que todo mês chegava lá carregado pelos amigos, queria poder fazer algo que o ajudasse, mas por algum motivo, o professor Slughorn se negava a fazer a poção mata-lobo. Escutou ao longe algo tocando o vidro da grande janela, abriu os olhos enquanto levantava apanhando o hobby ao lado da cama e amarrando-o em volta de seu corpo. Novamente alguma coisa deu leves batidinhas na janela. A enfermeira aproximou-se com cautela, vendo através do vidro embaçado pelo frio, uma ave aparentemente nova com penas de um laranja muito claro, que agora se encontravam brancas, os olhos cor de âmbar e o bico maior do que o de uma coruja. Era Fawkes que batia, ela tinha um pedaço de pergaminho amarrado à perna. O que Dumbledore queria com ela aquela hora? Afastou alguns quadrados do vidro, a ave entrou na sala batendo as asas e pousou na cabeceira de sua cama de metal.

Esticou a perna com o bilhete elegantemente, Madame Pomfrey apanhou o pergaminho e a ave levantou vôo novamente saindo pela janela ainda aberta. A mulher apanhou seus óculos no criado mudo e, apoiando-os na ponta de seu comprido nariz, desenrolou a folha lendo atentamente o parágrafo de letras finas e rebuscadas. Re-leu algumas vezes o pequeno texto tentando compreender melhor a informação. Sentindo as pernas bambas, sentou-se a beira de sua cama, a cabeça pendendo para baixo. Resolveu-se por atender as instruções que a carta continha. Jogou o hobby displicentemente no chão, voltou a deitar-se retirando os óculos. Suspirou, o dia seguinte seria difícil.

Lílian acordou sentindo os raios de sol penetrarem em seu leito, fazendo daquele cortinado sua sauna particular, abriu os olhos fitando o nada e espreguiçou-se molemente. Sentou-se na cama sentindo um leve mal estar; deveria ter levantado mais devagar, pensou respirando fundo. Mas não, havia algo muito estranho no ar. Afastou o cortinado, querendo ver o que acontecia do outro lado, nada lhe surpreendeu além de seus olhos que não conseguiam desviar do corpo de Potter que dormia pesadamente a seu lado, sem a camisa deixando os curativos à mostra e com os braços cruzados em cima do rosto na tentativa inútil de se esconder do sol que invadia severamente a enfermaria através da grande janela nos fundos do aposento. No comprimento da sala estavam Peter que emitia roncos estridentes, Sirius que continuava a resmungar enquanto remexia-se desconfortável e o quadro do Homem com o Cão de onde não vinha nenhum ruído. Considerando o tempo, ela deduziu que seriam mais ou menos oito horas da manhã, o café ainda estava sendo servido, afinal, era domingo; Madame Pomfrey não havia enganado aos dois, a ruiva obedeceu-lhe porque assim quisera.

Espreguiçou-se novamente, alguma coisa estranha ainda acontecia em seu estômago, talvez todas aquelas poções não lhe tivessem feito bem. Cogitou uma rápida visita a Remus; não seria má idéia ver como ele estava. Chegou a tocar os pés no chão em busca de equilíbrio, porém ao afastar-se da maca tudo a sua volta pareceu girar e ela tombou no chão, inconsciente.

- Senhorita Evans! – A enfermeira gritou em desespero.

James pôs-se sentado no susto, acabara de sair de um sonho como há muito não tinha, um sonho bom. Ainda confuso, piscou várias vezes até encontrar os óculos. Viu de olhos arregalados a mulher de branco gritar alguma coisa, engraçado não entender o que ela falava, pensou, mas vendo a expressão de terror em sua face, percebeu a ruiva caída a seu lado. Mais rápido do que um dia soubera ser capaz, tomou Lílian em seus braços, colocando-a delicadamente na cama onde estivera deitado tranqüilamente instantes atrás. Madame Pomfrey se aproximou empurrando o garoto para o lado e verificando o pulso de Lily, logo após dizendo a ele que estava tudo bem.

A garota abriu os olhos lentamente fazendo os dois se calarem, sua cabeça doía.

- Você apenas sentiu uma tontura. Deve ser... Deve ser fome! Pedirei a alguns elfos que tragam frutas para vocês... – A enfermeira tagarelava, estranhamente confusa.

- Creio que não será necessário Poppy, eu estou liberado não? – Foi à vez de James perguntar.

Eles estavam diferentes, isso não passou despercebido por Lílian. O Maroto exibia um ar pouco mais relaxado, leve que dos outros dias enquanto a mulher tinha olheiras e as feições cansadas, opostas a suas atitudes objetivas e severas.

-...Então você pode ir. – Concluiu.

- Até mais, Lily.

A garota revirou os olhos.

- Evans.

- Que seja. – Ele deu de ombros, aquele dia não começara tão bem quanto o imaginado, mas não pretendia deixar-se abalar pelo mau humor dela. – Péssimo humor de manhã, hein?

Ela revirou os olhos enquanto ele lhe dava as costas sorrindo marotamente. Observou o moreno entrar no banheiro da Ala Hospitalar e seguir para a cozinha. Sentiu-se culpada por destratá-lo tanto, havia prometido ser mais agradável com ele, mas acabara sucumbindo à força do hábito. Não deixava de ser verdade que naqueles anos todos, ela realmente o achava insensível, irresponsável, imaturo e todos os defeitos que já cansara de listar, nunca havia sido desonesta com ele quando gritava que o odiava. Por que agora seria diferente? Talvez estivesse cansada de sempre dizer as mesmas coisas, talvez estivesse cansada de repetir as mesmas cenas, talvez ele tivesse mudado, talvez ela também. Seus pensamentos foram interrompidos por alguém entrando na enfermaria. Faltou-lhe o ar; a ruiva segurou-se para não pular da maca ao ver quem era. Dumbledore, em pessoa, ali? O diretor sorriu gentilmente para ela enquanto aproximava-se. "Bom dia". Cumprimentou de trás de seus óculos de meia-lua na ponta do nariz, e ela respondeu com a voz vacilante.

- Será que eu poderia me sentar aqui? – Perguntou indicando a ponta da maca dela.

- Ca... Claro.

- Bom Lílian... - Ele começou encarando-a serenamente. – Creio que a noite passada tenha sido um tanto quanto... Conturbada, para você? – Ela afirmou com um aceno de cabeça e ele continuou. – Sei que deve estar uma enorme confusão dentro dessa cabecinha, mas também afirmaria que a senhorita tem maturidade e inteligência o suficiente para compreender de que nada daquilo afetará negativamente a sua vida, nem a dos seus colegas aqui em Hogwarts. – O professor limpou a garganta e sua voz tornou-se levemente cautelosa e na medida do possível, firme.

- Sim, senhor...

– Porém, temo que o que eu vá lhe perguntar e lhe falar agora seja um pouco mais, grave. Quero que me diga, honestamente e sem medo, o que você sabe a respeito de Lorde Voldemort.

- Eu? – "Mas por que ele quer a minha opinião? Eu sou apenas uma aluna! Será que pensa que eu tenho alguma ligação com Artes das Trevas? Merlim, socorro!" – Eu sei apenas o que todos aqui sabem professor, aquilo que sai no Profeta Diário... Sei que ele é um poderoso bruxo das trevas, e que vem reunindo seguidores de todas as partes.

- A senhorita sabe, o que Voldemort e seus seguidores tanto desejam? – Indagou enigmático.

- Eh... Eles, eles querem livrar o mundo bruxo daqueles nascidos trouxas, não é? – Respondeu baixando o olhar.

- Sim, está correta. Mas eles, infelizmente, não atacam apenas os bruxos chamados indevidamente por eles de "Sangues-Ruins". Voldemort e os denominados Comensais da Morte, atacam também os trouxas comuns. – Ele limpou a garganta sentindo a responsabilidade e o peso que aquilo tudo estava trazendo. – Esse tipo de pessoa, Lily, esses que estão atacando trouxas, não sabem o quanto vão pagar por tudo que estão fazendo, pelas dores e perdas que estão causando. E eu receio... Que você tenha sido profundamente atingida por todo o ódio deles...

Ela não disse nada, seu cérebro estava a mil, mas nenhuma palavra ousou sair de sua boca. Havia algo de errado naquele discurso, sabia disso, a sensação de que aquilo já havia acontecido antes acometendo-na aos poucos, então apenas fez um pedido mudo para que o Diretor continuasse a falar.

- No início da noite passada chegou a minhas mãos um telegrama do Ministério da Magia que notificava um ataque a uma cidadezinha no subúrbio de Londres... – O coração de Lily pulou uma batida e seus dedos que antes se contorciam nervosamente sobre seu colo pareciam ter sido petrificados. – Eles falavam de Surrey, Lílian. Eram quatro Comensais da Morte, o próprio Voldemort não se dá ao trabalho de aparecer em lugares... Insignificantes aos seus olhos. – Os olhos da ruiva começavam a marejar, ela já sonhara com este momento, com tudo que estava acontecendo, tudo o que ele dizia, mas nunca havia sido tão real, em todas as noites que acordara chorando pelo mesmo pesadelo, porque antes, eram somente pesadelos. – Eles aparataram na rua dos Alfeneiros, por volta das cinco horas. Passaram por toda a rua fazendo o que a Ministra Clarice chamou de varredura... Não houve sobreviventes. – A garota prendia o choro, quem sabe não era mesmo um pesadelo e eles estavam todos em casa, bem e tomando uma xícara de chá com panquecas, ou que sabe biscoitos?

- E... E a minha família? - Perguntou num fio de voz.

- Sua irmã, Petúnia, estava na casa do namorado e passa bem. Mas por um enorme infortúnio seus pais, eles estavam em casa e nem tiveram a chance de se defenderem...

Após breves minutos de um silencio sofrido; a garota ergueu os olhos levemente vermelhos que faiscaram, mirando-o.

- UM INFORTÚNIO, É ISSO QUE VOCÊ TEM A DIZER? – Exasperou-se ficando de pé e encarando o Diretor perigosamente. – OS MEUS PAIS MORREM E TUDO QUE VOCÊ FALA SOBRE ISSO É QUE FOI UM INFORTÚNIO? ENQUANTO O SENHOR ESTAVA SENTADO NO SEU TRONO DE DIRETOR E BRUXO PODEROSO, TINHAM LOUCOS OMISSIDAS LÁ FORA, CORRENDO ATRÁS DA MINHA FAMÍLIA! – Evans desabafou, as lágrimas descendo copiosamente de seus olhos, que agora eram de um verde escuro sombrio. (N/A: Poor, poor Dumby.// Nota mental, segredo da Joanne – Matar o máximo de personagens possível quando as idéias acabam :B to certa?). Albus segurou-se um pouco mais firmemente ao sentir o corpo quase ser arrastado por uma breve onda de calor que parecia emanar dos olhos da pequena.

Ouviu-se um certo rebuliço dos fundos da enfermaria, mas ela pouco se importava. Os dois Marotos estavam sim, acordados, porém diante ao estado dela preferiram continuarem imóveis em suas macas. Dumbledore a fitava compreensivo, não esperava que a reação da ruiva fosse tão explosiva, mas aparentemente ela ainda lhe surpreenderia muito. A garota calou-se enquanto andava de um lado a outro no mesmo lugar (N/A: entendem? ôo), até que parou ao pé da sua maca e escorregou, sentando no chão. Ele estava mentindo, era tudo apenas um pesadelo, mais um dos outro tantos que tivera como aquele; sempre estava na Ala Hospitalar e o Diretor vinha conversar com ela e sempre dizia que seus pais haviam morrido de uma forma trágica. Só que diferente era desta vez, (N/A: Como já dizia mestre Yoda \o/) ela não acordaria gritando, sentindo o mesmíssimo aperto no peito que sentia agora, não acordaria, nada seria da mesma maneira que antes; ninguém mais lhe mandaria cartas perguntando se havia dormido bem nesta semana, ninguém sairia pela rua gritando que sua filha era monitora sem nem mesmo saber o que isso significava, (N/A: Céus, eu tô vazando.) ninguém mais xingaria a professora de Transfiguração por não ter dado também um "Ótimo" a sua filha, ninguém mais poderia vê-la, ouvi-la, abraçá-la e dizer que ficaria tudo bem.

- Eh... Lílian; creio que não esteja preocupada com isso no momento, mas tenho o dever de lhe dizer que daqui para frente você e sua irmã poderão continuar morando em sua antiga casa, porque ela é maior de idade no mundo trouxa. E como você torna-se maior de idade em nosso mundo este ano, será decisão sua escolher onde vai morar embora o recomendado é que vá morar com ela. – O Diretor falou sem deixá-la interromper.

Enxugando as lágrimas que ainda caiam de seus olhos com as costas das mãos perguntou rouca:

- E o enterro?

- Será hoje, às duas horas. Se você estiver em condições de ir, serei eu a levá-la até o local, e trarei-a de volta para a escola assim que tudo estiver encerrado.

- Eu vou com o senhor... Mas por favor, eu não queria cruzar com ninguém nos corredores, ainda não.

Já voltava para a enfermaria apressado, trazendo em seus braços uma cesta carregada das mais frescas frutas da estação, todas que os elfos conseguiram lhe empurrar. Não sabia sequer o motivo de tamanha preocupação se a pouco ela demonstrara que não era possuidora de boa memória e o trato deles da noite anterior fora por água abaixo, nem amigos seriam da parte dela. Mas James Potter nunca desistiu, desistiu? E não começaria por agora. Mudança de estratégia, quem sabe? Começava a sentir-se cansado de ver sua própria história se repetir; humilhava-se por ela, mudava seus hábitos por ela, mas nunca conseguia fazê-la feliz. Cansado daquele jogo que eles haviam criado para eles mesmos. Queria compreender tudo o que passava na mente dela, saber de onde viera tanto ódio, aquilo que a fazia rejeitá-lo. Nunca havia levado um fora, nunca até interessar-se por Lílian Evans. A menina que sentou a sua frente naquela aula, a menina que o olhava feio quando passava, a menina que era diferente e por isso destacava-se das outras. Com seus olhos que mais pareciam duas grandes esmeraldas, sua pele branca e macia com a seda que sempre ficava da cor dos cabelos vermelhos quando lhe encarava raivosamente. E como ele adorava a cor das maçãs do rosto dela quando ela tinha raiva, talvez fosse por isso que um dia já tivesse gostado tanto de provocá-la.

- James Prongs Potter!

Olhou para trás, estivera andando tão rápido e tão absorto em seus pensamentos que não notara Samantha correndo atrás de si com algo que parecia uma folha de jornal balançando nas mãos.

- Olá Sam! – Respondeu diminuindo o passo e sorrindo para a morena.

- Onde vocês estiveram à noite...? – Ela perguntaria, mas preferiu atalhar. - Olha isso. – Disse enquanto lhe entregava a folha de jornal ofegante; não havia percebido antes, mas a garota estava séria.

Ele tomou a folha nas mãos atrapalhadamente, era uma das primeiras páginas e a um canto havia uma pequena coluna em vermelho com uma foto menor onde se via uma rua deserta e no céu escuro pairava algo como uma caveira, e no lugar de onde deveria estar a língua saía uma serpente. Em letrinhas espremidas a baixo da foto o Maroto leu com dificuldade:

- "Surrey, 19 de outubro. Mesmo com todas as inúmeras tentativas do Ministério da Magia de esconder da comunidade bruxa o que está acontecendo em nosso mundo e da calamidade em que estão transformando-se as nossas vidas, ontem à noite, foi notificado um dos maiores ataques a trouxas. Testemunhas afirmam que os quatro responsáveis pelo ataque são pertencentes ao grupo de seguidores das Artes das Trevas autodenominados Comensais da Morte". Mas o que...?

– Ele perguntaria, mas ela o interrompeu.

- Continue.

- "Já foram confirmadas as mortes dos trouxas: Charlot Parsons, Andrew, Virgínia e Clarie Parker, Joseph St. Julien, Martha White e Tony Cabot; ainda não foram identificados treze dos vinte e dois corpos, os nomes mais recentes são os de Laurence e Megan Evans". E... Evans?

- Sim, James, os Evans... Os pais da Lily.– Foster repetiu com os olhos marejados enquanto observava a reação do garoto.

- Ela... Ela... Ela já sabe? - Gaguejou apertando o passo rumo à Ala Hospitalar.

- Acho que não, o Dumbledore provavelmente vá querer conversar com ela, assim como fez com o Finigan da Corvinal. Mas não acho que ele já chegou lá...

Prongs já não conseguia ouvir o que a garota dizia, sinceramente, ela tagarelava agora. Não ouvia por já estar longe demais, e ao mesmo tempo muito perto, de onde queria estar. Nem imaginava o que a ruiva estava sentindo, mas tinha a certeza de que não eram sentimentos nada felizes, muito distantes disso, sabia. Ou melhor, pensava saber. Não fazia idéia, nem tinha noção do quanto aquilo doía, mas sabia que doía. E se conseguisse, de qualquer maneira, através de qualquer método, transferir aquela dor para si próprio, o faria, só para poupá-la de todo e qualquer sofrimento. Seu único e maior obstáculo era ela mesma, se ela permitisse, cuidaria dela, com carinho, atenção e amor. Estava ficando meloso demais, pensou. Já rira de si mesmo diversas vezes desde que tudo aquilo começara, e ao mesmo tempo achava absurda a idéia de amá-la menos, de não amá-la mais. Empurrou as portas da Ala Hospitalar ainda carregando a sesta de frutas que segundos depois jazeu no chão.

- Madame Pomfrey! - Gritou sentindo as faces ficarem vermelhas.

- O que...? - A enfermeira entrou na enfermaria assustada. - Ah, é você... O que foi James? - Perguntou cansada.

- Onde está a Lily? - Cuspiu dificilmente.

- Todos já sabem, não é? - Uma terceira voz perguntou.

Potter olhou para trás, Sirius estava sentado em sua maca com as cobertas até a cintura e fitava as mãos cruzadas entre as pernas. Notou também Peter, sentado na própria maca, mas este lhe encarava com um ar diferente, suspeito e ao mesmo tempo assustado. Olhou de um para o outro procurando apoio ou qualquer outra coisa que lhe servisse de resposta.

- Sobre os pais da Lily. - Padfoot continuou.

- Creio que sim... Ela também?

- Já, Dumbledore esteve aqui logo cedo e eles saíram. - Falou fitando o amigo preocupadamente.

- Como ela estava? - James encostou-se à cabeceira da maca onde Lílian deveria estar, olhando para seus sapatos. Odiava-se agora por não ter estado ali quando ela mais precisara dele, por ter saído como um bobo atrás de um café da manhã inútil, a deixara sozinha como ela nunca estivera antes.

- Razoavelmente bem... Na hora ela até gritou com o Dumbledore, surtou de verdade, mas se acalmou rápido e eles saíram para o enterro, acho. Olha Prongs, não adianta você ficar assim pra baixo... Nem que você tivesse aqui, só ia ser mais um com dor de ouvido... Talvez...Vá, pense como um Maroto! Talvez, quando ela voltar, você pode chegar nela assim de mansinho abraçando...

- Sirius, os pais dela morreram, não o cachorro. Eu nunca seria capaz de fazer isso com ela... Você seria capaz de fazer isso com a Sam? - Indagou levantando os olhos para o outro.

- Eh... Eu... - Estranhamente ele corou. James arqueou levemente as sobrancelhas contendo um sorriso maroto. - Não.

- Então, compreende o que eu estou dizendo?

- Claro. Mas o meu caso com a Sam é diferente... Eu não vou ficar como você. - Acrescentou com um meio sorriso.

- Como assim, como eu Padfoot? - Riu o moreno.

- Argh, assim, você sabe... Bobo, lento, cego, surdo, quieto... Apaixonado, caro Prongs.

- Ah, claro! Por que não disse antes? – Riu.

- Pelas barbas de Merlim! Você cheirou bezoar ou o quê! É uma negação de Maroto assim... – Ele levantou os braços para cima como se aguardasse ajuda dos céus.

- Mas sabe; não é tão ruim quanto parece! - James riu mais ainda. - Você deveria experimentar... Se é que já não está mais perto do que imagina...

- Nunca! - Retrucou o outro. - Um Maroto apaixonado já é o bastante. E eu nunca ficarei de quatro por garota nenhuma assim como você fica pela ruivinha. - Acrescentou beirando o sarcasmo.

- Ciúmes, Siiix? - Ele riu marotamente.

- De você? - Sirius fitou o amigo risonho. - Sinceramente; não jogo no seu time, Prongs.

- Joga siim!

(N/A: aviso um, isso NÃO é uma slash ¬¬)

Potter atirou-se na maca onde o amigo estava enquanto este saía correndo. Peter olhou para os amigos se perseguindo entre gargalhadas, abismado juntou suas roupas e já saía de fininho para a cozinha quando foi surpreendido.

- Aonde pensa que vai, pepê? - Sirius pulou na frente da porta ficando perigosamente próximo de Wormtail, um brilho estranho surgia nos olhos dele, o baixinho percebeu.

- Eu... Eu... Eu to com fome! – Guinchou de trás de um sorriso amarelo. – Eu vou à cozinha, não demoro! – Ele agora falava recuando enquanto o moreno a sua frente avançava contendo o riso e forçando uma expressão "sedutora".

- Pois eu acho que você deveria ficar, fofinho... – Uma terceira voz manifestou-se risonha atrás dele.

(N/A: aviso dois, isso não é MESMO uma slash. Eles só tão de onda :x)

Pettigrew sentiu alguém se encostar suspeitamente em suas costas respirando alto em seus ouvidos, o que o fez arrepiar de medo e desconforto; pularia para frente se pudesse, mas Black também já estava próximo demais, com seus olhos azuis tinindo. Seus olhinhos escuros arregalaram-se procurando uma rota de fuga eficaz, por cima, impossível, ele era um rato e não uma ave, pelos lados também não, estava a ponto de ser esmagado à medida que o cerco se fechava ao seu redor. James divertia-se como a poucos minutos esquecera de ser capaz, mesmo que não fosse das mais confortáveis a sua situação, abraçava apertado Wormtail por trás esperando Sirius se aproximar pela frente. Cedendo a tentação da gargalhada, deu um beliscão na bunda do menor que guinchou alto fazendo os outros dois dobrarem-se, torcerem-se rindo. Aproveitando a distração dos dois Peter deu a volta em Padfoot e desatou a correr pelos corredores, sem lembrar que vestia apenas o avental da enfermaria, com nada por baixo. Em meio às estrondosas – para não dizer escandalosas – gargalhadas, os dois conseguiram gritar com falsas vozes agudas palavras e frases como "Socorro; fui atacada!", "Gordo tarado, protejam-se!" (N/A/engasga/), "Pega, pega!". Madame Pomfrey saiu mais uma vez dos fundos do aposento.

- Isso aqui não é um campo de Quadribol para você ficarem gritando desse jeito! - Ela censurou-os cansada. – Os dois estão liberados. Vão!

Os Marotos deixaram o lugar, devidamente vestidos e calados, mesmo que um ou outro ainda fosse arrebatado por uma nova crise de riso. Pouco a pouco, enquanto encaminhavam-se à torre da Grifinória, o silêncio ganhava espaço entre eles. Ouviram, pelos corredores, alguns alunos comentarem sobre o ataque dos Comensais da Morte na noite anterior, risadinha dos sonserinos e pouquíssimas exclamações de horror quando eram mencionados os Evans. "Os país daquela garota da Grifinória, será?" Prongs baixou a cabeça mergulhando em seu mundo. O que seria dela agora? Onde iria morar? Onde estava? O velório, claro. Novamente indignou-se com sua posição limitada. Sua garganta comprimia-se, quente. Necessitava de alguém para conversar, e talvez Sirius, que ao seu lado andava displicente, não fosse a melhor opção. Quis falar com Dumbledore, era ele o único capaz de todas as perguntas lhe responder.

- Hei, Prongs.

-...Oi?

- Você me faria um favor? Não é muito grande, não é nada demais, é só...

- Fale de uma vez, Padfoot.

- Eu queria que você falasse com a Samantha, sabe... Vocês são mais amigos... Aí eu queria que você pedisse desculpas a ela por mim. Ela vai saber pelo quê... – Como se reunisse coragem, olhou para o amigo de lado e continuou: - Provavelmente vai perguntar o porquê de nós termos sumido à noite. E você...

- Eu invento alguma coisa na hora. – O outro sorriu.

- Como o meu fofinho é esperto! – Black deu um beliscão na bochecha do amigo que lhe respondeu com uma careta.

- Fofinho é a senhora sua mãe.

- Como se eu me importasse assim com ela, meu... – Debochou.

- Shh, quieto.

- O quê?

Em meio aos murmúrios que ainda se faziam presentes, o Maroto identificou algo incomum. Um grupo relativamente grande de alunos da Sonserina estava reunido a um canto do corredor do quinto andar. Estranho, sonserinos não costumam socializar, nem com eles mesmos. Mais estranho ainda era um grupo tão grande - oito alunos -, James contou enquanto exigia o silencio do outro, dentre eles ainda identificou os negros e oleosos cabelos de Severus Snape, e os fios curtos e espetados de Walden McNair. Guiou Black até a frente de uma janela próxima, eles aguçaram os ouvidos.

-... Testemunhas! Isto é inaceitável. O Mestre está muitíssimo insatisfeito com o trabalho de vocês quatro... Bando de inúteis; como fui tolo encarregando vocês dessa missão. Como castigo pela imprudência de vocês, o Mestre quer encontrá-los hoje à noite, no local de sempre, para uma aula, particular... - Sussurrava McNair, o veneno lhe escorrendo pelo canto da boca.

- Não queria, realmente, estar na pele de vocês. – Outra voz conhecida acrescentou, aparentemente satisfeita.

Dois brutamontes acompanharam as risadinhas desdenhosas de Walden e Snape. James sentiu o sangue correr mais rápido em suas veias, as faces esquentando furiosamente enquanto serrava os punhos. Como podiam ser tão desprezíveis? Viu pelo canto do olho que eles continuavam rindo, a raiva apossou-se de seu corpo e num impulso, jogou-se em meio ao grupo de sonserinos derrubando com ele, McNair. Seguiu-se então uma movimentação extraordinária, incomum, naquele corredor do quinto andar. O moreno deu inicio a uma série de socos na face do outro que inutilmente, tentava se livrar dele. Walden era inegavelmente mais forte que o grifinório, porém, algo parecia ter tomado o corpo do outro. Os demais sonserinos, assim como Sirius assistiram-nos atordoados por alguns segundos, mas enfim compreenderam que se não os separassem a briga resultaria nas mortes de ambos. Os brutamontes que há pouco compartilhavam do deboche de Severus e McNair foram mais rápidos lançando-se ao chão e imobilizando James. O loiro pôs-se de pé novamente e encarando o grifinório desdenhosamente sibilou:

- Você se acha muito...

Seu tom era de desafio, mas a frase foi abruptamente cortada por um novo murro do Maroto, desta vez, fazendo um filete de sangue escorre-lhe do lábio partido. O vermelho intenso contrastando com o rosto pálido do McNair era como um grito de guerra superior; já que Black também sacara sua varinha do bolso, nocauteando um a um dos sonserinos que avançavam ferozmente. Ninguém soube, ou ninguém quis explicar como aconteceu, mas dos confins da batalha surgiu um garoto mais alto e mais robusto que os demais, com seus olhos vidrados e a varinha apontada para Padfoot, bradando:

- Crucio! (N/A: FilhodumaRapariga)(N/B:safado, #$!&!).

O corredor mergulhou num silencio pesado, todos congelaram em suas posições apenas fitando os dois, até mesmo Walden e James pararam de brigar. O primeiro mirou o companheiro de casa cuja varinha mantinha em punho para depois cruelmente abrir um pequeno sorriso para aquele que se debatia no chão, com os dentes trincados abafando urros de dor os quais passavam pela sua mente, que povoavam seus pensamentos traduzindo o que o resto do corpo sofria. E o segundo que mesmo com um lado do rosto inchado e psicologicamente estuporado (N/A: Uoooou! Me supero.), reuniu todas forças que dispunha, extravasando toda ela no estômago daquele que torturava seu amigo. O garoto que executara a maldição tombou no chão, inconsciente, ao lado de Sirius, que parava agora de se contorcer, trêmulo. De repente, do meio daquele alvoroço que se reinstalava em volta deles, surgiu o bigode de leão-marinho-antes-loiro do Professor Slughorn; arregalou seus pequenos olhos ao deparar-se com tão bizarra cena, a maioria dos garotos tinham as vestes sujas de sangue, alguns tinham dentes em lugares incorretos e dois deles estavam estirados no chão, aparentemente inconscientes. O mestre de Poções questionou-os sobre o ocorrido, mas não foi possível ouvir as respostas, pois um burburinho maior havia assaltado o corredor. Como uma solução rápida, ele tocou a ponta da varinha em sua garganta e com a voz devidamente amplificada, exigiu:

- Quietos! – Da mesma forma que vieram, os murmúrios se dissiparam na brisa morna de Outono. Então o professor afastou a varinha dando continuidade à fala. – Hum; assim está melhor. Posso saber o que... Oito alunos da minha casa, mais dois dos quais eu mais estimo fazem, atracando-se pela escola?

- Esstess malucoss noss atacram ssem motivoss, ssenhor! – McNair respondeu de imediato, a boca inchada atrapalhava sua antes perfeita dicção; e fazendo um James raivoso engolir o que ia dizer.

- De qualquer forma, Walden... Vocês estão em maioria. Seu pai não gostará nada de saber das atitudes covardes que o filho dele anda tomando, ainda mais com as vestes ensangüentadas!

O corpulento rapaz suprimiu uma risada desdenhosa pensando no que seu pai realmente falaria, sabendo antes do sucesso de sua missão.

- Bass noss não fisssemuss nada! Foram elexx que nussh atacaram! –Fez, retomando sua defesa.

- Desde quando amaldiçoar os outros é não fazer nada, McNair? – James interveio, cuspindo as palavras de raiva.

- Opa, opa, opa! Que história é essa de maldição? – Espantou-se Slughorn.

- Cruciatus, Professor Slug. O Flint lançou a maldição no Sirius pouco antes do senhor chegar... E se eu não tivesse interferido, ele não teria parado.

Quem estava perto, pôde ver os olhinhos de amêndoa abrindo-se cada vez mais e a pele reluzente por trás do bigode enrubescer furiosamente. O Diretor da Sonserina pareceu tossir seguidamente por alguns minutos, tapando a boca com um lenço velho, tingido de cinza claro, enquanto os alunos ao redor o fitavam, entediados e ansiosos, esperando um pronunciamento. O ar, outrora morno, aconchegante, tornara-se denso; a tensão que ali existia era tátil. Recompôs-se vacilante, o homem de penugem loira no lugar dos cabelos, e num meio gruído, soltou:

- Black, tome isso, rápido. Fará-lhe sentir melhor. – Ordenou estendendo ao garoto a mão de apoio para sua subida e um pequeno frasco onde cintilava um líquido laranja, o que o mesmo bebeu de uma vez só, sentindo uma explosão interna de energia. - Flint, espere lá na minha sala... – Suas orbes saltadas tornaram-se imperceptivelmente turvas e esbranquiçadas. -...Agora!

O sonserino encolheu os ombros, acuado, mas logo repôs o queixo ereto na usual posição e seguiu pelo castelo com passadas pesadas, atropelando qualquer que lhe cruzasse o caminho. Foi então à vez de Sirius puxar o amigo pelo braço e sair dali. Pelo que tinham entendido da conversa, James estava a ponto de sacar a varinha para atacar alguém novamente. Sobre a vista grossa do professor que discutia com outros alunos; eles andaram tensos até que finalmente alcançaram a torre dos leões. A Sala Comunal estava vazia, exceto por uns poucos garotos de óculos a um canto que estudavam compulsivamente (N/A: nada contra os nerd's, paz. Uahsiash) enquanto o sol brilhava forte do lado de fora. James observou-os ao mesmo tempo em que era arrastado pela camisa – esquecendo-se que suas pernas ainda tinham utilidade – até o dormitório; um dos garotos encarou-lhe por cima do livro, rindo, os olhos levemente cerrados brilhantes de inveja – um grifinório à parte; seu nome era Sean. O rapaz por trás do cérebro, ninguém negava, tinha seus encantos, com suas misteriosas orbes azuis, as eventuais mudanças nos cabelos castanhos e a pele cor de mel, era uma beleza especial, mas que mesmo desta forma, ainda não se equiparava aos Marotos. (N/A: Cof, cof... Mudando de assunto...). Prongs apenas sentiu seu corpo sendo arremessado em uma das quatro camas que estremeceram com o choque – nas palavras dele, quase desmontaram em sua cabeça que doía.

- O que você tem na cabeça, Prongs? – Fez Sirius, uma fina camada de suor fazia seu rosto brilhar, lívido.

- Você está bem demais para quem acabou de levar uma Cruciatus, Pads... – Resmungou.

- Deve ter sido aquela poção do Slug. – Atalhou, sentando ao lado do outro. –Oito James, oito! Não sei como as nossas cabeças continuam no lugar...

- Que drama, Merlim! Mas você ouviu o que eles estavam falando, você sabe! Foram eles, aqueles bastardos que mataram os pais da Lílian! Se o Slughorn não tivesse chegado eu teria acabado com eles, um a um! – James interrompeu o amigo, tropeçando em suas próprias palavras.

- Se o Slughorn não tivesse chegado o único infeliz que teria morrido ali era eu, Prongs!– Retrucou Sirius, inflamado. - Nem que fosse a encarnação de Merlim você venceria aqueles caras sozinho... – Zombou -a força do hábito!

- Argh, depois sou eu que não levo nada a sério, babaca... – Ele riu.

- Claro! Sem mim, como seria sua vida, pobre Prongs?

- Muito melhor, definitivamente... – Riu mais alto, fazendo o outro emburrar.

- Então, é assim que você descobre o que as pessoas pensam... Depois de uma relação de anos e anos, é assim que elas te tratam! – Dramatizou, falsamente amargurado.

- Pft. – Fez Potter, revirando os olhos. – Estamos desviando de novo do assunto mais importante...

- O que, garotas? – Perguntou o outro marotamente, fazendo uma careta.

- Não, tarado... Estou falando da morte dos pais da Lily, mesmo...

- Aaaah... Claro! Foi exatamente o que eu disse, Prongs. Não precisa repetir!

- Temos que falar com alguém, Sirius! O Dumbledore, ou a Mimi... Qualquer um Que... – Ele falava como se não houvesse escutado o comentário do amigo, que também se decidiu por interrompê-lo.

- Que eles estão recrutando pessoas, alunos e talvez até funcionários aqui em Hogwarts, que provavelmente estão treinando essas pessoas dentro dos terrenos da escola... Eu também estou pensando nisso, mas acho que deveríamos falar com o Moony primeiro... Ele não sabe de nada. Hum; será que ele já acordou?

- Você me lembra terrivelmente uma daquelas velhas fofoqueiras que tem um sinal com um pelo no queixo, Six.

Eles não haviam reparado no quanto de tempo havia passado desde que regressaram à torre, mas o sol já brilhava alto no meio do céu, marcando as doze horas, então a cansada voz de alguém veio brincalhona da porta.

- Quais, aquelas gordas como um barril, com vestidos de capa de sofá e um cavanhaque? Eu, sinceramente, também não vejo diferença. – Remus adentrou o dormitório acompanhado de um garoto a suas costas que espiava os outros dois, temeroso e das despreocupadas gargalhadas de James.

- Quem foi o infeliz que te liberou mais cedo? – Retrucou Black, carrancudo enquanto ia até ele ajudando-o a reinstalar-se mais uma vez no quarto.

- Não se faça de difícil, Padie... Eu sei o quanto vocês dois sentiram a minha falta. – Riu-se sentando na cama com o apoio de Prongs, que se levantara também. – O Wormtail que o diga, coitado.

- Mas nem quebrado esse lobo pulguento pára de falar asneiras... – Padfoot resmungou baixo.

- Caham; o único que tem pulgas aqui é você, querido vira-latas. – Retrucava divertidamente, quando seu olhar recaiu sobre o menor deles. – E o Wormtail também, me perdoem. – Concluiu acompanhando as risadas dos outros dois, enquanto Peter ainda parecia não entender nada.

Quando as risadas cessaram pairou sobre os Marotos um estranho silêncio, pouco habitual àquelas paredes.

- O que vocês querem me falar? – Lupin finalmente questionou-os, quebrando a ausência de som.

- Eh... Que... – James pensava em uma maneira de explicar tudo, pois na verdade, ainda esperava que alguém o explicasse o que acontecera.

- Fale de uma vez, Prongs.

- Os pais da Lily, eles morreram, é isso. – Ele respondeu olhando para a pilastra que segurava o cortinado da cama onde acabara de deitar.

-... As brincadeiras de vocês estão ficando cada vez mais sem graça, agora alguém poderia me falar realmente o que...

- Saiu no Profeta Diário, Remus... Todo mundo já sabe, inclusive ela. – Sirius interveio.

- Mas... Mas como...?

- Voldemort. Ele mandou seus capangas para a mesma rua onde os pais dela moravam, mandou seus capangas aqui de Hogwarts!

- O que? – Ele começava a entender cada vez menos.

- Você está confundindo cada vez mais a limitada mente do nosso amiguinho lobo, Prongs. Deixe que eu explico. – Interveio o de olhos azuis, proporcionando um misto de revirar de olhos com risadas comprimidas. – Preste atenção, você, eu não vou gastar a minha voz, que mais parece o canto de uma fênix explicando novamente...

- Chega, Padfoot.

- Está certo, está certo... O negocio é o seguinte: Voldemort, o louco-psicopata-preferido-do-momento, está contratando os loucos-psicopatas-locais, mais precisamente nossos adorados sonserinos, fato. E noite passada, porque provavelmente deu na telha, ele mandou alguns destes seus súditos pra uma específica ruazinha no subúrbio de Londres, da Londres trouxa, e esses súditos exterminaram todas as pessoas que encontraram, incluindo... – Sua voz vacilou levemente, tornando-se quase lamuriosa. -...Os pais da nossa Lily. – James limpou a garganta um pouco mais audível que o de costume. – Ok... Da Lily do Prongs.

- Mas como, como Voldemort poderia estar reunindo seguidores aqui, em Hogwarts? – Wormtail se fez ouvir, despretensiosamente.(N/B: Boa!)

- Bom... Eu até faço idéia. – Remus começou, sentando em sua cama. – Os McNair, vocês sabem... Sempre estiveram muito envolvidos com as Artes das Trevas, nunca esconderam isso de ninguém. E um filho deles aqui, ainda mais sendo como nós o conhecemos, não é nenhum pouco bom para os outros alunos. A família tem a fama de ser persuasiva, influente. Muitos se curvam perante tal pose.

O rosto do pequeno pareceu ser coberto por uma nuvem escura, como se alguém houvesse acabado de proclamar a sua fatídica sentença de morte. Enquanto Potter mergulhava cada vez mais fundo em suas preocupações, seus lamentos e planos de vingança, mais uma vez um estranho silêncio pairou sobre os Marotos, mas não por muito tempo.

- Eu concordo com você, Moony. E apostaria a minha mão direita de como o seboso também está envolvido nisso até o seu nariz gigante.

- Não aposte assim, Sirius. Você ouviu o que eles conversavam, era praticamente uma confissão! – Comentou Prongs.

- Que conversa? – Remus estava novamente perdido.

- Eu explico. – Suspirou Padfoot, impaciente. – Foi assim, nós saímos da Ala Hospitalar e pelos corredores escutamos o McNair e o Snape com uns caras, mas o fantasma tava falando alguma coisa como o Mestre estar furioso porque eles tinham sido vistos, e que eles se reuniriam na mesma hora e no mesmo lugar, algo assim. Só não ouvimos mais porque o Prongs nervosinho pulou no pescoço do McNair e de repente estávamos nós, sozinhos, lutando contra uns dezesseis sonserinos...

- Eram oito.

- Não me interrompa, veado.

- Cervo.

- Que seja. Estávamos lá contra os sonserinos, até que o toupeira do Flint me lançou um Crucio e quando eu já estava vencendo a maldição, com toda a minha magnífica força, o Slughorn chegou pra salvar a pele do James que estava levando uma surra de uns três caras...

- Eu não diria que foi assim!

- E eu não pedi a sua opinião.

- Crianças! – Exclamou Lupin. – Parem de brigar feito idiotas e me respondam se vocês já falaram com alguém sobre o assunto.

- Nós estamos falando com você, e...

- Eu falo alguém responsável, algum professor, ou o Dumbledore.

- Não, ainda não. O Dumbledore saiu logo cedo com a Lily e nem tivemos tempo de parar algum professor...

- É melhor mesmo. – Os outros três fitaram-no estupefatos. Remus John Lupin não recorreria a ninguém mais velho numa situação dessas, o mundo estava realmente perdido. – Não me olhem com essas caras de panacas. Acho melhor nós investigarmos primeiro, sabe, termos certeza de que eles estão trabalhando pra Voldemort, antes de alarmar a escola inteira...

- Mas nós não iríamos alarmar todo mundo, só queremos falar com o diretor! - Insistia James.

- E se depois descobrirem que não tem nada disso aqui? – Estranhamente Wormtail se exaltara.

- Mas foram praticamente confissões! Eles falavam do Mestre insatisfeito...

- Vocês continuam sem ter como provar, Prongs! Claro que eles não vão repetir o que disseram na frente de Dumbledore, não seja imaturo. – Sentenciou Remus.

- Você se acha muito maduro, não é? – Bradou James, ferido.

- Pare com isso... – Lupin suspirou, estava cansado. – Nós sabemos o quanto você é cabeça dura, Prongs. Sabemos o quanto você é obstinado (a Lily que o diga), e na maioria das vezes, como seu amigo, tenho prazer em te ajudar. Agora, continuo lhe pedindo que não faça nada, não por enquanto.

O moreno bufou, contrariado. Sempre fora teimoso, e enquanto pudesse relutaria em fazer valer sua vontade, mas levando em conta a situação do amigo e para o bem dos outros inclusive, preferiu deixar de lado o assunto. Recordou a noite anterior e uma centelha de esperança pareceu faiscar em seu peito. Mesmo que não estivesse consideravelmente perto do seu objetivo, nunca provara daquela sensação. A hipótese de um mero cumprimento o animava. E então surgiam os problemas. Por que logo quando as coisa pareciam entrar nos eixos o mundo ficava de cabeça para baixo? Alguém bateu à porta e James abriu os olhos. Não soubera há quanto tempo estava a divagar a respeito do futuro almejado que sempre lhe escapava por entre os dedos, porém ao olhar a seu redor percebeu um Remus dormindo calmamente e um Black que antes mirava o lago através da janela agora se dirigindo à entrada do Dormitório, Wormtail não se encontrava mais lá. Espiou por cima da cama quem batia. Sirius abriu a porta calmamente, tinha os cabelos desgrenhados e a blusa mal abotoada, ao identificar o visitante deu um não tão discreto pulo para trás fechando novamente a porta.

- Quem é, Padfoot? – Perguntou James.

- A Sam. – O outro respondeu num fio de voz.

- E qual o motivo estúpido dessa vez, para você ter batido a porta na cara dela?

- Justamente, a cara dela.

- Muito ruim? – Ele zombou.

- Péssima. – Com uma careta de dor ele respondeu e andou sorrateiramente até o banheiro. – Se ela perguntar quem abriu, diz que foi o Wormtail, e que eu morri afogado no lago. – Sussurrou enquanto trancava-se lá dentro.

Rindo internamente James foi até a fatídica porta e a escancarou – não sem antes acordar Remus e adverti-lo, sobre possíveis escândalos – do lado de fora uma Samantha muito vermelha o encarou.

- Cadê ele? – Brandiu ela sobre os amigos.

- Ele quem, doce criatura? – Questionou Lupin, observando-a entrar no Dormitório como um furacão.

- O cachorro. – Ela retrucou passando os olhos pelo quarto de forma felina, em busca da sua presa.

- Ah, esse... Já tem um bom tempo que ele não aparece por aqui, sabe... – Tentou James coçando a nuca com a mão esquerda e um sorriso amarelo nos lábios.

- Não sejam patéticos, rapazes. Eu sei que foi ele quem abriu a porta.

- Mas fui eu Sammy e...

- Antes, Jay. – Onde diabos tinha se enfiado aquele garoto?

- Era o Wormtail!

- Desde quando o Peter tem um metro e oitenta em plenos dezesseis, quase dezessete anos, cabelos pretos, olhos azuis e... – Ela falou para si mesma. – Aquele corpo?

- Você deve estar tendo alucinações, Saman... – Remus falava quando corou imperceptivelmente perante as novas visitantes.

Sem aviso prévio, convite, ou ao menos um motivo aparente, o Dormitório dos Marotos foi invadido por mais duas meninas fora de controle. Alice e Jéssica assemelhavam-se a um bando de Diabretes que falavam sem parar, pondo em dúvida se o ar de seus pulmões era suficiente, se estariam sufocando e necessitavam de falar o mais rápido possível. Os outros três no quarto as assistiam como se elas fossem capazes de explodir ali dentro. As garotas gesticulavam, sem perceber que nenhum deles estava a entender palavra do que diziam. Até que Foster, impaciente, tirou a varinha das vestes e silenciou-as.

- Quando eu desfizer o feitiço, apenas uma de vocês vai falar, entenderam, amores? – Elas concordaram e Samantha sorriu com cinismo, acenando novamente com a varinha.

Contrário ao esperado, as grifinórias ainda pareciam enfeitiçadas. Com os olhos baixos as duas permaneciam caladas, até que Alice, no que lhes pareceu um ato de bravura, voltou-se para James, sua voz soava terrivelmente sombria.

- A Lily voltou. – Fez num ato contido.

Os olhos de alguns se arregalaram, até mesmo Sirius dentro do banheiro estava paralisado com o ouvido colado à porta. Potter sentiu seu coração descompassar, sabia que a ruiva não tardaria a voltar, longe dele esperar o oposto, mas era estranha a situação que ela vivia. Mais uma vez o desejo de ajudar e a impotência de um simples mortal queimaram dentro de si. Porém, algo continuava a dizer-lhe que ninguém melhor que ele para lidar com ela, em qualquer momento.

- Onde ela está? – As palavras praticamente formaram-se sozinhas em sua boca.

- Umas garotas do sexto ano acham que a viram pelos jardins. – Jéssica respondeu prontamente.

A noite já caia e no horizonte o azul anil parecia ser diluído em combinações perfeitas de rosa, laranja, salmão e verde, com certeza aquele que inventara tal maravilha era artista. A ousadia e a excentricidade do pintor são os elementos básicos para os melhores quadros. James apanhou sua capa sobre a cama e saiu, rumo ao seu destino, nos olhos castanhos esverdeados do garoto via-se uma obstinação e ao mesmo tempo a preocupação rara dos amantes. Sem nem se dar conta, abriu a porta principal do castelo e cortou o gramado a passadas agressivas como o vento frio da noite próxima que lacerava suas maçãs. Procurava em todas as moitas, embaixo de cada árvore, até no Campo de Quadribol estivera e nem sinal dela. Finalmente, quando a lua já estava por vencer o sol Prongs a avistou. Quieta como um animal abatido, era previsto; estranho a ele realmente foi o local onde a ruiva - de cabeça baixa junta aos joelhos e braços cruzados – recostara-se. De tronco imponente, e poderosos galho ameaçadores, erguia-se no alto de uma pequena colina o Salgueiro Lutador. A árvore balançou os galhos de uma forma diferente, quase protetora, fazendo as folhas laranjas e marrons do Outono encontrarem o solo, mas algumas, pequenas e sortudas, aninharam-se aos cabelos de Lily que levantou os olhos para elas. Foi então que James, abismado com o estado dócil do antigo salgueiro notou, no colo da garota a qual usava um vestido negro sem mangas um pequeno gato persa, de pelos tão brancos como uma nuvem. O Maroto aproximou-se temeroso e percebendo que a atenção da garota era novamente capturada pelas folhas sentou-se quieto ao seu lado. Lílian a final o notara pelo barulho de folhas e galhos amassados, fitou-o com olhos marejados, o gato pulou de seu colo alegremente para os braços de um estranho. Não dissera nada, mas invejava profundamente o pequeno animal. Como se lesse o que ela pensava, o moreno puxou-a para seus braços num reconfortante, e tão necessário abraço.

(N/B): Lindo não? Acho as descrições que a nossa querida autora faz perfeitas! "O ar, outrora morno, aconchegante, tornara-se denso; a tensão que ali existia era tátil". Adorei o capitulo, e comentem a fic!

N/A: Já viu como eu tô chique de beta:O iuhasihsaihsaiuhasi Meeeu Santo, esse cap é um pesadelo, tenho que confessar, foi o mais difícil. Mas nem por isso é o melhor, o infeliz. ¬¬ Ok, ok... Não vou importunar vocês, até porque eu tô sem moral, então só exijo que comentem, tá bom, meus queridos? 8D IUAHSIUHASISAHi

Ah, capas novas no perfil, para os interessados.

beeijo, obrigada pelas reviews.