DISCLAIMER: Saint Seiya, obviamente, não me pertence. Esta estória esta sendo baseada no livro Eragon e em Senhor dos Anéis.

SUMÁRIO: Há milhares de anos atrás o mundo era governado pelos cavaleiros e seus Dragões. Esse tempo foi conhecido como a era de ouro. Por muito tempo os cavaleiros conseguiram manter a paz em todo o mundo. Os povos de diferentes raças viviam em harmonia uns com os outros. Entretanto a era dos cavaleiros entrou em extinção quando a maldade invadiu o coração de um deles.

"Cold be heart and hand and bone. Cold be travelers far from home. They do not see what lies ahead, when Sun has failed and Moon is dead."

"O vento uiva pela noite trazendo consigo um aroma capaz de mudar o mundo."

Eragon.

"Cai a escuridão... Colidem as espadas... Reina o mal.".

Eldest.


Capítulo – VI.

"Dias manchados de vermelho estão para surgir, quatro irão liderar e apenas um irá cair. A guerra irá começar, o dia se transformará em noite, o sol se banhará em vermelho, o rei amado irá sucumbir pela mão do traidor, a raiva irá tomar o coração do cavaleiro, a busca do traidor terá sucesso, mas a vitória e a derrota dependerão do seu servo mais leal e para ele o exílio será o fim, e no final, o verdadeiro Rei irá triunfar sobre o mal.".


Floresta Varden - Estrada próxima ao rio Esfinge.

O sol se punha no horizonte, e os animais se escondiam em suas tocas, já era possível ver a lua no céu. Um vento gélido vinha do norte bagunçando os cabelos de Myrtille. Seu cavalo estava cansado de tanto fugir, ela estava cansada de tanto ficar sentada na sela. Suas pernas tinham assaduras e suas mãos estavam cheias de bolhas.

O cansaço era tanto que nem se atrevia a usar magia para se curar. Não tinha se alimentado desde a noite passada, onde seu último dinheiro tinha sido gasto. É nessas horas que sentia raiva de si mesma por ser tão benevolente com as pessoas, se tivesse roubado tudo daquele homem, ela não teria problemas tão cedo.

Sua musculatura estava tensa e dolorida, um banho seria o mais apropriado, já que não o fazia há um tempo. Ela pode ouvir ao longe o barulho do rio que seguia o seu curso por todas as terras do Império. Um pouco de água doce, acalmaria a tensão proporcionada pelo longo dia de cavalgada e talvez ela conseguisse comer alguns frutos que nascem perto do rio. Algumas amoras iriam vir a calhar, talvez se ela tivesse sorte, poderia quem saber usar um pouco de mágica e pegar um peixe. Fazer uma fogueira não seria problema, não precisa de magia para isso, o problema seria a fumaça e a chama, que são bastante chamativas e ela não queria ser o centro das atenções no meio da floresta.

Desmontou e foi andando devagar até o rio Esfinge, suas pernas tremiam de tanto cansaço e sua coluna doía por ter ficado muito sentada, seu cavalo mal conseguia andar. Quando chegou a margem, prendeu o cavalo em um tronco de árvore e foi se banhar. Retirou a calça de couro e a blusa branca de babados, suas mangas eram compridas e em cada punho uma fita preta, feita para dar um laço e afofar mais ainda os babados. Quando ficou somente com as roupas de baixo, entrou no rio e apreciou a frieza da água em sua pele castigada pelo sol.

Sorveu um pouco da água doce, ela desceu maravilhosamente bem pela sua garganta. Myrtille pode até sentir um pouco de suas energias voltando lentamente. As assaduras entre as suas coxas doíam, mas a água aliviava um pouco, deixando a sua pele levemente dormente.

- Isso é muito bom!

Mergulhou e emergiu em seguida, seus longos cabelos vermelhos estavam grudados em sua pele clara. Se pudesse ficaria ali para sempre, o contato da água contra a sua pele era algo magnífico, mas estava com fome e tinha que fazer uma fogueira, pois a noite era gélida e ela não queria morrer congelada.

Quando tudo estava pronto e a sua roupa já tinha secado com ajuda de um pouco de mágica, ela colocou dois peixes espetados na fogueira. Fez uma barreira mágica, bem simples, para que o cheiro e a fumaça não chamasse atenção desnecessária e para que outras pessoas que passassem por ali, não a vissem. Encostou o corpo no cavalo que estava deitado no chão perto da fogueira.

- É garanhão, parece que serei somente eu e você esta noite. – Myrtille bocejou e se espreguiçou em seguida. – Estamos perto do Império, essas estradas são perigosas, vai ser um milagre a gente passar a noite sem nenhum problema.

O cavalo apenas relinchou e fechou os olhos. A feiticeira deu de ombros e comeu os peixes enquanto seu corpo era aquecido pelas labaredas da fogueira. Quando terminou de comer deixou sua mente ir relaxando aos poucos. Ela já se sentia revigorada e pronta para outra. Bem longe ela podia escutar barulho de cavalos, além é claro do rio que seguia o seu fluxo.

Myrtille abriu os olhos e percebeu que tinha meditado por algumas horas, ela já conseguia ver perfeitamente as estrelas no céu. Olhou para o cavalo que ainda descansava. Resolveu ver quem era que estava vindo, se só estavam de passagem ou se armariam acampamento ali, e dependendo da situação, aquilo seria uma ótima oportunidade para ela conseguir um bom dinheiro e não ter que dormir ao relento.

~/~

A viagem tinha sido longa e cansativa de Silverseed até aquela estrada. Eles estavam próximos ao Império. Os cavalos por mais rápidos que fossem não estavam mais aguentando cavalgar durante o dia todo. Nem mesmo Eveline estava conseguindo manter a sua mente em foco para saber o que a aguardava no caminho. Porém foi Dohko quem os fez parar. Ele disse que não seria adequado viajar a noite com os cavalos exaustos e com a própria elfa cansada.

Shion concordou e montou acampamento próximo ao rio, longe da estrada, enquanto o amigo procurava pedaços de galhos secos para fazer a fogueira. Eveline apenas desmontou do cavalo e sentou-se no chão. Os ovos estavam depositados ao seu lado em segurança. Ela os tocou e não sentiu nada, apenas uma casca fria. Antes ela ainda os sentia quentes, mas agora nem isso mais.

- Eles ainda estão frios? – perguntou o Elfo loiro.

- Sim. – Disse desanimada. – Nada mudou.

- Compreendo. Você passa a viagem inteira olhando para eles. Está preocupada com algo?

- Estou apreensiva pelo que está por vir.

- Neste momento eu só consigo pensar em um longo caminho de sangue. – Shion olhou para as estrelas. – Guerras estão por vir. Nunca pensei que voltaria a lutar depois do que aconteceu, pensei que todos os povos fossem se submeter aos caprichos do imperador, mas creio que o destino esteja modificando o rumo desta era.

- A era da escuridão está para acabar, eu posso sentir. – Eveline passou os longos dedos pelos cabelos loiros. – Eu sinto como se o mundo inteiro estivesse nas minhas costas.

- E ele está mesmo. – Falou Dohko. Ele carregava vários galhos em seus braços. – Você os achou, a responsabilidade é sua. Nunca se perguntou por que você foi a escolhida?

- Essa é uma pergunta que evito me fazer sempre. – ela o observou colocar meticulosamente todos os galhos em seu lugar e usar a magia para acender a fogueira. – Existem perguntas que nunca iremos saber as respostas.

- Você está certa. – Dohko rapidamente começou a tecer encantamentos em volta deles. – Não se preocupe com o que está por vir, viva o presente.

- Nós Elfos, não nos preocupamos com o tempo, ele passa rapidamente, quando vamos ver, já se passaram anos. – Shion olhou para as chamas que sustentavam o fogo. – Parece que foi ontem que Darius destruiu os cavaleiros.

- Como foi? – Perguntou Eveline encarando os dois. – Vocês dois lutaram lado a lado com Shaka. Eu nem posso acreditar que vocês sobreviveram a isso, não que vocês não fossem capazes, mas só as histórias que eu li, o que os Elfos anciões me contaram, tudo parecia tão escuro, tão frio e horrível.

- Não é um assunto que eu goste de comentar. – Falou Dohko. Seus olhos verdes se dirigiram para Shion, que revirou os olhos azuis. – Shion, conta muito melhor que eu essa história.

- Na realidade, nem eu e nem Dohko gostamos de comentar a respeito. Aquele período de nossas vidas ficou marcado e a gente sempre fez o possível para esquecer, apesar de todas as noites quando eu repouso a cabeça em minha cama, as imagens me vêm à mente.

- Não nos leve a mal, mas eu ainda posso ouvir os gritos dos Dragões e de seus cavaleiros, ainda posso escutar a risada de Darius e o barulho das espadas se chocando umas com as outras e ainda vejo claramente o sangue de Shaka escorrer pelas suas costas e seu corpo cair inerte contra o chão duro. – Dohko pigarreou. – No momento certo você irá saber o que realmente aconteceu, creio eu que Shaka lhe contará pessoalmente.

- Sinto muito por perturbá-los com tais lembranças. – Eveline falou sem graça. – É só uma curiosidade. Eu fico a imaginar o que realmente fará a diferença. Naquela época existiam Dragões e nem eles foram capazes de acabar com a vida do traidor.

Os dois amigos se entreolharam. A elfa tinha razão, naquela época vários Dragões lutaram contra Darius e todos eles sucumbiram, o que faria a diferença agora?! Eles não sabiam a resposta para aquela pergunta, mas nem tudo na vida tem uma resposta, às vezes as coisas simplesmente acontecem. Pensar naquilo só traria dor de cabeça e aborrecimento e até mesmo descrença e o que eles precisavam no momento era ter fé e muita sabedoria, para continuar trilhando o caminho correto.

~/~

- Elfos?! – Myrtille franziu o cenho. – O que um grupo como este faz aqui?

A feiticeira se escondeu em uma árvore grande e robusta. Seus longos cabelos vermelhos estavam presos em um coque mal feito. Ela observou o local onde os três estavam. Eles estavam muito bem vestidos e os cavalos dos Elfos eram rápidos e fortes, só tinha um pequeno detalhe, eles escolhiam o dono e isso seria um grande problema, ela nem ao menos poderia pegar um para si. Mas julgando pela aparência, eles com certeza teriam dinheiro e ela não perderia esta oportunidade. Concentrou-se para escutar o que os mesmos estavam falando.

- Vocês acham que os anões irão nos receber bem? – Perguntou a elfa. – Eles não suportam a nossa espécie.

- Não sei, mas o meu trabalho é escoltar você até os rebeldes e protegê-la de qualquer situação hostil, então espero que os pequenos não se metam no meu caminho. – Dohko mexeu na lenha com um galho cumprido. – Saga é um bom Rei tanto para os humanos como para as outras espécies, ele vai saber lidar com a situação.

- Não teremos problemas com os anões, caro amigo. Fique despreocupado. – Shion que estava mexendo na sela de seu cavalo, parou imediatamente. O Elfo girou seu corpo lentamente na direção de Dohko e eles trocaram alguns olhares que Eveline nem ao menos reparou. – Dohko, fique aqui com a jovem, eu vou procurar algumas raízes e frutas para a gente comer.

Myrtille franziu ainda mais o cenho quando escutou as palavras rebeldes, anões e Saga, rei dos humanos. Ela não fazia ideia de que Saga estava vivo, apesar de escutar várias histórias a seu respeito e a respeito dos rebeldes, mas ela nunca acreditou. Ela nem ao menos sabia onde eles ficavam escondidos e nada nesse mundo podia passar despercebido dos olhos de Darius. Aquilo realmente deixou-a animada. Quanto será que Darius estaria disposto a pagar a ela, se a mesma descobrisse onde os rebeldes estavam escondidos?! Talvez um cargo importante dentro de suas tropas... Não, nada de cargo. Trabalhar nem ferrando. A não ser que seja um cargo de Condessa ou de Duquesa. Assim ela poderia ter o que quisesse.

Só de pensar em parar de andar de vilarejo em vilarejo a procura de um otário para arrancar dinheiro já a deixava em êxtase. Usar as melhores roupas e comer as melhores comidas e ter uma casa só para ela. Sim. Ela queria muito aquilo. Porém, tinha que pensar em algo, qualquer coisa que pudesse usar contra os três. Eles não eram simples humanos, eram elfos e como ela, usufruíam da magia. Ela não poderia fazer nada por hora, teria que segui-los e descobrir primeiramente onde os rebeldes estavam e depois tirar vantagens disso.

- Aonde você vai? – Perguntou Eveline para Dohko.

- Vou pegar água para os cavalos. – ele disse dando de ombros. – Consegue ficar sozinha por alguns minutos?

- Claro! – Falou ligeiramente irritada. – Eu não sou uma criança, sei me defender sozinha.

- Eu sei, não foi isso o que eu quis dizer. Desculpe-me.

- Tudo bem. – Ela pegou uma manta de dentro de sua bolsa.

Algo estava errado. Ela não era burra, primeiro o loiro saiu, deixando os dois sozinhos, até ai tudo bem, mas agora o outro elfo também a deixou sozinha. Algo estava muito errado e Myrtille podia sentir isso em sua pele. Será que ela estava imaginando coisas, ou eles realmente tinham ido fazer o que falaram que iam fazer. Não ia se arriscar. Voltaria para o seu acampamento e depois os seguiria.

Quando ela girou seu corpo para voltar pelo caminho que tinha feito, a ponta de uma flecha estava a centímetros de seu rosto. O Elfo de cabelos castanhos avermelhados a encarava seriamente.

- Me dê um motivo para eu não matá-la feiticeira. – A voz dele antes serena e calma, estava cheia de uma voracidade que ele fazia questão de manter desconhecia.

- Como? – Foi a única coisa que perguntou.

- Simples. – Ele a encarou mais intensamente. – Seu cheiro característico e a sua respiração ofegante te denunciaram.

- Eu esqueço como vocês cães usam esse olfato adequadamente. – Ela praticamente cuspiu as palavras na cara dele.

- Cães... Muito tempo que não escuto esse termo. – Ele estalou o pescoço. – Muito tempo também que não mato um sangue suga como você!

- Ah! Então vocês cães ainda usam esse termo com a nossa espécie também. É realmente muito interessante, porque a gente realmente suga tudo o que há de melhor da natureza e dos outros. Feiticeiros vivem como parasitas. Eu particularmente adoro esses jogos de poderes entre as nossas espécies. Quem faz melhor uso da magia.

Dohko franziu o cenho para ela. Ele a observou, ela não tinha nenhuma arma e sua aparência não era a das melhores.

- Está aqui a mando de quem?

- De ninguém. – Myrtille não ousava se mexer. Sua espécie e a dos elfos não se davam bem. Nenhuma espécie se dava bem com os Elfos. Eles eram arrogantes e frios. – Estava apenas de passagem.

- Isso eu irei saber mais tarde. – Falou rispidamente. – Ande!

Ela andou até o local onde a loira estava sentada. Quando ela ficou visível, Eveline nem ao menos a olhou nos olhos. Ela já sabia que estava acontecendo alguma coisa.

- Sente-se ai e fique quieta. – Dohko amarrou as mãos e os pés dela. – Até a gente ter uma noção do que fazer com você.

- Ela está sozinha? – Perguntou Eveline.

- Não sei logo Shion voltará com respostas.

Não demorou muito e Shion voltou com um cavalo. O animal parecia cansado e com fome. Shion o alimentou com cuidado e o colocou junto com os outros. Ele deitou-se entre Floco de Neve e Raio de Sol.

- Não tem mais ninguém, encontrei resquícios de uma barreira mal feita. Acho que a nossa convidada esta sem forças para usar adequadamente a magia. Não é a toa que foi pega facilmente. Não creio que esteja atrás de nós.

- Irão me soltar agora? – Ela perguntou visivelmente descrente com as respostas deles.

- Não. Você irá conosco até os Rebeldes, lá Saga irá ver o que fazer com você.

Myrtille fez uma careta para o Elfo que a pegou e começou a focar sua atenção no fogo a sua frente. Aquilo não estava tão ruim assim, de certa forma, ela iria saber onde os rebeldes ficavam chegando lá ela só teria que descobrir uma forma de se libertar. Seus olhos foram de encontro com os azuis da jovem elfa. Ela estava com as mãos fixas no ar. Como se estivesse acariciando alguma coisa que Myrtille não podia ver.

"Elfos são doidos." Pensou. Seja lá o que aquela mulher estivesse fazendo, ela realmente não batia bem da cabeça. Elfos e seus costumes estranhos. Já que não tinha outro jeito. Dormir seria a melhor opção. Estava cansada da cavalgada e suas coxas ainda doíam e suas mãos não estavam em seu melhor estado. Logo aquelas bolhas iriam estourar, ou quem sabe, murchar. Torcia pela segunda opção.

Os Elfos não eram de conversar e ela estando ali piorava a situação, então não foi difícil esvaziar a sua mente. Quando ela sentiu que tinha pegado no sono, uma voz lá no fundo de sua mente chamava o seu nome. Era uma voz, grossa, rouca e forte. "Myrtille." Era como um ímã... "Myrtille."... Puxando o seu subconsciente lentamente. Até que ela ficou tão alta, que a feiticeira acordou assustada olhando em volta a procura de quem havia chamado por ela.

Obviamente não eram os Elfos, eles não sabiam o seu nome. Mas quem será que a chamara incansavelmente?! Percebeu que somente a loira estava dormindo, e suas mãos continuavam paradas no ar a sua frente. Os outros dois, estavam cochichando algo e não se importaram com o fato dela os encarar.

- Malditos Elfos! – Jogou uma praga mentalmente para eles e voltou a dormir.


Turlor – Cidade dos Anões do Norte.

- Eu não posso acreditar que você realmente fez isso Aldebaran! – Gillius andava de um lado para o outro dentro da caverna que era onde ele e o irmão estavam acomodados. Seus pés já estavam fazendo buracos na terra. – Como pode fazer isso sem nem ao menos me consultar?!

- Eu sou o mais velho, não sabia que devia consultar você para fazer o que eu bem entender! – Aldebaran estava jogado em cima de um pufe de couro marrom. Ele segurava uma caneca cravejada de pedras preciosas. Do canto esquerdo de sua boca, escorria um pouco de cerveja que se perdia em sua barba espessa. – Eu tenho todo o direito de me tornar Rei!

- Você não compreende! – Gillius queria gritar, queria socar a cara do irmão. Ele sempre estava fazendo as coisas por impulso. – Não estamos aqui para nos meter nos assuntos dos anões!

- O que?! – Aldebaran socou a mesa feita do mais puro carvalho que estava ao seu lado, onde um barril de cerveja estava depositado. – Esqueceu quem nós somos!

- Não! – Gillius esbravejou. – Mas não cabe a você se meter nos assuntos políticos do nosso povo em um momento tão critico que Saga está passando. Devemos lealdade a ele, ele é o nosso Rei!

- Não! – Aldebaran se levantou abruptamente do pufe. – Saga é o Rei dos humanos, nossa espécie tem que ter seu próprio Rei e nada seria melhor para Saga do que eu me tornar o rei dos anões!

- O que você está dizendo Deba? – Gillius o encarou furiosamente.

- Você deveria saber o que isso implícita para Saga. Eu ganhando, posso levar todos os anões para a guerra, posso fazer quaisquer coisas que Saga quiser, sem ter que me preocupar com tradição ou com negação! Ninguém dirá não a um rei.

- Tudo bem. – Gillius voltou a andar em círculos. – Você tem um ponto. – Ele parou pegou uma caneca para si e a encheu de cerveja. Bebeu tudo em um gole só. – Agora querido irmão, me explique como você ganhará essa maldita eleição?! E me explique também, como que você vai fazer com que essa merda. – Ele gesticulou com os braços fazendo menção ao ambiente em que estavam. – Ande rápido?! Porque você sabe muito bem, que essas coisas podem levar anos! ANOS! – Ele enfatizou e gritou a última palavra para que o irmão entendesse o que ele tinha feito.

- Eu não sei. – Ele simplesmente deu de ombros e voltou a beber a sua cerveja. – Não me preocupei com essas coisas, apenas achei que seria a melhor opção, sendo que como não tem rei nenhum, nós não iríamos ter como ajudar Saga, afinal, quem iria se propor a ajudar a causa que trouxemos, se está acontecendo isso tudo aqui?

- Ninguém. – Gillius disse derrotado. – Mas a ideia era ir embora e voltar a estaca zero.

- De jeito nenhum! – Aldebaran socou o carvalho mais uma vez. – Nunca! Estamos aqui, então vamos fazer o que podemos para ajudar!

- É claro. Até porque, não podemos desistir da sua carreira política agora! – Gillius sentou-se em outro pufe e começou a beber. – Espero que você já tenha conseguido tudo o que é necessário para entrar na disputa Deba.

- Não se preocupe com isso irmão. Tudo está acertado.

- É ai que eu me preocupo! – Gillius bebeu mais um copo de cerveja. – Temos que entrar em contato com Saga e explicar o que está acontecendo aqui!

- Tem um lugar específico para isso aqui em Turlor. – Disse o irmão apreciando a bebida que escorria lentamente pelo canto de sua boca. – É em uma sala isolada, como aqui em Turlor não se pode usar magia em seus arredores, quem quiser se comunicar com o povo daqui tem que esperar entrarmos em contato ou vir até nós.

- Eu ainda não entendo esse mecanismo deles.

- É bem simples. – Aldebaran encarou o irmão por alguns segundos. – E você que é o esperto da família.

- Não seja ridículo! – Esbravejou o anão. – Termine logo com isso. Temos assuntos inacabados para resolver.

O irmão fez uma carranca para Gillius e terminou de beber a sua cerveja tranquilamente. Primeiro passo para ser um Rei, os outros devem obedecê-lo e não ao contrário. Tudo tem que acontecer de acordo com o que ele quer e na hora que ele quer. Gillius que espere ele terminar de beber a sua cerveja. Além do mais, o mal já estava feito, não que ele realmente achasse aquilo ruim, mas esperar uma hora a mais ou a menos, não irá fazer diferença nesta guerra.

Os lobos entraram nos aposentos dos donos e se acomodaram em um canto, não demoraram muito e os irmãos podiam ouvir o respirar profundo das criaturas. Eles tinham sido a atração principal depois que os dois adentraram o vulcão. E depois daí, os lobos pareciam que tinham gostado desta atenção dada e sumiram no meio da multidão comendo tudo que os anões lhe ofereciam e aceitando carinhos atrás de suas orelhas.

- Se depender desses dois, nós estamos ferrados! – Falou Gillius. – Eles sumiram o dia todo.

- Deixa os bichos. – Aldebaran se colocou de pé. – Eles gostam de ser paparicados também.

- Espero que muitas crianças tenham montado em cima deles e os cansado bastante, só assim eles aprendem alguma coisa.

- Não duvido que isso tenha realmente acontecido, mas do jeito que eles são, irão querer repetir a dose amanhã! Adoram chamar atenção para si. Ego grande que eles têm. – Aldebaran passou as mãos gordas e calejadas no pelo de Hugin e Munin. – Vamos. Como você mesmo disse, temos muitas coisas para resolver.


Vilarejo Steel. – Próxima a Hügel.

Zara já estava hospedada ali há dois dias. O sol nunca nascia naquela área, pois a fumaça das fornalhas que produziam o aço naquele vilarejo inebriavam o céu azul, assim nunca era possível enxergar o sol, apesar do calor que fazia ali. A situação piorava para ela, pois desde que saíra do monastério, tinha colocado uma máscara branca para esconder o seu belo rosto. Desde o ocorrido com a sua mãe, ela sempre usava aquela máscara quando estava fora de seu lar.

Suas botas estavam sujas até a metade da canela por causa da lama da rua. Como ela não conseguia ficar parada dentro da estalagem, ela resolveu caminhar pelas ruas e fazer uma expedição a fim de achar algo interessante para preencher o seu tempo. Não havia muitas coisas naquele vilarejo. Apenas fornalhas e pessoas broncas que a olhavam pelo canto dos olhos. Parecia até que ela estava fazendo algo de errado estando ali, mas realmente deveria ser estranho para eles ver uma mulher com uma máscara no rosto.

Na certa eles pensariam que ela deveria ter alguma doença ou fosse tão feia de rosto que preferisse viver com ele escondido. Aquela era realmente a ideia que ela queria transmitir as pessoas. Mas nem tudo era feio por ali, bem ao fundo, não muito longe do vilarejo, uma floresta se erguia. Ela queria muito ir até lá, mais seria uma longa caminhada, talvez um dia todo andando. De onde estava não dava para ver o céu, talvez se chegasse a uns trinta quilômetros de distância do vilarejo, ela conseguisse vislumbrar o azul turquesa familiar e o sol.

Quando chegou ali, ela não sabia o que fazer, sabia que tinha que sair do monastério e ir atrás dos rebeldes, mas não sabia onde os mesmo ficavam, tinha que ir até o Império, mas acabou que ela foi à direção contrária, se afastou ainda mais. Seus instintos lhe diziam para nunca pisar naquele lugar e agora o mesmo instinto que lhe disse isso, gritava com ela, para que ela seguisse até aquela floresta tão magnífica.

Os pinheiros eram tão altos, mesmo ela estando tão longe, eles podiam tocar o céu. Será que se ela fosse até lá, poderia subir em uma daquelas árvores facilmente e enxergar o mundo lá de cima?! Desde que entrara no monastério não tinha visto muito do mundo, só lido em pergaminhos e livros antigos, mas nada. Tinha se dedicado aos estudos e com isso era mentora lá, mas agora aquele seu antigo mundo estava tão longe e parecia tão improvável voltar a lecionar.

Depois de tanto andar, voltou para estalagem. Sua barriga estava roncando e não via a hora de tirar aquela máscara e tomar um belo banho. O cheiro da fumaça e a fuligem que preenchia o local tinham entranhado em suas roupas. Se continuassem ali por mais tempo, não teria mais o que vestir, e os seus belos cabelos cacheados, ficariam com aquele cheiro horrível para sempre. Mesmo ela prendendo-o em um coque bem feito, bom, não tão feito, porque sempre uma mecha rebelde saia do lugar dela, mas mesmo assim, ele estando preso, aquele cheiro o penetrava.

A estalagem não era muito grande e nada limpa também, mas comparada as outras que haviam por ali, ela era a melhor e a senhora era bastante acolhedora. De todos ali, ela tinha lhe mostrado um sorriso amarelo, com alguns dentes faltando e um ou outro podre, mas era um sorriso, o que no final era o mais importante.

- Esta gostando de suas acomodações? – O timbre de voz dela, era bastante rouco e ela falava empurrando as palavras, como se estivesse cansada.

- Sim. Estou adorando. – Mentiu. – Você sabe me informar o que tem naquela direção? – Ela apontou com a mão esquerda, mostrando a mulher pela janela da estalagem a floresta.

- Nada. – Ela disse um pouco ríspida.

Aquela resposta a deixou surpresa. A mulher nunca falou assim com ela, daquela forma, agora sim ela lembrava bastante os outros moradores do vilarejo.

- Hum... Eu queria saber o que tem lá. – Disse dando de ombros. - Gostei muito daqueles pinheiros. – Essa última parte foi dita mais para ela mesma.

- Não vá até lá! – A velha armou uma carranca para a ruiva. – Lá você só encontrará a morte.

- Nossa! – Foi a única coisa que Zara conseguiu dizer.

- Irá jantar conosco ou quer que eu leve a comida até o seu quarto? – Perguntou a velha ainda carrancuda.

- Eu vou descer.

Zara deu as costas para a senhora e subiu os degraus de madeira velha e gasta até o seu quarto. Seja o que for que tem naquela floresta, ela iria ver com os próprios olhos. Não seria uma senhora que lhe colocaria medo. Ela com medo de um bando de árvores?! Rá! Ela tinha outras coisas a temer, além de uma baboseira dessas, mas tarde, na hora do jantar, quem sabe alguém daquele vilarejo não se habilite a lhe informar mais sobre aquele lugar, se é que existe alguém sociável por ali, mas ela iria correr esse risco.


Schwert – Império. Palácio de Darius.

- Então, como foi? – Perguntou Kanon sorrindo para a feiticeira.

- Como foi o que verme?

Reganna que saia da sala do trono com a expressão neutra, pois não queria demonstrar para ninguém o que realmente tinha acontecido ali dentro, teve que se deparar com esse ser desprezível.

- Como foi que você se livrou da punição que o nosso querido imperador iria lhe dar se você falhasse.

- Punição?! – Reganna chegou bem próximo ao feiticeiro. – Você não sabe o que diz. – Quase sussurrou.

- É mesmo? – Perguntou ironicamente. – Talvez a sua boceta seja realmente de ouro! – Ele disse a fim de irritá-la.

- Por que você não pergunta isso a ele?! – Ela cuspiu as palavras na cara dele. – E cuidado com o seu linguajar Kanon, ou da próxima vez, terei que cortar a sua língua fora!

- Eu tenho pena de você Reganna. – Kanon encostou-se à pilastra de pedra. – Você só sabe viver atrás da sobra do imperador, nunca será amada por ele, saber que sempre será somente o seu ponto de escape, quando ele quiser extravasar a raiva dele, com certeza ele fará isso contigo. E claro, tem aquele dragão tarado que eu sei perfeitamente o que se passa pela mente dele.

- Você não sabe de nada! – Ela quase gritou.

- Não seja idiota Reganna! Você nunca será rainha! Você nunca será a dona deste castelo!

- Não seja idiota você Kanon! – Ela cerrou os punhos. – Não fale coisas que não sabe e não seja burro o suficiente para me desafiar criança!

- Desafiar?! – Kanon gargalhou. – Não minha querida. Eu não preciso disso, não preciso desafiar você, a sua queda virá com o tempo. Ele encontrará outra pessoa e colocará em seu lugar.

- O que quer dizer com isso verme?

- Você sabe a respeito da profecia não sabe? – Ele agora colocou os braços atrás da cabeça a fim de apoiá-la.

- É claro que eu sei! Todos que são próximos a ele sabem!

- E você acha mesmo que é a serva mais leal?!

- Por que Kanon?! – Agora ela estava rindo junto com ele. – Você acha que é você?!

- Não! – Dessa vez ele falou sério. – De jeito nenhum. Não imagino a profecia do mesmo jeito que vocês.

- Não?! Pensei que quisesse matar o seu irmão!

- Eu quero! – Ele a encarou. – Mas quem garante a você que estamos falando do meu irmão? Ele não é Rei de nada! – A última palavra foi dita com desprezo.

- Você tem razão em partes querido. – Reganna sorriu para ele. – Você sabe, seu irmão pode não ser Rei do império, mas ele é "Rei" dos rebeldes.

- Meu irmão não é nada, a não ser um inseto que eu irei tirar do caminho do nosso imperador.

- Sabe Kanon, eu também sinto pena de ti. – A feiticeira chegou mais próximo dele. – Se eu vivo debaixo da sombra de Darius, você vive debaixo da sombra de quem?!

Com aquelas palavras, ela o deixou sozinho. Sabia que ele entenderia o recado. Apesar das palavras dele terem deixado-a irritada, ela não se preocupou em revidar. No momento certo ela teria a sua vingança, no momento certo, ela pessoalmente mataria aquele verme.


Heilige – Floresta encantada dos Elfos.

Naquele local ela não conseguia ouvir direito o canto dos pássaros, mal conseguia saber se era dia ou se era noite. Os raios de sol não chegavam até ali, o que proporcionava um ambiente frio e úmido. Ela não se importava, adquiriu o hábito de ficar sozinha, só contava com a companhia de uma raposa e de vez enquanto, alguns Elfos se disponibilizavam de ir até ela. Eles sempre lhe levavam livros e alguns pergaminhos para que a mesma estudasse e se informasse sobre o mundo e suas funções, além disso, levavam frutas e até incomodavam-na com os seus assuntos sobre a natureza e seus benefícios.

Léia, no começo, evitou o máximo possível o contato com eles, deixou seu coração se afundar em trevas e solidão. Desde aquele dia enfadonho, ela nunca mais foi a mesma. Antes da queda dos cavaleiros, o mundo era cercado por verde, vida, festas... Tudo era encantador. As pessoas viviam em harmonia e sabiam o que era respeitar e partilhar com o próximo. Não havia miséria, fome, morte. Só paz. Eram tempos bons, que muitas das vezes quando a feiticeira recordava-os, sentia aquela paz voltar a nascer dentro do seu peito.

Ela não soube quando começou a ruir aquela felicidade, ela nem ao menos conseguia se lembrar de quem foi o primeiro a cair. Ela só tinha a imagem da guerra em seu auge. Foi tudo muito rápido. Ela escutou gritos, viu horrorizada a labareda de fogo queimando tudo que viam pela frente, sentiu o ar ficar gélido de uma hora para a outra, mesmo com todo aquele fogo. Por mais que ela fosse uma cavaleira, por mais que ela soubesse de cada poder exclusivo que os Dragões tinham, ela nunca pode imaginar a destruição que aqueles poderes pudessem causar.

Darius sozinho conseguiu aniquilar todo mundo. Ele fez a cabeça de um grupo de cavaleiro e quando os mesmo fizeram aquilo que ele desejava, ele os matou ali na frente de todos, como vermes, como um nada. Não satisfeito com aquilo, ele ainda chamou Wegor para a batalha, porque ele não precisava do Dragão para aniquilar ninguém, foi mais uma demonstração de força. Ele surgiu na campina dos cavaleiros sozinho, logo atrás dele, um grupo de dez cavaleiros montados em seus respectivos dragões sobrevoava os céus só esperando uma ordem.

No começo, Léia pensou que fosse algum tipo de apresentação, alguma palhaçada, mas quando ela percebeu que os elfos surgiam por entre a floresta e corriam em suas direções gritando ordens e com suas armaduras reluzentes de prata, ela soube que algo estava errado e que ali aconteceria uma matança, um derramamento de sangue. Como todos os outros, ela só teve tempo de montar em seu Dragão e começar a batalha. Matou dois de seus irmãos, sentiu a dor percorrer seu corpo quando escutou o grito agudo que jorrou da boca de cada Dragão quando seu dono caiu morto no chão.

Ela nunca tinha presenciado a morte de um Dragão, foi a primeira vez, e foi causada por ela. Depois daí, a caos começou. Orcs surgiram e o caos que antes era enorme cresceu ainda mais. Orcs criados por Darius, seres impuros, matavam tudo o que viam pela frente e destruíam a terra sagrada e imaculada da mãe natureza. Viu o líder dos Elfos ajudando a salvar os cavaleiros, viu os feiticeiros tentando amenizar o prejuízo e a destruição causada, mas nada surtia efeito.

Léia tinha uma visão privilegiada de onde estava, podia ver tudo queimando, foi então que o ódio e a irá cresceram em seu peito. Seus irmãos estavam morrendo, sua casa estava sendo destruída, ela não podia ficar lutando contra os seus irmãos. Ismael, seu companheiro de coração e mente, também compartilhava dos seus sentimentos. Seus irmãos estavam morrendo por causa de garras traidoras. E a única pessoa que eles tinham que matar para que a guerra acabasse era Darius.

Léia era imatura e muito nova na época, agia por impulso e sempre achou que era capaz de tudo, e com os sentimentos negativos que brotavam em seu coração ela apenas agiu. Ismael voou contra Darius, aproveitando que o mesmo ainda estava sozinho, achando que um simples cavaleiro não poderia ter a força para matar um Dragão. Tanto Ismael quanto Léia, estavam enganados. Darius só fez um simples movimento com as mãos, e uma dor que a feiticeira ainda podia lembra-se, penetrou a sua mente, seu mundo ficou escuro, ela perdeu os seus sentido e sentiu seu corpo magro beijar o chão banhado a sangue. Mas não foi isso que a deixou horrorizada.

Quando ela conseguiu recobrar os sentidos, ela viu Darius com a mão dentro do peito de Ismael, o Dragão estava inerte no chão, seus olhos encaravam os de sua dona, como se lhe pedisse desculpas por não ter sido capaz de matá-lo e nem de protegê-la. Ele ainda conseguiu se despedir dela. "Minha amada guerreira, que você viva e ajude a destruí-lo. Você sempre será a minha escolhida. Irei amar-te para sempre." Ela nem pode se despedir, nem pode dizer a ele o quanto o amava.

Quando Darius puxou o coração do seu querido Ismael para fora, foi como se ele estivesse puxando o dela também. Ela lembra perfeitamente do grito de dor que saiu por entre seus lábios, gritos que se fundiram com o de Ismael, gritos que até hoje lhe atormenta, que lhe enfraquece, que lhe mostra que a morte para ela no dia era a sua salvação. Quando a vida de Ismael se esvaiu por entre os dedos de Darius, tudo passou como um borrão. Ela só escutou o bater de assas de Wegor se aproximando junto com a gritaria dos Elfos e o barulho das espadas se encontrando, sentiu seu corpo sendo erguido do chão, mas aquilo não importava, queria mais é ter se misturado com a terra suja e ter sumido juntamente com a existência de Ismael.

O mundo já não importava mais, as cores já não existiam, os pássaros, o vento, o barulho da cascata da cachoeira, o cheiro de terra molhada, nada existia e nada fazia sentido. Ela se deixou mergulhar em um buraco negro, solitário, vazio. Os dias que viveu ao lado de Ismael foram preenchidos por raiva, dor, lamúrias, tristeza. Nada que os elfos fizessem podia mudar o que tinha acontecido. Depois de alguns dias, ela saiu do estado catatônico e entrou no estado da agressão, negação e rebeldia. Lutou, gritou, quebrou tudo e insultou a todos que a cercavam.

Depois veio a fase de querer ficar sozinha e isolada. Parou de comer, perdeu peso e até tentou algumas vezes acabar com a própria vida, mas não tinha coragem o suficiente para fazê-lo e sempre que tentava as palavras de Ismael vinham em sua mente. Com o tempo começou a sair de seu quarto e começou a caminhar pela floresta de Heilige, até que um dia como outro qualquer, quando Léia estava apreciando a sua autopiedade, uma raposa chamou a sua atenção, não era o primeiro animal que via na floresta sagrada, mas o jeito de olhar a lembrava de Ismael.

Léia não fez qualquer movimento para a raposa, mas o animal parecia gostar da presença da feiticeira, pois todos os dias que Léia ia caminhar pela floresta a raposa a seguia. Em uma bela manhã, quando os raios de sol passavam pelas brechas das árvores e iluminavam alguns cantos da floresta, Léia percebeu que aquele raio de sol iluminava a raposa, deixando-a em evidência. Sua cor avermelhada era lustrosa e magnífica, seus olhos âmbar estavam cheios de uma compreensão que a feiticeira entendeu que aquela raposa, sabia a dor que ela estava carregando.

A partir daí as duas começaram a andar juntas. Léia passou a levar a raposa para o seu quarto, onde a mesma passava a maior parte do tempo. Os dias não foram como os outros, os Elfos começaram a notar uma diferença enorme na feiticeira, ela começou a ser mais sociável, começou a praticar meditação e acalmar o seu espírito. Passou a ler e se informar sobre tudo que estava acontecendo no Império. Soube como o embate na clareira teve o seu fim. Assim que Mu a resgatou, Wegor sugou a energia de todos que ficaram para trás. A clareira agora era só um monte de terra, estava devastada e sem vida. Nada crescia mais ali.

Léia muitas vezes tentou ir até lá para orar pela alma de seu Dragão, pedir perdão pelos erros cometidos e dizer aquilo que ela nunca conseguiu. Mas a rainha dos Elfos nunca a deixou sair, para o mundo ela estava morta e era assim que ela gostaria de permanecer, morta. Porque de fato, quando Ismael morreu, levou praticamente toda a sua alma junto com ele, só ficou um resquício, que a raposa dia após dia mantinha viva.

Deitada em sua cama, sentindo o calor do corpo de sua amada raposa contra os seus pés, Léia deixava as lágrimas rolarem pelo seu rosto. Seus dedos finos acariciavam com delicadeza o pelo macio e brilhoso do animal, ela nem se deu conta das batidas em sua porta, até a raposa se levantar e ficar olhando na direção do barulho.

- Entre. – Disse metodicamente.

A porta se abriu com um leve rangido, estava assim há três dias já, Léia sempre falava que ia consertar, mas nunca o fez.

- Senhorita. – Falou um Elfo loiro. Ele posicionou-se ao lado da cama. – Você tem visitas.

Visitas?! Ela nunca tinha visitas e mesmo assim, ela sempre deixou claro que não gostaria de receber ninguém, mal gostava da presença dos Elfos ali com ela. Ela só suportava a raposa e mais ninguém.

- Não vou receber ninguém. – Ela virou o corpo, dando as costas para o Elfo. Sinal claro que queria ficar sozinha.

- Saia Aro. – Iebel estava parada na porta. Seus longos cabelos loiros tocavam o chão e suas assas pareciam estar repousadas em suas costas. – Eu me encarrego dela.

- Sim vossa majestade. - O Elfo fez uma reverência para a Rainha e saiu do quarto em seguida.

- O que quer? – Perguntou a feiticeira ainda de costas.

- Conversar. – Iebel disse tranquilamente. – Você pode me ceder alguns minutos do seu tempo Léia?

Léia bufou. Virou para a Rainha e sentou-se na cama. Seus longos cabelos castanhos caiam como cascata contra suas costas, sua franja que já estava grande, precisava de um corte, tampava-lhe os olhos. Assim como a Rainha, Léia trajava um longo vestido branco bordado com delicados fios de ouro. As mangas iam até os punhos, bem grudadas ao corpo. O decote era delicado e arredondado, um cinto dourado todo trabalhado estava fixo em seu quadril, fazendo com que as suas curvas fossem visíveis. Léia encarou a Rainha esperando que a mesma desse início ao que trouxe ali.

- Sei que seu coração ainda carrega uma carga negativa e pesada, sei também que ainda se encontra magoada e debilitada. Mas peço que escute o que esses jovens têm a dizer. – Iebel levantou a mão para calar a feiticeira. – Sei que não quer ser incomodada e que preferiu viver isolada, mas a uma pessoa aqui que a muito lhe salvou, e pede encarecidamente que você o escute.

- Mande-os entrar. – Falou por entre os dentes.


Meus amores, mil perdões por não ter postado antes. Estou muito gripada (Thamires e Marcela sabem o quanto.) e só o ato de abaixar a cabeça me dá uma dor insuportável, além do meu nariz ficar escorrendo. Então escrevi devagar, quase parando. Quero agradecer mais uma vez as meninas por me ajudarem a concertar os erros. Paula Al-Qantara Sammet, Thamire Bastos e Marcela Augusto. Amo vocês! 3

Espero que gostem do capítulo. Se Deus quiser vou ficar boa logo e os capítulos saíram mais rápidos.

BeijosMeLiga.


Respondendo aos Recadinhos Felizes. *OOO*

Hoje, particularmente irei responder todos de uma vez só. Obrigada por lerem e pelo carinho. Sei que muitos trabalham e estudam. Então, eu compreendo o fato de alguns aparecerem uma vez ou outra, sem problemas algum. Resolvam os seus problemas primeiro e quando sobrar um tempinho, leia. =)

Beijos enormes para – Aredhel, Ikarus, Jules, Pure Peti, Notte, Asian, Girtab, Krika, Erika, Lyta e Hikari.

Posso não ter respondido um por um, mas beijo eu posso mandar.

Obrigada por estarem lendo e gostando. *-*

Fiquem com Deus!