FORA DE SI
AVISO: Neste capítulo, os trechos em itálico representam um flashback.
Nono capítulo
Kyoya gostava de observar os outros embora não soubesse explicar como e por que desenvolvera esse interesse. Porém, se o perguntassem o que achava das pessoas ao seu redor, resumiria o comportamento de todos em uma simples palavra:
Previsíveis.
A princípio, o moreno julgara Haruhi da mesma maneira, no entanto, sabia que ela possuía uma personalidade diferente a das demais garotas que havia conhecido.
-O presente de aniversário foi entregue. -Kyoya levantou-se, ignorando a expressão de tristeza no rosto dela. -Se me der licença, eu vou embora.
Kyoya sentiu-se desconfortável, teve a sensação de que a garota lera seus pensamentos e enxergara o fundo de sua alma. Antes que pudesse sair, ela o segurou pela gola da camisa.
-Kyoya-sempai, foi por esse motivo que você veio?
-Sim... -Respondeu sem hesitar. -Tamaki e os outros não tiveram coragem de retirá-la do clube, então eu fui incumbido de fazer isso.
-Não, você só quer protegê-los. -Haruhi disse com firmeza. -Acha que eles não tem maturidade suficiente para lidar com determinadas situações.
Kyoya estagnou, sempre acreditara ser o mais independente dos anfitriões e diversas vezes utilizou sua inteligência para resolver problemas dos demais, será que era uma mãe zelosa em excesso?
Ou subestimava a capacidade dos próprios amigos, sem perceber?
Talvez devesse refletir sobre a sua condição, contudo não haveria mais tempo para ficar perdido dentro de si, uma questão ainda o incomodava...
-Como pode saber disso? -Perguntou a Haruhi, estranhando a convicção que a garota tinha em suas palavras.
-Simples, eu passei pela mesma situação com a morte da minha mãe. -E revelou a Kyoya o passado cujas lembranças desejava esquecer.
-Quando eu tinha três anos, um homem procurou pela minha mãe...
-Acha que pode vir na minha casa para me subornar? -Irritada, Kotoko tentou expulsar o tal homem. -Eu o levarei a júri, de qualquer jeito.
-As provas estão contra mim... -Disse sarcástico.
-Se for realmente inocente, como diz ser, será absolvido.
-Mamãe...
Os gritos assustaram a pequena Haruhi, nunca vira sua mãe tão nervosa.
-Haruhi, eu não falei para você ficar lá dentro?!
-Então, é sua filha? Que bonitinha, imagine se acontecesse algo com ela...
-Deixe minha filha fora disso!Ela só tem três anos!
-Fique tranquila, não pretendo machucar a menina. -Virou-se e saiu pela porta da frente.
-Na semana seguinte, o mesmo homem apareceu na minha escola...
-Não tenha medo... -Abriu a mão e mostrou vários doces, pretendendo ganhar a confiança, Haruhi os aceitou. -Qual o dia de seu aniversário?
-Quatro de fevereiro.
-Fazer quatro anos no dia quatro... Isso pode ser sinal de azar, viu?
-Que nada! Mamãe diz que eu trouxe muita sorte para a vida dela.
-É mesmo, muita sorte... Espere ansiosa pelo seu aniversário, eu te darei um presente inesquecível.
-O presente foi...? -Kyoya não acreditou no que acabara de ouvir.
-Sim, mamãe morreu de uma suposta doença no mesmo dia do meu aniversário... -Haruhi suspirou. -Acho que aquele homem comprou os médicos legistas também.
-E o Ranka-san sabe disso?
-Não, eu nunca tive coragem de contar para o papai... Até hoje. -Olhou em direção ao aposento e a voz saiu fraca. -Por favor, perdoe-me por ter escondido isso do senhor.
A porta do aposento abriu pelo lado de dentro e Ryuoji apareceu, pálido, enquanto as lágrimas escorriam por sua face.
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O que acharam da surpresa? Nesta fic, a mãe da Haruhi, na realidade, foi assassinada.
Perceberam que eu tenho uma queda por mangás de terror?:P
De qualquer forma, tudo será resolvido no próximo capítulo.
Até o décimo e último capítulo,
Unknow-chan
(Aguardem ansiosamente!)
