Capítulo 9 – A carta
"Algo que ainda não morreu…"
Alguns dias se passaram e eu andava completamente arrasada. Arrasada por não conseguir tirar Mamoru do pensamento, arrasada por não o conseguir tirar do coração. Durante esses dias encontrei-o várias vezes, e várias vezes fugi dele. Não conseguia encará-lo com vergonha de mim própria. Não queria olhar para os olhos dele e ver ali reflectido o brilho de vitória. Ele estar a congratular-se por eu não lhe conseguir resistir... Mas, principalmente, tinha medo de perder novamente o controlo.
Deus, o que me passou pela cabeça? Esta pergunta não parava de martelar na minha mente. Como pude fazer aquilo? Como? Não me conseguia perdoar por ter caído novamente nas teias dele. Tentava desculpar-me repetindo para mim própria que as palavras de carinho dele me tinham amolecido, mas então a voz da consciência gritava Parva! Ele estava bêbedo! o que fazia com que me sentisse novamente a pior pessoa do mundo.
Simplesmente não me conseguia perdoar pelo que tinha acontecido. Mina tentava ajudar dizendo que eu não tinha nada que me sentir assim… afinal, eu amava-o. Ela dizia que a culpa era dele, ele é que devia parar com isso, ele é que devia lembrar-se que tinha namorada.
Namorada.Essa palavra fazia o meu estômago revirar-se e as lágrimas inundarem-me os olhos. O sentimento de culpa envolvia-me cada vez mais. Culpa por aquela rapariga que não conhecia, mas que me sentia mal por magoar… culpa porque ela estava a morrer, mas mesmo assim Mamoru insistia em trai-la… culpa por Kakyuu.
Kakyuu.Era esse o nome dela. Vim a sabe-lo mais tarde. Era mais um dia miserável… Como todos os outros… Já me tinha habituado a não esperar muito desses dias… Já estava habituada àquela dor, àquela dor constante que teimava em não sair do meu peito.
Cheguei a casa e tirei as cartas do correio, começando a vê-las sem interesse. Até que uma letra familiar me chamou a atenção. Era uma carta dirigida a mim e aquela letra era a letra de Mamoru. A minha primeira reacção foi rasgar aquela carta. Mas detive-me a meio do gesto. Fui invadida pela curiosidade. Curiosidade de saber o que teria Mamoru de tão importante para me dizer. Iria tentar justificar-se novamente? Inventar uma desculpa absurda esperando que eu mordesse o isco outra vez?
Abri a carta e comecei a ler. As lágrimas invadiam-me os olhos à medida que avançava. Quando terminei de ler, elas já corriam livremente. Encostei-me à parede e deslizei, chorando. Senti as chaves rodarem na porta e Mina entrou.
- Usagi? Usagi, que se passa? O que aconteceu? – perguntou preocupada, ajoelhando-se ao meu lado.
Não me senti capaz de emitir qualquer som, pelo que apenas apontei para a carta, caída ao meu lado no chão. Mina pegou nela e começou a ler o seu conteúdo:
Minha Usako
Não vi outro meio de te contactar. Não atendes as minhas chamadas, ignoras as minhas mensagens e foges de mim na rua… provavelmente não vais ler esta carta, mas tinha que tentar. Quero esclarecer as coisas, Usako. Quero contar-te tudo, toda a verdade…
Sim, é verdade. Tenho uma namorada e, sim, ela está a morrer. Não vou tentar justificar-me porque sei que o que fiz não tem perdão. Fui um idiota, um canalha, um mentiroso… Não vou negar que fui tudo isso e mais ainda. Mas, acima de tudo, fui um cobarde. Devia ter-te contado tudo desde o inicio, devia ter sido honesto. "Ou nem te envolveres comigo, para começo da história", deve ser o que estás a pensar. Mas não consegui resistir. Assim que te vi fiquei preso a ti. Preso ao teu olhar, preso ao teu sorriso… Sabia que o que estava a fazer era errado, todos os dias me sentia culpado, todos os dias dizia a mim próprio que te iria contar a verdade. Mas no fim, acabava por esquecer todas essas promessas. Porquê? Porque tinha medo de te perder. Tinha medo que me deixasses e que nunca mais me perdoasses. Tu fazias-me tão feliz, que pensei que poderíamos ficar assim para sempre. Mas acabou por acontecer na mesma, não foi? E agora odeias-me… Parte-me o coração pensar nisso, mas acho que mereço… Por isso, tomei uma decisão. Uma decisão difícil, mas era algo que tinha que fazer. Vou acabar tudo com a Kakyuu. É o mais correcto a fazer. Ela é uma pessoa fantástica, merece alguém que a faça feliz. Não posso continuar com ela quando o meu coração pertence a outra pessoa. Não seria justo. Mesmo que não me queiras mais, espero assim atenuar um pouco a minha culpa. Devia ter feito isto desde o inicio, quem sabe agora ainda estivesses nos meus braços…
Espero que acredites nas minhas palavras… E espero que algum dia me perdoes. Estarei sempre aqui, à tua espera.
Sempre teu,
Mamoru
Minako acabou de ler a carta e, sem qualquer palavra, abraçou-me. Quando as minhas lágrimas cessaram, encaminhou-me para a sala e fez-me sentar no sofá, sentando-se em seguida à minha frente.
- E agora? O que vais fazer? – perguntou sem rodeios, cravando os seus olhos nos meus.
- Não sei… Não sei, Mina.
Não sabia mesmo o que fazer a seguir. A carta de Mamoru deixara-me completamente desnorteada. Já me tinha conformado em viver sem ele, já me tinha conformado que não dava, que não podíamos ficar juntos. Já me tinha conformado que ele não valia nada, que era um conquistador barato. Mas… aquela carta… ele parecia tão sincero…
- Talvez seja melhor falares com ele… cara a cara! Só assim vão poder resolver tudo de uma vez.
- Sim… sim, acho que tens razão. – disse. Ainda duvidava se seria esse o melhor passo a dar, mas tinha que fazer algo. As coisas não poderiam ficar assim.
Peguei nas chaves e na carteira e preparei-me para sair.
- Deseja-me sorte!
- Boa sorte Usagi! Espero que tudo corra bem!
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Enquanto me dirigia a casa do Mamoru, várias dúvidas percorriam a minha mente. Como reagiria ele quando me visse? Ficaria surpreso? Ou já esperava que tal acontecesse? Iria abraçar-me, beijar-me, pedir-me que nunca mais o abandonasse enquanto me empurrava para a cama?
Senti-me corar com este pensamento. Usagi idiota! No que estás tu a pensar? As lembranças da última vez que estivera em casa do Mamoru continuavam bem vivas na minha memória. Os seus olhos, encarando-me como se não houvesse mais ninguém no mundo, o seu toque na minha pele, provocando arrepios por todo o meu corpo, a sua respiração no meu pescoço, levando-me ao limiar da loucura, os seus beijos que me deixavam a pedir por mais e mais…
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Pára com isso, Usagi! Vocês só vão falar, esclarecer as coisas… mais nada! Não esqueças que ele te mentiu! Não o podes perdoar assim, só porque ele disse a verdade uma vez… Acalma essas hormonas e vê se raciocinas! A minha consciência fez questão de me trazer de volta à realidade.
Estava quase em casa do Mamoru quando vi algo que me deixou petrificada: do outro lado da rua passeava um casal, abraçado. O rapaz parecia distraído, enquanto a rapariga ria imenso enquanto falava. Parecia muito feliz ao pé dele, nem reparando que ele não a ouvia. O rapaz era Mamoru… e a rapariga devia ser Kakyuu.
Deus! Como sou egoísta! Tinha ficado tão distraída com a carta, que nem pensei nela. No que ela sofreria… Em como ficaria infeliz se Mamoru a deixasse… Deus! Não podia fazer isso! Não podia! Ela olhava para ele com tamanha adoração! Simplesmente não podia tirar-lhe aquela felicidade!
Preparava-me para deixar aquele sítio quando senti os olhos de Mamoru em mim. Virei-me lentamente e percebi que ele me olhava estupefacto. Reparei que ele pretendia falar comigo e fiz que não com a cabeça, apontando para o telemóvel. Creio que ele percebeu o que eu queria dizer, pois apenas assentiu e continuou a andar.
Mais tarde recebi uma mensagem para me encontrar com ele à noite no parque. Quando cheguei lá, Mamoru ainda não tinha chegado. Sentei-me à beira do lago, pensando em tudo o que tinha para dizer. Amava Mamoru. Amava-o como nunca antes tinha amado alguém. Essa era a verdade. Mas não podíamos ficar juntos. Ele tinha que continuar com a Kakyuu. Sim… essa era a coisa certa a fazer…
- Olá – ouvi a sua voz.
- Olá – respondi, dando-lhe um sorriso fraco.
- Usagi, eu…
- Senta-te – cortei-o suavemente.
Ele obedeceu, parecendo receoso.
- Recebeste a minha carta? – perguntou, sem olhar para mim.
- Recebi sim. E tive que pensar muito antes de tomar uma decisão… - fiz uma pequena pausa – acredito em ti.
Mamoru tirou os olhos do lago e encarou-me, a surpresa espelhada por toda a sua face.
- A-acreditas???
- Acredito. Amo-te Mamoru. Apesar das mentiras, apesar dos enganos… Apesar de tudo… A verdade é que te amo, desde aquela noite em que nos vimos pela primeira vez. Tentei odiar-te, tentei esquecer-te, tentei enganar-me a mim própria e arrancar este sentimento de dentro de mim. Mas esta é a verdade. Amo-te.
Mamoru sorriu. Sorriu daquela forma que fazia o meu coração dar pulos dentro do meu peito, e senti a minha coragem a esmorecer.Deus! Por favor, dai-me forças para conseguir acabar com isto…
- Mas… A verdade é que não podemos continuar com isto. O teu lugar é ao lado da Kakyuu. É a ela que tu pertences e eu não tenho o direito de interferir nisso.
- Não… Usako, não digas isso. Eu não a amo! É a ti, é a ti que eu amo, é contigo que eu quero ficar. Por favor…
- Mamoru… não tornes as coisas mais difíceis, peço-te. Pensei mesmo muito antes de tomar esta decisão, e não pretendo voltar atrás. Eu hoje vi-a… vi a maneira como ela te olhava, como sorria por tua causa… Ela ama-te de verdade! Sei isso porque partilhamos o mesmo sentimento. Não posso, não devo… não quero tirar-lhe essa felicidade. Era ela a "tal" antes de me conheceres. Esse sentimento não foi completamente esquecido. É só esqueceres tudo isto, toda esta loucura… Tenho a certeza de que vão voltar a ser muito felizes. – uma lágrima solitária rolou pela minha cara.
- Tens a certeza que é isto que queres? – Mamoru perguntou, com a voz embargada.
- Não. Mas sei que estou a fazer a coisa certa.
- Não concordo com o que dizes. Nunca vou esquecer esta "loucura" como tu lhe chamas. Mas se é isso que queres… então farei o que me pedes.
- Obrigado por compreenderes – disse, sorrindo tristemente.
- Usako… não, Usagi! Posso pedir-te um último beijo?
Assenti enquanto ele aproximava lentamente os seus lábios dos meus.
Um último beijo… Um beijo de promessas não concretizadas, um beijo que continha todas as palavras não ditas, um beijo já cheio de saudades… um último beijo de um amor que não o podia ser.
- Adeus Mamoru. Sê feliz – disse, partindo sem olhar para trás. Não voltaria a olhar para trás…
Continua…?
Eheh! Serei malvada? xD Humm… o que acharam deste fim? Pensei em mais um capítulo, maaaasssss… só o publico se, e só se, receber assim, muitas, muitas reviews. Senão… bem este é um bom fim :P E sim, estou a chantagear-vos! xD Portanto, 'bora lá entupir a minha caixa de correio com reviews! \O/ Ah! Mas não vos garanto que a Usa fique com o Mamoru! Vão ter que arriscar (riso maléfico)
(Bem, eu tinha postado agradecimentos a todos, mas o fanfiction passou-se, para variar -.-" enfim... depois posto um comentário só a agradecer, si:D Beijinhos a todos e obrigada por lerem e por comentarem :D)
Ja ne (?)
