Capítulo VIII
Rosalinda se encolheu contra o chão gelado, suas pernas ardiam podia até sentir os vergões subirem na pele sensível. Mordeu bem o lábio sentindo suas damas de companhia cuidarem dos ferimentos, seus olhos já estavam secos de tantas lágrimas derramadas nas ultimas semanas.
Cristian havia demonstrado sua verdadeira face. Seu povo estava infeliz, passava fome enquanto a mesa real rangia pelo peso de comida farta. Já não tinha mais cantoria nas ruas, os guardas ele havia substituído quase todos e alguns estavam foragidos se escondendo os que estavam em seu lugar agora eram truculentos.
O rei havia retirado a rainha da vida pública alegando que ela precisava se purificar de algumas ações inapropriadas em sua ausência. Isso foi o que foi dito ao povo, que a Rainha havia viajado com a princesa para algum mosteiro escondido e se purificava, a verdade é que Rosalinda apanhava todos os dias e todos os dias era abusada pelo marido.
- Majestade. – O sussurro trêmulo, Rosalinda estava imóvel. – Vamos para a cama.
Com cuidado as mulheres levantaram a rainha que fez poucos movimentos para auxilia-las. Seu corpo repousou nas folhas macias da cama, mas isso só lhe fez sentir um repuxão nas contusões.
- Não se preocupe. – Mas uma vez aquele sussurro. – A rainha Sophia já está se movimentando para acabar com isso.
Rosalinda ouviu a porta ser fechada suavemente.
- Onde está Helena? – Sua voz rouca pela falta de uso.
- Ela está… bem. – Hesitou.
Rosalinda moveu a cabeça sentindo seus olhos se encherem de lágrimas que nublavam a sua visão.
- Não se preocupe com a princesa estamos cuidando dela. – A voz ia se afastando. – Vai tudo se resolver. Agente Mason vai voltar.
- Não… Carter não pode voltar… - Sua voz rouca saiu alta. – Ele vai mata-la.
14:30PM Louisiana
Carter observava o trabalho de seus alunos sêniors, seu projeto final era pintar no muro da escola aquilo que mais sentiria falta.
Sentiu pegarem em seu pulso dois garotos que sorriram para ela.
- Reservamos um lugar para a senhora. – Puxaram a professora para perto dos outros estudantes, tinha um pedaço do muro pintado de branco. – Esse é seu, Senhorita Mason, queremos que a senhorita desenhe o que quiser.
Olhou para os alunos alguns se sentaram no gramado outros foram dar retoques em seus próprios desenhos.
Carter sorriu para os que se sentaram.
- Ok eu vou fazer isso. – Pegou um bloco de desenhos para rascunhar o desenho.
Sentou-se ao lado dos rapazes que conversavam animadamente e começou a desenhar se mantendo atenta aos alunos.
- Podem ir. – Liberou a turma quando o sinal tocou. – Amanhã eu amostro o desenho para vocês.
Voltou para a escola durante a noite e começou a trabalhar no desenho, com cuidado e esmero. Suas roupas sujas de tinta e o sorriso satisfeito nos lábios.
Afastou-se olhando o trabalho assim que se deu conta que já era hora da sua aula e a primeira era justamente com os sêniors.
Limpou as mãos em um pano já sujo de tinta e ignorou as próprias roupas manchadas, mas sorriu para os alunos que se aproximavam animados.
- Bem-vindos ao ultimo dia como crianças. – Abriu os braços soltando uma gargalhada.
- O que a senhorita desenhou? – Uma menina de cabelos crespos franziu as sobrancelhas.
- Isso aqui. – Deu um passo para o lado deixando o desenho amostra para eles. – Vou sentir falta de vocês.
Era um desenho da turma de artes sentada no gramado cara um com seu capêlo e a beca com seus sorrisos largos. Logo embaixo tinha uma imagem dos rostos de Rosalinda e Helena.
- E quem são essas? – A mesma garota apontou para as duas.
- Ok, vamos nos sentar? – Sorriu vendo os alunos largarem seus materiais no gramado e se sentarem. – Vocês estão se formando, hoje é o último dia de vocês aqui, entre os muros do que vocês conhecem. Aquela mulher ali que eu desenhei, quando eu a conheci tinha um pouco menos de idade do que vocês têm agora e eu me apaixonei perdidamente. Fiquei anos sem ter qualquer tipo de contato e então a meses atrás ela precisou de mim e eu fui ao seu socorro e por isso eu não dei aula para vocês durante esse tempo. Aquela menina é a filha dela, uma menina adorável e estonteante, me apaixonei pela criança e… - Ergueu a cabeça encontrando Pedro vindo em sua direção com o uniforme militar de Costa Luna.
Pedro parou sua expressão era severa e rígida.
- O que eu quero dizer para vocês é que às vezes a vida vai agir de um jeito que vai machucar, muito, mas se for para ser vai ser mesmo que demore e doa.
- E agora? – Um garoto franzino perguntou.
- Agora eu vou embora, assim como vocês. – Carter encolheu os ombros. – Como a de vocês a minha vida não está aqui e sim ao lado dela, mas eu estou levando vocês comigo. Espero que vocês tenham muita sorte na vida de vocês e que o que tiver que ser seja, mas agora se vocês me dão licença a minha mulher e a minha filha precisão de mim.
Afastou-se fazendo sinal para o Montoya se aproximar, o burburinho correu pelos alunos que observaram o oficial.
- Pedro. – Cruzou os braços firmemente. – O que aconteceu?
- Precisa voltar. – Pedro retrucou com a voz baixa. – Rosalinda precisa de você, Costa Luna precisa de você.
- Onde ela está? – Continuou firmemente.
- Carter…
- Cadê a minha mulher? – O peitou irritada. – O que ele fez?
- Carter…
- Pedro. – O empurrou pelos ombros, pelo canto dos olhos percebeu seus alunos se levantarem e os rapazes se movimentarem nervosos prontos para partir para cima de Pedro caso ela precisasse. – O que ele fez?
- Eu não sei. – Murmurou pesaroso. – Pelo o que a minha tia disse Rosalinda está trancada no quarto e Helena está sempre com as amas. Cristian não deixa as duas saírem o povo nem sabe onde elas estão.
- Elas estão no castelo? – Rosnou sentindo a bile subir queimando por sua garganta.
- Sim, mas o povo acha que elas estão fora da corte. – Esfregou as sobrancelhas grossas. – Carter temos que dar um jeito de tira-las de lá, o povo está sofrendo.
A Mason bufou olhando para os seus alunos.
- Sozinhos? – Perguntou a ele.
- Não, temos bons soldados conosco, soldados fiéis a Rainha Rosalinda e que precisaram fugir e também temos a Agência que dará suporte para a fuga de Helena e acho que se você pedir a Diretora ela daria suporte para a fuga da família real. – Pedro cruzou os braços largos. – Mas não creio que Rosalinda vá querer abandonar o povo nas mãos dele.
- Ela não vai. – Retrucou se aproximando dos alunos. – De um jeito de falar com eles, me coloque em contato com Costa de Sol agora.
Aproximou-se dos alunos.
- Relaxem. – Deu um meio sorriso para os meninos. – Em dois tempos ele acaba com vocês.
- Com todo mundo junto? – Um deles arqueou as sobrancelhas flexionando os músculos.
- Ele é treinado para isso. – Soltou uma gargalhada. – Agora é sério eu preciso ir.
- Vai cuidar da sua mulher? – Uma aluna perguntou com um sorriso besta.
- É eu vou sim.
- A senhora volta para a nossa formatura? – Outro perguntou. – Com as duas?
- Posso tentar. – Acenou sentindo Pedro tocar o seu ombro. – Agora eu preciso ir, se cuidem e eu desejo toda a sorte do mundo para vocês.
A mulher de baixa estatura se aproximou de Carter que rapidamente aprumou os ombros enquanto descia do helicóptero.
- Agente Mason. – A Diretora acenou com a cabeça estendendo a mão. – Eu sinto muito por essa confusão.
- Eu também Diretora. – Acenou bruscamente, recebeu uma mochila de outro Agente. – Posso contar com o apoio da PPP?
- Apenas na remoção da família real. – A diretora suspirou. – Não podemos nos meter nessas questões…
- Eu sei e foi exatamente por isso eu pedi uma reunião com o Rei de Costa de Sol. – Subiu no avião antes de jogar a bolsa na poltrona.
- Esperta como sempre Mason. – A Diretora aprovou com um pequeno sorriso. – Infelizmente eu não pude liberar o seu pai para esta missão.
- Não tem problema, eu falei com ele hoje cedo. – Acenou com a cabeça.
- Eu queria que ele estivesse aqui para ver isso. – Estendeu uma plaquinha prata.
Carter ergueu os olhos das plantas para ver o que lhe era estendido. Capitã Carter Mason.
- Estou te subindo de posto Agente, subindo por honra e serviços prestados. – A Diretora se curvou sobre ela para lhe falar no ouvido. – Você merece Carter, seu pai está orgulhoso agora salve Rosalinda.
A Diretora se levantou e saiu do avião dando a ordem de que ele levantasse voo.
19:16PM Costa de Sol
O salão amplo e bem arrumado, a mesa corria de ponta a ponta. A mesa era longa e imponente encontrava o rapaz de terno bem cortado sentado na cabeceira. Os cabelos escuros bem arrumados e o rosto moreno inclinado para baixo enquanto ele examinava os papéis.
- Agente Carter Mason. – A voz forte veio dele.
- Príncipe Carlos. – Carter parou sentindo Pedro estancar logo atrás de seu corpo, o tenente lhe seguia como uma sombra.
O homem ergueu os olhos castanhos, se levantou abotoando o botão do terno. Carter e Pedro trataram de se curvar para ele.
- Estive me perguntando desde o momento em que recebi uma ligação interessante. – Ele indicou as cadeiras, mas apenas a Mason se sentou Pedro se manteve em guarda. – Seu guarda nunca relaxa? Estamos sozinhos.
- Ele é um pouco… - Olhou para Pedro que se manteve sério. – Rígido às vezes.
- Entendo… mas enfim em que posso ajudar? – Cruzou as pernas confortavelmente.
- Eu gostaria de lhe pedir ajuda. – Carter se manteve calma. – Costa Luna está com problemas.
- Problemas? – O homem arqueou as duas sobrancelhas. – Ouvi que o Rei Cristian havia retornado.
- Exatamente, queremos destronar Cristian. – Carter engoliu o excesso de saliva.
- Destronar o rei? – Repetiu ceticamente cruzando os dedos sobre o colo. – Não acho que seja uma ideia boa, concorda tenente?
- Não senhor Vossa Alteza, temos certeza disso. – Pedro falou respeitosamente.
- Isso é traição. – Carlos continuou com calma. – Vocês sabem disso.
- Não para a nossa rainha. – Pedro continuou calmo.
- Eu soube por alto sobre a questão envolvendo a rainha. – Carlos pousou os olhos em Carter. – Durante o rapto de Cristian ela teve um caso com você.
- Em partes. – Carter começou delicadamente. – Cristian não foi raptado.
- Não foi? – Arqueou mais uma vez as sobrancelhas. – Explique melhor.
- Cristian fez uma viagem a turismo. – Pedro puxou algumas fotos para fora do bolso interno do paletó do uniforme. – Fez um tour pelos bordéis holandeses.
Carlos examinou as fotos educadamente interessado, sua perna se balançou suavemente.
- Entendo. – Franziu as sobrancelhas quando viu uma de Cristian inalando uma "farinha branca" suspeita. – O rei tem costumes peculiares.
- Sim. – Carter concordou, viu o príncipe se levantar andando descansadamente até a janela. – Precisamos da sua ajuda.
- Minha ajuda? – Se virou para ela cruzando os braços. – Meu país vive em paz a mais de um século, meu pai está confiando em mim para que eu guie o país com sabedoria agora que ele está doente. E você quer que eu declare guerra por que o seu rei dorme com prostitutas e se droga?
- E por ele espancar e estuprar a esposa todos os dias? – Pedro sentiu Carter endurecer na cadeira. – E bater na filha.
Carter se levantou da cadeira de um salto virando-se furiosamente para Pedro.
- Ele o que? – Seu corpo tremia.
Carlos franziu as sobrancelhas.
- Se acalme. – Pedro pediu com um suspiro. – Se acalme Carter.
- Agente Mason? – Carlos a chamou se afastando da janela. – Creio que conhece minha esposa.
Carter olhou para a porta onde uma mulher loira com uma barriga que denunciava a gravidez adiantada, os cabelos loiros e encaracolados encaravam Carter curiosamente.
- Princesa 571. – Carter inclinou a cabeça, seus punhos fechados fortemente. – É um prazer vê-la tão bem.
- Agente Mason. – Ela se aproximou olhando rapidamente para o marido. – Fiquei encantada quando soube que estava em nossa corte.
- Infelizmente o assunto que me traz aqui não é o dos melhores. – Engoliu em seco, olhou para Carlos. – Eu lhe imploro ajuda.
- E o que eu ganho em troca? – Se aproximou da esposa puxando a cadeira para que ela se sentasse.
- Em troca? – Carter olhou para ele correndo a língua pelos lábios.
- Eu espero ganhar algo em troca disso ou você acha que eu faria apenas por prazer? – Ele pousou as mãos nos ombros frágeis da esposa. – Costa Luna deve me oferecer algo.
- Não posso oferecer nada por Costa Luna. – Carter inclinou a cabeça apertando bem os dentes.
- Mas se Cristian cair você sobe ao trono ao lado da Rainha Rosalinda. – Carlos sentiu a esposa envolver uma de suas mãos.
- Não creio que será assim. – Suspirou. – O povo de Costa Luna não aceita o meu relacionamento com a rainha e eu nunca a faria escolher entre o seu povo e a mim.
- Então você não tem nada para me oferecer? – Carlos se sentou mais uma vez tomando a mão de sua esposa. – Absolutamente nada?
Os olhos de Carter repousaram na barriga da Princesa.
- Obviamente vocês terão um filho? Já sabem o sexo? – Sua garganta foi secando.
- Outro menino. – A princesa sorriu acariciando o abdômen dilatado.
- Outro? E quantos anos tem o príncipe mais velho?
- Quatro. – Carlos inclinou a cabeça para o lado.
- Então Vossas Altezas concordam que o pequeno príncipe deve ter uma educação de altíssima qualidade. – Sua voz calma e controlada. – Posso ensina-lo tudo, posso ensina-lo a ser um rapaz muito instruído.
Carlos arqueou uma sobrancelha.
- É isso que você me oferece para ajudar a Rainha?
- Eu te ofereço o meu sangue e a minha lealdade.
Carlos olhou para a esposa que lhe apertou a mão suavemente em um pedido mudo.
- Do que vocês precisam? – O rei falou com um pequeno sorriso.
3:33AM Costa Luna
Carter se esgueirava pelo muro sendo seguida por Pedro, o castelo era cercado por um pequeno bosque, Pedro tomou a sua frente.
- É por aqui. – Sussurrou para a mulher.
- Tem certeza que Cristian não está? – Murmurou olhando para trás.
- Ele está no porto. – Pedro retrucou se aproximando de um pedregulho grande. – Não se preocupe, demos um jeitinho de mantê-lo lá. Você terá o resto da noite com Rosalinda.
Empurrou a pedra maciça para o lado indicando para ela entrar.
- Você estudou o caminho, agora vai. – A mandou pular no buraco.
- Os guardas?
- Gente de nossa confiança está na porta, você não terá problemas. – Olhou em volta. – Carter…
Carter pulou para dentro do buraco desatou a correr, deveria seguir em frente por mais de 500 metros e depois virar a esquerda por mais 400 metros e por fim subir a escada estreita. A luz fraca da lanterna iluminava o seu caminho, sua respiração rasa e superficial.
Finalmente o topo da escada, parou recuperando o ar tentou olhar suas roupas, mas só conseguiu ver suas botas sujas de terra vermelha.
Espalmou a mão contra a pedra filha a empurrando com dificuldade, estava emperrada. Arrastou com dificuldade a parede falsa entrando no quarto da rainha sem fazer barulhos com mais alguma dificuldade colocou a parede no lugar, olhou pelo quarto encontrando a figura encolhida no canto da cama. Aproximou-se vendo o corpo estremecer, parou com o coração apertado.
- Rosie. – Chamou baixo.
Ouviu o suspiro baixo e um fungar.
- Você não deveria estar aqui. – Rosalinda fungou baixo. – Não quero que me veja assim, estou nojenta.
- Rosie. – Se aproximou com cuidado. – Não fale assim, amor…
- Não Carter Mason. – A interrompeu. – Quero que você saia daqui e não volte.
Carter sentiu a respiração se tornar ainda mais superficial.
- Não vou fazer isso.
- Ele vai te matar. – Rosalinda fungou mais uma vez.
- Quem se importa? – Deu de ombros de maneira cruel. – Estou aqui apenas como serva.
Ouviu o choro baixo da rainha, sentou na beirada da cama se livrando das botas. Com calma subiu pelo colchão, cada vez que ia para perto dela Rosalinda se encolhia e o choro aumentava.
Deitou-se voltada para as costas da mulher que soluçava fortemente.
- Não quero que você me veja assim. – Rosalinda rosnou. – Estou com tanto nojo do meu corpo, de mim, dele.
- Está com nojo de mim? – Carter sussurrou.
- Não, mas não quero que você se contamine com a minha imundice. – Murmurou fungando.
Carter ergueu a mão com calma a pousando sobre o ombro que se encolheu drasticamente.
- Rosie. – Murmurou se aproximando do pescoço coberto pelos cabelos castanhos. – Por favor, não faz isso de novo.
- Carter vai embora. – Rosalinda pediu mais firmemente. – Só vai embora.
- Você vai me expulsar de novo? – Murmurou se afastou alguns centímetros. – Pela terceira vez?
- Carter…
- Você pode até me expulsar Rosie, mas apenas depois que eu tirar você e Helena daqui. – Se moveu para longe se sentando na beirada da cama, escondeu o rosto entre as mãos. – Tirar vocês daqui e livrar Costa Luna, depois disso você me expulsa.
- Eu disse que não queria que você voltasse. – Rosnou apertando as mãos que seguravam as colchas da cama. – Por que você tem que ser tão teimosa?
Carter se levantou da cama pegando um travesseiro o jogou no chão e deitou-se tentando se fazer confortável.
- Acontece minha rainha. – Murmurou. – Acontece agora tente dormir ele não vai voltar esta noite.
Os dedos de Carter se fecharam sobre o relicário que usava, não havia o retirado um único dia sequer. Seus dedos acariciaram a prata fria exatamente onde a palavra estava gravada, apoiou a cabeça com um dos braços.
- Por que você faz isso se eu só te machuco? – Ergueu os olhos encontrando um dos olhos de Rosalinda, ela estava escondida na beirada da cama em uma imagem totalmente infantil. – Por que você me protege?
- Por quê? – Retornou correndo a língua pelos lábios secos. – Eu não sei Rainha Rosalinda, eu não sei. Acho que é o meu papel nessa relação.
- Como assim?
- Meu papel é ser o seu cavaleiro de armadura brilhante. – Sorriu com um pouco de tristeza. – Eu protejo a princesa, apenas isso.
- Carter… só não…
- Não quer que eu te veja assim. – Completou abrindo o relicário soltou um suspiro antes de tirar o pequeno mimo e estender para a rainha. – Isso é seu.
- Eu dei para você. – Fechou o olho visível. – Não posso aceitar de volta.
Carter pousou o relicário próximo a Rosalinda, mas sem encostar na rainha.
- Dorme, eu já disse que ele não vai vir. – Seus dedos pairaram sobre o rosto pálido, mas não a tocou apenas recuou os dedos fechando a mão em um punho apertado. – Eu vou estar aqui.
Sentiu o toque gelado e inseguro dos dedos finos, mas se manteve de olhos fechados. As pontas dos dedos fantasmas escorregaram pelo seu queixo subindo até os lábios. Mexeu o nariz com as cosquinhas que Rosalinda fazia e rapidamente se arrependeu quando ela recolheu os dedos.
- Eu sei que você está acordada. – Rosalinda resmungou com um pequeno tom de sorriso.
Carter piscou os olhos tentando esconder o próprio sorriso, mas Rosalinda continuava escondida dela.
- Como sabia?
- Fácil você não dormiria porque está alerta com o que acontecesse no quarto, me protegendo e segundo por que você não estava roncando.
- Eu não ronco. – Carter reclamou emburrada.
- Ah você ronca Carter Mason. – Rosalinda a cutucou no nariz suavemente antes de deslizar os dedos pelos lábios de Carter. – Dormi tempo o suficiente do teu lado para saber que você tem um ronco adorável.
Carter lentamente a segurou pelo pulso, seus olhos rastrearam a pele mesmo com a pouca luz que vinha de fora e encontrou algumas marcas roxas.
- Me deixa olhar você. – Carter sussurrou sentindo o braço tenso. – Por favor?
- Não. – Rosalinda tentou puxar a mão, mas Carter a impediu entrelaçando sem jeito seus dedos nos dela. – Não foge de mim amor, por favor.
- Eu não quero fugir, mas tenho medo. – Sussurrou apertando seus dedos nos de Carter. – Não quero que você sinta nojo de mim.
- Amor. – Carter se apoiou no braço mantendo-se abaixo de Rosalinda. – Eu não vou sentir nojo de você.
- Ele… ele… - Engoliu o choro que sacudiu seus ombros violentamente.
- Minha rainha. – Ergueu a mão acariciando o rosto dela que não se afastou apenas estremeceu. – Rosie me deixa cuidar de você, estou te pedindo.
- Fecha os olhos. – Rosalinda sussurrou soltando a respiração.
Carter lhe fez o que foi pedido, sentiu que Rosalinda se mexia sem soltar sua mão e quase como se hesitasse o corpo da rainha deitou sobre o seu e a cabeça encaixou em seu pescoço. Ficou imóvel deixando Rosie mexer em seu corpo dando a ela o controle da situação, a rainha pegou os braços da agente e circulou a própria cintura. A respiração quente e desregulada batendo em seu pescoço desprotegido.
- Não me deixe. – Rosie sussurrou apertando seu rosto contra a pele. – Por favor.
- Mais calma? – Arriscou mover a mão sutilmente pelas costas, Rosie aceitou o toque.
O acenou leve.
- Amanhã você vai com o Pedro. – Carter virou o rosto encostando seus lábios contra a testa fria. – Ele vai tirar vocês daqui.
- E você? – Apertou seus braços entorno da Mason.
- Eu vou ficar. – Apertou a mandíbula bem firme. – Costa Luna tem que se livrar desse crápula e eu tenho contas a acertar com ele.
- Não. – Apertou mais seu rosto no pescoço dela. – Carter não faz isso.
- Tenho que fazer o que acho certo você sabe disso. – A beijou na testa mais uma vez.
Rosalinda moveu a mão sutilmente podendo acariciar o abdômen coberto, sentiu a musculatura rígida com um pequeno sorriso.
- Como você entrou aqui? – Assoprou no ouvido dela.
- Interessante você perguntar. – Sorriu com o canto dos lábios sentindo o toque subir pelos seus braços. – Nesse instante estamos dando um pequeno golpe militar.
- O que? – Rosalinda parou os movimentos.
- Organizei grupos de seguidores fieis seus e alguns soldados cedidos pela Costa de Sol. – Seus dedos desceram para o quadril coberto pela camisola de seda. – Estamos atacando silenciosamente, tomando o castelo em primeiro lugar.
- Vocês estão matando? – Rosalinda estremeceu, mas não soube se pela noticia ou pelo toque gentil.
- Sim. – Suspirou a beijando na testa. – É necessário amor, me perdoa. Seu pai construiu passagens por todo o castelo sabia? Homem esperto, estamos atacando em todos os pontos ao mesmo tempo no escuro os pegando desprevenidos.
- E… - Engasgou não conseguia falar o nome dele.
- Não se preocupe, assim que conseguirmos o castelo vamos para as ruas e chegaremos ao porto antes de amanhecer. – Sentiu o suspiro aliviado. – Mas eu quero que ele venha até mim.
- Carter.
- Eu quero fazer com que ele pague. – Apertou seus lábios na pele gelada mais uma vez. – Não sou como você, não posso ficar oferecendo sempre a outra face.
- Eu sei. – Suspirou. – Só tenho medo.
- Vou devolver Costa Luna para você, eu te prometo isso meu amor.
Sentiu o carinho mais uma vez antes do beijo ser colocado em seu pescoço e a respiração quente lhe arrepiar.
- Eu te amo. – Rosalinda sussurrou em seu ouvido antes de mover o corpo o acomodando melhor sobre Carter. – Não se coloque em risco, por favor.
Carter moveu as mãos cuidadosamente acariciando a base da coluna sentindo a mordida carinhosa em sua veia pulsante. Rosalinda se moveu para poder sustentar o corpo nos antebraços movendo os lábios pela mandíbula de Carter até chegar aos lábios. O beijo carinhoso e devoto que trocaram, Carter segurou Rosalinda com todo o cuidado que pode seus dedos leves acariciavam por cima do pano maleável.
Rosalinda se afastou colocando alguns beijos rápidos nos lábios, Carter subiu a mão pela lateral do corpo até poder tocar o rosto com a ponta dos dedos.
Abriu os olhos encarando as duas órbitas marrons, um arroxeado cobria o olho esquerdo, o lábio estava cortado e o maxilar do lado direito estava em um tom amarelado que não combinava com a pele.
Seus dedos correram a pele fazendo Rosalinda fechar os olhos com um suspiro pesado, Carter esticou o pescoço beijando o maxilar machucado.
- Você é linda. – Sussurrou contra a pele, moveu o rosto beijando o lábio. – Eu te amo.
Rosalinda deu um pequeno sorriso sentindo Carter segurar seu rosto com as duas mãos o puxando para baixo beijando o olho ferido delicadamente.
- Estou horrível, nojenta. – Deixou as lágrimas caírem.
- Você é linda, a mulher mais linda que já vi. – Murmurou beijando os lábios. – Só quero cuidar de você, ele nunca mais vai chegar perto de você ou de Helena eu juro.
Rosalinda acenou com a cabeça relaxando o corpo totalmente.
Carter se virou a colocando deitada ao seu lado, apoiou a cabeça dela confortavelmente no travesseiro.
- Quer subir para a cama? – Sussurrou acariciando o rosto com as pontas dos dedos descendo para o pescoço. – Ficar mais confortável?
- Estou confortável. – Sussurrou de volta tocando os cabelos escuros.
Carter manteve o contato dos olhos até não poder mais enquanto se abaixava na direção do pescoço marcado. Beijou cada chupão que tinha na pele a cheirando delicadamente.
Mantinha o corpo apoiado em um braço e com o outro segurava a cintura da rainha sem força alguma, Rosalinda tocava suas costas enquanto sua respiração ia acelerando e seu lábio era umedecido pela própria língua. Um gemido baixo lhe escapou quando Carter se mudou para o colo.
- Desculpa. – Se afastou sussurrando para a mais nova.
- Não. – Rosalinda abanou a cabeça, sentiu Carter limpar as lágrimas que ela nem sabia que estava deixando vazar.
- Vamos dormir. – A Mason sugeriu.
- Não, não. – Segurou Carter pelos ombros. – Quero que… que…
- Que?
Rosalinda a puxou para mais perto.
- Você não tem nojo de mim? – Pediu baixinho seus olhos nunca soltando os de Carter.
- Não, eu nunca teria nojo de você.
- Então me faça parar de ter nojo do meu corpo. – Implorou. – Tire o maldito toque dele e coloque o seu, o seu cheiro, o seu carinho. Me ame apenas me ame Carter.
A beijou nos lábios antes de descer mais uma vez para o colo, seus lábios eram gentis e leves sobre a pele pálida. Beijou cada marca que aquele maldito havia deixado, sua mão deslizou com calma pelas laterais do corpo delgado até os quadris sem aperta-lo.
- Eu te amo. – A Mason sussurrou, seus dedos encontraram a pele das pernas e sutilmente começou a tirar a camisola. - Posso?
Rosalinda apenas acenou com a cabeça, suas mãos tocando sempre os cabelos e as costas de Carter a deixando ciente que estava confortável com o toque. Sentaram-se e a rainha puxou a camisola para fora do corpo, Carter deixou seus olhos esquadrinharem o corpo. Sua raiva pelo homem aflorando a cada marca roxa ou amarelada que a pele demonstrava. Rosalinda olhava o rosto de Carter mordendo o lábio insegura.
- Você é linda Rosie. – Acariciou o rosto da mulher. – Linda e eu sou perdidamente apaixonada por você. Quer dizer eu me encontrei ao me apaixonar por você.
- Acho que já ouvi isso. – Rosalinda soltou um riso fraco.
Carter se inclinou a beijando nos lábios carinhosamente, a puxou para o seu colo beijando a pele desnuda cuidadosamente.
- Eu te amo. – Murmurava a cada pequeno beijo. – Eu te amo.
Costa Luna, um pouco antes do amanhecer
Rosalinda estava deitada sobre o peito de Carter sentindo os dedos subirem e descerem pela sua pele exposta. O horizonte já começava a deixar a escuridão se mesclar com o sol que logo iria despontar.
- Estou com medo. – Rosie murmurou sentindo Carter lhe apertar contra o seu corpo. – Não quero que você se machuque.
- Vamos? – Carter levantou o rosto da mulher dando um beijo nos lábios. – Quero você e Helena em um jatinho o quanto antes.
- Pra onde vamos?
- Costa de Sol. – Carter respondeu sentindo os braços lhe apertarem com mais força.
- O que você prometeu ao Carlos? – Murmurou sem querer soltar a Mason.
- Não vamos falar disso agora. – A beijou mais uma vez.
- Carter para o Carlos está nos ajudando você prometeu algo. – Ergueu o corpo encarando a Agente. – O que foi?
- Amor…
- Carter o que você prometeu?
- Eu prometi que vou educar o filho dele. – Desviou os olhos dos da rainha. – Vou ensina-lo tudo o que sei.
- Mas para isso você tem que…
- Ir para Costa de Sol. – Acenou com a cabeça.
- Você está me deixando. – Rosalinda se afastou dela.
- Estou te protegendo. – Carter olhou para ela com um suspiro. – Seu povo não aceita.
- Carter…
- Rosalinda você sobe ao trono, mas quem te mantém nele é o teu povo. – Se sentou acariciando o rosto dela. – Não poderia viver comigo mesma sabendo que te tirei Costa Luna.
- Então você sai da minha vida? – Fungou.
- Eu faço qualquer coisa para te salvar, salvar Helena. – Segurou o rosto da rainha delicadamente. – Faço qualquer coisa para devolver a Costa Luna sua rainha.
- Não me deixe. – Rosalinda murmurou.
Carter abaixou o rosto respirando pesado, se levantou dando as costas para a mulher, começou a se arrumar lentamente ouvindo o choro de Rosalinda.
A rainha limpou o rosto e se levantou lentamente entrou para dentro do closet, Carter olhou o relicário encima da cama e o pegou.
Aproximou-se da porta vendo Rosalinda se mexer lá dentro, apoiou na moldura olhando a mulher arrumar uma bolsa. Puxou um pequeno aparelho do bolso da calça e olhou suas mensagens, Pedro já tinha liberado o castelo e avançava pelas ruas, mandou que ele retornasse para pega-las.
- Pedro já está vindo. – Sua voz saiu rouca. – Ele vai levar vocês.
- Não precisa. – Rosalinda retrucou de costas para ela. – Posso me virar sozinha com Helena.
- Rosie. – Se aproximou da mulher. – Vou mandar vocês duas para Costa de Sol e Pedro vai junto.
- Não ele não vai. – Se virou para Carter com os olhos flamejantes. – Não preciso sair do meu reino.
- Rosalinda. – Aproximou-se dela parando na frente da mulher. – Não posso enfrenta-lo com você e Helena aqui.
- Não vou abandonar você de novo.
- Então pra que essa bolsa? – Olhou para a bolsa jogada aos pés das duas.
- É pra quando eu renunciar ao trono e sairmos daqui. – Rosalinda deu um passo para ela. – Não quero ficar sem você então se você vai para Costa de Sol eu e Helena vamos com você.
- Você não vai ficar aqui. – Falou baixo. – Esquece.
Rosalinda segurou o rosto de Carter o beijando.
- Coloque o seu uniforme. – Sussurrou contra os lábios da Mason. – Quero te ver no seu uniforme.
Pedro entrou no castelo encontrando Elegante e Sophia já a sua espera no salão de visitas, curvou a cabeça.
-Tudo procede da melhor maneira minha rainha.
- Excelente. – Sophia suspirou aliviada. – Ele já percebeu?
-Estamos tomando os postos principais, não creio que ele já foi avisado. – Pedro ergueu a cabeça. – Ele foi arrogante, os postos estavam muito mal guardados assim como os armazéns de armas que tomamos em primeiro lugar.
- E a família dele? – Elegante se mexeu inquieto.
- Estamos cuidando disso agora. – Pedro balançou a cabeça. – Carter deu ordens explicitas que quer a família dele viva e presa.
- Excelente. – Sophia balançou a cabeça, ouviram os passos vindos da entrada.
Carter entrou carregando Helena no colo, Rosalinda vinha logo atrás. A Mason usava o uniforme que Rosie havia escondido. Helena estava aconchegada no corpo da mulher segurando o seu ursinho enquanto dormia calmamente.
- Prontas? – Pedro curvou a cabeça.
- Não vamos sair da Corte. – Rosalinda ergueu o queixo, segurou o braço de Carter.
- Mas… - Elegante e Sophia trocaram um olhar. – Rosalinda você tem que sair de Costa Luna.
- Não saio. – Falou firme. – Fico aqui.
Pedro olhou para Carter que apenas balançou a cabeça.
- Esconda-os. – Ordenou ao tenente. – Coloque-os nos túneis e se algo der errado tire-os daqui independente do que a Rainha Rosalinda fale.
Sentiu Rosie lhe dar uma tapa, mas ignorou, entregou Helena a Elegante beijando a testa da menina.
- Como está tudo? – Olhou para ele.
- Como esperado Capitã. – Pedro bateu continência.
- Capitã? – Rosalinda olhou para Carter.
- Me subiram de posto. – Resmungou.
Rosalinda cruzou o espaço circulando a cintura da Mason com os braços. Carter colocou o braço nos ombros da rainha.
- Cuidado. – Sussurrou para a agente.
- Não se preocupe. – Acariciou o ombro da mulher, seu olhar encontrou o de Pedro. – Vamos?
Rosalinda apertou os braços entorno de Carter escondendo o rosto contra o pescoço moreno, Carter sentiu o aperto sutil em seu pulso, olhou para o relógio antes de levantar a mão solta e apertar um botão.
- Mason.
- Ele sabe. – A voz rouca e desconhecida.
Pedro se moveu indo até a janela olhando cuidadosamente.
- Posso ordenar aos homens que o contenham na rua. – Sugeriu olhando para a Mason.
- Não, deixe-o passar. – Apertou o maxilar bem firme. – Ele é um rei e todo rei precisa de seu castelo.
- Quer que ele venha até aqui? – Pedro se aprumou. – Perigoso de mais.
- Eu sei. – Ergueu o rosto de Rosalinda pelo queixo. – Vai acabar tudo bem.
Pedro se adiantou fazendo uma mesura para Sophia que lhe tocou a testa antes de ir até Carter.
- Volte. – Pediu com a voz carregada. – Salve o meu povo, mas volte.
Elegante se aproximou com Helena. Carter tocou os cabelos escuros da menina antes de lhe apertar um beijo no topo da cabeça.
- Eu te amo meu bebe. – Sussurrou para a menina adormecida. – Mesmo que eu tenha que estar longe de você eu te amo. Quero que saiba disso.
Sophia e Elegante saíram da sala acompanhados de Pedro respeitando o espaço das duas, Rosalinda lhe tomou o rosto.
Seus olhos e encontraram e nada foi preciso ser dito, era amor incondicional que demonstravam naquele instante. A lágrima escorreu pelo rosto da rainha e prontamente foi seca pelos dedos da Agente.
Os lábios se encontraram em um beijo macio e uma última respiração fora compartilhada antes de Rosalinda se afastar contendo o choro. Não era um adeus ambas sabiam disso. Era apenas um até logo.
Estava parada no saguão de entrada do castelo, havia dado ordens explicitas que seus soltados deveriam interferir tirando a guarda real de perto do rei. Aquela era uma questão entre os dois e entre os dois ela seria resolvida. A moda antiga como se fazia na época dos grandes reis, afinal Cristian se declarava um grande rei.
O salão era bem claro e amplo, alguns escudos com espadas cruzadas enfeitavam as paredes. O brasão de Costa Luna cravado no chão de mármore enquanto o estandarte da família Fiore balançava tranquilamente pendendo do teto.
Seus olhos fixos na porta de entrada enquanto se mantinha apoiada na parede, ouviu os gritos do lado de fora e soube que haviam atacado a guarda. Deveriam ser mais silenciosos prendendo todos no ginásio da guarda.
Cristian disparou pelas portas abertas parando de chofre. Os cabelos desalinhados caiam pelo rosto, os olhos azuis brilharam alucinados quando se fixaram na Mason.
- Você. – Rosnou furioso. – Você ousou atacar o meu país? Minha família? Meu povo?
- Tecnicamente você atacou o país que a minha rainha tanto ama. – Se desencostou da parede dando dois passos para ele. – Sua família? Se você chama aquela corja de família então sim, por que se você estiver se referindo a Rosalinda e Helena não eu estou as salvando e o povo? O povo é da minha rainha.
Esquadrinhou o corpo do homem, ele estava com o uniforme amarrotado, parecia que ele vinha de alguma comemoração. A espada pendia de seu cinto, observou que ele passava a mão pelos cabelos tentando acerta-los.
- Muito bem, já que você é tão inteligente Mason, vamos ver o que acha disso.
Carter o encarou, os dois se mediam claramente. Cristian respirou fundo enquanto desembainhava o sabre.
- Muito cavalheiro da sua parte. – Carter zombou.
Cristian rasgou o ar duas vezes fazendo um X na sua frente. Deu um passo para frente com a perna direita atacando, visou o tronco. Carter pulou para trás e rapidamente se abaixou quando Cristian lhe atacou em cima. Um passo para o lado e mais uma vez pulou evitando o golpe do rei.
- Você não vai roubar a minha filha e a minha mulher. – Bufou, havia um espaço considerável entre eles. – Nem o meu reino.
- Acha que me matando você terá os três de volta?
- Helena é criança, posso manipula-la para que acredite o quanto você é perversa, Rosalinda fara o que eu mandar. – Sorriu. – E o povo? O povo é burro e irá acreditar em seu rei.
Deu uma estocada no rosto, Carter rodou o corpo se abaixando durante o processo, rolou pelo carpete. Estava com sorte parou próxima da uma espada presa a parede, se levantou a agarrando a puxando para fora dos encaixes. Ficou em pé se colocando em guarda imediatamente.
- Em resumo você é o fodão que todos amam? – Seu sorriso sarcástico.
Cristian soltou uma risadinha baixa, começaram a rodar o salão. Carter mantinha a espada em riste enquanto Cristian mantinha a dele abaixada.
- Você é realmente tola por achar que ela me trocaria por você.
Novamente deu uma estocada agora para acertar o abdômen, Carter o bloqueou. Voltaram a se medir.
- E você um tolo por achar que ela te ama.
Cristian tentou um ataque duplo uma estocada e quando esta foi bloqueada tentou atingir o rosto onde Carter também o bloqueou.
Rodaram mais uma vez, Carter era calma e concentrada. Cristian bufava deixando a raiva aparecer, os cabelos bagunçados e a voz truncada pelos dentes apertados.
- Você acha que pode me substituir? Governar o país, brincar com a minha filha e dormir com a minha mulher?
- Por quê? Pelo que eu sei você só mentiu para encobrir a sua incapacidade em todos os três.
Os olhos azuis brilharam em fúria. Atacou em cima, bloqueado, no meio mais uma vez bloqueado. Carter cansou da defesa e o atacou o empurrando contra as portas.
Estocou no meio, Cristian pulou. Tentou a perna direita, a que ele apoiava, mas o homem aparou o golpe a empurrando deixou as espadas se encostarem fazendo um arco.
Longe mais uma vez, mas não por muito tempo. Cristian foi para cima com tanta gana que quase perdeu o foco, cada golpe bloqueado era um gemido frustrado de Cristian.
Num lapso ele deixou as costas desprotegidas, mas conseguiu girar a tempo de evitar o golpe. Tonto deu alguns passos para trás.
- Elas não precisam de você Cristian.
Cristian correu para fora do castelo.
Saíram no pátio de pedra, Cristian pulou os degraus.
- Ainda não acabei com você. – A voz de Carter o seguindo.
Mais golpes trocados, Cristian desferiu um golpe que obrigou Carter a pular. Finalmente a acertou no braço e sorriu, Carter olhou para o corte através do uniforme.
- Inútil. – O ouviu dizer.
Então ela disse: - Filho da mãe, eu gosto desse uniforme.
Correu para ele o atacando, assim que Cristian bloqueou, ela o socou no rosto.
O gemido abafado enquanto ele corria tonto para fora dos portões.
- Não, para a rua não. – O seguiu.
Viu a correria do povo enquanto o seguia. Cristian tentou conter o sorriso.
- Acha que pode me derrotar? – Abriu os braços, parado no meio da rua pavimentada.
O rei estava ciente de todas as pessoas, mas não deixaria de se intimidar, o povo estava ao seu lado ele tinha certeza.
- O que você acha que eu estou fazendo? – Sorriu presunçosa.
Avançaram retomando o duelo, o povo gritava e corria tentando entender. Em um golpe calculado Carter conseguiu enganchar a pega de sua espada na de Cristian e num movimento fluido a espada escapou das mãos do rei. A ponta do sabre que a Mason segurava se encostou ao peito do homem.
- CAR SE DIETENE. – A voz de Helena se sobre pôs enquanto a menina tentava atravessar o povo. – Por favor.
Carter e Cristian olharam a menina que chorava. Carter cruzou seus olhos com os de Pedro que pediam desculpas silenciosas e em seguida foram para Rosalinda que tentava pegar a filha. A rainha balançou a cabeça negando algo.
Rapidamente voltou sua atenção para o homem que mirava a espada.
- O acordo é o seguinte. – Falou com a voz calma, o povo ia se acalmando conforme os soldados da Mason se aproximavam fechando o cerco. – Você vai renunciar a coroa e reverter todos os poderes novamente para a Rainha Rosalinda e vai conceder o divórcio que ela irá pedir.
- E quem vai me impedir? – Olhou para o povo mantendo sua postura, notou um soldado próximo a ele, teria apenas mais uma chance.
- Eu. – A palavra simples de uma silaba apenas. – Capitã Carter Mason, presente neste reino para servir e proteger a princesa e aos interesses dela e da rainha soberana desta nação e amada pelo seu povo.
Cristian engoliu em seco.
- Eu aceito. – Disse entredentes.
Carter deu um passo para trás esticando totalmente o braço, puxou o mesmo juntando a pega da espada ao seu ombro para em seguida abaixar o sabre rapidamente cortando o ar.
Começou a se afastar indo na direção da rainha e da princesa.
- Agente Mason. – Cristian a chamou com um meio sorriso. – Podemos estar em uma corte, mas não precisamos ser tão antiquados.
Carter franziu o rosto esboçando confusão. Cristian investiu no guarda o pegando de surpresa. Estampido. Carter olhou para seu lado esquerdo, abaixo do seio era onde queimava, mas foi outra coisa que chamou sua atenção. O grito de Helena.
- Mami.
Levantou o rosto. Cristian parecia petrificado olhando a filha, o atropelo de passos e as mãozinhas em suas pernas. Olhou para a garotinha assustada, Deus aquele olhar doía mais do que qualquer bala.
- Shh… - Tentou sorrir, com cuidado sentou no chão, apertava a ferida tentando não expressar dor. – Está tudo bem.
- Dói? – Perguntou amedrontada.
- Prendam-no. – Ouviu a voz grossa de Pedro.
- É só um machucadinho. – Disse entre dentes, cada respiração queimava tanto.
- Quieta. – Rosie sussurrou se sentando atrás de seu corpo, os gritos do povo chegavam confusos aos seus ouvidos, sentiu que a rainha lhe puxava delicadamente contra o próprio corpo substituindo as mãos de Carter pelas próprias. – Jesus Cristo.
Pontinhos negros começavam a aparecer em sua visão, sentiu as mãozinhas de Helena em seu rosto.
- Te amo, por favor, mami no me dejes. – A voz suave era desesperada. – No me dejes mami.
- Eu não vou amor. – Sua voz grogue pela dor. – Mamãe também te ama.
- Não ouse. – Rosie sussurrou em seu ouvido. – Carter não faça isso. Não me deixa de novo.
- Eu… - Suspirou soltando um gemido antes de desmaiar.
