Título: bond
Autora
: Lady Bogard
Casal: AoixKai, MxU (aderindo à Revolução dos Ships)
Classificação: NC-17
Orientação: yaoi
Sinopse: "Os pecados dos pais são pagos pelos filhos". Ele suportaria tudo para proteger a mãe; mas, de repente, seu destino parecia um fardo tão pesado...
Gênero: fantasia, angust, romance
Beta: Eri-Chan
Disclamer: the GazettE pertence à PS Company. Eu escrevo sobre eles apenas para me divertir e distrair outras pessoas. Sem fins lucrativos.
Observação: Universo Alternativo, fic presente de aniversário para Litha chan (gomen pelo atraso! XD).


bond
Lady Bogard

Parte IX
Conseqüências no presente

– Sua mãe salvou meu filho, Kai-chan. Se não fosse por ela, talvez Yuu-chan não tivesse nem nascido. Nunca poderei agradecer. Naquela hora não conseguia nem me defender. Sua mãe foi minha advogada e fez de tudo para nos salvar, a mim e ao Yuu.

A senhora Shiroyama terminou de contar a longa história com aquela frase de reconhecimento. Kai, que permanecera em silêncio o tempo todo, fechou os olhos de leve. Conseguira visualizar as cenas daquele passado com perfeição em sua mente. Tudo parecia se encaixar. Seria sempre grato à senhora por compartilhar com ele tal tesouro:

– Arigatou.

Tomoe meneou a cabeça: – Foi muito difícil voltar pra minha casa, enfrentar a atitude fria de meu pai que nunca me perdoou. Fiquei isolada, sem amigos, sem ter contato com Junko-chan. As poucas cartas que conseguimos trocar guardo até hoje.

– Sei que mamãe também as guardaria.

– Foi através das cartas que descobri que Yutaka-sama "expulsou" Junko-chan de casa. Tinha poucas e escassas notícias dela. Naquela época não havia essas facilidades: celular, Internet...

– O meu Clã chega aos extremos para não se envolver. O que mamãe fez foi considerado uma falta gravíssima. Vovô só não a castigou mais porque vovó o impediu.

Apesar disso Kai pensava em como seu avô era frio até hoje. Evitando ao máximo algum tipo de contato. Efetivamente riscara aquele neto de sua vida, preferindo ignorar a existência de Kai, como se ele tivesse herdado o erro de Junko.

– Foi minha culpa. – Tomoe disse baixinho, desviando os olhos.

– Ie! – Kai falou depressa – Tenho certeza que mamãe nunca a culparia.

– Arigatou.

Kai enroscou os dedos e deu uma rápida olhada para o lado de Uruha, antes de perguntar:

– Ano... Nana Long sama... Posso fazer uma pergunta?

– Claro.

– Seu irmão... Eu não sabia que tinha um. Pensei que Shiroyama Yuu fosse o único descendente do Clã do Dragão porque a senhora fosse filha única.

– Chigau. – a voz de Tomoe tremeu ao responder – Eu tinha um irmão mais velho. Ele faleceu.

– Gomen nasai. – pediu sincero por tocar em um assunto delicado.

– Não se preocupe. Faz parte da história de qualquer jeito. Como lhe disse, o Conselho decidiu que meu pai poderia caçar o pai de Yuu-chan. E onii-chan fez parte da perseguição. Ele morreu enquanto tentava lavar a honra de minha família.

Kai arregalou os olhos e Uruha quase soltou uma exclamação por ouvir uma parte desconhecida do passado que voltava à tona. O destino lhes pareceu uma teia intrincada, onde tudo estava terrivelmente ligado. Uma ação gerava outra, e outra, e no fim descobriam o quanto havia sido mudado pelo fato de Tomoe-chan ter quebrado uma regra e se envolvido com alguém que não devia.

– Papai me culpa pela morte de Kyosuke. Sempre vai me culpar. Ele era a esperança de continuar o nosso Clã. Depois da morte dele, esse fardo foi depositado sobre meu filho. Foi um parto complicado e eu não posso mais engravidar... Aoi Long é o único que pode manter o poder em mãos do sobrenome Shiroyama.

– Por isso o Clã vai querer impedir o casamento.

– Hn. Meu pai fará de tudo. Aliás, ele começou a se garantir assim que onii-chan morreu. Ele arrumou um acordo com um homem que aceitou casar-se comigo e levar o meu sobrenome. Assim Yuu nasceu e pôde ser um Shiroyama. Pela lei não nasceu uma criança bastarda.

– Oh. – Kai surpreendeu-se com a forma que os patriarcas do clã decidiam o destino das pessoas, como se fossem peças de um jogo.

– Céus. Quando fizemos essa promessa... Foi algo tão impensado. Éramos jovens, com a vida pela frente... Como iríamos adivinhar que eu poderia ter um único filho, e que Junko-chan geraria também um único filho? – Tomoe desabafou – Não dava pra parar e pensar no futuro. Só nos preocupávamos com o presente. Gomen nasai, Kai-chan.

– Eu entendo, Tomoe sama. Ambas fizeram o que era mais acertado para salvar Aoi Long. Eu não as culpo. Acredito que Aoi Long também não as culpa.

Tomoe ficou em silêncio por alguns segundos. Observou atentamente o rosto de Kai, analisando-o, comparando-o inconscientemente com a familiar expressão da amiga que a salvara. Eram muitas as semelhanças. Kai Ji era a descendência de Junko-chan, era tudo o que restara dela, a única prova de sua existência. Tomoe jurou que não deixaria que fizessem mal aquele garoto:

– Eu disse a Yuu-chan que ele não precisaria se casar, que eu arcaria com as responsabilidades, porque acreditei que Junko-chan faria o mesmo. Mas ela se foi... – a voz falhou, demonstrando o sofrimento oculto dentro de si – E se vocês não se casarem, quem pagará o preço seremos você e eu. – mordeu os lábios – Minha vida não me importa, já vivi o que tinha que viver. Mas você é só uma criança... Não pode morrer por um erro do passado!

– Tomoe sama, não chore, onegai. – Kai pediu ao ver as lágrimas rolando pela face da mãe de Yuu. Ela desistira de tentar segurá-las.

Nana Long cobriu o rosto com as mãos:

– Gomen nasai. Vivemos em um mundo de regras diferentes, descobri isso àquela noite. Shin Long Sama – referiu-se ao patriarca da família de forma impessoal – levou o pai biológico de Yuu-chan para O Porão, lavou a honra da família e vingou-se pela morte de Kyosuke.

Kai sentiu um arrepio gelado que colocou cada pelinho do seu corpo em pé. Imediatamente olhou para Uruha, notando que o Mensageiro também estava pálido, com os olhos arregalados e a boca entreaberta.

Dentre todos os Doze Clãs, não existia nenhum, nem mesmo o Clã da Serpente, que se igualasse os Dragões na arte da tortura. Mestres da dor, homens treinados para causar sofrimento por anos a fio faziam parte daquele Clã. E O Porão era o local lendário, pra onde os inimigos eram levados e sofriam. Sofriam, de acordo com boatos, os horrores do inferno.

Poucos sabiam onde O Porão ficava ou mesmo se era realmente um porão, ou uma casa, ou qualquer outro lugar. Mas todos sabiam de uma coisa: lá era o último lugar para onde alguém gostaria de ser levado...

– Hidoi. – Yutaka falou baixinho. Na sua cabeça imagens terríveis passaram. Pela primeira vez percebeu que estava se metendo em algo realmente perigoso. Sempre soubera do risco de vida, mas a situação começava a perder todas as suas cores. Kai enxergou o futuro em sinistros tons de cinza. De repente Shiroyama Yuu e Shiroyama Tomoe pareciam pequenos e frágeis para evitar que as garras do Dragão o alcançassem.

Sua situação era a mais delicada de todas: se tentasse levar a promessa a cabo, teria todo o cruel Clã do Dragão querendo impedir, provavelmente tentando matá-lo. Se fugisse e não cumprisse a palavra dada pela mãe, seria caçado pelos outros clãs. Não haveria lugar no Japão para se esconder...

Suas perspectivas não eram agradáveis. Voltando os olhos para a mulher que chorava, sentiu-se um pouco culpado, como se a sua vida fosse o motivo de todo o sofrimento. Se tivesse nascido mulher... Ou se ele realmente morresse...

Então morrer tornou-se uma opção válida. Porque ele crescera conformando-se com muitas coisas: conformara-se em ser um paria dentro do próprio clã, rechaçado pelos familiares, ridicularizado pela maioria das crianças com quem crescera. Conformara-se em ser obrigado a casar com outro homem, desistindo de até mesmo sonhar com sua própria família. Conformara-se com a injustiça de perder a mãe tão cedo. E ter um único amigo a vida toda. Um amigo que provavelmente só estava ao seu lado porque era sua obrigação.

Kai sempre tivera que abrir mão de muitas coisas. Estava cansado daquilo, cansado de sentir-se um jarro vazio, onde tudo lhe era tirado.

– Não chore Tomoe-sama. Eu aceitarei o meu destino seja qual for. Jamais obrigaria Aoi Long a se casar comigo. E não hesitarei em pagar o preço pela promessa que minha mãe fez. Talvez seja o melhor para todos.

– Kai! – Uruha exclamou de seu canto, quebrando o protocolo. Ficou abismado e chateado com o que o amigo dissera. Mas Tomoe pareceu igualmente chocada. Descobriu o rosto e fitou o moreninho com seus olhos cheios de lágrimas:

– Ie. Isso está fora de questão. Prefiro perder as duas pernas e os dois braços a deixar algo acontecer com você. Prometi a sua mãe, e teria um carma terrível se falhasse.

Kai apertou os lábios. Promessas, promessas e promessas. Malditas promessas que permeavam sua vida.

– Eu...

– Shii. – Tomoe colocou o dedo indicador sobre os lábios do moreninho – Não diga. Acredite, vamos conseguir terminar isso da forma certa. Confie em mim.

Yutaka acenou com a cabeça fazendo a mãe de Aoi sorrir fracamente. Provavelmente a culpa era do clima pesado e sufocante. Tanta coisa fora resultado daquela ação no passado, e as conseqüências no presente eram profundas.

A promessa de Nana Long e Sora Ji não influenciara apenas três vidas. Influenciara muitas outras. Causara as mortes prematuras de Shiroyama Kyosuke e do pai biológico de Shiroyama Yuu. Causara o confinamento de Shiroyama Tomoe e fizera de Yutaka Junko uma proscrita. Obrigara a família Takashima a afastar-se do convívio principal do Clã do Galo e acompanhar Junko e, após sua morte, Kai. Obrigava dois jovens rapazes a se unir em um casamento nada convencional.

Estariam aquelas pessoas satisfeitas com tanta coisa ocorrida? Estariam felizes com as coisas que ainda ocorreriam até que o Conselho fosse reunido?

Kai não sabia.

Então ouviram uma voz solene pedindo licença, em seguida o shoji correu e o mordomo entrou no quarto. Caminhou solene até a cama de Tomoe e reverenciou:

– Nana Long sama, seu pai acaba de ligar avisando que chegou ao aeroporto e exigindo que a limusine fosse buscá-lo.

Tomoe levou à mão ao peito e respirou ar pesadamente. Olhou para Kai e em seguida para Uruha. O que os meninos viram refletido nas íris escuras foi medo. O mais puro e real medo.

Sentimento que os contagiou.

Continua...

o.O

Tinham dúvida que o vovô ia voltar antes do tempo? HUAHUAHUAHUA!

E, é claro, alguém dessa fic vai parar n'O Porão... Mas quem será...? Quem será...? #assobiando#