N.A.: O final do cap. 08 foi tenso! Mas calma que tem mais!
The and of chapter 08 was intense! But hold your horses, there's more to come!
DISCLAIMER: NCIS LA e seus personagens não me pertencem. Apenas alguns personagens originais desta fanfic são realmente meus.
NCIS LA and characters are not mine. Just a few original characters from this fanfic are actually mine.
NCIS LA NCIS LA NCIS LA NCIS LA NCIS LA NCIS LA
As palavras estavam embaralhadas dentro da cabeça. Os pensamentos corriam a toda velocidade e ele não estava conseguindo organizar nada que fosse além da imensa dor de cabeça que sentia. A respiração, antes profunda e lenta, de súbito passou a ser rápida e rasa, como se tivesse ficado muito tempo debaixo d'água. Sentia todo o corpo mais pesado que uma pilastra de ferro.
No meio de tanta confusão conseguiu notar só uma coisa: não estava mais no carro com Sam. E na mesma hora a imagem do agente desmaiado à sua frente tomou cada espaço de suas lembranças. JUnto com a emboscada. Mas que inferno, por que não previram isso?!
Agora a culpa unia-se à dor de cabeça. Se Sam estivesse ferido nunca se perdoaria. Preferia morrer a deixar qualquer um de sua equipe se ferir. Por mais que eles às vezes fizessem questão de criticá-lo. Ou chama-lo de "temp".
Ele sabia o que aquilo queria dizer: temporário.
Só estava lá para manter a vaga quente...
NÃO! Ele se recusou a continuar com essa autopiedade. Ele passou por coisas muito piores na vida, sempre foi sozinho e nunca chegou a este ponto. Não começaria agora. Se tivesse que provar a cada minuto de sua vida que merecia estar no NCIS, ele faria. Até isso ficar bem claro na cabeça de todo mundo. Bom, menos na de Hetty. Porque ela já sabia disso desde antes do primeiro dia.
Hetty...quanto tempo se passou? Claro que ela já sabia sobre a armadilha, ela faria alguma coisa...
Callen.
Kensi. Ken...si.
Ele não conseguiu ver se os dois foram feridos, se estavam logo atrás ou se tinham ficado pelo caminho. E aí a dor e a culpa receberam uma nova amiga: a preocupação.
"Por favor, que estejam bem, que todos eles estejam bem...que eu seja ferido e morra antes deles sofrerem qualquer coisa...AAAAH que dor dos infernos!"
Concentrou-se ao máximo para calar toda orquestra de pensamentos dentro de sua mente. Forçou-se a respirar de forma mais profunda. Conseguiu erguer uma das mãos, pousando-a na testa. Moveu a cabeça para os lados, focando sempre em não desmaiar de novo.
"Você consegue, Marty. Você consegue."
Forçou os olhos por alguns segundos, antes de abri-los muito lentamente. Deixou a vista acostumar-se com o ambiente, e então despertou de vez.
Primeiro fato: não estava amarrado. Boa notícia.
Segundo fato: estava numa cama. Não num colchão jogado no chão, com cobertas velhas e roídas por traça e mofo. Era uma cama. Tão boa ou melhor que a dele próprio. Não sabia se isso era boa notícia, mas ruim não poderia ser. Deixou no campo "neutro".
Terceiro fato: sua arma tinha sumido do seu coldre. Mas seu distintivo não saiu de seu bolso. Má, muito má notícia.
Quarto fato: tinha alguém sentado numa cadeira, poucos metros à frente da cama.
"Martin Alexander Deeks, levanta AGORA!"
Saiu da cama num pulo e se arrependeu na mesma hora; todo o cômodo pareceu girar loucamente e ele teve que se apoiar na primeira coisa que conseguiu segurar: a cabeceira da própria cama.
A voz veio de muito longe no começo. Depois ela foi ficando mais alta, como se a pessoa corresse em direção a ele.
- Dmitri, spokiynyy. Vse v poryadku. Dmitri, calma. Está tudo bem.
- O...o que?...Quem é você? Dá...pra falar a minha língua?
- Mas estou falando a sua língua, Dmitri.
- Quem é...esse tal...de Dmitri?! Meu nome é Marty!
- Ne. Não. O neto de Górki e Vonda Radivilov nunca teria um nome simplório como...Marty.
Pronto. Ele estava na presença de um maluco. Não tinha outra explicação. Ergueu uma das mãos, a palma aberta, pedindo silêncio. Não achou que seria atendido. Para sua surpresa, realmente nada mais foi falado. Apertou os olhos novamente, piscando várias vezes. Sua visão recuperou o foco e ele finalmente conseguiu ver com clareza quem estava à sua frente.
Era como ver a si. Tudo o que poderia ser, tudo o que queriam que ele fosse. Tudo o que o mundo reservaria para ele...
Se fosse filho daquele homem. Mas ele não era.
Já aprendeu há muito tempo que "pai" não é uma palavra a ser usada com qualquer um. Aquele homem, para ele, era exatamente isso: qualquer um.
Tinha tanta importância na sua vida quanto Gordon. Nenhuma.
- Você é louco. Doido! Você raptou um policial, seu doente! Tem noção de como isso pode acabar pra você?! É melhor me deixar ir!
Demyan abaixou a cabeça, cruzando os braços. Primeiro suspirou. DEpois deu um riso baixo, quase como um sussurro. Depois a gargalhada explodiu por todo o cômodo, por todo o esconderijo. Aliás, aonde é que ele estava?
- Davay! Shcho! Vamos! Isso! Essa é a força dos Radivilov gritando no seu sangue! Seu avô também foi oficial da lei. Um general! Mas claro que você já sabia disso. Sua mãe deve ter contado!
Então ele estava certo em querer procurar a mãe. À esta altura ele não sabia se era uma coisa boa ou ruim desconhecer o paradeiro dela. Assim que ele conseguiu morar sozinho, ela sumiu. E apenas disse que era para o próprio bem dele, que nunca viveria em paz se algo acontece com seu único filho. Que preferia mil vezes nunca mais vê-lo, mas saber que ele tornou-se um homem livre e feliz.
Sempre achou que ela referia-se ao inferno vivido com Brandel.
Percebeu que não era somente isso. Que nem chegava a ser o primeiro motivo.
- Minha mãe...nunca contou nada. Descobri sobre a sua vida por causa das armas e daquele veneno que você estava transportando junto com aqueles frascos com água. Descobri porque sou policial. É o meu trabalho. Deter gente como você.
O homem mais velho parou de rir quase que instantaneamente. Os olhos muito claros faiscaram de ódio. Não por Deeks. Nunca sentiria ódio por seu filho.
Já por Roberta...é outra história.
Ele andou a passos largos em direção a Marty, como se fosse dar um soco no rapaz. Ainda com um pouco do efeito do gás em seu sistema, ele conseguiu desviar e, por pura sorte, acertar um soco no rosto de Demyan. Depois uma joelhada em seu estômago. Quando o homem virou-se de costas, sentindo dor e ainda assim voltando a rir, Deeks tentou colocar os braços dele para trás e jogá-lo ao chão. Tinha que prendê-lo e dar um jeito de chamar reforço, já que seu celular obviamente não estava ali.
Onde estava mesmo? No carro de Sam? Por que tudo ainda estava confuso?
Perdido na ideia fixa de deter Radivilov e trancá-lo para sempre, não percebeu que a porta do cômodo abriu-se. A pessoa aproximou-se a passos largos. Deeks só ouviu quando era tarde demais. No momento em que se virou, viu o monstro que povoava todos os seus pesadelos, desde que se entendia por gente. Recebeu uma pancada na cabeça, enfraquecendo novamente e caindo no chão, logo ao lado de Demyan.
- Não...você morreu...Ela disse...você morreu...
- Eu não sei quem é "ela", pirralho. Mas deve ser idiota, igual a você!
Deeks não conseguiu responder à altura. Outra pancada, e tudo o que ele viu foi a escuridão tomar conta. Antes de apagar, apenas uma súplica passeou pela mente entorpecida.
- Kensi...
