Capitulo IX –

Perdas e Danos

Angel acordou. Não encontrou Draco junto de si, nem mesmo sentiu sua presença por perto. Olhou atentamente para o ambiente onde estava: o seu quarto. Felizmente! Tentou lembrar os últimos acontecimentos. Tentou levantar-se. Caiu de novo na cama, seu rosto contorcendo-se de dor, suspirou, estava muito cansada. A porta do quarto se abriu e um Draco muito preocupado entrou com uma bandeja na mão. Vendo-a acordada tentou esboçar um sorriso.

"Meu Dragão." Ela sorriu de volta.

"Como se sente? Não acordava nunca, deu-me um grande susto." Draco colocou a bandeja sobre o criado mudo e sentou-se na cama ao lado de Angel. Aproximou-se dela e depositou um cuidadoso beijo em sua testa.

"Estou cansada, não consegui me levantar." Draco disfarçou uma lágrima. "Hei calma estou bem. Não vai se livrar de mim tão fácil assim" Angel o puxou para si, agarrando-se a ele. Ainda não tinha certeza do que sentia pelo garoto de olhos grises, mas sabia que ele a completava.

"Hora do almoço! A Senhorita tem que se alimentar." Disse afastando-se um pouco e ajudando Angel a recosta-se na cabeceira da cama. Pegou a bandeja com um prato de sopa. Desajeitadamente Draco começou a colocar colheradas de sopa na boca de Angel. A garota começou a rir depois que o loiro derrubou sopa na cama e nela também. "Por favor, colabore comigo! Molly disse que se você não comesse iria me azarar!"

"Obrigada, senhor!" Delicadamente Angel segurou as mãos do loiro e tomou-lhe a colher e o prato. "Muito gentil de sua parte me alimentar feito um passarinho com a asa quebrada, mas acredite, estou bem e posso fazer isso sozinha!" Comovida Angel pensava que o seu mimadinho iria perder o adjetivo de egoísta, pelo menos no que se tratava a ela.

Aliviado o garoto brindou sua dama do outono com um sorriso. Observava seu anjo enquanto ela comia. Sabia que quando terminasse, ela teria que tomar a poção do sono sem sonhos. Seus olhos caíram mais uma vez no pingente.

"É um golfinho o que tem no cordão, não?"

"Sim, presente dos meus pais quando nasci. Meu pai era biólogo, especialista em cetáceos. Minha mãe era a bióloga de um aquário, cuja estrela era um golfinho. Eles se conheceram e segundo o que contam meus pais adotivos, uma semana depois estavam casados. Meu pai já era ativista e levou minha mãe junto..." Angel parou levou a mão ao seu único tesouro, tudo que havia sobrado deles. A lembrança doeu, sempre doía. Uma lágrima rolou, a garota abaixou os olhos, tentando esconder a dor. Draco tomou-lhe o prato e a estreitou em seus braços.

"Perdoe-me... Não fazia idéia... Eu..."

"Ainda dói..."

"Claro que dói, eu sei..." Draco sabia, ele sentia sua dor, dor que refletia nele também. Lembrou-se de Narcissa, de que sua lembrança também machucava. "Está tudo bem, estarei sempre aqui com você... Agora tome sua poção."

"Não quero dormir!" Angel fez uma carinha infantil de birra, mas, a verdade é que não queria mesmo dormir, ficar ali com ele era bem melhor.

"Sinto muito anjo, mas, não posso fazer isso, não deveria nem falar com você. E se souberem que a fiz chorar, não vai sobrar nada do seu dragão para contar a história. Então não me peça favores impossíveis."

Angel revirou os olhos, apanhou o frasco de poção e tomou tudo num só gole, sem se soltar dos braços do loiro. Intensificou o abraço como se pudesse prender-se a ele pela eternidade. Draco sentiu-se embevecido com o gesto e só recolocou a garota na cama muito tempo depois que sentiu seus músculos relaxados. Depositou um beijo casto em sua testa e se retirou, para o laboratório.

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Dias depois, a mansão Black estava mergulhada em um sono silencioso. Ao mesmo tempo Angel debatia-se enquanto dormia, tentando em vão se livrar de um pesadelo terrível. Para ela era tudo muito real, não entendia que num vislumbre poderia ver os atos do inimigo. A visão era muito terrível, era um banho de sangue. Os comensais não poupavam ninguém. Quando viu um raio verde indo na direção de uma criança perdida no meio do pandemônio, começou a gritar, a necessidade de tirar as crianças daquele lugar a deixou histérica.

Acordou todos os moradores da mansão, que já não dormiam bem há tempo demais para se lembrarem. Até os quadros reclamaram dos gritos da garota. Draco a estreitou firmemente nos braços, sussurrando palavras calmantes ao seu ouvido. A porta do quarto se abriu e Angel ainda gritava. Draco não conseguia acordá-la. No seu inferno, Angel deparou-se com uma placa. Hogsmeade. Só depois disso conseguiu acordar, em lágrimas, ainda com os músculos tensos, dentro do poderoso abraço do seu dragão.

Molly se aproximou com uma poção. Draco ministrou a poção com ela ainda em seus braços, estava suada e muito trêmula, o seu rosto molhado de lágrimas e marcados pelo horror da barbárie. A poção sem sonhos fez efeito e Draco sentiu Angel relaxar em seus braços. Deitou-a novamente e encarou Dumbledore. O loiro já desconfiava que aquele pesadelo tivesse alguma coisa a ver com a destruição do espelho de Vênus.

"Sim, Sr. Malfoy, esse é o dom de Angel, ela tem o dom da premonição, através de sonhos ou acordada. O contato com a energia destrutiva de um horcrux pode compartilhar ou aumentar um poder latente em um bruxo. E Angel é um caso raro entre bruxos, ela é uma sensitiva."

"Será que a Mione ficou mais inteligente?" Perguntou Rony.

"Como se isso fosse possível." Gracejou Fred, imediatamente levando um beliscão da Sra. Weasley.

"Vamos dormir. Está tudo bem, amanhã saberemos o que aconteceu."

Draco ficou aliviado quando todos se retiraram do seu quarto, já estava incomodado com aquela invasão. Encarou o resto da madrugada acordado, hora velando o sono de Angel, ora pensando em como seria uma vida normal sem guerra ou dormir uma noite inteira sem ser acordado no meio dela por gritos tenebrosos.

Definitivamente, ele, um Malfoy puro-sangue, não deveria estar ali. Quem sabe numa praia exclusiva na costa Brasileira, bem longe daquele lugar horrível. Falou de si para si: "Draco, você está morto!"

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Na manhã seguinte Angel contou com detalhes o seu sonho. O ataque a Hogsmeade já teria data marcada, mas para Angel, isso ainda era um mistério. Ainda teria, segundo Dumbledore, que aprender a controlar seu novo poder. Ao menos poderiam ficar de sobreaviso e monitorar o local.

Angel voltou a ajudar Hermione nas leituras diárias, à contra gosto de todos, mas ela mostrava que tinha uma personalidade forte e decidida. Draco a olhava em desespero. Uma Gryffindor! Deveria ser descendente direta de Godric Gryffindor. Alguém lá em cima tinha senso de humor. Durante uma dessas leituras, Angel deixou cair um enorme livro. Estava lívida. Hermione olhou na direção do barulho e ficou intrigada com o semblante da garota. Aproximou-se e percebeu que Angel tinha o olhar perdido, e começou a falar com uma voz que não parecia ser sua.

"Fazer compras no mercado oriental egípcio, nessa época do ano, é vantajoso. Fora de temporada, as crianças estão na escola, fácil de ver e pechinchar certas relíquias." Voltando a si deparou-se com Hermione a sua frente com uma cara de espanto. "O que foi? Perdeu alguma coisa no meu rosto?"

"N-Não. Quero dizer... não se lembra do que acabou de me dizer?"

"Se havia perdido..."

"Não, sobre compras no Egito."

"Compras no Egito, Mione, me faça o favor, vá descansar você não está bem."

"Não mesmo, venha, vamos falar com Dumbledore." Disse, puxando a amiga pelo braço.

Hermione relatou tudo ao velho mestre, que logo reconheceu que seria sensato verificar e convocou uma reunião com os integrantes da casa. Depois de muita discussão. Ronald e Ginny Weasley foram mandados para o Egito. Deveriam revirar cada grão de areia se fosse necessário. Já sabiam, graças a Angel e Hermione, que feitiço usar, o que seria difícil era procurar um medalhão antigo, deveria ter muitos. Dumbledore, tirando do bolso a cópia do medalhão de Salazar Slytherin, entregou-a a Ginny que acabara de se despedir de uma chorosa Sra. Weasley. Usaram uma chave de portal preparada por Dumbledore para chegarem à casa de um aliado da Ordem da Fênix no Egito. Ali eles seriam informados dos lugares que deveriam visitar em busca do medalhão.

Era uma casa simples, mas tiveram uma acolhida sincera e calorosa. O seu anfitrião era Moadibh, um senhor com seus setenta e poucos anos, pertencente a uma família de bruxos honrados no Egito. Ele contou que já havia seguidores de Você-Sabe-Quem por todo o continente. Eram poucos, é claro, mas estavam esperando por ordens do "coisa-ruim". O anfitrião chamou um garoto, de uns sete anos no máximo, e deu instruções para ele levar os convidados ao mercado e depois voltarem para o jantar. Na rua, vestidos como os habitantes locais, os irmãos Weasley olhavam atentos a tudo que encontravam. Naquele lugar, vasculharam todas as lojas, sem sucesso. Estavam exaustos e vencidos. Voltaram para a casa do Sr. Moadibh com o menino, Caleb, muito astuto e inteligente, que fez o serviço de guia muito bem, parando às vezes para mostrar para Ginny alguma coisa bonita. Ele, na realidade, queria agradar a garota, que estava achando muito fofo o flerte do garotinho.

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Depois da semana em repouso de Angel, Draco começou a ensinar os feitiços mais complexos para ela e treiná-la também em duelos. Aos poucos ela já treinava junto com todos os outros. O dia na mansão Black era duro, depois do jantar geralmente estavam prostrados, mas acabar nos braços de Angel era uma recompensa. Draco ainda corria para o laboratório depois de alguns beijos, ou simplesmente adormecia em seus braços.

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Já estavam no Egito há uma semana e quase não precisavam de guia, do tanto que já haviam andado em busca do medalhão.

"Acho que Angel se enganou dessa vez, não faz sentido, acho que já visitamos todas as lojas daqui. Amanhã vamos até a próxima cidade, quem sabe?"Disse Rony massageando os pés.

"Olha, se a garota falou que está aqui, então eu só saio daqui quando encontrar."

"Acredita nela assim, cegamente?"

"Não sou cega, apenas acredito. Vamos, irmãozinho, tenha fé!"

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Naquela mesma noite Angel teve uma premonição, viu claramente que os comensais estavam se encaminhando para Hogsmeade com o "cara de serpente" em pessoa no comando. Acordou e chamou Draco.

"Draco acorde!"

"Ainda é muito cedo..."

"Draco Malfoy! É serio!"

Draco deu um pulo da cama ouvindo seu nome completo. O instinto o deixou em alerta, ela não estava brincando.

"Temos que ir! Hogsmeade será atacada em menos de uma hora, os comensais estão a caminho."

Angel estava ofegante com o esforço, mas o contato com os braços fortes de Draco já lhe dava a força necessária para continuar. O loiro ficou perdido, não sentia o vínculo na hora em que a garota tivera a visão. Apertou-a forte junto a si por um segundo e no outro, um meneio de varinha, e estava pronto a seu lado.

Não foi preciso acordar Harry, que já estava de pé e pronto também. Ele partilhava das visões do Lorde, sua cicatriz estava meio exposta e doía fortemente. O alarme soou e eles saíram da mansão, a Brigada da Fênix aparatou na entrada da vila pouco antes dos comensais. Logo atrás, aurores do ministério também chegaram (eram cinco, na verdade) o Ministério da Magia não acreditava nas premonições de Angel. Naquele momento comensais aparataram ali e uma grande Marca Negra apareceu no céu. Sinal do Lorde das Trevas. Um dos aurores desaparatou, sua missão era alertar os outros. A Ordem da Fênix precisava de reforços.

Os Comensais da Morte se atiraram na batalha ferozmente, os guerreiros da luz estavam mais preparados agora e se defendiam bem dos feitiços que eram lançados pelos comensais. Quando Harry se deparou com o "sem noção" ambos pararam e se estudavam.

"Então nos encontramos novamente! Pronto para obedecer seu novo mestre?"

"Só em seus sonhos Voldemort!"

Não havia tremor em sua voz, mas, a fúria e a tensão que o consumia por dentro só não eram percebidas por que ele agora bloqueava bem seus pensamentos. Graças ao treinamento exaustivo da oclumência.

"Seu moleque insolente! " Voldemort queria realmente Harry sob custodia, lançando um feitiço certeiro. Mas, duelar com o garoto-que-sobreviveu agora era cada vez mais difícil. Sua magia era cada vez mais poderosa, e sua vontade cada vez mais firme. "Estupefaça!"

"Protego!"

Nesse momento, Harry concentrou sua magia e conjurou um escudo que rebateu o feitiço do Lorde das Trevas, que voltou e o atingiu em cheio. A verdade é que depois da destruição do espelho de Vênus ele estava fraco, porém forte o bastante para acabar com Harry quando quisesse, mas isso não era uma opção no momento. Ao contrário, ele o queria vivo. Com os planos já traçados, "o insano" desaparatou dali.

Harry levantou-se rapidamente e correu até o final da rua. Parou em um beco mal iluminado, ouvindo os gritos de alguns comensais. Entrou no beco escuro, acendendo-o com um "Lumus", viu Draco de joelhos e Lucius. O loiro, com os dentes cerrados, tentava resistir ao "pai". Quando entrou no beco ainda foi visto por alguns integrantes da Ordem que correram para o local: era uma emboscada.

Assim que Harry entrou, vários comensais tiraram suas capas de invisibilidade e fecharam a passagem. Alguém atingiu Harry com um "Estupefaça".

"Pronto, solte-o, temos que voltar para o quartel general o quanto antes."

Harry havia caído a poucos centímetros de Draco. Lucius, a contragosto, interrompeu o "Cruciatus" e colocou sua bengala entre as mãos do moreno. Draco, atento, ainda lutando contra a dor, agarrou-se também a ela, sendo transportado junto com os outros dois bruxos. Aterrissaram em uma masmorra.

"Ora, ora, pescamos um a mais." Gracejou Nott.

"A convivência com sangues-ruins o deixou idiota." Lucius estava irado. "Seu imbecil, tentei lhe dar uma chance de viver um pouco mais!"

"Olá pra você também, Lucius." Disse Draco com um sorriso sarcástico no rosto.

"Vou fazer sua estada aqui muito agradável!" Ironizou Lucius.

Outros comensais entraram e começaram a se divertir torturando os dois rapazes. Aquilo durou horas, até que os dois desmaiaram.

A diversão havia terminado, o saldo daquela insanidade eram costelas quebradas, luxações, cortes profundos, muitos arranhões, e sangue, muito sangue. Os comensais se retiraram, Draco estava preso a uma longa corrente fixada na parede. Não se deram ao trabalho de prender Harry, este foi o mais castigado. Mais tarde o próprio Lorde desceu até as masmorras para a sua dose de diversão. Os gritos voltaram, pois o Lorde era ainda mais sádico que os outros...

"Veritasserum? Não, prefiro fazer as coisas pessoalmente, vamos nos divertir um pouco, temos tempo. Agora que temos o salvador do mundo bruxo aqui conosco podemos nos dar o luxo da diversão. Vou extrair a localização do buraco como se extrai em verme. E a sua cria Lucius, duvido que saiba de alguma coisa, quem confiaria nele? Ele é um traidorzinho barato, mas não o matem ainda, ele pode ser útil para outras coisas... Ele é belo e forte como você Lucius. Tenho planos para ele."

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"Dragão?!"

Angel parou de correr e Hermione que vinha logo atrás se deteve. Sentia que seu dragão estava em perigo "Onde está?"Angel levou a mão ao peito sentindo uma dor muito forte e o bloqueio do vínculo. Draco não queria que sentisse sua dor...

"Mione, pegaram Malfoy..." Guiando-se por seus instintos, Angel correu para o beco, com Hermione em seu encalço.

Quando Angel, que estava à frente dos outros integrantes da ordem, entrou no beco, achou apenas as duas varinhas caídas no chão. Uma era de Draco, a outra Hermione reconheceu como a de Harry.

Caiu de joelhos no chão imundo do beco, sentindo um puxão no vínculo mágico. Estava enjoada. Hermione e Cho ampararam a garota, que vomitou violentamente com a imensa dor. Ela sentia a dor de Draco, seu corpo experimentava o terror da tortura.

Sentiu-o bloquear o vínculo, a dor que ela sentia era forte demais! Não a suportaria. Não naquele momento.

"Eles conseguiram o que queriam. Vamos precisar de uma ajuda extra e muita sorte para reverter a situação. Não temos mais nada que fazer aqui. Só o poderoso Merlin sabe para onde levaram os dois." Sentenciou Angel ofegante que nesse momento não conseguia controlar seus poderes de sensitiva.

Na mansão Black, todos se reuniram no salão principal. Estavam abatidos, cansados, feridos, e as duas únicas baixas eram Harry e Draco. A incerteza varria as mentes cansadas daqueles bravos guerreiros, frustrados por não terem protegido sua única esperança, aquele que fora o Escolhido.

Angel encostou-se na parede da sala de estar exausta e deixou-se escorregar até o chão, estava pálida e tinha seus olhos perdidos em algum lugar. Não ouvia nada ao seu redor, toda aquela balburdia não entrava em seu cérebro, estava alheia a tudo...

"Senhores, não desanimem, vamos buscar nossos companheiros. A Brigada da Fênix nunca deixa um companheiro para trás." Disse Dumbledore, tentando ser otimista.

"Senhor, com todo respeito, não temos a mínima idéia de onde procurar, e nem se estão vivos." Lamentou-se uma chorosa Hermione.

"Senhorita Angel, pode sentir o Senhor Malfoy?"

Angel abaixou a cabeça, tentando se concentrar nele, mas naquele momento ainda estava muito perturbada. Dor! Muita dor! Era tudo que ela sentia quando se concentrava em Draco. Uma onda nauseante a tomou e ela saiu correndo para o lavabo ali perto. Tudo aquilo mexia demais com ela. Olhou no espelho, ainda com o rosto molhado, respirou fundo e se isolou. Assim, mais calma voltou para a sala.

"Sinto muita dor. Não sei explicar... Mas ele está vivo. Não posso sentir Harry, mas acredito que só saberia de Harry através dos meus poderes de sensitiva, o que duvido poder evocar agora."

"Tudo a seu tempo. Descansem, vou ver alguns informantes ainda leais a mim, quem sabe descubro alguma pista." Disse Severus, que acabava de entrar.

"Não estava com eles, professor?" perguntou um Carlinhos desconfiado, pronto para pular em cima do "seboso" (como era chamado na escola.)

"Não, a missão era de Lucius Malfoy. Sim, ele fugiu de Azkaban. E sim, minha cabeça está a prêmio. Traidores são decapitados, traidores do circulo íntimo são decapitados e expostos ao lado do trono daquele "hipogrifo depenado das trevas". Então agora é oficial, fui descoberto." Depois que Severus saiu, Molly chamou Rony pela lareira, relatando a ele o que havia acontecido naquela noite. Pediu ao filho que encontrasse o medalhão o mais rápido possível e não contasse nada a sua irmã, com certeza ela iria correr de volta para a mansão.

"Precisamos desse medalhão, a Ordem, Harry conta com isso, meu filho!"

Rony ficou desnorteado, parado em frente à lareira feita especialmente para as comunicações entre a Ordem e Moadibh. A tragédia não poderia ser maior, mas sua mãe estava certa quanto a esconder de Ginny. Ela enlouqueceria. Já havia praguejado por ter sido escalada para a missão, na verdade não queria ir (intuição feminina). "Oras, mulheres, elas sempre sabem que alguma coisa vai acontecer, em sua opinião isso era agourento demais." Passou o resto da noite pensando onde foram e onde ainda não haviam ido, naquela cidade com um comercio caótico. E o calor? O calor fritava seu cérebro.

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Snape vagava por lugares bem sombrios, freqüentados por bruxos estranhos e sinistros, de moral questionável. Estava andando por ali há horas sem ter nenhuma pista de onde Lucius estava. Cansado, o feitiço de glamour que usava já estava desgastado. Decidiu ir até o Caldeirão Furado, precisava de uma bebida antes que não fosse mais capaz de manter o feitiço. Já era noite e um vento cortante fez com que apertasse a capa contra o corpo. Andava pela rua com seus pensamentos em profusão. Temia por Harry, já que sem ele não poderiam vencer a guerra e por Draco também. Não viu e nem desviou de uma garota que vinha em sua direção e que inadvertidamente olhava para traz despedindo-se de uma amiga. Chocaram-se. A pilha de livros que ela levava espalhou-se pelo chão.

"Não olha para... Doutora Noxon?!"

"Oh! Desculpe-me!" Surpresa olhava para o homem a sua frente, não o conhecia com certeza um paciente. Mas aqueles olhos... Onde vira aqueles olhos antes? "Estava distraída. Conheço o senhor?"

Snape não conseguiu manter mais o feitiço de Glamour. Seus olhos se encontraram. A garota um pouco surpresa afastou-se de Severus. E percebeu imediatamente o que se passava. Snape provavelmente estava em missão.

"Sinto muito, não posso ficar por aqui não é seguro."

Snape se preparava para sair dali quando a Doutora Noxon sacou sua varinha e conjurou um novo feitiço de Glamour. Snape tinha uma aparência bem melhor agora. Era um loiro de longos cabelos presos por um rabo de cavalo, um pouco mais alto que ela. Ainda trajava negro, mas as vestes bruxas eram muito melhores que a anterior. O professor de poções foi pego de surpresa.

"Que tal uma bebida Prof. Snape?"

"Sim... Claro..." Severus se rendeu afinal essa era a intenção dele até alguns minutos atrás.

Snape sacou sua varinha encolheu os livros no chão os levitou e guardou em seu bolso interno. Ofereceu o braço para a jovem que o observava com um sorriso enigmático. Ambos seguiram pela rua até o pub. Sentaram e pediram um firewisky. Ambos se estudaram. A magia que pairou no ar da Mansão estava de volta...

"Bem, seria rude de minha parte perguntar o que faz fora de Hogwarts?"

"Não, de modo algum." Snape suspirou cansado, não sabia por que, mas confiava na garota a sua frente. "Hogsmeade foi atacada, levaram Malfoy e Potter." Snape abaixou a cabeça, estava desolado e muito preocupado. Não conseguia manter sua frieza habitual em frente à Noxon. "Por quê?"

"Merlin! Não!"

"Estive procurando meus informantes, mas, sem sucesso!"

"É integrante da Ordem da Fênix, não é?"

"Sim..."

"Gostaria de ajudar. Acredito que a guerra é iminente e não sei me defender. A Ordem deve estar se preparando e..."

"Sim, precisamos de ajuda. Venha comigo. Precisamos mesmo de um Medibruxo de plantão."

Dryade não soube o que a levou, mas, aparataram direto para a casa simples que dividia com outras duas colegas, pegou suas poucas coisas e seguiu Severus. Sua nova vida começava ali. A sorte estava lançada para ela...

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Na mansão Black, Angel afundava o chão da biblioteca, andava de um lado para o outro, envolta em seus pensamentos. "Então, por que em nome de Merlin estou assim tão desesperada por causa do loiro mais arrogante da face da terra?" dizia para si. Fechou os olhos. Não queria encarar o problema de frente. Estava com medo. Manteve os olhos fechados como se ao abri-los tudo fosse diferente. Isso poderia ser encarado como um sinal de fraqueza, mas ninguém poderia discutir que o simples fato de fechar nossos olhos por alguns segundos, nos dá coragem para enfrentar o que nos assusta. Abriu os olhos.

Já era hora de encarar o que viria pela frente. Numa virada brusca acabou esbarrando em Hermione, que acabava de entrar.

"Como está?"

"Quero ficar sozinha..."

"Trouxe um lanche. Molly o preparou e disse para você comer tudo!"

"Não tenho fome... mas precisamos nos manter em pé, não é isso que vai me dizer?. A única coisa que não precisamos é cair de fraqueza. Pode deixar, mas ainda quero ficar só, Mione."

Hermione saiu, deixando a amiga sozinha. Sabia que ela tinha uma guerra particular dentro de si.

Angel continuou andando de um lado para outro, o movimento a fazia pensar melhor. Deteve-se diante da janela e olhou para o banco em que se sentou com seu dragão para aprender seu primeiro feitiço. Lembrou-se como se sentiu naquele dia, como sua magia se estabilizou com o simples toque em seu dragão. Tudo aquilo a confundia, mas, naquele momento, ela sabia que aquilo era amor, estava apaixonada por ele. Naquele momento Angel se acalmou. A aceitação do fato lhe suavizou a alma. Também começou a raciocinar melhor. Se ela sentia a aflição de Draco, ele também sentia a sua? Então era óbvio que ela estava atrapalhando, onde quer que ele estivesse. Parou. Serenou seu coração. Pensou em Draco e começou a conversar com ele, enviando palavras doces através do vínculo mágico.

A mente de Draco estava muito confusa. A entrada da doce Angel na mente dele fez o garoto arrepiar. Angel sentiu que a confusão da mente dele sumia aos poucos. E podia até sentir algumas sensações de calma no seu dragão. Sentiu-se melhor. Sentou-se e comeu o lanche que Molly tão carinhosamente preparara. Depois estirou-se em uma poltrona e acabou por adormecer.

Angel se achava novamente em meio a explosões e sangue, gritos e clarões, ainda não sabia em que mundo estava. Desviou-se de uma pedra que vinha na sua direção correu em direção a uma luz que não sabia de onde vinha. No que sobrou de uma casa, entrou um tanto insegura. No interior estava uma velha senhora sentada em uma mesa. Assim que entrou, sua anfitriã levantou as mãos e quase num sussurro proferiu um feitiço...

"Aresto Momentum"

Tudo lá fora pareceu parar, um silêncio tomou conta do lugar. Só o que se ouvia era uma caixinha de música, muito antiga que estava sobre a mesa. Angel reconheceu o objeto imediatamente, era sua, presente de sua avó, perdida em algum lugar de Portree. Seus olhos desviaram-se do objeto quando a velha senhora falou:

"Nem tudo que parece ruim é realmente. Nem tudo que parece perdido, realmente está. És filha da eternidade, tudo o que precisas é acreditar. A necessidade está a tua porta. O que ainda está perdido só será encontrado no lugar da traição. A morte guia os passos teus, nunca tua alma. Não temas retirar os véus que te separam do conhecimento."

"Finite Incantatem"

Foi novamente jogada no caos, procurou por sua varinha, contudo não a encontrou, estava encurralada entre uma parede e vários seres negros que pareciam querer sugar sua vida. Começou ouvir seu nome longe, muito longe...

"Angel, Angel..."

"Por que ela não acorda, Mione?"

"Deve ser um sonho premonitório Luna."

"Se Malfoy não aparecer logo ela vai morrer."

"Poxa garota, se não tem nada melhor a dizer fique de boca fechada!"

"Mione... O que foi isso!" Angel falou apontando para Luna que acabava de sair.

"Era Luna, semeando mais uma de suas tempestades. Como se não tivéssemos problemas suficientes."

Angel levantou, andou até a janela e lembrou das palavras da velha senhora e da melodia que tocava na caixinha de música. Saiu da biblioteca apressada em direção à sala de Dumbledore. Hermione foi atrás dela. Não precisou bater na porta o velho mestre já a abrira. Snape e Noxon se juntaram a elas no corredor.

"Senhor precisamos conversar!"

Quando entrou todos já estavam ali. Olhando para cada um viu o olhar depressivo dos amigos que eram sua família agora.

"Sim, já chamei os integrantes da casa, não esperava outra resposta sua a não ser esta. E vejo que temos novidades. Mais um membro Severus?"

"A doutora Noxon irá se juntar a nós." Disse Snape já livre do Glamour que a garota lhe conjurara.

Noxon foi inserida na Ordem sem muito estardalhaço. Todos já conheciam a Medibruxa e não houve rejeições, apesar de ter sido levada por Snape, que naquele momento levantava as mais infundadas duvidas nos Weasleys.

"Bem vinda a Ordem da Fênix!" Dumbledore se aproximou da garota colocando a Fênix dourada, símbolo do Esquadrão.

"Senhores. Ainda temos uma horcrux para procurar. E dois companheiros para resgatar."

"Mas, Angel, não achamos nem o medalhão. Harry está preso, o que espera que façamos?"

"Carlinhos, Malfoy também está preso e ambos estão vivos. Temos que procurar a taça, só venceremos se enfraquecermos o inimigo."

"Por que não diz onde está seu amante Senhorita-Enxerga-Tudo? Eu digo por quê! Você é uma farsa!"

"Senhorita Chang, não tem o direito de falar assim, contenha-se!" Advertiu Severus num tom gélido, mas seus olhos lhe enviaram chamas de ódio.

"Não estamos mais na escola para sua informação! Então..."

"Então digo novamente o que vai nos salvar de Valdemort é o trabalho em equipe! Não perdemos Harry, contudo não temos tempo para esperar pela sua volta! É hora de fazer por Harry o que ele sempre fez por todos nós. Arriscar-nos. E colocar nossas mentes para trabalhar e achar o paradeiro dos nossos companheiros. Escutem o que a Senhorita Angel tem a dizer."

"Obrigada professor. Preciso que coloquem nesse mapa onde já procuraram as horcruxes."

Estendendo um mapa na mesa, Angel esperou que Hermione marcasse no mapa os lugares.

"Passamos por alguns antiquários em Londres, sem sucesso, pois achamos que Mundungo, um aborto, informante mercenário que esta sempre por aqui havia roubado várias peças pertencentes à Família Black. Alguns vilarejos, em Godric's Hollow."

Enquanto falava Hermione marcava o mapa.

"Godric's Hollow? Que é isso, paraíso de Gryffindors? O que temos lá?"

"Só a casa onde os pais de Harry morreram." Hermione respondeu. "Só restaram as ruínas, algumas paredes e nada mais."

Angel andou pela sala. Voltou ao mapa. "O que ainda está perdido só será encontrado no lugar da traição" o que em nome de Merlin é isso? Pousou a mão sobre o lugar no mapa e fechou os olhos "Não temas retirar os véus que te separam do conhecimento". Angel estremeceu ao lembrar das palavras. Então rasgou todos os véus que estavam diante dela impedindo sua visão. Num segundo vertiginoso toda a história do lugar passou diante dos seus olhos. Segurou firme na mesa. Estava lívida. Noxon se aproximou de Angel, observando a garota de perto.

"No canteiro de amores-perfeitos." Angel em transe falava... "Ao lado da árvore seca, descendo ao inferno por ali, esse é o caminho da morte. A morte guia nossos passos..."

"Charadas, e mais charadas, aonde vamos afinal? Para o condomínio Gryffindor..." Disse Jorge

"Ou direto para o inferno?" Completou Fred.

"Sim é uma charada Jorge, Fred, mas vamos para Godric's Hollow, cavar uma entrada para o porão da casa." Falou uma triunfante Hermione.

"Sim Senhorita Granger, se bem me lembro a casa tinha uma adega, bons vinhos, bons vinhos."

"Aquilo deve estar cheio de comensais." Disse Carlinhos desanimado.

"Dois grupos, um invisível, o outro visível que será a isca. O visível ataca e os leva para longe simulando uma fuga. Mas vocês têm que ser rápidos. Carlinhos você estará à frente do Esquadrão Fênix, que será o grupo que entrará no porão. Severus lidera o grupo isca."

Tonks era ótima estrategista e ao final se ouviu uma grande discussão de como a ação seria perigosa e temerária. Ao final acertou-se um plano, a discussão calorosa serviu para injetar de ânimo os guerreiros da luz.

Dryade estava muda, enfim a guerra começava para ela, encarou Snape com uma expressão indecifrável. Com certeza estaria com o Esquadrão Fênix, naquela investida temerária. Sentiu um frio percorrer sua espinha, depois pensou em Severus, poderia não vê-lo mais depois daquela missão. Para seu espanto ela se importava. Desviou o olhar e aguardou que alguém lhe indicasse seus aposentos. Hermione se aproximou da garota cinco anos mais velha que ela e convidou:

"Venha, pode ficar comigo no meu quarto. A Gin está no Egito com o Rony, e eu estou sozinha."

"Eu agradeço. Espero ser útil. Pelo que entendi vocês tem um grande problema! Quero dizer: temos."

Snape se aproximou das garotas apressado.

"Senhorita Granger pode instalar a Doutora Noxon? E mostrar tudo a ela? Faria isso com prazer, mas, ainda tenho uma visita para fazer."

"Sem problemas Professor Snape. Já estava fazendo isso."

Snape fez uma reverencia e saiu esvoaçando a capa negra pelo corredor deixando uma sensação de vazio dentro da jovem medibruxa.

Agora, o exército da luz tinha o que fazer: atacariam. Mas antes se preparariam para tal investida.


N/A : Oi Dry, espero que tenha gostado do capítulo. Nossa Medibruxa acaba de entrar para a Ordem da Fênix e no coração do sombrio Professor de Poções.


Agradecimento especial a Innis, saudades querida.


A todos que passaram por aqui e por um motivo ou outro não deixaram um recadinho para mim, espero que estejam gostando.


E não poderia deixar de mencionar minha querida consultora, beta, e amiga, Samie! Essa fic está crescendo graças a você!!!!

Jinhos da Belle!