CAPITULO 9

Me sentirei muito melhor quando te sentares esta noite para jantar com meus convidados – disse Edward satisfeito enquanto regressavam ao priorato.

- Não posso fazer isso - vacilou Bella -. Vim como a babá dos Brewett. Que pensará a gente se de repente...?

- Que és minha futura esposa e tens mais direito do que ninguém a embelezar a mesa com tua presença - atalhou com orgulho Edward.

- Mas não trouxe nada elegante. Só tenho algumas calças.

- Se esse é o único problema, vamos comprar-te algo agora mesmo, cara.

Nada comprazia mais a Edward do que resolver problemas com ação e dinamismo. O povoado mais próximo, situado a uns poucos quilômetros, contava com uma boutique com muito bons desenhos.

Bastaram-lhe vinte minutos para acercá-la à loja, fazê-la entrar, escolher um vestido azul e acompanhá-la ao vestuário, sem prestar atenção aos protestos de Bella.

Dentro do provador, Bella se olhou no espelho, perguntando-se como teria feito Edward para acertar com a talha e o tom exato de azul que melhor combinava com seu cabelo. Depois olhou o preço e quase teve um enfarte.

- Bella? - a chamou de fora Edward.

Bella saiu. Edward tinha Florenza apoiada sobre um ombro com naturalidade, como se levasse cuidando bebês toda a vida. Alheio às miradas coquetes da vendedora, examinou-a de cima abaixo até fazê-la ruborizar se e desabrochar o coração.

- Nós o levaremos - assegurou Edward. - Tens sapatos?

Sem dar-lhe ocasião de responder, estudou os modelos que tinha em exposição e, um par de minutos depois, já estava provando-se um par. Quando saiu vestida, com suas calças, duas mulheres rodeavam a Edward e admiravam a mão que tinha com Florenza. Pelo que pôde ouvir, estava como louco orgulhoso da filha. De novo, comprovou como lhe acertava o calçado e entregou o cartão de crédito à vendedora.

- Tens idéia de quanto custam estas duas prendas? - sussurrou Bella escandalizada enquanto se acomodavam de volta na limusine.

- Não - contestou sem se importar Edward e ela o informou do preço. - Não está mau.

- É uma fortuna! - exclamou Bella.

- Deixa que te conte um segredo - disse ele com bom humor -. Não sou pobre.

De volta no priorato teve uma nova surpresa ao descobrir que tinham levado seus pertences a uma luxuosa suíte de convidados situada na primeira planta.

- Está seguro de que devo instalar-me aqui? - perguntou ao mordomo.

- Com Certeza - respondeu Jenkins. Bella o instigou a que tomasse assento para que se recuperasse. - Não o diga ao senhor Edward, por favor.

- Eu... - Bella pensou que o homem era demasiadamente velho para seguir trabalhando de mordomo.

Então Jenkins lhe explicou que tinha se aposentado cinco anos atrás e, como vivia só, sentia falta do priorato e sua profissão. Assim tinha pedido a Edward que lhe permitisse voltar para reviver o que ele denominava os bons tempos algum que outro fim de semana, e que desfrutava muito fazendo-o.

Comovida pela explicação e pelo entendimento de Edward, Bella não disse nada mais. O jantar não foi tão tenso como tinha temido. Claro que ela sempre tinha desfrutado conhecendo gente nova e, desde que tinha entrado no salão, nada mais notara do que a mirada intensa de Edward, tinha-se sentido a mulher mais segura do mundo. Mais tarde, tinham subido juntos a olhar como dormia

Florenza.

- É incrível quanto já a amo - assegurou Edward sorridente.

Bella sentiu uma pequena apunhalada de inveja. Mas, como podia invejar a Florenza pelo oco que se tinha feito no coração de seu pai? Afinal de contas, ela era o motivo pelo que se casariam. Mas não queria torturar-se com essa realidade dolorosa.

- Na verdade, não me ocorre como vamos poder casar-nos a semana que vem – comentou Bella. - Precisa-se muito tempo até para o casamento mais íntimo.

- Os preparativos já estão em boas mãos, cara - contestou ele com um sorriso que lhe fez a boca seca. - Na segunda-feira pela manhã tomaremos um avião a Veneza, onde te espera uma coleção de vestidos de noiva para que escolhas o que mais te agrade. - Não tens que te preocupar com nada. Só quero que te relaxes e desfrutes.

- Soa a bênção do céu - reconheceu Bella, pensando em todas as decisões e responsabilidades que tinha suportado no ano anterior sem ninguém em quem apoiar-se.

- Tenho que te fazer uma pergunta - disse então Edward -. Quando me escreveste exatamente para dizer-me que estavas gestante?

- Que? - Bella franziu o cenho, incapaz de ver a relevância de tal informação depois de tanto tempo.

- Dá igual - se encolheu de ombros Edward.

Bella, muito susceptível a respeito, pôs-se vermelha. Estava convencida de que acreditava que não lhe tinha mandado dita carta e de que só o dizia para tentar aliviar sua consciência. Como poderia demonstrar-lhe o contrário?

- Estou cansada - murmurou.

Resolvido a averiguar que teria sido daquela carta, Edward enrugou o cenho. Não sabia que tinha dito para tensionar o ambiente, mas a intuição lhe aconselhava não insistir. Uma vez que estivessem casados, talvez pudesse pressioná-la um pouco mais, mas não queria arriscar-se até depois do casamento.

Deu-lhe boa noite como se tivesse despedido de sua avó e se afastou. Desconcertada, Bella ficou olhando-o com os olhos à beira das lágrimas. O homem apaixonado que tinha jurado encontrá-la irresistível nesse mesmo dia nem sequer a tinha beijado. Teria sido tudo uma estratégia para persuadi-la para que se casasse e manter desse modo o contato com Florenza?, Ou só estaria desagradado ante a idéia de que talvez o estivesse enganando com a carta? E em tal caso, como convencê-lo caso contrário?

Os nervos lhe impediram descansar e ao dia seguinte, depois de dar-lhe o peito a Florenza, voltou à cama e dormiu até tarde. Quando por fim se acordou de novo, desceu as escadas e se encontrou a Edward rodeado de seus convidados. Seguiu uma comida distendida, depois da qual começaram as despedidas dos visitantes. Então caiu na conta de que tinha que recolher seus pertences da casa dos

Brewett e decidiu falar com Daphne para dizer-lhe que o mais simples seria voltar com eles e ocupar-se do assunto ela mesma.

- Tenho que ir na casa dos Brewett pegar minhas coisas - informou a Edward no último momento.

- Posso pegar eu mesmo - ofereceu este surpreso.

- Não! - Tinha pensado que seria melhor se deixasse Florenza contigo - o desafiou ela.

Edward se sentiu feliz de ter um refém que lhe assegurava o regresso de Bella, bem como pela confiança que esta lhe mostrava deixando à menina a seu cuidado. De fato, depois de ter chamado a sua secretária na casa por um assunto que não deixava de rondar-lhe a cabeça, sabia exatamente o que faria durante a ausência de Bella.

Três horas depois, Edward correu o móvel bar do escritório e recolheu com satisfação o envelope empoeirado que jazia sobre o carpete. Conteve a urgência de abrir a carta ali mesmo. Talvez desse modo conseguisse sentir menos rancor por Mike Newton por aquele gesto tão malicioso. Quando regressou à limusine, empurrando do carrinho de Florenza, a menina estava quase dormindo.

Edward estava orgulhoso de si mesmo. Tinha jeito de pai. A pequena não tinha chorado nem uma vez, nem sequer ao mudar-lhe a fralda, para o que tinha precisado do conselho do motorista, pai com experiência nessa classe de trabalhos. Jantaram no Ritz, onde lhe deu uma mamadeira de leite que concluiu com um pequeno arroto que ninguém ouviu.

- Somos uma equipe - disse Edward de volta a casa. Então se perguntou como teria pensado Bella regressar ao priorato.

Chamou aos Brewett e descobriu que já tinha saído.

Justo até meter as malas num táxi, tinha esperado o telefonema de Edward oferecendo-se a pegá-la.

Mas tinha tido que acabar tomando o trem. Ainda assim, quando o viu esperando-a na plataforma da estação de chegada, seus lábios desenharam um sorriso brilhante de perdão.

- Perdoa - se desculpou de todos os modos. - Não me passou pela cabeça que não tivesses como vir.

- Espero que tenhas estado cuidando bem de Florenza – contestou Bella.

- Temos estado ocupados toda a tarde - disse ele. E tenho uma surpresa para ti quando voltemos ao priorato.

O último que esperava era encontrar-se com sua carta como se fosse um presente.

- De onde saiu? - perguntou assombrada.

- Esta manhã chamei a minha secretária. Recordava ter recebido tua carta no dia anterior ao sair de férias no ano passado, porque se fixou no nome do remetente. Essa semana eu estava na Itália reconciliando - me com minha mãe - explicou Edward -. E era o último dia de trabalho de Newton em Sistemas Cullen...

- Mike? - Bella seguia estupefata ante a visão da carta, a qual lhe teria arrebatado para voltar a escondê-la se tivesse tido a ocasião. Por uma parte, não sabia que teria feito Edward para recuperar uma carta extraviada fazia um ano; por outra, dava-lhe vergonha recordar como tinha aberto seu coração naquelas linhas.

- Sim, Newton. Chamei-o em seu apartamento esta tarde. Não imaginas a surpresa que levou quando me apresentei em sua casa com Florenza.

- Tu levaste Florenza a casa de Mike?

- Não ia deixá-la tendo-te dito que cuidaria dela - respondeu ele Nada mais mencionar-lhe a carta e pôr-me firme, Newton confessou o que tinha feito. - A tinha escondido por trás do móvel bar e estava aí desde então.

- Que idiota! - exclamou Bella. Depois agarrou o envelope - Alegra-me que se tenha resolvido o mistério, mas o tempo faz que a carta já não tenha importância.

- Ainda assim, quero lê-la - disse Edward estendendo uma mão.

- Não... não quero que a leias agora - Bella mordeu o lábio inferior.

- Por que? - perguntou tenso Edward -. Está bem, não a abrirei, mas segue sendo minha - adicionou ao ver que Bella não respondia.

Intimidada pelo tom de sua resolução, devolveu-lhe o envelope.

- Que disseste a Mike? - perguntou mudando de assunto.

Nada que deva repetir, mas não lhe bati. O teria estrangulado... mas não diante de Florenza - murmurou Edward - Podia ter-nos roubado a oportunidade de ser felizes - adicionou apertando os dentes.

Tinha tantas coisas que desejava perguntar-lhe sobre todos esses meses que tinha passado sem ela.

E o fato de que não quisesse ser sincera sobre o que tinha sentido e lhe impedisse ler a carta o enfurecia.

- Temos que assinar uns papéis para formalizar os trâmites do casamento - continuou de todos modos. - Depois tenho que fazer uns telefonemas.

- Ainda estás seguro de que queres... casar-te comigo? - lhe perguntou antes de que fosse realizar esses telefonemas.

- Com certeza - Edward lhe devolveu a carta. - Fica com ela. Como tu mesma disseste, com o passar do tempo não tem importância.

Bella se trancou em sua suíte e rompeu a chorar sobre a cama. Que tinha passado?, a que se devia a tensão repentina que os afogava? Ainda que, no fundo, sabia que se tinha equivocado. Por mais vergonha que lhe desse, deveria ter-lhe deixado que lesse a carta.