Domingo na cidade – parte 2
- Nossa! Como Atenas está cheia! – Clara exclamou.
Naquele domingo parecia que todos os atenienses haviam decidido passear pela capital. As ruas estavam lotadas. As pessoas se amontoavam diante das vitrines e a quantidade de barracas espalhadas pela cidade era impressionante.
- Ai! Que saco! – Shura exclamou. Havia levado mais uma cotovelada.
- Meninas, o que vocês querem fazer? – Afrodite perguntou.
As garotas pararam para pensar. Passaram-se alguns segundos até que Júlia teve uma grande idéia.
- O que vocês acham da gente ir à feira?
- Ebaaaa! – todas fizeram e saíram correndo.
- Ei! Esperem! – Mu gritou mas já era tarde. As meninas já tinham desaparecido de vista.
A feira no centro de Atenas era um lugar onde podia se encontrar de tudo. Desde material escolar até alguns artigos suspeitos. Um verdadeiro mercado negro.
- Porcaria! Cadê a Talitha? – Máscara da Morte resmungava enquanto procurava a pequena pupila naquele mar de gente. Uma tarefa praticamente impossível.
- Eu também não estou vendo a Júlia. – falou Aioria com a mão na altura da sobrancelha – Ei, Deba! Procura as meninas aí!
- Tudo eu. Tudo eu. Só porque sou o mais alto. – disse o taurino – Achei duas!
Não muito longe dali, Aaminah e Helena se encontravam paradas em uma barraca de bijuterias. As duas experimentavam várias jóias e davam opinião. Estavam tão entretidas que nem perceberam os cavaleiros chegarem.
- Aaminah! Helena! – Kamus e Mu gritaram.
- Mestre! Me compra esse anel? – Aaminah pediu.
- Eu quero essa pulseira. – falou Helena.
Mu e Kamus ficaram sem saber o que fazer. Se entreolharam e soltaram um longo suspiro.
- Quanto custa, Aaminah? – perguntou o cavaleiro de aquário.
Enquanto isso os outros mestres procuravam suas discípulas.
- Ali! To vendo uma cabeleira ruiva! – exclamou Aldebaran sempre ajudando os amigos.
Amanda tinha acabado de virar a esquina com Júlia. As duas se dirigiam para uma loja ali perto. Quando Aioria e Aioros adentraram na loja não viram as pupilas. Confusos, perguntaram para a atendente se esta havia visto as garotas.
- Oh, sim! Elas estão experimentando algumas roupas. – a mulher respondeu.
- Mas já? Elas acabaram de entrar. – Aioria cochichou para o irmão.
- Mestre! O senhor está aqui! – Amanda exclamou atraindo a atenção dos irmãos – O quê acha desta roupa?
A brasileira vestia uma bela túnica grega. Era branca com uma faixa dourada na cintura. Deixava o colo à mostra e tinha um grande decote nas costas que terminava na cintura. Foi a vez de Aioros sentir uma pulsação no baixo ventre.
- Mestre Aioria! Como estou? – Júlia havia acabado de sair da cabine. Trajava um belíssimo vestido de festa. Era negro e possuía uma fenda no lado esquerdo deixando a perna à mostra.
- Nunca vi uma mulher tão linda! – ele exclamou baixinho.
- O quê disse? – Júlia não tinha escutado o que o mestre falara.
- Disse que caiu muito bem em você. – o leonino falou.
- Ah! – ela exclamou uma pouco desapontada mas mesmo assim feliz de ter sido elogiada.
Um pouco longe dali, Máscara da Morte finalmente achara sua pupila. Talitha estava em uma barraca de tiro ao alvo junto com Clara.
- Até que enfim eu te achei, garota! – o canceriano exclamou irritado.
- Mestre! Me dá um ursinho? – Talitha falou de repente assustando o mestre.
- O quê? – o rapaz perguntou confuso.
- Eu quero aquele ursinho rosa! – a garota falava enquanto apontava para um urso rosa na prateleira – Ganha pra mim?
- Mas é claro que não. Vê se eu tenho cara de homem que fica acertando latinha pra ganhar urso rosa.
- Por favor! Por favor! Por favor! – a menina tinha um olhar pidão.
- Não.
- Por favor!
- Não.
- Por favooorrr...
- Tá bem. Tá bem. Assim você pára de me encher o saco.
- Eu também quero. – Clara disse.
- Eu consigo pra você. – Shura falou.
A garota sorriu.
O primeiro a tentar foi Shura. Obviamente atirar uma bola em latinhas empilhadas era uma tarefa ridícula para um cavaleiro de ouro.
- Nossa! – o velho da barraca exclamou ao ver que Shura havia acertado de primeira – Poucos são os que conseguem essa façanha. Meus parabéns, menina. Seu namorado tem uma mira muito boa. – falou entregando o ursinho à Shura. Os dois coraram violentamente e Clara ia dizer que o rapaz não era seu namorado mas não teve tempo. Máscara da Morte iria atirar a bolinha.
- Vamos mestre! Me dê o ursinho! – Talitha exclamava.
- Você consegue! – Afrodite dizia.
- CALEM AS BOCAS OS DOIS! NÃO VÊEM QUE ESTÃO ME DESCONCENTRANDO? – Máscara da Morte gritou irritado. Fez-se então um silêncio sepulcral. O rapaz respirou fundo e atirou a bolinha com força. O objeto acertou a pilha de latinhas mas não parou. Seguiu em frente e rasgou a lona da barraca.
- Máscara, seu idiota! Olha o que você fez. – Saga disse.
- Foi mal. Não calculei a força. – o outro se desculpou.
O velho da barraca ficou atônito. Nunca vira isso acontecer.
- Acho que eu ganhei, não? – Máscara disse em um tom frio.
- Oh! Claro, claro. Aqui está o urso que a sua garota tanto queria. – o velho falou.
Máscara da Morte ficou corado assim como Talitha. O rapaz arrancou o urso da mão do velho e gritou:
- ELA NÃO É MINHA GAROTA!
Afrodite riu assim como os demais. O cavaleiro de câncer ficou ainda mais emburrado e jogou o urso nos braços da pupila para depois sair dali pisando duro.
- Obrigada, mestre. – a garota falou baixinho enquanto olhava meigamente o mestre de ouro se afastar.
Na hora do almoço todos estavam reunidos. Comiam e conversavam animadamente. Estavam decidindo o que fazer depois do almoço. Ficou acertado que iriam ao cinema depois de comerem.
- Eu quero ver um romance. – falava Júlia.
- Romance é coisa de mulherzinha. Vamos ver algo com bastante sangue. De preferência que tenha muitas cabeças decapitadas.- dizia Máscara da Morte.
- Ai, mestre. Que horror. Por que não vemos uma comédia? – sugeria Talitha.
- Olha! Tá passando "Sete anos no Tibet". Vamos ver esse. – Shaka falou.
- Boa idéia. – concordou Mu.
- Huuuuuuu! – vaiaram os outros.
No final eles acabaram indo ver um romance mesmo. Júlia chorou assim como Afrodite. Máscara da Morte quase morreu de tédio e Miro estava babando na poltrona. Amanda, sem perceber, encostou a cabeça no ombro de Aioros que ficou muito encabulado. Shura mal prestava atenção no filme. Estava inebriado pelo perfume de Clara que estava sentada ao seu lado.
- E agora? O quê vocês querem fazer? – Aldebaran perguntou assim que saíram do cinema.
As meninas pensaram um pouco.
- Vamos no "Game Works"! – Amanda falou animada apontando para o lugar de jogos.
- Atena nos dê força. – disse Kamus baixinho.
Assim o grupo passou o restante da tarde jogando. Helena havia desafiado Miro para um jogo de corrida. Saga e Kanon estavam disputando um jogo de luta. Máscara da Morte jogava um jogo em que quanto mais cabeças você arrancava, mais você fazia pontos. Clara e Amanda dançavam "Dance Dance Revolution" na máquina. Aaminah e Shura estavam disputando um jogo de tiro. Já Aioros jogava um de arco e flecha. Aldebaran estava sentado com Mu e Shaka vendo o grupo jogar. O taurino estava com um enorme saco de pipocas nas mãos. Afrodite estava no caça-níquel. Kamus e Aioria estavam jogando sinuca. O leonino estava concentrado no jogo. Estava perdendo por muito pouco para Kamus. Se conseguisse colocar aquela bola no buraco, empataria com o cavaleiro de aquário. Estava se preparando para a jogada quando Júlia apareceu completamente transtornada.
- O quê foi, Júlia? – Aioria perguntou estranhando a expressão da aluna.
- Mestre... – a garota gemeu com lágrimas nos olhos.
- Me diga o quê foi. – o cavaleiro de leão pediu preocupado com a garota.
- Aquele homem ali – ela disse apontando para um homem suspeito sentado no bar que ficava nos fundos da dependência perto das máquinas de caça-níquel – Eu tava saindo do banheiro e ele me parou. Falou um monte de bobagens e tentou me agarrar.
Ao ouvir isso, o sangue de Aioria ferveu. Tomado de raiva, se dirigiu para onde o homem estava. Kamus, temendo o pior, o seguiu. Aioria parou ao lado do homem que bebia um copo de vodka.
- O quê quer? – o homem perguntou mal-humorado.
- Você ofendeu a Júlia. – o cavaleiro de leão falou.
O homem arqueou uma sobrancelha em confusão. Depois pareceu entender o que o outro falava e soltou um sorriso maldoso.
- Ah! Então o nome daquela gostosinha é Júlia?
Aioria estava se controlando para não socar aquele homem.
- Peça desculpas. – falou com a voz trêmula de tanta raiva.
- Não tenho porque pedir desculpas. Eu estava elogiando-a. Com aqueles peitinhos quem não iria querer... – mas não terminou a frase pois levou um baita soco de Aioria.
- Aioria! – Kamus exclamou chocado.
O cavaleiro de leão estava embolado no chão com o homem que ofendera Júlia. Aioria socava cada parte do corpo do homem que gemia de dor. Kamus tentava segurar Aioria mas o leonino estava com tanta raiva que a sua força parecia ter quadruplicado. O cavaleiro de aquário então mandou que Júlia procurasse os outros. Pouco depois a menina chegou com Afrodite que era quem estava mais perto. Kamus e o cavaleiro de peixes então conseguiram conter Aioria que tentava a todo custo bater no homem.
Depois do incidente todos resolveram ir embora. No micro-ônibus, Aioros ralhava com o irmão pela atitude inconseqüente. Júlia por sua vez nada dizia. Estava orgulhosa do mestre por tê-la defendido. Claro que ela achava que o leonino havia exagerado afinal a primeira regra de um cavaleiro é nunca machucar um inocente, uma pessoa comum. Amanda e Helena conversavam sobre a atitude do cavaleiro de leão. Achavam que havia outro motivo para a ira do leonino sem ser a honra da pupila. Kamus falava com Aaminah sobre o quê Aioria havia feito e lhe explicava as regras dos cavaleiros. Clara estava dormindo encostada em Shura. O rapaz estava adorando a situação. Sentia uma imensa paz ao lado da pupila de Dohko. Talitha observava a paisagem pela janela. Tinha o urso rosa em seus braços.
- Aquela fedelha não larga aquele urso. – comentou Máscara da Morte.
- É porque foi você quem deu. – disse Afrodite com um sorriso.
O cavaleiro de câncer grunhiu. Não entendia qual era o valor de um presente que havia dado. Será que Talitha tinha algum problema? Aquilo era apenas um urso bobo. Se ainda tivesse sido caro ele entendia. Mas ele apenas acertou a pilha de latinhas e ela ganhou o urso. Afinal o que tinha demais em um urso rosa?
N.A.: "Game Works" ou " Games Work" que agora não me lembro o nome correto era o lugar onde eu e meu irmão íamos para jogar. Era enorme e tinha muitos jogos. Claro que não havia bar eu que tomei a liberdade de modificar algumas coisas mas havia sim máquinas caça-níquel e devo admitir que eu adorava jogar embora nunca ganhasse '
