Tristeza tomou conta de mim... Eu precisava sair dali, naquele instante. Então, assim que terminei de comer, sem dirigir qualquer palavra a Edward, fui em direção ao banheiro escovar os dentes e passar uma água no rosto. Estava tremendo demais e precisando me drogar.

Fui para o quarto, peguei minha bolsa e desci as escadas. Edward estava sentado no sofá com a televisão ligada, mas eu tinha a certeza de que ele não estava prestando atenção nela. Já o conhecia muito bem.

Me aproximando da porta, sua voz soou atrás de mim e o meu corpo arrepiou por inteiro.

- Onde você vai? – fiquei de frente para ele.

- Eu preciso sair... – falei olhando em seus olhos.

- Isso não responde a pergunta Bella. Onde você vai? – sua voz antes doce e suave começava a soar pesada e séria.

- Edward, eu preciso ficar só... preciso pensar. – respondi olhando para o chão e colocando uma mexa do meu cabelo atrás da orelha. Não conseguia encará-lo mais.

- Eu vou junto.

- EDWARD! Eu preciso ficar sozinha.

- Tudo bem... estarei aqui quando você voltar. – seus olhos estavam quase da cor da noite.

Sem mais nenhuma palavra, abri a porta e fui em direção à minha picape. Encostei minha cabeça na direção por alguns segundos e respirei profundamente. Resignada levantei a cabeça e dei partida na picape.

Dirigi até uma campina que eu e Jacob havíamos "descoberto". Não era tão linda quanto a que Edward me levara, mas tinha lá sua beleza.

Desci da picape e andei durante uns quinze minutos até chegar ao nosso antigo local. Jacob e eu costumávamos vir aqui para fugir dos problemas e quando estava ao seu lado, ainda que com o coração partido, conseguia sentir uma certa calma.

Largando a bolsa no chão, sentei em uma pequena rocha e fechei os olhos. Eu menti para Edward quando disse que precisava ficar sozinha. A verdade é que fiquei só por tanto tempo depois que ele me deixou que acabei me acostumando. Mas o que eu realmente estava precisando era dele ao meu lado. Me machucava e muito ver o olhar de tristeza, tão bem escondido, em seus olhos toda vez que eu agia com indiferença ou até mesmo com grosseria.

Tenho que admitir: eu estava com medo e envergonhada. Medo por achar que talvez ele se decepcionaria comigo, medo do ser que me tornei. A vergonha tomava conta de mim ao pensar nas circunstâncias em que ele me encontrou: Isabella o amor da vida de Edward, drogada e prostituta.

Fato: eu ainda o amava, e muito. Contudo, não sabia se poderia corresponder seus sentimentos à mesma altura, afinal, como entregar seu coração a alguém se você não o tem mais?!

E foi com esses pensamentos na cabeça e com as mãos tremendo, que alcancei a bolsa e de lá tirei dois papelotes. O último fornecedor não tinha um produto tão bom quanto aos que normalmente conseguia, logo, dois papelotes não fariam nem cócegas.

Arrumei as carreiras, dessa vez mais grossas, em cima do pequeno espelho que sempre carregava na bolsa e enrolei uma nota de papel para que pudesse aspirar o pó. Dei uma última olhada no céu, que hoje estava incrivelmente limpo e quando fui cheirar, de repente o espelho não mais estavam no meu colo.

- O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO ISABELLA? – Edward me encarava furioso.

- EDWARD!!! – estava ficando sem forças para ficar gritando com ele, - Edward... eu preciso... – olhei-o suplicando.

- Não! Você não precisa disso Bella... não mais. – e em menos de um segundo ele estava me abraçando. Acredito que se pudesse chorar, ele estaria.

Sentir seu abraço novamente, apesar de frio, esquentou meu corpo. A sensação era tão boa que eu poderia ficar ali o dia inteiro. Por mais que eu quisesse ser dele novamente, sabia que era impossível. Primeiro por que, vamos aceitar os fatos, eu sou uma drogada e não tenho certeza se ainda consigo parar. O segundo motivo é pelo fato de que se ele realmente ainda me ama, iria sofrer pelo fato d'eu estar me drogando e nada me machucaria ainda mais do que vê-lo triste.

- Ed-Edward me solta por favor! – as lágrimas ameaçavam a escorrer pelo meu rosto.

- Não Bella, não te soltarei nunca mais. Já fiquei longe de você por tempo demais! – me abraçou ainda mais apertado.

- Edward eu não sirvo pra você... não mais. Eu – virou-me de frente a ele e olhou nos meus olhos.

- Bella, eu amo você. Cada pedaço seu, cada imperfeição e estou aqui para cuidar de você.

As lágrimas que antes ameaçavam a cair, começaram a escorrer pelo meu rosto. Ainda olhando nos meus olhos, ele sorriu e delicadamente enxugou minhas lágrimas. Eu não conseguia encará-lo, sentia vergonha demais da minha pessoa. Ele colocou sua mão embaixo do meu queixo e ergueu meu rosto para que o olhasse.

Ficamos nos olhando por o que pareceram horas e gradualmente a calma foi se estabelecendo no meu corpo. Ele aproximou seu rosto do meu e, delicadamente, encostou seus lábios nos meus. Não era exatamente um beijo, mas algo mais parecido com o roçar dos lábios. Ainda assim, aquela tão conhecia sensação de frio na barriga tomou conta de mim e fiquei tonta.

- Bella, me perdoe. – disse após o beijo e com um olhar de tristeza.

- Edward, esqueça isso. Você está aqui agora.

- A culpa é toda minha. Se eu soubesse que te machucaria tanto o fato de eu ir embora, nunca o teria feito. – seus olhos expressavam amargura e uma pontada de ódio. – Sinto muito por não ter estado ao seu lado quando você mais precisou. Nunca me perdoarei por isso, mas posso tentar compensar.

- Edward, não quero falar sobre isso agora. Isso é passado! – encostei meus lábios nos seus.

Uma coisa que pude perceber nele, é que agora ele parecia não precisar fazer tanto esforço ao ficar perto de mim, ao me tocar e ao me beijar.

- Vamos para casa, Love? – perguntou com um sorriso no rosto. Fiz que sim com a cabeça e me pegando no colo, fomos embora.