CAPÍTULO VIII
Bella ia responder, mas nesse exato momento um camareiro chegou, trazendo o jantar para os noivos.
Peras no champanhe, salada de espinafre, camarões, carneiro e torta de morango com creme. Como crianças felizes, comeram em meio à bagunça de presentes, laços de fitas e papéis amassados, enquanto continuavam abrindo pacotes. Bella gostaria que isso nunca terminasse.
Edward acabou de beber o champanhe de sua taça, e recostou-se no sofá.
— Vou dizer ao André, o cozinheiro, que se superou.
— Quero agradecê-lo pessoalmente pelo jantar maravilhoso. Aliás, desejo conhecer todas as pessoas que trabalham neste navio. Espero um dia saber o nome de cada uma.
— É um projeto ambicioso, mesmo para alguém como você.
— Mas não impossível.
— Duvido que já tenha usado essa palavra antes. Bella sorriu.
— Digo o mesmo a seu respeito, do contrário não haveria uma cidade flutuante chamada Espírito de Atlantis, e não estaria casada com seu criador. Certa vez uma cigana leu minha sorte e revelou que haveria um homem alto e moreno na minha vida, que me levaria para todos os lugares do mundo. — Soltou uma risada divertida. — Mais tarde soube que disse o mesmo para todas as minhas amigas. Entretanto, no meu caso foi verdade.
Edward riu também.
— É uma pena que não tenha seu endereço, porque lhe enviaria um cartão-postal, dizendo que sua previsão estava certa. E claro que não mencionaria o fato de ter conhecido primeiro uma múmia que depois se transformou no moreno alto.
— Assustei-a quando me viu pela primeira vez?
— Não. Só fiquei com muita pena. Sente-se bem agora? Quero dizer, do ponto de vista emocional? Se algo parecido me acontecesse, iria precisar de terapia.
— Também precisei.
— O hospital forneceu ajuda psiquiátrica?
— Não. Foi você. Bella enrubesceu.
— Fico feliz por ter podido ajudar.
— Tudo que disse e fez me trouxe de volta à vida. Foi por isso que não a deixei partir.
Para disfarçar a emoção que a possuiu, Bella fez uma brincadeira, erguendo um objeto nas mãos.
— E aqui está um presente de Emmett. Um peso de papel com a forma de bola de presidiário com corrente.
Edward soltou uma gargalhada.
— Essa foi boa!
— Seu irmão quis lhe dizer que nem você escapou do casamento, certo?
— Mais ou menos isso.
Bella levantou-e e foi buscar um grande saco plástico de lixo para arrumar a bagunça. Edward voltou à pergunta inicial:
— A tal Rosário pediu dinheiro a Jasper?
— Não. Ele deu porque quis.
— Então irei reembolsá-lo.
— Tive uma ideia.
— O quê?
— Bem... A fotografia que Jasper nos deu me fez pensar em iniciar uma coleção de fotos da família para pregar em uma parede, porém podemos falar sobre isso mais tarde.
Edward ergueu-se do sofá, e se aproximou da esposa.
— Até hoje aqui era apenas o lugar onde comia e dormia. Agora que tenho uma esposa, desejo um lar de verdade. Estou ansioso para que seus pertences pessoais cheguem de Lead. Nesse meio tempo, faça o que desejar com a decoração.
Bella sentiu uma onda de calor e felicidade.
— Assim vai me estragar de mimos, Edward.
— Mas como não é nada interesseira, desejo fazer todas as suas vontades. Agora me responda sobre Jasper.
— Seu irmão ficará magoado se tentar reembolsá-lo pelo que deu a Emily. Tenho a impressão de que você e Emmett sempre o protegeram muito. Por exemplo, não quis contar que Lauren o assediava para não entristecê-lo. Creio que Jasper se sente orgulhoso por ter sido um benfeitor para aquela pobre moça, portanto não estrague isso.
Podia sentir os olhos de Edward pousados em seu rosto, e tratou de juntar todos os presentes e empilhá-los na sala de jantar. No dia seguinte mandaria cartões de agradecimento a todos. Quando voltou à sala de estar, viu que o marido a aguardava.
— Além de seus atributos físicos, Deus lhe deu uma profunda percepção da natureza humana. Deixarei Jasper em paz.
Bella agradeceu em pensamento, e mudou de assunto:
— Como vamos zarpar em breve, o que posso fazer para ser útil?
— Tenho consulta com o Dr. Dominguez logo cedo, depois preciso ir ao escritório no centro. Quer me acompanhar?
— Adoraria. A equipe do hospital tomou conta de você muito bem, e desejo agradecer.
— Já voou de helicóptero?
— Sim. Sobrevoei o monte Rushmore.
— E gostou da experiência?
— Sim, depois que meu coração voltou ao lugar e consegui respirar.
— Fico feliz em ouvir isso — provocou Edward. — Se voarmos pouparemos tempo. Este lugar vai ser uma verdadeira confusão em breve, com todas as pessoas embarcando.
— Deve estar tão entusiasmado, Edward! Não sei como vai conseguir dormir.
Ele deslizou um olhar de admiração pelo corpo de Bella.
— Também não sei. Que tal um jogo de cartas na cama? Ela sentiu o coração acelerado, ao perceber que o marido não queria encerrar a noite ainda.
— De que tipo? Black Jack, Sete e Meio? Não há muito o que fazer em Dakota do Sul quando neva à noite, portanto jogo bem.
— Creio que tenho um baralho na cômoda do quarto. Vamos até lá.
A recepcionista fitou Bella com expressão ansiosa.
— Posso lhe oferecer algo enquanto espera por seu marido, Sra. Cullen?
Edward acabara de entrar em sua sala nos escritórios do centro da cidade, e avisara que demoraria, no máximo meia hora.
— Não, obrigada, mas posso usar o telefone?
A jovem relanceou os olhos para uma mesa vazia no canto.
— Maria não veio trabalhar hoje. Use o dela, por favor.
— E há uma lista telefônica?
— Na gaveta de baixo.
— Obrigada.
Bella correu para a escrivaninha e procurou o endereço do edifício de Mike. Emily não tinha telefone, mas por certo haveria um na portaria. Quando um homem atendeu, perguntou:
— Fala inglês?
— Um pouco.
— Gostaria de falar com Emily Rosário no apartamento que pertencia a Mike Cullen.
— Ah! O americano. Ele está... muerto.
— Sim, sei disso. Sou a señora Cullen. Emily ainda mora aí, senhor?
— Até amanhã. Depois precisará deixar o apartamento.
— Pode pedir para vir falar comigo ao telefone?
— Não tenho tempo.
— Compreendo. Obrigada pela ajuda, señor.
Desligou, esperando que o homem tivesse entendido a resposta irônica. Sem esmorecer, procurou na bolsa o telefone do capitão Black e, por milagre, ele respondeu.
— Capitão? Disse a Emily que entrasse em contato comigo por seu intermédio caso precisasse de mais ajuda. Tentei falar com ela, mas não consegui. Poderia me fazer um grande favor e interceder por mim com o zelador? Sabendo que o senhor é da polícia, não irá se recusar.
— Sem problemas, mas devo alertá-la que Emily poderá tentar extorquir mais dinheiro da senhora.
Bella começava a se irritar com aquela perseguição à pobre moça.
— E se ela fosse sua filha, capitão? Sozinha no mundo com uma criança para criar? E muito jovem e precisa de ajuda. Estou pensando em lhe oferecer um emprego.
Fez-se um breve silêncio, e depois Black replicou:
— A senhora não desiste, certo? Dê-me o número do telefone do zelador.
— Obrigada, capitão. Se Emily vier ao telefone, diga-lhe para me chamar no celular.
Deu o número, e Black prometeu:
— Farei o possível.
— O senhor é um bom homem.
— Não. A senhora é que é excelente. Invejo seu marido. Ao desligar, viu que Edward saíra da sala. Quando tinham ido ao hospital, o médico removera as últimas bandagens, e ninguém diria que sofrera um acidente tão feio, dias atrás. Cicatrizes quase imperceptíveis continuavam no queixo e na fronte, mas isso tornava seu rosto ainda mais atraente.
Edward se aproximou da escrivaninha sorrindo, e deu-lhe um beijo nos lábios, na frente da recepcionista.
— Ao contrário da maioria das esposas que aproveitariam essa pausa para fazer compras, a minha está ao telefone.
— Estava tomando conta de um certo assunto.
Sem mais delongas, Edward despediu-se da funcionária e surpreendeu Bella empurrando-a para o heliporto.
No voo de volta ao Atlantis, Edward deu uma série de telefonemas pelo celular. Bella não compreendia como conseguia ficar tão calmo quando, após tantos anos de trabalho duro, seu grande sonho estava para se tornar realidade.
Qualquer outro estaria com os nervos em frangalhos, mas não Edward Cullen. Nascera para grandes realizações, adorava os desafios, e ela o amava com todas as forças de seu coração.
Desde que o conhecera cada dia era mais excitante que o outro. Tocou os lábios, ainda sentindo a pressão do beijo.
Entretanto lembrou que todos na empresa sabiam do casamento, e era importante que ele personificasse o marido apaixonado em lua de mel, pelo menos por mais algum tempo, refletiu. Era bom para os negócios.
Ninguém acreditaria que na noite de núpcias tinham jogado cartas até altas horas, e que depois ela se recolhera sozinha para o quarto de hóspedes, enquanto o marido adormecia por causa dos potentes analgésicos.
Fora ótimo não construir castelos no ar sobre a noite anterior, mas isso não impedia que sentisse um grande vazio.
Seus pensamentos foram interrompidos ante a visão do Atlantis visto do céu. A grandiosidade a fez perder o fôlego. Voltando a ler sua mente, Edward murmurou:
— Nunca me canso dessa vista.
Podia-se ver toda a costa, o estaleiro, o oceano de um azul brilhante, e o píer vibrante. Bella voltou-se para o marido.
— É tudo tão incrível que mal acredito em meus olhos. E pensar que você idealizou isso! Casei-me com um gênio.
— Nada disso.
Mas mesmo com modéstia, a expressão de Edward era de pura satisfação e alegria.
Minutos depois desembarcaram no navio, e seguiram para o condomínio particular.
— Bella?
A simples palavra a fez perceber o que ele desejava lhe dizer.
— Já sei. Tem que trabalhar. Não se preocupe, tenho minha própria agenda do dia.
Telefone se precisar, e irei correndo.
— Vou lembrar disso.
Ela sentiu que o marido hesitava antes de voltar ao elevador, e prendeu a respiração, até a porta se fechar, separando-a do homem que idolatrava. Se ele tivesse ficado mais um segundo, revelaria seus sentimentos.
Por sorte havia muito a fazer, portanto Bella não pôde se atirar na cama e chorar como desejava. Então correu para a mesa mais próxima e enviou cartões de agradecimento pelos presentes recebidos. Havia tantos!
Não agradeceu apenas os familiares e amigos, mas o capitão do navio, o organista, o chef André, a tripulação que trabalhara na festa, o fotógrafo, a orquestra... enfim, todos que haviam tornado seu casamento inesquecível.
Não fora fácil planejar uma cerimônia suntuosa em tão curto espaço de tempo, e o empenho de todos os funcionários de Edward a fez perceber o quanto apreciavam o patrão.
Depois de duas horas, terminou de redigir e envelopar os cartões. Separou-os em pilhas diferentes para ser enviados pelo correio ou distribuídos ao pessoal de bordo. Foi para a cozinha e fez um sanduíche de manteiga de amendoim e geleia, pegou o mapa do Atlantis, e rumou para o correio, vestindo jeans e tênis.
A fim de poder estar à disposição para ajudar no que fosse preciso no dia seguinte, decidiu conhecer o navio em detalhes. Assim poderia orientar os recém-chegados que por acaso se perdessem. Uma das vantagens de se morar em uma cidade flutuante, refletiu, era que se podia comer à vontade e depois perder as calorias extras caminhando o dia todo.
O escritório particular de Edward, assim como dos demais membros da diretoria, localizava-se no vigésimo terceiro deque, junto à sala de conferências. Depois de deixar o correio, Bella começou o passeio do primeiro ao último convés, ansiosa por se familiarizar com o empreendimento do marido.
Logo percebeu que era preciso mais plantas e quadros, mas quem sabe a empresa de decoração contratada ainda não terminara seu trabalho.
Do décimo ao vigésimo segundo convés localizavam-se as residências, divididas em condomínios. Do primeiro ao nono, situavam-se as lojas, restaurantes e escritórios.
Quantos detalhes deviam ter sido observados na elaboração da planta, pensou, maravilhada. Calculando pelo número de salva-vidas e sacos de provisões disponíveis em caso de emergência, haveria muita gente vivendo ali. Um dia, pensou Bella, gostaria de apertar a mão do arquiteto que tornara realidade o sonho de Edward.
Grande parte do Atlantis era destinada à tripulação e tudo o que importava para manter ativo o navio. Edward lhe dissera que ainda havia espaço para montar o Departamento de Turismo no deque A, e foi para lá que Bella se dirigiu.
Descobriu um cômodo vazio de tamanho médio, mas pronto para ser ocupado. Era perfeito! Seus pertences chegariam antes que zarpassem no dia seguinte. Poderia recriar o escritório que tinha no apartamento em Lead, e isso a faria sentir-se em casa. Muito satisfeita, continuou seu passeio turístico pelo navio, até encontrar o escritório do Departamento de Pessoal, onde viu um homem sentado a uma escrivaninha na entrada. Em uma placa lia-se: Sam Uley, Gerente.
— Sr. Uley?
Ele ergueu o rosto do computador, e depois de lançar um olhar de admiração para Bella, levantou-se.
— Pois não?
— Sou Bella Cullen.
A revelação pareceu deixá-lo muito surpreso.
— Como está, Sra. Cullen? Parabéns pelo casamento. O Sr. Edward é um homem de sorte.
— Sou eu a sortuda, obrigada. Uley sorriu.
— Está perdida?
— Não, mas o dia ainda não terminou. Vim conversar com o senhor.
— Claro! Por favor, sente-se.
Bella ocupou uma das cadeiras, e foi direto ao assunto:
— Sou a assessora do Departamento de Turismo do navio, algumas portas adiante.
— Está brincando! Nem sabia que tínhamos um aqui.
— Foi resolvido há pouco. Mas vou explicar o motivo de minha visita. Pode ser que uma jovem grávida venha ao Atlantis. Ela está passando por dificuldades e precisa de um emprego. Não sei se fala um pouco de inglês, e também desconheço se está qualificada para alguma função específica. — Sorriu para Uley, e continuou: — Terá o bebê em breve, e só poderá trabalhar quando sair do resguardo. Já conheço a regra sobre crianças pequenas no Atlantis, mas isso será modificado a seu tempo.
Ante o olhar estupefato do gerente, prosseguiu:
— Queria saber se existe um quarto vago para essa moça.
— De solteiro?
— Sim. Por favor, não concorde comigo só porque sou a esposa do Sr. Cullen. Caso haja algum impedimento pode me dizer.
— Se precisarmos do espaço avisarei, mas se o Sr. Cullen concorda com isso...
— Obrigada, Sr. Uley.
— Pode me chamar de Sam.
— Certo. Na verdade pode ser que a moça não venha, mas achei que seria conveniente falar com você antes.
— Sem problema.
— Maravilha! E poderia me fazer mais um favor? Preciso que escreva em espanhol o que irei dizer à moça, caso ela chegue. Não se importa?
— Fique à vontade.
Em pouco tempo Bella ditara o que desejava, e despediu-se de Uley, correndo para o supermercado no primeiro deque. . Desejava preparar um jantar caseiro para Edward quando voltasse. Bolo de carne, batatas assadas, ervilhas e salada de frutas.
Uma hora mais tarde estava de volta ao apartamento, e arrumou a mesa na copa.
— Bella?
Ao ouvir a voz familiar, seu coração disparou.
— Estou na cozinha! — gritou, tirando a comida do forno. Passos soaram, e logo Edward surgiu.
— Que cheiro gostoso! Não esperava por isso.
— Espero que tenha tempo para comer, antes de voltar a trabalhar.
Ele a fitou longamente.
— Darei um jeito. Estou faminto!
— Sente-se que irei servi-lo.
Edward atirou-se sobre a comida como um lobo. Bella cozinhara o suficiente para duas refeições, mas tudo terminou em questão de minutos.
Por fim ele ergueu o rosto do prato com olhar humilde.
— Estava com mais fome do que imaginava. Ela não pôde deixar de sorrir.
— O que significa que teve um dia muito ocupado. Sempre que voltar para casa, terei um vídeo para fazê-lo dormir.
— E qual é o de hoje?
— O Ataque dos Tomates Assassinos. Edward soltou uma gargalhada.
— Acho que nunca ouvi falar.
— É o favorito de todos em Dakota do Sul.
O marido tomou-lhe a mão por cima da mesa.
— Mal posso esperar. E o jantar foi fabuloso.
— Obrigada.
— O que vai fazer agora?
— Algumas pequenas coisas.
— Então vou me apressar, e voltarei cedo.
Quando Edward voltou a sair do apartamento, Bella tirou os pratos da mesa e lavou a louça, consciente da própria felicidade. Enquanto sorria consigo mesma, o celular tocou. Seria Emily?
— Sra. Cullen? Aqui é o capitão Black.
— Sim, capitão.
— Estou com Emily Rosário. Bella piscou diversas vezes.
— Onde?
— No carro da polícia, no píer, perto do navio. Depois que conversamos pela última vez, liguei para o zelador do prédio, e soube que ela teria que pagar os aluguéis atrasados ou deixar o apartamento. Emily pagou tudo, e mais algum dinheiro adiantado, porém mesmo assim o administrador do edifício a mandou embora. Não tem para onde ir, mas jura que a enganaram, e acredito. Mandei que alguns policiais levassem o homem para a delegacia e o questionassem. Como a senhora deseja ajudá-la...
— Acha que está na hora do bebê nascer?
— Não sei.
— Obrigada por ter me atendido, capitão. Pensarei em um modo de agradecê-lo. Agora vou pedir a uma equipe do hospital para buscar Emily no píer, e estarei esperando por ela na enfermaria.
Na meia hora seguinte andou às voltas com Emily, que foi trazida a bordo. Como a moça não era residente do navio, Bella responsabilizou-se por todas as despesas. O importante era deixar mãe e filho saudáveis, pensou.
Às dez horas da noite, Edward deixou Marcos cuidando de alguns detalhes finais, e rumou para o condomínio. Só pensava em se reencontrar com Bella, e assim que o elevador particular abriu a porta, gritou seu nome.
Não houve resposta, mas ela poderia estar em qualquer canto. Primeiro dirigiu-se à cozinha, onde tudo estava arrumado. Bella também retirara todos os presentes da mesa da sala de jantar. Talvez tivesse ido dormir, pensou.
Dirigiu-se ao quarto de hóspedes e, com o coração batendo forte, foi em seguida ao próprio quarto, na esperança de encontrá-la adormecida diante do aparelho de televisão.
Quando não a encontrou em parte alguma do apartamento, sentiu—-e muito frustrado. Percebeu então o quanto Bella era importante em sua vida. Até o acidente, sempre se sentira muito bem sozinho, em seu mundo de solteiro.
Durante anos entrara e saíra de seu apartamento em Guayaquil e depois do condomínio no Atlantis sem pensar que aquelas paredes eram seu lar. Sempre que ficava com uma mulher era porque a conhecera em uma festa nos Estados Unidos ou na Europa, quando ia lá a negócios, e eram relacionamentos breves e superficiais.
Então, quando estava agonizando no leito do hospital, um rosto angelical o fitara, e um par de olhos azuis havia mudado sua vida.
Onde estaria ela?
Edward pegou o celular e discou o número de Bella. Quando ela atendeu, precisou se esforçar para conter a irritação. Afinal, a esposa tinha todo o direito de ir e vir conforme lhe agradasse, e ele não devia interferir só porque desejava alguém de avental a esperá-lo em casa, sempre que voltasse. Lembrou-se de que Bella já tivera essa experiência com o ex-marido e talvez não estivesse disposta a se tornar muito dependente.
— Olá! Onde está?
Ela não respondeu, e Edward sentiu que algo estava errado.
— Já chegou em casa, Edward? Não pensei que voltaria tão cedo.
Cedo? Eram dez e meia da noite! Ele engoliu em seco.
— Quanto tempo vai demorar onde está?
— Não sei.
Ela estava sendo tão evasiva que ele franziu a testa.
— Quer que vá encontrá-la?
— Não! Quero dizer... creio que deve ir dormir. Voltarei quando puder.
— Qual o problema, Bella?
— Explicarei depois.
— Onde está?
Ela fechou os olhos com força. Alarmara o marido, e isso era a última coisa que desejava fazer. Edward tinha grandes responsabilidades, e não precisava de mais preocupações.
— Estou... no hospital.
— Meu Deus!
— Tudo bem. Não houve nada comigo.
Ouviu um estalido seco, e soube que Edward logo chegaria ali. Sentiu remorsos por não ter dito logo que prometera ajudar Emily caso necessitasse.
Em breve ele chegou com expressão preocupada e ansiosa. Sem que nenhum dos dois previsse, um segundo depois caíram nos braços um do outro.
— Graças a Deus está bem — sussurrou ele ao ouvido da esposa. — O que aconteceu?
— É uma longa história, e prefiro contar quando voltarmos para casa.
— Quem se feriu?
Bella molhou os lábios com a ponta da língua.
— Trata-se de Emily Rosário. O olhar de Edward tornou-se severo.
— O que ela faz no Atlantis?
— Uma cesariana.
Ele piscou, espantado, e Bella continuou:
— O obstetra me disse que havia risco com o parto normal, então decidiu operar. Estou esperando notícias.
— Jasper cometeu um grande engano ao dar-lhe dinheiro. Essa moça agora pensa que a Cullen Corporation vai tomar conta de tudo.
— Não!
— Sra. Cullen? — chamou uma enfermeira. — O Dr. Caius quer lhe falar, mas está tudo bem. Ela teve uma menina saudável.
Edward enlaçou a cintura de Bella, apertando com força.
— Sim — murmurou. — É um grande acontecimento.
