Capítulo 8

Aquilo que Chamam Amor (parte II)

My song is love (Minha canção é amor)
Love to the loveless shown (Amor para o sem-amor)
And it goes up (E isso sobe)
You don´t have to be alone (Você não tem que ficar sozinho)
Your heavy heart (Seu coração pesado)
Is made of stone (É feito de pedra)
And it´s so hard to see clearly ( E é tão difícil ver claramente)
You don´t have to be on your own (Você não tem que ficar sozinho)

A Message- Coldplay

Roma

Eles andavam maravilhados pelos corredores do castelo de Santo Angelo. Todo o lugar era pintado e ornamentado, haviam esculturas por toda parte, e até armaduras. O castelo era muito antigo, começara a ser construído em 139, e já servira como fortaleza para Papas, uma prisão e para abrigar a tumba de Adrino, no centro do lugar.

-Eu me lembro bem desse dia.- Draco cochichou para Gina. - Eu não sabia o que fazer para te avisar que estavam indo. Ainda bem que aquele maldito elfo-doméstico apareceu a tempo.

-Maldito? Pobre Dobby.- Gina sorriu tristemente. - Ele me salvou, lembra?

-Também lembro que você disse, naquele dia, que não podia me mudar totalmente. Mas, bem que você tentou mais tarde.

-Erros passados.- ela abanou a mão impaciente. E ele riu.

Abril de 1996, Castelo de Hogwarts

-Draco, você não pode entrar para esse grupo da Umbridge!- Gina insistiu.

-Eu não tenho escolha, Gina! O que você quer que eu faça? Vire para o meu pai e diga que não vou seguir as ordens idiotas dele, e que não vou me juntar a Umbridge nenhuma? Ou ele me mata, ou ri da minha cara.

-Mas, você não quer isso! Ou quer?

-É claro que não! Ela é uma completa imbecil. Acha que nada está acontecendo no mundo mágico, que tudo é tão cor-de-rosa como aquele casaco dela. Mas, Gina... Que escolha eu tenho?

Os olhos dela endureceram, brilhando de fúria, de uma maneira que ele nunca vira antes.

-Você pode ir até lá e dizer: não! Você é diferente deles! Você tem coração, é uma das melhores pessoas que já conheci. E eu não vou deixar nenhum bando de malucos sangüinários muda-lo. Você é bom, Draco. - ela falou, e os olhos dela se suavisaram.- Você pode se juntar a nós, a A.D. Pode ajudar Dumbledore!

Ele se aproximou dela, e pôs as mãos em seu rosto. Ela fechou os olhos ao sentir o toque dele, o amava tanto!

-Gina, eu não nasci e não fui criado para isso.

-Você também não foi criado para namorar uma Weasley! - ela voltou a ficar furiosa, era sempre assim quando o assunto era ele. Sempre perdia o controle.- E o que isso adiantou?

-Você não entende! Você é um erro. Um erro maravilhoso, pelo qual sou imensamente grato, mas ainda assim um erro. Não, Gina. Por mais que eu não queira ir, por mais que eu ache essa coisa de ser um ajudante da Umbrigde ridícula, eu tenho que ser. É a coisa certa para mim. Por favor, não insista, eu não quero discutir com você.- ele a abraçou, e ela começou a chorar.- Decidimos ser apenas nós mesmos, quando estivermos juntos, mas pelo resto do tempo temos que viver um pouco, voltar para a realidade.

-Isso é tão injusto. - ela chorou.

Ele a abraçou com mais força pensando, tristemente, que ela tinha toda a razão."

Roma, atualmente

Eles haviam chegado a beirada da escadaria, que levava ao centro do castelo, ao túmulo de Adriano, um dos Imperadores de Roma. Era uma gigantesca escada, Gina sentiu tonturas apenas de olhar para baixo.

-Parece um labirinto.- Draco comentou, Gina notou que ele não estava nem um pouco animado.

-Pense que só dá para ir para baixo.- ela tentou anima-lo, mas isso só a fez se sentir pior.

-Muito para baixo.- ele completou.

-Ora, Draco. Nós temos mais coragem que isso!- ela exclamou indignada, enquanto pessoas empurravam para passar.

-O problema não é faltar coragem, é ficar com tonturas. Você viu o tamanho? Temos que descer tudo isso, depois subir tudo isso, só para ver o túmulo de um tal de Adriano!

-Quer ir embora?- ela perguntou.

-A melhor sugestão do dia.- ele sorriu, puxando-a para longe.

-Bem, que a gente podia se dar bem assim o tempo todo.- ela suspirou.

-Mas, nós nos damos bem!

-Agora. Lembra como era antes?

Abril de 1996, Castelo de Hogwarts

-Oi, Draco.- Gina sussurou no ouvindo dele, estendendo um ovo de páscoa embrulhado- Eu mesma fiz! Bem, pelo menos tentei, aqueles elfos-domésticos da cozinha são prestativos demais, se é que me entende.

Ele não respondeu, encarando o chão.

-Draco.- ela chamou preocupada.- Você está bem?

-Eu te vi com o Potter hoje, na biblioteca.

-Ah, eu estava apenas entregando um ovo para ele, que minha mãe mandou. Não foi nada demais.

-É, sua mãe manda ovos de páscoa para ele. - Draco riu, mas era um risada fria, sem alegria.- E ele passa as férias na sua casa, não é? Você me contou.

-Ele é o melhor amigo do meu irmão, e tem tios horríveis! É claro que ele passa as férias na minha casa.

-E você fica feliz com isso, não fica?- Draco a acusou.

-Ele é meu amigo, Draco.- Gina respondeu friamente.

-Mas, você queria que ele fosse mais, não é? Você gosta dele, sua família o adora, seu irmão é até o escudeiro dele! E tudo ficou mais perfeito ainda, agora que ele terminou o namoro com a Chang!

-Você esta sendo ridículo e infantil, Draco.- ela falou, com as mãos nos quadris. Mal sinal.

-Pois o ridículo e infantil vai dizer apenas uma coisa: tchau!- e forçou um ovo de páscoa enorme na mão dela, sumindo no corredor.

Gina olhou para o ovo de chocolate que ganhara, furiosa e magoada. E virando de costas saiu para o outro lado. Se quisesse falar com ela de novo, ele que pedisse desculpas. Passou o dia desconcentrada, errando feitiços nas aulas, e não ouvindo o que as pessoas diziam a sua volta. E quando anoiteceu, tudo o que queria era ficar sozinha. Por isso, foi até a árvore na beira do lado, onde ela e Draco costumavam se encontrar, longe da vista de todos.

Estava ali fazia algum tempo, comendo o chocolate que Draco lhe dera, e que era uma delícia, quando ele apareceu.

-Achei que você estivesse por aqui.- ele falou.

-É por isso que vim. - ela murmurou triste.- Sabia que você iria me encontrar.

Ele sentou ao lado dela, sem encara-la.

-Gina, eu...

-Você me magoou muito. Não precisávamos ter brigado, foi uma coisa tão estúpida!

-Me desculpe, eu... eu sou um idiota, essa é a verdade. Eu sou um idiota que nunca se sentiu assim antes, e que está confuso e com medo. Tenho medo de ficar mais fraco, por causa do que sinto, tenho medo que descubram sobre nós, e ao mesmo tempo, tenho medo que algo aconteça com você, que se machuque por minha causa, medo de que não possamos mais ficar juntos! Isso é tudo muito contraditório, e confuso. Por que, afinal, as garotas gostam de se sentir assim? Não que seja ruim, mas é muito estranho, sabe?

Gina sorriu, mesmo que ele não falasse exatamente, ela sabia que ele queria dizer que a amava, e por isso brigava com ela.

-Nós gostamos, porque assim ouvimos declarações como essa. E ganhamos muitos beijos, também.

E ela o beijou.

Roma, atualmente

-Tudo acabou bem, a gente se entendeu.- Draco falou, enquanto saíam no sol de Roma, que já estava abaixando.

-É, mas nós brigamos primeiro.- ela sorriu.

-Erros passados.- ele fez uma imitação dela.

-Essa era para ser eu?- ela perguntou escandalisada.- Eu não falo assim.

-Pobrezinha.- Draco sorriu, passando o braço pelos ombros dela.

-Eu não falo!- ela insistiu, então pareceu em dúvida.- Ou falo?

-Digamos que não na maior parte do tempo. Agora, você reparou como a gente se beijava com mais freqüencia, naquela época?

-Tinhamos 14 e 15 anos, é claro que beijavamos mais! Namoro era o que havia de mais importante. Todo mundo só pensava nisso!- ela riu marota

Maio de 1996, Castelo de Hogwarts

-Miguel terminou comigo.- Draco ouviu Gina cochichar em seu ouvido, ela tinha mania de fazer isso.

-O quê?

-Ele é um péssimo perdedor, acredita que ele brigou comigo só porque eu ganhei a Taça de Quadribol para a Grifinória? O que ele esperava que eu fizesse? Roubasse discretamente para a Corvinal, na frente do estádio inteiro, só porque ele me beija de vez em quando?

-É, eu assisti ao jogo, sabia?- Draco falou sério.

-Oh, não. Você não vai brigar comigo também, vai? É só uma Taça idiota, Draco!

-Eu te disse que era perigoso! Mas, você insistiu em jogar! O que foi sorte.- ele sorriu.- Apesar de ter quase me matado do coração umas vinte vezes, você estava brilhante.

Ela sorriu também, o abraçando com força. Ali estava alguém que realmente se importava com ela, e não com um jogo estúpido ou com uma Taça. Ele correspondeu ao abraço, feliz. Apesar de toda a preocupação, apesar de ter que fingir vaiar, quando o que ele mais queria era torcer por ela, valera a pena. Ela estava tão feliz porque ganhara a Taça, que quadribol não parecia ter a menor importância. Ele perderia a Taça quantas vezes fosse preciso só para vê-la sorrir assim.

-Só que agora temos um problema, Draco.- ela o soltou.

-Qual?

-Precisamos encontrar outro idiota, para fingir que estou namorando.

Roma, atualmente

-Para onde vamos agora?- ela perguntou.

-Para o hotel tomar um banho, porque ainda falta a segunda parte da minha surpresa.

-A que você preparou de manhã?- ela perguntou animada.

-Te fiz pensar nisso o dia inteiro, hein? Sardenta curiosa.- ele riu, e apertou carinhosamente a bochecha dela.

XXX

Eles chegaram ao hotel, as flores no quarto continuavam iguais, como se não sofressem nada com o calor. Draco foi o primeiro a entrar no banho, e não respondeu a nenhuma outra pergunta de Gina, embora ela o tivesse interrogado o caminho inteiro. Era o melhor aniversário que ela já tivera. Ela logo entrou no banho, cantando em plenos pulmões, enquanto lavava a cabeça. Draco devia mesmo estar preocupado em ser gentil, pois não fora reclamar nenhuma vez.

-Como você não foi reclamar?- ela perguntou, entrando no quarto e enxugando os cabelos. Mas, ficou muda no instante seguinte. Em cima da cama, estava o vestido mais bonito que ela já vira.- O quê?

-Eu tomei a liberdade de checar suas roupas,- Draco respondeu.- já que já tomei outras liberdades também. E vi que você não tinha nenhum vestido de gala. Na verdade, não havia vestido nenhum no armário.

-Eu vim pra cá, para te caçar, não para ir em festas.

-Bem, como você pareceu mudar de planos, precisava de um vestido novo. E sapatos, e umas jóias também.

-O quê, jóias?

-Nada demais, apenas brincos. Está tudo na caixa na mesa de cabeceira.

-Mas ... você... não devia ter feito isso.

-Eu sei que não.- ele a beijou na testa. - Mas, já estava feito desde de manhã. Além do mais, vai precisar de tudo isso para irmos aonde quero te levar, como presente de aniversário.

-E onde é isso?

-Você vai ver.- ele sorriu, mais misterioso, e foi só então que ela viu que ele estava vestindo um smoking trouxa. Ele devia realmente ter grandes planos.

Gina ergueu a barra do vestido dourado de seda, que ganhara de Draco. Ele era longo, um pouco rodado, de um ombro só, onde um grande e elegante broche de pequenas esmeradas, combinando com seu brinco. Na cintura, havia um pedaço de pano preto, que dava duas voltas e amarrava atrás.

-Como você acertou exatamente o vestido e o meu tamanho?- ela cochicou, enquanto entravam no Teatro de Ópera em Roma.

-Eu pedi ajuda a vendedora.- ele explicou simples.

Gina prendia a respiração, Draco havia se superado. O teatro era maravilhoso, um prédio gigante, todo iluminado. Pessoas nas roupas mais caras e elegantes que ela já havia visto, passavam a sua volta, usando colares com pedras tão grandes, que comprariam sua casa e a de todas as pessoas de sua família. Ela olhou Draco, mas ele parecia alheio a tudo aquilo, olhando com indiferença, parecendo mais rico e mais importante do que todas aqueles pessoas. Foi quando ela se lembrou que ele propavelmente era, mais rico e mais importante que muita gente ali. Pelo menos mais que ela, tinha certeza. Aquele lugar que tanto a deslumbrava, era o mundo no qual ele nascera.

-O que foi, não gostou daqui?- ele perguntou preocupado, enquanto se sentavam em um balção, ao lado do palco. Ele era todo dourado, com cadeiras estofadas de veludo vermelho, um lugar lindo. As paredes esculpidas e pintadas, o teto todo trabalhadom como os grandes castelos e museus que ela havia visitado.

-Não é nada... é só que... - ela mordeu o lábio, não queria ficar mais humilhada do que já se sentia.

-Não se preocupe. - ele sorriu.- Eu também me sinto pouco à vontade perto desses pavões.- ele respondeu, apontando com a cabeça as pessoas a sua volta.- Apenas faça cara de nojo, bem arrogante, que eles irão considera-la do clube.

Ela riu mais feliz e tranqüila. Só ele para faze-la se sentir assim, ela tinha muita sorte por tê-lo ali.

-O que vamos assitir hoje, querido?- ela brincou, bancando a madame.

-Não é para exagerar, Gina. Me deu até arrepios. Tome, peguei o papel do espetáculo para você.- e ele lhe estendeu um pequeno caderno, com capa de veludo e com uma fita de cetim para servir de marcador.

Ela o recebeu e começou a ler. Ele a havia convidado para assistir ao Lago dos Cisnes! Ela já ouvira falar tanto naquele balé! E assisti-lo, especialmente em Roma, em um teatro como aquele, ao lado de Draco! Ela não podia desejar mais nada. De repente, começou a dar risadinhas, que tentava esconder inutilmente.

-O que foi?- ele perguntou, ergundo os olhos do próprio folheto.

-Eu tinha me esquecido que você fazia isso.- ela disse risonha.

-Isso o que?

-Barulhinhos, quando lê algo, muito concentrado. É como se cantarolasse.

-Eu não faço barulinhos!- ele gritou, indignado.

-Faz sim, não adianta negar. E é adorável, além de engraçado!

-Você deve estar confusa, por que eu não sou engraçado, e muito menos adorável!- ele repondeu de mau-humor.- Eu só fiz barulho dessa vez.

-Tudo bem, Draco. Pode falar para mim, afinal, eu canto no chuvero.

-Sabe, talvez eu tenha reparado nisso. - ele disse com ironia- Quando mesmo? Ah, sim! Hoje de tarde, enquanto você assassinava a música.

-Draco, você não tem jeito.- ela riu, segurando na mão dele e lembrando-se de algo. Mas não comentou nada, ela já havia pego no pé dele o suficiente.

Junho de 1996, Jardins de Hogwarts

Gina tentava se concentrar nos estudos para as provas, mas estudar ao lado de Draco não era nada fácil. Eles estavam sentados havia meia- hora, embaixo da árvore, e atrás de uns arburtos, e ela não havia passado da primeira página. Ela queria estudar, mas nunca ficara tão consciente da presença dele ali, e de como ele era charmoso, e tinha uma boca tão... ah, ela não podia pensar nisso! Tinha que estudar, e ele precisava se concentrar para fazer N.O.M.´s o suficiente. De repente, começou a ouvir alguém cantar uma canção bem baixinho, e para sua surpresa viu que era Draco. Ela sorriu, ele cantarolava enquanto estudava.

-Que foi?- ele perguntou, erguendo os olhos do livro, e a encarando.

-Ah!- Gina engasgou, não queria dizer a ele que notara aquilo. Manias nunca são boas de serem comentadas.- Você pode me ajudar aqui, em Poções? Não consigo me lembrar da fórmula para a poção do morto vivo.

-Essa é fácil. - ele sorriu, pegando o livro das mãos dela, se aproximando. Seus joelhos se encostaram e Gina corou, como sempre fazia quando ele a tocava. Mas, ele mal parecia notar seu joelho contra o dela.

Roma, atualmente

Draco percebeu que estava mesmo cantarolando, enquanto estava lendo. Odiava aquela mania! Tentou se controlar, pensando quando Gina havia notado aquilo pela primeira vez. Não podia ter sido em Roma, senão ela não teria se esquecido do fato. Tinha que ter sido no seu quarto ou quinto ano. No quinto provavelmente, quando eles passaram mais tempo juntos. E com isso, uma lembrança veio mais forte e clara que qualquer outra.

Junho de 1996, Jardins de Hogwarts

-Ah!- Gina falou.- Você pode me ajudar aqui, em Poções? Não consigo me lembrar da fórmula para a poção do morto-vivo.

-Essa é fácil. - ele sorriu feliz por ela ter pedido ajuda em uma poção que ele sabia de cor. Quando ele sentou-se mais perto dela, para explicar, seus joelhos se encostaram, e ele sentiu seu estômago gelar. Por que estava nervoso afinal? Eles sempre se tocavam! Não precisava ficar nervoso toda vez que aquilo acontecia. Mas, ele ficava, seu coração sempre disparado. Ele tentou controlar a voz.- Aqui, Gina. Tudo o que você tem que fazer é se lembrar da Grifinória.

-Da Grifinória? - ela ergueu as sobrancelhas, de uma forma muito charmosa. Ele engoliu em seco.

-É! - praticamente gritou, desviando a atenção do rosto dela para o livro, não queria que ela notasse o que estava sentindo. Já que provavelmente não sentia o mesmo, parecia tão indiferente, corada de sol.- Olhe. Junte cérebro de sapo, com quatro braços de rato, suco de lesma e dois dentes de cobra. E no fim, deixe ferver por dez minutos, dando uma volta no sentido anti-horário, a cada cinco no sentido horário. E pronto!

-E a Grifinória nisso tudo?

-Não é óbvio? O cérebro de sapo é o Longbotton, os quatro braços de rato são as pernas e os braços do seu irmão, o suco de lesma é o Potter, e os dois dentes de cobra a Granger.

-Dá para me ensinar poções sem ofender a minha família e amigos?- ela perguntou, mas ao contrário do que ele esperava, ela não estava brava. Na realidade, parecia até tentar segurar a risada.

-Funcionou para mim.- ele respondeu, devolvendo o livro para ela. Tentando prestar atenção no seu livro, afinal, já estavam ali à meia hora e tudo o que prestara atenção fora nela, exceto nos últimos cinco minutos, quando finalmente se concentrara, antes de ser interrompido.

Roma, atualmente

A cortina vermelha começou a se abrir, e Gina sorriu ao sentir Draco segurar sua mão. Se ele soubesse como a tinha ajudado naquele dia. Na sua prova de poções havia caído a poção do sono, e ela acertara, pensando na Grifinória. Aquele negócio realmente funcionava. Os bailarinos entraram e uma música linda começou a tocar, sua atenção toda se voltou para o palco.

Por isso ela não viu Draco bocejar. Ele detestava balé, mas a havia levado porque achara que ela gostaria. "E pelo jeito gosta." ele sorriu, vendo-a concentrada. Bem, era aniversário dela, e ele teria que agüntar até o fim. Ela lhe dera um aniversário maravilhoso, uma vez, e agora era a vez dele.

Junho de 1996, Sala Precisa

-Por que me trouxe aqui? - ele perguntou.

-Feliz aniversário!- ela gritou, tirando a venda dos olhos dele. Ele olhou em volta e mal pode acreditar. Havia uma festa de aniversário inteira ali, com comida, música e até balões com o nome dele, e desejando Parabéns e Felicidades.

Ela sorriu alegre, o abraçando com força. Ele recebeu o abraço, olhando em volta feliz, mesmo que não gostasse de festas. Ele não estava acostumado com tanta demonstração de carinho, e vindo dela, era sempre melhor.

-Não achei que fosse se lembrar.- ele confessou.

-Como assim?- ela pareceu indignada.- Estou planejando isso à semanas!

E ela tirou de dentro da mochila um muffin enorme, e pôs uma vela em cima, acendendo-a com a varinha. E com isso, começou a cantar 'parabéns a você', numa voz desafinada, mas nem por isso menos adorável. Ele sorriu, corando ao ver a animação dela. Ela parecia mais feliz com o aniversário dele, do que ele mesmo.

-Faça um pedido!- ela disse feliz, lhe estendendo o muffin gigante.

Ele soprou a vela, mas não pediu nada. Tudo o que poderia desejar já estava ali.

-Hora do presente!- ela sorriu ainda mais, lhe entregando um embrulho.- Espero que goste!

Ele desfez o papel e abriu uma caixa. Seu coração acelerou.

-Uau, Gina! - ele disse feliz. Eram luvas de apanhador! Ele estava doido por luvas novas, e tudo o que ganhara aquele ano fora relógios de ouro e coisas caras, do gênero. Gina fora a única que parecia se importar mais com o gosto dele, do que com o valor do presente.

-Gostou?- ela perguntou, com medo.- Eu sei que não é muito, e eu tentei comprar algo que você não tivesse, mas você parece ter tudo!

-Não luvas de quadribol. Pelo menos não até agora. Você tem que entender, Gina, que eles não ligam muito para o que eu gosto. Dão presentes caros em quantidade, para compensar o trabalho de procurar algo que eu gosto.

-Pobre garoto rico.- ela rolou os olhos, sorrindo.

-Você é a melhor, Gina. - ele sorriu beijando-a.- Esse foi o melhor aniversário da minha vida.

E ele viu imediatamente os olhos dela se encherem de lágrimas, antes que ela o abraçasse novamente.

Roma, atualmente

-Draco.- Gina cochichou.- Já estamos no intervalo.

-Hum?- ele murmurou, abrindo os olhos.

-Você estava dormindo? -ela perguntou indignada. Como ele podia dormir durante uma coisa tão maravilhosa?!

-Claro que não.- ele disfarçou, abrindo bem os olhos.

-Bem, - ela continuou, ainda desconfiada.- eu não estou entendo bem a história, eles apenas fala em italiano!

-Essa é a idéia, já que estamos na Itália.

-Me ajuda com a tradução?

-Está bem.- ele suspirou, agradecendo que conhecesse a história. Sua mãe o levara para assistir esse espetáculo, quando tinha 10 anos. Naquela época, as pernas das bailarinas ainda eram um grande mistério para ele, por isso se mativera bem acordado. -Ela conta a história de um príncipe que precisava encontrar uma noiva. Um dia, enquanto caçava cisnes ele viu um deles se transformar em uma linda moça. Ele então descobriu que ela era uma princesa, que fora enfeitiçada, e que seria eternamente um cisne, todas as noite, até que um jovem virgem jurasse eterna fidelidade a ela, e casasse com ela. Pobre criatura, eu ficaria sem esperanças se fosse ela.

-E aí, o que aconteceu?- Gina perguntou impaciente.

-Só que se o cara a traísse, ela permaneceria um cisne para sempre. Então o feiticeiro aparece, o príncipe quer mata-lo, mas não pode, senão a princesa morre também. Aqueles rolos inúteis de histórias de amor. O feiticeiro some, o sol nasce e a princesa vira cisne, e o príncipe, apaixonado, vai embora desesperado. Foi onde parou, não é?

-Me diga você, não estava mesmo dormindo?- ela sorriu.

-Talvez eu tenha fechado meus olhos por dois segundos, mas isso não é um crime, ou agora é?

-Acalme-se, nervosinho.- ela sorriu, dando palmadinhas no braço dele. Ele era sempre mal-humorado quando acabava de acordar.- Vamos beber alguma coisa.

Eles foram até um dos bares do Teatro. O lugar era maravilhoso, os olhos de Gina não sabiam o que olhar primeiro, Draco a seu lado, de braços dados com ela, foi direto para o bar. Lá ele pediu duas bebidas, e olhou para ela. Gina estava exatamente do jeito que ele queria, deslumbrada e feliz.

-O que você pediu, Draco?- ela perguntou curiosa.

-Água.- ele deu de ombros, quando o barman os serviu.- Sou muito fraco para bebidas.

-Está gostando do espetáculo? - ela o provocou.

-Não é de todo ruim.

-É maravilhoso.

-Que bom, já que é seu presente de aniversário.

-Um deles.- ela comentou.- Você me deu muita coisa, Draco. Não devia.

-O dinheiro é meu, e eu faço o que quiser com ele. Não se preocupe.

-Eu me sinto uma interesseira.- ela reclamou.

-Como você não me pediu nada, não pode se considerar uma.

-É claro que não pedi! Você faz todas as minhas vontades antes mesmo que eu peça.- ela brincou.

Ele sorriu, encarando o copo de água, e brincando com o gelo.

-O que foi?- ela perguntou.- Eu estava só brincando.

-Sei disso, é que me lembrei de uma coisa. Uma coisa que aconteceu a muito tempo. Sobre eu fazer o que você quer, sem que você precise pedir. É quase como se eu pudesse saber o que você está pensando.

Junho de 1996, Sala da Diretora Umbridge

Draco ouviu os passos de Umbridge, Potter e Granger se afastando, e desaparecerem ao longe. Ele olhou para Gina, presa por uma sonserina, mas apenas por um segundo. Precisava ajuda-la! Ela seria expulsa, sua varinha quebrada e jamais se tornaria uma bruxa. Lembrou dos esforços da ruiva nos deveres, e em como ela precisava da varinha agora que o Lord das Trevas estava de volta. Irresistivelmente olhou-a uma segunda vez, mas dessa vez seus olhos se encontraram. Ela não parecia assustada, embora continuasse a tentar chutar a sonserina que a segurava. Os olhos dela desceram até o bolso da sonserina, perto de onde sua mão estava.

Draco viu a varinha dela ali, precionada contra o corpo da sonserina e o braço da ruiva. Com um choque percebeu o que estava prestes a fazer. Era uma tremenda estupidez! Virou, porém, para a janela e fazendo cara de espanto gritou, aplicando o truque mais velho que existia:

-Oh, merda! - ele apontou para fora da janela, para os jardins.

Os sonserinos se viraram imediatamente para ele, assustados. Era a deixa que Gina esperava. Com um impulso pegou sua varinha a apontou-a para a sonserina que a segurava.

-Estupefaça!- gritou.

A menina caiu no chão, e os outros sonserinos, confusos, afrouxaram seus apertos, e Rony, Neville e Luna foram capazes de se soltar e pegar suas varinhas. Nos segundos seguintes, eles duelaram e enfeitiçaram seus seqüestradores. Gina se virou para Draco, que estava mais afastado da luta. Ela parou sem saber o que fazer, a varinha em posição.

-Faça alguma coisa!- ele disse para ela, apenas mexendo os lábios. Se eles não se atacassem pareceria suspeito, e apesar disso, ele jamais poderia ataca-la. De qualquer forma, teria que perder a luta, se quisesse que Gina se salvasse.

Sacudindo a cabeça, Gina, nervosa, lançou o primeiro feitiço que lhe ocorreu. Draco sentiu algo crescer em seu rosto, como várias asinhas de morcego, e viu o olhar assustado da menina.

-O que foi isso?- ele perguntou indignado, era para ela tê-lo estuporado de uma vez, e não o azarado.

-Desculpe.- Gina disse, mexendo os lábios, e erguendo a varinha novamente.

Mas, ela não precisou usa-la. Nesse momento Rony se virou e antes que Gina pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, o ruivo o fez por ela. Draco viu tudo ficar escuro, quando o ruivo o estuporou. A última coisa que viu foi Gina, olhando-o com tristeza e preocupação.

Roma, atualmente

-Tem ainda uma coisa que não entendo.- Gina comentou, quando voltaram a seus lugares no balcão.

-O quê?

-Nesse dia, quando você me ajudou a escapar da Umbridge, antes dela sair, eles mencionaram uma arma que o Prof. Dumbledore supostamente estava fazendo, com nossa ajuda. Nessa hora, seus olhos brilharam. Por quê?

-Ah, isso.- ele sacudiu a cabeça.- É que eu de repente 'descubro' que Dumbledore e vocês estavam desenvolvendo uma arma capaz de derrotar o Ministério, e se isso acontecesse, o governo bruxo seria controlado por pessoas poderosas, que saberiam o que acontecia de verdade, o que daria uma melhor chance à população bruxa, e aumentava as chances de derrota do Lord das Trevas.

-E o que tem tudo isso?

-E o que tem é que se o Lord das Trevas fosse mesmo derrotado, você estaria em segurança, eu não precisaria me tornar um Comensal da Morte, um fantoche que apenas obedece ordens, e haveria a mínima chance de nós podermos ficar juntos, no futuro. É claro que meus olhos brilharam, eu tinha esperanças que tudo isso acontecesse no final.

-Você estava pensando em mim? Em nós?

-Achou que eu estava pensando em quê? Controlar o Ministério da Magia?

-É, algo assim. - ela respondeu baixinho, envergonhada por ter pensado isso dele.

-Não, dá muito trabalho cuidar de toda a população bruxa inglesa. Prefiro fazer outra coisa e ter mais tempo livre. - ele respodeu.

-Mas, se você queria ficar com a suposta 'arma' do Dumbledore, por que pediu a Umbridge que levasse alguns sonserinos com ela?

-Não é óbvio?- ele perguntou, e ela sacudiu a cabeça confusa, ele sorriu.- A minha prioridade era te tirar de lá, inteira de preferência. Quanto menos sonserinos, mais seguro seria.

Ela o olhou atentamente um momento, então sorriu abaixando e sacudindo a cabeça:

-Obrigada.- ela murmurou.

-Pelo quê?- ele perguntou confuso.

-Por ter me ajudado.

-O que você esperava que eu fizesse, te largasse lá?- ele perguntou indignado.- Que tipo de namorado eu seria se fizesse isso?

E eles não puderem conversar mais nada, o balé havia recomeçado, a orquestra tocando maravilhosamente, e as bailarianas entrando no palco. Gina foi para frente tentando ver melhor, Draco se recostou na cadeira, cruzando os braços, tentando tirar um cochilo.

O resto do balé era fácil de entender. O príncipe dá uma festa no Castelo, recusando todas as moças, apenas pensando em sua amada Odette. Mas, por causa da semelhança entre sua amada e uma convidada, ele cai na besteira de jurar seu amor e sua fidelidade por outra, que não Odette. No fim era apenas um plano malvado do feiticeiro, que enfeitiçara Odette, para separar os dois apaixonados. O Príncipe sai da festa, atrás de sua amada. Ele encontra Odette e implora seu perdão. O feiticeiro aparece e ela diz ao príncipe que irá se matar, pois não quer permanecer um cisne para sempre. E o príncipe decide morrer junto com ela, acabando com o poder do feiticeiro. E os apaixonados se jogam no lago.

Gina tinha os olhos fixos no balé, deles escorriam lágrimas sobre a pele delicada e sardenta, enquanto via o cisne e o príncipe, morrerem lentamente. Draco abriu os olhos, como se pudesse sentir a trsitesa dela. Ela sempre se fazia de forte e decidida, e ele quase sempre se sentia um inútil. Mas, ali, naquele momento, apenas queria portege-la de tudo. 'Mas, eu não posso.' ele pensou tristemente 'Temos apenas mais dois dias juntos, e ela vai voltar para perto do Potter, onde estará mais segura. Queria tanto que não fosse assim' ele suspirou.

Gina sentiu braços a envolverem carinhosamente, pelas costas, era tudo o que ela precisava! Ela sorriu, conhecia-o bem demais, para saber que aquela era a maneira dele dizer que a amava.

-O que foi? - ele perguntou ao ver as lágrimas dela.

-Eles tiveram que morrer para ficarem juntos.- ela respondeu, rouca, apertando o braço dele, como se fossem tira-lo dela, a qualquer instante.

-Não precisa chorar por causa disso. É só um balé estúpido.

-Não é por isso. - ela respondeu se virando, e olhando nos olhos dele.- É que eu tenho medo que seja assim para nós também.

Ele não respondeu, seu estômago gelando. E a abraçou com força, acariciando seus cabelos, enquanto ela continuava a chorar baixinho.

XXX

Eles voltaram para o hotel logo depois, cada um pensando em uma coisa. Não haviam falado muito desde o término do espetáculo, apenas seguravam a mão um do outro, o tempo todo. Gina já estava deitada na cama, quando Draco falou pela primeira vez, logo após sair do banho.

-Desculpe, deveria ter escolhido um balé melhor.

-Mas, eu adorei aquele!Foi lindo! É só que ando meio emotiva. - ela falou, sem acrescentar que era por causa dele que estava daquele jeito, ele sempre mexera muito com os sentimentos dela.

-Eu sempre acabo te fazendo chorar, de uma maneira ou outra.- ele lamentou.- Talvez seja certo não ficarmos juntos.

A luz do abajur se acendeu de repente, quase o cegando.

-Nunca!- ela exclamou furiosa, ajoelhando na cama e apontando um dedo para ele.- Nunca fale isso de novo, Draco!

-Mas, eu sempre acabo te magoando, mesmo quando não quero! - ela exclamou, se sentando na cama também- Não se lembra, aquela vez, no fim do meu quinto ano?

-Draco, nós não precisamos falar nisso.- ela disse, o assunto que ela evitara pensar desde que o reencontrara, vindo à tona.

-Mas, é verdade, você sabe que é.- ele insistiu.

E mesmo não querendo, mesmo se esforçando para deixar aquele assunto no canto mais escuro da memória, eles se lembraram. Se lembraram de sua pior memória juntos, como se houvesse acontecido naquela mesma tarde.

Junho de 1996, Sala Precisa

Ela entrou na sala, ele esperava por ela em frente a uma janela, as mãos nos bolsos. Ela ia correr para ele e abraça-lo, como sempre fazia. Especialmente agora, depois de ter passado por tudo aquilo no Ministério, precisava dele, chorar no seu ombro, ouvindo-o dizer que tudo ficaria bem. Mas, algo a impediu. Algo estava errado.

-Draco.- ela chamou.

Ele se virou lentamente e a olhou, sem sorrir, as mãos ainda nos bolsos. Ela ficou parada sem entender. Ele parecia bravo com ela.

-O que aconteceu?- ela perguntou.

-Você sabe muito bem o que aconteceu!- ele explodiu, furioso.- Você traiu minha confiança, me traiu!

-Do que você está falando? - ela perguntou surpresa.

-Ontem à noite, no Ministério da Magia. Por acaso você sabe quem ajudou a mandar para Azkaban? Para os dementadores?

-Os Comensais da Morte.- ela respondeu assustada pela reaçõa furiosa e violenta dele, ainda sem entender.

-O meu pai! O meu nome! Agora toda a minha família está nos jornais, como seguidora de Você-Sabe-Quem! Ninguém mais vai querer fazer negócio conosco, estamos acabados, desonrados, provavelmente vamos falir também! E por sua culpa! - ele parou para respirar, satisfeito de ver lágrimas nos olhos dela, queria que ela sofresse o mesmo que ele. - Você no seu pequeno mundinho de bondade e honra, pensou no que fez para mim? Ao ajudar a prender meu pai? No que aconteceria comigo? Provavelmente não, e se pensou, então é pior. Por que não fez nada para impedir!

-Draco, eu estava desacordada no chão...- ela encontrou voz, tamanha a injustiça do que ele dizia. Se ela pensara nele? Todo o tempo, no quanto queria salva-lo, tira-lo daquela vida de Comensal da Morte.

-Mas, você ajudou o Potter, não? Foi com ele até Londres!

-Eu fiz o que achei que era certo.- ela falou séria, parando de chorar.

-Certo para quem? Para você? Para o perfeito Potter? Para o mundo? E para mim?

-Eu não tinha como saber que o seu pai estava lá. Eu só fui ajudar a salvar o Sirius.

-E por que não foi embora, depois que descobriu que ele não estava lá?

-Eu tentei! Mas, nos ameaçaram. Me ameaçaram! O seu querido papai junto com sua adorável tia Belatrix, queriam me torturar. Eles nos seguiram, me machucaram, machuram meu irmão, Hermione, o Neville, a Tonks, e até mataram o Sirius!- ela parou, os soluços a impedindo de continuar. Ela escondeu o rosto nas mãos, esperando. Mas, ele não veio abraça-la, apenas a olhava com raiva.

-Mesmo assim você não fez nada para evitar a prisão do meu pai. Você só fez o que achou que era certo para você! Tão agoísta. Não pensou em mim...

-Eu pensei!- ela gritou, o interrompendo- Pensei o tempo todo!

-Se tivesse pensado teria feito alguma coisa! Eu que te ajudei várias vezes, esse ano, mesmo que fosse contra meus princípios, meus interesses. Você tem noção do quanto me arrisquei por você? Eu podia ter sido descoberto te ajudando ontem. Eu nunca pedi para você me ajudar de volta, nunca! Mas, você podia ter ajudado a não prender meu pai!

-O seu pai é tão importante para você? O seu nome e sua honra são tão importantes assim? O seu Lorde é tão importante?! - ela levantou os olhos, o encarando.

-O que você acha?- ele respondeu friamente.

E aquilo foi o que a assustou mais. Ele nunca fora assim. Ela nunca pensou que ele podia ser assim para ela, tão assustador. Ela nunca achou que poderia sentir medo dele, como estava sentindo naquele momento.

-Então, você não é quem eu pensei que você fosse.- ela gritou, vermelha de raiva, lágrimas rolando de seus olhos, sem parar.- Como eu fui estúpida! Mais um Weasley, imbecil! Eu achei que você ainda tinha esperanças, Malfoy. Estou vendo que me enganei.- e ela saiu correndo, tentando enxugar o rosto.

Draco ficou paralisado. Embora ainda estivesse furioso com ela, a última coisa que ela falara doera, e doera muito.

Gina correu para o banheiro feminino mais próximo, chorando conpulsivamente. Escondeu o rosto nas mãos, tentando abafar o choro. Mas, não conseguia. Doía muito! Ela nunca sentira tanta dor na vida, e o pior era que doía por dentro, uma dor que chegava a ser físca. Não era como qualquer outra briga, em que eles ficavam bravos e diziam o que queriam e o que não queriam. Era o fim. Não havia mais o choro de raiva pelas diferenças, ou a tristesa pelo que poderia ter sido. Nada poderia ter sido, tudo nos últimos meses fora uma mentira. Apenas isso, uma mentira. Eles nunca iriam ser, porque nunca foram. O amor que ela achou que ele sentia por ela, ia até onde o pai dele chegava. O pai dele, o nome Malfoy, e toda a maldade envolvida, foram maiores que o esforço dela de mostrar a ele um outro lado, o caminho do certo.

Mentira, tudo fora mentira. E ela fora a mais idiota, porque o amara de verdade, do jeito em que contara, mais do que tudo, mais do que ela mesma e aquela guerra. Ela o amara de verdade, enquanto para ele fora apenas um jogo. E isso fazia doer mais, fazendo-a chorar muito, muito mais.

Roma, atualmente

-Quando você brigou comigo, daquela maneira,- ele disse- eu fiquei assustado. Não imaginei que falaríamos tudo aquilo, ou que terminaríamos para sempre. Eu estava bravo, furioso na verdade, e com muito ciúmes, mas isso não significava que eu quisesse acabar com tudo.

-Você estava com ciúmes? - ela perguntou surpresa- De quem?

-Potter. Você deixou tudo para trás, foi com ele pra Londres, sem nem me avisar. Fiquei morrendo de preocupação, então soube que meu pai fora preso em Azkaban, acusado de ser um Comensal da Morte, e que você e o Potter estavam envolvidos.

-Você achou que eu me importava mais com o Harry, do que com você? Foi por isso que brigou comigo?

-Você foi atrás dele, todas as vezes que ele precisou.

-Porque ele era meu amigo, e o melhor amigo do meu irmão!

-Mas, você gostava dele. Como eu ia saber que era só isso? Achava que você talvez gostasse de mim, mas que se tivesse que escolher, deixaria tudo, por ele.

-É claro que não, Draco. Eu dizia, não se lembra, toda vez que tínhamos que nos separar, que eu ia, mas sempre voltava para você.

-Então, você disse aquilo que mais doeu. Você disse 'Eu achei que você ainda tinha esperanças, Malfoy. Estou vendo que me enganei'. Você era a única pessoa em quem eu confiava, para quem contava tudo, a única que realmente me conhecia. Então, depois de todos os meus esforços, a única pessoa que me apoiava e me aceitava como eu era, disse que havia se enganado. E eu voltei ao que era, o que foi péssimo. Por isso me tornei um Comensal da Morte no ano seguinte, porque era tudo o que eu podia me tornar. Se eu só podia ser ruim, seria ruim de verdade. E isso, teoricamente, me ajudaria a te esquecer.

-Eu te procurei, esperando encontrar alguém em quem pudesse me apoiar, alguém para me abraçar e dizer que tudo ficaria bem. Então, você começou a gritar comigo. E eu fiquei perdida.

-Mas, eu gritei porque estava com medo, porque tudo iria mudar.

-Eu também estava com medo. Então, te perguntei quem era mais importante e você não respondeu.

-Eu não respondi, porque estava bravo com você, e não queria admitir que você era o que realmente importava. Meu orgulho não deixava. Achei que depois de tudo o que fiz por você, de todas as vezes que tentei provar o que sentia, você já saberia disso.

-Mas, eu não sabia. Achei que outro lado era mais importante para você, e que você não respondera por dó de mim, ou coisa assim. A única explicação que eu tinha, para aquela briga, foi a que eu tinha atrapalhado os Comensais da Morte, era o único motivo que consegui pensar. Como eu ia saber que era medo e principalmente ciúmes do Harry? Não foi fácil para mim, eu também mudei depois daquela noite. Decidi deixar de ser aquela Gina ingênua e boazinha. Comecei a arranjar brigas com todo mundo, principalmente Zacarias Smith, e o meu irmão. Eu desafiava as pessoas, e era até cruel algumas vezes. Tudo por medo de deixa-las se aproximar demais. Pobre Dino, ele sofreu muito com isso. Mas, tudo o que eu queria era deixar para trás aquela menina ridícula, que eu achava que fora enganada, por quem se apaixonara.

-As coisas parecem fazer mais sentido agora.- ele disse tristemente.- Talvez devessemos ter tido essa conversa antes.

-Não lamente o passado, Draco. Ele não pode ser mudado.

-Mas, tem uma coisa que pode.

-O quê?

-Esse assunto. Agora que entendemos o lado um do outro, naquela noite, por que não deixamos tudo para trás? Esquemos de uma vez?

-É uma ótima idéia, Draco.- ela sorriu e o beijou.- Obrigada por estar aqui.

N/A- Desculpem a demora! Eu estou realmentre atrasada, mas é que o vestibular está me deixando louca! Espero que tenham gostado desse capítulo! Ele sempre me deixa confusa. Afinal, quem estava certo o Draco ou a Gina? Estou só esperando passar a Fuvest para me concentrar no sétimo livro. Hum, já tenho algumas idéia para ele e... tcham, tcham, tcham... a continuação. Sim, porque vai ter continuação essa fic. Quem já terminou de ler o sétimo livro até a última página deve imaginar o porquê. Tudo tem um porquê obscuro em Harry Potter, para mim. Espero que me perdoem pelo atraso! Obrigada à todos os comentários! Espero vê-los em breve! Muita pressa! Beijos, Mary Campbol