Oi pessoal!

Vocês devem estar pensando... E OS SÁBADOS HEIN? ELES VÊM ANTES DO DOMINGO, SABE? Mas o FF estava com um probleminha e se recusou a logar ontem à noite... mas hoje deu!

A semana foi MUITO produtiva... escrevi o 07, o 08, comecei o 09, e roteirizei tudo definitivamente... com direito a até número de capítulos.

Aliás, amei o 07! Apesar dele ter amadurecido por três semanas... o 08 levou apenas cinco horas e meia para ser escrito.

Renan: Não são palavras bonitas que nos alegram (elas ajudam sim XP), mas sim a atitude. A reunião me pareceu sinistra mesmo, é o tom que eu queria dar à toda a fic, maaaaas... estou gostando do resultado assim mesmo.

Mel Black Potter: A Tonks aparece mais, mas não nesse cap... o Remo está bastante ocupado. Se o 06 foi misterioso, o 07 me faz lembrar dos capítulos finais de CdS (eu tenho que criar vergonha na cara e atualizar aquela droga): adrenalina. Nhaaa, benditas aulas de literatura! (como faço para criar um poema ao estilo Castro Alves? xD) Continue acompanhando! Chegamos aos pontos decisivos, à verdadeira ação!

Nota: Sim, o Rufus é O Cara. Ele é babaca e covarde; mas ele é muito fera, e vai ser bem importante. Ele é a minha homenagem praquela loba velha que ganha os capítulos antecipadamente no msn. :D

Abraço!

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Um Uivo na Noite

CAPÍTULO SÉTIMO – O resgate – Rosnados na noite

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I noticed tonight – Eu notei essa noite

That the world has been turning – Que o mundo tem se transformado

While I've been stood here dithering around – Enquanto eu tenho estado aqui tremendo

Well I know I said I'd wait around till you need me, - Bem, eu sei que eu disse que eu esperaria aqui até você precisar de mim

But I have to go – Mas eu tenho que ir

I hate to let you down – Eu detesto te deixar pra baixo

But I can't stop now – Mas eu não posso parar agora

I've got troubles on my own – Tenho meus próprios problemas

Because I'm short on time – Estou com pouco tempo

I'm lonely and I'm too tired to talk – Estou sozinho e muito cansado para conversar

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-Desculpem a interrupção – ele arqueou e se apoiou sobre os joelhos, sem fôlego. – Mas a vila de Dumfries, aqui perto... está sendo atacada por tropas de vampiros e lobisomens.

-Então eles já começaram. – falou Tripnato, sombriamente.

Houve uma explosão de comentários agitados, mas Remo e Vicent apenas trocaram um olhar. Era uma notícia terrível. Mas os dois sorriram.

-Quem está disposto a lutar neste momento? – perguntou Logan, levantando-se imediatamente junto com os outros e já indo em direção à porta.

Os lobisomens e vampiros rapidamente organizaram seus grupos, enquanto corriam para a saída da mansão de Vicent, sendo recebidos pela brisa fria da noite. Ao longe era possível escutar gritos e uivos, vindos da vila.

-Volte para o Largo – falou para Harry, enquanto Olho Prateado ia buscar o resto de seu bando.

-De jeito nenhum. – ele falou. – Direi a Rony para trazer um pouco da poção de reversão, e, com Fawkes, poderemos proteger muitas daquelas pessoas. – quando Remo o fitou, contrariado, ele acrescentou: - Cuidaremos das pessoas enquanto vocês afastam as tropas.

-Vai adiantar alguma coisa se eu insistir para você voltar? – perguntou, sabendo a resposta. Odiava aquela teimosia suicida.

-Não, não vai.

-E você, Rufus? – perguntou.

-Se eu puder matar alguns vampiros, vai ser ótimo. – ele falou, enchendo-se de coragem, e preparando um arco que trouxera desmontado sob a capa.

-Mate todos que puder, exceto os que estão do nosso lado.

-Lupin, vamos! Somos do primeiro grupo! – avisou Bruce.

Eles se dividiriam em dois grupos; um atacaria primeiro; o segundo serviria de reforço, caso o primeiro não resolvesse.

-Estou indo. – falou, ao se afastar de Harry e Rufus.

-Estaremos logo atrás de vocês. – avisou o garoto.

Os vampiros abriram suas asas e voaram, enquanto os lobisomens, transformados, galoparam em alta velocidade em direção à vila. Não demoraram cinco minutos para chegarem lá.

Ao saírem da mata se depararam com um verdadeiro inferno: a vila estava iluminada pelas casas em chamas, haviam corpos no chão, pessoas corriam em pânico dos lobos e morcegões que as seguiam, os homens seguravam desde pedaços de pau a até armas de calibre grosso, tentando proteger suas mulheres e filhos. O ar estava repleto de fumaça, gritos de horror, tiros e rosnados. Ao verem um novo mar de feras adentrando à vila, os moradores se deram por perdidos, incorretamente.

Remo não poupou tempo e lançou-se contra o primeiro lobisomem que viu, um animal castanho que perseguia uma menina caída. Enquanto os dois lobos castanhos se engalfinhavam, a garota se levantou e correu para algum lugar fora da vista de Remo. O lobisomem da ordem da fênix não demorou para matar o outro, e, tendo-o derrubado, passou a perseguir um bando de vampiros inimigos que arrastavam uma pobre mulher pelo chão. Rosnou e saltou, e os morcegos largaram a mulher e se lançaram contra ele.

Guerras eram assim. Os lutadores deixavam seus companheiros de luta por si mesmos, confiando em suas habilidades, e buscavam destruir a maior quantidade possível de inimigos, salvando quanto mais inocentes pudessem. Em lutas assim, abandonava-se todo e qualquer sentimento de humildade e piedade; Remo não se importou em deixar seu lado lupino governá-lo.

Matar vampiros era ótimo... e matar lobisomens, derrotá-los, subir ao topo da liderança... isso era melhor ainda.

Depois de um tempo, se viu cercando um grupo de pessoas abrigadas em um barranco, juntamente com Bruce e Lyan, defendendo-as dos lobisomens e vampiros inimigos. Eram aproximadamente vinte pessoas, entre mulheres, crianças e homens, que viam com horror aquelas criaturas brigando à sua frente.

O grupo de atacantes aumentava rapidamente, e ficou difícil para Lyan, Bruce e Remo controlarem-nos. Recuavam, sem condições de afastar todos daquelas pessoas. Ao caminhar para trás, apreensivo, uma fagulha e uma dor aguda atingiram seu quadril, e Remo saltou para frente, assustado. Ao virar-se, deparou-se com um grande escudo de luz amarelado, quase uma espécie de gaiola, em torno das pessoas que defendia. Harry havia chegado, e convocara uma proteção para aquelas pessoas, dentro da qual ele também estava. Vampiros e lobisomens não passariam por ali.

-Tragam as outras pessoas pra cá! – gritou ele, afastando alguns vampiros com feitiços. Não parecera reconhecer Remo, apesar de saber que aqueles três lobisomens lutavam ao seu lado.

Não houveram grandes oportunidades para obedecê-lo, até que o segundo grupo de aliados entrasse em cena. Depois de longos minutos que pareceram horas, os seguidores de Remo e Vicent conseguiram afastar as tropas de Greyback e Lestat. Vários corpos estavam estendidos molemente no chão, sujos de sangue e lama, e Remo torcia para que esses corpos fossem dos inimigos.

Pelo menos havia mais corpos de vampiros e lobisomens do que de pessoas... e Harry tinha uma multidão às suas costas. Sorte que aquela parte da vila era pequena.

E então, quando, ao soar de um uivo, os inimigos começaram a se afastar... a vitória estava declarada. Olhou ao seu redor, e havia poucos inimigos resistindo, e o restante corria em fuga.

Antes que se virasse para ver como seus companheiros estavam, escutou diversos estalos de chicote, à medida que os aurores e funcionários ministeriais de combate aparatavam na cena. Era óbvio que não podiam mais ficar ali.

Uivou alto, e ouviu outros uivos e chiados como resposta, ao mesmo tempo que luzes e faíscas começavam a serem lançadas pelos aurores. Lobos e vampiros dispararam para a floresta. Remo viu Harry correr para os homens, com a intenção de fazê-los parar. Quando se preparava para ir embora, Bruce, ao seu lado, despencou, atingido por um estuporante.

Um lampejo à sua frente, e saltou para o lado, sentindo seus pêlos aquecerem. Tinha que pará-los, ou os líderes acabariam sendo capturados. Avançou.

Vários feitiços voaram em sua direção, mas os poucos que o atingiram não fizeram efeito. Saltou sobre o grupo de bruxos, fechando a boca, para garantir que não iria mordê-los; vários caíram sob seu peso, e, entre esses, reconheceu Dallas e Dawlish, além de Quim, que o olhou, assustado. Lançou-se várias vezes contra as pernas dos que estavam de pé e dos que levantavam, ignorando os baques contra seu corpo. Quando um lampejo maior atingiu suas costas, no entanto, sentiu aquecer-se com sangue, e voltou-se para a floresta, verificando que Bruce e os demais que outrora caíram haviam sido levados pelos companheiros. Já podia ir embora.

Disparou de volta para a floresta, ignorando os corpos de pessoas, lobos e morcegos inimigos, alheios ao que acontecia, e correu de volta à mansão. Esperava que Harry resolvesse a situação com os aurores, sem ser preso ou qualquer coisa do tipo.

Molly o mataria, e, admitia, merecia.

Na mansão, ficou aliviado ao perceber que havia poucos feridos.

-Alguma baixa? – perguntou, massageando as costas, doloridas.

-Um garoto jovem de Falcon, apenas. – respondeu Darkness, que exibia um sorriso ensangüentado e um dente quebrado. – Teríamos perdido mais se você não tivesse avançado nos aurores. Jogada fantástica.

-Eles nos confundiram com as tropas de Greyback e Lestat, e... onde está Bruce?

-Silver o levou, não se preocupe. – Darkness olhou em volta e sorriu, vendo Rufus se aproximar, pálido e sujo, com o arco e a aljava nas mãos. – Nunca vi alguém manejar um arco tão bem!

-Viu, Guaraná, já deixou boa impressão – sorriu também. Rufus se sentou num tronco caído, pendurando a aljava às costas, e esfregou o rosto, parecendo cansado.

-Bendita aljava mágica, as flechas não acabam. Eu não me surpreenderei se me disserem que acertei um de vocês. Atirei muito.

-Agora vai poder ser também um caçador de lobisomens. – sugeriu, observando o enorme bando, vários com ferimentos maiores, embora nada grave.

-Não... somente em combates assim. Vamos fazer isso mais vezes, certo?

Quem diria... Rufus Wolfgang, o cara que mais teme vampiros no mundo, adorando participar de uma matança de lobos e morcegos...

-Faremos... mas você não. Lembra?

Rufus murchou. Darkness olhou astutamente para Remo.

-Plano?

-Sim... quero falar com você, Logan, Bruce, Silver e Vicent.

-Vamos lá então... Vicent está convocando os líderes.

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Vicent era o único ali que parecia nem ter lutado... sua capa continuava tão limpa quanto antes da reunião.

Apenas os líderes principais se reuniram num dos aposentos da mansão, e Remo expôs sua idéia.

É claro, nem todos foram tão receptivos quanto Harry.

-Você pirou. – resmungou Logan, quebrando o silêncio.

-Já me disseram isso. – retorquiu.

-Pra falar a verdade, eu gostei... – Bruce deu um sorriso indecente, fantasiando. – Seria o único jeito de acabar com aquele vampiro nojento do Lestat.

Darkness e Silver não disseram nada, então todos olharam para Vicent.

-Não vou dizer que a idéia é ruim... mas não me agrada. Nunca fui à favor do Conde, e não sou capaz de vencê-lo. Mas você disse que se responsabiliza pela destruição dele?

Remo assentiu, Logan riu:

-Como?

-Tenho o meu pessoal. – deu de ombros, despreocupado.

-Isso, bota o Potter pra lutar contra o Drácula, seria o combate do século. – Logan chiou, irritado.

-Pra falar a verdade, seria bem interessante. – falou Harry, entrando na sala. Ele estava tão ou mais sujo que Rufus, e apresentava alguns hematomas no rosto.

-Você conversou ou duelou com os aurores? – perguntou, perplexo.

Ele franziu a testa, em dúvida.

-Os dois. Não foi fácil convencê-los, mas as pessoas que ainda eram capazes de falar me serviram como álibi.

-O que você acha quanto a despertar o Conde, Potter? – perguntou Vicent. Uma coisa era certa: o vampiro prezava a opinião do garoto.

-Não acho nada, mas vou ajudar a enfrentá-lo se a idéia for posta em ação. Não me parece haver outro jeito de derrubar Lestat, certo?

"Preciso me lembrar de dar algum presente a ele" pensou, satisfeito, quando um novo silêncio se seguiu.

-De qualquer forma, Drácula não era tão malditamente tirano quanto Lestat, não? – argumentou Bruce. – Ele respeitava os humanos, e não empreendia nenhuma caçada em busca da extinção dos lobisomens... apenas matava os que estavam em seu caminho.

-E você não estará exatamente desprotegido. – falou Darkness, olhando para o vampiro.

Vicent ficou quieto por algum tempo. Então sorriu, parecendo tenso, a imponência dando lugar ao respeito pelo Conde.

-Acho que Remo pensa grande.

Remo e Harry sorriram, Rufus gemeu.

-Como faremos isso? – perguntou Bruce, animadamente.

-Essa é a questão. Nosso amiguinho caçador de vampiros vai à Transilvânia descobrir como, e depois nós iremos lá, e atrairemos Lestat. O mais breve possível.

-E ele é capaz de algo assim? – perguntou Logan, mau humorado, analisando Rufus duvidosamente.

-Se entender de vampiros tanto quanto de arcos, com certeza. – murmurou Darkness, no mesmo tom de Bruce.

-Esse "o mais breve possível" é quando? – perguntou Rufus, com uma voz de além-túmulo.

-Agora. – falou Remo, sério. – Você e Harry vão voltar à sede e você vai poder se arrumar e ir pra Romênia.

-O que vocês vão fazer? – perguntou Harry.

-Acha que já podemos atacar a base de Dente-de-Sabre, imediatamente? – Bruce ergueu as sobrancelhas, olhando para Remo.

-Com certeza, os nossos garotos só estão com alguns arranhões. – garantiu Silver.

-Então teremos que atacá-lo antes do nascer-do-sol, para os vampiros poderem ajudar. – falou Vicent, olhando pela janela, onde o céu era iluminado pela lua. – Isso nos dá apenas três horas.

-É o suficiente para fazermos um bom estrago e entrarmos na adorável moradia de Greyback. – concluiu Lyan.

-Então, não há tempo a perder. – Logan se adiantou para a saída. – Vou reunir o pessoal.

-Chame Hudson. – pediu, antes que ele saísse.

Todos saíram da sala. Remo se voltou para Harry e Rufus.

-Voltem agora. Não há mais problemas com os aurores?

-Se houver, eu resolvo. Se precisar de ajuda, estaremos no Largo. – falou Harry.

-Não digam nada a Susan ou aos outros.

-Até meu funeral, então. – lamentou Rufus.

Remo apenas revirou os olhos.

-Boa sorte, Rufus. Não me decepcione.

-Boa sorte pra você também. – os dois responderam.

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Dessa vez, pegaram todo o bando... na mansão de Vicent, ficaram apenas alguns de seus serventes. Com uma chave de portal, transportaram-se para uma base abandonada, próxima do esconderijo de Dente-de-Sabre.

O imenso grupo estava silencioso e tenso. Iriam atacar um bando forte.

-Teddy, Falcon, Silver, Vamac e Lexus, seus bandos serão os de reserva... deverão entrar em cena quinze minutos depois do primeiro grupo ter ido. – falou Vicent, baixo. – Quando vocês chegarem, os lobos do resgate deverão sair.

Os líderes assentiram.

O lugar onde estavam era frio. Era uma floresta fechada e escura, com árvores altas que tampavam o céu. O chão não era plano; as raízes formavam barrancos e buracos, e era perigoso andar por ali sem olhar para baixo. O ar era pesado; isso significava que não teriam muito fôlego.

-Dente-de-Sabre tem um bando muito forte, e seus comparsas mais próximos virão para ajudar. – falou Remo. Era importante esclarecer certas coisas para todos aqueles jovens assustados, muito mais numerosos que os poucos lutadores experientes. Infelizmente a maioria dos bandos lupinos era composta por jovens mordidos por ordens de Greyback, garotos assustados que não deveriam, nem em seus piores pesadelos, viver em ambientes daquele tipo. Naquele momento, no entanto, as vidas deles eram necessárias na guerra. – Ataquem os mais fortes em bando. Enfrentem apenas quem puderem derrotar. É horrível, mas quanto mais vocês matarem, melhor. Não sintam pena; eles não sentirão de vocês. Cuidem com os buracos no chão e entre as árvores; eles tentarão atacar de surpresa. Não abandonem seus colegas; ajudem-se uns aos outros. O mais importante: não se deixem derrubar. Quem cair, e de repente se ver correndo livremente em campos verdejantes, não se perturbe; já terá morrido.

Os garotos riram amarelo, já os líderes riram com gosto.

-Acho que podemos ir. – Logan se aproximou. – Ou os vampiros ficarão fracos.

-Hudson – chamou Remo. O jovem de cabelos vermelhos e olhos amarelos se aproximou. – Fique próximo de mim, Logan, Lyan, Bruce ou Darkness. E mantenha-se vivo.

Ele assentiu. Logan e Bruce deram a partida. Remo os seguiu, e, atrás dele, todos os outros também foram.

Sentia seu estômago gelado. Rezava para esse resgate dar certo.

Os vampiros seguiram os lobisomens saltando de árvore em árvore, alguns voando. Algo interessante nos vampiros bruxos é que eles não gostavam, em sua maioria, de se transformarem em suas formas animalescas. Geralmente só utilizavam suas asas e garras. Nas batalhas, usavam poderes próprios e varinhas. Era uma vantagem com relação aos lobisomens, que, por sua vez, eram muito mais fortes no combate físico.

Foram cinco minutos de corrida. Não fizeram barulho; ouvia-se apenas o farfalhar das folhas no chão sendo remexidas pelas patas, e o som de arranhões quando os lobos pisavam nas pedras, suas garras em atrito com a rocha. Apesar da ausência do luar, devido à proximidade das árvores, a noite ali era clara; a floresta tinha luz própria. Aquele lugar esbanjava magia, um tipo de magia antiga que não se sentia em outras florestas da região.

A base de Dente-de-Sabre era um conjunto de cavernas interligadas, embaixo de um morro, com uma grande entrada principal. Os vampiros que serviam Vicent iriam vigiar as saídas menores das cavernas, para impedir que Dente-de-Sabre saísse por uma delas.

Quando chegaram à orla da floresta encontraram os quatro ou cinco lobisomens que faziam a ronda ao redor da base. Não houve tempo para estes reagirem; foram estraçalhados, e poucos ruídos se ouviram dessa chacina. A marcha do bando não diminuiu ao encontrá-los e matá-los; pelo contrário, quando saíram dentre as árvores e o solo se tornou mais plano, aceleraram, com Remo e os outros líderes à frente.

Havia perto de quinze lobisomens descansando em frente a caverna... e estes se levantaram assustados quando o mar de lobisomens surgiu, correndo em disparada para eles.

O primeiro a atacar um dos lobisomens da base foi Logan, que saltou sem piedade sobre o mais próximo, sem dar à sua vítima a chance de proteger a garganta. Darkness e mais alguns o imitaram; Remo, Lyan e Bruce prosseguiram com o resto do bando para dentro da caverna.

Uma vez dentro daquele lugar iluminado por tochas, o grupo desuniu-se, com seus formadores indo para todos os lados e atacando todo e qualquer lobisomem que aparecia. Remo, Bruce e Lyan avançaram juntos, com mais alguns garotos, para o interior da caverna, procurando pelo líder do lugar. Estava instalado o caos total.

Depois de alguns minutos, no entanto, o choque que envolvera os moradores do lugar se desfez, e o bando de Dente-de-Sabre deu sua resposta. Repentinamente, havia tantos lobisomens inimigos quanto aliados. A vantagem dos aliados, no entanto, era que tinham o apoio dos vampiros.

Estava enfrentando dois jovens corpulentos que impunham certo respeito, quando ouviu um ganido surdo de Hudson. Um grande lobisomem bege o havia derrubado e tentava chegar à sua garganta.

Havia um motivo para Dente-de-Sabre ter aquele nome. A natureza lhe premiara com dentes enormes, muito maiores do que o normal. Seu tamanho e peso também o favoreciam muito nas batalhas. Quanto ao temperamento, ele poderia ser considerado um psicopata homicida.

Ignorando seus dois oponentes, Remo lançou-se sobre o líder da caverna, afastando-o de Hudson. O lobo bege rebateu-lhe com uma mordida e reconheceu-o.

"Você!" ele rosnou, as presas enormes à mostra. "Sempre suspeitei que fosse um vira-casaca!"

"Bem, agora você tem certeza", retorquiu, antes de atacá-lo novamente.

Lyan deu cabo de seus oponentes anteriores, o que permitiu que Remo se dedicasse apenas a Dente-de-Sabre. Era uma luta interessante. Ambos eram grandes, experientes, fortes; ambos tinham ódio um pelo outro. Dente-de-Sabre era mais pesado, porém mais lento; cada vez que suas mandíbulas avançavam, eram surpreendidas pelas de Remo. Em alguns minutos, o lobo bege estava manchado de vermelho, cansado, e quase derrotado.

"Os outros vieram!" grunhiu Bruce, nervoso.

"Os outros" eram, na realidade, o reforço de Dente-de-Sabre, uma tropa de vampiros que invadiu aquela área da caverna, arrancando Remo de cima do lobisomem inimigo, e permitindo que este escapasse, mancando e ferido.

"Não!" grunhiu Remo, zangado. Desviou dos ataques de alguns vampiros e, ignorando os outros, uivou, um lamento que ecoou nas paredes pedregosas e que pretendia alertar os aliados sobre a fuga de Dente-de-Sabre.

"Nosso reforço chegou!" avisou Lyan.

Repentinamente, a parede de vampiros que barrava o corredor foi derrubada, e Logan e Darkness surgiram por ela, agitados.

"Então vamos" murmurou, apressadamente.

Ele, Bruce, Logan, Lyan, Darkness e Hudson se juntaram, desejaram boa sorte aos lobisomens jovens que os havia acompanhado até ali e, tendo Logan voltado à forma humana e pegado o portal em seu bolso, sumiram, teletransportando-se.

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A parte da floresta que guardava a base de Greyback era bem diferente da de Dente-de-Sabre. O céu era visível, mas a mata era escura e cheia de brumas. O solo era tão irregular quanto o das proximidades das cavernas.

Os seis lobisomens correram em silêncio, com Hudson à frente. O sol nascia, o que deixava o céu com tons de cinza na direção do leste.

A base de Greyback era um castelo medieval inacabado e decadente. Sua estrutura subterrânea, no entanto, era admirável. Era nos túneis sob o chão que os planos de Greyback se desenvolviam e suas vítimas eram presas.

"O lugar está vazio" comentou Hudson, guiando-os para dentro da construção. De fato, o castelo estava às moscas.

"O pulguento babaca enviou suas tropas para defender Dente-de-Sabre" rosnou Logan, satisfeito.

Mais uma parte de seus planos dera certo.

Hudson levou-os até as câmaras interiores, e, em um certo momento, cavou em uma pedra em especial no chão. Não foi nenhuma surpresa quando a pedra afundou, revelando uma das inúmeras entradas subterrâneas.

Os seis lobos desceram. O aspecto dos túneis era simples: pedras, terra, e, como nas cavernas de Dente-de-Sabre, havia archotes flamejantes para iluminar.

"Acho melhor irmos como humanos de agora em diante. Posso leva-los até as câmaras secretas, mas não sei em qual delas o garoto está." Falou Hudson. Os outros assentiram.

Em suas formas humanas, os ferimentos e arranhões causados nas batalhas anteriores eram bem mais visíveis. Hudson tinha o pescoço cortado, e faltava um pedaço da orelha de Logan. Os lobisomens correram pelo túnel, seguindo o ruivo de olhos amarelos.

-O lugar está mesmo vazio. – comentou preocupado.

-Greyback é tolo. – falou Bruce, quando dobraram um corredor, descendo um conjunto de escadarias tortas. – Ele não pensou que aquilo poderia ser uma armadilha. Tanto melhor para nós, quanto pior para ele. – Ele sorriu.

Então eles pararam, tensos. Do fundo do lugar aonde iam ouviu-se um grito. Era um lamento de raiva e dor. Era uma voz jovem.

-Vamos! – voltou a correr, os outros o seguiram.

-Sentem isso? – murmurou Darkness. – Lestat está aqui.

-Mais um pouco e chegaríamos tarde. – disse Lyan.

Remo empunhou a varinha. Finalmente iria resgatar Jhonny... apenas suplicava aos deuses para não terem se atrasado demasiadamente.

E a presença de um vampiro poderoso ali era quase palpável.

-Ali – sussurrou Hudson, apontando para um dos inúmeros buracos no fim do túnel.

O jovem lobisomem acertara. Quase no mesmo instante, um homem surgiu pelo buraco apontado. Ele pareceu surpreso ao vê-los correndo, então gritou, furioso:

-Fenrir! É traição! É Lupin...! – Kalimbor não continuou. Um feitiço estuporante o derrubou.

Lyan ficou no túnel para enfrentar o homem caído. Remo e os outros se lançaram pelo buraco da parede adentro.

A cena que Remo viu o assustou.

Era uma câmara fechada. Greyback avançava para eles, furioso; próximo a onde ele estivera estava o velho Belby, magro e pálido, seus olhos desfocados, tirando sangue do braço branco e fino de Lestat, cujos olhos vermelhos fitava os intrusos, brilhantes de ódio.

Lestat era um vampiro baixo e loiro. Tinha um rosto magro e frio, olhos castanho-claro quando estava calmo, lábios rosados, cílios longos; possuía a beleza dos vampiros, mas sua aura era extremamente perturbadora. Naquele momento, então, estava quase diabólica. A um gesto de sua mão, oito vampiros de materializaram ali, e avançaram para os lobisomens.

Ao canto, acorrentado na parede, estava um garoto com os cabelos de Susan, sujo de sangue, bastante ferido. Ele parecia alheio ao que acontecia; olhava para o chão, ofegante, trêmulo. Parecia quase agonizar.

Remo viu isso tudo em um segundo.

No momento seguinte, um vampiro o atacou.

Um sentimento de desespero tomou conta do lobisomem. Belby retirava a agulha do braço de Lestat e se aproximava de Jhonny. Eles iriam completar o hibridismo. E aqueles malditos vampiros o estavam impedindo de salvar o garoto.

-Remo! – gritou Bruce, empurrando os vampiros que o seguravam. – Tire seu garoto de lá!

Remo obedeceu. Ou tentou...

Lestat postou-se a sua frente. Belby puxava a manga do braço direito do garoto, preparando-se para injetar o sangue de Lestat nele. Logan enfrentava Greyback; Lyan lutava com Kalimbor; Bruce, Hudson e Darkness combatiam os oito vampiros.

Lestat sorriu, mostrando as presas, e Remo se viu forçado a conjurar um escudo para se proteger do raio de luz que surgira. Atacou. Lestat desviou. Atacou de novo. Ele desviou novamente. Atacou de novo. E de novo. E outra vez. Lestat desviou todas as vezes. Vampiros eram extremamente famosos por sua agilidade.

No momento seguinte, Remo desabou no chão com o vampiro sobre seu peito, a mão com garras afiadas apertando sua garganta.

A vantagem dos lobisomens era que eles eram muito mais fortes que os vampiros.

A um chute seu, Lestat se afastou, chiando. Ergueu-se em tempo de se defender de outro raio prateado. Atacou. Lestat rebateu seu feitiço. Desviou e atacou novamente.

Do outro lado, ouviu-se gritos novamente, à medida que Damocles Belby injetava o sangue de Lestat no braço do garoto híbrido. A transformação que estava ocorrendo no adolescente parecia provocar-lhe grande sofrimento.

Ah, quem dera tivesse uma mira tão rápida e certeira como Rufus... mas infelizmente, Remo não era um caçador profissional. "Eu devia ter trazido o Guaraná junto..." pensou, quando um peso chocou-se contra sua cabeça, fazendo-o cambalear.

Se feitiços não adiantavam... apelaria para a brutalidade. Sem mirar direito arriscou um feitiço de impacto. Com um estrondo, Lestat foi lançado contra a parede de pedras, fazendo-as soltarem pó. Ao se erguer, Lestat apresentava o rosto deformado pela selvageria vampira.

Seu rosto estava roxo, marcado; pequenas aspas surgiram em sua testa. Seus dentes estavam todos afiados e mais longos. As unhas haviam tornado-se verdadeiros punhais.

Remo aproveitou sua queda para correr até Belby e Jhonny. Empurrou o velho com violência com o ombro, derrubando-o. O tombo fez com o feitiço imperius que o dominava se desfizesse. Belby não levantou mais. Antes que Remo pudesse tentar soltar Jhonny, sentiu cinco garras entrarem em suas costas, e não pôde conter o grito. Lestat voltava ao combate.

Remo se virou rapidamente, acertando em Lestat uma forte cotovelada, o que fez com que o vampiro cambaleasse e removesse as garras de suas costas. O lobisomem sentiu o lugar perfurado aquecer-se com a dor e o sangue, mas não havia tempo para um exame maior. Saltou sobre o vampiro, a varinha apertada contra o peito do mesmo; conjurou uma energia dourada, um feitiço que Rufus lhe ensinara, que prensou Lestat contra o chão, fazendo-o gritar. A luz o estava queimando. Remo aproveitou a brecha e voltou-se para Jhonny, que parecia agora estar em transe.

-Difindarez! – murmurou, mirando para as correntes nos pulsos do garoto. Elas se partiram, e o jovem caiu para frente. Remo o segurou. Antes que pudesse deitá-lo no chão, um feitiço derrubou-o. Atordoado, demorou para perceber quem o lançara. Fora Greyback.

Logan estava caído, ofegante, a um canto, olhando para Greyback com ódio. Fora derrotado. Remo tentou se levantar, mas Greyback chegou até ele antes. Apenas viu o pé do lobisomem maior se erguer, e sentiu o baque contra seu rosto. Deixou escapar um lamento. Luzes piscaram diante de seus olhos.

Quando o pé ergueu-se a segunda vez, Remo segurou-o antes de ser atingido novamente; aproveitou o pouco apoio de Greyback e chutou, ainda caído, sua outra perna. Greyback caiu. Remo levantou.

Um peso leve sobre suas costas e sentiu unhas afiadas apertarem seu rosto. Antes que pudesse contra-atacar, percebeu, com horror, o que Lestat iria fazer. O vampiro mordeu seu pescoço.

Humanos que eram mordidos por vampiros, mas que não ingeriam o sangue do mesmo – logo, não se transformavam – quase enlouqueciam com a dor da mordida e a sensação de morte que se apossava deles. Era por isso que quem era mordido costumava ou suplicar para ser transformado, ou se matar. Havia motivos para vampiros e lobisomens se odiarem, e para hibridismos entre as duas espécies serem raros. Eles não se toleravam.

Remo agradeceria se tivesse morrido naquele momento, quando fora mordido.

Gritou, e lançou-se contra a parede, tentando tirar Lestat de suas costas, as presas do mesmo ainda em sua garganta. Não era a dor da mordida que o perturbava, mas sim a presença de algo tão maldito tendo acesso ao seu sangue. E pensou o que aquele garoto caído deveria estar sentido com o sangue daquele monstro em suas veias. Para a transformação do garoto se completar, só faltava uma mordida de Lestat.

Com a varinha presa de qualquer jeito na mão, mirou-a para suas costas e ofegou, sentindo o sangue em sua boca:

-Garlic lightwind!

A luz fez o vampiro soltá-lo e chiar novamente, afastando-se, quase cego.

"Preciso agradecer ao moita enferrujada... mesmo." Pensou.

Um soco no lugar do rosto outrora atingido pelo chute quase o fez chorar. Greyback continuava ali. Revidou com outro soco, e Greyback, muito maior, empurrou-o contra a parede. Prensado, percebeu, nervoso, que sua mão com a varinha estava presa sob a mão enorme e suja do outro lobisomem, e que o mesmo retirava um punhal debaixo da capa. Tentou atingi-lo com uma joelhada; mas isso não evitou o golpe.

A lâmina enterrou-se até a bainha em seu abdômen. Gritou.

Greyback provavelmente teria completado o serviço de açougueiro se tivessem lhe dado a oportunidade, mas um feitiço o atingiu por trás, derrubando-o. Remo escorregou até o chão, segurando o punhal, ainda cravado em sua barriga. Bruce atingiu Greyback novamente e correu para Remo.

-Aqui... – murmurou ele, puxando o punhal. Apontou a varinha para a ferida, de onde o sangue escorria em um volume alarmante. – Estancus! – A ferida permaneceu, mas o sangue já não corria. Ele puxou Remo pela mão, levantando-o.

Remo não agradeceu; não houve tempo. O movimento de um vulto ao seu lado alarmou-os. Ao se virarem para Jhonny, perceberam com horror Lestat agachado, sobre o garoto.

Um sorriso de triunfo se formava na boca ensangüentada do vampiro. Suas presas brancas e compridas brilhavam.

-Não! – Remo avançou. Um feitiço vindo de Greyback o derrubou. Do chão, presenciou com horror o que mais temia.

Os dentes caninos de Lestat afundaram no pescoço de Jhonny, deixando correr dois pequenos filetes de sangue. O garoto pareceu despertar em agonia. Seus olhos castanhos se tornaram vermelhos. Suas mãos, que tentavam empurrar o vampiro sobre si pelos ombros, mudaram de cor, as unhas cresceram. Uma aura de horror se espalhou pela câmara subterrânea, fazendo todos pararem de lutar.

Um sorriso maldoso tomou conta de Lestat, que ainda mordia Jhonny. No silêncio se comprovou a mistura entre duas raças malditas. Lestat tinha sob os braços um monstro.

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Oh no... desgraça à vista!

A música em questão é "Can't Stop Now", Keane, ótima, por sinal. (mas esse capítulo foi estranho, porque eu me inspirei nessa música, mas o escrevi todo ouvindo Bryan Adams e Evanescence... hum... nada haver um som com o outro!) (pop + pop-rock + metal... capítulo com sangue)

Esse capítulo levou três semanas para ser escrito... também né... eu tinha outras coisas na cabeça :P (o SHOW por exemplo...) Eu o achei muito difícil. Travei legal no início. Mas nada que a aula de Literatura e o Bryan Adams não consertem! XD

Então pessoal, rezem para que esses dois amuletos continuem a brilhar essa semana... ou o Remo pode não conseguir salvar seu filho...

Abraços!

P.S.: Esse Lestat é 100 inspirado no Tom Cruise do filme Entrevista Com o Vampiro, baseado na obra da Anne Rice... recomendo o filme (ainda não achei o livro)... se bem que a aparência eu "emprestei" de um pesadelo que costumava me perturbar uns anos atrás... e gostei do resultado. Nhaaa, meu Lestat é um sonho mau! XP

P.P.S.: O Logan também é 100 inspirado no Wolverine dos filmes X-Men... principalmente a rabugice. :) Já o Quim... me faz pensar no amigo caçador do Maximus, no filme Gladiador... lembram? Que lutava com ele nas arenas, e no final enterrou as estatuazinhas de reza na mancha de sangue do general... E o Bruce... é o irmão da Camila Pitanga, o Roco Pitanga (é assim?)... ah, vai... não é à toa que eu gosto tanto do Bruce! Lindão! XD