Um lado de Hermione acordou bem disposto, sentindo-se absolutamente bem e aliviada com a conversa que tivera com o amigo na noite anterior. O outro lado estava tenso, com medo de encontrar Draco Malfoy logo na primeira aula, sem saber como se comportar e, ainda por cima, sentindo-se adúltera.
Que absurdo, Hermione! – uma vozinha ecoou em sua cabeça enquanto ela se levantava para se aprontar para a aula. – Você é uma mulher viúva! Não está traindo ninguém!
Não é um absurdo! – a mesma voz, só que um pouco menos segura de si, respondeu. – O Rony te pediu! Foi seu último pedido!
Eu não estou apaixonada! – ela mesma falou dessa vez. – Portanto não fiz nada de errado!
Mas suas mãos suavam quando ela atravessou a porta do quarto em direção aos corredores do alojamento. Durante o percurso até o prédio onde teriam aula, todo rapaz loiro que ela via no caminho, lhe causava um intenso rubor na face.
i "Patético!" /i – pensou emburrada.
Chegou finalmente no corredor da sala que ocuparia e teve o primeiro choque do dia: Draco estava abraçado a Chelsie. Ela estancou, sentiu o coração bater acelerado e teve até um certo desapontamento. Além de segurá-la pela cintura com uma das mãos, a outra ele usava para acariciar o rosto dela.
i "Bom..." /i – ela pensou passado o primeiro susto. – i "Melhor assim!" /i – ela respirou fundo e conseguiu até sorrir. – i "Claro! Melhor assim! Foi só sexo! Só isso! Ótimo!" i – ela passou pelos dois realmente mais aliviada. – Bom dia! – falou animada.
Bom dia, Hermione! – Chelsie respondeu sorridente. Seus olhos brilhavam de satisfação.
Bom dia, Granger... – Draco a cumprimentou com um sorriso torto que ela não soube interpretar.
Chelsie se virou para atender ao chamado de alguém, mas não soltou a mão do homem. Hermione a olhava com certo sentimento de pena, principalmente quando Draco balançou os ombros e fez uma expressão de enfastiamento. Hermione girou os olhos com um sorriso de incredulidade e entrou na sala. O primeiro professor do dia entrou logo depois dela, e depois os outros alunos, entre eles Draco que parou em frente a sua mesa, se abaixou – e aqui ela teve a impressão de que ele a beijaria – e falou:
Acho que teremos que cancelar a reunião de hoje... – ele falou com um sorriso debochado. Hermione olhou para os lados com a certeza de que todos haviam entendido a indireta dele. Ele chegou ainda mais perto: - Não precisa ficar vermelha, Granger! – ele sorriu mais ainda. – A Chelsie quer ajuda com o trabalho... – ele apontou para ela fazendo uma careta de insatisfação. – Sabe, ela é meio lentinha!
Malfoy! – Hermione balançou a cabeça em reprovação.
A tarde lhe pareceu meio vazia, mas de todo modo não foi inútil. Ela conseguiu por em ordem a bagunça em seu alojamento, adiantou alguns trabalhos e teve tempo até de ler i O princípio da gagueira: trauma ou feitiços mal feitos. /i Falou com seus filhos no meio da tarde e até os ajudou com o dever de casa – desenhar o lugar de que mais gostavam.
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Desculpe por ontem... – Draco falou, antes mesmo de cumprimentá-la, quando ela atravessou a porta até a biblioteca.
Hum... Não se preocupe! Foi até bom! – ela sorriu, Draco a olhou desconfiado. – Eu pude por em ordem um monte de coisas!
Que bom... Pode ir, Cammy! O que você ainda está fazendo aí?! – Draco ralhou com a elfa.
Opa! – ela se sobressaltou, fez uma referência e saiu. – Desculpe...
Hermione o olhou, carrancuda. Ele se sentou do outro lado da escrivaninha, como de costume, e pôs-se a observar suas anotações.
Hum... Parece que nesses dois dias que não tratamos nosso paciente ele teve uma melhora significativa. Acho que ele está melhor sem nós! – ele a olhou, esperançoso.
Não seja ridículo! – ela riu. – Apresentar bolhas na língua não é um bom sinal!
Na verdade é efeito da poção que eu sugeri... – ele encostou-se ao espaldar da cadeira. – Depois que você foi embora eu a acrescentei no relatório. A febre baixou e as bolhas vão sumir em poucos dias!
Ele não consegue comer nada, Malfoy! Não vamos curar um paciente que está morrendo de fome! – ela o encarou, mais séria. – Nós estamos quase no fim. Tente se concentrar nesse texto olhe! – ela entregou um pedaço de pergaminho enrolado que ele tinha certeza que devia ter mais de três metros.
Ele pegou o pergaminho de má vontade. Suspirou alto e apoiou os cotovelos sobre a mesa e então a cabeça nas mãos para lê-lo. De minuto em minuto espiava sua acompanhante na esperança que ela estivesse tão entediada quanto ele, mas ela lia e fazia anotações com uma expressão de fascínio no rosto. Ele tentou mais uma vez, mas começou a sacudir as pernas embaixo da mesa. Depois percebeu que estava lendo um parágrafo que ele já havia lido. Olhou mais uma vez para Hermione, ela fitava o livro com uma expressão de extremo interesse. Draco girou os olhos e se levantou fazendo o máximo de barulho que pode. Hermione se assustou e o seguiu com os olhos.
Quer uma bebida? – ele perguntou.
Hum hum. – ela respondeu apenas e se virou para o livro novamente.
Draco levou o copo de Fire Whisky a boca, admirado com a capacidade de concentração dela. Em pouco tempo se viu admirando-a silenciosamente. Reparou nos cachos largos do cabelo dela, e tentou se lembrar de como eles eram na época da escola, mas percebeu que não se lembrava de nenhum traço dela, a não ser os dentes compridos, que ela nem tinha mais, graças a ele. Achou engraçado, e até sexy, o jeito como ela passava a ponta da pena nos lábios enquanto lia, e sentiu inveja do livro quando a viu passar o dedo delicadamente em sua página, acompanhando a linha que ela agora copiava no pergaminho que seria o rascunho do relatório final.
Não se contendo mais, colocou o copo ao lado da garrafa e caminhou até ela, em silêncio. Apoiou as mãos no espaldar da cadeira e se curvou sobre ela, alcançando com os lábios sua orelha direita.
Você não cansa nunca? – sussurrou.
Hermione se assustou, borrando um pouco o pergaminho, e sentiu sua pele se arrepiar com a proximidade daqueles lábios, que agora tocavam de leve seu pescoço.
É claro que eu me canso... – ela respondeu com a voz fraca, tentando não fechar os olhos. – Mas eu acabei de começar! – ela se controlou, com muito esforço, quando ele afastou seus cabelos.
Você escreveu quase 50 centímetros de pergaminho, Granger! – agora ele acariciava o outro lado do pescoço. – Vamos tirar nota baixa porque o professor vai ficar com preguiça de ler o nosso relatório!
Hermione riu: - Ele não pode fazer isso! – e se virou para encará-lo, os lábios dele muito próximos. – Só mais meia hora! – e beijou-o de leve.
Dez minutos! – ele a beijou.
25!
20, Granger! – ele encostou a testa no ombro dela. – Mais do que isso eu subo pelas paredes!
Ok! – ela riu. – Não quero que você quebre o pescoço na escalada! Pode ser que me acusem!
Vencido, Draco contornou a mesa e voltou a ler o pergaminho. Agora conseguia ler o parágrafo sem ter que voltar ao começo três vezes, mas olhava o relógio a cada dois minutos. Hermione percebeu a inquietação dele, mas não se deixou abalar, embora também olhasse o relógio, só que a cada cinco minutos. Sentia-se estranha causando toda essa ansiedade em alguém, principalmente nele, mas também se sentia bem, seu ego massageado.
Ao final dos 20 minutos Hermione viu-se caminhando até Draco, era como se não sentisse o que estava fazendo. Sentou no colo dele e começou a beijá-lo. Em pouco tempo estava sentada sobre os pergaminhos e as penas, a camisa aberta, as pernas enlaçando o corpo dele, enquanto as mãos lhe tiravam a camisa.
Tornou-se cada vez mais difícil se concentrar em qualquer coisa que não fosse o outro. O tempo que permaneciam estudando, antes de ir para o quarto de Draco, se tornava cada vez menor, até chegar a ficar inexistente. Draco a convenceu de que era mais fácil se concentrar depois de terem "relaxado", mas Hermione percebeu que ficava cada vez mais difícil escapar dele depois que caía na cama. Resultado: mais uma semana perdida.
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Isso são horas?!
Ben? – Hermione sorriu, depois olhou o relógio. – É sexta-feira!
Por isso mesmo! Achei que você ia dormir lá! – ele a enlaçou pelo braço. – Resolveu seguir meu conselho?
Resolvi... – ela sorriu. – Ah! De que adianta fugir? Depois que aconteceu a primeira vez, só se eu pedisse para trocar de dupla, não é?
Hum... O que vai fazer no fim de semana?
Vou para casa! – ela respondeu animada. – E você?
Sem planos!
Vem comigo! Assim você conhece os meus amorzinhos!
Sério, mesmo? – ele falou desconfiado.
Claro! Acho que vai ser bom! Eles estão querendo vir para cá, mas...
Vai ser impossível escondê-los do Malfoy! – ele respondeu inconformado.
Não só dele... – eles começaram a subir a escada do alojamento.
Você não acha que deveria contar para ele? – ele tentou.
Para que? Está bom do jeito que está! – ela foi rápida.
Imagino que sim, mas...
Mas nada! Você vem? – ela perguntou animada.
Hum... – ele parou para pensar. – Vou sim! Se não for incômodo...
Incômodo nenhum! Vou adorar!
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Mal Hermione sentiu seus pés tocando o solo firme do Ministério da Magia, e duas vozes agudas e passos apressados foram ouvidos no saguão do departamento de turismo mágico.
Mamãe!
Hermione largou a pequena bagagem de mão e se ajoelhou de braços abertos. Quase caiu para trás, mas nem ligou. Seus dois filhos estavam em seus braços e mais nada importava.
Meu Deus! Que saudade! – ela encheu cada um deles de beijos e só se levantou quando ouviu uma terceira voz aguda em seus ouvidos.
Hei! Será que eu posso abraçar minha madrinha?! – Kelly batia o pé, impaciente.
Os gêmeos se afastaram a contra gosto, mas Hermione continuou na mesma posição: - Como vai, minha linda?
Estava com saudades! – ela agarrou o pescoço da madrinha.
Humm... Eu também!
Ela finalmente pode se levantar e cumprimentar Gina e Harry. Passou um dedo delicadamente pela bochecha de Kevin que dormia no colo da mãe, depois apresentou o amigo, que já era insistentemente encarado pelas três crianças.
Esse aqui é o Ben! – ela esclareceu.
Ele é seu namorado, madrinha? – Kelly perguntou, os gêmeos arregalaram os olhos.
Namorado?! – Ben sorriu. – Oh, queridinha, não mesmo! – ele estendeu a mão para Gina e depois para Harry. – Harry Potter! Nem acredito que estou te conhecendo pessoalmente! – falou animado, Harry pareceu meio desconcertado quando notou a preferência do amigo de Hermione. – E vocês, hein? Os famosos gêmeos Weasley! – ele se curvou para dar a mão a cada um deles. – Não me olhem com essas caras! – ele falou simpaticamente. – Eu sou praticamente a melhor amiga da mãe de vocês, não o namorado dela!
As três crianças pareceram meio confusas, mas os gêmeos ficaram visivelmente mais receptivos ao novo visitante. Harry se ofereceu para carregar a mala de Hermione. Os gêmeos caminhavam saltitantes, cada um segurando uma das mãos da mãe. O grupo seguiu para a casa dos Potter, onde almoçariam.
Ben faz História da Magia... – Harry fez uma careta. – Nos conhecemos logo no primeiro dia.
Hermione fala muito de vocês! Principalmente dos meninos! Estava mesmo curioso para conhecê-los.
Você já saiu do alojamento dos casados, Mione? – Gina perguntou.
Não... – ela respondeu enquanto cortava o bife para Mark. – E acho que nem vou sair. Disseram que poucos casais se hospedam lá...
Você vai embora amanhã, mãe? – Andrew perguntou triste.
Vou querido! Mas até lá ainda tem muito tempo! – ela sorriu passando a cortar o bife dele agora. – E o que vocês fizeram de bom, hein?
Eu tirei A no meu desenho sobre o que eu mais gostava! – Andrew falou orgulhoso.
Eu também! – Mark aproveitou.
Eu também, madrinha! – Kelly falou.
Que bom! – Hermione sorriu. – É bom que vocês continuem assim! – e então ela olhou para Harry. – Pode ser que vocês não tenham de quem copiar anotações um dia, não é?
Mãe! Você nem sabe! – Mark gritou.
O quê?
Outro dia eu estava brincando lá na Toca e caí do galho da árvore! - Hermione arregalou os olhos. – Mas faltando isso para chegar no chão... – e ele fez um gesto com os dedos. – Eu parei e desci devagarinho!
Você flutuou? – Hermione perguntou boquiaberta.
Foi! Vovó quase teve um treco! – ele começou a rir. – Ela ficou vermelha e parecia que estava inflando! Foi engraçado! – todos começaram a rir.
Hermione teve um flash da sogra inflando, mas se controlou: - Não ria da sua avó, Mark! E que idéia é essa de escalar árvores?
Eu falei para ele não subir! – Andrew se adiantou. – Eu também fiz uma coisa mágica... – mas ele pareceu se arrepender de ter começado.
É mesmo? E o que foi que você fez?
Hum... – ele ficou com as orelhas vermelhas. Os adultos se entreolharam sem entender.
Ele quebrou a estátua de cristal da madrinha! – Mark dedurou.
O que? – Gina se espantou.
Mas eu concertei! – ele respondeu olhando feio para o irmão. – Eu fiquei com medo de levar bronca... – ele foi diminuindo a voz. – Aí a estátua se colou de novo...
Caramba! – Harry exclamou, tentando desviar a atenção de Gina que vasculhava a sala em busca da estátua: - Essa eu queria ter visto!
Mas a estátua está intacta! – Gina voltou à mesa.
Eu consertei! – ele falou mais tranqüilo. – Não sei como, mas consertei!
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Ben se hospedou na casa de Hermione. Ela mesma fez o jantar e permitiu que os gêmeos fossem dormir mais tarde, mesmo porque eles pareciam relutantes em deixá-la sozinha com o amigo. Ben dividiu com Hermione a tarefa de ler uma das histórias de Martin Miggs. Ele fazia a voz masculina, embora os meninos não estivessem apreciando muito.
No dia seguinte foram todos almoçar na Toca, que estava extremamente cheia e barulhenta, já que naquele domingo todos os filhos e netos estavam almoçando lá. Ben engrenou uma conversa muito animada com Fred e Jorge, supervisionada de longe por Hermione.
Não se preocupe! – Gina falou. – Eles estão em busca de novo público para a loja deles!
Hum... – Hermione continuou preocupada.
Mas me diga! – e ela puxou a amiga para mais longe. – Você parece ótima! Conte-me as novidades!
Não tem novidade nenhuma! – Hermione não a encarou.
Como não! Eu venho conversando com os meninos sobre a possibilidade de você conhecer alguém, sabe? – Hermione a encarou. – Eles ficam meio emburrados, mas é bom prepará-los...
Você diz como se tivesse certeza de que eu vou voltar com um namorado a tira-colo! Não sei se você percebeu, mas eu demorei sete anos até começar a namorar o Rony!
Porque ele era um cabeça-dura! – Gina respondeu. – Mas o Krum ficou caidinho por você logo no início!
Humpf!
Ah, qual é Hermione! Não é possível que você não tenha se interessado por ninguém! Eu até perguntei para o seu amigo... – Hermione a olhou, brava. – Mas ele não quis me dar nomes... Aliás, se ele não tivesse ficado tão interessado no Gui eu ia achar que poderia ser ele, mas...
É claro que tem caras interessantes na faculdade, - ela desviou o olhar novamente. - , mas não quer dizer que eu vá namorar algum deles! Não é assim que funciona, Gina! Eu já falei que não é fácil...
Eu imagino... – Gina tomou outro gole de sua cerveja amanteigada. – E o Malfoy?
Hermione engasgou: - O que tem ele?!
Gina a olhou assustada: - Vocês ainda trabalham juntos?
Sim... Trabalhamos... Só trabalhamos...
Claro... – ela a olhou desconfiada. – Vocês... – ela analisou a expressão de Hermione. – estão se dando melhor?
Por quê?!
Vocês estão trabalhando no mesmo projeto... – ela fitou mais ainda a cunhada. – Supõe-se que estejam, no mínimo, se tolerando, não?
Claro...
Algum problema, Mione?
Hum hum...
Você está suando!
É que está quente aqui! – ela olhou para todos os lados. – Onde estão os meninos, hein? Vou procurá-los! – e saiu sem olhar para trás, só para encontrá-los passos depois, esperando Harry consertar a asa do pomo de brinquedo.
Por que ele fala que nem mulher, padrinho? – Mark perguntou, Andrew tapou o riso e Harry ficou ligeiramente perdido com a pergunta.
Hermione, querida! - a sra Weasley vinha em direção a ela, que fez esforço para sorrir.
Sim?
Posso falar com você?
Claro! - e seguiu a sogra até o quarto de Rony. – i "Por que justo o quarto dele?" /i – ela pensou começando a sentir o coração apertado.
O quarto ainda estava exatamente como ela se lembrava: cheio de pôsteres do Chudley, bem mais desbotados agora, a cama feita, como se ele fosse voltar para as férias de Natal, os barulhos no sótão, e a gaiola de Píchi ao lado da cama.
Oh... Desculpe-me, querida... Achei que esse quarto não te afetasse tanto... – a mulher falou meio envergonhada. – Eu mesma já me acostumei com ele vazio...
Não se preocupe, sra Weasley... – ela tentou se desligar das lembranças que teve ali. - O que a sra queria me falar?
Oh sim! – ela puxou Hermione pela mão, até sentar na cama de Rony. – Hum... – ela hesitou. – Esse rapaz...
Ele é gay, sra Weasley. – Hermione sorriu ligeiramente aliviada.
Não diga! – ela levou a mão à boca. – Oh, essa juventude! – depois ergueu uma das mãos. – Bom, mas... Bem... Você me parece bem melhor do que da última vez que veio!
Molly, eu não estou namorando ninguém, se é o que quer saber... – ela respondeu logo. – E nem pretendo namorar!
Mas querida! Ninguém pode ficar tanto tempo sozinha...
Eu não estou sozinha, sra Weasley! Eu saio de vez em quando com um rapaz da faculdade, mas não espere que eu o traga para cá e o apresente como meu namorado! Ninguém vai ficar no lugar do Rony, não se preocupe!
Como não vou me preocupar, Hermione! Quem morreu foi o Rony! – e a voz dela tremeu. – Não você! Eu não te chamei aqui para te pedir para jamais colocar alguém em sua casa, pelo contrário! Ache alguém, se apaixone novamente! Dê um outro pai para os seus filhos!
Molly, por favor! – ela se levantou ofendida.
Eu é que digo! – a mulher se levantou também. – Você ainda é jovem, poderia se casar de novo, ter mais filhos! Você acha que eles não sentem falta de um pai?
A sra quer que eu substitua o Rony?! – os olhos dela lacrimejavam.
Ninguém pode substituí-lo! – a mulher falou. – Mas pode preencher a lacuna que ele deixou! Há coisas que esses meninos não falam para você porque não querem te ver triste, mas eles conversam com o Harry, querida! Esse ano você não pode contemplar a carinha deles no dia dos pais, não é? Eles deram o presentinho que fizeram na escola para o Harry, mas disseram que não era a mesma coisa, já que o Harry não mora com eles! Crianças precisam de um adulto em quem se espelhar, querida. Alguém que esteja em casa e imponha autoridade! Lembra-se como o Harry agia em relação ao Sírios? E não era a mesma coisa com o Arthur!
Hermione voltou a se sentar, de cabeça baixa.
E uma mulher precisa de um homem... Mesmo que se acostume a viver sem um...
Eu sei! – ela falou sem querer. Depois olhou para a sogra como que para conferir se ela havia compreendido o que ela havia dito. – Eu sei que eles sentem falta de alguém e, esse tempo todo eu fingi acreditar que Harry era o suficiente, mas isso eu não vou poder fazer por eles, sra Weasley! Eu não vou por outro homem em casa! Nunca!
Hermione...
Está quase na hora de voltar! – ela se levantou bruscamente. – Eu vou me despedir de todos!
