O ÚLTIMO HORCRUXE
Rachel segurava com força contra o peito a carta que Fawkes tinha-lhe trazido. Samuel estava com ela e ambos caminhavam rapidamente pelas ruas escuras de Cambridge. Daniel estava a uns metros na frente dos dois, batendo distraidamente as paredes dos altos edifícios com sua varinha, provocando que saíssem faíscas dela, mas a pesar de tudo ele parecia muito feliz.
– A senhorita ainda se sente chateada – começou a perguntar Samuel em voz baixa, levantando os olhos até sua ama com preocupação – por ter atacado a família Weasley?
Rachel não respondeu, fitando o chão enquanto caminhava. Logo ergueu os olhos para observar Daniel: ainda não conseguia entender por que ele a havia ajudado, se momentos antes ele intentara matá-la... Simplesmente tudo era contraditório. O jovem Comensal da Morte, à sua frente, se deteve e deu meia volta, esperando a que Rachel o alcançara. Seu ar era de seriedade.
– Temos que encontrar um jeito de te colocar dentro da casa dos Weasley sem levantar suspeitas – disse ele franzindo a testa e voltando a caminhar ao lado dos dois. – Eles já estão desconfiando de você...
– Sério? – grunhiu ela com desdém, soltando um riso azedo. – Eles já sabem que eu sou uma Comensal da Morte! Não vou voltar a pôr os pés lá sabendo que vão me matar – rebateu ela com segurança, franzindo o nariz e olhando a Daniel com ódio. – E por que você precisa que eu faça isso, heim? Por quê?
– Você só tem que cumprir, são ordens do Senhor das Trevas.
Rachel pôs cara de que queria se queixar, mas calou-se. Não queria voltar a discutir. Sabia que tudo isso tinha sido idéia de Daniel e, por algum motivo, queria que ela estivesse viva... pelo menos por enquanto.
– H – P –
Harry, Rony e Hermione conseguiram escapar da estreita vigilância de Arthur, Molly, Lupin e Tonks com muito esforço, saindo dos domínios dos feitiços e encantamentos que protegiam a Toca com a desculpa de que iriam a passear perto da colina. Em um instante de distração, se distanciaram o mais rápido que puderam e desaparataram. Acamparam em um claro de uma floresta que beirava o rio Tâmesis, e Hermione encheu o local com complicados feitiços. Harry pensou que ela estava exagerando, mas ela respondeu que "se tratando de segurança, nada é exagerado", e Rony, por incrível que parecesse, estava de acordo com ela.
– Agora não temos como ter notícias do mundo mágico... – suspirou Hermione um pouco preocupada, sentada sobre um banquinho dentro da carpa. Seus olhos se umedeceram levemente.
– Não se preocupe senhorita Granger – disse Rony com voz teatral e se pondo de pé. – O senhor Potter derrotará Quem-Não-Se-Deve-Nomear depois que elimine os horcruxes.
– Sem essa, Rony! Não sei onde está o último horcruxe, o relicário está em mãos de não se sabe quem e a taça é praticamente indestrutível – grunhiu Harry de mau humor. Hermione levantou os olhos até ele, surpreendida.
– Pensei que você já tinha destruído essa coisa! – exclamou ela se pondo de pé ao lado de Rony.
– Não, já intentei de tudo... – respondeu ele com distração, sem lhe dar importância. Seus olhos se desviaram até a fotografia de seus pais que tinha levado com ele, ambos sorrindo alegremente enquanto dançavam em uma praça em um dia de outono. Hermione já imaginava em que estava pensando.
– Você quer buscar Claire, não é? Harry, escuta, sua irmã está...
– Está errada, Hermione – disse ele em voz mais alta do que pretendia, agora fitando-a com olhos firmes. – Você ouviu o que disse Hagrid e Lupin: não encontraram seu corpo. Ela está viva, eu sei, não a mataram...
Rony colocou-se entre os dois.
– Senhor Potter, não há chances de que a senhorita Potter este com vida. Quem-Não-Se-Deve-Nomear não a deixaria viver, nem mesmo se os Potter tivessem concedido a troca...
Hermione assentiu, indicando que estava de acordo com o ruivo. Harry suspirou, sem vontade de discutir.
– R – B –
– Poderia se explicar, Rachel? – pediu Voldemort em um tom nefasto, jogando sobre a mesa o exemplar de O Pasquim. Ela estava na sua frente, com a cabeça baixa, acompanhada por seu fiel companheiro Samuel. – Como você deixou que descobrissem a sua identidade? – Rachel continuou a fixar o olhar no chão sem dizer nada, como se o piso de azulejos pretos fosse mais interessante de admirar. – Eu pedi apenas que me trouxesses o editor de O Pasquim e todo o plano falha por sua culpa – Voldemort a olhava com atenção, desapontado e zangado ao mesmo tempo. – Você só tem me decepcionado muito nos últimos tempos, Rachel.
– Sinto muito, meu lorde, não voltará a se repetir – desculpou-se a garota, sem erguer os olhos.
– Já ouvi isso da sua boca a última vez que te encomendei alguma coisa... – lembrou-lhe o Senhor das Trevas com um ar maléfico que fez que ela estremecesse por primeira vez na sua vida de medo. – Mas como sou um Lorde misericordioso, eu confiarei em que você não voltará a falhar, senão essa seria sua última missão – sibilou ele como último aviso.
– H – P –
Hermione voltou de sua passada pela cidade trouxa que estava perto com o rosto coberto por um cachecol azul e o cabelo escondido debaixo de um gorro de lã. Havia conseguido um exemplar de O Pasquim em uma loja trouxa, enfeitiçada como se fosse uma velha revista de jardinaria e, pelo o que parecia, repelia os trouxas, porque o vendedor piscou-lhe um olho e lhe cobrou em dinheiro mágico. Entregou-o a Harry em seguida que chegou, mostrando-lhe a manchete que dizia: Comensais da Morte atacam O Pasquim. Rony se aproximou com curiosidade.
– "Dois Comensais da Morte e um lobisomem atacaram a central da revista" – leu Harry em voz alta. – "Um deles, Rachel Alice Blane, parecia evitar qualquer ataque, e o segundo Comensal da Morte, chamado Daniel (não se conseguiram mais informações), atacou ao fotógrafo oficial da revista, o senhor Bonnie Ryan. O lobisomem, Samuel Olsen, 23, destruiu somente máquinas e mesas" Eu sabia que Rachel não era de confiança! – exclamou o moreno, passando a revista a Rony, que ficou observando-a intensamente. Hermione aproximou-se ao ruivo.
– Aconteceu alguma coisa Rony... quer dizer, Allan? – perguntou a castanha. Rony não respondeu, só pegou uma pena e circulou alguma coisa no articulo.
– Vocês me disseram que quem havia apanhado o verdadeiro relicário de Slytherin foi R.A.B... – começou a dizer o ruivo em um tom teatral e colocou a revista frente aos olhos de Harry e Hermione: ele tinha circulado as iniciais de Rachel Alice Blane.
Hermione ficou paralisada ao lado de Harry, com a boca ligeiramente aberta.
– Não... posso... acreditar... – exclamou uns segundos depois.
– Pois eu sim – afirmou Rony sorrindo.
– Por quê? – quis saber Harry fitando seu amigo sem entender, sentando-se para não cair pela surpresa.
– Pelo o que me contaram – disse o ruivo, deixando a revista sobre um dos beliches que estavam ao seu lado, – esse tal R.A.B. colocou um bilhete no horcruxe falso, não? E esse bilhete era para Quem-Não-Se-Deve-Nomear. A senhorita Blane atacou a revista contra sua vontade, isso está escrito no artículo. Ou seja, é uma Comensal da Morte que parece não querer ser.
Hermione assentiu com a cabeça, começando a entender a argumentação de seu amigo.
– Por isso ela tratou de nos ajudar no ataque à Toca – comentou a castanha em seguida, sentando-se no banquinho ao lado de Harry, observando-o. – Mas por que ela queria os horcruxes? Se Você-Sabe-Quem fica sabendo que ela, uma Comensal da Morte, está procurando os horcruxes, a mataria sem duvidar...
– Não sei – murmurou Harry. – Mas agora eu sei por que ela foi até o Godric's Hollow aquela noite...
– R – B –
– Estou famoso! – exclamou Samuel com imensa alegria no momento que ficaram o suficientemente longe dos aposentos do Senhor das Trevas, mas sem sair do enorme refugio. O lobisomem tinha O Pasquim na Mao, observando sua foto. – Sou famoso!
– Não seja idiota, cachorrinho – grunhiu Daniel batendo com o punho o braço de Samuel, fazendo que ele lançara um gemido.
– Deixa ele, Danny – disse Rachel em um tom repreensivo. Ela estava sentada em um sofá, deixando sua mente levá-la até suas lembranças mais antigas. Sentia-se estranha ao voltar a aquele lugar depois do que lhe contara Dumbledore. – O coitado só tá se divertindo...
Daniel deixou-se cair no sofá ao lado da garota, enquanto Samuel ainda segurava com satisfação a revista: o Samuel da foto pegava algum objeto do local e o lançava ao chão, rindo como um bobo; Rachel, ao fundo, lançava maldições com agilidade para todos os lados. Daniel aparecia rapidamente correndo de um lado para o outro. Os três levavam máscaras, mas isso não tinha impedido que os identificassem.
– Ei, Rachel, você ainda não fez o que eu te mandei – exigiu Daniel num tom ranzinza, observando-a com olhos frios.
Rachel virou a cabeça até ele franzindo a sobrancelha.
– O que você quer, Daniel? – indagou ela soando ameaçadora. Daniel estreitou os olhos. – Sei que não foi Ele quem te pediu que eu fosse com os Weasley... Você deu a idéia...
Daniel a fitou por uns instantes, logo observou Samuel, quem agora pendurava a foto na parede da salinha com um feitiço. O Comensal da Morte soltou um suspiro, pegou a Rachel pelo braço fazendo-a entrar em um quarto que estava ao lado e colocou-a contra a parede, trancando a porta com sua varinha.
– Eu quero o mesmo que você, Rachel – sussurrou Daniel colocando-se na frente de Rachel com uma mão apoiada na parede atrás da garota. Ela sentiu-se encurralada, sua mão se mexeu rapidamente até o bolso onde guardava a varinha, mas não a pegou. – Eu estive te vigiando mais tempo do que você imagina. Sei que roubou o relicário de Slytherin e que ajudou a Potter a pegar a taça de Hufflepuff.
Rachel o observou com atenção, franzindo as sobrancelhas em uma expressão de dúvida.
– A onde você quer chegar com tudo isso? – perguntou a jovem em voz baixa. Os dois estavam no lugar menos indicado para conversar sobre o assunto. Ela temeu que as paredes tivessem ouvidos.
Daniel sorriu y Rachel sentiu sua respiração cálida em seu rosto.
– Estou procurando o mesmo que você, Rachel, respostas... E tal vez vingança.
Rachel perguntou-se se aquele brilho estranho que agora via nos olhos de Daniel era o mesmo brilho que lhe ofereciam os olhos de Harry Potter: uma perda familiar. Quem sabe seus olhos tivessem esse mesmo brilho...
Alguém bateu na porta e Daniel apartou-se dela para abri-la com a varinha. Samuel entrou com uma expressão séria. Rachel aproximou-se com preocupação.
– O Lorde das Trevas a está chamando, senhorita Blane.
– R – B –
Rachel encontrou-se a sós com Lorde Voldemort em uma sala em penumbras. Ela sabia que ele lhe daria as instruções para a próxima missão e sabia também que não podia falhar se queria continuar com vida. Era a primeira vez que sentia medo da ordem que ele podia dar... Por que agora tinha medo? Ela era uma das melhores seguidoras de Voldemort, não duvidava em matar e torturar qualquer um e era excelente espiã. Depois de tantos anos de treinamento nas artes das trevas... Tinha-se abrandado?
– O que quer de mim, meu Lorde? – perguntou ela curvando-se levemente.
Voldemort sorriu antes de responder.
– Quero a Harry Potter.
– A Potter? – repetiu Rachel com sobressalto, observando com a boca aberta. Voldemort fitava-a sem expressão no rosto pálido.
– Acha que não pode fazê-lo?
– Cla... claro, meu Lorde – murmurou Rachel apenas inclinando a cabeça, mas não estava totalmente segura de poder fazê-lo.
– H – P –
Tinha anoitecido já e o trio estava deitado cada um em seu correspondente beliche. Hermione lia Hogwarts, uma história para ver se encontrava alguma pista sobre o último horcruxe, mas não achava nada. Rony lia um livro titulado Magia para expertos, sentado com as pernas cruzadas sobre os lençóis, e Harry olhava as tábuas da cama do ruivo que estava sobre ele com as mãos na nuca. Pensava cada foto que tinha visto de sua irmã... Tinha albergado por uns instantes a esperança de que não estava só no mundo, que existia uma irmã perdida por aí, talvez desterrada em um orfanato ou indigente pelas ruas trouxas sem saber sequer quem era realmente... Mas conhecia Voldemort e sabia que a mataria no momento em que não recebera a Harry em troca. Por um segundo preferiu estar morto e ter deixado a Claire em seu lugar, viva, e tal vez seus pais não tivessem perecido aquele 31 de outubro de 1981.
– A ver, Harry, o último horcruxe é algum objeto de Rowena Ravenclaw, não? Mas... o quê? – perguntou a voz de Hermione de repente, que provinha da cama de baixo, fechando o livro com um baque e tirando a Harry de seus pensamentos.
– Não achou nada aí? – grunhiu ele girando para um lado e agarrou-se à sua almofada. – E você não sabe o que podemos usar para destruí-lo que fique ao nosso alcance?
– Canino de basilisco? – indagou a castanha em um tom irônico.
– A espada de Godric Gryffindor é uma boa opção – interveio Rony sem apartar os olhos do livro.
Harry sentou-se e espichou o pescoço para olhar a Rony na cama de cima. Então, pensou ele, tinha que voltar a Hogwarts para procurar a espada e aproveitar para evitar o ataque que Crabbe e Goyle disseram que ia acontecer. Talvez o último horcruxe estivesse no colégio também... Não custava nada verificar. Hermione o observou como se pedisse que lhe contasse seus planos.
– Vamos voltara a Hogwarts – disse o de olhos verdes desviando o olhar do rosto de Hermione que estava debaixo dele para Rony, quem agora tinha a toda a atenção voltada para ele. – Devemos destruir a taça e encontrar o outro horcruxe. Logo vamos a impedir que Voldemort...
Um vento forte entrou na carpa e derribou tudo o que era de um peso consideravelmente leve. Harry, Rony e Hermione saíram com suas varinhas iluminando ao redor e viram três sombras descendendo do escuro céu que tomaram a forma de três pessoas quando chegaram ao chão. Harry reconheceu a Rachel e a seu companheiro Samuel, e com eles estava o Comensal da Morte que tinha tentado matar a jovem Blane na Toca.
– Nos chamou, Potter...? – murmurou o Comensal da Morte com ironia.
Rachel, de pé atrás dele, sacudiu a cabeça de um lado para o outro mexendo os lábios dizendo: "eu te avisei". Daniel levantou sua varinha e apontou com ela a Hermione, sorrindo de lado.
– Oi de novo, senhorita – saudou ele, lembrando-lhe à castanha que ele era quem a havia atacado na Toca. – Nosso primeiro encontro foi um pouco... repentino. Sou Daniel – e em seguida olhou a Rachel. – Vamos, Rachel, o Lorde das Trevas convidou-os a seu refúgio...
– Não se meta, Daniel – repus a jovem segurando-o pelo braço e fulminando-o com o olhar.
Harry tinha que distrair a Daniel, assim podia conversar com Rachel. Hermione pensava no mesmo, mas Rony adiantou-se:
– Desmaius!
Daniel saiu expelido pelos ares e desapareceu entre as árvores da floresta. Rachel olhou o ruivo com perplexidade e viu então que Harry a apontava com a varinha diretamente ao seu rosto; pelo o que parecia estava muito zangado.
– O que você quer de verdade, Blane?
Ela levantou também sua própria varinha.
– Não quero te machucar, Potter. Você não deveria ter chamado a gente... – ela suspirou fitando-o com seus olhos castanhos.
– Confiei em você! E o único que você quer é me levar até Voldemort! – gritou Harry furioso. A varinha tremia em sua mão. – Você atacou os Weasley, as pessoas que te acolheram sem te perguntar nada...! CONFIAMOS EM VOCÊ!
– Não me conhece, Potter, não deveria me julgar – rebateu ela com os dentes apertados em um gesto de fúria. Hermione levou as mãos à boca e Rony se afastou para cuidar a Daniel para que não acordasse.
– Seu amigo acabou de dizer que vocês estão aqui para me levar a esse refugio! – voltou a gritar Harry; de sua varinha saíam faíscas. – Vamos, faz isso, e Voldemort vai te encher de glórias!
Samuel se mexeu inquieto ao lado de sua ama, olhando a varinha de Harry com temor a que lhe acontecesse alguma coisa com Rachel.
– Senhorita Blane... o Lorde das Trevas vai matá-la se não fazer o que lhe pediu – interveio, sabendo as intenções de sua ama. Harry observou-o e logo desviou o olhar até Hermione, que estava ao seu lado com as sobrancelhas franzidas, como se estivesse medindo as palavras antes de dizer:
– Você roubou o relicário, Rachel Alice Blane – disse então a castanha, levantando também sua varinha. – Você-Sabe-Quem não ficará feliz em saber isso... Se levar a Harry eu conto que nos ajudou a pegar o horcruxe no Godric's Hollow.
Rachel pareceu vacilar e baixou a varinha. Samuel pareceu alarmado diante de tal gesto.
– Vocês não entendem minhas razões – murmurou ela.
– Não, sinceramente não entendo – resmungou Harry sem deixar de apontá-la.
Rachel, depois de uns segundos refletindo sobre o que fazer, tirou a mochila dos ombros e abriu o zíper. Harry seguia todos os seus movimentos com o olhar; ela sacou um objeto e estendeu-lhe ao garoto: era o verdadeiro relicário de Slytherin, reconheceu-o em seguida porque sua cicatriz doeu com só olhá-lo. Sem baixar a varinha, pegou-o.
– Posso te dar o outro horcruxe que tenho... – começou a dizer Rachel, – mas não posso voltar de mãos abanando, Potter, senão vão me matar. Já te ajudei muito como para terminar pagando com minha própria vida.
Hermione deu um passo à frente com decisão, guardando a varinha.
– Me leva como prisioneira – interveio ela. – Em troca entregue o outro horcruxe.
– Hermione! – exclamou Harry olhando-a com os olhos redondos de surpresa, sentindo uma gota de suor correndo por um lado da cara. – Não faça isso!
– Não há outra opção. Você-Sabe-Quem vai te matar si você vai com ela, e ela vai morrer se não levar alguma coisa importante... – Não duvidou nem um instante quando terminou de falar.
Samuel agora olhou a Rachel com alívio.
– Eu irei cuidá-la, Potter – disse Rachel tentando forçar um sorriso, mas como não conseguiu simulou levando os olhos até a mochila e tirando de dentro dele o arco que tinha usado para atacar ao grifo. – Toma, Granger, este é o arco de Rowena. Ele me deu isto confiando que em minhas mãos estaria mais seguro, mas não desconfiava que eu já soubesse que era um horcruxe.
Ouviu-se um golpe seco e o ruído de um corpo caindo ao chão. Em seguida Daniel se aproximou irritado e segurando fortemente a varinha em alto. Rachel segurou a Hermione pelo braço o mais rápido que pôde e desaparatou, seguida em seguida por Samuel. Daniel lançou um olhar fulminante a Harry e fez o mesmo que seus companheiros, deixando ao garoto confuso.
Rony caminhou até ele com passo lento e com a mão segurando sua cabeça, de onde surgia um fio de sangue.
– O... o que aconteceu? Onde a gente tá?
Parecia que Rony tinha deixado de ser Allan A. Allan.
– R – B –
Quando Hermione abriu os olhos percebeu que estava em um aposento que não era muito pequeno: a pintura estava se descascando e a única janela estava entabuada. No momento em que Rachel a soltou caiu cobre uma cama cheia de pó. Samuel apareceu dois segundos depois, balanceando-se por uns instantes até que deixou de piscar os olhos e enfocou a visão. Daniel não demorou em aparatar também.
– O que você pensa que está fazendo, sua tola? – rugiu ele pegando a Rachel pelo braço e sacudindo-a com violência. Ela se soltou com outro movimento igualmente violento e apontou-o com sua varinha diretamente ao seu peito. Samuel fez o mesmo colocando-se ao lado de sua ama.
– Olha aqui, Danny, desaparece da minha frente se não quer que eu seja a última pessoa que você vai ver na sua miserável vida! – rebateu ela aos gritos. Daniel separou a varinha da jovem com uma bofetada. – E você sabe muito bem que eu tenho a coragem de fazê-lo!
– Se o Senhor das Trevas descobre alguma coisa, não vou duvidar de te matar ali mesmo. Não vou deixar de lado os meus propósitos só porque uma menina idiota quer trair o maior bruxo das trevas. Que besteira! – grunhiu em voz baixa antes de sair batendo a porta com muita força ao fechá-la. Samuel guardou sua varinha. Rachel suspirou com alivio e desviou os olhos até Hermione, quem estava ligeiramente assustada. Sentou-se ao seu lado.
– Devo amarrar suas mãos, Granger – pediu Rachel logo depois que sua raiva diminuiu um pouco.
– Pode me chamar de Hermione.
Rachel virou-se até a castanha e com uma sacudida de sua varinha fez surgir umas cordas que prenderam os pulsos de Hermione. Em seguida fez um sinal com a cabeça a Samuel e ele saiu do quarto.
– Me perdoa, Hermione...
Rachel levantou-se e sem querer deixou cair sua mochila, fazendo que todas as coisas que guardava nela se esparramassem no chão. Aos pés de Hermione caíram umas moedas trouxas, alguns galeons e uma foto. Nela podiam-se ver a Rachel pequena, com dois anos talvez, nos braços de um homem bem conhecido para ela: Remus Lupin.
– Conhece a esse homem da foto? – perguntou Hermione levantando os olhos até Rachel.
– Não – respondeu a garota com voz agressiva e recolhendo suas coisas com velocidade.
– Então era por isso que você estava na casa dos Potter...! –exclamou a castanha abrindo a boca compreendendo tudo. – Disse que estava procurando respostas... procurando sua família... seus pais...
Rachel a fitou por uns segundos, perguntando-se se ela realmente podia saber alguma coisa, mas logo pensou que ela só estava jogando verde para recolher maduro, como diziam por aí. Sua vida tinha lhe ensinado que não devia acreditar nas palavras de um refém.
– Não te interessa minha vida, Granger, e será melhor que não se meta se não quer que eu mesma me encarregue de você.
Hermione não se importou com as ameaças e sorriu emocionada.
