Disclaimer: O anime/mangá "Naruto" não me pertence, ele é de propriedade exclusiva do Masashi Kishimoto.
Warning: Descreve a relação entre duas pessoas do mesmo sexo (MaleXMale).
"Eu esperava que você percebesse o erro das ligações que ainda não foram feitas, das garrafas espalhadas no piso do carro, a falta de cinzeiro na sala, dos gostos que pensa serem refinados, mas são uma negação." - NaNa Caê.
Capítulo 9 – Enlace
Ino se ergueu de seu colo com um suspiro de deleite. Contrariando a preguiça com atitudes controladas, ela puxou a camisinha que o envolvia e a amarrou para jogar no lixo. Naruto a observava distraidamente, ainda sentindo a mente embaçada pelo nevoeiro pós-gozo. A mulher andou pelo quarto em toda a sua glória nua até o banheiro e voltou para caçar o maço de cigarros na cômoda ao pé da cama, nem um pouco constrangida com o escrutínio do homem.
Ela parecia uma obra de arte exibida, que sabia muito bem o efeito que tinha.
- Você parece distraído hoje. – ela comentou casualmente e de forma abafada, devido aos dois fumos presos entre os lábios. – Aconteceu alguma coisa? – os olhos azuis pálidos o encararam, encapuzados pelos cílios dourados, dando-lhe uma postura mais séria do que realmente se sentia.
Ele a viu acender os dois cigarros com tragos curtos, mas fortes, e lhe estender um deles. Com um sorriso de agradecimento, Naruto pegou.
- Eu só tenho muita coisa na minha cabeça agora. – confessou, prendendo o filtro do tabaco na boca.
Ino se sentou perto dos seus pés, sem se importar em cobrir a nudez, e puxou o cinzeiro que estava em cima da cômoda. O brilho dos postes de luz do lado de fora lhe dando um ar misterioso e resguardado.
- Não quer conversar sobre isso? – ela indagou, desviando o olhar da vista da sacada para encará-lo com atenção. – Acho que podemos fazer uma pequena troca de papéis hoje. – brincou com um sorriso, fazendo-o sorrir também.
Naruto suspirou e, por apenas alguns segundos, ele só se preocupou em fumar o seu cigarro, enquanto divagava sobre qual ponto começar.
- Você sabia que Nagato acha que é um peso para mim? – indagou, esperando que Ino não fizesse a mesma cara que Itachi tinha feito.
Ele suspirou de novo, quando a viu erguer as sobrancelhas como se pontuasse o óbvio. O loiro se sentiu um idiota, como muita gente dizia que ele era.
- Por que você e Itachi nunca me contam nada? – esfregou a testa enrugada em irritação com as pontas dos dedos.
- Eu não posso falar por Itachi, mas eu acho que era algo que você precisava resolver sozinho, Naruto. – ela explicou. – As pessoas não levam críticas para um lado positivo e tendem a ignorar opiniões externas, porque não enxergam por si mesmas que estão errando. – pausa, enquanto ela o encarava a fim de entender o que se passava em sua mente. – Quando se trata de Nagato, você é excepcionalmente orgulhoso. Quantas vezes Kakashi e seu pai lhe disseram que você estava fazendo errado? – "inúmeras", respondeu em pensamento. – Seus pais foram insistentes, porque são da sua família, mas você precisava ver por si mesmo. – terminou com um suspiro cansado.
Pela linguagem corporal, Naruto podia dizer que ela estava aborrecida, como se tivesse discutido aquele assunto um milhão de vezes, o que o deixou ainda mais chateado, pois mostrava o quanto ele tinha demorado em perceber algo que estava praticamente dançando em sua cara.
- Eu me sinto um idiota... – murmurou como resposta.
- Você é um idiota! – ela confirmou, tentando se manter séria.
No entanto, ao ver o bico mal-humorado no rosto masculino, ela engasgou com a fumaça do cigarro e começou a tossir e gargalhar ao mesmo tempo.
- Eu odeio seus deboches. – Naruto rebateu, fazendo-a rir ainda mais.
- Desculpa. – a loira pediu com falso arrependimento, ao mesmo tempo em que tentava se recompor. – Mas, não é só isso que te incomoda. – ela afirmou com tato, depois de um tempo.
O homem mordeu o lábio inferior, incerto de como abordar o assunto. Ele nem sabia direito como se sentia com relação ao tema para coloca-lo em palavras assim. Era tudo tão confuso e esquisito em sua cabeça.
- Eu não sei... – começou com incerteza, assistindo a Yamanaka erguer uma sobrancelha com curiosidade. – Eu não sei por onde começar. – divagou. – Eu acho que fiz alguma besteira, mas eu não sei ao certo o que fiz.
- Certo. – Ino afirmou, fazendo um sinal para que ele parasse dali. – Você fez merda com quem? – indagou, puxando o cinzeiro da para amassar o cigarro consumido, antes de entregar o objeto para seu parceiro.
- Sasuke. – Naruto respondeu sem hesitação, embora tenha se encolhido por dentro. Pela primeira vez, ele se sentia pequeno. A sensação incerta de que vocalizar suas preocupações tornassem seus receios ainda mais concretos, porque até então, eram apenas pensamentos desconexos em sua cabeça.
- Sasuke. – ela repetiu para reafirmar a convicção do Uzumaki.
- Sinto que devo desculpas a ele, mas não sei exatamente o motivo. – disse, sentindo-se mais claro sobre como começar o assunto, depois de ter colocado aquilo em palavras. – Eu não me arrependo exatamente sobre tê-lo rejeitado, mas eu me arrependo de alguma coisa que não consigo definir o que é. – pausa. – Eu contei que dormi com Itachi algumas vezes quando éramos mais jovens e, sua atitude que já era meio distante, ficou ainda pior. – lambeu os lábios, dando um último trago no cigarro, antes de esmagá-lo no cinzeiro. – Não sei se ele está chateado e, se ele está, o motivo. Faz tanto tempo...
Ino franziu a testa, enquanto considerava aqueles fragmentos de informação jogados repentinamente à sua frente. Naruto não estava sendo coerente.
- Por que você contou que dormiu com Itachi? Sasuke pode não gostar de você hoje, mas ele era claramente apaixonado por você naquela época. – rebateu.
E ele arregalou os olhos, quando realização bateu sobre seus sentidos. Era por isso que o caçulo Uchiha estava ressabiado: ele não sabia que o mais novo era apaixonado naquela época, mas Itachi deveria saber. O loiro tornou a esfregar a testa com a ponta dos dedos para refrear a vontade que tinha de se bater.
- Eu fiz merda. – assumiu com pesar, inconformado consigo mesmo. – Eu só achei melhor ser sincero, porque todo mundo sabe que dormimos juntos. Você sempre soube e olha que já dormíamos juntos naquele tempo. – esclareceu, tentando minimizar a própria culpa. – Nagato só não sabe, porque ele é novo demais para entender disso.
Ino lambeu os lábios e se inclinou para apertar a panturrilha do homem em um gesto reconfortante, vendo o mesmo moleque perdido no corpo de um homem que viu quando se conheceram no campus da faculdade.
- Nosso relacionamento é diferente, Naruto. Sempre foi. – explicou. – Nós não temos um compromisso sério, mas Itachi como irmão é diferente. – murmurou distraidamente, enquanto brincava com os pelos na perna do outro. – Eu acho que você não fez merda, se o seu intuito foi ser sincero. Sasuke saberia uma hora ou outra, melhor saber agora e por você do que depois e por qualquer outra pessoa. – deu de ombros. – Já pensou de fosse Suigetsu que dissesse?
O Uzumaki tentou evitar um estremecimento de pânico com a visão mental que tinha construído. A mulher sorriu como se lesse seus pensamentos.
- Mas, por minha culpa, Sasuke não tem falado direito com Itachi.
- Sasuke só precisa de um tempo para colocar a cabeça no lugar. Itachi precisa se desculpar com ele, não você. – ela retorquiu como se finalizasse o assunto.
- Mas... – ele tentou contradizê-la.
Ino, que engatinhou pelo colchão até que suas costas estivessem apoiadas no peito masculino, olhou-o por cima do ombro para reconsiderá-lo. A intensidade do olhar começou a deixá-lo desconfortável, então, ele se remexeu e a ajeitou entre suas pernas. Contudo, a Yamanaka se afastou até que pudesse encará-lo de frente. Os orbes azuis pálidos brilhando com algo que se assemelhava a espanto e descrença.
- Você está atraído por ele. – não era uma pergunta.
- Não! – disse rápido demais para ser verdadeiro. – Quer dizer, eu não sei! – praticamente gritou, enquanto passava a mão pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais. – Eu não sei. – voltou a dizer com mais calma.
Os olhos translúcidos da mulher correram freneticamente pelo seu rosto.
- Por que você está se segurando tanto? – ela franziu as sobrancelhas. – Você não é o tipo de homem que hesita, quando quer alguém na sua cama. Mesmo com Itachi, você sempre deixou claro o que queria.
- Eu não sei... – respondeu, intimidado com as perguntas e se sentindo ainda mais confuso. – Ino, eu já o machuquei uma vez. – disse simplesmente, como se só isso fosse o suficiente para esclarecer as dúvidas da mulher, e as suas. – Eu não sei como ele se sente agora, eu não sei o que eu sinto agora. – puxou o ar com força, tentando relaxar os músculos que não sabia ter tensionado.
Por um minuto, ele achou que a Yamanaka estava vendo graça em sua aflição, porque ela sorriu como se visse algo engraçado.
- É por isso que você quer pedir desculpas... – ela começou, empurrando uma mecha do próprio cabelo para trás da orelha. – Porque, você acha que fodeu tudo antes de ter começado em primeiro lugar, e deseja consertar isso. – seu sorriso se alargou. – Eu ainda acho que você deve tentar.
Naruto arregalou os olhos novamente, ainda se sentindo incerto sobre o que acreditar. No entanto, ele sabia que ela tinha razão. No fundo, ele admitia que talvez Ino estivesse certa. Desde a primeira vez que o vira em sua porta, ele se sentiu atraído, contudo, ao saber que aquele homem era Sasuke Uchiha, seu estômago se afundou em pesar e mortificação. Por mais que o desejo pulsasse em seu interior, ele sabia que o moreno jamais o desejaria de volta, ainda mais depois de ser rejeitado no passado.
- Ino... – chamou com insegurança. – Eu não sei se isso vai dar certo.
- Não custa nada tentar. – ela insistiu. – Naruto, os tempos são outros agora. – ela explicou, passando a mão pelos braços firmes em um toque encorajador. – Ele é um homem crescido e você também. Nada o impede de se envolver com Sasuke, a não ser que ele não queira. – murmurou, olhando-o intensamente para reafirmar suas palavras. – O que eu duvido muito. – completou.
Ele mordeu o lábio inferior, considerando as palavras da mulher à sua frente.
- Como você pode ter tanta certeza? – indagou, sentindo-se autoconsciente e inseguro. Ele nunca tinha se sentido assim na vida. Ino tinha razão quando disse que nunca tinha hesitado antes, porque ele realmente nunca hesitou. No entanto, com Sasuke parecia ser diferente. Ele se sentia incerto sobre os seus passos o tempo todo, na ânsia que o rapaz os aprovasse e o reconhecesse. Cada vez que o Uchiha o tratava com descaso, mais frustrado ele se sentia.
- Você quer realmente que eu te explique? – ela perguntou com um sorriso malicioso. – Ou você prefere que eu te mostre? – balançou as sobrancelhas sugestivamente, arrancando uma gargalhada do loiro, que a jogou de encontro as almofadas para recomeçarem o que já tinham terminado.
(***)
Naruto saiu do quarto, uma toalha presa no quadril delgado e outra pendurada nos ombros para conter as gotas do cabelo molhado. Nagato já tomava o café da manhã: um waffle abarrotado com chantili, morangos e calda de chocolate e um copo de suco de laranja. O menino parecia ter mergulhado numa poça de doce, porque estava com o rosto todo melecado. Ele parecia bonito.
Na noite anterior, quando estava se preparando para sair de casa, decidiu que carregaria o afilhado junto. Era injusto deixá-lo com Itachi, quando era visível que o homem precisava de um descanso. O Uchiha estava fazendo hora extra no trabalho, desde que tinha um projeto para entregar ainda naquele mês e, quem sabe, o tempo também servisse para que seu amigo e Sasuke pudessem ter um tempo entre irmãos. Ino tinha razão, ambos precisavam conversar.
Nagato já amava passar um tempo no apartamento da Yamanaka mesmo. Ele dormia no quarto de hóspedes na companhia de uma TV (privilégio que não tinha onde moravam), era recheado por comidas suculentas e, quase sempre, conseguia ir à praia com os mais velhos para brincar. Era a definição de final de semana preferido junto com passar um tempo na casa dos avôs.
- Só sua mãe para te mimar assim. – ele brincou, passando o polegar na ponta do nariz sujo e lambendo o dedo. – Você não tem essas mordomias em casa.
- Por isso eu gosto tanto da Ino-chan. – o garoto rebateu, passando a língua pelos lábios, tentando minimizar a aparência desengonçada. Sem sucesso.
Naruto e Ino, que tirava mais alguns waffles da chapa no fogão, gargalharam.
- Você só gosta de quem faz as suas vontades? – o loiro perguntou, enquanto se sentava em uma cadeira.
O sol do lado de fora brilhava intensamente através da janela enorme da sala e o Uzumaki pensou que seria um ótimo dia para ir até a praia ensinar Nagato a surfar. Ele estava prometendo dar essas aulas para o afilhado já fazia um bom tempo, mas nunca arranjou tempo para cumprir a demanda. No entanto, depois da conversa que tivera com o ruivo, ele decidiu que estava mais do que na hora de dar atenção ao menino.
Ino morava em São Francisco, num bairro chamado Richmond District. O lugar era ótimo, porque ficava dentro de uma zona comercial e entre China Beach e Baker Beach. Não era um local barato de se morar, mas como residente da ala infantil do Langley Porter Psychiatric Hospital, ela conseguia arcar com todas as despesas, sozinha, e ainda se dar a liberdade de desfrutar de alguns luxos pessoais. A mulher era viciada em compras e, às vezes, Naruto achava que ela tinha que se tratar junto com os pacientes.
- Claro que não, eu gosto de você. – o garoto respondeu com um sorriso muito Yahiko para o seu gosto. Por um minuto, o homem se amaldiçoou, enquanto pensava o quanto tinha contribuído com a insolência daquela criança, uma vez que seu gênio também era a de um pirralho.
Ao fundo, ele pôde ouvir a Yamanaka soltar uma gargalhada estupefata.
- Quero ver você responder essa agora, "grandalhão". – a loira bateu no peito masculino, como se dissesse pelo gesto que o Uzumaki deveria abaixar o ego.
Ela deu uma piscadela para Nagato e se sentou ao lado de Naruto para tomar o próprio café da manhã. O loiro levou a caneca de café aos lábios, tentando ganhar tempo para pensar em algo.
- É bom você ficar esperto, enquanto dorme. – ameaçou infantilmente, dando um tapa na nuca do afilhado e fazendo Ino rir ainda mais. O ruivo não pareceu intimidado. – Ou eu deveria suspender suas futuras aulas de surf?
O menino abriu a boca em choque.
- Eu estava só brincando. – o mais novo rebateu com pesar, ostentando um bico amuado, não querendo que fosse tarde demais para se retratar.
- Você não acha que ele é muito novo para aprender a surfar? – Ino interviu.
- Fica esperto, Nagato. – Naruto enviou um olhar como aviso, jogando chantili e chocolate no próprio waffle. – Para surfar sem supervisão, sim. – explicou. – Mas, eu vou estar com ele o tempo inteiro, não vai ter perigo. Eu vejo crianças surfando na Baker desde que era moleque, só não aprendi mais cedo, porque não tive quem me ensinasse. Meu pai nunca foi fã desse tipo de esporte.
A mulher ficou em silêncio, porque sabia ser verdade. Ela avaliou os dois com um olhar crítico, como se analisasse um dos seus muitos pacientes, fazendo o Uzumaki erguer uma sobrancelha num questionamento mudo. Ino suspirou.
- Eu vou ficar bem, Ino-chan. – a voz infantil chamou; o olhar violáceo brilhando como se entendesse a sua preocupação.
- Você é como uma mãe galinha às vezes. – o homem brincou, puxando-a pela nuca para lhe dar um beijo na testa. – Dá um beijo nela também, Naga-chan. – pediu, fazendo os outros dois sorrirem com diversão.
Nagato se levantou de sua cadeira e andou até a mulher, que o abraçou antes que ele tomasse qualquer atitude. O beijo em sua bochecha pálida foi melado com chocolate e chantili e o Uzumaki começou a rir com a sujeira que o menino tinha deixado no rosto feminino. Ele sempre se aproveitava desses momentos emocionais vindo da Yamanaka, porque achava divertida (quando não envolvia Shikamaru) a maneira como ela podia ser dúbia. Ino era independente, morava sozinha num apartamento muito espaçoso para uma mulher solteira; era quase impossível associá-la a uma pessoa sensível.
- Você sabe o quê, Naga-chan? – a loira começou, fazendo o garoto erguer as sobrancelhas. – Acho que seu pai está muito limpo. – continuou com falsa inocência, vendo a expressão expectante no rosto infantil.
E os dois começaram a atacar seu alvo com os dedos sujos de doce. O som de gritos, risos e xingamentos preencheu todo o cômodo.
(***)
Naruto abotoou os últimos botões de sua camisa jeans. As mangas compridas, ele dobrou até o final do antebraço. Os cabelos úmidos estavam bagunçados e o cheiro fresco de shampoo se misturava a colônia cítrica. Quando ele passou a toalha novamente nos fios loiros, ele ouviu a porta do apartamento se abrir e fechar com um baque seco junto ao som de passos e vozes masculinas.
Mesmo sabendo que era Sasuke ou Itachi, ele saiu do quarto e foi até a sala de estar para ver quem tinha chegado. Os dois irmãos estavam juntos e, ao vê-lo, tiveram reações diferentes: o caçulo lhe lançou um olhar e acenou ligeiramente com a cabeça, antes de entrar no corredor, e o primogênito, que bebia um copo de água, ergueu uma sobrancelha ao vê-lo todo arrumado.
Ele apontou na direção em que o mais novo tinha tomado com um olhar meio duvidoso, estranhando o fato de ser cumprimentado. Foi um menear suave e quase imperceptível, mas tinha sido mais que ele tinha recebido nos últimos dias. A surpresa foi tanta, que ele nem sabia ao certo como colocar a pergunta em voz alta, no entanto, seu melhor amigo entendeu.
- Nós fomos jantar fora, porque não queríamos cozinhar quando só estávamos os dois em casa. – informou, colocando o copo dentro da pia e se apoiando no balcão de mármore. – E nós conversamos sobre a conversa que vocês tiveram há alguns dias. – o moreno ergueu as sobrancelhas como se o repreendesse.
O loiro parou ao lado do homem e encostou o quadril na superfície plana também.
- Desculpa. – ele pediu sinceramente, lambendo os lábios secos.
Naruto não tinha mais o que dizer; só encarou um desenho de Nagato preso por imãs na geladeira de aço escovado. Uma tentativa engraçada de um carro, modelo antigo, no meio de uma estrada de terra; o automóvel azul bebê soltava onomatopeias pelo cano do escapamento. Era uma quebra na cozinha de um apartamento tão masculino, cheio de cores sóbrias e escuras.
- A culpa foi minha – Itachi rebateu, balançando a cabeça negativamente. –, eu deveria ter contado antes que mais alguém o fizesse. – murmurou, cruzando os braços e encarando o rosto do Uzumaki. – Se ele vai conviver com a gente, ele vai acabar entrando em contato com os nossos amigos e... – deu de ombros. – As pessoas comentam, você sabe.
O loiro concordou com um meneio afirmativo, antes de voltar a encarar o outro.
- Mas, eu deveria ter pensado um pouco mais, antes de fazê-lo. – levou a mão para coçar a nuca, sem graça. – Não cogitei que, já naquela época, ele sentia alguma coisa por mim. – se recusava a usar termos que indicassem amor ou mesmo paixão. – Depois que conversei com a Ino ontem de noite, é que me dei conta de que dormimos juntos antes de ele conversar comigo sobre o assunto. – Nós dois deveríamos ter conversado primeiro.
- Você é sempre tão denso. – o moreno brincou, cutucado o cotovelo no braço do outro.
Naruto fez beicinho para a brincadeira, que ele já estava acostumado, mas não conseguia deixar de se ressentir. Ele concordava, no final das contas.
- Ele disse alguma coisa? – o Uzumaki perguntou repentinamente curioso.
- Ele suspeitava que algo assim tivesse acontecido. – explicou, olhando para o corredor que dava para os quartos, esperando que o irmão aparecesse. – Nós nunca fomos muito discretos e, mesmos nossas piadas parecem ser um pouco mais sérias do que realmente são. Seria uma questão de tempo para Sasuke perguntar o que existe entre a gente. Foi até bom você ter dito agora.
- É que eu não resisto a você... – brincou com a voz rouca, passando a mão no peito do outro, alisando as rugas invisíveis da camiseta de algodão preta. Itachi riu com descrença diante o tom de flerte. – Por que foi bom ter dito agora? – o loiro franziu as sobrancelhas em estranhamento com a última declaração.
- Você não está atraído por ele?
A pergunta o pegou desprevenido e Naruto arregalou os olhos em surpresa. O mais velho só sorriu como se soubesse de algo que o Uzumaki não sabia.
- É tão óbvio assim? – o loiro perguntou miseravelmente, cobrindo o rosto com as duas mãos e soltando um suspiro pesaroso. Confie em Itachi Uchiha para descobrir coisas tão subjetivas com essa facilidade enorme. Ou, talvez, ele não estivesse disfarçando tanto como gostaria.
- Você é tão discreto quanto um elefante de saia, Naruto. – o outro rebateu com humor. Por um instante, ele parecia querer dizer mais alguma coisa, mas não o fez, mudando de assunto repentinamente. – Onde está Nagato? Você o deixou na casa da Ino? – indagou, mudando-se para caçar uma taça no armário.
Era mais que óbvio que o menino não estava em casa. Numa noite de sábado, ele ainda estaria acordado, assistindo algum desenho na TV ou balbuciando uma conversa qualquer com o padrinho. O ruivo seria o primeiro a correr para a porta, assim que Itachi e Sasuke chegaram mais cedo. Ao se deparar com o silêncio atípico do ambiente, o mais velho dera falta da criança tranquila, mas por vezes tão esbaforida.
- Eu o deixei na casa dos meus pais. – respondeu vagamente, enquanto olhava o homem andar pela cozinha até o bar improvisado que tinham na sala. – Ino ia sair com as amigas, algo como jantar fora em um restaurante que inaugurou na Sargent Street e depois se divertir em um clube que elas costumam ir, quando ganham folga no mesmo dia. – explanou com indiferença, dando de ombros.
Itachi o encarou com estranheza, desde o cabelo intencionalmente bagunçado às botas de couro castanho nos pés; tanto a camisa e a calça jeans colavam em seu quadro longilíneo e delgado.
- E você vai encontrá-las? – perguntou, pegando uma garrafa de vinho, antes de voltar para a cozinha.
O loiro assistiu o Uchiha se mover pelo cômodo com movimentos fluídos, como se dançasse. Às vezes, Naruto achava que era uma característica de família, porque reparou há pouco tempo que Sasuke tinha o mesmo jeito ágil, mas ao mesmo tempo controlado, de se mover. Quando o mais novo escrevia algo ou pintava, quando cozinhava ou apenas andava pelo apartamento, era sempre com confiança e certeza temperada com certa delicadeza. Eles pareciam gatos se movendo, as atitudes silenciosas aliadas à ponderação quase perigosa.
- Eu vou sair com Sai. – o Uzumaki respondeu, dando de ombros.
O nome incomum chamou a atenção de Itachi. Fazia dias que ele não ouvia a menção do homem, que era um amigo dos tempos de faculdade de Naruto. Ele colocou a garrafa de vinho no balcão de mármore ao lado da taça meio cheia e franziu a testa, tentando segurar uma careta. O loiro sabia que os dois não se davam muito bem.
- Não faça essa cara. – ele pediu, roubando a taça do outro e tomando um gole do vinho. Ele rodou o líquido na língua, apreciando o sabor seco e levemente azedo.
- Eu só não gosto dele, você sabe disso. – o moreno rebateu, pegando o copo de volta e caminhando até a sala para assistir TV.
Por vezes, os dois bebiam e assistiam alguns filmes para relaxar no sábado de noite. Eles pediriam comida pronta num restaurante qualquer, dependendo do que estavam com vontade de comer, e passariam parte da madrugada com os pés para cima, apoiados na mesa de centro. Nagato os acompanhava também; exceto que ele bebia refrigerante e dormia sempre antes das duas da manhã, porque não aguentava ficar muito tempo acordado.
- Eu sei. – Naruto afirmou. – Mas, você sabe que não precisa ficar com ciúme. Só tenho olhos para você. – acrescentou com diversão indisfarçada, os olhos azuis brilhando, enquanto balançava as sobrancelhas sugestivamente.
Itachi apenas rolou os olhos para a brincadeira, segurando um sorriso divertido. O loiro nem se deu ao trabalho de esconder nada, sorriu para o homem bonito, antes de voltar para o quarto a fim de terminar de se arrumar.
- Não me espere esta noite! – o Uzumaki gritou do corredor.
(***)
Naruto dirigiu pelas ruas movimentadas de Oakland e São Francisco até North Beach, onde ficava o estúdio, flat e galeria de arte em que Sai passava a maior parte do tempo. O homem era um antigo colega dos tempos de faculdade e, embora tivessem se formado em cursos diferentes, os dois tiveram algumas aulas em conjuntos e acabaram se aproximando. Ambos não eram exatamente próximos, mas mantinham contato por questões profissionais.
Naquela tarde, o Uzumaki decidira convidar o cara para jantar e beber alguma coisa em seguida, porque queria conversar um pouco. Ele teve algumas ideias que queria discutir a respeito e precisava saber se o Shimura estava disposto a ajudá-lo. Por vezes, o artista participava da criação de algumas animações e campanhas que ele fechava com algumas empresas, no entanto, não era sobre isso que ele queria discutir agora.
A iluminação dos postes dava vida à noite californiana e ele respirou fundo, apreciando o cheiro de maresia e sentindo falta de sair assim, com os amigos, sem a companhia de Nagato e a preocupação constante de negligenciar o afilhado. A paternidade repentina como um homem solteiro havia lhe tirado um monte da liberdade, eram raros os momentos em que podia aproveitar o tempo livre que tinha para si mesmo. Há muito tempo, ele não saía para se divertir, conhecer pessoas diferentes, ser um pouco irresponsável...
Depois da conversa que tivera com Ino na madrugada passada, ele percebeu que, além de se sentir temeroso que tivesse estragado tudo com Sasuke sem nada ter acontecido de fato, ele se sentia inepto e antiquado. Ele se sentia velho e, por mais que brincasse constantemente com Itachi e dormisse sempre com a mesma mulher, Naruto tinha se esquecido da emoção da conquista. Ele percebeu que o relacionamento aberto que tinha o deixou acomodado. Depois de um tempo, ele e Ino só pararam de transar com outras pessoas...
E ele se deu conta que ambos estavam quase compromissados.
Não sabia dizer ao certo quando aconteceu, mas ele sabia que estava confuso. Ao mesmo tempo em que nada tinha mudado realmente, tudo também mudou. Ainda não existia o ciúme, ainda se comportavam como amigos, mas estavam agindo como se fossem monogâmicos. E os dois não eram, o que tornava tudo ainda pior, principalmente para Ino, porque ela precisava de algo melhor; de alguém melhor. Eles pararam de procurar um envolvimento concreto, porque estavam habituados demais para perceberem o que estavam fazendo.
Olhar para os vídeos de Sasuke, sendo jovem e aproveitando a vida, fazendo intercâmbio para se arriscar a novos horizontes, fez-lhe ter saudades de quem ele era antes de se tornar o guardião de Nagato. Eram 10 anos de diferença e, mesmo que o Uchiha tivesse um interesse em homens mais velhos, ele tinha uma carga que Naruto não sabia se o rapaz estava disposto a carregar sendo tão novo; ele era pai agora.
Ele não podia negar que estava atraído, mas ele estava receoso e preocupado também, porque tinha tanto envolvido, que não tinha certeza se valeria a pena arriscar tudo por apenas diversão. Itachi não iria perdoá-lo dessa vez, se ele machucasse seu irmão novamente, mesmo não sendo intencional. Podia não parecer, mas seu melhor amigo era extremamente superprotetor e, o Uzumaki não estava afim de prejudicar uma amizade por algo tão incerto.
Naruto controlou a vontade de bater a cabeça com raiva no volante, porque precisava manobrar o carro para estacionar. Ele se contentou em esfregar a testa com a ponta dos dedos, enquanto encarava os retrovisores e ajeitava o automóvel rente à guia da calçada. Ele esperava se distrair com Sai, porque nem o sexo parecia ter sido suficiente para organizar seus pensamentos desconexos e amenizar o sentimento de impotência, embora conversar com Ino fê-lo encaixar diversas partes soltas que pareciam dançar em sua mente.
Saindo do veículo, batendo a porta e acionando o alarme, ele caminhou até a galeria que ainda tinha as luzes completamente acesas. O espaço pequeno, comparado a muitos outros, era conveniente, elegante e sofisticado. A fachada preta tinha o logo "ANBU Gallery" escrito em prata. De fora, era possível ver algumas pinturas expostas, cheias de cor e movimento. Ele sempre admirou o estilo bem definido de Sai, com suas linhas que pareciam dançar, formando contornos e sombras agitadas, independente do que ele pintava.
No ambiente bem iluminado com lâmpadas de LED amarelas, adequadas para não prejudicar a pintura, o homem conseguia expor suas peças de maneira bem independente, sem precisar pagar para algum empresário esnobe a fim de comercializar suas obras. Seu amigo era esperto, ele logo percebeu que tudo mudava muito rápido nos Estados Unidos, principalmente no mercado artístico e tecnológico, e que, se ele não investisse numa autonomia, em breve seria substituído por artistas mais novos e "frescos".
Sai podia parecer um boneco inexpressivo a maior parte do tempo, mas Naruto admirava a rapidez com que o raciocínio do cara trabalhava; sua criatividade ao se reinventar sem perder a essência e a forma como ele podia transmitir emoções que, normalmente, seu rosto escondia. Mesmo o seu pai gostava dos trabalhos do Shimura. Em cima da cabeceira da cama de Minato, ele pendurou um quadro que ganhou de presente do seu amigo. Uma mulher nua, em preto e branco, se abraçava no meio da tela, enquanto seus cabelos esvoaçavam como labaredas coloridas ao redor do rosto reconfortante. Uma bagunça de cor em meio à fleuma autoimposta, como se a figura feminina quisesse acolher o caos que ela mesma era com uma aceitação resignada.
E ele se sentiu ciumento, porque nunca recebeu um presente assim. E seu pai tinha razão, quando dizia que ele podia captar a essência de uma expressão artística, porque divagava nelas sem perceber, toda vez que entrava na galeria requintada. O sensor de presença apitou, chamando seu amigo que estava no escritório na parte de trás da recepção.
- Quem é vivo, aparece. – a voz suave brincou, enquanto se aproximava.
Os dois se abraçaram e Sai lhe deu um beijo na bochecha. Acostumado com a estranha forma como o homem podia ser tátil (ainda mais que o próprio Uzumaki), Naruto não ligou ou dissertou sobre o cumprimento incomum.
- Eu fiquei com saudades desse lugar. – admitiu, olhando em volta e fazendo o homem sorrir. O sorriso tão suave que quase parecia forçado.
- Só do lugar? – indagou, puxando um molho de chaves de dentro do bolso da calça social preta. – Eu estava prestes a fechar, quando você chegou. – ele comentou casualmente, andando para a parte da frente, para puxar o portão rolante de aço. – Se quiser, pode me esperar lá em cima. Podemos jantar aqui, uma vez que não acho que encontraremos algum restaurante aberto, sem ser Fast Food. – aconselhou. – Posso preparar algo rápido, antes de sairmos.
- Você está fechando tarde hoje. – estranhou, caminhando até a escada lateral, onde levava à continuação da galeria e o estúdio que Sai tinha construído para si mesmo. Ele olhou para o relógio, quase 22h30min. – A propósito, eu só senti falta daqui e do cheiro de tinta a óleo que seu estúdio tem. – ele sorriu, ao ver o olhar debochado que o homem lhe lançou por cima do ombro.
- O dia hoje foi movimentado. As pessoas parecem querer gastar mais, quando está calor. – explicou com a voz alta abafada pelo barulho do ferro correndo no trilho. – Está cada vez mais difícil lidar com tudo sozinho.
Naruto esperou alguns minutos até que o homem tinha fechado toda a entrada, para voltar a conversar normalmente sem ser interrompido.
- Eu estava me perguntando quando chegaria a hora em que teria de competir pelo meu artista favorito. – brincou. – Em breve, você não terá como me ajudar e eu terei que encontrar outra pessoa. – reclamou, olhando para as pinturas expostas nesse andar. Algumas eram as mesmas que se lembrava da última vez em que estivera ali, mas outras eram completamente novas.
- Estava pensando no que você disse para mim esta tarde. – murmurou, indo até o estúdio na parte da frente. Ele acendeu as luzes do cômodo que usava pra pintar e caminhou até uma tela que descansava no chão e a ajeitou.
Pela janela enorme, que ia do chão ao teto, o Uzumaki conseguia ver a praia. Ele sabia que o homem tinha escolhido aquela parte como área de trabalho, por causa da luz natural que entrava durante o dia.
- Falando sobre o que conversamos hoje, você tem a moldura que te pedi? – indagou com ansiedade, olhando ao redor do quarto.
- Foi uma correria conseguir... – Sai rebateu, pegando o objeto em cima de um balcão grande e espaçoso, cheio de tralhas. – Você deveria ter me avisado um ou dois dias antes, que eu mesmo teria feito para Nagato. – entregou para o loiro. – Branca e simples como você pediu.
- Obrigado. – disse, enquanto analisava a peça de madeira e massa acrílica.
- Deidara tinha alguns em estoque. – se referiu a outro artista que tinha seu próprio estúdio a algumas quadras dali. Naruto o conhecia por nome, porque era amigo próximo de Itachi, e sabia que ele era um escultor reconhecido. – Como sabe que Nagato vai gostar de branco e simples?
Naruto sorriu.
- Acredite, quando eu digo que ele não é uma criança como as outras. Seus desenhos podem ser alegres e infantis, mas ele é totalmente avesso às coisas extravagantes. – riu. – Você precisa ver o quarto dele.
- Não, obrigado. – o Shimura recusou com ironia, seu sorriso claramente falso agora. – Estou bem ciente que Itachi não gosta muito de mim e que não faria o mínimo de esforço para ser cordial. – disse.
- Eu nunca vou entender o porquê de vocês não conseguirem se gostar. – ele franziu as sobrancelhas com estranheza, começando a andar para as escadas que levava ao piso superior, onde ficava o flat que Sai usava para dormir.
- Eu já te disse: ciúme. – o moreno deu de ombros, abrindo a porta para a sala, que também era o seu quarto. O lugar, apesar de ser pequeno, era espaçoso para um homem solteiro. A cozinha dividia espaço com o cômodo e, ao lado, era possível ver as portas que davam para o banheiro e o closet. – E Ino?
- Ela está bem... – respondeu, assistindo o homem andar pelo lugar, pegando um par de taças e puxando uma garrafa de vinho branco de dentro da raque da TV. – Continua gostosa. – Naruto comentou com um sorriso sacana.
- E eu não sei? – aproximou-se do balcão, servindo a bebida, antes de pegar o celular e dar alguns toques na tela. – Acredito que todos os seguidores dela no Instagram sabem o mesmo. – disse, mostrando uma foto que ela tinha postado aquela tarde.
Naruto tinha tirado, enquanto ela estava distraída e apoiada em sua prancha de surf, observando Nagato brincar com outras crianças. O biquíni branco em contraste com a pele meio rosada do sol, uma vez que ela era bem pálida para alguém que vivia perto da praia. Os cabelos platinados, levemente ondulados, úmidos e bagunçados, cascateavam em suas costas. A bunda bonita em evidência, devido ao ângulo que ele estava, quando a fotografia foi batida.
Ele gargalhou, pegando o celular e curtindo a foto pela conta do Shimura.
- Você deveria chamá-la para sair. – insinuou, balançando as sobrancelhas.
- Eu não gosto de compartilhar, Naruto. – rebateu, virando-se para procurar alguns ingredientes dentro da geladeira. – Ela é muito apegada a você e, por mais que diga que possuem um relacionamento aberto, eu tenho certeza que ela não se arriscaria a te deixar por qualquer pessoa. – divagou, enquanto começava a cortar alguns ramos de cebolinha.
O loiro suspirou, tomando um gole do vinho branco em sua taça e olhando ao redor distraidamente. As cortinas escancaradas do quarto/ sala mostravam a iluminação gritante do lado de fora. Ele gostaria de morar em North Beach, mas o local não era tão barato de se morar. Sai tinha dado sorte em achar aquele espaço, porque, além se ser seu local de trabalho, era também a sua casa.
- Eu ainda acho que você deveria tentar. – o Uzumaki murmurou, franzindo os lábios e tentando reter o gosto levemente frutado na boca. – Eu acho que nós estamos presos demais, sabe? – questionou depois de um tempo, mais para si mesmo que para o outro. – Ela não tem se arriscado a sair com outras pessoas e eu também não tenho feito o mesmo, mas Ino precisa de alguém que a faça sair da zona de conforto, mexer com o que ela pensa... – divagou.
- E você? – indagou, pegando uma peça de carne média, para cortar em cubos pequenos.
- Eu? – perguntou com confusão.
- Você disse que os dois não estavam se arriscando mais, mas era ela quem precisava sair da zona de conforto... – esclareceu, como se não tivesse nem um pouco concentrado no que estava fazendo e dizendo. – E você?
Naruto suspirou, inclinando-se mais no balcão, quase encostando a testa na superfície de mármore. Ele pensou um pouco, antes de responder:
- Eu acho que já estou saindo. – murmurou, sentindo o coração apertar. – E, por mais que não veja problema em continuar a dormir com ela, eu acho que essa longarina já durou tempo demais. Ela precisa se abrir para outra pessoa, mas ela não consegue enxergar isso sozinha. Quem sabe, se ela conhecer alguém que vá entrando aos poucos em sua vida, ela não se apaixone?
Sai parou de cortar a carne e franziu a testa.
- E você acha que eu sou essa pessoa?
- Quem sabe? – deu de ombros. – Eu não sei, mas eu sei que você sente algo por ela há alguns anos e que deveria tentar. – Naruto tamborilou os dedos, enquanto encarava a expressão confusa do seu amigo. Ele ainda deixaria Ino escolher o que queria fazer, mas se ele estava cogitando qualquer coisa com outra pessoa, o Uzumaki queria que a mulher avaliasse o mesmo.
