Nada me pertence ou whatever...
Bem, aproveitem a história.
"As luzes do parque"
"Eu..." Começou Kiyomaro sem ter certeza do que iria falar para a Megumi.
A fração de segundos necessária para que ele percebesse que seus sentimentos pela morena iam muito além de amizade ou carinho por um companheira conseguiram apagar qualquer pensamento lógico de sua mente. Ele tinha que se confessar, certo? E, sejamos honestos, não haveria uma hora mais perfeita para algo assim do que agora, quando eles estavam suspensos a metros do chão, iluminados pela mais pura das luzes e, finalmente, sozinhos. Sem Gash, sem Tio, sem guerra mamodo, sem amigos intrometidos, sem livros, sem pop star, sem gênio...
Se ele se confessa-se agora, poderia finalmente viver uma daquelas cenas dos filmes ruins que sua mãe adora. Quando os dois amantes jogam tudo o que são e rendem-se a paixão latente que guardavam dentro de si a muito tempo.
...
Ou, o que era mais provável, ele cometeria a pior burrada de sua vida, Megumi diria não e os próximos seriam os mais longos e silêncios da vida de ambos.
Era tudo uma questão de risco.
Mas era muito difícil analisar qualquer função logicamente quando se encarava os olhos sorridentes que se dirigiam a ele. Ela não poderia olhar para ele daquela maneira se não sentisse nada também, certo? Ou ele já havia chegado ao ponto de desespero em que começava a enxergar sinais inexistentes fora de sua cabeça?
Tudo ou nada.
O que ele escolheria?
"Eu... Nunca vi um pôr-do-sol tão bonito quanto esse..." Disse ele, por fim, sentindo-se mais como um rato do que como um homem. "O que você acha?"
Disfarçando o sentimento de devastação que tomava conta de seu interior, Kiyomaro esforçou-se para mostrar seu melhor sorriso para a amada. Ele era o pior dos covardes e teria que viver sua vida carregando aquele peso.
"Lindo." Disse Megumi torcendo para que o som de choro na sua voz fosse só coisa da sua cabeça. Menina Tola, pensou ela, uma tola que não sabe diferenciar suas fantasias da realidade. "O mais lindo que eu já vi."
Independente da decisão de Kiyomaro, os próximos minutos foram realmente os mais longos e silêncios da vida de ambos. Pois, convencidos de que seus sentimentos eram besteiras que só habitavam suas fantasias, não percebiam o que estava bem na frente deles.
Literalmente.
Em contra posição ao silêncio daquela cabine, o local de desembarque era preenchido pelo som de um ruiva revoltada que soltava os cachorros.
Vejamos, depois de ver que seu plano falhou, Suzume não se sentiu exatamente disposta a subir naquela merda de roda gigante, para falar a verdade, ela esperava que aquilo se explodisse junto com os dois pombinhos lá dentro. Yamanaka tentava, sem sucesso, evitar que a amiga fizesse algo de que pudesse se arrepender mais tarde.
"Suzume, não fique triste com isso..."
"Triste? Quem disse que eu estou triste?" Falou Suzume retirando os brotos de lágrimas de seus olhos. "EU ESTOU IRRITADA!"
"Quer saber o que mais?" Continuou a menina, sem nem notar que o primeiro casal de amigo que havia embarcado no brinquedo, Kane e Iwasha, saíram do brinquedo. "Eu cansei. Cansei de fazer tudo que eu posso para um cara que obviamente nunca vai gostar de mim do mesmo jeito. Quer dizer... Que tipo de garoto me escolheria ao invés da Megumi?" Disse Suzume com um sorriso triste. "Só se for cego, só pode!"
"Eu escolheria." Respondeu Yamanaka, Suzume virou surpresa com a resposta do amigo. Normalmente, aquela declaração teria surtido um efeito completamente diferente em Suzume, mas, naquele contexto, a menina nem considerou aquilo com uma forma de flerte ou algo assim. Sentiu apenas o conforto de um apoio amigo. E era nisso no que ela acreditaria, por enquanto...
"É, eu também!" Brandou Marylou, cortando o clima que ela nem notou que havia se instaurado entre os dois amigos. Ela só havia pegado metade do discurso porque saíra a pouco tempo da roda gigante, mas, na realidade, ela também não era nenhuma especialista no amor como se gaba ser. "E o que você precisa fazer agora é óbvio! Quem ela acha que é? Só porque é famosa pode ir pegando o homem de quem quiser? Ahn-ahn. Não é assim que as coisas funcionam por aqui! E falo mais..."
"O que está acontecendo aqui?" Perguntou Kiyomaro se aproximendo junto ao grupo junto de Megumi. Seus amigos lançavam-lhe olhares dos mais variados – enquanto isso os pequenos mamodos brincavam sem perceber a tensão que se formava entre os outros – o que deixava-o ainda mais confuso.
Os próximos minutos foram de total e completo silêncio.
Ninguém lá sabia muito como reagir naquela situação, pois todos eles – inclusive os envolvidos diretamente – sabiam muito pouco de tudo.
Por isso, a surpresa foi ainda maior quando Suzume simplesmente agarrou o pulso de Megumi e saiu correndo com a Pop Star até que elas se perdessem naquela multidão de pessoas.
Pelo choque ou pela a incomum rapidez de Suzume, nenhum deles foi capaz de acompanhar as meninas. E, para Kiyomaro, a ficha só caiu quando ambas estavam distante.
"O que foi isso?" Perguntou o gênio.
"Eu não faço a menor ideia." Respondeu inocentemente Gash. " Mas elas deve estar correndo para tentar ver os fogos de artifícios em um lugar melhor!"
Realmente, Suzume não poderia ter escolhido uma hora melhor para fugir com Megumi de lá. O parque Mochinoki era famoso por seus fogos de artifícios e, como os brinquedos começavam a fechar naquela era, as pessoas se concentravam todas
"Deveríamos seguir elas, né Kiyo?"
Gash estava certo.
Bem, em parte. Kiyomaro deveria seguir elas.
"Me encontrem na saída do parque em 15 minutos. Vou estar com as meninas" Anunciou Kiyomaro quando já havia começado a correr para longe do grupo.
Não olhou para trá para ver reações ou se alguém o seguia. Nada daquilo importava agora. Pois ele sentia que seu futuro amoroso estava prestes a ser decidido e, infelizmente, parecia que ele não havia sido convidado para essa discussão.
"Eu te odeio."
Megumi adoraria dizer que havia sido pega de surpresa por esta declaração, mas isso simplesmente não seria verdade. Desde que o grupo parará na frente da casa de Kiyomaro, Megumi percebeu que os olhos, antes cheios de admiração de Suzume, foram preenchidos por um sentimento bem mais intenso.
Por uma fração de segundo, as meninas ficaram imóveis olhando profundamente nos olhos uma da outra. Nesse meio tempo, Kiyomaro fora capaz de localizar as duas meninas que estavam sozinhas próximas a um das atrações aquáticas- que eram as primeiras a fechar. Ele ajoelhou-se perto de um abursto para escutar a conversa. Passaram alguns minutos frios de silêncio até que Suzume não conseguiu mais resistir e deixou as lágrimas quentes escorrerem de seus olhos.
"Eu te odeio tanto! Porque eu sei que o Takamine-Kun nunca vai gostar de mim como ele gosta de você. Na verdade, eu acho que ninguém nesse mundo nunca vai gostar de mim como ele gosta de você."
"Suzume-Chan, não fale assim."
"Assim como? Dizendo a verdade?"
" Não, assim mentindo! Você sabe tanto quanto eu que um dia desses você vai encontrar um cara incrível que vai ser louco por você."
" Fácil para você dizer, você é a Megumi Oumi! Tem o mundo inteiro aos seus pés! É linda, inteligente e perfeita. Não é de se surpreender que o Takamine-Kun acabou se apaixonando por uma garota como você..."
" O Kiyomaro não está apaixonado por mim..."
Pela primeira vez, os olhos de Suzume voltaram-se para encarar Megumi, incrédula. Ela esperava que aquela declaração trouxesse um pingo de esperança de volta ao seu coração, mas não foi isso que aconteceu.
" Mas você ama ele?" Perguntou Suzume mirando diretamente nos olhos castanhos e confusos da pop star
" Eu..."
Por mais que o barulho dos fogos de artifício fossem suficientes para que Kiyomaro não escutasse a resposta daquela pergunta, o jovem sentiu a extrema necessidade de correr para longe. Ele não queria saber a resposta.
Quem ele queria enganar? Ela era a Megumi Oumi, a maior cantora de todo Japão e mulher ideal de 11 entre 10 homens. E ele era o quê? Um garoto metido a sabichão que mal havia terminado o ensino médio!
Como ele pode ter pensado por meio segundo que Megumi poderia sentir alguma coisa por ele? Besteira!
Kiyomaro era um homem de lógica, sempre fora. E ter achado que qualquer sentimento que pudesse existir entre os dois era puramente ilusão da sua cabeça!
E ele repetiria isso para ele mesmo até que ele acreditasse nisso.
Kiyomaro deu mais algumas voltas pelo parque tentando acalmar seus pensamentos antes que tivesse que se encontrar novamente com o grupo e encarar Megumi.
Só que quando o rapaz voltou a encontrar o grupo, ele estava preocupado com as possibilidade de ter andado tempo suficiente para que um desastre já tivesse ocorrido e todos seus amigos estivessem mortos. Entretanto, quando o rapaz avistou seu grupo de longe, ele se preocupou com a possibilidade de ter andando tempo suficiente para ter entrado em um universo alternativo.
A primeira que Kiyomaro identificou a distância foi a de Megumi, o choque dele foi perceber que a mão da pop star estava sobre o ombro de Suzume. E as duas riam. E conversavam junto ao grupo. Como se nada do que Kiyomaro acabará de ver jamais tivesse acontecido.
Os fogos de artificio continuavam a dominar o céu, então nenhum dos amigos percebeu a aproximação de Kiyomaro. Enquanto os olhos de todos naquele parque estava direcionado para alto, Kiyomaro encarava fixamente para as duas meninas que assistiam os fogos uma do lado da outra. Seu olhar viajou de Suzume até Megumi, ela deslizou as orbes sobre Megumi como se esperasse que algo nela pudesse dar a ele todas as respostas que perguntava.
Como se pudesse sentir o peso do olhar sobre si, a pop star desviou seu olhar do céu iluminado para encontrar o gênio que a encarava fixamente. Ela o encarou por alguns segundos e deu um leve sorriso, um tanto triste. E aquilo despertou uma péssima sensação de Kiyomaro.
O menino desviou o olhar de novo para a companheira de sala só para espiar o sorriso radiante que se formava em seus lábios. Droga, era óbvio o que havia acontecido. Ele sentiu um peso enorme cair em seus ombros quando tomou conta de que Suzume havia sido a vitoriosa.
Não que aquilo fosse uma competição para começo de conversa, Megumi provavelmente nunca retribuirá os sentimentos do rapaz. E aquela discussão com Suzume deve ter sido a ocasião perfeita para que ela acabasse com todos os mal entendidos.
Antes que o golpe de sua dedução o atingisse por inteiro, os fogos haviam acabado e os amigos de Kiyomaro já formavam uma roda ao redor dele. Então, ele engoliu todos aqueles sentimentos e resolveu guarda-los para uma hora mais apropriada – ou talvez para nunca mais.
Ao contrário da ida, agora um carro da gravadora esperava por Megumi em frente ao portão do parque. Ela teria um show amanhã e, aparentemente, teria que passar em algum lugar para resolver um problema de última hora que surgiu com o figurino. Ela precisava chegar rápido lá caso quisesse descansar a tempo suficiente antes do show.
Todos do grupo despediram-se entre lágrimas de felicidade de Megumi e Tio, agradecendo o dia incrível que tinham passado. Megumi retribui, sinceramente, o carinho de cada um deles. Muito para a surpresa de todos, quando chegou a hora da ganhadora da rifa se despedir da cantora, Suzume e Megumi trocaram um abraço próximo e confidente, que causou um certo desconforto em Takamine, mas ele já havia decidido que aquela não era a hora de lidar com isto. Kiyomaro foi a última pessoa a se despedir de Megumi, muito porque ambos tentavam, sem sucesso, evitar o iminente momento.
A menina parou em frente ao rapaz e, por alguns segundos, ele só se encararam. Nenhum deles sabia como deveriam proceder naquele momento, só sabiam de uma coisa: Não queriam se despedir um do outro. A pena é que o outro não sabia que na cabeça de seu parceiro, ocorriam os mesmo pensamentos. Então, em um ato desesperado, Kiyomaro envolveu Megumi em seus braços os mais forte que pode.
Eles já tinham estado em situações em que tiveram um contato físico até muito maior do que este, mas agora era algo que eles nunca haviam experimentado. Naqueles breves segundos em que Kiyomaro teve Megumi em seus braços, o rapaz realmente sentiu com que o mundo a sua volta parou completamente por alguns segundos. Ele só era capaz de sentir o calor reconfortante e o doce perfume que era exalado pela mulher amada.
Quando a soltou, Kiyomaro encarou as lindas orbes de Megumi e sentiu a enorme necessidade de dizer algo. Mas ele não foi capaz de dizer nada, pois as palavras machucam. Não ela, ele. Ele poderia suportar a dor daquelas palavras que o cortavam por dentro e preferia morrer sufocado por essa dor do que ver um relance de sofrimento encostar em Megumi.
Porém, as palavra ficaram enjauladas em sua garganta quando um sorriso em seus lábios assumiu o papel de um barra de ferro.
Foi ao ver o carro indo embora e com a memória fresca de ter Megumi em seus braços que Kiyomaro percebeu uma coisa:
Deveria desistir de Megumi para sempre!
Quanto mais penso nisso, mas posso acredita. Falta só um capítulo para terminar a história.
É isso que vocês ouviram, só umzinho. Meu Deus, depois de tanto tempo de idas e vindas com essa fanfic mal posso acreditar que finalmente estou quase acabando com ela! T.T
Enfim, como falei no último post estou determinada a acabar essa fanfic de qualquer maneira antes do final do ano. Mas acredito que acabe ela até novembro. Podem cobrar.
Vamos lá, gente. Mandem energias positivas que o esperado final já está saindo!
Beijos,
N*t*sh*
