CROSSING INTO CHAOS

Autora: Emeraleyes

Tradutora: Mila B.

Beta: Capítulo sem betagem!

Sinopse: Em um mundo em que Voldemort jamais foi derrotado, apenas puros-sangues, dinheiro e poder interessam. Tudo que Ginny Weasley queria era sobreviver nesse mundo pretensioso, mas ela acaba por cruzar uma linha e ir de encontro ao caótico mundo de Draco Malfoy.

Classificação: T

Status: Incompleta (a original possui até agora dezenove capítulos)


Capítulo 9 - O Inevitável Próximo Passo

Já era tarde quando Draco voltou para casa, avançando pelo corredor principal e afastando com um olhar afiado o trêmulo elfo doméstico que tentava aliviá-lo de seu manto. A criatura tentou balbuciar algo que deveria assemelhar-se a inglês no momento em que ele passou intempestivamente, mas desistiu de sua tentativa quando seu mestre parou momentaneamente para encará-lo, os olhos frios e perigosos. O elfo guinchou algo sobre uma visita antes de fugir, tropeçando nos próprios pés nada menos do que quatro vezes antes de desaparecer.

Draco Malfoy estava tão irritado que tudo ao seu redor só servia para irritá-lo ainda mais, tornando difícil rastrear a fonte original de sua raiva. Ao avançar furiosamente pelos corredores vazios da casa de seus pais, ele caminhou em direção ao seu quarto, batendo a porta às suas costas com força suficiente para fazer os elfos domésticos se esconderem por todo o mês. Ele se jogou na poltrona de couro luxuosa, imagens daquela noite piscando em sua mente enquanto ele recordava o que exatamente estava causando seu atual ataque de cólera.

"Puta merda, você acha que alguém viu isso?" A pequena caipira perguntara, parecendo horrorizada com ideia exata de ser pega aos beijos com ele. Ela claramente tinha uma percepção incrivelmente distorcida da realidade, uma vez que deveria ser ele a estar preocupado em ser pego. E ainda assim, era ela quem parecia horrorizada. Fervilhando, ele pulou da poltrona e começou a andar pelo quarto.

Uma batida na porta interrompeu seus pensamentos, justamente quando ele estava examinando a prateleira de livros em busca algum objeto adequadamente quebrável para arremessar na parede.

"O QUE FOI?" Ele gritou, indignado que qualquer um dos elfos domésticos tivesse a ousadia de interrompê-lo. Ele avançou em passos largos até a porta, dando um puxão para abri-la, pronto para atacar qualquer que fosse o servo trepidante que teve a infelicidade de estar do outro lado da porta.

"E isso é lá jeito de cumprimentar sua prima favorita?" Uma voz divertida perguntou. Draco encarou-a por um momento em surpresa, antes de sair do caminho para que sua prima de cabelos roxos, Nymphadora Tonks, adentrou o quarto com um sorriso amplo, os olhos brilhando com malícia. Sentindo-se levemente menos furioso, Draco cruzou seus braços e apoiou-se na parede, observando sua prima mais velha andar alegremente até a poltrona que ele recém abandonara e sentar-se com um suspiro. "Sério, Draco, tente não agir tão feliz em me ver, é constrangedor!"

"O que você está fazendo aqui?" Ele perguntou rispidamente. Ela lançou-lhe um olhar sarcástico e revirou os olhos.

"Quando o gato está longe, o rato aparece para brincar," Ela disse com um encolher de ombros.

"De que gato você está falando, prima rata? Seu gato ou os meus?" Draco perguntou, andando em direção ao conjunto de portas francesas que levavam à sacada do quarto. Ele as abriu, apesar do frio no ar, permitindo que o ar fresco entrasse no cômodo.

"Não seja bobo, os seus gatos estão sempre fora," Ela disse.

"Isso explica a cor dos cabelos, então. Seu marido dificilmente ficaria impressionado com a sua escolha. Roxo, sério?" Ele perguntou, com uma sobrancelha arqueada.

"Eu espirro e ele muda, dificilmente algo que eu possa controlar," Ela disse, seus olhos brilhando espertamente. Draco teve de rir – a tendência da metamorfomaga em mudar de aparência era uma constante fonte de embaraço para a família, que se empenhava em pressioná-la a manter uma aparência 'normal', encorajando-a contra o uso de seus poderes.

Depois que a mãe dela, Andromeda, e o muggle com quem ela fugira, foram mortos em um 'acidente', a filha deles foi a única criança encontrada viva na vila onde eles estiveram se escondendo. Ao ouvir sobre isso, a mãe de Draco insistiu em adotar a criança, determinada a criá-la propriamente – a fim de apagar o estrago causado pelo nome da família Black, criado pela péssima escolha de sua irmã. Felizmente, devido à influência de Lucius, pouquíssimos realmente sabiam da verdade sobre o pai de Nymphadora e, aqueles que sabiam, estavam por demais preocupados com as consequências para que falassem algum dia sobre isso.

"Então, ou seu marido está viajando, ou você foi mandada pelos meus pais para ver o que eu ando aprontando," Draco disse com um olhar afiado. O sorriso de sua prima murchou levemente à menção do marido, Augustus. Ela casou-se com o infame Comensal da Morte logo depois de completar dezenove anos, e o ministro do departamento de mistérios estava frequentemente afastado em viagens misteriosas sobre coisas que ele nunca contava a respeito para a jovem esposa.

"Oh, o marido está viajando," Ela disse com um rolar de olhos. "Se os seus pais quisessem alguém para ficar de olho em você, eles dificilmente pediriam a mim. Isso seria o mesmo do que sair do radar deles por mais do que doze horas, e só o Dark Lord sabe que tipo de problema eu causaria para o nome da família nesse meio tempo!"

Ela havia sido selecionada para a Grifinória, um fato que era uma fonte inesgotável de embaraço para os pais de Draco. A completa falta de graça e o talento para ser completamente desajeitada e atrapalhada em quase todos os eventos sociais eram também pontos doloridos para eles. Por ter uma natureza bastante rebelde, ela frequentemente fazia amizade com 'os tipos errados' e repetia seus ideais ridículos, tal como tolerância aos sangues impuros, algo que certamente não pertencia a casa Malfoy.

Um pouco antes de ela se graduar em Hogwarts, ela disse a eles que estava planejando casar-se com um camponês que conhecera no povoado. Agindo o mais rápido possível a fim de evitar essa deslealdade a tudo que eles haviam feito à 'miserável ingrata', o casal Malfoy encontrou um membro adequado da sociedade – Augustus Rookwood – e, em troca de uma posição proeminente, o comensal ofereceu casamento e silêncio. Já o noivo escolhido por Nymphadora desapareceu na mesma noite em que todos os arranjos foram feitos. Encurralada, ela não teve outra opção senão obedecer.

"E com razão. Você é uma má influência para mim, você sabe," Draco disse.

"Eu sei. Essas coisas horríveis que eu tenho tentado lhe ensinar – como se divertir, como rir de si mesmo, e todos os segredos da perfeita execução de uma Finta de Wronski – corromperam sua fibra moral além de qualquer reparo. Sua mãe desmaiaria se soubesse que seu impressionante filho está atualmente à mercê de sua delinqüente prima meio-sangue." Ela disse sarcasticamente.

"Por quanto tempo está pensando em ficar?" Ele perguntou, tentando parecer indiferente ao abaixar o olhar para suas mãos, mas ele foi incapaz de esconder o brilho esperançoso em seus olhos. Ela sabia o quanto ele passava sozinho naquela casa vazia, com ambos os pais permanentemente em Londres em negócios do Ministério.

"Até que eu me canse de você e seu temperamento odioso. E, por falar nisso, o que te deixou tão irritado? O pobre elfo doméstico que tentou lhe dizer que eu estava aqui praticamente teve um colapso!"

"Nada!" Draco rebateu, sua face nublada pelo ódio ao lembrar-se do ataque de raiva que ela tão rudemente interrompera. Nymphadora riu.

"Soa como problemas com garotas para mim," Ela disse com um olhar esperto. Draco a encarou. "É a única coisa que eu sei que pode criar essa exata combinação de raiva e mau humor. Lembra como você ficou depois daquele incidente com-"

"Não é da sua conta!" Ele gritou, e ela jogou a cabeça para trás e riu. Levantando-se, ela agarrou o braço dele e começou a puxá-lo pra fora do quarto.

"Vamos, priminho. E única cura para um problema romântico capaz de garantir que até mesmo um bastardo revoltado como você se transforme em algo parecido com um humano, é sorvete." Ela declarou enquanto o arrastava pelo corredor.

"Não é problema com garotas. É um..." Draco murmurou sob sua respiração. "É problema com uma weasel."


Todo mundo ainda estavam fofocando, rindo e cochichando sobre o que acontecera na festa de Cho Chang na sexta à noite. Uma semana inteira havia passado desde o incidente, e ele ainda era o tópico número um na mente de todos, um fato que estava deixando Pansy Parkinson completamente louca. Ela encarava a todos, os fofoqueiros hipócritas, enquanto eles passavam pelos corredores entre uma aula e outra, e sentia os sorrisos mal-disfarçados quando passavam por ela, ainda rindo sobre o que haviam escutado que a garota Weasley dissera a ela, e sobre o que Cho Chang havia feito. E ela não estava disposta a aturar isso. A garota ultrapassara todos os limites, e Pansy estava cansada de esperar que Draco Malfoy atirasse a primeira pedra – apesar de que, certamente, depois de sofrer o 'ataque' da weasel por um amasso no meio do salão de baile, ele já deveria estar um passo a frente do jogo, com planos para uma vingança à altura.

Ela a viu, ostentando vestes desgastadas e sapatos horríveis, e então pegou sua varinha, preparando-se para usá-la contra ela e colocar aquela arrogante miserável em seu lugar. Justamente quando ela estava pronta para começar o assalto, alguém a alcançou por trás e segurou seu pulso, puxando-a para trás. Virando-se, praticamente fumegando de raiva, Pansy estava prestes a lançar-se contra a pessoa que ousou interrompê-la quando ela percebeu quem era seu atacante. Olhando-a de cima, com olhos sombrios e sério, estava ninguém mais no que a última vítima da weasel – Draco Malfoy.

"Parkinson, você entendeu errado alguma coisa do que eu disse a você, a respeito da Weasley?" Draco disse, sua voz perigosamente calma, sua mão bem apertada contra o pulso de Pansy.

"É claro que não, Draco!"

"Então fique longe dela. Bem longe," Ele ordenou, largando seu pulso e começando a se afastar.

"Você não está simplesmente planejando se safar depois de tudo que ela fez, está?" Pansy chiou, incapaz de se conter. Seu senso de justiça sentia-se terrivelmente prejudicado, visto que ela fora a humilhada em frente de seus colegas e alguns dos melhores bruxos da sociedade, e ainda assim a weasel sairia numa boa, sem retaliações!

Draco pausou e se virou lentamente.

"Eu não gosto de me repetir, Parkinson. Ela é minha, e se você mexer com ela novamente, terá muito mais do que uma humilhação pública com que se preocupar. Deixa-a comigo, ou então..." Ele disse com um olhar afiado, antes de se virar e sumir pelos corredores, sem outras palavras. Pansy observou-o partir, sua boca escancarada em choque, incapaz de dizer qualquer outra coisa.


Ginny não sabia o que era pior – saber que todo mundo na escola já havia escutado sobre o Incidente de Sexta à noite, ou que ela não poderia arrancar de sua mente a memória do que acontecera depois. Ao fazer seu caminho para a última aula, tendo sobrevivido o dia inteiro sob um escrutínio constante e tendo de escutar sussurros e risadas toda a vez que passava, enquanto bravamente tentava ignorar as zombarias de como havia se atirado em cima de Malfoy, ela amaldiçoava o dia em que se erguera contra Draco Malfoy. Sua vida resumia-se a nada menos que caos desde então.

"Guardem seus livros. Hoje, vocês irão praticar com suas varinhas. Peguem-nas e façam uma fila em frente ao armário," Snape ordenou assim que todos os estudantes estavam sentados na sala. Todos resmungaram, mas obedeceram, enquanto se perguntavam aos sussurros que tipo de criatura teriam de enfrentar dessa vez. Snape, que possuía uma grande falta de criatividade ao designar seus testes práticos, frequentemente apenas jogava uma criatura mágica no enorme armário no canto distante da sala, forçando cada aluno por vez a derrotá-la. Ginny sentiu seu coração afundar com o anúncio, e tentou impedir-se de entrar em pânico. Depois do acidente com o teste algumas semanas atrás, ela precisava de uma boa nota para contrapor o zero que recebera, mesmo que isso significasse entrar em um espaço pequeno e fechado.

Seguindo seus colegas de aula, Ginny parou perto do final da fila relutante que se formou em frente ao armário, com estudantes empurrando uns aos outros numa tentativa de se manterem o mais distante possível daquilo. Snape olhou-os com uma carranca ao passar por perto, seus olhos analisando através dos estudantes em busca de uma vítima.

"Essa é uma criatura mágica incrivelmente básica que qualquer estudante em Hogwarts deve estar apto a neutralizar em seu primeiro ano. Dada a espetacular exibição de habilidades muito abaixo do esperado em seu último teste prático, eu senti a necessidade de voltar ao nível básico. É simples: Há um bicho-papão nesse armário. Cada um terá três minutos sozinho ali dentro. Se ele ainda tiver a forma de seu maior medo depois de passados os três minutos, você falhou," Snape explicou. Sussurros de excitação passaram através da sala quando aqueles que estiveram nervosos sobre o teste perceberam que ele era praticamente um presente. Todos sabiam como derrotar um bicho-papão. Ginny, entretanto, não sentia exatamente o mesmo – uma bola espessa de medo se formou em seu estômago enquanto ela fazia o seu melhor para não vomitar. A ideia de subir naquele espaço, tendo a pesada porta de madeira fechada às suas costas por três minutos era muito mais do que ela poderia suportar.

"Srta. Weasley, como punição por sua desonestidade acadêmica durante nosso último teste, eu acho apropriado que você faça o teste prático primeiro," Snape disse, seus olhos negros brilhando ao caírem sobre ela, sem dúvidas percebendo o desconforto em seu rosto que ela tanto se preocupava em esconder. Ginny se amaldiçoou, amaldiçoou Snape. Ela havia esquecido a primeira regra de sobrevivência – jamais mostre nenhuma fraqueza.

"Por mim tudo bem," Murmurou, andando lentamente até a frente da plateia. Seus membros pesavam, seus movimentos eram rígidos e lentos, como se andasse através da água. Ela relutantemente pegou sua varinha e quando estava para alcançar o armário, murmurou um feitiço suave que fez a ponta brilhar.

"O que você está fazendo, Srta. Weasley?" Snape demandou, um sorriso torto em seu rosto. Ginny parou, olhando ao redor, tentando compreender o que havia feito para merecer tal pergunta, sua mente nublada pelo esforço para segurar o pânico que sentia espalhar-se a partir de seu estômago.

"Estou para subir no armário e lutar contra um bicho-papão, como você me pediu," Respondeu lentamente, incerta do porquê isso era subitamente um problema para ele. Ela ia fazer, não ia? Ele sabia – ele sabia por que isso era difícil para ela, então ele deveria estar satisfeito por ela estar prestes a completar seu teste estúpido sem uma palavra de reclamação.

"Eu não disse que você poderia usar um Lumos. Eu quero que todos vocês estejam preparados para enfrentar um bicho-papão sem usar nenhuma luz produzida por suas varinhas," Ele disse. A frágil barreira segurando a tempestade de emoções que ameaçavam consumi-la nos poucos minutos desde que Snape anunciou o pequeno 'teste', desmoronou em pedaços, e ela foi incapaz de impedir-se de retrucar.

"É impossível lutar contra um bicho-papão sem ser capaz de vê-lo! Riddikulus não vai funcionar a menos que eu seja capaz de rir dele, para transformar meu maior medo em algo de que eu possa rir, e não há como fazer isso às cegas!" Ginny protestou. Snape sorriu, um olhar frio de triunfo em seus olhos.

"Então você vai ter de encontrar uma forma que não seja pelo Riddikulus. É esperado de você que seja uma aluna brilhante – é por isso que a escola lhe fornece uma bolsa de estudos tão generosa, certamente você é capaz de pensar em alguma coisa," Ele disse sordidamente, enquanto abria a porta do guarda-roupa e a segurava aberta para Ginny. Ela encarou o espaço escuro e vazio que seus olhos alcançavam e experimentou uma necessidade urgente de vomitar frente ao pensamento de ir até lá. "Rápido, Srta. Weasley, antes que o bicho-papão escape e eu tenha de enviá-la para vasculhar o castelo atrás de outro. Depois de dar-lhe um zero, é claro."

"Eu não vou." Ela disse, com a voz firme a despeito da maneira como seus membros tremiam.

"Se você espera passar de ano, você vai." Snape replicou, sua voz um silvo baixo.

"Eu não posso. E você sabe por quê." Ginny protestou desesperadamente. Ela e Snape certamente tinham suas diferenças, mas há muito tempo, durante seu primeiro ano, ela havia confessado a ele suas dificuldades em entrar em lugares pequenos e escuros, e ele entendeu, levemente (enquanto simultaneamente agindo de forma completamente sarcástica e zombando disso).

"Se não fizer, então terá falhado no teste. Eu não estou disposto a fazer exceções a nenhum de meus alunos," Snape disse firmemente. Encarando seu rosto impassível, Ginny sentiu uma onda de ódio por ele, enquanto ele sorria presunçoso. Buscando forças, tentando lembrar o feitiço que Hermione a ensinou para ajudá-la a aliviar o pânico debilitante que sentia toda a vez que se deparava com um lugar pequeno e enclausurado, Ginny deu dois passos em direção ao armário. Sua respiração tornou-se rasa conforme ficava cada vez mais difícil de respirar enquanto espiava o interior, captando um vislumbre na penumbra das dimensões do armário. Era muito pequeno.

Ela tentativamente deu um passo para dentro, forçando-se a continuar se movendo, relembrando a si mesma o quanto precisava de uma boa nota no teste. Ginny sentiu a porta fechar às suas costas, e então estava presa no escuro. Havia pequenos traços de luz ao longo das frestas na porta, dando-lhe um pequeno campo de visão, e olhou ao redor, tentando encontrar o bicho-papão, planejando usar o Riddikulus a despeito do que Snape dissera.

E subitamente, ela não podia ver mais nada. O barulho da sala de aula além do armário desapareceu completamente e, junto a isso, a ínfima quantidade de luz. Sentindo as mãos começarem a tremer e uma onda gigante de pânico atravessar seu corpo, Ginny tentou respirar profundamente, forçar-se a se acalmar.

Mas então, ela ouviu os barulhos. Sons insuspeitos de uma quieta floresta à noite, sons que em outro mundo seria confortador e pacífico, encheram seus ouvidos. O ar ficou mais frio, e Ginny sentiu o coração cair quando o espaço pequeno foi preenchido por um estranho brilho verde, aparentando como se viesse de longe e parcialmente obscurecido por topos de árvores. Ginny então viu que o bicho-papão havia se transformado em seu maior medo, mesmo que o espaço ao seu redor parecesse esmagar-se contra ela – a Marca Negra.

Largando sua varinha, Ginny agarrou-se às paredes ao seu redor, desesperadamente sentindo seu caminho no escuro, procurando a saída. Ela achou e a empurrou com força, tropeçando quando a porta cedeu. Incapaz de falar e ignorando por completo os olhares inquiridores e risadas abafadas de seus colegas, Ginny passou voando por seu professor carrancudo, rapidamente jogou seu pergaminho e pena na bolsa e saiu correndo da sala de aula.


Ginny ficou andando pelos domínios da escola por quase uma hora, vagando sem rumo pelos corredores e para os campos, sem se importar com qual direção tomava. Realmente não importava; ela só estava tentando matar tempo suficiente para que pudesse voltar para sala de Defesa Contra as Artes das Trevas e pegar de volta sua varinha, planejando demorar-se tempo suficiente para que Snape já houvesse deixado a sala e ido a seu escritório.

Ela entreouviu algumas aulas e, ao ver que a maioria dos estudantes estava indo embora, soube que era quase seguro voltar. Ginny ainda se sentia um tanto nervosa e emocionalmente abalada, lamentando o dia no qual havia contado a Snape seu segredo. Ela tinha a nítida impressão que ele havia escolhido aquele teste em particular especialmente para ela, como uma forma de vingança pelo que quer de errado que ela havia cometido antes. Repassou mentalmente às vezes em que topara com Snape, procurando incansável pelo que poderia ter feito para chateá-lo tanto a ponto de ele elaborar um ataque tão drástico contra ela.

Absorvida em suas ponderações e ainda sentindo a paranóia agitada que a consumia desde que fugira da última aula do dia, Ginny inclinou a cabeça e espiou verificando se havia alguém no pátio, planejando cortar caminho através dele até a escola – mas apenas se não houvesse ninguém por perto. Olhando ao redor, ela viu e acompanhou com o olhar um retardatário até que ele virasse a esquina, e então decidiu que era seguro continuar. Ela estava tão absorta em manter-se escondida até que ele estivesse fora de vista, e não notou o grupo que se aproximou por trás dela, observando-a parcialmente escondida na dobra da esquina, furtivamente tentando evitar ter-se notada pela pessoa que cuidava.

"Hei, olhem, é a Weasley!" Alguém exclamou, o que praticamente levou o coração de Ginny a parar de bater pela surpresa, seus nervos ainda sensíveis pela experiência de mais cedo. Ela se virou, os olhos selvagens, e ficou chocada em ver um grupo misturado com pessoas que normalmente ficaria encantada em ver – Blaise Zabini e Cho Chang – e um bando que definitivamente não lhe causava nenhum prazer – Grabbe, Goyle e Draco Malfoy. Seus olhos passearam pelo grupo, notando que todos pareciam ostentar sorrisos casuais e não parecia haver muita hostilidade vinda deles. Até que seus lhos encontrassem os de Malfoy, que estava sério, com uma expressão rígida. Ginny sentiu um solavanco no estômago enquanto eles faziam contato visual – a última interação, da sexta-feira anterior, ainda estava bem fresca em sua mente. Ela desviou o olhar o mais rápido possível, tentando desajeitadamente evitar encará-lo. Só que, se Draco Malfoy fosse fácil de ignorar, ela nunca mais teria nenhum outro problema na vida. Ginny se concentrou no chão, convicta de que era o lugar mais seguro para olhar.

"Quem você está espionando?" Grabbe perguntou, a voz repleta de divertimento. Ginny o encarou quando ele falou, erguendo o olhar para ele, seus olhos arregalados de surpresa.

"Uma grifinória, metida em qualquer atividade furtiva? Inconcebível!" Goyle gargalhou. Ginny sentiu seus nervos se eriçarem e um flash de irritação correr através dela ao perceber que estava para gritar algo em defesa de todos os grifinórios enquanto simultaneamente negaria estar realmente espionando alguém. Porém rapidamente se segurou e manteve a boca fechada antes que pudesse dizer algo imprudente, e decidiu apenas encará-lo.

"Ginny, você sumiu tão depressa na última sexta-feira, eu não tive a chance de te agradecer por ter ido," Cho disse com um sorriso, enquanto dava um cutucão em Goyle com o cotovelo. Aliviada por ter a atenção desviada do que vinha fazendo anteriormente, ciente de que jamais conseguiria explicar por que queria voltar sem ser vista para a sala de aula de Snape sem ter de contar o que acontecera, Ginny sorriu para Cho e estava para agradecê-la novamente por toda a bondade daquela noite quando Goyle se meteu.

"Isso é porque ela fugiu depois de se jogar em cima do Draco e beijá-lo sem motivos!" Ele riu, com Grabbe rapidamente juntando-se a ele. Sentindo o rosto começar a queimar, Ginny desesperadamente tentou evitar olhar para Blaise, mas ela estava morrendo para saber como ele reagiria ao comentário. Ela precisava explicar, precisava que ele soubesse a sequência de eventos, para entender que nunca desejou beijar Malfoy.

"Não foi isso que aconteceu! Eu não me joguei em cima dele, como vocês dois bem sabem, já que foram vocês que plantaram aquele visco enfeitiçado no salão do baile!" Ginny gritou. "Eu nunca sentiria vontade de beijar Draco Malfoy, e a única razão por que eu fiz isso, foi porque eu fui magicamente forçada a tanto!"

"Você não tem que explicar nada para a gente, Weasley. Não faz diferença nenhuma para nós quem você beija." Blaise disse, e o olhar de Ginny imediatamente caiu para o chão, entendendo que ele devia ter captado a maneira com que estivera olhando para ele enquanto se defendia, tentando avaliar se ele acreditava ou não.

"Não se iluda, weasel. Nenhuma garota precisa ser magicamente forçada a fazer alguma coisa comigo," Malfoy disse, arrogantemente dando um passo à frente, o olhar fixo em Ginny. Abriu a boca, desesperada para negar aquela afirmação, mas a memória do segundo beijo ainda pairava muito perto da superfície de seu subconsciente, e ela sentiu um arrepio correr sua espinha, deixando-a sem voz.

"Ginny, nós recém estávamos discutindo uma saída para jantar. Gostaria de se juntar a nós?" Cho perguntou, empurrando Draco para o lado com um revirar exagerado de olhos. "Isso se você conseguir tolerar as quantidades excessivas de ego masculino com que teremos de dividir à mesa, é claro."

"E gostaria, mas eu vou trabalhar essa noite. Na verdade, eu deveria mesmo estar indo. Eu ainda tenho que pegar minha varinha de volta." Ela disse, a última parte mais para si mesma.

"Hei, weasel, eu ouvi dizer que você teve um completo colapso na aula do Snape essa tarde tentando derrotar um bicho-papão," uma voz desdenhosa chamou por trás. Grunhindo, Ginny se virou, sem dúvidas, o rosto presunçoso de Pansy Parkinson estava atrás dela, e a garota girava uma varinha na mão direita, sorrindo como o gato de Cheshire. Ginny sentiu o coração afundar ao perceber que era a sua varinha que Pansy segurava – ela devia ter escutado sobre todo o episódio depois das aulas e a recuperado, com o plano de torturá-la com a história. A mente de Ginny pulou para a ação, tentando encontrar um modo de resolver a situação antes que Pansy tornasse as coisas desconfortáveis para si. A última coisa que ela queria era que Malfoy e seus capangas ouvissem sobre aquilo. Não mostre nenhuma fraqueza. "Para uma garota que afirma não sentir medo de nenhum de nós, me pareceu algo bem estranho. Deve ter sido uma visão terrivelmente assustadora."

"Bem, vamos dizer apenas, Parkinson, que por que eu tentasse," Ginny disse alegremente, "Eu acho que jamais seria capaz de esquecer a visão horrível de meu rosto lentamente transformando-se no seu. Eu acho que ficarei traumatiza pela vida."

Uma explosão de risadas explodiu atrás dela, e Ginny tentou não rir ela própria, especialmente quando o rosto de Pansy começou a ficar roxo de raiva. Avançando à frente, Ginny esticou o braço e arrancou a varinha das mãos de Pansy.

"Obrigada por trazer minha varinha, Parkinson! Você me poupou a viagem!" Ginny falou por cima do ombro enquanto se afastava, lembrando que, a menos que corresse, provavelmente se atrasaria para o trabalho.


"Tudo que eu quero é que minha vida volte ao normal! Os bons e velhos dias, quando eu era invisível na escola, e os sonserinos viam através de mim, eu era tão insignificante..." Ginny resmungou, tirando um tempo para reclamar para a amiga. A noite estava bastante agitada, e entre servir clientes e tentar encontrar alguns minutos para dar uma estudada em seus livros, ela mal teve chance de falar com a amiga.

"Você quer voltar aos dias nos quais se concentrava tanto em ser invisível e discreta que precisava segurar a língua e fingir que era alguém que não é? E por consequência, sem protestar e defender-se das ações deles, você ficava num beco sem saída, suportando o que eles faziam?" Hermione perguntou, com um sorriso astuto. Ginny zombou numa indignação dissimulada, e atirou a toalha de mesa na amiga, rindo junto com Hermione.

"Você é esperta demais para seu próprio bem," Ginny exclamou, depois de recuperar a toalha de mesa. Ela trabalhou em silêncio por um minuto, antes de erguer o olhar para Hermione, um ar pensativo em seu rosto. "Eu não acho que alguma coisa vai ser normal de novo, Mione. Ele destruiu isso."

"De qual deles você está falando dessa vez?" Hermione perguntou, seus olhos encarando Ginny com saber.

"Qual deles você acha que estou falando? O grande idiota cuja existência parece ter um aspecto negativo em todas as facetas de minha vida!" Ginny exclamou incrédula, como se não pudesse acreditar que Hermione honestamente não sabia a quem ela se referia.

Uma tosse fingida chamou a atenção delas antes que Hermione pudesse retrucar, e ambas se viraram para ver o rosto calmamente sorridente de Rosmerta, observando-as com as sobrancelhas levantadas.

"Estamos sendo profissionais e produtivas por aqui, senhoras?" Ela perguntou, seu tom ligeiramente debochado. Ginny sorriu timidamente e olhou ao redor, notando que ainda havia alguns poucos clientes persistindo em continuar nas mesas.

"Desculpe, ficamos um pouco distraídas com papo de garotas," Ginny desculpou-se. Rosmerta balançou a cabeça em um suspiro divertido, ainda que sofrido, e fez um gesto para que Ginny a seguisse.

"Há um jovem aqui que quer vê-la," Ela disse, apontando para alguém com as costas viradas para elas. O coração de Ginny imediatamente começou a bater pesadamente no peito, receosa de que pudesse ser ele, planejando algo horrível como vingança por qualquer coisa que ela pudesse ter feito de errado dessa vez. Ginny andou na direção dele, recompondo-se, determinada a não ser pega desprevenida por ele de novo. Enquanto se aproximava, ele se virou, e com uma torrente de alívio – e um leve choque de surpresa – ela percebeu que não era Malfoy, mas o melhor amigo dele.

"O que você está fazendo aqui?" Ginny perguntou, admirada por vê-lo. Blaise ergueu uma sobrancelha, ligeiramente surpreendido pela pergunta brusca. "Não, é só que... você não deveria estar com seus amigos? Com a Cho, e Malfoy e todos eles? O que faz aqui?"

"Cho pediu-me para vir ver se você já terminou seu trabalho. Ela gostaria que você se juntasse a nós, se já terminou," Ele disse, dando de ombros casualmente. Ginny olhou para ele inquisitiva por um momento, incerta de como reagir frente à nova situação. Baseado no pouco que ele dissera, tornava-se claro para Ginny que não havia muito que Blaise não faria, desde que pedido por Cho. Isso a surpreendeu, pois sempre pensara que havia traçosde teimosia ou insubordinação em Blaise, dada a maneira como ele não parecia concordar com as besteiras de Malfoy com os Berradores e tudo. Mas frente à maneira como ele estava parado ali, um tanto incomodado e um pouco frio, parecia como se ele não quisesse estar ali perguntando a ela para se juntar a eles. Mesmo assim ele estava ali, e porque Cho pedira.

"Estou terminando meu turno, mas eu tenho de ir para casa. Tenho trabalho de casa, e preciso estudar para uma prova," Ela disse, tentando soar como se estivesse triste pelo fato de não poder ir, enquanto rapidamente desatava seu avental e começava a catar seus livros pelo lugar – estavam espalhados atrás do balcão por tentar estudar entre servir um e outro cliente. Depois do que havia acontecido na festa da Cho, Ginny queria estar o mais longe possível daquele círculo social, mesmo que isso significasse desistir de passar uma noite na companhia do lindo Blaise Zabini.

"Não há nenhuma prova amanhã," Ele disse simplesmente, livrando-se de sua desculpa. Ginny o encarou, de queixo caído, chocada com o quão convicto ele soou.

"Como pode ter tanta certeza? Snape nos deu um teste prático hoje – no qual eu definitivamente falhei," Murmurou para si mesma. "Só porque você diz que não vai ter nenhuma prova, não faz disso verdade."

"Apenas confie em mim, e venha junto. A Cho está esperando," Ele disse, dando-lhe as costas e caminhando para a rua, sem nenhuma outra palavra.


Ginny estava apoiada contra a parede, seus braços cruzados sobre o peito, fazendo tudo que podia para manter-se longe de Draco Malfoy. Assim que eles chegaram ao All Hallows, Cho a cumprimentou entusiasmada antes de sua atenção divergir-se para os outros no camarote privado, e ela se distraiu, deixando Ginny sozinha no lugar lotado de pessoas que ela tanto não conhecia, quanto não queria ter nada a ver. Malfoy estava lá, sentado no outro lado do camarote, cercado por sua horda usual – Parkinson e seu exército de seguidores descerebrados, Grabbe e Goyle.

Ginny sentiu os olhos dele sobre si antes; a sensação que imediatamente deixou-a consciente do que estava fazendo, onde estava e com quem estava, como se estivesse sendo observada por uma multidão de centenas – uma sensação que já começava a se tornar familiar demais para seu gosto. Felizmente, ele parecia estar absorvido por uma conversa com uma garota mais velha de cabelos prateados, e a atenção não estava mais nela.

Alguém lhe alcançara um drinque quando entrou, e agora segurava o copo, sentindo-o morno em sua mão, grata por ter algo que fazer com as mãos enquanto ficava parada ali, sentindo-se desconfortável e levemente indesejada. Alguns estudantes que não eram de Hogwarts lhe lançaram olhares divertidos, mas até agora, nenhum parara para conversar com ela, e Ginny sentiu-se profundamente fora do lugar. Ela arriscou um gole da bebida e tentou não fazer uma careta com o gosto. Fire Whiskey, não importava qual mistura de fruta havia junto, tinha um gosto horrível que descia queimando pela garganta, que Ginny evitava sempre que possível. Já era ruim o suficiente que ela precisasse aguentar o cheiro de álcool enquanto trabalhava. Entretanto, sentindo-se entediada e incerta se seria ou não rude simplesmente largar o copo em algum lugar, começou a preguiçosamente bebericar o uísque. Depois de um tempo, a sensação de queimação tornou-se um tanto agradável, e a vontade de cuspir desapareceu.

Vinte minutos e outra bebida depois, o tédio a venceu, e Ginny começou a andar pelo lugar, torcendo para encontrar algo que capturasse seu interesse. O sentimento surreal de estar no lendário salão VIP no exclusivo clube All Hallow's que tantos dos esnobes Sonserinos frequentavam estava acentuado pelo álcool que ia diretamente para sua cabeça, e tudo parecia um tanto distorcido e engraçado. Ela sabia que, se houvesse chegado com qualquer um menos que Blaise Zabini, ela teria sido jogada para fora sem hesitação, mas vendo com quem ela chegara, Ginny tinha uma vista garantida do que os Sonserinos faziam para se divertir.

Ela achou tudo muito tedioso. O quão interessante poderia ser encontrar as mesmas pessoas que você vê todos os dias na escola, falando sobre o quão perfeitos eles são uns para os outros? Com um último olhar de desagrado ao redor, Ginny visualizou um conjunto obscuro de portas que pareciam levar até um terraço, e notando como sua cabeça parecia presa a um algodão, Ginny dirigiu-se para fora, ansiando por ar fresco.

Era uma noite bem fria, e o ar começava a adquirir uma gelidez mais amarga que indicava que os últimos dias de outono estavam quase para trás e que o inverno estava dobrando a esquina. Ela respirou profundamente, tentando clarear os pensamentos. Justo quando ela estava para andar até o parapeito para ter uma vista melhor, ouviu vozes imersas numa conversa, e virou a cabeça para ver Blaise e Cho. Já estava para chamá-los, com a esperança de enfim conversar com Cho mais de apenas alguns minutos, quando notou algo que a fez parar.

Cho estava sentada no parapeito, seus pés balançando abaixo dela, as mãos apoiadas ao lado do corpo por equilíbrio, e Blaise estava inclinado na direção dela, com as mãos apoiadas no parapeito uma de cada lado da cintura dela, olhando-a com o rosto muito próximo. Ginny pôde ouvir a risada de Cho, e pelo sorriso no rosto de Blaise, parecia que os dois partilhavam de uma piada particular. Sentindo-se subitamente em pânico e desesperada para não atrapalhar a conversa íntima, Ginny virou e escondeu-se em um canto, pressionando as costas contra a parede.

Ginny repetiu a si mesma diversas vezes para voltar para dentro, mas o choque do ar fresco era tão bom, e ela temia voltar e andar desajeitadamente a esmo pelo lugar lotado. Ela podia ouvir a risada, e tentou ignorá-la, não querendo bisbilhotar.

Mas se tornou extremamente difícil ignorar o que estava sendo dito.

"Eu estou feliz por finalmente ter um momento sozinho com você. Eu sinto como se não tivéssemos tido uma chance de conversar desde que eu voltei – ao menos não em particular, como costumávamos fazer," Cho disse, com um suspiro pesado, soando exausta.

"Se você não tivesse voado para se tornar uma heroína nacional, poderia ter todo o tempo do mundo para falar comigo," Blaise respondeu, sua voz tão baixa que Ginny mais foi capaz de ouvir o que ele dizia.

"O que vai acontecer com você quando eu for embora no final da semana? Eu não sei por quanto tempo ficarei longe dessa vez," Cho disse. Mesmo com a distância entre eles e todo o barulho de fundo interferindo, Ginny pôde perceber a nota de tristeza e preocupação na voz dela. Inclinando-se um pouco para fora da barreira da parede, Ginny esforçou-se para ouvir mais, sua curiosidade superando seu senso de que era errado entreouvir a conversa dos outros.

"Eu sei que não tem nada que eu diga que te faça mudar de ideia sobre ir, então nem vou tentar," Ele disse, com um frieza na voz. Cho desviou o olhar, como que atingida pelas palavras. Ela parou por um momento, antes de retomar sua expressão alegre, sorrindo novamente.

"Eu só vou ter de achar outra garota legal para você, em que eu possa confiar para cuidar de você enquanto eu estiver longe. Você realmente deveria começar a namorar, Blaise. Você tem uma reputação de ser um tanto anti-social," Ela disse jovialmente, afastando-se um pouco dele quando ele ergueu o olhar para ela e alcançou sua mão. Ginny observou, fascinada ao ver aquela dinâmica – ver como uma garota poderia resistir ao Blaise Zabini quando ele estava tentando beijá-la, mesmo que essa garota fosse Cho Chang. Ou ela era completamente cega para os sentimentos dele, ou ela sabia e estava tentando a todo custa agir como se eles não existissem. Ele deu as costas para Cho e, mesmo no escuro, Ginny pôde ver a expressão de dor no rosto dele.

"E quem você recomendaria que eu começasse a namorar, se está tão preocupada com a minha reputação?" Ele perguntou, a voz gelada como gelo. Cho, a despeito do tom dele, sorriu, pulando do parapeito onde estivera empoleirada.

"Que tal a Ginny? Pelo que eu vi dos seus colegas, ela é a melhor escolha por aqui," Cho sugeriu alegremente. Ginny teve de segurar-se à parede para evitar uma queda, quando seus joelhos subitamente tornaram-se fracos, e sua cabeça ficou tão leve, que ela achou que sairia flutuando para longe. Um momento de silêncio se seguiu, e Ginny dificilmente ousou respirar, com medo de ser descoberta e jamais saber qual seria a resposta.

Ela não sabia o que estava esperando, mas certamente não foi a resposta que ele deu. Blaise riu.

"Ginny Weasley? Certamente você está tirando com a minha cara." Ele disse, quase inaudível através de sua gargalhada. Ginny congelou, mordendo o lábio enquanto seu coração despencava.

"Por que não? Ela não é alguém insípida e de mente pequena que só quer subir socialmente por apenas se importar com o prestígio que a família tem. E ela tem olhos honestos; você pode sempre dizer exatamente o que ela está pensando e sentindo," Cho exclamou com o tom indignado.

"Mas ela é uma Weasley! Mesmo se eu estivesse disposto a levar em consideração a sua sugestão como algo a mais do que você realmente está tentando fazer, não mudaria o fato de que ela ainda é uma Weasley! Ela é uma garota divertida, interessante de se ter por perto, mas, vamos falar sério!" Ele zombou. Ginny se afastou da parede, virando-se para longe deles. Encolhendo os ombros, cruzando os braços e abraçando o próprio corpo contra o súbito vento frio, ela se apoiou contra a parede e tentou parar de ouvir. Ela não queria ouvir mais nada.

"O que quer dizer, com 'o que eu realmente estou tentando fazer'?" Cho exigiu. Um segundo carregado de silêncio se seguiu, mas nada disso importava para Ginny. Ela sentia como se houvesse sido esfaqueada no estômago.

"Como você pode fingir tão descaradamente que não tem ideia de como me sinto?" Blaise demandou, a voz carregada com mais emoção do que Ginny jamais havia escutado no garoto normalmente tão estóico. "Mesmo que você tivesse sucesso em me empurrar para alguma garota, para que não se sentisse mais culpada sobre nós, isso não mudaria a maneira como eu me sinto."

"Blaise..." Cho sussurrou. Ginny ouviu passos, e assumiu que ela caminhava na direção dele. "Eu estou partindo em alguns dias. E não sei quando vou voltar. Não importa como… como nenhum de nós dois se sente em relação ao outro, isso é algo que não vai mudar. Você mesmo falou que nada do que dissesse mudaria o fato de que estou partindo. Eu só... quero me certificar de que você ficará bem quando eu for embora, que não vai se tornar aquele garoto silencioso e solitário de novo, o mesmo que eu conheci dez anos atrás. Só porque eu estou partindo, não quer dizer que eu não me importe com você."

"Só significa que você se importa mais consigo mesma," Ele rebateu. Ginny quase engasgou, incapaz de acreditar que alguém que nunca foi capaz de tirar os olhos de Cho toda a vez que ela estava por perto, que tinha aquele olhar suave no rosto toda a vez que falava com ela ou sobre ela, pudesse ter soado tão irado e cruel. Ginny ouviu os passos enquanto ele se afastava intempestivamente, e apoiou-se no canto, desesperada para permanecer escondida. Ele passou sem notá-la.

Ela ouviu o suspiro de Cho; um longo e triste suspiro. Com muito o que pensar, Ginny arrastou-se até as portas e fugiu do terraço, deixando Cho completamente sozinha, em pé no ar frio.


O pé de Draco batia impacientemente, sua irritação crescendo a cada segundo. Ele estava parado do lado de fora, esperando que sua prima aparecesse. Nesse ponto, ele já estava esperando por ela há vinte minutos. Por mais grosseira e deseducada que a reputação de Nymphadora Rookwood pudesse ser, ela sempre exigiu que os homens em sua vida a tratassem como sua criação a fizera esperar; se eles não segurassem as portas abertas para ela, aderissem rigidamente ao 'as damas primeiro' conforme a etiqueta, puxassem sua cadeira ou não a esperassem do lado de fora quando fosse encontrá-los, ela não tinha absolutamente nenhuma reserva em amaldiçoá-los a fim de se assegurar de que eles nunca cometeriam o mesmo erro duas vezes. Tendo estado sob a tortura das pequenas 'lições de etiqueta para cavalheiros' por bem mais vezes do que gostaria, Draco saiu a contragosto da festa e a esperava do lado de fora desde então.

Foi um certo alívio sair de lá de dentro, ele precisava admitir. Com Cho na cidade, havia eventos sociais acontecendo toda a noite, já que todos queriam ter alguns momentos com a jogadora antes que ela fosse embora, e a monotonia nunca parecia incomodar ninguém além dele. É claro, foi um tanto chocante quando Blaise Zabini chegou, trazendo uma Ginny Weasley um tanto relutante com ele. Mas minutos depois que eles entraram no camarote, Blaise a abandonou em favor de Cho, e a garota Weasley foi deixada livre para fazer o que bem entendia. Ele riu, uma vez, quando ela encarou com raiva um garoto que passou por ela com um olhar inquisitivo, que assustou o pobre rapaz – e qualquer um curioso o suficiente para falar com ela.

Draco checou seu relógio e suspirou pesadamente quando um chuvisco fino começou a cair, e mais uma vez amaldiçoou sua prima sem consideração por sob a respiração. Justo quando ele estava checando os arredores, em buscar de algum objeto adequado que pudesse chutar para demonstrar o quão frustrado e incomodado se sentia, uma visão peculiar atraiu seus olhos, e ele parou. A garota Weasley vinha saindo do clube, e tropeçou nos próprios pés, a despeito do par perfeitamente prático de sapatos horríveis que ela sempre usava – um assunto recorrente com Parkinson, que sempre comentava sobre eles com Draco.

Recuperando-se de seu pequeno tropeção e parecendo ligeiramente instável, Ginny parou, mantendo-se estática antes de deixar os ombros caírem a olhar para cima, soltando um longo suspiro, para então virar na rua e começar a caminhar para longe. Draco segurou um sorriso, lembrando-se de tê-la visto aceitar uma bebida oferecida a ela, e perguntar-se se ela sabia o que exatamente havia no copo.

Observando-a seguir caminho pela rua, Draco viu ela tropeçar nos próprios pés duas vezes, apoiando-se na parede do prédio. Com um olhar astuto para a rua escurecida, a notando que o chuvisco começava a tornar-se mais persistente a cada instante, Draco começou a segui-la.


Por alguma razão que Ginny não conseguia entender, seus pés pareciam ter aumentado quatro vezes de tamanho e estavam se tornando impossivelmente pesados. O que poderia ser a causa desse fenômeno, ela não tinha muita certeza, mas estava se tornando um tanto desconfortável, especialmente quando sua cabeça parecia tão leve, como se prestes a sair flutuando. É claro, ter seu coração tão cruelmente arrancado do peito, sem o conhecimento daquele que o arrancara, provavelmente poderia explicar seus atuais problemas de coordenação.

Ela apertou os olhos, tentando se situar e lembrar para onde estava indo. A ameaça suave de chuva criara uma névoa fina, que fez todas as luzes da rua parecer místicas e trêmulas, e em seu estado mental atordoado, Ginny parou para admirar como tudo parecia bonito. Depois de um momento, e porque uma brisa gelada chicoteou através de seus cabelos, tirando-a de seu devaneio, Ginny olhou ao redor, dando-se conta que não fazia ideia de em qual rua se encontrava. Hogsmeade crescia continuamente, conforme mais e mais bruxos deixavam suas casas em partes muggles do país, com medo de não estarem mais seguros, e reuniam-se à cidade em crescimento. Era difícil de acreditar que aquilo havia sido um pequeno vilarejo apático que seus pais lembravam de seus tempos em Hogwarts. Como resultado de toda essa expansão, a cidade se transformara em um emaranhado inimaginável de ruas e prédios que não pareciam ter nenhuma lógica entre si, apontando para diferentes direção e trocando espontaneamente de nomes ao capricho de quem os ocupava.

Ginny vagueou por uma rua de aspecto bastante sombrio que era estranhamente calma e obscura. Olhando ao redor, desejou fervorosamente que tivesse sua vassoura consigo. Mas ela era uma pilha de cacos embaixo da cama, por culpa em parte do Draco maldito Malfoy e seu ego exorbitante. Ela estava para fisgar sua varinha no bolsa a fim de providenciar um pouco mais de luz, quando uma voz saída das sombras a assustou.

"O que uma coisinha pequena como você está fazendo aqui a essa hora da noite?" A voz sinistra perguntou. Saltando ao redor, com a varinha à sua frente, Ginny viu um homem que não reconhecia emergindo por de trás de uns caixotes de lixo que enchiam um beco. Encarando-o diretamente, Ginny não respondeu, apenas começou a andar para trás conforme ele vinha em sua direção, sorrindo para ela um sorriso devasso que fez o estômago da ruiva revirar. "Por acaso se perdeu?"

Mesmo com a mente confusa como estava, Ginny sabia que precisava sair dali, o mais rápido possível. Se sua mãe um dia descobrisse que ela esteve andando sozinha àquela hora da noite, não importava quais as circunstâncias ou o quanto Ginny mentisse dizendo que era perfeitamente seguro, Molly em pessoa a mataria. Virando-se rapidamente e correndo de volta na direção pela qual havia vindo, torcendo para chegar à rua principal onde com sorte haveria mais pessoas por perto, Ginny gritou quando deu de cara com outra pessoa.

Ao cambalear para trás, um par de mãos a alcançou e segurou seus braços antes que caísse no chão, e a manteve firme até que recuperasse o equilíbrio. Ela olhou para cima e sentiu-se estranhamente aliviada ao ver Draco Malfoy encarando-a em retorno, mesmo que ele estivesse com aquele sorriso torto irritante no rosto.

"Aproveitando a vida noturna, weasel?" Ele perguntou, erguendo uma sobrancelha zombeteiramente. Ginny revirou os olhos e o encarou, subitamente muito irritada com ele – basicamente porque ele ainda a segurava pelos ombros e isso estava causando efeitos estranhos em seu estômago. Ele lançou um olhar por cima da cabeça de Ginny, para o homem atrás dela, e com uma autoridade incontestável que faria qualquer subordinado pular cerca de dez pés, perguntou ao estranho: "Algum problema por aqui?"

Ginny livrou-se das garras de Malfoy e empurrou-se para longe dele, ao mesmo tempo em que o homem estranho respondia à pergunta, soando subitamente nervoso e ansioso para agradar.

"Oh, não, é claro que não, Sr. Malfoy. Só achei que a garota estava perdida e ofereci minha ajuda a ela, só isso," Ele gaguejou com os olhos tornando-se grandes pelo pânico. Ginny virou-se para olhar para Malfoy, dificilmente surpresa por o indivíduo suspeito que se escondia atrás de caixotes de lixo num beco escuro reconhecesse quem era Draco Malfoy.

"Amigo seu?" Ela perguntou impertinente, com um olhar afiado, antes de começar a se afastar em direção à avenida.

"Como era você que estava se encontrando secretamente com ele num beco escuro, acho que era eu quem deveria estar perguntando isso," Ele replicou em resposta. Ginny parou, ultrajada. Devido ao fato de seu coração ter sido brutalmente arrancando do peito pelo melhor amigo dele, ela se sentia muito menos inclinada a tolerar Malfoy do que o usual. Virando-se, decidida a dar-lhe uma bronca, Ginny tropeçou espetacularmente nos próprios pés. De novo.

Malfoy saltou para frente e a pegou antes que caísse. De novo. Ajudando-a a se equilibrar sobre os próprios pés, Ginny pôde jurar que ele estava segurando uma risada, e isso serviu apenas para enfurecê-la. Desejando, ao menos uma vez, poder fugir com um pouco da dignidade e orgulho intactos sem precisar lidar com Malfoy, ela se contorceu para longe dos braços dele com raiva, e ficou ainda mais frustrada quando ele começou a rir de sua cara.

"Você esteve bebendo o ponche," Ele disse com uma risada esperta. Ela o encarou, embasbacada, tentando pensar em algo inteligente para dizer.

"O quê?" Foi tudo que conseguiu elaborar, mas para seu crédito, ela foi capaz de colocar na palavra muito mais atitude do que poderia reunir. Malfoy riu de novo.

"Você sabia que havia Fire Whiskey no ponche, weasel? Eu sei que você não aprecia as coisas boas da vida, mas qualquer trabalhador vadio de classe baixa sabe sobre Fire Whiskey," Ele disse, enquanto os dois começavam a andar pela rua, quase sem perceber que estavam andando lado a lado. "Você está completamente bêbada!"

"É claro que eu sei sobre Fire Whiskey, eu tenho seis irmãos mais velhos. Mas eu tomei apenas dois copos, então eu não estou – nem estive – bêbada," Ela declarou indignada. Malfoy riu de novo, jogando a cabeça para trás e gargalhando como se ele fosse uma pessoa normal qualquer, e não a encarnação da maldade. Ginny o encarou, incrédula.

"Aquele era um Fire Whiskey top-de-linha, weasel, quatro vezes mais potente do que o comum. Você está extremamente bêbada," Ele disse, abaixando para ela olhos – que ela estava acostumada a ter a encarando com aquela intensidade misteriosa, ou raiva – repletos de diversão. Ela o fitou incrédula, registrando aquele pedaço de informação.

"Não... Não! Não é verdade!" Ela protestou inflexível, mas toda a situação a atingiu como algo incrivelmente engraçado, e ela começou a rir.

"É nessa resposta que você acredita?"

"Oh, merda, eu estou bêbada," Ela disse, seus olhos arregalados e sérios, até que uma onda de risadas a atingisse. Ela se apoiou em uma parede e começou a rir incontrolavelmente, antes de perceber que estava parada em uma ruela escura com Draco maldito Malfoy, então tapou a boca com a mão e tentou debilmente conter suas risadas.

"Você com frequência anda por vizinhanças suspeitas tarde da noite, totalmente fora de si?" Ele perguntou, com uma espiada zombeteira para os arredores.

"Se você não tivesse quebrado minha vassoura, eu não precisaria ir andando!" Ginny exclamou indignada, a risada imediatamente esquecida.

"Eu não quebrei sua vassoura, aquilo foi obra inteiramente sua," Ele retorquiu.

"Se você não tivesse me atacado com a merda de um BALAÇO, eu não precisaria tê-la usado para me proteger contra uma pancada no rosto!" Ela gritou, avançando na direção dele, erguendo os olhos para a careta zombeteira dele. "Diretamente no meu rosto sem-graça!"

"Se você não tivesse interferido no nosso jogo de Quadribol, não teria ficado no caminho," Ele replicou simplesmente, enquanto dava um passo à frente. Ginny começava a ver vermelho, conforme seu temperamento saltava a extremos.

"Você não estava jogando Quadribol, estava sendo um idiota inacreditável, ao colocar na sua mira alguém além de mim, e usar um maldito balaço para isso!" Gritou. Ao terminar a o pequeno discurso, Ginny notou um lampejo estranho nos olhos de Malfoy, e nesse instante ela percebeu que ele a estivera provocando, querendo deixá-la irritada. Agora ele a olhava com um sorriso suave e um brilho nos olhos que a fazia pensar que ele podia ver através dela, como se soubesse e houvesse visto tudo que poderia haver sobre ela. Isso a deixou desconfortável.

"Para de me olhar desse jeito!" Rebateu.

"De que jeito?" Ele perguntou, com mais um passo à frente, perigosamente perto. As borboletas no estômago de Ginny, as que estavam em presença constante nela desde a noite na festa da Cho, quando ela a beijou no jardim, esvoaçando ocasionalmente toda a vez que ele estava por perto para lembrar-lhe de sua presença – e daquela noite –, dispararam, enviando um arrepio por todo seu corpo. Ele ergueu uma mão para seu rosto e, nesse instante, Ginny soube que ele pretendia beijá-la de novo. E que ela estava gritando para si mesma para se mover, afastar-se, mas seu corpo não parecia disposto a cooperar, deixando-a estática no mesmo lugar.

Antes que ela pudesse pensar no que fazer ou falar, um olhar estranho assolou Malfoy. Os ombros dele pareceram enrijecer, e ele soltou um estranho grunhido de susto. Ele começou a inclinar para frente, como se estivesse caindo. Espantada, arrancada do transe estático em que estivera e incerta do que estava acontecendo, Ginny pulou para fora do caminho, enquanto ele tombava para frente, caindo primeiro de cara, com todos os membros rígidos grudados ao corpo. Encarando-o em choque, Ginny entendeu que alguém o atingira com um feitiço da perna-presa para todo o corpo.

"Draco Malfoy, eu o avisei sobre me deixar esperando em pé!" Uma voz enraivecida chamou. Chocada, Ginny virou-se para ver uma mulher marchando na direção deles, com um cabelo curto, roxo vibrante. Malfoy emitiu algum tipo de muxoxos irritados que eram completamente ininteligíveis, mas pelo jeito que soavam, ele a estava amaldiçoando profusamente. "Abandar sua própria prima para correr atrás de uma menininha?"

"Prima?" Ginny perguntou, estupefata. A de cabelos roxos virou-se para Ginny, e sorriu-lhe.

"Não fale tão alto, eu tento evitar reconhecer minha conexão familiar com esse bastardo sempre que possível," Ela disse alegremente, cutucando as costelas de Malfoy com a ponta da bota enquanto falava. Ginny a encarou, perplexa. "Nymphadora Rookwood, mas pode me chamar de Tonks."

"Tonks?" Ginny disse, incerta. Apesar do cabelo roxo, a maneira como ela se vestia indicava grande fortuna – ela estava usando o último modelo desenhado pela mãe de Parkinson, e pela exposição da boutique no centro, Ginny estava a par que aquela peça sozinha valia mais do que cinco anos em Hogwarts! E as botas cheias de estilo dela eram feitas de couro de dragão, uma sofisticação que poucos podiam custear, dado à crescente raridade de dragões. Analisando-a, Ginny notou o quão incongruente o nome "Tonks" soava para alguém de tal status.

"É meu sobrenome de solteira, costumava usá-lo na escola, porque, como qualquer um poderia suportar o torturante 'Nymphadora'? Não sei no que minha mãe estava pensando," Ela disse, inclinando-se e apontando a varinha para Malfoy, ainda paralisado de cara no chão. "Suponho que deveria libertá-lo do feitiço. O que acha?"

Ela não esperou que Ginny respondesse, e assim que ele estava livre dos efeitos paralisantes do feitiço, Malfoy saltou furioso, passando as mãos pela parte da frente das roupas.

"É melhor que você não deixe meus pais ouvirem você se chamando dessa maneira," Ele murmurou petulante, cruzando os braços com o olhar estreito para a prima.

"Apesar das suas percepções – baseadas naquele pedestal impressionantemente alto em que tem aquelas pessoas – seus pais não possuem super-poderes, e não podem me ouvir de todo caminho até Londres. E mesmo se pudessem, não é como se eles tivessem algo a dizer sobre o assunto – eu sou casada agora, e livre do reinado de terror deles," Tonks repreendeu, e a incredulidade atingiu Ginny quando Malfoy caiu em um silêncio aborrecido e não ofereceu nenhuma retaliação. Focando a atenção de volta à Ginny, Tonks voltou a falar. "Meu primo estava te incomodando?"

"Me incomodando?" Ginny bufou, ainda um tanto inebriada. "Não realmente. Tortura sistemática é mais o que ele esteve fazendo."

Tonks lançou-lhe um olhar avaliador, então sorriu largamente, com os olhos cintilando em diversão.

"Então, você deve ser Ginny Weasley! Pelo que estive escutando pela cidade, você tem devolvido na mesma moeda em que tem recebido," Ela exclamou contente. "Meu querido Draco, o consenso geral é que você finalmente encontrou alguém a altura, e todos que te odeiam – e até os que te amam – não poderiam estar mais animados com essa evolução!"

"Pura teimosia, não importa a quantidade, não é nem de perto um desafio para mim, e isso é tudo que a weasel tem," Ele disse carrancudo, enviando um olhar perverso para a prima. Antes que Ginny pudesse dizer qualquer coisa em retorno, ele se empertigou e, após lançar à Ginny um daqueles olhares penetrantes que sempre deixavam a pele da ruiva arrepiada e seu coração acelerado, ele começou a andar na ruela em direção à avenida sem outras palavras.

"Vejo que toquei em um ponto sensível do meu primo, não acha Ginny?" Tonks perguntou, com um sorriso alegre. Ginny ainda estava ligeiramente abismada com todo o encontro, por ter reconhecido na maneira como Malfoy e a prima interagiram um com o outro vultos do mesmo tipo de relação que ela compartilhava com os irmãos mais velhos, particularmente com os gêmeos. Eles estavam sempre a provocando e tentando enfurecê-la, mas sempre respondiam com arrogância toda a vez que ela devolvia na mesma moeda. E Malfoy não havia reagido da maneira que ela esperara – Tonks lhe lançara um feitiço que o fez cair no chão úmido e ficar lá estendido por alguns minutos enquanto ela o provocava, e ele apenas se levantara e agira mal-humorado, no lugar de explodir de raiva e buscar por vingança. Eles devem ser muito próximos, Ginny observou, julgando pela reação dele.

"Não sei o que o deixou tão ultrajado," Tonks riu. "Agora, Srta. Weasley, por que você está fora numa rua tão suspeita a essa hora da noite?"

"Eu só estou indo para casa," Ginny disse, gesticulando vagamente em torno dela. Lembrou-se de estar ligeiramente perdida, e não sabia onde sua 'casa' ficava em relação a onde estava.

"Onde você mora? Eu adoraria te dar uma carona – agora que Draco está todo irritadinho, não vai estar no clima de festa, então não há razão para ir numa com ele," Ela explicou, segurando o braço de Ginny e a puxando junto ao retornar para a avenida.

"Eu tenho um pequeno quitinete sobre a Dedosdemel, bem no centro da cidade," Ginny replicou.

"Oh, sim, eu conheço muito bem o lugar," Tonks assentiu suave. Pelo canto do olho, Ginny notou que ela tinha um olhar ligeiramente triste e saudoso no rosto. "Um amigo meu costumava viver lá... bem, venha comigo, vamos indo."


No dia seguinte, ainda que sua cabeça estivesse pulsando e ela tivesse a clara impressão de que havia feito papel de idiota em algo que não tinha muita certeza do que era, Ginny absolutamente decidiu que todo o acontecimento foi um grande sucesso. Não apenas havia conhecido Tonks, a qual tivera a chance de conhecer melhor na carruagem que a trouxera da All Hallows até em casa, mas também teve a peculiar satisfação de enfurecer Pansy Parkinson novamente.

Depois de fazer o trajeto de volta até a All Hallows, rindo abertamente enquanto Tonks relatava uma de suas favoritas anedotas de suas interações com os oficiais do Ministério – Ginny estava surpresa ao descobrir que Tonks achava-os, junto à maioria da nata de puros-sangues da sociedade, completamente ridículos –, elas chegaram bem a tempo de ver o grupo de garotas Sonserinas saindo. Milicent Busltrode percebeu a presença de Tonks, inconfundível em seus cabelos roxos, e começou a gritar, chamando animadamente todas as outras garotas. Tonks discretamente rolou os olhos para Ginny, mas entrou na farsa quando as garotas começaram a atacá-la com perguntas sobre por que estava em Hogsmeade, como estava seu marido, e por quanto tempo ela ficaria. Era como se todas as sonserinas soubessem o quanto Tonks e o primo eram próximos, e se fingissem de legais com Tonks como uma forma de ganhar pontos com o mais desejado sonserino de Hogwarts.

Pansy Parkinson, entretanto, corou de raiva ao ver Ginny junto com Tonks, e marchou até ela, ansiosa por deixar claro seu desagrado ao vê-la ali.

"Nymphadora, essa... garota está te incomodando?" Pansy perguntou, faiscando os olhos para Ginny, que não pôde se impedir de sorrir arrogante para ela. "A weasel não aprendeu a etiqueta social adequada, e eu odiaria que ela te ofendesse. Draco também tem muitos problemas com ela."

"Não, não realmente," Tonks replicou cordialmente, ainda que em um tom de dispensa. Nesse momento, a carruagem sem cavalos de Tonks chegou e, depois de seu elfo doméstico abrir a porta e ela subir, Tonks colocou a cabeça para fora e dirigiu-se à Ginny. "Bem, vamos logo, Ginny! Você não vem?"

Ginny mal conseguiu segurar a risada enquanto subia na carruagem, a visão do rosto de Pansy lentamente tornando-se mais roxo era algo que a divertiria por dias.

"Ugh! Aquela garota é horrível! Eu odiava garotas como ela quando estava em Hogwarts, e agora todas elas estão constantemente tentando colocar as garras no Draco. Até o momento, ele foi esperto para não permitir esse disparate, mas ele É um adolescente, e seu bom-senso pode falhar algum dia, e aí eu estarei presa tendo de lidar com uma monstrinha como aquela nos feriados e nos Natais," Tonks disse com um suspiro exasperado. Ginny começou a rir, e logo Tonks se juntou a ela, e terminaram fofocando e rindo por todo caminho até o quitinete de Ginny.

Depois de agradecer profusamente a Tonks pela carona e antes dela sair da carruagem, Tonks lhe entregou um cartão com seu nome e endereço em Londres, dizendo-lhe que se sentisse livre para escrever-lhe sempre que precisasse. Ginny o aceitou alegremente, e praticamente não viu o caminho das escadas até seu quarto, incapaz de acreditar que alguém como Tonks pudesse possivelmente estar relacionada ao Draco Maldito Malfoy.

Após um dia vago de aulas na escola, onde ela vagueou xingando Fire Whiskey de bebida maligna, enquanto também tentava evitar o sorriso zombeteiro de Malfoy – ele parecia saber que ela estava sofrendo, e certamente estava aproveitando – Ginny rastejou até o trabalho, grata por naquele dia ter apenas um abençoado e pequeno turno de três horas. Foi um turno fácil, já que o número de fregueses havia decididamente diminuído nos últimos dias. Ginny perguntou qual poderia ser a causa – o Três Vassouras era um ponto bastante popular –, apenas para ter a sobrancelha de Hermione erguida junto a um olhar afiado de Rosmerta, que parecia preocupada e nervosa.

"Eles ainda estão caçando aquele fugitivo," Hermione sussurrou furiosa para Ginny. "Os Comensais da Morte estão todos pela cidade, todos os dias, e eles param aqui quase todas as tardes. Isso a deixa nervosa, principalmente comigo trabalhando aqui. Não consegue sentir a tensão no ar? É como se alguma coisa estivesse para acontecer, mas ninguém sabe qual lado irá atacar primeiro."

"Com toda essa preocupação sobre um prisioneiro, é de se pensar que eles liberariam o nome ou foto, para ajudar a identificá-lo," Ginny disse, a voz baixa e cautelosa. A identidade da maioria dos Comensais da Morte que rondavam Hogsmeade era bem conhecida, mas havia alguns capazes de manter o anonimato, uma fonte constante de paranóia para aqueles corajosos o suficiente para falar sobre o reinado de Voldemort. "Manter tudo isso em segredo, está deixando a fofoca ainda mais poderosa."

"Ele escapou de Azkaban, Ginny! Nenhum bruxo jamais fez isso, e isso deve tê-los assustado," Hermione disse sem-ar. "E se for alguém notório por ser contra o Lorde das Trevas, ou que seja considerado poderoso o suficiente... eles têm medo de que tipo de ideias isso dê a qualquer um insatisfeito com a vida no mundo mágico."

"Você vai precisar ser muito mais cuidadosa, Hermione. As coisas podiam estar melhorando para os nascidos-trouxas antes, mas quando eles ficam tensos, começam a procurar por alvos fáceis," Ginny disse, os olhos escuros de preocupação. Hermione assentiu.

"Eu sou a epítome da vigilância, Ginny, você não tem nada com que se preocupar," Ela disse, com um meio sorriso seco. "Agora, você parece péssima, vá para casa e descanse um pouco."

Ginny obedeceu Hermione, rapidamente tirando o uniforme de trabalho e juntando suas coisas. Ela não havia contado à Hermione a razão de não estar se sentindo cem por cento naquele dia, sabendo que isso não lhe garantiria nenhuma compreensão, mas uma ladainha desaprovadora, uma palestra de alto nível sobre responsabilidades e um inquérito constante sobre a situação de seu tema de casa.

Após se despedir do pessoal da cozinha no caminho para fora, Ginny parou perto do bar e pediu à Hermione alguma ajuda com sua dissertação de poções, que deveria ser entregue em uma semana. Justo quando ela estava ouvindo os detalhes da tarefa, notou alguém casualmente lhe abanando. Ginny ficou surpresa ao ver Cho Chang sentada em uma pequena mesa, sozinha. Era a primeira vez que ela não via a estrela de Quadribol cercada por uma multidão – ou Blaise Zabini. Após se despedir de Hermione, Ginny relutantemente caminhou até Cho, ainda sentindo-se ferida pelo que havia escutado na noite anterior, e incerta de como agir perto da oriental. Mas Cho estivera acenando da mesa, e depois de toda a gentileza que ela lhe mostrara, a última coisa que Ginny queria fazer, era agir rude e ignorá-la.

"Toda a vez que eu tento ter alguns minutos com você para que possamos conversar, alguma coisa acontece!" Cho disse jovial. "Senta; estive esperando que você terminasse o trabalho."

"Eu realmente não posso ficar muito, tenho pilhas de tema de casa," Ginny disse, debilmente buscando por uma desculpa.

"Eu só queria uma chance para conversar. Eu vou embora em dois dias, e eu queria uma chance para te contar sobre o time nacional, já que estamos sempre em busca de novos Apanhadores de talento," Ela disse. Ginny sentiu uma mistura atordoante de sentimentos – euforia por sua ídolo de Quadribol achar que possuía alguma chance no esporta além das paredes de Hogwarts, mas também uma pontada de tristeza por ela estar partindo e por isso sem dúvidas enviar Blaise Zabini de volta àquele estado estóico e indiferente.

"Você está mesmo partindo?" Ginny perguntou baixo, com o olhar nas próprias mãos enquanto mexia de maneira estranha nas mangas do suéter.

"É claro! Os treinos voltam a acontecer na segunda, e viajaremos por toda a Europa. Todos os times profissionais querem ganhar de nós, e é uma oportunidade importante, já que não permitem jogadoras mulheres em times profissionais. Só pense nisso, Ginny," Cho disse, olhos brilhante de excitação. "Nós poderemos ter uma chance real de mostrar o quão idiota essa regra é, e eu já cheguei perto demais para dar as costas para essa oportunidade."

"Eu só achei... você sabe, com..." Ginny balbuciou, incapaz de formar uma sentença que dissesse o que queria dizer sem revelar o fato de que havia bisbilhotado a discussão entre ela e Blaise na noite anterior. Cho a olhava com curiosidade, um sorriso estranho no rosto.

"Ginny?" Ela chamou. Antes que Ginny pudesse impedir-se, toda a verdade escapava de sua boca, uma cambalhota de palavras e explicações que lhe era impossível parar.

"Eu te ouvi noite passada! Eu juro, eu não tinha a intenção de espionar, mas eu saí para fugir de todo o barulho e das conversas insípidas do lado de dentro – não que todos os seus amigos sejam insípidos, eu tenho certeza de que a maioria é muito legal e inteligente e eu apenas não tive a chance de conhecê-los –, mas eu precisava sair e não sabia se seria indelicado ir embora, considerando que eu recém havia chegado e você havia enviado Blaise todo o caminho para me buscar e nós apenas nos cumprimentamos. E eu saí, e vi vocês dois lá, e estava para dar oi quando notei que você estavam tendo um momento particular e não quis interromper, mas eu não consegui voltar para dentro, porque então você me ouviria e saberia que eu havia estado ali, e eu também interromperia o momento de vocês, e eu não sabia mais o que fazer, então apenas me escondi num canto, mas eu pude ouvir tudo!" Ginny exclamou rapidamente, bastante ciente do fato de que estava falando desconexa, mas incapaz de conter o fluxo de palavras de sua boca. Cho pareceu surpresa, e o sorriso suave lentamente desvaneceu do rosto dela e sua expressão tornou-se séria.

"Desculpe por ter escutado aquilo, Blaise não é normalmente daquele jeito e eu tenho certeza que ele não disse o que disse a sério. Ele não era ele mesmo noite passada," Cho disse.

"Ele foi ele mesmo mais do que jamais havia visto! Você não tem ideia; ele é uma pessoa completamente diferente quando você não está aqui. Ele é quieto e indiferente e evita as pessoas, quase como se não fosse parte desse mundo. Sempre lendo, às vezes observando, mas nunca participando! É apenas quando você volta que ele parece voltar a viver! Eu nunca havia visto alguém tão obviamente apaixonado antes!" Ginny exclamou desesperada. "E quando você partir, ele vai voltar a ser apenas a mesma pessoa de antes, em vez do que ele é agora – tão cheio de vida – quando você está por perto!"

"Ginny..." Cho disse com um suspiro pesado. Um longo momento se passou entre as duas. "Eu tive de fazer várias decisões difíceis na minha vida, e deixar Hogsmeade e as pessoas daqui sempre foi uma das mais difíceis. Mas há coisas que eu quero na vida, coisas que quero conquistar, que não posso aqui. Se eu ficar por alguma razão que não realmente querer ficar aqui, me sentirei como um pássaro engaiolado... ou como você deve se sentir, com uma vassoura quebrada e sua habilidade de voo tirada de você. Se ele algum dia me pedisse para ficar, posso te dizer com honestidade que não saberia o que dizer. Mas não importa como ele age ou o que você ouviu noite passada, ele entende de verdade que eu preciso partir – e que isso não tem nada a ver com a maneira como me sinto por ele. Ele nunca me pediria para ficar."

"Ele não; eu sim." Ginny disse resoluta. "Eu sei que isso parece loucura, porque eu mal te conheço e estou sendo terrivelmente intrometida e você tem todas as razões para ir, mas eu estou te pedindo, por favor, não vá. Eu não quero ver o Blaise infeliz de novo, pelo bem dele, você vai ficar? Eu estou te implorando," Cho a encarava, com um sorriso triste no rosto, mas Ginny estava com medo de encontrar os olhos dela, sentindo que havia passado imensamente dos limites e destruído a nascente amizade com a famosa jogadora.

"Você é uma pessoa muito boa, Ginny, e eu estou feliz por Blaise tem conhecido alguém como você," Ela disse suavemente, os olhos brilhando, parecendo olhar diretamente através de Ginny. "Isso na verdade vai me ajudar a partir com a consciência limpa, sabendo que há alguém que se importa o suficiente para ficar de olho nele quando eu for. Porque eu não posso ficar. Nem pelo bem dele. Eu acho que você vai entender isso algum dia."

Com um triste encolher de ombros, Ginny assentiu e se levantou da mesa, pegando sua bolsa e se preparando para partir. Ela se virou, e ficou horrorizada ao ver Blaise Zabini e Draco Malfoy parados perto. Pelo olhar frio nos olhos de Blaise, ele havia escutado tudo que havia dito.

"Cho, Blaise estava te procurando. Nós fomos até a sua casa, mas os seus pais disseram que você estaria aqui," Malfoy explicou, com os olhos fixos em Ginny e aquela expressão estranha que frequentemente adquiria quando a encarava. Ginny estava ocupada demais mirando Blaise, que estava parado rigidamente na frente dela, encarando-a como se tentasse encontrar o que dizer. Um momento tenso de silêncio se passou, com Ginny congelada no mesmo lugar, incapaz de pensar no que dizer, incapaz de se mover, desejando fervorosamente voltar no tempo.

Finalmente, ela forçou um passo para frente, e começou a passar por eles, desesperada para alcançar a porta. Justo quando estava quase a salvo, Blaise virou a cabeça em sua direção.

"Sabe, você teria tido um período mais fácil na escola se tivesse aprendido o seu lugar, cuidado da própria vida e parado de interferir em assuntos que não te dizem respeito... weasel." Ele cuspiu, a voz áspera e mordaz. Sentindo como se houvesse levado um tapa, Ginny parou por um segundo enquanto absorvia o baque, antes de correr até a porta.

E no segundo antes de começar a correr, qualquer um que estivesse assistindo poderia ver os sinais delatores de que ela começaria a chorar a qualquer instante.


"Você esteve me evitando," A diaba de cabelos roxos pronta para o ataque declarou quando ele abriu a porta numa tentativa de cessar as batidas incessantes que haviam persistido por quase dez minutos.

"E você não vive mais aqui, lembra?" Draco zombou, caminhando de volta para a escrivaninha de mogno repleta de livros em que estivera mergulhado desde que retornara para a mansão. "Se eu escolher te ignorar, o que é justamente minha ideia, te ignoro, sua visita intrometida."

"Isso é jeito de tratar a família? Bem, eu acho que faria seus pais orgulhosos, saberem que você é tão hospitaleiro quanto eles," Tonks censurou, sentando-se em uma poltrona de couro luxuosa bem ao lado de seu primo carrancudo, que tentava evitar contato visual com ela. "Mas você sabe que falhou em seus intentos de me ignorar – certamente você deve saber que eles são fúteis, eu sou uma descendente feminina da Nobre Casa dos Black, e nós não somos nada além de obstinados – por que você não me contou sobre a garota?"

"Que garota?" Ele grunhiu.

"A garota pela qual você trocou sua prima para perseguir na chuva através da rua mais suspeita de Hogsmeade. O que foi aquilo que eu ouvi sobre você ser responsável pelo estado da vassoura dela?" Tonks perguntou com um sorriso estilo gato de Chesire no rosto. Ele a mirou pelo canto dos olhos, apertando os dentes em aborrecimento, e ignorou a pergunta. Os dois ficaram em silêncio, com ela o encarando persistente enquanto ele se recusava a respondê-la.

"Você é uma garota incrivelmente teimosa com uma determinação de ferro irritante," Ele disse abruptamente, quase como se a percepção recém lhe atingisse, e se virou para ela. "Por que alguém como você, com as mesmas características, que firmemente se recusou a implorar por qualquer coisa – até por coisas que eram claramente o melhor para ela –, tudo porque é muito orgulhosa e teimosa para fazê-lo, subitamente se transforma e, numa crise de humildade, implora por algo que é do interesse de outro? Simplesmente joga o orgulho pela janela, como se não fosse nada, quando antes, parecia que isso era a coisa mais importante do mundo?"

"Oh, meu pequeno e solitário garoto. Narcisa constantemente insiste que você está perfeitamente bem aqui por você mesmo e que você até mesmo prefere viver sozinho enquanto os dois lambem as botas de Voldemort, mas como isso pode possivelmente ser verdade se não consegue responder a uma pergunta tão simples quanto essa?" Tonks exclamou veementemente. "Se chama amor, seu grande idiota! Preocupar-se com alguém o suficiente para se sacrificar por essa pessoa, estar disposta a dar alguma coisa, sabendo que no fim, você conquista algo ainda maior em retorno."

"Amor?" Ele perguntou cético.

"E não necessariamente daquele tipo romântico e superficial, o único capaz de vir ao seu cérebro de adolescente. Oh, você é impossível, como eu posso possivelmente explicar isso numa maneira que você vá entender?" Ela perguntou, exasperada. "Certo, aqui vai ume exemplo. Olhe para Lord Voldemort. Ele é poderoso, e governa o mundo mágico, mas não com outra emoção que não ódio. Ele odeia a todos nós, até mesmo seus pais que agem como se o amassem mais do que ao próprio filho. E é por isso que ninguém o ama, e na verdade, tantas pessoas o odeiam. Para ser amado, você tem de ser capaz de amar em retorno, estar disposto a se arriscar lá fora por alguém além de si mesmo, doar-se um pouco, para então ter uma chance de receber um pouco em retorno."

"Você tem que ser capaz de amar, para ser amado..." Draco murmurou para si mesmo, uma expressão intrigada no rosto. "Isso parece bastante simples, assim como 'você precisa de dinheiro, para fazer dinheiro'." Tonks o encarou, incrédula.

"Bem, você obviamente perdeu o ponto por completo," Ela suspirou. "É tudo sobre equilíbrio, Draco, e não é uma posse, como dinheiro, que pode ser trocado e dar prestígio ou influência."

"Não, é na verdade bastante lógico, e eu entendi completamente," Ele disse, uma expressão distante no rosto. "... Eu só não sei o que farei sobre isso ainda."

Tonks segurou um sorriso, tendo um bom sexto sentido de que ela sabia onde aquilo acabaria.

"Tente um pouco. Você nunca sabe o que vai acontecer. No final das contas, não machuca," Ela disse, com um olhar afiado.


Ginny pôde ver a multidão amontoando-se ao redor da estação de trem a uma milha de distância, e considerando que o trem de cor vibrante ainda estava visível, soube que não estava tão atrasada. Correndo, sua mochila descuidadamente jogada sobre seu ombros e balançando desconfortável a cada passo, ela desesperou-se para certificar-se de que estivesse lá há tempo, já arquitetando uma vingança dolorosa a Snape se não conseguisse chegar. Empurrando-se através da multidão, Ginny pôde acenar ao ver Cho, cercada como sempre por Parkinson e suas tietes.

"Eu quase me atrasei, o maldito Snape me deu uma detenção essa tarde, o que dificilmente é uma novidade, mas estou feliz de ter chegado a tempo," Ginny exclamou, ofegando por ar, por ter corrido o caminho inteiro desde a escola.

"Também estou feliz que você conseguiu. Nós nunca tivemos a chance de falar sobre Quadribol, não é mesmo?" Ela riu, enquanto gesticulava para o atendente que carregava as malas. "Mas não importa. Eu tenho algo para você que acho que te ajudará nessa área melhor do que qualquer coisa que eu poderia ter dito."

O assistente moveu-se para frente e entregou para Ginny um grande pacote. Quase engasgando ao perceber o que havia dentro, Ginny olhou para Cho de forma incrédula, sem mal conseguir falar.

"Abra!" Cho riu, e Ginny forçou-se para tal, a despeito dos dedos trêmulos que lutavam para desatar a fita circulando o papel fino. Enquanto cuidadosamente empurrava o papel para o lado, sentiu-se ligeiramente tonta pelo que viu embaixo – uma Firebolt nova em folha.

"Eu não poderia aceitar!" Ginny ofegou, incapaz de impedir-se de acariciar a madeira envernizada. Cho riu.

"É claro que pode. Essa é a vassoura com a qual voei na final do campeonato. Firebolt é a patrocinadora do time, e como eles estão para lançar um novo modelo, não temos mais permissão para voar com o modelo velho. Eu preferiria ver isso nas mãos de alguém que vai saber como usar isso e usar bem, no lugar de deixá-la parada colecionando pó," Cho explicou. O queixo de Ginny caiu, e por mais que ela quisesse devolver e recusar, suas mãos se apertaram ao redor da madeira e ela se viu concordando, os olhos repletos de gratidão.

"Obrigada," Respondeu sem-voz.

"Me agradeça quando eu te ver jogando profissionalmente," Cho disse. Só então, Ginny lembrou de uma coisa.

"É melhor eu ir antes que Blaise me veja, a última coisa que eu quero é destruir a despedida de vocês," Ginny disse, olhando ao redor. A expressão de Cho desanimou, e seus olhos negros cresceram em tristeza.

"Ele me disse que não iria vir," Cho disse, com um pequeno encolher de ombros. Ginny suspirou pesadamente, chateada por pessoa que tinha em tanta estima fazer algo tão desapontador. Percebendo os sentimentos de Cho, a ruiva impulsivamente se inclinou e deu-lhe um abraço.

"Ele vai se arrepender disso amanhã, e te mandar uma carta ridícula de desculpas dizendo como ele é um idiota," Ginny sussurrou. Cho riu suavemente, assentindo.

"Você realmente não conhece o Blaise tão bem quanto pensa," Ela disse. Nisso, o assistente de Cho começou a cutucá-la no ombro, indicando que era hora de subir no trem. Acenando uma despedida para todos uma última vez, Cho pegou a mala que estivera perto de seus pés e subiu no trem.

Ginny observou o trem partir, sentindo-se levemente saudosa. Desde que Cho viera à cidade, sua vida certamente seguira por caminhos surreais, e por mais ansiosa que estivesse para ver um fim aos incidentes caóticos que continuavam a acontecer com ela, uma pequena parte dela iria sentir falta da excitação. Depois de o trem dobrar uma curva, e o único rastro dele fosse o caminho de fumaça no céu, a multidão começou a dispersar. Ginny permaneceu, agarrando firmemente sua nova vassoura na mão, a mente cheia de possibilidades que agora seria capaz de alcançar. Uma Firebolt de verdade, ela pensou feliz consigo mesma.

Assim que começou a andar para fora da estação, com planos de testar a nova vassoura dançando em sua mente, ela parou quando viu a forma alta e negra de Blaise Zabini andando em sua direção, seguido por Draco Malfoy. Enfurecida, Ginny marchou até ele, raiva permeando cada um de seus passos.

"Quando você chegou aqui?" Demandou furiosa. Blaise a olhou com surpresa, e encolheu os ombros. "Por quanto tempo esteve aqui?"

"Quase uma hora," Malfoy respondeu, um olhar penetrante na direção do amigo.

"Você ouviu o que ela disse na outra noite! Você sabe que ela disse que não saberia o que fazer se você pedisse a ela que ficasse! Você teve uma chance e nunca a usou; apenas a deixou ir embora da sua vida desse jeito. Você é tão covarde, como pôde deixar isso acontecer? Você tem de se esforçar pelo que quer na vida, lutar com tudo o que tem porque nada vai magicamente acontecer por você. Coloque o rosto a tapa, arrisque-se. Vá atrás dela, se ela é o que você realmente quer! Faça ALGUMA COISA exceto andar por aí e afogar-se na própria miséria!" Ginny exclamou enfática, ficando mais furiosa ao ver Blaise escutar seu discurso com uma expressão calma e divertida no rosto. "Por que você está sorrindo?"

"Porque você está certa," Ele disse, erguendo um tíquete de trem. "É por isso que eu estou pegando o próximo trem, para ir atrás dela. Se ela não pode ficar aqui, então eu vou ter de ir até onde ela está."

Ginny o encarou por um momento, sentindo-se exultante. Mas ao mesmo tempo, olhando-o enquanto ele sorria para ela tão feliz, ela não pôde impedir-se de sentir uma pontada de inveja, ciente de que ele estava prestes a fazer um gesto romântico e sério por outra garota – uma garota irritantemente perfeita que foi incrivelmente querida e recém lhe dera uma vassoura incrível, então Ginny não era nem capaz de odiá-la. Observando-o sorrir, Ginny sentiu uma onda de admiração e viu-se gostando dele ainda mais do que antes.

"Esse foi um ótimo discurso, no entanto," Ele disse com um sorriso esperto. "E se eu ainda não tivesse decidido ir, tenho certeza de que teria me convencido."

Ginny riu, sentindo-se ligeiramente embaraçada por sua explosão, e ficou incerta do que dizer. Blaise avançou e plantou uma mão em seu ombro, inclinando-se para que ficassem cara a cara.

"Me desculpe, eu fui horrível com você no outro dia. Você só estava tentando ser uma boa amiga, mesmo passando dos limites," Ele disse suavemente. Ginny encolheu um pouco os ombros; dolorosamente consciente da proximidade entre eles. Ele subitamente inclinou-se para frente e, antes que a mente de Ginny pudesse processar, ele a beijava na testa e despenteava seus cabelos, num gestão bem 'irmão mais velho' que imediatamente a lembrou de Charlie. "Mantenha o Malfoy na linha por mim enquanto eu estiver fora, ele algumas vezes perde a cabeça e precisa de alguém para gritar umas verdades em retorno."

"Eu preferia bater algum senso na cabeça dele em vez disso," Ginny murmurou, olhando sobre o ombro de Blaise para ver Malfoy parado perto, analisando-os com os braços cruzados. Blaise riu.

"Não, ele iria gostar demais disso," Ele repreendeu, fazendo Ginny recuar em horror.

"O quê?" Ela exclamou, o rosto queimando de embaraço. Blaise não respondeu, apenas jogou a cabeça para trás e riu antes de dar um tapinha em seu ombro uma última vez. Ginny o mirou com olhos arregalados, ainda recuperando-se da observação dele. Blaise andou até Draco, e os dois pareceram engatar em uma conversa séria que Ginny não pôde escutar. Não importava realmente, porque naquele momento, Pansy e seu grupinho de amigas captaram o fato de que Blaise Zabini estava deixando Hogsmeade e vieram galopando até ele, ansiosas para verificar a fofoca diretamente da fonte e lamentar a partida de um de seus mais preciosos 'bens' masculinos.


Weasley estava parada longe enquanto todos prolongavam as despedidas; quase quarenta e cinco minutos se passaram antes que Blaise finalmente estivesse livre da multidão frenética, o que lhe deu tempo suficiente para embarcar no próximo trem em direção a Londres antes que este partisse.

"Eu não entendo por que você simplesmente não aparata, meu pai conseguiu a licença um ano atrás," Draco disse para seu amigo enquanto caminhava com ele até a porta. "Te pouparia todo esse tempo e confusão, e você estaria lá esperando por ela."

"Eu preciso desse tempo para pensar no que vou dizer para ela, para explicar por que estou lá," Blaise disse, com uma risada nervosa. Blaise puxou o ar e pareceu preparar-se para dizer algo que o deixava desconfortável. "Obrigado, Draco... você sabe, pelo que disse."

"Não me agradeça," Ele respondeu rigidamente, olhando para longe. "Apenas repeti o discurso que recebi da Nymphadora."

"Não faça nada estúpido," Blaise disse, com um sorriso esperto e implicante na direção da Weasley, que estava parada o mais perto do grupo de despedida possível para não fazer parte realmente dele, evidentemente evitando as provocações que Parkinson tentava jogar contra ela. Draco seguiu o olhar do amigo, e fez uma careta ao perceber o que Blaise quis dizer. "Ou devo dizer, pare de ser idiota?"

"Apenas suba no maldito trem, imbecil. Depois de toda essa comoção, você pareceria um baita idiota se ele partisse sem você," Draco disse, empurrando seu amigo para os degraus. "Tente não fazer a Cho pisar em cima do seu coração com os sapatos de grife dela."

"Eu vou voltar quando fisgar a garota, de uma vez por todas," Blaise disse, antes de finalmente subir os degraus e desaparecer.

Enquanto parado, observando o trem levar seu melhor amigo para longe da estação, Draco ainda se sentia impressionado pelo quão longe Blaise estava disposto a ir por uma garota que nem ao menos tinha certeza se sentia o mesmo por ele. Ele estava deixando para trás o último ano da escola, os amigos e provavelmente iria ter de encarar alguns sermões rigorosos dos pais, que eram muito mais envolvidos com a vida do filho do que outros pais importante e poderosos no mundo mágico. Tudo isso, Blaise estava deixando para trás, e sem nenhuma garantia de que Cho algum dia o iria querer junto a ela.

Os olhos de Draco desviaram-se para Ginny Weasley, que estava observando o trem com um olhar distante. Lembrando o que ela havia gritado para Blaise, as palavras correram por sua mente. Você tem de se esforçar pelo que quer na vida, lutar com tudo o que tem porque nada vai magicamente acontecer por você. Coloque o rosto a tapa, arrisque-se, ela havia gritado com os olhos cheios de raiva. Junto ao discurso que Nymphadora lhe dera na noite anterior, ao observá-la vendo o trem partir, uma súbita rajada de determinação desceu pela espinha de Draco ao perceber o que ele queria.

A cacofonia de sons que o trem fazia já quase desaparecia, mas Draco ignorou isso e avançou em frente, rudemente afastando as pessoas para fora de seu caminho. Ele parou abruptamente bem em frente à Ginny, atrapalhando a visão dela do trem e obrigando-a a olhar para cima, a testa franzida em irritação.

"O quê?" Ela perguntou cautelosamente. Draco parou, preparando-se, procurando pela maneira certa de dizer o que queria.

"Segunda. Town Square. Esteja lá à uma em ponto." Ele latiu, soando bem mais ameaçador do que planejava. Sentindo-se triunfante por ter feito o que Nymphadora sugerira, ele se virou e marchou para longe, deixando Ginny plantada no meio de uma multidão de espectadores chocados, sussurrando entre eles em surpresa que Draco Malfoy – Draco Malfoy! – acabara de chamar a Weasel para um encontro.


Nota da Autora: Aspectos que não posso chamar de meus (e que vieram do anime HYD, mangá ou Live Action, ou Meteor Garden):

- O papel de Tonks como 'irmão mais velha', e sua atitude sem sentido em relação a Draco é tirado diretamente de HYD. Eu tive de manipular terrivelmente o passado dela e de alguns personagens para encaixá-la no papel, mas me pareceu a única opção (Eu considerei usar a Bellatrix, mas seria MUITA bagagem emocional para ela);

- A conversa entre Cho e Blaise no terraço que Ginny escutou é de Meteor Garden (versão tailandesa de HYD), ainda que o diálogo seja meu, a essência vem de MG.

- Tonks atacando Malfoy na frente da Ginny, seu discurso sobre amor e o jeito que ela age como uma luz para Draco;

- Ginny indo ver a Cho partir, Cho dando-lhe um presente (em HYD, é um sapato), Blaise aparecendo mais tarde e Ginny dando-lhe um sermão;

- Blaise partindo, e o fato de Malfoy demandar que Ginny saia em um encontro com ele (porque é exatamente isso que ele fez).

O resto, como é, é todo meu.


Nota da Tradutora: Oi, gente! Tudo bem? *abre um sorriso cara-de-pau*. Eu sei, demorei quase um ano para atualizar isso daqui! Fui totalmente relapsa com a tradução, e não me admiraria nada de todos terem ido ler em inglês e nem comentem mais por aqui.

Claro que se ninguém mais comentar, não tem por que eu continuar a traduzir. E não é chantagem, é apenas algo lógico, já que eu estou traduzindo para que as pessoas leiam e, e se não tiver ninguém lendo... Bem, não tem razão para continuar.

No meu profile está escrito que estou largando o fandom de HP, porém eu não gosto de deixar nada inacabado, e nem queria deixar essa tradução. Espero ouvir de vocês, me digam se devo continuar a traduzir. A autora postou dois novos capítulos desde que eu traduzi o cap. 8!

Desculpem de novo a demora, não quero demorar de novo tanto quanto dessa vez! Vou me esforçar para isso!

E obrigada a todos que comentaram anteriormente.

Beijos!