CAPÍTULO TRÊS
- Você o quê?
Serena fitou Mamoru . Alto, moreno e belo como sempre, com o bônus extra de ser um homem de princípios, ferido e apaixonante.
Não. Ele preenchia as características de "homem perfeito". Serena não podia ter alguém assim por perto. Precisava se livrar dele.
- Vou ficar. Tem certeza de que meu pai não está morando aqui? - Mamoru indagou.
- Viu algum sinal dele?
- Nada definitivo, mas isso pouco significa. Não sabe se sua tia-avó tinha alguém morando com ela?
- Nunca quando eu ficava aqui.
- E quando foi a última vez que ficou aqui?
- Passei uma noite aqui cinco semanas atrás.
Serena tinha trabalhado dobrado e dado aula até tarde. Estava cansada demais para cruzar a cidade e ir para casa. Então, ligou para Luna e ela deixou as chaves com o porteiro, Ralph. Luna já estava na cama quando Serena chegou, exausta. A sobrinha não a acordara. Entretanto, teria feito isso se soubesse que era uma das poucas oportunidades que lhe restavam.
- A carta que recebi do meu pai datava de oito dias atrás. Vinte e três de abril - Mamoru disse.
- Você esperou oito dias antes de bater à porta de Luna? Não é tão obcecado quanto pensei.
- Só ontem, ao chegar em casa, recebi a carta. Eu estava em uma ilha, na costa do Maine, monitorando aves, quando a correspondência chegou.
- Então, está dizendo que seu pai poderia ter se mudado para cá desde a última vez que eu estive aqui. Muito justo. Mas o sr. Chiba não está aqui, e Luna está morta. Então, você deve seguir outra direção.
- Não tenho outros rumos. Até onde eu sei, ele pode ter saído há uma hora para comprar leite e jornal. Estou esperando pelo meu pai.
- Mas eu tenho coisas a fazer. Preciso ir para casa - Serena comentou.
- Então, vá. Tudo bem.
-Não posso ir e deixá-lo aqui sozinho!
- Acha que vou ficar solitário? Muito gentil de sua parte. Mas passo boa parte do tempo sozinho, não tem que se preocupar comigo.
- Não! Quero dizer, não posso deixá-lo sozinho no apartamento de Luna. Não sei quem você é.
- Confiou em mim o suficiente para me deixar entrar.
- Sim, mas isso foi... - Um erro descomunal. - Não posso deixá-lo aqui - repetiu.
- Então, fique. Tudo bem.
- Mas... Tenho que levar as roupas de Luna para o funeral.
- Me diga se estou sendo rude...
- Está - Serena o interrompeu.
- Sua tia-avó era dona de um apartamento enorme, em uma das áreas mais caras de Nova York. Aposto que o custo do funeral não vai ser baixo.
Serena se lembrou das instruções que lera naquela tarde, escritas pela tia-avó, em relação ao próprio funeral: reservar a igreja de Manhattan, o salão de festas do hotel, o pedido de champanhe e uísque para o velório.
- Que diferença isso faz?
Sem levantar da cadeira, Mamoru se esticou e tirou o telefone, preso à parede, do gancho. Entregou-o a Serena, dizendo:
- A diferença é que a funerária vai ser muito bem paga. Eles vão mandar alguém aqui para pegar as roupas.
Serena balançou a cabeça e retrucou:
- Não quero ficar. Não moro aqui. Todas as minhas roupas estão no Bronx. Por que não apenas...
- Não vou embora. Lamento que isso seja inconveniente para você, mas é a minha única chance.
Ela tirou o fone da mão dele e disse:
- Tudo bem. Vou chamar a polícia.
- Engraçado. Não pensei que você precisasse de alguém para resolver suas próprias questões. - Serena estremeceu. Era como se ele tivesse tocado na ferida. -A única coisa que me importa é encontrar o meu pai. Farei o que for preciso. Realmente, lamento se estou dificultando a sua vida. Mas isso tornou a minha vida difícil nos últimos 16 anos. Não posso ir embora sem algumas respostas.
A campainha tocou.
- Está esperando alguém? - Mamoru perguntou.
- Não tenho a menor idéia de quem seja.
Mamoru levantou. Sem uma palavra, os dois cruzaram a cozinha, atravessaram o corredor e foram em direção à porta. Mamoru estava à frente. Ao tocar a maçaneta, Serena lhe disse:
- Não. É o apartamento da minha tia-avó.
Mamoru acenou com a cabeça, concordando, e recuou. Porém, permanecia como se estivesse à espera de uma explosão. O corpo todo estava tenso. Ele queria tanto que o pai aparecesse que não dava para Serena deixar de querer isso também.
- Vai reconhecê-lo?
- Não sei.
Serena abriu a porta e fitou o homem em pé, do lado de fora. Ih, ele é baixo para ser o pai de Mamoru , pensou. Então, viu que era Ralph, o porteiro.
- Ei, Ralph, como vai?
- Serena! Não vi quando subiu.
-Acho que você estava de costas quando entrei. Não o incomodei porque tinha minhas próprias chaves. - E porque não estava com vontade de falar com ele ou com ninguém, após a morte da tia. Serena ficara zanzando, do lado de fora do prédio, até vê-lo se virar para encher uma xícara de café. Então, entrou correndo e foi em direção aos elevadores o mais rápido possível.
- Oh, bem, eu só estava checando... Havia esse sujeito que disse estar à procura da srta. Tsukino...
Mamoru saiu de trás de Serena, ficando na linha de visão de Ralph, e comentou:
- Eu a encontrei.
Ralph parecia confuso e comentou:
- Oh, eu... Pensei que tivesse dito...
- E ele disse. Mas, uma vez que minha tia-avó morreu, concluiu que eu poderia ajudar - Serena explicou.
Ralph ficou com os olhos semicerrados, observando. Embora Serena o conhecesse havia anos, sentia que o porteiro estava suspeitando de que ela planejava roubar a casa de Luna.
- E vocês dois estão bem? Posso ajudá-los em alguma coisa?
- Tudo bem. Obrigada, Ralph - Serena respondeu. Ela ia fechar a porta quando o porteiro a deteve, dizendo:
- É que a mochila dele continua no corredor. Então, fiquei me perguntando... - o porteiro baixou o tom de voz e falou pertinho do rosto de Serena - se você o convidara para entrar.
Serena não sabia se o porteiro estava preocupado com o bem-estar dela ou com os pertences de Luna.
- Só faço o que quero, Ralph. E estou bem. De qualquer forma, muito obrigada pela sua preocupação.
Atrás dela, Mamoru agradeceu:
- E obrigado por me lembrar da mochila.
Mamoru passou por Serena, indo em direção ao corredor. Por uma fração de segundo, o corpo forte e quente tocou o dela. Serena sentiu um desejo enorme, desesperado. Não compreendia como o coração acelerava, os mamilos enrijeciam, as pernas ficavam bambas. Tudo isso antes de ele voltar com a mochila e passar por ela de novo.
Dessa vez, Mamoru acabou se encostando nela ainda mais, por causa da mochila que era grande e ocupava muito espaço. Aparte detrás de seu braço tocou a lateral do seio direito de Serena.
Ela ficou com a boca entreaberta. Õ corpo todo pulsava e quase gemeu de prazer com aquele contato que, inevitável, tinha sido sem intenção.
Então, fechou a boca ao perceber o que acabara de acontecer. Garota estúpida! Mamoru apenas saíra do apartamento e ela ficara ocupada demais com os próprios hormônios, não fechando a porta.
Também tivera participação. Ralph continuava no corredor. Se Serena realmente quisesse se livrar de Mamoru , teria pedido ajuda ao porteiro. Mas não fizera isso.
- Até mais tarde, Ralph - disse, e fechou a porta. Ao chegar à sala, Serena encontrou Mamoru sentado no sofá, mexendo na mochila.
- Você viaja carregando sua vida aí nessa mochila? - Serena questionou. Pensou em sentar na poltrona, do outro lado da sala, para ficar em segurança, longe daquele corpo sexy. Porém, nunca tinha sido do tipo que aceitava a opção mais segura. Suas ações provavam isso agora. Acabou sentando no sofá.
- Como uma tartaruga - Mamoru concordou. Ele abriu a parte de cima da mochila e tirou de lá um suéter cinza. Depois, despiu a jaqueta impermeável.
- Não sabia quanto tempo ficaria longe. Então, achei melhor estar preparado.
- Você daria um bom escoteiro - Serena retrucou.
- Fui um ótimo escoteiro. E você? Foi bandeirante?
- Não sou o tipo de pessoa que faz parte de organizações. Minha mãe me forçou a ir, com minha irmã mais velha, Jade, a uma reunião de bandeirantes. Eu, deliberadamente, derramei leite na jaqueta da comandante.
Mamoru riu. Serena se encolheu a um canto do sofá, colocando os braços ao redor das pernas para se manter sob controle.
- O que mais tem aí dentro dessa mochila? Uma barraca? Um fogareiro?
- Sim.
- O que ia fazer? Acampar no Central Park?
- Pensei nisso.
- Então, tudo bem. Não precisa ficar aqui. Pode acampar no parque. Eu abro a janela e grito por você se o seu pai aparecer.
- Não. Vou ficar. Por que quer tanto se livrar de mim? -Não o conheço. E até onde eu saiba, sua mochila está cheia de facas. Então, você pode me cortar em pedacinhos e depois roubar todas as coisas de valor da minha tia-avó.
Como era bom mentir tão bem. Não lhe diria, de jeito nenhum, o real motivo pelo qual não queria que Mamoru Chiba ficasse. Não lhe contaria que estava com medo de acabar gostando dele se passassem muito mais tempo juntos.
- Mais cedo, tentei avisá-la de que eu poderia ser perigoso. E você me disse para calar a boca – Mamoru comentou. Em seguida, abriu um outro compartimento da mochila e começou a revirá-lo.
- Além disso, tenho de ir a outros lugares.
- Tem algum encontro ou algo do gênero?
A resposta apropriada para aquela pergunta era cair no chão rindo. Serena Tsukino com um encontro no domingo à noite? Tentou se controlar e respondeu:
- Trabalho muitas noites.
- Tem que trabalhar hoje?
- Não.
- Isso é bom. Gostaria de ter companhia. Há uma semana e meia, não falava com ninguém. Exceto com o seu amigo Ralph e o pessoal dos pedágios na rodovia 95, enquanto vinha para cá.
- E esse fato é para reafirmar que você não é um psicopata?
- Não sou um psicopata.
Mamoru tirou algo embrulhado em papel laminado e perguntou:
- Quer alguma coisa para comer?
Assim que ele fez essa pergunta, Serena sentiu o estômago vazio. Estava faminta. Trabalhara nove horas seguidas, desde as seis da manhã, e não comera nada além de um sanduíche de presunto. Depois, tinha dado uma corridinha para esfriar a cabeça antes de ir à funerária.
- O que é isso? - Serena perguntou.
- Uma barra de proteína.
Serena fez uma careta e comentou:
- Estou com fome, mas não o suficiente para comer Mamoru deu de ombros e desembrulhou a barra, comentando:
- Fique à vontade se quiser qualquer outra coisa que eu tenha aqui.
Ele mordeu um pedaço da barra. E, embora o cheiro não fosse nada apetitoso, mesmo a distância, o estômago dela voltou a doer.
- O que mais tem aí?
- Sopa desidratada, ensopadinho embalado a vácuo, massa, cereais com frutas secas, nozes, castanhas.
- Como conseguiu ser tão grande com uma dieta como essa?
- Saí apressado e peguei o que havia sobrado das duas semanas que passei em Cranberry Island. De fato, sou bom cozinheiro. Sou habilidoso com um fogareiro, quando consigo os ingredientes certos. Acha que tem alguma coisa na cozinha da sua tia-avó?
-Não. Luna nunca cozinhava. Entretanto, vou lhe dizer o que há.
Serena pulou do sofá e foi a uma mesinha onde pegou o telefone sem fio e um maço de cardápios de restaurantes que entregam refeições.
- Temos um mundo de comida na ponta dos dedos. Precisamos apenas escolher o país e o estilo. Chinesa, italiana, turca, indiana, japonesa, americana?
- Não como pizza há semanas.
- É um número que Luna não tem. Nunca comia com as próprias mãos nada maior do que uma ostra.
Serena começou a discar um número e completou:
- Felizmente, sei um de cabeça. Calabresa?
- Com cogumelos. É por minha conta. Então, peça uma extragrande.
- Se é por sua conta, vou pedir duas.
Ela ligou, fez o pedido e recolocou o fone no gancho, imaginando que estava resignada a passar a noite com Mamoru no apartamento. Bem, se era inevitável, deveria aproveitar. Mas não muito.
Pensativo, Mamoru apreciava a bebida.
- Bom vinho, hein?
- Bom demais para acompanhar uma pizza - ela retrucou. Depois, tomou um gole e pegou o último pedaço de pizza que estava na caixa.
Serena comeu mais do que qualquer mulher que Mamoru conhecia, e não prefaciou cada mordida com preocupações sobre calorias ou promessas de começar uma dieta no dia seguinte. Apenas comeu, com satisfação. Para ela, comida era comida. Nesse sentido, era como um homem.
Mamoru bebeu outro gole do vinho que Serena escolhera da enorme coleção da tia-avó. Era delicioso e, provavelmente, muito caro. Tudo naquele apartamento parecia ser.
Trabalhando em Mount Desert Island, um balneário de veraneio para os ricos, no Maine, Mamoru conhecera muita gente abastada. Serena não se enquadrava naquele estereótipo. Não apenas por causa das roupas fora de moda. Era muito pé-no-chão.
Claro que não era apenas pelo fato da tia-avó ser rica que Serena também tinha de ser. A sobrinha poderia pertencer à parte pobre da família.
- De onde veio o dinheiro da sua tia-avó? – Mamoru questionou.
- Não sei. Ninguém sabe. Ela não herdou o dinheiro de nenhum parente, porque todos os meus antepassados eram de classe média. Meus pais costumavam especular isso o tempo todo.
Pela primeira vez, parecia que Serena percebera que não tinha sobrado nada para Mamoru comer. Então, lhe entregou o último pedaço de pizza, já mordido na ponta, perguntando:
- Ainda está com fome? Quer esse pedaço aqui? Mamoru sorriu. Outra coisa interessante em relação a
Serena era que ela o tratava como se o conhecesse há anos. Pelo menos depois que parará de tentar expulsá-lo do apartamento.
- Não, obrigado. O que acha que sua tia-avó fazia?
- Qualquer coisa que quisesse. Não sei como conseguia seu dinheiro, mas deve ter sido de uma aventura ou outra. Luna nunca ficava quieta.
Mamoru notou que não havia decepção na voz dela e sim orgulho. Boa garota. Também se saíra bem quando o sujeito da funerária aparecera logo após o entregador de pizza. Por um minuto, Serena parecera tão triste que ele pensara que ela fosse chorar. Entretanto, colocou um sorriso no rosto e entregou as roupas sem pestanejar. Em seguida, saiu e voltou com uma garrafa de vinho.
- Quer ser como Luna, não? - Mamoru indagou.
- Quero ser eu mesma - ela retrucou e comeu o resto da pizza.
- E o que é ser você mesma? Também é muito rica?
- Sou taxista e professora de ginástica.
- Sério?
- Sério. E você? Ganha para ficar contando aves em ilhas ou é apenas um passatempo excêntrico?
- Sou pago para isso. Sou guarda-florestal.
- Especialista em conservação, aposto.
- Sim.
- Onde?
- Maine. Minha base é no Parque Nacional de Acadia, em Mount Desert Island. Mas também trabalho nas ilhas afastadas que pertencem ao parque.
- Um guarda-florestal solitário que conta pássaros. Deve ter que voltar para o parque em breve, certo?
- Tenho uma semana de folga. Não é alta temporada.
- Pretende ficar uma semana aqui?
- Vai depender de quanto tempo vou levar para encontrar meu pai. Posso ficar mais tempo fora se eu quiser. Tenho férias acumuladas.
- Não está preocupado que o parque possa perecer sem você para tomar conta?
- Sim. Mas achar meu pai é mais importante.
- Maravilha. Estou presa em um apartamento com um guarda-florestal por uma semana - Serena comentou e colocou mais vinho na taça.
- Espero que meu pai apareça antes disso.
- Você espera que ele apareça hoje à noite. Eu também. O que vai fazer se isso não acontecer?
Mamoru pegou a garrafa de vinho. Serena também terminara a bebida.
- Não vou pensar nessa possibilidade. Então, tirou-lhe a taça das mãos, bebeu o vinho e
devolveu-lhe a taça vazia. Porém, Serena não a pegou. Mamoru olhou para o rosto dela e viu que ela o fitava. Os olhos bem abertos, as maçãs do rosto coradas, a boca semi-aberta.
Por um momento, ele achou que havia interpretado mal aquela situação. Pensou que se sentira à vontade demais com Serena, se esquecera de si mesmo e fizera algo rude. Porém, ela não o estava repreendendo, e não parecia aborrecida. Apenas... olhava.
- Talvez eu deva acabar com o vinho. Parece que a bebida subiu-lhe à cabeça -Nicholas comentou.
- Acho que tem razão. Eu devia ir para a cama. – Serena levantou.
Porém, ao dar o passo, tropeçou no tapete em frente ao sofá. Mamoru também se levantou e a pegou nos braços. Serena era mais leve do que ele esperara, e bebera vinho demais. Ela o fitava, chocada.
- Mamoru ...
O vinho também subira à cabeça dele. Não costumava beber muito e não dormia desde a véspera, quando recebera a carta do pai. Assim, sentiu a visão ficar desfocada e bocejou.
Serena recuperou o equilíbrio e se afastou, dizendo:
- Vou dormir no quarto de hóspedes. Sempre dormi lá E você pode ficar com o quarto das tralhas, tudo bem?
- Ficarei aqui no sofá. Tenho um saco de dormir. Quero estar perto da porta no caso do meu pai chega durante a noite.
- Como quiser. Boa noite.
Serena pegou a caixa da pizza e a garrafa de vinho, deixou a sala sem olhar para trás. Um minuto depois Mamoru ouviu a porta do quarto dela se fechar.
Serena ficou deitada no escuro, fitando o teto invisível O corpo estava bem acordado. Podia culpar o vinho mas era uma desculpa. A culpa era dela mesma. Tinha sido imbecil ao relaxar, aproveitar a companhia de Mamoru sentar-se tão perto daquela masculinidade gloriosa perfeita.
Idiota. Enganara a si mesma ao pensar que estaria tudo bem, que não se interessaria por ele, que poderia controlar os próprios hormônios e apenas dividir uma pizza e vinho. Aí, quando Mamoru tirou-lhe a taça da mão e bebeu o vinho de forma sexy, Serena se deu conta de que estava brincando com fogo.
Um minuto depois, estava nos braços dele e o desejo crescia. Por um momento, pensou que Mamoru a segurava porque se sentia atraído. Essa possibilidade a excitou. Então, disse o nome dele e ergueu o rosto para que a beijasse. Foi quando ele bocejou.
Ela se virou e colocou o travesseiro sobre a cabeça. Enterrou o rosto no lençol e desejou ficar ali para sempre. O inferno era que ainda sentia aquelas mãos másculas que a tocaram.
Ao menos escapara antes de tentar beijá-lo e lhe dar motivo para ter pena dela.
