Capítulo 9 – Prices

Era uma manhã quente quando Ruby saiu do hospital. A luz do Sol entrava pela janela do banco de trás e iluminava todo o rosto de Ruby, porém, apesar da claridade do dia, nada estava claro em seus pensamentos. Ela repassava os últimos acontecimentos de seus dias em sua mente e se perguntava o que faria agora, agora que Belle já não fazia mais parte de sua vida.

"Chegamos.", disse a voz de Emma, que havia se oferecido para buscar Ruby no hospital. Ruby agradeceu com um breve sorriso e desceu do carro, olhando tudo a seu redor. Algumas pessoas passavam ali e a olhavam com curiosidade e algumas até cochichavam, provavelmente tentando entender como Ruby havia sobrevivido ao acidente sem nenhuma sequela. Acontece que essas pessoas estavam mais que erradas e Ruby sabia que o acidente havia sim deixado sequelas nela: havia deixado seu coração em pedaços, porque sua recuperação apenas foi possível graças a Belle, que trocou sua liberdade para que ela tivesse uma segunda chance.

"Está tudo bem?". Era a voz de Emma novamente. Ruby agora estava em seu quarto, ela não lembrava como havia chegado ai, parecia estar em automático, parecia tão quebrada e tão sozinha que Emma se sentiu a pior amiga que alguém poderia ter. "Sei que não devo ser a melhor companhia no momento, mas espero que você saiba que pode conversar comigo sobre o que quiser, Ruby.", Emma continuou, agora se sentando ao lado de Ruby e segurando a mão da morena, que sorriu em resposta e soltou um agradecimento, quase como em um sussurro.

"Não se preocupe muito com ela, Emma.", disse a voz de Granny, que havia acabado de entrar no quarto e agora andava de um lado para o outro, abrindo todas as cortinas e deixando a luz daquela manhã iluminar todo o quarto. "Ela vai ficar bem, não vai querida?", perguntou Granny à neta, dando-lhe um sorriso encorajador que não foi respondido com a mesma intensidade.

"Vou sim, vovó.", Ruby respondeu e a senhora saiu animada, perguntando antes se Emma iria querer tomar alguma coisa. A loira respondeu que não, pois tinha que voltar para a delegacia e que iria voltar mais tarde com Henry.

"Então vou preparar meu melhor bolo para o garoto.", respondeu Granny animada. Ela estava muito feliz por ter Ruby de volta sã e salva, apesar de saber que ainda assim havia algo de errado com a garota. "E vamos fazer uma festa de boa vindas para ela, você e Henry estão mais que convidados... Acho que rever todos os amigos fará bem a ela, não acha, xerife?", completou a vovó. Emma concordou com a cabeça e esperou que a senhora saísse e a deixasse a sós com Ruby.

"Acho que sua avó pegou toda essa positividade com meus pais.", Emma disse, fazendo a morena soltar uma risada.

"Provavelmente.", Ruby respondeu e Emma, que ainda segurava suas mãos, sorriu com a resposta e, mesmo sentido que entraria em um campo o qual não dominava, ainda assim resolveu arriscar.

"O que te aflinge, Ruby?", perguntou Emma, e no mesmo instante Ruby levou uma mão ao rosto, secando uma lágrima solitária.

"Acho que eu perdi tudo naquele acidente.", a morena respondeu. "E é engraçado, pois eu nem sabia que eu a tinha... Nem sabia que alguma parte dela me pertencia. Bem, agora já não importa.", completou, secando agora todas as lágrimas de seu rosto.

"Não pense que tudo está perdido, Ruby. Quer dizer, não seríamos um conto de fadas se não nos fosse destinado um final feliz, não é mesmo?", Emma perguntou. Ruby pareceu um pouco distante, antes de finalmente respondê-la.

"E se eu não tiver um final feliz porque eu sou a vilã da história?", questionou Ruby, e dessa vez foi Emma quem refletiu a respeito, pois ela não via Ruby como a vilã da história, mas não era isso que a incomodava...

"Não acredito nessa hipótese.", respondeu a loira, se levantando e ficando a frente de Ruby e lhe dando-lhe um beijo demorado na testa. "Você é tudo, menos a vilã da história.", ela respondeu e Ruby sorriu para ela, antes dela partir. Enquanto Emma caminhava em direção à saída, ela se questionava se a real vilã da história teria de fato um final feliz e se de alguma forma ela poderia se encaixar nesse enredo.

Ruby ficou a sós com seus pensamentos, olhando seu quarto solitário, caminhou em silêncio, parando diante de sua penteadeira, viu seus batons vermelhos e maquiagem forte espalhados pela mesma e viu também um livro que a fez lembrar-se de Belle e de tudo o que elas não puderam ter. Ela pegou o livro e o segurou contra o corpo, não leu o título e nem mesmo o autor – não importava nesse momento –, mas enquanto ela abraçava o livro, em seus pensamentos ela desejava que fosse uma linda história de amor e que o final fosse perfeito, com direito a final feliz, diferente do que ela teria daqui pra frente.

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O cheiro de ovos mexidos tomava conta de toda a cozinha da casa do Senhor Gold. Belle entrou no cômodo, olhou ao redor e o encontrou na pia, preparando uma bandeja cheia de coisas deliciosas.

"Bom dia.", ela disse e ele se virou, olhando para ela. Ele tinha um sorriso no rosto, limpou as mãos em um pano limpo e se aproximou dela com certa dificuldade, pois não tinha sua bengala consigo.

"Bom dia, minha Belle.", ele disse, se aproximando de seu rosto para um beijo. Belle, porém, se afastou e ele pareceu muito irritado com isso, mas logo seu rosto tomou o semblante de felicidade novamente e ele voltou novamente à bandeja que preparava. "Minha intenção era te fazer uma surpresa.", ele disse, agora trazendo a bandeja para a mesa da cozinha, onde Belle se sentava.

"Desculpa estragar seus planos.", disse Belle. "E obrigada pelo café da manhã, parece tudo muito gostoso.", continuou com um sorriso. Rumple sentou-se também junto a ela e a observava em silêncio, enquanto ela comia. "Não vai tomar café comigo?", ela perguntou em algum momento. Ele fez que não com a cabeça e continuou em silêncio, observando-a e isso de certa forma a incomodou, mas ela resolveu não dizer nada e o silêncio então se prolongou.

"Você está muito bonita hoje, Belle. Pretende ir para algum lugar?", ele observou. Ela limpou então a boca com um guardanapo de pano a sua frente e franziu o cenho, não entendo bem a pergunta.

"Não.", ela disse. "Vou apenas para o meu trabalho.", completou. O rosto de Rumple tomou um ar surpreso e ele esperou alguns instantes para enfim começar a falar.

"Não acho que há necessidade alguma de você trabalhar, Belle.", ele disse enfim. "Quer dizer, não dou tudo o que você precisa aqui?", ele perguntou. Belle balançou a cabeça e soltou uma risada, não conseguindo acreditar no que estava ouvindo. Ele de fato pensava que ia torná-la sua prisioneira.

"Não somos um casal.", ela disse por fim. Ele pareceu extremamente irritado com a resposta. Belle pôde ver seu rosto tomar um ar de frieza e então tomou cuidado com as palavras que tomaria a seguir. "Mas eu sei que estamos tentando e eu gostaria que você tivesse paciência comigo.", ela completou.

"E eu tenho.", ele respondeu e esticou suas mãos sobre a mesa, segurando uma das mãos de Belle em resposta. "Tanto é que concordei quando você preferiu dormir no quarto de hospedes ao invés de dormir comigo. Mas acontece que eu realmente acho que não há necessidade de você ir trabalhar."

"Eu discordo.", Belle respondeu, o interrompendo. As palavras de Rumple ficaram no ar, ela sorriu e se levantou da cadeira, dizendo que estava atrasada para abrir a biblioteca. Rumple não disse nada e concordou com a cabeça, pois ele sabia que não podia forçá-la a nada. Ele continuou sozinho na mesa da cozinha, ouviu a porta da sala bater, indicando que ela já havia saído, e olhou para a bandeja a sua frente, para os ovos mexidos que mal foram tocados e para o café quente que ainda exalava fumaça. Não importava tudo o que ele tinha e tudo o que ele poderia oferecer para ela: ainda assim o lugar que ela reservou para ele em seu coração ainda seria o lugar mais frio e solitário que ele poderia estar.

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"Você tem que ir até ele.", Regina disse, enquanto caminhava pelo seu quarto, separando o vestido que iria usar aquele dia. Selene estava sentada em sua cama, olhando-a trocar o vestido pela terceira vez em menos de cinco minutos.

"Eu não quero ir até ele.", Selene respondeu e Regina parou diante dela, com um ar completamente irritado. "Você está linda com essa roupa, não deveria trocar novamente.", a loira disse, mudando completamente de assunto e fazendo a prefeita se perder em seus pensamentos.

"Eu sei que você e Rumple têm suas diferenças do passado e sei também que ele não se lembra disso. Mas acontece que ele é o único com poder forte o bastante pra te ajudar e é isso o que você quer, não é mesmo? Ajuda.", Regina completou e colocou o salto alto, andando em seguida em direção ao espelho, onde checou sua maquiagem pela segunda vez.

"Sim, eu quero. Mas você não entende. Ele não é confiável.", Selene continuou, agora se levantando e caminhando em direção a Regina. A prefeita colocou suas mãos nos ombros da garota e sorriu para ela, de modo a acalma-la.

"Prometo que ele não fará mal nenhum a você e ao bebê, ok?", Regina disse e trouxe a garota para junto de si em um abraço. Selene ficou em silêncio, aceitou as palavras da prefeita e permitiu ser abraçada por ela.

"Obrigada.", Selene disse baixinho e Regina se separou dela, olhando para ela alguns instantes. "Mas você se importa se eu for sozinha?", continuou ela. Regina se preparou para questioná-la, mas achou que não ganharia a discussão, então simplesmente concordou.

"Eu vou então pra prefeitura, tenho algumas coisas pra resolver e vou mandar um táxi te buscar e trazer de volta para casa, pode ser? Qualquer que seja o preço que ele cobrar, diga que eu pagarei.", perguntou a prefeita. Selene assentiu e então Regina continuou. "E eu volto para almoçarmos juntas. Qualquer coisa tem meu número de celular na geladeira e o do escritório, não hesite em me ligar.", Regina concluiu e se despediu de Selene.

A morena caminhou em direção a seu carro, checando novamente sua aparência no vidro do mesmo, onde também pôde ver o reflexo de Emma. Ela se virou e encarou a loira atrás de si.

"Algum problema, Srta. Swan?", perguntou Regina. Emma fez que não com a cabeça. "E então?", continuou Regina, como se esperasse que Emma dissesse algo.

"Eu acabei de vir da casa de Ruby.", Emma respondeu enfim. "A busquei no hospital e a deixei em casa.".

"Ótimo.", respondeu Regina. "Então acredito que ela esteja bem.", completou a Rainha. Emma fez que sim com a cabeça e olhou em direção a mansão, onde pôde ver a janela do quarto de Regina. A rainha acompanhou o olhar da loira e pôde ver que Selene observava as duas lá de cima.

"Quem é ela?", questionou Emma. A morena tomou alguns segundos antes de responder, encostou-se a seu carro e esperou a atenção de Emma voltar novamente para ela. E foi o que Emma fez: ela olhou para a prefeita a sua frente, para o seu vestido negro, que emoldurava seu corpo tão bem acentuando a sua cintura e deixava suas pernas completamente expostas e, quando a olhou, notou também que mesmo o blazer escondendo seus braços, ainda assim valorizavam seu busto mais do que deveriam, deixando-o em uma forma tão convidativa que Emma teve que olhar para baixo e se concentrar em não querer sentir o gosto da pele daquela mulher em seus lábios.

Emma não sabia o que estava acontecendo em sua mente ou porque seus pensamentos em relação à Regina a deixavam dessa forma. Ela não deveria estar ali agora, ela estava dirigindo para a delegacia, mas aparentemente seu corpo a levou exatamente aonde queria estar. A última coisa que ela lembrava era de estar na pensão de Ruby, de sair de quarto e de descer as escadas em direção a seu quarto. Ela se lembrava também de ver seu rosto no vidro do carro e de ter sentado no banco do mesmo e novamente ter olhado seu reflexo no retrovisor. Então, a última conversa que ela teve com Ruby veio a sua mente, sobre a historia dos vilões e dos finais felizes.

Emma sabia que ela não era uma vilã. Ela era a filha da mocinha da história e isso a fazia ser o quê, então?! Uma mocinha? Pois ela não se sentia a mocinha, assim como também não se sentia em história alguma. Ela se sentia tão vazia, tão perdida, tão aleatória e solitária, como se ela fosse um monte de palavras soltas em busca de uma página em branco para que ela pudesse enfim fazer sentido.

"Ela é uma amiga.", respondeu Regina, trazendo Emma de volta à realidade. Emma olhou novamente para a janela do quarto de Regina e ainda pôde ver Selene a observando.

"Amiga?", questionou Emma. Regina, por sua vez, cruzou os braços e respirou fundo antes de respondê-la.

"É tão difícil assim? pensar que eu tenho uma amiga?"

"Não é isso, Regina.", respondeu Emma em um tom irritado, nem percebendo que enquanto falava ela se aproximava mais de Regina a ponto de ficar tão próxima dela que fez com que a prefeita se inclinasse para trás. "É que é um tanto suspeito uma mulher aparecer na sua casa de uma hora pra outra, quando há alguns dias teve um grave acidente que até agora não foi solucionado, não acha?"

"Aonde quer chegar, Srta. Swan?", perguntou Regina, deixando bem claro sua impaciência.

"Ela é a estrela, não é mesmo?", perguntou Emma e se afastou de Regina, que revirou os olhos em resposta.

"Eu não devo explicação nenhuma a você.", respondeu Regina, se virando para abrir a porta do carro, mas a Emma a segurou pelo braço e a impediu de continuar.

"Se ela for mesmo a estrela, eu acho que você deve sim. Ela pode ser acusada de tentativa de homicídio, fora vandalismo ou sabe lá deus quantas acusações.".

"Bem, Ruby não morreu, até onde eu sei. E quanto à rua destruída, você não precisa se preocupar com isso, meu escritório vai tomar conta de todas as providências. Você devia voltar pra sua delegacia e ficar lá sentada na sua cadeira, comendo seus donuts, enquanto espera um crime de verdade, o que acha?", disse Regina, dessa vez em um tom completamente alterado. Emma soltou seu braço e a encarou em silêncio.

"Por que você a está escondendo?", perguntou Emma, que agora notou que a estrela já não mais a observava.

"Eu não estou escondendo ninguém.", respondeu a prefeita.

"Então o que você está fazendo?"

"Eu estou a protegendo, ok?", respondeu Regina, olhando ao redor e ajeitando a manga de seu blazer, que Emma amassara.

"Por quê?"

"Porque ela está grávida, ok? E sozinha e completamente perdida e não tem ninguém.", respondeu Regina. Emma se desculpou e apesar de querer fazer mais perguntas, ela apenas se calou e deixou que a rainha continuasse. "Ela caiu porque está morrendo.", continuou a prefeita, omitindo varias partes da história. "E ela precisa de algum lugar pra ficar, até o bebê nascer."

"Mas se ela está morrendo quem vai ficar com o bebê?", perguntou Emma preocupada.

"Bem, eu vou ficar com a criança.", respondeu Regina. Emma abriu a boca uma vez ou duas. Não sabia bem o que perguntar à prefeita. "Surpresa?"

"Um pouco, sim.", respondeu Emma.

"Bem, saiba que eu sou uma ótima mãe, apesar de você discordar.", respondeu Regina, pedindo licença enquanto entrava em seu carro e abaixava o vidro do motorista.

"Eu nunca disse o contrário, Regina.", Emma respondeu e olhou para prefeita, que acabara de colocar o cinto de segurança. Regina olhou para ela em silêncio e demorou alguns segundos antes de enfim ligar o carro. "E quando pretende contar a Henry?", a xerife questionou antes que a prefeita saísse.

"Quando for a hora.", respondeu Regina.

"Bem, Granny vai fazer uma festa de boas vindas para Ruby hoje à noite... Talvez você pudesse levá-la, então podia conversar com Henry sobre isso.", disse Emma. Regina ficou em silêncio, olhando para Emma parada próxima à janela.

"Talvez.", respondeu Regina.

"Então eu vejo você lá.", respondeu Emma, dando um passo para trás para que Regina pudesse sair com o carro.

"Eu disse apenas um 'talvez'.", falou Regina.

"Um 'talvez' vindo de você é muita coisa, Regina.", respondeu Emma em um sorriso, se afastando logo em seguida e deixando Regina completamente confusa.

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O táxi a buscou algumas horas depois e a levou até o antiquário. Selene desceu do carro e pediu para que ele esperasse por ela. A garota olhou ao redor, sua presença ali chamava muita atenção, ela era uma forasteira e a cidade não costumava receber ninguém, então era inevitável que ela chamasse atenção. Ela olhou para a porta do antiquário e para a placa que dizia "FECHADO". Ela olhou, então, pela vidraça e ignorou o aviso da porta, abrindo em seguida a maçaneta e entrando no local.

O local estava uma verdadeira bagunça. Selene caminhou com cuidado, para não pisar em nada que pudesse machucá-la. Tentou imaginar o que teria acontecido ali: sabia que provavelmente não havia sido ninguém além do próprio Senhor das Trevas que teria feito tamanho desastre, mas ela queria poder entender o que o levou a fazer aquilo. Parou de andar quando viu então a xicara lascada, completamente protegida em sua redoma de vidro. Inclinou-se diante da mesma e tocou gentilmente no vidro com a ponta dos dedos, e quando estava prestes a tirar a redoma de vidro a fim de pegar a xícara com as próprias mãos, uma voz a impediu.

"Eu deixaria isso aí, se fosse você.", disse Rumple, parado diante do balcão. Selene se endireitou e caminhou em direção ao homem, que se apoiava em sua bengala.

"Olá, Senhor Gold.".

"Olá, seja-lá-qual-é-seu-nome.", respondeu ele, caminhando com certa dificuldade para trás do balcão. Selene se aproximou assim que ele se posicionou atrás do balcão e ele perguntou em um sorriso cheio de malícia: "Em que posso ajudá-la?".

Selene levou um tempo para responder. Ela olhou novamente ao redor, para todas as coisas que havia ali naquele antiquário e então olhou para ele a sua frente, a única coisa que separava os dois era o balcão de madeira. Ela olhou bem fundo em seus olhos, apesar da aparência de homem que ele tinha agora, ela ainda sabia que o monstro que ela uma vez conhecera ainda estava ali dentro. Ela temia que ele viesse à tona, mas sabia que em breve precisaria dele.

"Eu preciso de proteção.", disse a estrela. Rumple sorriu novamente e a olhou de cima a baixo por um momento. "Por favor.".

"Ora, e a prefeita não pode te fornecer isso?", perguntou ele em tom de deboche, pois já sabia que a proteção que Selene precisava provavelmente era contra algo que Regina não podia ou não sabia como lutar.

"Você sabe que não.", Selene respondeu em um tom impaciente.

"Sendo assim, devo te afirmar que toda a magia tem um preço. Mas creio que tanto você, quanto a Rainha sabem muito bem disso.".

"Sabemos sim.", respondeu Selene.

"Contra o que estamos lutando?", perguntou ele, que agora se virava e encarava um quadro pendurado na parede. Ele afastou o quadro da parede, com apenas um movimentos das mãos, e revelou um cofre que parecia exigir vários segredos para ser aberto.

"Contra lobisomens.", ela respondeu e ele se virou com o cenho franzido, em sinal de confusão.

"Ora, mas lobisomens são fáceis de ser derrotados. Não sabe como matar um lobisomem?", ele perguntou, se inclinando sobre o balcão para encarar melhor a estrela a sua frente. Os dois ficaram em silêncio, ele esperando uma resposta e ela revivendo em sua mente a última – e única vez – que viu um lobisomem ser morto diante dos seus olhos.

"Sim, eu sei.", respondeu ela, e no mesmo instante Rumple abriu uma de suas mãos diante do rosto da garota, revelando uma bala de prata. Ela o encarou em silêncio e ele sorriu se afastando dela.

"Isso não o mataria, não é mesmo?", questionou ele. Ela fez que não com a cabeça. "Porque não é um simples lobisomem que te persegue, é algo bem mais poderoso. Estou errado?".

"Não, não está. Mas você pode me ajudar?", ela perguntou, sua voz tomada por uma aflição e desespero. O homem não respondeu de imediato. Virou-se para o cofre e o abriu, tirando de lá uma caixa de madeira que depositou em cima do balcão e então abriu gentilmente a caixa, revelando dois frasquinhos, cada um contendo um líquido de uma cor diferente. "O que é isso?", ela perguntou, mas ele não respondeu, apenas abriu um dos frasquinhos, estendeu uma de suas mãos, que ainda segurava a bala de prata, e depositou uma gota do conteúdo de cor amarela sobre a bala, que brilhou por uns breves segundos assim que o líquido a tocou. Ela o encarou, curiosa, e ele então entregou para ela a bala. Selene ficou em silêncio, segurando o objeto em suas mãos.

"Acredito que a arma não será difícil encontrar, não é mesmo?". Perguntou ele.

"O que eu devo fazer com isso?".

"Uma bala, direto no coração do seu lobisomem, e a maldição do lobisomem se acaba."

"A maldição se acaba? Mas e a pessoa? Isso quer dizer que ela também vai ficar livre?", questionou Selene.

"Bem, a pessoa vai morrer, mas isso quer dizer que ela vai estar livre, não é mesmo?".

"Você é patético.", respondeu ela irritada. "Eu só quero me proteger do demônio que me persegue.", ela respondeu irritada.

"Eu sei muito bem disso, Selene. Eu sinto isso, eu olho pra você e eu sinto que nós dois compartilhamos um segredo e eu sinto que do quer que você esteja fugindo de certa forma é minha culpa. Mas você não vai me dizer, não é mesmo?", perguntou ele, novamente se aproximando dela por cima do balcão. "A bala é uma saída de emergência, mas isso aqui...", ele disse, levantando o segundo frasquinho, e o conteúdo essa vez era verde. "Isso aqui vai te dar toda a proteção que você precisa. Despeje-o sobre uma joia, roupa, o que seja, e use-o sempre. Isso vai impedir que qualquer pessoa que queira te fazer algum mal te veja ou sinta sua presença de alguma forma.", ele disse, entregando a ela o frasquinho. Ela o segurou nas mãos: em uma estava a bala de prata e em outra o frasco.

"Eu não vou precisar disso.", ela disse, colocando a bala em cima do balcão. "Eu sei como matá-lo.", ela continuou. Rumple pareceu confuso, mas não questionou sua decisão.

"É uma pena, pois a bala de prata era uma cortesia, mas o frasco... Bem, ele tem seu preço.".

"E qual é esse preço?", perguntou Selene e o homem sorriu novamente, lhe causando certa repulsa, antes de enfim responder.

"O filho que você espera.".