CAPITULO IX
Inuyasha esperava que com o passar da semana as coisas fossem ficando mais fáceis, mas isso não aconteceu. Os dias não eram tão ruins. Ele passava a maior parte do tempo mergulhando e de noite tinha cuidado para não ficar sozinho com Kagome. O que não chegava a ser um problema, já que ela era sempre o centro das atenções.
Isso significava que ele só precisava lidar com as noites. Inuyasha disse a si mesmo para tratá-las como um teste de resistência como tantos outros aos quais já sobrevivera.
Era claro que podia.
Kikyou era uma excelente desculpa para encobrir seus sentimentos por Kagome. Por isso, Inuyasha ficava o mais perto dela que podia. Não era difícil. Haku revelara-se quase obsessivo por pesca oceânica e enquanto Kikyou e Inuyasha mergulhavam, ele passava o dia inteiro em um barco, com um anzol na mão, à espera do maior peixe do mundo. De noite, Haku gostava de reviver suas experiências minuto a minuto, contando-as em detalhes para quem se dispusesse a ouvi-las.
Inuyasha percebeu que às vezes Kikyou ficava meio amuada e que muitas vezes procurava ficar na mesa em que ele e Kagome estavam, em vez de ficar sozinha com Haku. Ao vê-la, Inuyasha começou a se perguntar se a teoria de Kagome estava correta e o romance de Kikyou já começava a apresentar sinais de cansaço.
— Eu lhe disse. — Kagome foi quase rude quando ele mencionou o assunto. — Você deve estar se sentindo feliz.
Feliz? Inuyasha ficou confuso por um momento antes de se lembrar que, para Kagome, ele ainda estava apaixonado por Kikyou.
— Ah, sim... estou — mentiu ele.
— É evidente que todas essas horas que você tem passado mergulhando com Kikyou têm compensado — disse Kagome com um sorriso forçado. — Eu fico feliz por você.
— Você não parece muito feliz.
— Bem... é difícil ficar feliz sendo deixada todos os dias na praia, enquanto você vai mergulhar com Kikyou — disparou ela.
Inuyasha olhou-a, surpreso.
— Você disse que não queria ir mergulhar — lembrou ele. — Que estava se divertindo na praia.
— Não é muito divertido ser alvo de pena para todos que estão na praia!
Ele franziu o cenho.
— O que você quer dizer?
— Você sabe o que quero dizer, Inuyasha! — gritou Kagome, com raiva. — Eu sei que quer ficar com Kikyou. Por mim, tudo bem, mas você precisa pensar em como é frustrante ficar esquecida aqui o dia todo. Todos acham que estamos prestes a terminar.
— O quê?
— É claro que sim! Eles só vêem você com Kikyou, nunca comigo. Nós nunca fazemos nada juntos.
Kagome ficou espantada ao ver como estava próxima das lágrimas. Vinha tentando com todo afinco não se incomodar quando Inuyasha saía com Kikyou todos os dias. Percebera até a impaciência crescente de Kikyou com Haku.
A qualquer momento, Kikyou perceberia que saíra perdendo com a troca. E com Inuyasha tão disponível e ansioso para voltar para ela, Kikyou logo diria alguma coisa a ele e então, o que aconteceria com Kagome? Teria de fingir que ficara feliz por Inuyasha, mas não sabia se agüentaria.
Kagome passava o dia com uma multidão e de noite ficava ostensivamente perto dele, desejando conseguir tocá-lo. Apesar de nunca estar sozinha, Kagome nunca se sentira tão solitária. Inuyasha era sempre educado, mas deixava claro o que sentia. E uma vez que ela o tocara por acidente, ele se contraíra e estremecera.
— Desculpe-me — murmurara ela, incrivelmente constrangida, e voltara para o seu lado da cama.
— O curso de mergulho termina amanhã — disse ele. — Talvez possamos fazer algo juntos na sexta?
Alguns dos outros participantes haviam alugado jipes e descoberto pequenas praias com excelentes restaurantes de frutos do mar.
— Tudo bem — respondeu Kagome, tentando desesperadamente não parecer ansiosa demais, mas incapaz de disfarçar a vontade de passar algum tempo a sós com ele.
— Kikyou disse que vai haver um passeio de barco para uma ilha desabitada amanhã — Inuyasha falou. — Vai dar para mergulhar com snorkel. Se você quiser, nós poderemos ir.
Kagome sentiu uma onda de decepção invadi-la. Parecia que ele não conseguia sequer imaginar um dia longe de Kikyou. Kagome ficou furiosa consigo mesma por aquele momento de euforia, mas se se recusasse a ir, ficaria parecendo uma menina mimada.
— Está bem — concordou, desanimada.
Apesar da decepção, Kagome acordou animada na sexta-feira. Inuyasha tomou café da manhã com ela e não havia sinal de Kikyou. Talvez ela tivesse mudado de idéia, pensou Kagome, esperançosa. Enquanto isso, o dia se estendia diante deles. Um dia inteiro com Inuyasha. Talvez não ficassem sozinhos, mas pelo menos ele estaria lá. E para o que ela estava sentindo naquele momento, seria suficiente.
O dia amanhecera fantástico. O céu estava azul e sem nuvens, o mar, calmo e limpo e o sol da manhã brilhava por trás dos coqueiros, lançando sombras longas na areia branca. Parecia o paraíso, pensou Kagome. Era impossível sentir-se deprimida em um lugar como aquele, em um dia como aquele.
Ao diabo com Kikyou, pensou ela. Aproveitaria aquele dia, independentemente da presença dela.
Infelizmente, Kikyou apareceu. Quando o resto do grupo chegou, ela estava esperando no pontão com Haku, que obviamente havia sido convencido a abrir mão do dia matando peixes e já parecia arrependido.
Havia onze pessoas ao todo, incluindo Tsuki. Depois de passar a semana inteira organizando passeios e atividades para os demais, ela se sentia no direito de participar de um.
— Estão todos aqui?
Ela começou a contá-los e Inuyasha fez uma careta para o barco.
— Nós vamos naquilo ali? —- perguntou ele, interrompendo-a.
— Qual é o problema com ele?
— E muito aberto e muito baixo, e vai ficar ainda mais baixo depois que todos entrarmos.
Haku adiantou-se para participar da polêmica.
— Qual é o problema?
— Eu só estou um pouco preocupado com a falta de proteção — disse Inuyasha, aborrecido com a intromissão de Haku.
— Ora, rapazes, é uma traineira perfeitamente apropriada para tomar sol!
— Eu não estava pensando no sol — interveio Inuyasha, calmamente. — Estou pensando no que aconteceria se pegássemos um mar agitado.
— Que mar agitado? — zombou Haku. — O mar está liso como sabão.
— Eu estou com um mau pressentimento sobre o tempo. — Inuyasha estreitou os olhos para o horizonte, preocupado.
Haku seguiu o olhar dele.
— É só uma corrente de calor -— declarou. — Venha. Vamos.
— Só um minuto — disse Inuyasha, em voz baixa, mas algo em seu tom fez Haku parar onde estava. — Quem é o encarregado deste barco? — perguntou ele a Cassandra.
— O barco é de Ron. Ele é muito responsável e já fez uma infinidade de viagens para nós. Como não pôde vir hoje, ele mandou Elvis em seu lugar — ela informou, apontando para um rapaz que esperava pacientemente. — Ele só tem treze anos, mas ajuda o pai no barco desde que começou a andar.
— Tenho certeza de que Elvis sabe o que está fazendo — disse Inuyasha, seco. — Eu só me sentiria mais seguro se houvesse coletes salva-vidas no barco.
— Ora, pare de ser rabugento — reclamou Haku. — Não vamos precisar de salva-vidas em um dia como hoje!
— É. Pare de criar caso, Inuyasha — pediu Kikyou. — Se ficarmos aqui procurando salva-vidas, vai ficar tarde demais e não poderemos ir.
Todos concordaram com um murmúrio e Inuyasha deu-se por vencido. Assim que entraram, o barco ficou ainda mais baixo e próximo da água. Inuyasha não estava gostando nem um pouco, mas Kagome, que não ouvira nada da conversa, já havia entrado. Apesar da vontade de pegá-la pelo braço e tirá-la de lá, Inuyasha entrou no barco. Não a deixaria sozinha ali por nada.
Relutante, Inuyasha soltou a corda para Elvis e deu uma última olhada no horizonte. Talvez tivesse se enganado sobre o tempo.
E pela maior parte do dia, pareceu mesmo estar. As velas do barco ofereciam um pouco de sombra, mas mesmo assim, estava muito quente. Apesar do calor, estavam todos alegres. Aparentemente, haviam se dado conta de que estariam de volta às suas casas e ao inverno em poucos dias e que era melhor aproveitar os raios solares ao máximo. Só Inuyasha manteve um olho atento ao horizonte, mas a mancha não se moveu.
Finalmente, ancoraram em um atol minúsculo, cercado por uma parede de coral. Debruçados na beirada do barco, todos espiaram e se maravilharam com os peixes multicoloridos que entravam e saíam dos corais.
— Está vendo? — disse Haku com um grunhido. — Se tivéssemos ouvido Inuyasha, ainda estaríamos procurando coletes salva-vidas e não teríamos visto isso.
Kagome levantou-se abruptamente.
— Onde estão as máscaras e pés-de-pato? — perguntou, antes que alguma outra pessoa decidisse apoiar Haku. — Não sei vocês, mas eu pretendo pôr um snorkel e cair na água para ver esses peixes de perto antes do almoço.
Inuyasha desejou poder afastar a sensação de desastre iminente. Estava dividido entre acompanhar a mancha no horizonte, ou pular na água com Kagome. Ela evidentemente estaria segura, mas as correntes marinhas eram traiçoeiras e poderia haver tubarões...
Com medo de deixá-la fora da sua vista, Inuyasha pegou uma máscara e um snorkel e pulou na água logo depois dos outros. Kagome só havia feito aquilo uma vez na vida, de forma que foi fácil alcançá-la e segui-la enquanto ela perambulava alegremente pelos corais, sem dar-se conta da presença dele até que Inuyasha tocou-a no braço e apontou.
Kagome virou-se e avistou uma imensa tartaruga marinha passar nadando. Encantada, tirou o snorkel e virou-se para Inuyasha.
— Que coisa linda, Inuyasha! É uma das coisas mais incríveis que já vi na vida! — Ela estava tão encantada que o incômodo de Inuyasha começou a ceder. Kagome estava feliz, disse a si mesmo. Tudo estava bem.
Determinado a não incomodá-la, Inuyasha voltou para o barco algum tempo depois, sentou-se e ficou conversando com Elvis até o grupo começar a voltar. Kagome foi uma das últimas. Quando a viu subir a escada do barco, sentiu uma forte sensação de alívio, apesar de estar determinado a não se preocupar.
Ela jogou os pés-de-pato para dentro, subiu no barco e tirou a máscara. Seu rosto tinha uma marca vermelha e os cabelos estavam molhados e embaraçados, mas ela parecia sensacional, pensou Inuyasha. Estava iluminada de felicidade e borbulhando de entusiasmo.
— Não foi maravilhoso? Eu mal pude acreditar naquelas cores! Como se chamam aqueles peixes amarelos com listras azuis? E vocês viram a tartaruga?
Todos estavam felizes e sorridentes, trocando comentários sobre o que tinham visto e elogiando o almoço que o hotel havia mandado.
— Eu estou faminta — disse Kagome. — Vamos comer logo e daí poderemos mergulhar de novo mais tarde.
Ela atravessou a pilha de máscaras e pés-de-pato e aproximou-se de Inuyasha para pegar o short e a blusa, mas quando chegou, outra pessoa subiu no barco fazendo-o oscilar. Kagome perdeu o equilíbrio e caiu em cima de Inuyasha.
Inuyasha pegou-a instintivamente e, por um breve momento, segurou-a contra si. Ela ainda estava molhada e seu corpo parecia quente e úmido contra o peito dele. Incapaz de se conter, Inuyasha abraçou-a e viu-se preso àqueles olhos Negros, com o coração aos saltos.
— Tudo bem? — perguntou ele, com a boca seca e abalado pelo desejo que sentia.
Kagome assentiu ligeiramente e obrigou-se a sair dos braços dele antes que fizesse alguma tolice como passar as mãos pelos ombros dele e pelas costas largas e musculosas. Ficou chocada com o impacto provocado pelo choque das peles nuas e pela onda de excitação despertada pelo mais acidental dos toques.
A quem estava tentando enganar? Ela o desejava intensamente. Queria amá-lo ali mesmo, naquele momento, na frente de todos. Determinada, Kagome engoliu em seco e concentrou-se em vestir as próprias roupas.
Enquanto isso, Inuyasha tentava não pensar em como ela havia saído rápido dos seus braços. Será que Kagome vira o desejo deslavado em seus olhos? Será que recuara por causa disso?
Decidido a não pensar nela, Inuyasha voltou os olhos para o horizonte e sentiu um frio na espinha. A mancha havia se transformado em uma feia nuvem negra, avançando pelo céu azul.
Ele se levantou.
— Acho melhor irmos — anunciou.
Houve um coro de protestos. Todos queriam almoçar e ficar ali. Inuyasha interrompeu-os.
— Olhem aquilo! — exclamou, apontando para o horizonte escurecido.
— Ah, mas está a quilômetros de distância!
— Está tão bom aqui.
— Nós temos de ir — disse Inuyasha. — Agora mesmo. — A autoridade em seu tom de voz calou a todos. — Quem ainda não subiu? — perguntou.
— Haku — disse Kikyou. — Ele disse que queria dar uma olhada do outro lado.
— É melhor irmos buscá-lo. Ele disse para que lado iria?
Elvis ligou o motor enquanto Inuyasha içou a âncora e eles contornaram o atol, em busca do snorkel de Haku. Àquela altura, todos já haviam percebido a urgência na voz de Inuyasha e olhavam preocupados para a nuvem negra que se aproximava.
— Ali está ele!
Haviam perdido minutos preciosos até Kagome avistar o snorkel se insinuando para fora da água, um pouco adiante.
Elvis aproximou o barco de Haku que, apesar de vê-los se aproximando, apenas acenou e continuou o seu passeio.
Inuyasha suspirou.
— Eu vou buscá-lo.
Com um gesto preciso, ele mergulhou e nadou até Haku. Estavam longe demais para que Kagome ouvisse o que diziam, mas era evidente que Inuyasha estava tendo dificuldade em convencer Haku a voltar para o barco, apesar de apontar continuamente para a nuvem negra, cada vez mais ameaçadora.
Kikyou assistia a tudo, ansiosa.
— Você não pode fazer nada? —- pediu Kagome. — Ele vai ouvi-la, não vai?
— Não se achar que estou tentando convencê-lo a fazer o que Inuyasha quer. — Kikyou olhou para Kagome. — Haku tem ciúme de Inuyasha porque... bem, você sabe...
Sim, Kagome sabia, mas não parecia ser uma boa hora para ciúme bobo.
Felizmente, naquele momento alguém gritou que os dois homens estavam voltando ao barco. Ninguém soube ao certo o que Inuyasha havia dito a Haku, mas pela expressão no rosto de Haku, não fora nada muito agradável.
— Não sei para que esse exagero todo — reclamou ele a Kikyou. — Essas nuvens não estão nem perto e, mesmo que estivessem, eu não tenho medo de uma chuvinha tropical! — Ele apontou com a cabeça o local onde Inuyasha estava conversando com Elvis. — O Kommandant parece estar insistindo em que voltemos, mas eu não entendo qual é o problema de ficarmos.
— Não há abrigo aqui — disse Kagome.
Haku apoiou a mão no mastro que prendia as velas.
— Isso basta para nos proteger da chuva. Talvez fiquemos um pouco molhados, mas logo passará. E sempre assim com essas tempestades tropicais.
— Vai ser mais que uma tempestade passageira — Inuyasha informou. — Aqui fora, ficamos expostos demais. Precisamos voltar para alguma daquelas ilhas pelas quais passamos e procurar abrigo. Pelo menos assim sairemos do barco. Ele não foi concebido para o mau tempo.
— Pois eu digo que devemos ficar aqui mesmo — Haku desafiou, passando os olhos pelo grupo. — Quem concorda comigo?
Inuyasha avançou até ficar a menos de um palmo de distância de Haku.
— Isso não está em votação — disse, baixinho, mas numa voz que fez um calafrio percorrer a espinha de Kagome. Ela nunca ouvira Inuyasha falar daquele jeito antes e ficou grata pela raiva não ser dirigida a ela.
— Há uma tempestade se aproximando — prosseguiu ele no mesmo tom calmo e frio. — Esse barco não é seguro e, como Kagome observou, não há como nos abrigarmos aqui. Eu não estou disposto a arriscar a vida de Kagome ou de quem quer que seja apostando em "só uma tempestade tropical". Isso não está em votação. Vamos voltar para a última ilha o mais rápido que pudermos. É o mais prudente a fazer.
Haku sentou-se na traineira, mal-humorado.
Inuyasha foi se sentar ao lado de Elvis, que parecia nervoso e mais jovem do que nunca.
— Tudo certo, Elvis — disse Inuyasha, tocando o rapaz no ombro.
— Toda força à frente!
— Com que direito ele fica dando ordens a todo mundo? — murmurou Haku. — Daqui a pouco vamos ter que marchar. Se eu soubesse que estava me alistando no exército, nunca teria concordado em vir para essa semana.
— E uma pena que tenha — cochichou Tsuki ao lado de Kagome.
Kagome olhou os rostos ansiosos a sua volta.
— Inuyasha sabe o que está fazendo. — Em tom de voz suave, Kagome procurava tranqüilizar os companheiros.
— É. Cale a boca, Haku — disse Kikyou, tensa. Continuava muito quente, não havia vento e o mar estava tão calmo e claro que era possível ver cardumes de peixes embaixo d'água. Havia algo assustador naquilo, pensou Kagome. Adiante, tudo estava calmo e perfeito. Atrás, a escuridão ameaçadora se aproximava cada vez mais, tomando conta do céu azul e avançando inexoravelmente sobre eles.
— Isso é o mais rápido que podemos ir? — Inuyasha perguntou a Elvis.
— Sim, senhor. Já estamos na velocidade máxima.
— Bem, não se preocupe. Vamos continuar avançando assim. Não falta muito.
Todos começaram a ficar mais esperançosos, apesar de Kagome desconfiar que era mais porque Inuyasha parecia positivo, do que porque a situação estava melhorando. Ela vinha examinando o horizonte desesperadamente em busca de terra e não vira nenhum sinal de ilha até onde a vista alcançava.
— Não parece que estamos nos aproximando — disse Tsuki, com voz trêmula. — A tempestade vai nos alcançar?
— Talvez a gente se molhe um pouco — disse Inuyasha, alegremente. — Mas assim que chegarmos à ilha, poderemos relaxar.
— Ele apontou para as caixas térmicas que continham o almoço.
-— Temos comida e bebida e não iremos morrer de fome. Ficaremos bem.
Havia uma segurança impressionante nele, pensou Kagome. Inuyasha não era o homem mais bonito do barco, certamente não era o mais bem vestido e nem tinha belos carros para ostentar, mas era exatamente a pessoa para se ter por perto em uma situação como aquela. Inuyasha era calmo, seguro e determinado. Era impossível pensar que ele deixaria algo de ruim acontecer.
— Você está fazendo um ótimo trabalho, Elvis.
— Ah, sim, ótimo! — exclamou Haku, sarcástico. — Eu prefiro guardar meus cumprimentos para quem viu a previsão do tempo. Nós teremos muito o que contar no hotel quando voltarmos. — Ele bufou. — Isso tudo é um absurdo. Eu vou exigir o meu dinheiro de volta e sugerir que no futuro contratem pessoas mais competentes para os passeios de barco que organizarem.
Elvis ficou ainda mais preocupado. Como se já não tivesse problemas suficientes, estava antevendo a família perder o ganha-pão.
Kagome olhou para Haku.
— Quando voltarmos, eu vou agradecer a Elvis e não a você — disse ela, para que todos ouvissem. Em seguida, inclinou-se e disse baixinho, só para Bryn: — Ele é apenas um menino e está assustado.
— Pois ele não é o único — disse Tsuki.
Quando alguém avistou a ilha a distância, todos se animaram, mas quando estavam se confraternizando por terem escapado por tão pouco, uma lufada de vento aumentou o calor. A lufada foi seguida por outra, e outra e mais outra.
— Vamos baixar as velas! — gritou Inuyasha.
— Mas vai chover — reclamou Haku, quando viu que a escuridão baixava. — Nós não teremos nenhum abrigo.
— Se pegarmos um vento com as velas içadas, ele virara o barco. Ficar seco vai ser o menor dos nossos problemas — Inuyasha falou.
Três outros homens se levantaram para ajudá-lo a içar as velas. Nesse meio tempo, as lufadas de vento haviam se transformado numa ventania que dificultava cada vez mais as coisas. As velas se agitavam terrivelmente e o barco sacudia no mar revolto, enquanto os homens lutavam para desamarrar os nós.
Tsuki ficara subitamente pálida, e os outros estavam mudos de medo.
Kagome mal podia acreditar na velocidade com que o tempo havia mudado. E o vento era apenas um prenúncio do que estava por vir. Um segundo depois, o sol desapareceu sob uma espessa camada de nuvens escuras e a chuva começou a cair com pingos grossos e selvagens.
— Kagome — gritou Inuyasha, acima do barulho do vento e da chuva. Ele havia assumido o leme enquanto Elvis tirava água do barco num ritmo frenético, com um baldinho de plástico. — Comecem a tirar água do barco.
Piscando por causa da chuva, Kagome fez sinal de positivo e partiu em busca de algo que pudesse usar. A primeira coisa que avistou foi a pilha de equipamentos de mergulhos que já começavam a flutuar dentro do barco por causa da água acumulada. Kagome pegou uma máscara, e começou a tirar água. Não era muito eficiente, mas era melhor do que nada.
— Eu estou enjoada — Tsuki gemeu.
— Aqui, ajude a tirar água — Kagome pediu, jogando uma máscara. — Você vai se sentir melhor se estiver fazendo algo útil.
"Como se eu soubesse o que estou dizendo", pensou Kagome. Felizmente, Tsuki não pareceu notar sua insegurança e começou a ajudar. Do outro lado do barco, Kikyou vira o que elas estavam fazendo e já começara a entregar máscaras a todos os presentes. Até Haku pegou uma, mas Kagome não sabia se aquilo era um bom sinal. As coisas deviam estar realmente pretas para Haku esquecer o mau humor e seguir os conselhos de Inuyasha.
Castigado pela chuva e pelo mar revolto, o pequeno barco parecia navegar cada vez menos. Parecia fazer uma eternidade desde que haviam saído do hotel, na manhã ensolarada, e zombado do excesso de zelo de Inuyasha.
Kagome afastou os cabelos embaraçados do rosto mais uma vez e suspirou. Seus ombros estavam doendo pelo esforço de tirar água do barco, mas ela continuou.
O que fazia ali?, imaginou. Ela era uma pessoa urbana. Deveria estar sentada na frente do computador, ou em um bar e não ali, tirando água de um barco, no meio do oceano Índico.
Alguém perto dela estava chorando, mas Kagome nem viu quem era. Estava mais preocupada com a própria sobrevivência do que em consolar outra pessoa. Ela se sentia estranhamente distante. Tudo havia acontecido tão depressa e estava sendo tão intenso que parecia meio surreal, mas por baixo da superfície calma, ela estava apavorada.
Sempre que o medo ameaçava dominá-la, Kagome fixava a mente em Inuyasha. Mal conseguia enxergá-lo por causa da chuva fortíssima, mas bastava avistar o vulto seguro, controlando o leme para sentir-se mais segura. Inuyasha estava ali, no comando, e não deixaria nada acontecer a ela.
Era como estar presa em um pesadelo. Kagome tirou água, tirou água e já começava a se esquecer a sensação de estar seca e em segurança. Estava tão entorpecida que o grito de Elvis mal penetrou em sua mente, e só quando Tsuki tocou-a ela ergueu os olhos para ver a ilha.
Depois de desejar tanto avistar a terra, ela agora parecia ameaçadoramente perto. O barquinho já se aproximava perigosamente das pedras que contornavam a ilha, mas mesmo assim todos se parabenizaram e redobraram os esforços para manter o barco à tona até tocarem a costa.
Depois de conversar com Elvis, Inuyasha tirou os sapatos e foi para a proa do barco.
— O que você está fazendo? — gritou Kagome
— Não podemos correr o risco do barco bater em uma pedra, porque se isso acontecer, não teremos como voltar — gritou Inuyasha em resposta. — Elvis vai se aproximar o máximo que puder e até lá talvez já haja profundidade suficiente para eu jogar a âncora. Se for preciso, eu nadarei para ajudar a guiá-lo.
— Você vai se jogar no mar? — perguntou Kagome horrorizada. — Inuyasha, não! É muito perigoso!
Ele tocou-a de leve no rosto.
— Não se preocupe. Eu ficarei bem.
Kagome pensou que fosse morrer de desespero quando ele saltou. A água estava agitada e o vento furioso jogava o barco para os lados sem dó. Kagome achava improvável que Inuyasha conseguisse boiar, quanto mais guiá-los naquela tormenta.
Era quase impossível ver o que estava acontecendo, mas quando Inuyasha tocou os pés no fundo do mar, as pessoas que estavam na frente do barco passaram a informação para as de trás. Então, ele pegou a corrente da âncora e guiou-os em segurança pelas pedras até a costa. As ondas castigavam seu rosto e ele se curvava o tempo todo, mas só fez sinal para Elvis desligar o motor e jogar a âncora, quando estava com água na altura dos joelhos.
Os passageiros teriam que andar o resto do caminho, mas àquela altura já estavam tão ensopados e aliviados por terem chegado à terra firme que ninguém se opôs, nem mesmo Haku. Formando uma corrente, todos ajudaram a descarregar as caixas térmicas, passando-as por sobre as cabeças e então se reuniram na minúscula praia.
Parecia impossível, mas a tempestade piorou ainda mais depois que desembarcaram. As palmeiras se vergavam fortemente com a violência do vento, enquanto a chuva castigava tudo sem dó.
— Bem-vindos ao paraíso — gritou Kagome acima do tumulto, fazendo todos rirem quase histericamente.
Naquelas condições, era difícil dizer o que quer que fosse sobre a ilha, mas depois de algum tempo, todos decidiram dar uma volta a pé para ver se encontravam algum lugar para se abrigarem.
Inuyasha ficou para trás com Elvis, para tentar deixar o barco mais seguro, mas não tirou os olhos de Kagome enquanto ela arrastava uma grande caixa térmica com Tsuki. Ela sorria confiante, e aparentemente estava até conseguindo fazer piadas, a julgar pela forma como as pessoas riam, apesar da situação.
Foi rápido explorar a ilha. Afinal, era apenas um pedaço de rocha coberto de vegetação esparsa. Do outro lado, Inuyasha achou outra praia que era relativamente abrigada e pediu a todos que amarrassem o tecido de uma das velas entre duas árvores onde, encobertos por uma parede de pedra, teriam a ilusão de estarem mais protegidos. Quando terminaram de levar tudo para o outro lado, estavam todos exaustos e desabaram juntos sobre a lona, com gemidos de alívio.
o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o
sei sei vcs querem me matar u.u!!
mas n me culpem, e sim ao meu prof de anatomia u.u!!!
bem agora vamos ao cap.
Muitas emoções heim!!
O prox vai tar melhor ainda ^^!!
No cap q vem no inicio respondo as reviews certo!!
Pq eu vou fz um trab de anatomia agora (de novo o prof ...) u.u!!
Vou indu kissus!!
