Das profundezas do labirinto:
As paredes de pedra eram frias e úmidas, o lugar era escuro, o som de nossos passos ressoavam nas rochas molhadas e na água empoçada. Ao mesmo tempo em que sentíamos uma tenebrosa ausência de qualquer alma no lugar, tínhamos a impressão de estarmos sendo observados a cada passo. Não proferíamos uma só palavra, as paredes pareciam estreitar-se mais e mais, ou talvez fossem nossos corações que se apertavam com a angustiante expectativa.
Atravessamos algumas bifurcações, os servos de Atena conheciam bem o caminho através da montanha transformada em labirinto. Logo chegávamos ao centro da caverna, onde se abria um amplo salão entre as rochas. O teto era muito alto e a luz vinha das inúmeras tochas acesas nas laterais. No centro, algo que parecia uma imensa estátua jazia sentado, com as pernas cruzadas, uma pesada armadura clássica grega, corpo humanóide e uma cabeçorra bovina adornada com dois enormes e fortes chifres.
Estranhamente, um cosmo ameaçador começa a emanar dele. Seus olhos se abrem, prateados e furiosos, as pernas se descruzam e os pés apóiam pesados ao chão, fazendo-o tremer, e ele ergue o corpo que certamente ultrapassava os três metros. Tomo posição de combate, mas o braço de Hyoga cruza a minha frente, seus olhos azuis cintilavam na escuridão, sérios e determinados.
-- É a minha vez.
Manda que todos guardem distância do monstro, e coloca-se à sua frente. Era bastante rápido para seu tamanho, e manejava ágil e habilmente um par de tiras de couro que arrancavam lascas de pedras do tamanho de cães do chão. Hyoga apenas se esquivava delas, saltava e girava no ar, pousando com grande leveza, não importando à que altura estivesse. Aos seus movimentos, o brilho da armadura de Cisne refletia-se na umidade das paredes, e mesmo quando tentava acertá-lo de surpresa com sua cauda, perdia para mais uma das rápidas acrobacias do Cavaleiro.
Acompanhava cada um de seus movimentos, sem piscar, meu coração acelerava e meus olhos cintilavam de admiração. Com as mãos semi fechadas ao busto e as faces coradas, não pude conter um sorriso maravilhado, enquanto sua imagem e seus movimentos, com os fios dourados de seus cabelos dançando sobre as asas de sua Kamei, refletiam-se em minhas pupilas. "Incrível...".
Mas foi quando se apoiou na parede da caverna que o monstro mostrou a carta que tinha sob a manga: De seus olhos, que brilharam vermelhos por um rápido instante, são lançados feixes de raios que atingem Hyoga e a parede ao mesmo tempo, fazendo-o cair e ser soterrado por uma pilha de pedras.
-- HYOGA!! – tento correr até ele, mas Shun segura meu pulso.
-- Calma, Nala... Ele acreditou em você, e você em mim... Acho que ele gostaria que você acreditasse nele também.
Permaneci ali, mas meu olhar continuava voltado para as pedras, preenchido de preocupação, vendo o inimigo se aproximar de onde ele estava e erguer o enorme pé para terminar de esmagá-lo.
-- HYOGA, SAIA DAÍ!! – gritei, ainda que preparasse minhas garras para ir para cima do monstro.
Um brilho, alvo como a neve, explodiu a pilha de pedras, e de lá saltou o Cisne. Desviando da sola gigantesca, apoiou-se no ombro do inimigo, deu um giro no ar e caiu do lado oposto, ofegante. Eu estava branca e gelada, ao lado de Shun, e soltei um suspiro aliviado, quase caindo das próprias pernas.
O inimigo se vira para Hyoga, seus olhos brilham novamente, mas os raios não o atingem mais, o rapaz avança. Chegando de joelhos abaixo dele, abre os braços, tocando com as palmas das mãos suas pernas. Seu cosmo se eleva, e a temperatura cai absurdamente, os membros inferiores estão completamente congelados, e o Cavaleiro aproveita o momento que possui antes que o gelo seja quebrado pela força do adversário, saltando com um golpe de mão que atinge em cheio o queixo.
O gelo se parte, o monstro dá alguns passos para trás, e Hyoga aproveita a distância perfeita, elevando ainda mais o seu cosmo, baixando ainda mais a temperatura, os cristais de gelo dançam, brilham à sua volta, numa imagem ainda mais perfeita que a de alguns minutos atrás. O "Pó de Diamante" é decisivo, o inimigo cai, coberto pela crosta de gelo.
-- Ufa... Não pensava que um Minotauro pudesse ser tão grande... – diz, sentando-se e limpando o suor da testa.
Corro até ele, ajoelhando-me à sua frente, e apóio as mãos ao chão.
-- Hyoga... Você está bem?
-- Estou – diz sorrindo – Pronto pra outra...
Agarro-me aos seus cabelos, já que não tinha colarinho, fazendo jeito de brava e elevando a voz, quando, na verdade, estava era cheia de preocupação.
-- Você é louco? Quase me mata do coração!
-- Ora – disse com olhar irônico, mas ao mesmo tempo carinhoso – Você se preocupa demais...
Dei-lhe as costas, cruzando os braços, emburrada como uma criança mimada, enquanto ele bagunçava envergonhado os cabelos rebeldes. Aqueles que nos acompanhavam observavam divertidos a cena e Aquiles, finalmente expressando um pouco de sociabilidade, resolve dar uma dolorida alfinetada.
-- Hei, vocês dois – diz com olhar irônico – Essa não é uma boa hora pra se discutir a relação...
Nossos olhos se arregalam de espanto, ninguém nunca fizera comentário algum diretamente para nós. Ainda sentados, encaramos um ao outro, com as faces vermelhas como nunca, e fugimos com os olhos para o outro lado, para o chão, completamente sem palavras.
-- Levantem-se daí e vamos embora...
-- Esse cara é louco... – diz Shun espantado, e Ikki sorri ao seu lado.
-- É... Gostei dele...
-- Droga – pragueja Shiryu – Agora que o Hyoga não toma coragem.
-- Quem sabe... – torna Sorento, com um calmo sorriso e girando a flauta nos dedos – Pode ser que um baque ajude...
Mais à frente Pátroclo acompanha Aquiles, um tanto assustado com a atitude do herói.
-- Poxa, Aquiles, acho que você exagerou um pouco... Os coitados quase morreram de vergonha...
-- Ah... Que nada. Se gosta, gosta, abre o jogo de uma vez. – e volta sorrindo para o rapaz ao seu lado – Não foi o que eu fiz?
Pátroclo também sorri, um tanto satisfeito com o motivo.
-- É... Pode ser.
--
Nala: Nha!! Hyoga, vc é doido?? .
Hyoga: Q foi q eu fiz?? O.o
Nala: Como "q foi q eu fiz?" Vc quase me mata do coração!!
Hyoga: Então estamos quites. :P
Nala: Não tem graça! ÇÇ
Hyoga: Hahahaha. Calma... Tb num é p/ tanto...
Nala: Vc é mau... ÇÇ
Hyoga: Num sô naum... Eu só num tinha escolha... u.u
Nala: Hum...
Hyoga: Er... Foi mal...
Shun: Esses dois num tem conserto mesmo... :P
Aquiles: Eu já disse... Parem c/ esse platonismo de uma vez.
Pátroclo: Aquiles...
Aquiles: Q foi?
Shun: Acho melhor dar uma pausa por hj... Os dois já tão c/ cor de cerejas :P Até a próxima postagem, pessoal!!
