Bella POV.

No exato momento em que soube da morte de meu ex-chefe, tudo a minha volta, reconstruído recentemente, pareceu desmoronar.

Era pior que eu pensava. Mais cruel do que eu pensava.

E isso significava que todos a minha volta correriam perigo caso descobrissem que eu estava viva.

Eu estava encolhida na poltrona do escritório, o cobertor enrolado em mim até praticamente o queixo. Apenas minhas mãos livres, segurando uma caneca.

O chocolate quente lá dentro iria esfriar, mas eu não ligava, mal conseguia me mexer.

Porque Riley estava morto.

E as coisas que Rosalie me contara...

Era muito. Era demais.

Era para fazer qualquer um desistir.

Fechei os olhos por um momento, respirando fundo e tremendo um pouco. As palavras trocadas entre mim e Rose pouco depois de saber de algumas coisas, martelavam em minha mente.

- Vocês têm que parar agora! – gritei para ela. – Vocês têm que parar de procurar, parar de tentar provar minha inocência... Rose, eu...

- A gente não vai parar – interrompeu-me. – Vai dar tudo certo, você só tem que confiar na gente, Bella. Agora, será que dá para se acalmar?

Como?

Como me acalmar depois de ver aquela foto, ler aquela reportagem e saber do bilhete?

Encolhi-me mais contra a poltrona, desistindo do chocolate quente e depositando a caneca na mesinha ao lado. Fechei os olhos e suspirei pesadamente, torcendo para que o sono chegasse logo e eu conseguisse esquecer tudo o que tinha acontecido naquele dia.

O barulho da campainha dos fundos tocando tirou-me de meus devaneios.

Por um minuto, cogitei ficar ali e ignorar. Queria me esquecer de tudo, desligar-me de tudo.

Mas eu não podia.

Meu celular estava no andar de cima, então se fosse Rose ou Jacob... como é que eles teriam entrado em contato comigo?

Tornei a suspirar e joguei a coberta para longe, colocando-me de pé.

Enrolei meu casaco, arrumei minhas meias e caminhei até a porta dos fundos.

Uma olhada no olho mágico fez com que perdesse toda a capacidade de respirar.

Edward...

Eu podia ignorar, mas sabia que era arriscado. Alguém podia vê-lo.

Ergui, então, minha mão trêmula até as chaves e destranquei a porta, abrindo-a.

- Oi... – sussurrou ele, seus olhos verdes aflitos. – Será que eu posso entrar por um minuto?

Eu lhe dei espaço, sabendo que não podíamos discutir ali. Tranquei a porta rapidamente e me virei.

A intensidade nos seus olhos verdes me assustou.

- O que... – comecei a dizer, mas fui impedida.

Pela boca dele.

Por um minuto eu pensei em resistir, não retribuindo ao beijo.

Só que eram os lábios de Edward ali. Eram os braços dele me envolvendo, o calor do seu corpo me aquecendo como o agasalho não podia.

Como resistir?

Como lutar contra uma coisa que eu queria tanto?

Então, cedi. Fechei meus olhos e entreguei meu coração ao momento, deixando que ele comandasse tudo.

Meus lábios se moveram afoitos contra os de Edward e nossas línguas começaram aquela dança a muito não dançada.

Como beijá-lo era bom...

Envolvi meus braços em seu corpo, puxando-o mais para mim.

Eu queria beijá-lo para sempre. Eu queria amá-lo para sempre. Eu queria ficar com ele para sempre.

Mas eu não podia.

A imagem do jornal surgiu em minha mente, assim como o conteúdo do bilhete encontrado no corpo do meu chefe.

Ele sabia demais.

E eu não podia ficar com Edward. Porque ficar com ele significava colocá-lo em perigo.

E eu preferia morrer a isso.

- Edward... – comecei a dizer, quando ele se separou um pouco em busca de ar, começando a atacar meu pescoço. – Edward...

- Eu queria te odiar – disse, sem me olhar. – Eu queria tanto te odiar e te esquecer... Mas não consigo. Cada vez que tento te esquecer, me lembro mais de você.

Eu ofeguei, jogando minha cabeça para trás, tentando buscar o lado racional.

Não o encontrei em lugar algum.

- O que você fez comigo? – indagou, mordendo meu queixo de leve. Eu gemi. – Que feitiço jogou em mim, para me deixar assim?

- Edward, eu... – sussurrei. – Eu preciso...

- Eu não consigo seguir em frente, Bella – riu de forma amarga. – Eu não consigo te esquecer. Não consigo viver sem você.

Sua boca voltou a minha, faminta. Seus beijos se tornaram exigentes, assim como suas mãos se tornaram afoitas em meu corpo.

Não era só saudade.

Era necessidade.

Fechei os olhos por um momento, decidida me entregar a ele, deixá-lo me comandar.

Até que a imagem de Riley, esfaqueado, morto, voltou a minha mente. Com força.

Eu precisava proteger Edward.

- Edward – grunhi. – Edward!

Ele se separou.

- O que foi? – Seus lábios estavam inchados, seus olhos verdes quase negros de desejo.

Como dizer não?

- Para – consegui dizer, embora meu coração estivesse me odiando naquele momento. – Isso não é certo...

- Por quê? – indagou. – Você não quer?

Quero... Quero mais que tudo.

Por isso é errado.

- Precisamos conversar – consegui dizer. – Precisamos esclarecer as coisas.

Ele negou.

- Para que? – riu. – Para omitir mais coisas de mim, para me fazer sofrer mais? Não quero conversar, Bella.

- Edward... – Tentei me soltar dele, desviando o rosto.

Suas mãos se fecharam firmes, porém leves, em meu rosto, forçando-me a olhar para ele.

Meu coração perdeu uma batida.

- Eu te quero – sussurrou, seu hálito de menta me invadindo e me deixando desnorteada. – Meu corpo te quer. Por que dizer não?

- Porque é errado – sussurrei de volta.

Eu não podia perdê-lo.

Eu tinha que protegê-lo.

- É melhor você ir embora – disse, fechando os olhos com força para que as lágrimas não caírem. – É melhor ir... E não voltar mais.

- Por quê? Por que, Bella?

Neguei com a cabeça, ainda de olhos fechados.

Porque eu te amo, porque eu preciso te proteger, preciso que fique bem.

- Vá – implorei. – Por favor... Só vá.

Deu certo. Suas mãos se afastaram, seu corpo também.

- Eu vou – disse. – Mas voltarei e conversaremos direito.

Afastei-me da porta, destrancando-a. Antes que eu a abrisse, senti seus lábios nos meus novamente, em um beijo rápido porém intenso.

- Eu vou voltar – prometeu.

Voltei a trancar a porta assim que ele saiu, deixando que as lágrimas enfim caíssem.

Eu vou voltar...

Ele tinha que desistir de mim. Ele tinha que seguir em frente.

Porque eu não podia acabar com sua vida mais.

Eu tinha que fazer alguma coisa, tinha que mantê-lo longe. Tinha que fazer com que ele quisesse me esquecer.

No fundo, eu sabia como.

Mas iria doer.

Em nós dois.

Edward POV.

As lágrimas tomaram conta de meus olhos assim que saí da casa que Bella estava vivendo, direcionando-me até a rua de baixo, onde meu carro estava. Eu tentava não pensar no que havia ocorrido dentro de alguns minutos, no que eu estava prestes a fazer...

O que eu estava pensando?

Fechei minhas mãos em punho, apertando com força, esperando que as lembranças fossem embora para sempre, assim como o amor que eu ainda sentia por ela.

Eu tentara me afastar. Todos os dias eu tentava esquecê-la um pouquinho, mas isso só fazia com que eu me lembrasse ainda mais.

Realmente tinha pensado que se beijá-la, se a tivesse mais uma vez – apenas mais uma vez –, eu conseguiria esquecê-la. Eu conseguiria seguir em frente.

Mas por que ainda doía tanto?

Adentrei meu carro, respirando fundo e apoiando a cabeça no volante por alguns minutos.

Quando se tornou insuportável não vê-la, fechei minhas mãos no volante, apertando com força – toda a força que eu tinha.

Não podia voltar lá. Não podia me humilhar.

Eu prometera a Bella que eu voltaria, mas nem sabia se seria capaz disso.

Estava tudo confuso demais, recente demais.

Resolvi sair dali antes que fizesse alguma besteira, mas sem me dirigir para casa.

Guardar aquilo para mim, guardar que Bella estava viva, que ela tinha conseguido sobreviver à injeção letal – como sobrevivera, eu, sinceramente, não fazia a mínima ideia –, estava me matando.

Rose.

Fazia dias que eu não conversava com ela. Mais precisamente desde aquele dia que eu não a tratara tão bem, que eu havia dito aquelas coisas.

Eu a evitava. Nos almoços, nos jantares... Todas as vezes que estávamos na casa de meus pais, eu a evitava.

Emmett também não dirigia a palavra a mim, embora o observasse me olhar algumas vezes, lançando-me olhares que eu simplesmente não conseguia entender.

Será que ele sabia de alguma coisa? Será que ele tinha alguma ideia do que estava acontecendo?

Para tirar toda essas dúvidas, virei na próxima rua, retornando e me dirigindo até a casa de Emmett. Não sabia se ele estava em casa, se estava dormindo ou algo do tipo.

Só sabia que naquele momento eu precisava conversar com alguém.

Não queria mais ter que agüentar tudo isso sozinho.

Estacionei em frente ao prédio do meu irmão, descendo e adentrando-o. Pedi que o porteiro ligasse para lá, apenas para confirmar se havia alguém em casa.

- O Sr. Emmett pediu que o senhor subisse – informou-me.

- Obrigado – disse, antes de me virar.

O elevador estava vazio e eu agradeci por nisso. Apertei o número cinco e me encostei, suspirando pesadamente.

Meu irmão me esperava na porta.

- Edward... – murmurou. – Não esperava que viesse aqui.

- Oi, Emm – sussurrei. – Preciso conversar uma coisinha com você. Posso entrar?

- Claro – deu espaço, fechando a porta logo depois que eu passei.

Observei a sala de Emmett, arrumada demais para alguém como meu irmão. Com certeza tinha o dedo de Rosalie ali.

- Rose não está? – indaguei.

- Não... – suspirou. – Acho que você imagina onde ela está. Acabou de sair, para falar a verdade.

Assenti.

- Você sabe, não é? – indaguei. – Sabe que Bella está viva.

Emmett se jogou na poltrona, seus olhos me fitando. Ele estava sério.

Era estranho ver meu irmão daquele jeito.

- Sim – disse, por fim. – Sei que Bella está viva.

Afundei-me no primeiro local que encontrei: uma cadeira. Minhas mãos voaram até meus cabelos e eu precisei respirar fundo para não gritar.

- Por que não me contou? – indaguei. – Por quê? Você viu o quão sofrendo eu estava, Emmett.

- Eu sei – disse. – Eu sinto muito, mas eu não podia. Rosalie já está metida até o pescoço e mal me conta as coisas. Ela pediu que eu confiasse nela. Não podia te contar.

- Devia – grunhi. – Eu... eu não consigo acreditar. É demais. É demais acordar e perceber que todo aquele sofrimento, tudo aquilo que eu senti... foi por nada.

Emmett me avaliou por alguns minutos.

- Você já parou para pensar que talvez sofrer assim tenha sido melhor? – Abri a boca para retrucar imediatamente, mas ele levantou a mão, impedindo. – Parou para pensar que se alguém da polícia descobrir, eles vão matar Bella quase que imediatamente?

Senti falta de ar.

- Não há nenhuma garantia que o plano de Rosalie e do detetive vá funcionar – continuou. – Não sei o que está acontecendo, Rose não me conta. Mas sei que é algo grande e perigoso, Edward. Sei que Bella é inocente.

- Claro que é! – gritei. – Eu sempre acreditei nisso. Por que eles não conseguem provar, por que eles não resolvem de uma vez?

Ele deu de ombros.

- Eu queria saber. Se soubesse, diria.

Afundei-me ainda mais na cadeira de Emmett, sem dizer mais nada.

Eu precisava voltar e conversar com Bella. Precisava que ela me contasse tudo.

Precisava... precisava tê-la mais uma vez.

Só para eu ter certeza de que poderia seguir em frente.

Bella POV.

Liguei para Rosalie assim que Edward saiu, meus dedos tremendo enquanto eu digitava o número de seu telefone descartável. Sabia que ela tinha saído daqui a pouco tempo, mas...

Eu precisava contar para ela do meu plano.

Precisava que ela me desse apoio.

Tomei um banho rápido enquanto ela não chegava, deixando que as lágrimas escorressem.

Eu me sentia tão confusa! Queria Edward, queria que ele me perdoasse, e agora que ele vinha até aqui e resolvia me devolver aquela sensação que eu tinha somente quando eu estava com ele...

Acontecia isso.

A morte de Riley.

A imagem do meu chefe veio a minha mente com toda a força. Ele falando para eu ir embora da empresa no último dia que eu trabalhava...

O que ele tinha a ver com a morte dos meus pais? O que ele tinha a ver com tudo o que vinha acontecido na minha vida nos últimos tempos?

E o mais importante de tudo: por que só se pronunciar agora? Por que ele nunca foi me procurar na cadeia, ao menos para tentar me contar alguma coisa?

Eram respostas que eu nunca teria.

Porque ele estava morto. E fora assassinado da mesma maneira que meus pais tinham sido.

Saí do banho pouco depois, vestindo-me, pensando no quanto iria doer ter que dizer aquilo a Edward.

- Bella?

Desci as escadas assim que escutei a voz de Rosalie, encontrando-a no escritório. Ela me olhou, parecendo confusa.

- O que aconteceu? – perguntou. – Eu saí daqui a pouco e...

- Edward esteve aqui – cortei-a. – Ele... ele me beijou.

Rosalie parou, inclinando a cabeça um pouco, a boca levemente aberta.

- Vocês?... – sinalizou com as mãos, deixando o resto da pergunta no ar.

- Não – neguei. – Teríamos, se eu não o tivesse parado. Mas... Rose, eu não posso. Não posso colocá-lo em risco, não posso deixá-lo entrar em tudo isso. Já basta você, Emmett e Jacob...

- Edward não vai desistir – cortou-me. – Você sabe disso.

- Eu sei – ri sem humor algum. – Ele me disse que iria voltar quando eu o mandei embora. Por isso que te chamei aqui. Porque montei um plano... E meio que vou precisar de sua ajuda?

Ela assentiu, parecendo ainda um pouco confusa.

- Do que precisa?

Senti meu coração apertado, meus olhos enchendo de lágrimas.

- Eu vou dizer a Edward que eu o usei para conseguir fugir da cadeia. Preciso que você confirme tudo.

Iria doer, eu sabia. Mas o que eu podia fazer? Eu tinha que protegê-lo de tudo, tinha que mantê-lo afastá-lo.

E naquele momento, mentir parecia ser a única opção.


N/A: Oi, meninas.

Eu sei que deve dar raiva da Bella e tudo o mais, mas ela só quer proteger o Edward e tal. Ela tem medo de que algo aconteça com ele, caso eles estejam juntos, entendem? No próximo capítulo, algumas coisas vão ser explicadas. Não é muito, muito, mas já é algo, então... comentem, ok?

Ah, outra coisa. Acabaram as postagens diárias, ok? Queria poder postar todo dia, mas Freedom ainda não está concluída. Agora os capítulos daqui já se igualaram aos que eu posto em outro site e lá as postagens são todas as sextas.

Então, se vocês forem boazinhas e tudo o mais, e comentarem, eu começo a postar toda sexta também ;) O que significa que nessa sexta agora já tem capítulo!

É isso. Espero que vocês tenham gostado.

Besos imensos ;*