Disclaimer:

Naruto pertence a Masashi Kishimoto

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Mau Hábito

Capítulo 9 - O outro lado

Enquanto o rato pensava estar seguro, os gatos ficavam a espreita do melhor momento para atacar.

Durante o banho, inalei o cheiro daquela floresta que tanto me fazia bem, pois apesar dos pesares, aquele ambiente tornou o clima entre nós mais ameno. Na floresta, fazíamos aquilo o que mais gostávamos, treinar junto e não importasse a briga que tivéssemos, mas deixar que o cansaço tomasse conta de nossos corpos enquanto percorríamos por entre árvores, era, de fato, gratificante. Era um contato prazeroso.

Acredito que Neji pensasse da mesma maneira, pois eram nesses momentos que minha mente esquecia-se de tudo o que passamos. Eu relaxava, as expressões, brincadeiras, risos, tudo ganhava um ar mais natural.

A medida que me perdia em divagações, notava o quanto estava agindo feito uma coroa hipocondríaca e recalcada, onde tudo o que estava a volta havia sido planejado para arruinar seu universo paralelo. Eu, Tenten, havia me tornado uma mulher chata e frígida. Aproveitei, também, para agradecer a Kami-Sama por ter me iluminado a mente e mostrado a realidade que eu não queria aceitar, mas, sim, ocultar.

Por fim, decidi-me que meus ataques de frescura haveriam de ser encerrados, o que planejava realizar, ainda, hoje. Devia minhas sinceras desculpas a Hyuuga Neji. Ele me amava, eu não reconhecia, ignorava. Queria que ele sentisse o mesmo que eu, procurava por vingança e isso me matava dia após dia. Essa, definitivamente, não era a Tenten que construí em todos os meus anos de vida. Era hora de voltar ao normal.

Perdida nesses pensamentos, notei o ar mais pesado e um diferente farfalhar de folhas. Algo estava errado e eu estava sozinha. Por sorte não havia retirado a escuta, com que mantinha contato com Neji, próximo ao hitayate que ficava sob a máscara ANBU e com muita sorte, talvez, o dele estivesse ligado. Colocar o braço para fora do lago, alcançar o hitayate e acionar a escuta foi o tempo preciso que tivera.

- Tenten-sama, – Uma voz, na escuridão, proferia meu nome - vejo que terminou seu banho.

- Por favor, saia. Não gosto de ser espionada em momentos como esse. – Enquanto tentava demonstrar tranqüilidade, saía lentamente do lago e pegava as roupas para me vestir com o, discreto, cuidado de manter o hitayate escondido próximo a uma rocha.

- Não entendo o porquê de tanta vergonha, Tenten-sama. Tudo o que tem é digno de admiração.

- Sinto-me lisonjeada, mas como posso aceitar os cumprimentos de alguém que não conheço e que, ainda, pensa que sou uma autoridade por utilizar o sufixo "sama".

- Oh! Não se preocupe em colocar a máscara ANBU. – A voz pronunciou-se- todas conhecem muito bem seu rosto.

Ao perceber a utilização do plural, olhei em volta e deparei-me com quinze belas mulheres que prostravam-se em um círculo ao meu redor.

A voz desconhecida, agora, mais perto de meu ouvido pegou-me de surpresa. Provavelmente, eram por elas que eu e Neji esperávamos. A que falava diretamente a mim era boa. Tinha passos leves.

- Muito prazer, Tenten-sama. Sou Katsuro, representante do Jiyuu.

- Por que me chamam de Tenten-Sama? – A ANBU precisava ganhar tempo para que Neji pudesse, ao menos, escutar uma parcela daquela conversa e saber como procurá-la. – Não sou nenhuma autoridade.

- Talvez diga isso porque em Konoha não lhe dão o devido valor. – Katsuro complementou

- Não me dão valor? Por que acha que me tornei uma ANBU?

- Por esforço, Tenten. Por mérito próprio e não porque é apadrinhada de alguém. Nós, mulheres, somos injustiçadas demais pela monopolização masculina. E...Até onde tenho conhecimento, não há muitas mulheres na ANBU. Você, Tenten, é uma das poucas e raras. Estou errada?

- Está. – Era difícil admitir, mas ela estava certa. E isso me magoava. – O esforço não pode caminhar sozinho, pois, para que dê certo, é preciso aceitação.

- Então, por que demorou tanto tempo para se tornar uma? Talvez...Por causa de seu companheiro, Hyuuga Neji?

- Senhorita, por favor, não vamos envolver terceiros em nossa conversa, sim? – Resolvi apelar para a polidez. A garota era esperta, não poderia cair em seu jogo.

- Se é assim que deseja. Porém, nem todos os desejos podem ser concebidos sem um preço, correto?

- Pois bem, qual o acordo? – Não poderia mentir ao pensar que não saberia do que se tratava. Eu o sabia e foi por aquilo que estava por vir que pisei na escuta. Neji não poderia saber que eu, provavelmente, iria com elas para poupá-lo de preocupações, assim como todos os residentes de Konoha. Agora, era meu momento de retribuir todo o apoio.

- Minhas meninas te adoram e aposto que seu companheiro, também. Então, para juntar o útil ao agradável, por que não passar uma temporada conosco? Mas...Não se preocupe, ninguém descobrirá e seu hitayate de Konoha não será riscado.

- Não se engane, Katsuro, não consigo encontrar um porquê para não darem entrada em minha prisão.

- Bom, acho que um esperto membro do Clã Hyuuga saberia do risco que está correndo e, exatamente, por isso ele não informará Konoha. Com certeza, irá fazer de tudo para proteger sua companheira, então, nada será reportado para sua Hokage.

- Quando partimos?

- Direto ao ponto. Gosto disso, garota! Mas não se preocupe, não iremos muito longe.

- O que consideram longe? – Pus-me a caminhar juntamente a ela, enquanto essa enlaçava, com seu braço, meu pescoço.

- Acompanhe-nos, Tenten! E deixe que as meninas ajudem a carregar o resto de suas coisas.

- Muito obrigada – Dirigi-me para aquelas mulheres e as reverenciei Mas em que posso lhes ajudar? Não entendo o porquê do interesse em mim.

- Você não sabe, Ten-chan? – Uma garotinha veio ao meu encontro.

- O-Oi, você! O que uma menina faz aqui? – Daria uns dez anos para a jovem de cabelos dourados.

- Meu pai matou minha mãe e Katsuro matou meu pai. Então, você vai conosco, mesmo, Ten-chan?

- Vou...- Ao responder aquela pergunta, olhei para Katsuro. Talvez, uma troca de olhares poderia me ajudar a compreender toda a situação.

- Não se preocupe, Tenten. A menina, assim como nós, foi exposta muito cedo à realidade. Normalmente, encaramos como algo positivo, pois se não fosse por isso, ainda, seríamos mulheres fracas e renegadas aos homens.

- Compreendo. – Não pude deixar de sentir remorsos pela menina. – E como você se chama, jovem guerreira?

- Jovem guerreira, Ten-chan? – Seus olhos negros brilhavam – Eu...Eu me chamo Akemi, tenho oito anos e quando crescer, eu...Eu quero ser que nem você.

- Mas você nem me conhece, Akemi! – Gargalhei com a frase da pequena – Posso não ser tão boa pessoa.

- Não acredite nela, Akemi! – Impôs-se Katsuro. – Uma mulher capaz de dar a vida, por seu companheiro e por uma vila que nem reconhece o talento que está perdendo, é dotada de enorme coração. E você, Tenten, imagino que saiba o preço de seu povo, além de ser nossa prisioneira.

- Se sou uma prisioneira, por que me tratam tão bem?

- Inicialmente, seria um desperdício machucar esse belo corpo. – Nessa parte, com alguns dedos, Katsuro percorria toda a extensão de minha coluna vertebral. – Em seguida, você é mulher. Também, não podemos deixar o mais importante para trás, você treinará minhas meninas.

- Treinar? Essas mulheres? – Se eu as treinasse, como isso seria vantajoso para Neji ou Konoha?

- Pensei que já imaginasse. Talvez, seja por isso que não relutou em vir conosco. – Sua expressão era pensativa, porém, aos poucos, foi ganhando traços de desgosto. – E não pense, querida Tenten, em treiná-las de maneira errada. Estarei de olho em você.

- Hai. – Onde estava com a cabeça para deixar que Neji escutasse uma parcela da conversa? Agora, eu tinha a certeza de que ele viria atrás e isso não seria nada bom.

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Em casa, Neji andava de um lado para o outro. Haviam se passado mais de quarenta minutos desde que Tenten havia saído para banhar-se.

"Bobagem"

Era o que o rapaz pensava, pois já a havia deixado confusa o suficiente com suas ações. Entretanto, ao menos, Neji sabia que não o fazia por mal, mas porque amava àquela mulher. Retornando, então, a agir de maneira ansiosa quando tomava banho no banheiro convencional, escovando os dentes, indo preparar um lanche noturno. Não havia como não estender o pescoço em direção a janelas e portas, como se ela fosse, a qualquer momento, entrar por algum desses.

Contudo, ao notar um som atípico, algo como...O chiar de sua escuta de treino? Em seguida, correu para o quarto.

"Não entendo o porquê de tanta vergonha, Tenten-sama... É digno de admiração."

"Sinto-me lisonjeada... Conheço que, ainda, pensa que sou uma autoridade."

"Talvez diga isso porque em Konoha não lhe dão o devido valor."

"Não me dão"

"...Hyuuga Neji?"

"..Não..."

"Pois bem, qual o acordo?"

"...Ninguém descobrirá e seu hitayate de Konoha não será riscado."

"Quando partimos?"

Apesar da má qualidade de transmissão, Neji sabia que seus ouvidos não estavam enganados. Tenten possuía contatos que a ajudariam a trair Konoha e, o pior, ela não acreditava no que Neji, durante todo o tempo que passaram, havia feito por ela. Os momentos em conjunto não tiveram importância.

Não havia mais no que pensar. Arrumou suas coisas e preparou-se para retornar a Konoha. Se não poderia salvá-la de seu próprio egoísmo, ao menos, lutaria por Konoha.

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Sete dias haviam passado e nenhum sinal de Neji. Apesar de tentar controlar tudo o que estava ao meu redor, a ausência do Hyuuga me apavorava. Não sabia se ele havia escutado a conversa ou se alguém do Jiyuu havia ido a sua procura. Contudo, nenhuma daquelas mulheres a haviam deixado sozinha em um minuto sequer.

Algo estava errado. Porém, não sabia o que esperar. Enquanto podia, ensinava técnicas as jovens aprendizes, mas cometia pequenos erros de cálculo para uma batalha real. De fato, para acreditarem, os erros haveriam de estar em perfeita sincronia com tudo o que fizesse. Era acreditar na própria mentira. Acreditar que, um dia, Neji viria ajudá-la nessa batalha.

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Absorta em centenas de pergaminhos espalhados por toda a sala, Tsunade não percebeu a aparição de um ANBU desacompanhado.

- Tsunade-Sama, preciso lhe falar.

- Capitão, não me assuste dessa maneira.

- Desculpe-me.

- Onde está sua parceira?

- Temo que esteja traindo Konoha.

- Pois bem, você tem consciência do que está falando?

- Sim.

- Se você, o capitão da equipe que escalei, o diz, não tenho porque desconfiar.

- O que faremos?

- Você, Hyuuga? Nada. Já fez muito.

- Como assim? Estamos falando de Tenten! – O Hyuuga teve a voz alterada por sua exaltação.

- Sim, eu sei de quem estamos falando. Irei tomar minhas providências.

- Mas...

- Vá para casa, Capitão. Já fez o bastante por Konoha. Fique em casa por um mês e se eu souber que pretende deixar Konoha sem minha autorização, não me procure mais.

- Certo. – E deixou a sala.

- Homem cego e tolo. Só enxerga um palmo embaixo do nariz. – Proferia enquanto o observava passar pelos telhados. - Traga mais saquê, Shizune!

- Mais, Tsunade?

- Você não foi contratada para fazer objeções à minhas ordens, mulher!

- Já vai, já vai.

- Que Kami-Sama olhe por nós...- A loira encontrava-se estafada- Konoha conta com você, Tenten.

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Olá! Demorou, mas chegou! Espero que gostem desse capítulo! E...Aguardem atualizações! Elas virão antes do que imaginam! Fanfic em reta final!

Muitíssimo obrigada a todas as reviews! Sou muito grata por todo o carinho e motivações que vocês me presenteam por intermédio de suas fofíssimas reviews! Por isso, procuro sempre respondê-las com o mesmo carinho!

Capítulo dedicado a pessoa que aguenta minhas crises de recalque, Natasha Mayfair.

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Próximo Capítulo: Lutando contra o tempo