Capítulo 9: Sombras Segunda Parte

Um raio brotou da mão de um daqueles Pastores de Tempestades, agora muito irritado com a garota que havia atacado eles. Ele desceu até poucos trechos de distancia de Rina e atacou ferozmente, atirando o máximo de raios-de-sombra que podia formar. A garota via não só aquela sombra estranha, mas as centenas de criaturas que desciam, circundando uma área a sua volta. Viu que seria inútil tentar derrotá-las. Em uma meia volta a garota correu para se salvar. O inimigo era desconhecido, até mesmo porque Rina jamais tinha visto um raio na vida, apenas alguns estrondos longínquos, que o Clã do Navio em Ruínas dizia ser uma alma perdida no gelo. Os pequenos insetos voadores seguidos por outras criaturas voavam em uma caçada descontrolada até a garota.

Enquanto corria, Rina teve a oportunidade de atirar uma explosão de luz concentrada num daqueles insetos. Vira que foi inútil, a criatura contrariando expectativas de alguma maneira drenou a luz. A garota percebeu que uma porção da criatura brilhou no momento em que havia sugado a Luz Mágica da pedra dela. Com esse brilho Rina constatou que essa porção do corpo do inseto havia na ponta, um ferrão com talvez meio trecho de comprimento. No topo da criatura, havia dois olhos sem cor, um cinza fraco penetrante. As asas eram transparentes com porções em vários tons de cinza. Na frente do inseto, havia duas patas com espécies de "pinças". Apesar de ausência de coloração, Rina percebeu que não se tratava de uma sombra, mas também que nunca tinha visto aquela criatura.

"Isso é preocupante" pensou a garota, mas não só pensando na situação em que se encontrava: a alguns bons 100 trechos do navio em ruínas - que pode constatar estar alagado por uma boa quantidade de água - mas também porque os insetos pareciam agora estar atraídos pela garota. Quando raios eram atirados em sua direção, os insetos sem mudar o foco de sua atenção esquivavam-se para o lado. Finalmente Rina foi acertada. Sentiu uma explosão em sua perna, mesmo que coberta por uma calça de couro de Selski.

Desesperada, as criaturas cada vez mais próximas, a garota-do-gelo deu por vencida por um pequeno momento. Não, ela não permitiria. Erguendo-se, sacou sua espada, e desceu a lâmina nas criaturas mais próximas. Com um mau equilíbrio e centenas de pequenos insetos assassinos a sua espreita algo inesperado ocorreu. Um musgabraço de sombra envolveu seu corpo extramente flexível no inimigo. Rina sentiu a criatura começar a contorcê-la, talvez fosse seu destino, morrer ali. Afinal ela iria fazer isso no gelo. Dada por vencida Rina deixou sua arma cair, esperaria a criatura matá-la ali, naquele momento. Focalizando a vista nos insetos, flagrou aquela "coisa" mergulhando em direção a sua arma. O que viu fez a garota arregalar os olhos... Frenc havia dito a ela, que Pedras-do-Sol são extramente resistentes, até que mortas. Vendo o inseto despedaçar a pedra e transformá-la em pó assustou Rina. Queria ter desejado livrar-se do musgo e informado seu povo sobre aquilo, mas era impossível. Pelo menos sozinha. Mas não foi isso que aconteceu, algumas Donzelas Guerreiras a encontraram, e com uma Garrafa de Sombra salvou-a. Pelo menos por enquanto, pois os insetos ainda estavam à espreita delas, e a procura de mais Pedras-do-sol para saciar.

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Sean, Lena, Maquiavel e Sartek finalmente chegaram ao salão principal do Castelo. O que viram os deixaram pasmos. Dois grupos de guardas, alguns Escolhidos ensangüentados no chão, imóveis e várias sombras investindo contra os Escolhidos que ainda tentavam lutar.

"Os portões do Castelo devem ficar sempre abertos. Não..." começou o Vizir das Trevas, mas a voz de Sean sobrepôs-se a dele:

"Abaixe-se" gritou o garoto esperando que o homem o fizesse.

Quando Sartek entendeu o que Sean queria dizer era tarde demais, dois humanóides investiram contra ele, fazendo-o cair no chão. O vizir sacou sua Pedra-do-Sol e com explosões de luz concentrada eliminou as sombras. Porém não havia só duas daquelas criaturas no local. Eram centenas delas.

Sean invocou Flechas da Perseguição, e atirou-as em algumas sombras mais próximas. Maquiavel recolheu-se num canto seguro e observou o desenrolar dos fatos. Lena atacava com simples Raios da Destruição, os estrondos das Magias a desconcentrava.

Por mais peritos que fossem Sean e Sartek, e a ajuda significativa de Lena, as criaturas penetravam o Castelo aos montes, eles sabiam que não durariam muito tempo se ficassem ali, retardando as sombras.

"Precisamos nos concentrar no véu. Se ele não for reconstituído, mais dessas criaturas penetrarão o Mundo Escuro" disse Lena, preocupada.

"Já disse, não trata-se de ação humana. Logo o véu voltara e..." Sartek calou-se, percebendo que aos poucos o salão se escurecia cada vez mais.

"O que é isso, quem está apagando as Pedras-do-Sol?" gritou Maquiavel. O garoto foi surpreendido por dois olhos de tom levemente acinzentado e duas pinças que faziam estalos irritantes. O mais aterrorizante na criatura era um ferrão, de mais ou menos meio trecho de tamanho, indo à direção ao garoto, na esperança de que o garoto tivesse algumas Pedras-do-sol.

Sean virou-se em direção a Maquiavel e iluminou o salão, que misteriosamente ficava mais escuro de alguma maneira. Ele viu Maquiavel correr desesperadamente tentando libertar-se da criatura. Criou uma barreira simples, de luz laranja e amarela para atrair a atenção do inseto. E conseguiu o que queria. A criatura viu faminta aquela fonte de luz em seu dedo e alçou vôo em direção a pedra. Sean atacou com fechas da perseguição, mas foi surpreendido pelo fato de que a criatura absorvia a luz.

Agora ele tentava raios vermelhos, explosões de luz entre outros ataques, mas todos falhavam perante o inseto. Finalmente a criatura investiu, suas pinças arrancaram a Pedra-do-Sol do anel de Sean. O inseto ingeriu totalmente a pedra, e um clarão de luz vindo de seu corpo ofuscou a visão do garoto.

"Eles se alimentam de Pedras-do-sol?" foi a primeira pergunta que viera na mente do garoto.

Um guarda viu que Sean estava cego e investiu contra o inseto que o ameaçava. Num golpe de espada, a criatura partiu-se ao meio, mas o seu ferrão acabou penetrando o braço do homem. O efeito foi imediato: o homem urrou cambaleando para trás. Finalmente depois de alguns segundos estava imobilizado no chão. Morto.

Lena era atacada por uma Vêsbora, mas eliminou-a, com uma explosão de luz concentrada. Iluminou o salão, meio escuro e viu que a situação estava começando a ser controlada. Havia poucas sombras, mas alguns insetos alçavam vôo até o teto do salão, ingerindo mais e mais Pedras.

"Eles não são afetados por Magia da Luz, nem tente atacá-los" gritou Sean, voltando a atenção para Lena ao invés do guarda recém morto "E tome cuidado com seu ferrão, me parece que é letal".

"O que faremos?" perguntou Lena.

A garota não precisou de resposta, o clarão que ela havia criado tinha atraído a atenção dos insetos, mas os poucos que restavam foram destruídos a tempo por Escolhidos armados que adentravam o salão.

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Rina agora era levada em direção ao Navio em Ruínas junto com duas Donzelas Guerreiras. Outras teriam ficado para cuidar das sombras, embora com armas já que não havia tantas Garrafas quanto Sombras no momento. "É o fim delas... de todos nós" pensava Rina friamente enquanto seguia para o oscilante Navio.

"Não pense assim Rina! Nós iremos sobreviver, Danir nos guiará" respondeu a mente de uma matriarca, e Rina logo se desconectou da mente coletiva ao invés de responder. Não a queria no momento e sequer lembrava de tê-la feito.

As Donzelas Guerreiras que ficavam para trás lutavam bravamente, tentando vencer os insetos, entretanto aos poucos iam caindo, os corpos frios e sem vida devido as ferroadas assassinas do inimigo. Porém elas não temiam a morte, e não desistiam de nenhuma batalha. Além do mais sabiam que aquelas sombras precisavam ser retardadas até que os clãs mais próximos pudessem montar uma barreira protetora ao redor do Navio em Ruínas.

O corpo de Rina era levado por uma Donzela, e a garota tentava várias vezes iniciar uma frase.

"Não fale, poupe suas energias" falou a mulher com uma voz firme e potente.

E Rina aceitou a idéia. E bastou a menina se aquietar nos braços da Donzela Guerreira que sua mente se apagou e adentrou um mundo negro, onde nada acontecia.

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Jogo de luz e trevas. A disputa pelo poder envolve cada vez mais inocentes, e a ganância cega os povos para o verdadeiro perigo. O conhecimento eterno está a um passo de quem não o merece, enquanto a determinação de uma guerreira a leva perto de possuir algo que não está preparada pra ter... Tudo está acontecendo muito rápido e falta pouco para que o Mundo Escuro finalmente desabe. Capítulo 10: Ruptura