Capítulo 8

Edward poderia ter chegado no rio em cinco minutos, mas, como estava acompanhado de Isabella, levou aproximadamente quinze.

Quando chegaram ao acampamento, ficou completamente desolado porque não havia nem sinal de Alain. Nem viram um outro andarilho para perguntar sobre ele. Esperava que ele estivesse aqui.

— Ele deve ter acampado mais acima. Quando a tempestade passar, vamos procurar por ele — Edward soava mais controlado do que parecia para ela.

Com economia de movimentos, ele montou a barraca para duas pessoas. Já não era sem tempo. Quando fincava a última estaca, o dilúvio estava para começar.

Aliviou-a de sua mochila.

— Você primeiro.

Com a ajuda de Edward, que levantou a lona, Isabella engatinhou para dentro da barraca. Ele foi em seguida, carregando as duas mochilas e uma lanterna que havia acendido. Pegou a mochila com comida das mãos dele, enquanto ele esticava o saco de dormir. Havia muito pouco espaço de manobra.

Uma vez que se sentaram sobre o saco, ela retirou os sanduíches e as frutas. Simone mandara uma garrafa térmica com café, que ainda estava quente. Isabella despejou um pouco no vasilhame e passou para ele.

A comida de Edward sumiu rapidamente. O mesmo aconteceu com a dela. Como ela não tinha tomado café da manhã, estava faminta.

O café estava gostoso. Como sobremesa, ela comeu uma ameixa madura. Estava doce e suculenta. Edward usou o dedo para limpar o caldo que escorria do queixo de Isabella. Quando levou o dedo à boca, seus olhares se encontraram.

— O que foi? — ele perguntou em um tom baixo e vibrante.

— Nada — desviou os olhos rapidamente.

— Não engulo essa. Algo está acontecendo.

Não descansaria enquanto não obtivesse uma resposta.

— Quando você fez isso agora, lembrou-me da primeira noite que tivemos que ficar na cabine por causa do furacão. Enquanto o vento soprava do lado de nossa janela, nós estávamos seguros em cima do beliche.

— Nós nos encarávamos como estamos fazendo agora?

— Sim, é claro. O navio balançava para cima, para baixo e para os lados. Lutávamos para não cair no chão.

— Então, seguramos um no outro? — de repente, ele sorriu.

Quando Edward sorria, ela mal conseguia respirar.

— Sim. Você tinha comprado todo tipo de comida para lancharmos. Lembro de ter comido um pêssego, listava tão suculento que você esticou a mão para que não escorresse em mim.

— O que mais eu fiz?

Um calor inundou suas bochechas.

— Tenho certeza de que pode adivinhar, com a sua imaginação. Tínhamos quase tanto espaço em minha cabine como temos nesta barraca.

Um estrondo de trovão ecoou de repente. Ela deu um solavanco com o susto. Edward riu. O som de sua risa da trouxe de volta mais lembranças que faziam seu pulso acelerar.

Posso garantir que os elementos da natureza são exatamente tão implacáveis como eram na época.

— Não fique nervosa — murmurou ele. — É uma chuva de verão e irá embora logo.

— Foi o que você me disse no navio!

Edward arrumou a bagunça que fizeram e colocou a mochila pequena perto da grande, encostada na pare de da barraca.

— Obviamente, sobrevivemos.

Agora, estavam pisando em um terreno perigoso. Era hora de mudar de assunto.

— Não gosto de pensar em Alain lá fora, sozinho.

— Relaxe, Isabella. O pai dele ensinou-o a tomar conta de si mesmo ao ar livre. Ele tem uma barraca e um saco de dormir. Estou certo de que ele está por aí em algum lugar.

— Você acredita honestamente nisso?

— Sim. Ele adora estas montanhas. Obrigado pelas suas sugestões, cobrimos quase todas as áreas aonde ele poderia ter ido.

— E se ele estiver com fome?

— Ele provavelmente levou consigo uma grande provisão de barras de proteínas. Com elas e uma fonte de água doce, pode sobreviver por um longo tempo.

Isabella lançou um olhar dependente.

— Sei que você está tentando me fazer sentir melhor, mas não consigo deixar de me preocupar. Ele só tem 12 anos.

— É difícil acreditar que só sete anos o separam da idade em que conheci você.

Voltaram ao assunto novamente.

— Aposto que todos os rapazes da mesa odiaram a minha atitude.

— Se odiaram, eu só percebi a garota inglesa sentada ao seu lado. Quando o flerte da parte dela não o convenceu a lhe dar mais atenção, tive medo que ela viesse atrás de mim e puxasse minha cadeira.

— É evidente que não daria uma chance a ela.

Isabella começou a sentir o calor percorrer todo o seu corpo.

— Não. Acho que ignoramos todos os outros.

Uma risada escapou de sua garganta.

— Acredito em me concentrar em uma mulher de cada vez.

— Houve muitas desde sua recuperação? — perguntou, não querendo saber, mas incapaz de continuar sem saber. Estar ali com ele de novo tornara sua curiosidade insaciável.

Os olhos de Edward focaram na boca de Isabella.

— Algumas.

— Tenho que admitir que fico surpresa por você não estar casado.

— Minha mãe também — soltou um suspiro. — Tenho uma dessas também. Nossa filha parece adorá-la. Tenho que admitir que estou ansioso para conhecê-la.

— Pelo bem de Natalie, mamãe sempre quis que soubesse a verdade. Eu também quis. Mas a idéia de você ter mulher e filhos e ter que contar para eles... — a voz sumia.

— Eu quase me casei duas vezes — revelou voluntariamente. — Antes, os médicos tinham dito que, se eu voltasse a jogar hóquei e recebesse outra pancada na cabeça poderia não acordar nunca mais. Privado do meu esporte favorito, temo ter ficado um rapaz muito amargurado nos meus tempos de faculdade. Namorei algumas, mas casamento era a última coisa na minha cabeça.

— Posso entender. Você tinha tanta paixão pelo esporte, Edward. É perfeitamente previsível que você levasse um tempo para descobrir como canalizar toda aquela energia competitiva.

Edward concordou com a cabeça.

— Papai gostava das minhas idéias de expansão e deu carta branca nesse setor da empresa. Acho o trabalho desafiador. Ao longo do tempo, tive relacionamentos com diversas mulheres. No primeiro caso, a atração começou forte. Mas, quando estava longe, não sentia falta dela a ponto de vê-la como a mulher da minha vida. E eu acabei terminando tudo. Mais tarde, conheci outra mulher que chamou a minha atenção inicialmente. Mas, com o passar do tempo, descobri que ela tinha um sério defeito. Quando pensava em nós tendo filhos, não conseguia vê-la como uma boa mãe. Então, terminamos.

— Posso entender — disse Isabella. — Uma coisa é encontrar alguém por quem você se sinta atraído, mas, outra coisa vê-lo relacionando-se com seu filho. Ou não... Por causa de Natalie, tenho medo de ser muito crítica com relação a todos os homens com quem namorei.

— Com exceção de Jacob.

Ela engoliu em seco.

— É. Ele é...

— Um homem maravilhoso — Edward completou o pensamento. — Foi o que você disse. Natalie parece gostar dele também.

— Gosta — Isabella começou a se contorcer. — E a sua recepcionista?

— Tania?

— Se é o nome dela, então sim. — As palavras saíram em tom sarcástico. — Quando você pretende que Natalie a conheça?

Edward mudou de posição para que pudesse esticar o corpo e recostar a cabeça. Suas pernas firmes como uma rocha encostaram-se em seus quadris e lá perma neceram. A chuva continuava a cair, criando um clima de intimidade que fazia Isabella tremer.

— Qualquer dia desses levo-a até o escritório e apresento-a a todos.

Isabella tentou chegar para o lado para que não sentisse qualquer contato físico com ele. Mas ela só abria mais espaço para se espelhar em sua direção.

— Tania sabe que você tem uma filha?

— É claro. Após contar para os meus pais, liguei para o pessoal do escritório e expliquei a situação.

— Deve ter sido um choque para todos.

— Vamos colocar desta forma. A revelação causou um pequeno terremoto na Cullen Corporation.

— Sabia! — disse Isabella.

— O que você acha que sabia? — perguntou calma mente.

— Quando o time de Natalie ganhou o campeonato, eu quase liguei para o seu escritório para lhe contar sobre ela. Os outros pais estavam lá para parabenizar as filhas. Mas, no último segundo, perdi a coragem, porque não sabia qual seria a sua reação. A última coisa que queria era constrangê-lo.

Edward virou-se e ficou de lado, chegando perto de mais dela.

— Constranger? Mon Dieu, você não viu que saber que tinha uma filha me trouxe uma felicidade indescritível? — Sua voz estava cheia de emoção. — Emmett ainda não absorveu completamente o fato de que ele ajudou a nos reunir.

— E Tania?

— O que tem ela? As notícias acabaram com qualquer fantasia que ela pudesse ter tido sobre nos tornarmos um casal.

— Não entendo.

A essa altura, Isabella já estava de joelhos para evitar o contato.

— Eu pensei, quero dizer, você disse algo sobre Alain se sentir ameaçado por ela. Eu supus a partir disso que vocês estariam namorando.

Ela não conseguia interpretar a expressão de seus olhos.

— Tania é minha empregada há quatro anos. Acho que minha mãe nutria uma esperança de que eu a visse de uma forma mais pessoal. Infelizmente, mamãe falou com Alain. Quando ele perguntou, deixei tudo bem claro.

A notícia de que ele não estava envolvido com ninguém não deveria tê-la animado tanto.

— Você percebeu que a chuva parou? — Ela deu um pulo para se levantar e se afastar dele.

— Agora podemos procurar por ele.

Agachando-se um pouco, passou por cima do físico bem constituído de Edward e saiu da barraca, defrontando-se com o ar frio e úmido.

— Vista isto — disse Edward um minuto depois. Ele estava com um suéter e lhe entregou um dos pulôveres que estavam em sua mochila.

— Obrigada.

Isabella vestiu-o, sabendo que estava sendo observada por Edward. Apesar de ser grande para ela, o calor caia bem.

Olhou para o céu. A chuva tinha dado uma trégua, mas as nuvens continuavam lá.

— Vai chover de novo, e não vai demorar muito - Edward leu seu pensamento.

— Antes que isso aconteça e fique muito escuro, vamos ver se o encontramos.

Seguiram pela margem encharcada do rio. Isabella revezou-se com Edward, chamando o nome de Alain. Cerca de meia hora do acampamento, encontraram um grupo de andarilhos alemães. Edward começou a se comunicar em alemão, contando com a mesma fluência com que falava inglês.

Os homens balançaram as cabeças. Eles obviamente não tinham passado por Alain.

Edward agradeceu. Quando se virou para ela, Isabella não ficou surpresa em ver que ele tinha linhas escuras em sua expressão.

— Aqueles andarilhos seguiram o rio por várias horas sem ver ninguém. A única coisa que temos a fazer é voltar rio abaixo.

Isabella concordou.

Continuaram chamando o nome de Alain. Isabella quase chorou por não ouvir nenhum grito de resposta. Um quilômetro abaixo do lugar onde levantaram acampamento, sentiu o cheiro de chuva no ar de novo.

— Vamos ter que prosseguir em nossa busca pela manhã — Edward atestou.

— Vamos. Aposto com você quem chega primeiro na barraca.

Fez o melhor que pôde para acompanhá-lo, percebendo que o desaparecimento de Alain os havia deixado um pouco elétricos.

Nem dois minutos após o seu retorno, a chuva molhava a barraca. Enquanto ele tirava o pulôver encharcado, Edward verificava com a lanterna se havia mensagens em seu celular.

— Alguma coisa? — perguntou ela. Fez uma careta antes de dizer que não. A notícia desanimou-os. Ela podia imaginar como estava a cabeça de Edward.

Querendo confortá-lo, pegou a garrafa térmica e serviu-lhe o que restava do café.

— Tome. Você está precisando.

Seus olhares cruzaram-se.

— E você?

— Para mim, não. Não a esta hora da noite.

Aceitou a palavra dela antes de beber, sedento.

— Tem mais comida.

— Talvez depois. — Depois de colocar a tampa de volta na garrafa, Edward abriu o saco de dormir.

— Você está com frio. Se você achar o cobertor na minha mochila, podemos deitar sobre ele e colocar o saco de dormir sobre nós.

Isabella tentou agir normalmente enquanto fazia o que ele dizia. Eles eram dois adultos que estavam numa expedição de busca de Alain, nada mais.

Que virada irônica. Aos 18, não tinha nenhum traço de virgem histérica. Ele e Edward se amaram, quiseram um ao outro. Tinha sido tão fácil na época, tão natural. Tão errado.

Era errado agora porque o queria mais do que nunca. E ainda não eram casados.

Nervosa, tirou os tênis e colocou-os no canto. Edward esperou que ela deitasse, para então se esticar ao lado dela e cobri-los com o saco de dormir. Desligou a lanterna. Ficou assustada por ver que a chuva se transformara em uma garoa constante. Agora, ele poderia ouvir seu coração saltar. Virou-se de lado, de costas para ele. Ele deitou-se de barriga para cima, com as mãos atrás da cabeça.

Pelo silêncio da parte dele, percebeu que estava nervoso por Alain. Na realidade, ela também estava. Precisavam falar sobre isso ou enlouqueceriam.

— Edward?

— Sim? — Sua voz soou como se viesse de uma caverna escura.

— Como você deu a notícia de que tinha uma filha para Alain?

Sentiu que ele mudou de posição. Deve ter virado de lado na sua direção, pois podia sentir um novo jato de calor.

— Assim que voltei de Concord, viemos para cá e acampamos por alguns dias. Foi nesta barraca que revi toda a conversa que tivéramos antes de eu ir para o treinamento militar. Você não sabe, mas ele quase teve uma síncope quando tive que cumprir com meu dever para com o exército. De qualquer forma, depois de encontrar sua carta e lê-la para mim, perguntou-me sobre Tania. Percebi que ele estava preocupado com a importância dela na minha vida. Para tranqüilizá-lo, disse-lhe para nem pensar mais naquilo porque a mulher certa ainda não tinha aparecido. A resposta dele foi, "talvez esta Isabella fosse a mulher certa, e é por isso que você nunca conseguiu amar outra, apesar de nem lembrar dela."

Os olhos de Isabella brilharam. Alain querido.

— Depois que desliguei a lanterna e nos acomodamos, disse-lhe que sua teoria estava correta. Parecia que eu tinha me apaixonado por você, e desse amor nascera nossa filha.

Ouvir Edward dizer aquilo fazia com que ela chorasse Sentiu sua mão subir por seu braço e gentilmente acariciar seu ombro. Era um gesto de conforto. Quando conseguiu domar suas emoções, disse:

— Como ele recebeu a notícia?

— Lembrando-me do sermão que passara nele.

— Que sermão?

Edward fez um barulho estranho com a garganta.

— Algo sobre hormônios colocarem você em confusão e fazer de você pai antes do tempo.

— Está brincando. — Ela riu e chorou ao mesmo tempo.

— Pensei que ele tivesse recebido a notícia extremamente bem. Fez dúzias de perguntas sobre Natalie e parecia encantado em pensar que tinha uma prima.

— Você quer dizer, desde que ela permaneça nos Estados Unidos — Isabella adicionou.

A mão de Edward apertou o braço de Isabella.

— Logo que contei que você não era casada, e que eu tinha convidado você e Natalie para morar conosco por um ano, foi quando as coisas começaram a dar errado. Ele não queria mais acampar em lugar algum. Quando voltamos para casa, ele anunciou que passar ia a morar com os avós.

Isabella grunhiu.

— Ele estava destroçado.

— Acho que ele não foi o único.

— Ele se mudou?

— Sim. Levou uma semana para que o convencesse a voltar para casa. A situação era tão frágil que eu tive que mandar o avião buscar você e Natalie. Por mais que eu quisesse buscá-las pessoalmente, não tive coragem. Ele se recusou a ir comigo ao aeroporto para pegar vocês.

Esquecendo da proximidade entre eles, ergueu-se para encará-lo.

— Ele está em crise, Edward, eu temo por ele.

Edward deitou-se de costas novamente.

Assim que o encontrarmos, vou levá-lo para um aconselhamento profissional. Ele passou por tanta coisa, mas pensei que pudesse ajudá-lo sozinho.

— Enquanto você busca a ajuda de que ele precisa, eu e Natalie vamos voltar para Concord. Por favor, escute... — exclamou, quando ele começou a protestar.

— Não quero dizer permanentemente. Só até você conseguir algum tipo de entrada com ele.

— Não tem como saber quanto tempo isso vai levar.

— Verdade. Mas Natalie está totalmente segura do seu amor por ela. Apesar da idade, ele entende que Alain está passando por um momento difícil, que ele fugiu de casa. Ela saberá lidar com a separação de você porque saberá que é temporário. Por que não montamos um plano de visitação que não seja tão intrusivo? Dará tempo para Alain aceitar Natalie como parte integrante da sua vida. Sei que você quer compensar o tempo perdido com ela, mas Alain ainda não está pronto para isso.

Um silêncio cheio de sentimentos seguiu-se.

— Onde diabos ele pode estar? — Edward finalmente perguntou, como se sentisse torturado. Nem parecia que tinha ouvido sua sugestão.

Isabella abaixou a cabeça.

— Ele ama você demais. Não vai ficar muito tempo longe, onde quer que esteja.

— Se eu não souber de nada até de manhã, ligarei para a polícia ajudar nas buscas.

Uma estranha nuance de sua voz fez com que Isabella olhasse diretamente para ele. Estava muito escuro para vê-lo, mas sentiu que algo estava errado. Talvez fosse o jeito com que cruzava os braços sobre a testa. Como se sentisse uma dor física.

— Oh, não.

— Você está tendo uma daquelas dores de cabeça, não está?

— Vou ficar bem.

— Não temos gelo, mas sei de algo que pode ajudá-lo a dormir. Vire-se de costas para mim.

O fato de que ele obedeceu significava que estava sofrendo demais para discutir com ela.

— Só relaxe e me deixe trabalhar. — Com a mão em forma de concha em volta de seu pescoço, começou a girar os polegares contra a base do seu crânio. Era um truque que seu pai lhe ensinara. Às vezes, funcionava com seus pacientes que tinham enxaqueca. Você tem que saber os lugares certos para pressionar. Se feito corretamente, abria vasos, sangüíneos constritos da cabeça.

Desde que Edward retornara à sua vida, ela finalmente linha uma razão legítima para tocá-lo. Era um arrepio fazer qualquer coisa para ele. Perdeu a noção do tempo. Quando retirou as mãos, podia dizer que ele já caíra em sono profundo.

Isabella silenciosamente agradeceu ao pai, e beijou a nuca de Edward antes de deitar.

Sua mente ficava voltando ao momento em que estavam à mesa e Alain saiu correndo da cozinha. Sua saída da mesa não acontecera até mencionarem o hóquei.

Também houve um momento definitivo naquele dia, quando Edward elogiou Natalie pelo único peixe da pescaria. O olhar contrariado no rosto de Alain ainda machucava Natalie quando lembrava.

Nos dois casos, o foco tinha sido as conquistas de Natalie. Claramente, o Alain-herói cultuava Edward e queria ser o brilho nos olhos do tio. Mas, como não podia jogar hóquei, e não obtivera sucesso pescando, sentia que Natalie tinha usurpado seu lugar no coração do tio. Era de se esperar que ele achasse que seu mundo iria acabar.

Ela acabou caindo em um sono agitado. A próxima coisa que viu foi Edward cutucando-a para acordá-la.

— Isabella? Temos que ir.

Suas pálpebras abriram-se para vê-lo na sua frente. Ele tinha levantado a lona para deixar entrar o ar da manhã. Ela expirou e se levantou.

— Imagino que ainda não houve notícia de Alain - disse, calçando os tênis.

Edward balançou a cabeça.

— Falei com meu pai. Ele já alertou a polícia.

Arrumou o saco de dormir e o colocou em cima da mochila.

— Um dos policiais nos encontrará no chalé.

Depois de vestir o pulôver, ela pegou a mochila pequena.

— Estou pronta.

Ao se virar para partir, Edward trouxe-a inesperadamente para perto dele.

— Suas mãos foram mãos de anjo ontem à noite. Foi a primeira vez desde o acidente que minha dor passou em minutos — disse, em um sussurro másculo.

Seus olhos percorriam cada detalhe dela.

Merci, Isabella.

Ele lhe beijou a boca intensamente, antes que ela saísse da barraca.

Isabella encostou os dedos nos lábios. Atordoada com a experiência, saiu da barraca com as pernas bambas. Edward já estava removendo as estacas da barraca, agindo como se nada importante tivesse acontecido. Ele poderia não ter idéia do que o beijo fizera a ela. Ela o amava com uma dor que nunca, jamais se dissiparia.

Tentando agir com naturalidade, ajudou-o a dobrar a barraca. Após encaixá-la na grade da mochila, passou a garrafa d'água para ela.

— Dê uma boa e longa golada.

Isabella bebeu e a devolveu a ele. Edward a depositou em um dos bolsos.

— Vamos indo. É só descida.

O dia estava lindo. Só algumas nuvens cruzavam o céu. Mas, sem nenhuma notícia de Alain, era um verdadeiro pesadelo. Edward regulou suas passadas para que ela pudesse acompanhá-lo, mas não estava para conversa. Nem podia. Sua dor o debilitava.

Dez minutos depois, chegaram à primeira clareira, que proporcionava uma visão fabulosa. Edward parou para que pudessem beber. Isabella teve um minuto para olhar em volta. À distância, pôde ver uma vila à direita que não tinha visto ontem por causa das nuvens.

— Que cidade é aquela?

Ele olhou na direção que ela estava apontando.

— Lês Avats.

— Não tinha reconhecido. A perspectiva é tão diferente daqui.

Significava que o Gorge Du Chauderon estava próximo.

Seria possível que Alain tivesse acampado lá para pescar? Estivera muito determinado no outro dia, além de desapontado, quando não conseguiu fisgar nada.

— Edward, vamos voltar pelo Gorge!

Sua cabeça girou em direção à dela.

— Depois do que aconteceu, por que ele iria lá no vamente?

— É só um palpite, mas ele queria pegar um peixe na sua frente. Ele está competindo com Natalie. Se ele pudesse trazer um punhado de trutas para casa, então ganharia seus elogios. Não vê?

Uma luz surgiu em seus olhos verdes deslumbrantes, para depois se apagar.

— Gostaria que fosse tão simples.

— Talvez seja.

Ele esfregou a nuca, ansioso.

— Se eu pensasse que ele tinha acampado lá...

— Vamos ver. Venha.

Uma pequena migalha de esperança fazia uma diferença enorme. Eles praticamente correram pela montanha até o Gorge. Se Alain pudesse ver o olhar no rosto tio agora, saberia como é querido e amado.

Por favor, esteja lá, Alain.

Alcançaram o topo do caminho e passaram pela folhagem densa. Isabella segurou a respiração quando se aproximaram do lugar onde pescaram no outro dia.

Quando chegaram ao local exato, ficou desolado ao ver que não havia ninguém lá. Em desespero, chamou o nome dele. Sem resposta.

Seus olhos encheram-se de lágrimas. Chamou-o novamente, mas estava tão engasgada que o som quase não saiu.

— Alain! Monfils! Onde você está? — A grave voz masculina de Edward ricocheteou pelos lados do Gorge.

Se Alain estivesse nas redondezas, teria ouvido.

— Alain!

O anel esbranquiçado em volta da boca de Edward a assustava.

— Talvez ele tenha acampado na parte mais baixa do rio.

Edward apertou-lhe o ombro antes que seguissem em frente, pelo mesmo caminho que haviam tomado antes. Nesta parte da trilha, o leito do rio serpenteava e formava pequenas piscinas entre as rochas proeminentes.

— Alain! — Edward gritou uma última vez.

— Por aqui, tio!

A jovem voz parecia pungentemente familiar. En tão, Alain saiu de trás de uma rocha carregando oito trutas de bom tamanho presas a um galho em uma mão, e sua vara de pescar na outra. Estava sujo e cansado, mas havia um inconfundível orgulho em seu rosto en quanto caminhava em direção ao tio.

Edward direcionou a Isabella um olhar de alegria misturada com outras emoções difíceis de decifrar. Ela pensaria naquilo depois. No momento, tudo o que importava era Alain. Fora encontrado são e salvo.

Isabella recuou para observar a união. Sabia que Edward estava louco para abraçar o sobrinho. Mas a primeira coisa que fez foi parar em frente aos troféus e fazer um gesto de surpresa, abrindo os braços.

Oh la la, mon fils. C' estfantastique! Pegou o galho de sua mão e levantou-o no ar.

Bravo! Merveilleux!

Com o outro braço livre, deu um forte abraço no sobrinho.

Alain riu de tanta felicidade.

Isabella deixou-os conversar por alguns minutos, para então aparecer, preparada para ver Alain se recolher em seu silêncio novamente.

— Nunca vi ninguém pegar tantos peixes antes. Se o seu tio tiver uma câmera no chalé, vamos tirar uma foto para mostrar para os seus amigos e avós.

As sobrancelhas do menino levantaram-se.

— O papai conseguia pegar.

— Bem, está provado que você herdou a habilidade dele. Se você se dedicar, não me surpreenderia se um dia se tornasse um pescador profissional muito famoso, e pessoas do mundo inteiro viessem até você pedir conselhos. Pode chamá-lo de Método Alain Cullen.

Aquilo fez com que ele sorrisse. Outro sorriso iluminou os olhos de Edward.

— Acho que vamos ter que passar no escritório e mostrar a todos. Emmett acha que é um bom pescador.

— Talvez, depois disso, poderíamos sair para come morar. Qual é o seu lugar favorito para comer, Alain?

O menino olhou para ela e para Edward

— Podemos ir ao Mc Donald's!

— É claro. — Como ela não pôde adivinhar?

— Está decidido. Mc Donald's — disse Edward, com um ar sério.

— Primeiro, é claro, vamos colocar estes peixes no gelo. Onde é o seu acampamento?

— Perto da base do Gorge.

— Então vamos lá.

Edward enviou a Isabella uma mensagem silenciosa de gratidão antes de descer pelo caminho com a mão no ombro de Alain. Ela ficou atrás o bastante para que tivessem uma conversa em particular. Em algum momento, Edward pediu ao sobrinho que deixasse um bilhete da próxima vez que decidisse sair para acampar sozinho.

Algum tempo depois, chegaram ao chalé.

Quando Simone os viu chegando, desceu os de graus correndo para abraçar Alain como se abraçasse seu neto predileto. Fez tanta festa sobre os peixes de Alain que ele ficou radiante.

Edward desapareceu por um instante, e depois voltou com uma câmera. Tirou fotos o bastante para encher um álbum.

Com a promessa de ser mais que cuidadosa, Simone levou os peixes para dentro para colocá-los no gelo. Isabella seguiu-a até a cozinha. Após esvaziar a mochila e agradecer à governanta pela comida, correu para o banheiro para tomar um banho.

— Isabella? — sussurrou Alain.

Ela deu meia-volta, surpresa.

— O que foi, querido? — Uma ternura transpareceu naturalmente.

— Você falou com tio Edward sobre as iscas?

— Iscas?

— Ah, as iscas.

— Que iscas?

Ele ficou olhando para ela por pelo menos de dez segundos. Então, abriu um sorriso e saiu do quarto.

Talvez fosse muito cedo, mas ela acreditava que seu relacionamento com Alain tinha mudado para melhor. O que significava que ela e Natalie poderiam voltar para Concord hoje.

Quando contasse tudo a Natalie, ela entenderia. Com a cooperação dos pais de Edward, elas iriam para Genebra enquanto Edward levava Alain para exibi-lo no escritório.



Capítulo 8 postado!
Desculpe mesmo por não ter atualizado antes, eu fiquei totalmente sem tempo mês passado : /
Só faltam 2 capítulos pro fim da fic. Se der tudo certo, eu consigo postar o último até o fim de semana que vem.
Bjs!