Grissom bateu na porta de Sara, confiante. Não que Sara não lhe deixasse nervoso, essa parecia sua especialidade, ele apenas tinha passado e repassado tudo o que falaria para ela.
O curioso é que Sara não abria a porta.
Ele tocou a campainha, bateu palmas e nada. Nem o telefone atendia. Sendo assim, ele concluiu que Sara não estava em casa, o que significava que só poderia estar no lab., é claro.
Lá foi o próximo lugar onde ele procurou. Em vão, ela não estava.
Quando estava olhando novamente na sala de evidências, se lembrou que precisava pegar alguns relatórios. Foi até sua sala, pegou os papéis de cima da mesa e, sem saber acabou levando as cartas de Sara. Olhou mais uma vez por todo o lab. e não a encontrando, resolveu ir para casa.
Chegando em casa, se sentou no sofá e pegou os relatórios. Acho melhor me livrar logo disso, depois, ir atrás de Sara. Ao puxar o primeiro relatório, dois envelopes caíram no chão, ele os pegou e notou o seu nome escrito pela letra de Sara na parte externa de um deles. Abriu o envelope e retirou uma carta de dentro.
Gilbert Grissom.
Hoje, eu tomei uma decisão que há muito vinha adiando. Voltarei para San Francisco.
Sabe, chega um ponto na nossa vida onde precisamos de algo mais do que realização profissional, precisamos de realização pessoal.
Estou vivenciando esse momento, e por aqui, perto de você e sua frieza, eu não posso me permitir isso, porque meu coração fica restrito a você.
Eu preciso dá-lo a outro, à alguém que o queira, já que você deixou claramente explícito que não o quer.
De agora em diante, estou lhe livrando do peso que Sara Sidle se tornou em sua vida.
Espero que seja feliz.
Sinceramente, Sara Sidle.
Grissom terminou a carta, estupefato. Sua cabeça repetia: Como assim ela vai embora? Quem permitiu? Por que ela não falou comigo?
Então a ficha caiu. A culpa era dele. Sara não suportou sua aparente indiferença para com os sentimentos dela e partiu. E agora seria a vez dela de rejeitá-lo. Mas quem a teria ajudado?
Foi nessa pergunta que Grissom lembrou-se da outra carta. Abriu sofregamente, já desconfiando do assunto.
Sim, era uma carta de demissão. E o nome nada agradável de Ecklie estava como encarregado pela demissão.
Grissom cuidaria disso mais tarde. Neste momento, tinha um assunto de suprema importância para resolver – um assunto que, ele sabia, não seria nada fácil.
Ele pegou sua jaqueta, desligou a luz e saiu de casa, deixando a desordem em cima da mesa e a carta – a primeira – colocou no bolso.
Esquecendo-se da prudência, Grissom pisou no acelerador sem medo. Talvez ela ainda esteja na fila, comprando a passagem para São Francisco. Ou talvez ela compre passagem para um voo de madrugada. Quem sabe até o voo vá ser desmarcado por causa das intempéries do tempo... Bem, essa última conjetura é bem improvável, já que o tempo parece normal.
Aeroporto, aeroporto... Quanto tempo até o aeroporto? Por mais que ele corresse parecia que nunca chegava no local. Grissom atravessou o sinal, ignorando o "walk", e ouviu uma sirene um pouco atrás do seu carro.
Se não estivesse na situação atual, ele pararia. Porém, como isso estava fora de cogitação nessas circunstâncias, Grissom acelerou mais ainda, passando os outros carros e entrando bruscamente em um atalho. Que o desculpassem os outros, mas hoje Gil Grissom não estava para a lei.
A exultação do CSI ao avistar o aeroporto foi incomparável. Ele sentia a palpitação nas artérias aumentar a cada metro que ultrapassava, encurtando a distância entre ele e Sara.
Estacionou o mais rápido que pode e saiu do carro, quando um estrondoso trovão fez-se ouvir. Grissom olhou para o céu como que agradecendo pela ajudinha.
Ele correu até o aeroporto, esbarrando em uma ou duas malas ao fazê-lo, mas conseguindo finalmente entrar no recinto.
Ele percebeu, então, o porquê da "ajudinha". O aeroporto não estava movimentado como o habitual; estava apinhado de gente. Famílias grandes, crianças perdidas, carrinhos, malas enormes, mulheres passando com o salto e fazendo aquele barulhinho chato.
Grissom passou a mão na cabeça, assombrado. Ele ia mesmo precisar de ajuda. Neste momento, uma ideia passou pela sua cabeça. Os auto-falantes.
Então, ele correu feito um louco, atropelando tudo que via pela frente até chegar a um segurança.
- Perdi minha esposa nessa bagunça. – disse desesperado ao segurança. – Queria que usasse os auto-falantes para pedir que ela me encontrasse aqui.
- Sinto muito, senhor. – disse o segurança com compaixão na voz. – Os auto-falantes entraram em curto hoje de manhã.
- Não é possível. Não é possível. Não é possível... – repetia Grissom transtornado.
- Se acalme, senhor. – pede o segurança. – Vou ajudá-lo a encontrá-la. O senhor teria uma foto para que eu mostre aos outros seguranças para que possam procurá-la?
É claro que ele tinha, ele nunca se separara desta foto desde que tiraram em San Francisco durante o seminário. Era a última coisa que via ao dormir e a primeira ao acordar.
Abriu a carteira, pegou a foto e entregou ao segurança, esse imediatamente foi a sala de descanso dos funcionários e mostrou a foto aos outros, pedindo que a encontrassem.
Enquanto isso, Grissom resolve ir tomar um café. Seu pulso estava quase em 100, precisava urgentemente se acalmar.
O café ficava perto do salão de embarque, e foi para lá que Grissom se encaminhou. Não tinha certeza se era recomendável beber café em seu estado, uma vez que estava em estado de alerta, olhando para todos os lados, em busca da familiar silhueta. A esperança vinha toda vez que esbarrava em alguém, mas a frustração logo tomava ao seu lugar ao constatar que não era Sara.
Finalmente chegou à lanchonete. Foi direto ao balcão olhando para baixo, sua cabeça parecia ser feita de chumbo ou seria apenas a consciência pesando?
- Posso ajudar? – pergunta a atendente.
- Um café puro, sem açúcar.
Ele pegou seu café e finalmente levantou a cabeça para procurar uma mesa. Mas, ao invés de encontrar uma mesa, ele encontrou uma coisa infinitamente melhor. Sara.
Ela estava sentada, com um café na mão, olhando pela janela a chuva cair forte lá fora, parecia não focar em nada especial.
Grissom se aproximou extremamente sem graça e tudo que havia planejado falar naquele momento, simplesmente desapareceu de sua cabeça. Como sempre.
- Sara? – perguntou baixo ainda não acreditando nos seus olhos. A mulher nem se mexeu. – Sara? – perguntou novamente dessa vez um pouco mais alo.
Ela olhou em direção ao som que chamava seu nome. E a surpresa não foi nada pequena.
- Grissom? – perguntou incrédula. – O que você está fazendo aqui ?
