Capítulo Nove

Lembranças e Dores

Os dias anteriores ao Natal foram serenos, era bom sentir que o castelo voltara ao normal, todos estavam muito excitados porque Dumbledore iria dar uma festa na noite de natal para comemorar o retorno da professora, estavam todos animados com a possibilidade de um baile de inverno e um pouco tristes por Ter sido cancelado o torneio de Quadribol entre casas. No entanto o clima de felicidade imperou e cada um ajudava de alguma forma para decorar o castelo.

Harry olhava pela janela de seu dormitório, estava tudo muito branco, na noite anterior havia nevado muito, tapando o tapete verde que circulava o lugar, continuava achando os acontecimentos estranhos, não havia mais visto Angelina desde o dia na enfermaria, se sentia muito confuso com seus sentimentos pela mulher que lhe salvara a vida, como poderia gostar de uma Comensal da Morte – pensava ( claro que Rony e Hermione haviam o convencido que a professora trabalhara para Voldemort e era uma traidora como Snape) mas ele sentia que algo não estava certo, o que seu padrinho queria dizer com NÃO SE META e MUITOS JÁ INTERFERIRAM NO PASSADO. Sentindo-se confuso decidiu ir até a cabana de Hagrid para conversar, sabia que o amigo não ia ajudar muito, e tinha deixado isso bem claro, mas pelo menos poderia se distrair um pouco. Colocou seu casaco e saíra pela neve caminhando distraidamente quando viu perto do lago uma figura que ele conhecia bem, não precisava virar-se pois o andar gracioso envolto na capa de veludo a denunciavam.

Ficou observando a professora quando sentiu seu grandes olhos verdes pousarem nos seus, sentiu seu corpo congelar, não havia mais falado com ela nem sobre o acontecimento, nem agradecido por Ter salvo sua vida, no entanto ela olhou e sorriu. Harry ficou extasiado com aquele sorriso que lhe amparava, sentia-se segura com a presença dela, talvez por Ter sido sua salvadora perante Voldemort, mas sentia que não era só isso, quando deu-se por conta ela estava ao seu lado.

- Olá Harry! – disse com os olhos brilhantes – Não o vejo desde o dia que me recuperei na enfermaria. Porque não foi me abraçar também?

Ela havia notado, mas como será que era tão gritante o carinho que ele sentia.

- Fiquei triste pois meu aluno mais querido não foi me abraçar e me dar um beijo! – disse fazendo beicinho – Claro que Draco estava lá mas eu gostaria de Ter recebido o seu abraço!

Harry ficou sem saber o que dizer, QUERIDO, ela havia o chamado de QUERIDO, por um momento ele ficou vermelho.

- Claro que gosto muito de você e de Draco, vocês dois são muito parecidos, brigam o tempo inteiro mais tem um grande coração.

Harry não conseguia entender por que ela gostava tanto de Draco, bem talvez por ele ser a cara do pai, pensou.

- Você deve estar se perguntando como eu vi Voldemort e fui ao encontro dele. – ele notou que não havia medo em sua voz quando pronunciou o nome do bruxo, mas ao contrario, havia muita firmeza – Eu estava assistindo seu treino de Quadribol, quando vi você ser atingido...és um excelente apanhador e um grande capitão como...seu pai. – aquelas últimas palavras vieram carregadas de tristeza. Ela então se dirigiu para um banco próximo ao lago e sentou.

- Professora Wolf!

- Me chame de Angelina ou Angel como alguns amigos me chamavam! - disse serenamente

Harry lembrou da forma como Lucius tinha a chamado

- Angelina...voo..cê conheceu meu pai?

- Sim, seu pai ...e sua mãe! – falou quase em um soluço, por um instante ele achou que seus olhos estavam marejados de lágrimas – Nós fomos grandes amigos!

Amigos? Pensou Harry, como meus pais foram amigos de um Comensal da Morte?

- Sabe eu estudava aqui com seu pai, sua mãe, Wilfred, Snape e Lúcios da Sonserina...eu era um ano mais nova do que eles, mas estávamos sempre juntos. Claro que tinha também outros na nossa turma Giovana era da Lufa-lufa...Sirius, Lupin e ...Pedro. Por isso gosto muito dos filhos de meus amigos; Draco por exemplo é muito parecido com o pai, frio, calculista mas no fundo um menino perdido, e você...bem você é teimoso como Tiago, sem tirar nem por. – disse aquilo com melancolia.

- Ange...

- Angel!.– falou Hagrid que neste momento se coloca ao lado, ofegante - ...estava atras de você... quero muito que veja uns bichinhos que estou criando – disse o guarda-caças puxando a professora pela mão.

- Mas agora Rúbeo! – disse rapidamente

– Sim agora! – e saiu arrastando a professora, deixando Harry sem entender nada, parado no meio da neve sem suas respostas.

Angelina estava sendo quase arrastada por Hagrid até sua cabana, não entendia aquele repentino ataque de necessidade que ela visse seus bichinhos, tudo bem que desde que havia chegado a Hogwarts não tivera tempo de se dedicar ao amigo, mas logo agora que estava conversando com Harry ele tivera que se intrometer?

- Rúbeo, o que houve que não pode esperar eu terminar minha conversa com Harry? – disse quando chegavam a porta da cabana do amigo – Eu podia vir mais tarde, não é?

- Não Angel, é importante mesmo o que quero te mostrar! – disse o amigo agora com uma expressão muito séria enquanto abria a porta dando passagem para ela entrar.

Angelina entrou na pequena cabana sendo recebida na porta por Canino muito feliz, entrou vagarosamente afinal as cortinas estavam fechadas e a única luminosidade vinha da lareira acesa. De repente sentiu-se sendo içada do chão e rodopiada no ar, já estava pronta para usar sua varinha quando foi largada tonta no chão e quase caiu.

- Angel como é bom te ver – e foi abraçada fortemente, sua cabeça continuava a girar quando alguém segurou seu rosto fitando-a.

- Sirius! – olhando para o amigo depois de 13 anos, Angelina não conteve as lágrimas abraçando-o fortemente, parecia mentira não via Sirius desde Hogwarts.

- E eu não ganho nem um abraço?

Angelina largou Sirius olhando para onde vinha aquela voz e pode distinguir Lupin em um canto sorrindo. Largou o amigo e correu em direção a Lupin dando um grande abraço nele também ficando pendurada em seu pescoço durante um tempo, parecia não acreditar que os amigos estavam ali, era tão bom reve-los. Separando-se de Lupin e olhando para os dois com uma expressão de surpresa perguntou.

- Mas o que vocês estão fazendo aqui? E você Sirius não é fugitivo? Giovana Aligrieri e Wilfred Locksley estão aqui também!

- Nós soubemos, e o que aconteceu com você! De repente tinha ressurgido das cinzas! – disse Sirius sorrindo.

- O que? – olhou Angelina sem entender.

- Ficamos preocupados com o ataque de Voldemort a Harry, e além disso perdemos o quartel general da Ordem! – disse Lupin.

- Como assim quartel general da Ordem? – Angelina entendia muito menos ainda.

Sentaram todos em torno da mesa para que explicassem melhor para a bruxa o que estava acontecendo sobre a Ordem da Fênix, Giovana, Wilfred e Roxanne também participavam da Ordem por isso estavam e Hogwarts. Enquanto isso, Hagrid preparava um chá para eles, ficaram assim até o entardecer, Angelina tinha muito que saber durante os treze anos que ficou sem memória e também explicar o que houvera com ela.

Há noite tinha chegado e o baile ia começara muito bem, claro que os irmãos Weasley ainda implicavam com Gina por causa de seu relacionamento com Draco Malfoy.

- Malfoy – sibilava Rony – vou ser cunhado de um MALFOY! – dizia aquelas palavras quase cuspindo – Não sei onde mamãe e papai estavam com a cabeça, um MALFOY! – bradava o amigo sempre que o casal passava valsando por ele.

- Calma Rony, eu até já estou me acostumando com a idéia, deixa sua irmã ser feliz! – dizia Mione ao namorado ( me esqueci de contar finalmente Rony havia tido coragem de se acertar com Mione o que deixava Harry muito feliz), claro que a aparente mudança devia ao fato de terem descoberto que Lúcios Malfoy foi capaz de amar, então seu filho também era.

Harry estava deveras contente pois nada mais de ruim tinha acontecido, nem Voldemort havia dado as caras por lá, ele e Cho Chang estava cada vez mais se entendendo e não se sentia mais culpado por todas as coisas ruins que tinham acontecido. Resolvera que ia aproveitar aquela noite dançando a noite toda com sua musa, sem esquecer de apartar Rony de vez em quando.

Dentro do castelo tudo ia bem, muita alegria e descontração, pessoas se divertindo, dançando e cantando, mas havia alguém que não se sentia assim. Angelina sentia-se sozinha e confusa, as coisas eram tão complicadas desde que tinha voltado para Hogwarts, desde que tinha renascido, pois passara anos em coma, descobrira que no dia do ataque de Voldemort perdera toda sua família, todos a quem amava, sentia um vazio muito grande, principalmente por seu filho, jurara que enfrentaria Voldemort novamente e faria pagar por tudo, mas nunca imaginara que um turbilhão de sentimentos também voltassem a tona. Caminhava pensativa em direção ao lago, ou melhor a um jardim secreto que tinha por lá, poucos conheciam aquele local, por isso era seu lugar mágico.

Ele observava-a se aproximando, sabia que ela iria até o lugar deles, sabia que não havia o esquecido, e ela estava linda como no dia de sua formatura. Seu vestido era de veludo rubro, combinava muito bem com os cabelos e seu tom de pele, como sentira sua falta durante todos aqueles anos, tentará esquece-la sufocando aquele sentimento de adolescente sob as maldades e friezas que cometia pelo Lorde. Durante um tempo havia conseguido se manter firme quanto aquilo mas agora ela estava ali, tão perto e tão longe, até podia sentir seu perfume, o mesmo que ficava em seu corpo nas noites que passavam juntos. Quase a perdera novamente e sentia ainda a dor de Ter presenciado sua quase aniquilação total. Mas ele era quem era, não podia fugir do seu destino, nem antes e nem agora, aquele sentimento estava condenado desde o início, só eles não deram importância para as diferenças.

- Lúcios! – disse ela com aquela mesma voz sedutora que ela sempre dirigira a ele.- O que você faz aqui? – seus olhos brilhavam mas com tristeza, bem diferente do olhar meigo que ele sempre se encantara.

- Tinha que vê-la – respondeu com a voz entrecortada – NÃO pensou, isso não é atitude de Lúcios Malfoy. Mas a frente dela nada mais era a mesma coisa, ela sempre fora sua fraqueza, talvez por isso o Lorde tenha tentado acabar com ela, para endurece-lo cada vez mais. Mas ele foi covarde, não foi capaz de lutar pela única mulher que amou, pela única família que desejava.

- Você não mudou nada Lúcios – disse abaixando a voz – continua belo e distante.

- A vida me deixou assim Angel!

- Não, a escolha foi sua, ele te deixou assim, não coloque a culpa na vida, nós tínhamos uma vida toda nossa, você escolheu ELE!

Aquelas palavras entraram como flechas atravessando Lúcios, ele não tinha o que dizer, ela tinha razão, tinha sido covarde, tinha deixado que seu pai comandasse sua vida, abandonara a mulher amada quando mais ela precisava dele, e agora estava tentando fazer o mesmo com seu filho, mas as coisas estavam mudando, não iria repetir o erro, seu filho não merecia a mesma infelicidade que ele tinha, a sua escolha não tinha volta mas Draco ainda poderia ser salvo.

- Eu o conheço!

- Quem?

- Seu filho, Draco, ele me lembra você, tem toda a sua frieza mas a mesma inocência dentro do mais profundo de seus olhos.

Ela o conhecia profundamente por isso entendia Draco, sim ele ainda poderia ser salvo.

- E Narcisa...como ela está? – tinham sido amigas na escola mas não entendia porque ele ficara com ela.

- Esta bem, mas não é sobre ela que quero falar...-disse se aproximando – queria saber como estava, e vejo que continua linda.

- Sempre galanteador, mas saiba que não caio mais nos seus truques, o que passou, passou Lúcios, não podemos voltar atras, saiba que estou sobrevivendo apesar de Ter sido morta duas vezes.

- Eu sinto sua falta! – o loiro disse num sussurro, derrubando todas as barreiras que ela podia sustentar.

- Eu também – de costas para o loiro falou baixinho e lágrimas rolaram pelo seu rosto – Vá embora Lúcios – aquelas eram suas últimas forças as palavras já saiam entrecortadas – Já acabamos a muito tempo, nós estamos em lados opostos... sempre foi assim, você escolheu quem eu amaldiçoei,... ele destruiu tudo que eu tinha e de nós...de nós só sobrou um grande engano.

- Eu estava lá Angel...cheguei tarde demais...eu não queria que acontecesse...

- Você estava lá e não fez nada! – agora seu olhar era de raiva – Deixou que ele matasse minha família, meu filho... – começou a bater contra o peito de Lúcios - ...deixou que ELE matasse...- começou a chorar copiosamente, a dor era muito grande, o bebê era a única coisa que havia sobrado pra ela, nunca tivera coragem de contar a verdade a ele, mas agora ele tinha que saber – ...Nosso Filho! – Lúcios parecia não Ter se abalado com aquelas palavras, como podia ser tão frio. - Saiba MALFOY que ele tirou tudo de mim e acabou com a único resquício de nossa história.

- Ainda tem muitas coisas que não sabes – dizia tentando segura-la.

O que podia ser pior do que já havia passado, quando retornara a Hogwart, estava em busca da verdade e agora poderia te-la, tentou acalmar-se, precisava da verdade.

Lúcios levou-a até um banco próximo e fez com que senta-se.

- Meu anjo, eu tirei você de lá o mais rápido que podia e antes de qualquer coisa tentei esconde-la. – fez uma pausa como se tentasse tomar coragem para contar o resto - Quando peguei nosso filho, ele estava sob o corpo de seu marido – as lágrimas recomeçaram a rolar na face de Angelina – e contastei que ainda estava vivo.

VIVO ele disse VIVO! - Sim – continuou como se adivinhasse seus pensamentos – Ele estava machucado, mas vivo, eu não sabia que era meu filho até aquele momento quando o vi... então desaparatei com a criança, Narcisa estava na França onde passara o último ano então entreguei-o para ela criar como se fosse nosso filho.

- Co...como? – sua cabeça parecia que ia dar um nó

- Narcisa não poderia me dar herdeiros, descobri depois do casamento, por isso ela nunca viveu comigo, mas quando vi Draco sabia que ela o cuidaria como mãe, afinal era a única maneira de continuar sendo minha esposa.

- Você mentiu pra mim! Meu filho aqui comigo e não me disse nada, esperava que eu morresse novamente! Eu sofrendo tanto cada vez que via Draco, lembrava do nosso menino, tão parecido com ele, imagina como é cada dia olhar para alguém achando que o tinha perdido para sempre! – as palavras saiam com ódio, uma raiva que Lucius nunca havia sentido nela – EU TE ODEIO LUCIUS MALFOY...e vou te odiar pra sempre! SAIA DAQUI, VAI EMBORA E NUNCA MAIS VOLTE! – gritava Angelina

Malfoy foi abraça-la, não podia Ter terminado assim, ela ainda o amava, ele ainda a amava, eles tinham o filho, tinham uma família, como ela poderia rejeitar um Malfoy?

- Deixe-a em paz Lúcios! – disse uma voz firme que se aproximava de Angelina.

- SEVERO! – Malfoy olhou raivoso para o amigo.

- Acabou, isso tudo foi no passado o presente é outro, ela já se machucou demais, deixa ela em paz! – disse ameaçadoramente para Lúcios, abraçando Angelina com carinho.

Lúcios Malfoy saiu sem dizer nada, a dor que sentia era tanta que agora sabia o quanto havia feito a mulher que amava sofrer. As palavras de Lúcios ainda martelavam na sua cabeça, seu filho estava vivo, vivo e perto.

- Severo... meu filho vivo...Draco...- e desmaiou nos braços do amigo.

E do balcão do castelo, uma figura de cabelos claros assistira a tudo.