Olá gente! Espero que estejam gostando da fic :) Segue mais um capítulo.
A Lenda da Lua
Paola B. B.
Capítulo VIII. 220V
PDV Esme
Virei minha cabeça de um lado para o outro para ter certeza que em todos os ângulos o arranjo estava perfeito. Não estava. Faltava um pouco mais de verde e talvez algum vermelho.
- Edward, querido? – chamei. Eu podia escutá-lo se levantar de sua cadeira e seguir para fora do quarto dele.
- O que a senhora precisa? – perguntou assim que chegou a minha frente.
Eu estava na cozinha, a bancada repleta de caules, folhas e flores. Eu adorava a decoração do ambiente, era espaçoso, cheio de eletrodomésticos modernos e armários de boa qualidade em tons escuros que contrastavam com o mármore claro da bancada. Era uma pena não ser funcional, pelo menos não para a nossa família.
- Preciso de um favor. – sorri.
Eu queria aquelas flores que encontrei em nossa última caçada. Eram parecidas com Gérberas, eram de um vermelho bonito um pouco puxado para o rosa. E ali perto também tinha Arruda! Será o verde que está faltando e ainda com um cheiro delicioso!
Edward riu assentindo aos meus pensamentos, porém antes que ele pudesse dar um passo para a saída seus olhos ficaram perdidos em algum pensamento que ele escutava. Estranhei já que estávamos apenas nós dois em casa. As meninas estavam no shopping com Bella, Carl no trabalho... Talvez Emmett e Jasper que foram até Seattle pegar alguns documentos com J. Jenks devam estar voltando.
- Algo errado?
- Carlisle está voltando mais cedo para casa.
- Oh! O que aconteceu?
- Nada. Não se preocupe. – seus olhos sorriram para mim antes de completar. – Parece que as coisas estão sossegadas no hospital e ele resolveu chamar Charlie para conhecer o resto da família.
- Charlie está vindo também?
- Sim, ele está há alguns metros do carro de Carlisle.
- Bem, ele havia comentado que o chamaria para nos visitar, mas não imaginei que fosse tão rápido.
- Carl está preocupado porque Charlie parece ser alguém muito fácil de ter amizade. Os dois se deram muito bem. Mas Charlie aparenta guardar tantos segredos que ele não sabe se pode confiar.
Bufei injuriada com meu esposo. Não era dessa forma que se fazia uma nova amizade! É preciso paciência. Se ele guarda segredos, uma hora, ele se sentirá a vontade o suficiente para contá-los. Pedir para o filho leitor de mentes descobrir os mistérios de seu colega era... Indecente! Tanto com Charlie quanto com Edward.
- Ele só está tentando proteger nossa família. – meu filho intercedeu suavemente.
- Isso é errado.
- Bem... Não é como se eu conseguisse ter uma leitura fácil.
Cerrei meus olhos sem compreender sua expressão confusa e levemente divertida.
- É como mudar as estações de rádio, mas sem dar tempo o suficiente para saber a programação. Os pensamentos dele são tão rápidos que eu só consigo captar palavras soltas. Nada faz sentido. – agora ele parecia preocupado. – Sei que não concorda com o que o pai está querendo, mas eu nunca escutei pensamentos desta forma.
- Talvez seja por causa da idade dele.
- Ou porque ele saiba que eu leio mentes e está tentando esconder alguma coisa.
- Todo mundo esconde alguma coisa. – retruquei teimosamente.
Pelo que ele contou, Charlie tinha milênios de idade! Quantas histórias ele deve ter vivido? Todo mundo tem tristezas e arrependimentos na vida, e algumas coisas simplesmente não se devem ser jogadas no ar como uma conversa sobre o tempo. As pessoas têm o direito de manter seus segredos. Deus sabia quantos eu mesma tinha! E as vergonhas?! Deus! Eu não tinha coragem de falar sobre muitas coisas das quais eu vivi quando humana.
Edward me olhou envergonhado, seus ombros caindo em tristeza. Eu odiava seu dom às vezes.
- Desculpe.
- Não me peça desculpas. – bufei. – Eu odeio o seu dom não por você saber meus segredos, mas porque sei que muitos pensamentos o magoam Edward. Eu sei que você não pode controlar e sei também que você é educado e gentil o suficiente para não comentar as nossas mais profundas e íntimas reflexões.
- Mas não deixa de ser inconveniente. – sorriu tristemente.
- Não, não deixa. – devolvi com o mesmo sorriso antes de segurar seu rosto entre as minhas mãos e puxá-lo para baixo para conseguir beijar sua testa. – Cumprimente Charlie e depois vá buscar minhas plantas.
- Sim senhora.
Dei as costas para ele para ajeitar a bagunça que havia deixado na cozinha. Meu arranjo de flores e ervas ficaria lindo na mesa da sala de jantar, ou talvez eu o colocasse na sala de estar sobre o piano. Sim! Seria um local melhor. Sem contar que com as grandes janelas a luz bateria nas plantas trazendo um ar mais aconchegante ao nosso lar.
Minha divagação foi interrompida quando escutei a conversa animada dos dois homens prestes a entrar em casa. Sorrindo segui para a entrada.
- Olá Esme! É bom lhe ver novamente. – disse Charlie estendendo-me a mão, mas quando fui cumprimentá-lo notei que havia me esquecido de tirar as luvas.
- Ah! Desculpe, estava trabalhando com as flores.
Ele me mandou um sorriso conhecedor, quase íntimo, que me fez esquecer um pouco do porque eu discordava da ideia de Carlisle e começar a pensar que talvez saber os segredos dele fosse importante. Escutei o riso de Edward quando ele se aproximou estendendo sua mão.
- Olá, eu sou Edward.
- É um prazer. – o sorriso de Charlie não se abalava.
Seguimos para a sala após meu esposo me cumprimentar com um singelo beijo nos lábios.
PDV Edward
- Carlisle me contou que você fez toda a decoração da casa, Esme. Meus parabéns, você fez um adorável trabalho. – disse Charlie antes de se sentar numa das poltronas da sala.
Minha mãe rapidamente descartou os pensamentos desconfiados que teve a pouco e agradeceu animada ao elogio deixando-se levar pela paixão que sentia pela arquitetura e design de interiores. Carlisle também entrou no assunto com igual animação.
Já eu me mantive em silêncio. Sentado no banco do meu piano eu apenas observava. Eu concordava com Esme que não era certo investigar a mente de nosso novo "amigo", mas também dava razão às desconfianças de meu pai. Algo não se encaixava. E agora, com meus poderes o tendo dentro de seu alcance, eu estava ainda mais desconfiado. As palavras eram tão soltas e as imagens tão misturadas que eu me sentia em um daqueles brinquedos de parque de diversão que ficam girando e girando. Juro que meu estômago chegou a embrulhar.
- Sinto muito garoto. – a voz de Charlie Swan soou clara em minha cabeça e isso me deu a certeza de que toda aquela confusão era proposital.
Eu sentia um misto de irritação e admiração por tamanho controle. Tive vontade de jogá-lo contra a parede e exigir saber qual era a dele, afinal. Mas meus planos não se concretizaram, pois Emm e Jazz chegavam fazendo alarde.
Jasper tinha em suas mãos um envelope pardo com, provavelmente, os documentos falsos que precisaríamos para a matrícula na escola. Minha atenção durou poucos segundos em meu irmão, pois eu queria saber a reação de Charlie ao notar as cicatrizes de guerra do ex-soldado. Para a minha decepção e agonia não houve qualquer mudança na expressão ou nos pensamentos do vampiro, nem mesmo quando Jazz se aproximou para cumprimentá-lo.
Sentindo minha inquietação Jasper perguntou-me por pensamento o que estava acontecendo. Respondi silenciosamente dando de ombros, meu olhar continuou fixo no visitante. Compreendendo meu sinal ele apenas caminhou e sentou-se no sofá ao lado de Esme. Seus poderes atentos aos sentimentos de Charlie. Bem, se eu não conseguia captar a verdade em seus pensamentos talvez seus sentimentos pudessem dar uma pista de quem ele realmente era.
- Então... Quanto tempo levou para não matar um de seus pacientes? – e esse foi o jeito de meu irmão idiota se apresentar.
- Emmett! – o coro repreensivo soou na sala, mas o vampiro ancião apenas sorriu com diversão.
- Tenha certeza que muito mais tempo do que o seu pai. Se meus cálculos estão certos levei quase um milênio. – deu de ombros. – Na época eu não costumava me importar muito com tempo.
Ok, meu irmão era um completo imbecil às vezes, mas tenho que admitir que sua completa falta de noção além de quebrar o gelo abriu um leque de oportunidades para explorarmos o passado de Charlie sem que transformássemos aquela visita em um interrogatório policial.
- Então você descobriu essa dieta sozinho, assim como Carlisle? – perguntou Jasper.
Jazz estava cheio de desconfianças em sua cabeça, ele não conseguia compreender os sentimentos de Charlie, pelo menos não em relação ao nosso pai. Ele captava admiração, um sentimento compreensível, mas também captava lealdade e nostalgia, sentimentos que não faziam sentido em relação a alguém que conhecia há tão pouco tempo.
- Não exatamente, um amigo ajudou-me.
A mente do médico ainda parecia estar ligada no 220V.
- É engraçado nunca termos ouvido falar de você antes. – comentei tentando manter meu tom casual. Esme gritou uma reprimenda por pensamento, mas ignorei, eu queria uma reação do vampiro milenar, mas tudo o que ele demonstrou foi diversão. – Até mesmo os Volturi se surpreenderam quando Carlisle apresentou sua dieta. – continuei com o tom ameno.
Todo vampiro conhecia e temia os Volturi. Eles controlam nossa espécie desde sempre. Todos nós sabemos o quão letais eles podem ser. E me era extremamente estranho de que nem Carl nem eu tenhamos ouvido nenhuma história sobre o Swan ou sobre os lunares no tempo em que passamos com a "realeza" vampiresca.
- Interessante! – exclamou meu irmão em pensamentos, pois os sentimentos de Charlie que até então eram tranquilos de repente se transformaram em irritação. A expressão dele também pesou e ele me fitou com intensidade.
- Oh! Acredite, eles sabem muito bem quem eu sou. Só não têm certeza se eu estou vivo ou não. – o tom era cortante e um arrepio subiu pela minha espinha.
Para o meu espanto eu consegui captar um pensamento. Era uma lembrança. Aro, o líder dos Volturi, vestia roupas estranhas, não sei dizer se eram antigas ou extremamente modernas, não era nada parecido com o que eu via nos pensamentos de Alice sobre história da moda. Parecia uma espécie de roupa militar, branca e bordô. Em seu peito um broche em forma de meia lua com uma espada atravessada nela. Os longos cabelos de Aro estavam presos e ele parecia muito mais descontrolado do que quando o vi pela última vez, parecia... Jovem. Mas lá estavam os olhos mentirosos e traiçoeiros.
- Eu juro meu rei, não planejei nada contra a sua filha! – o Volturi parecia ofendido. – Vamos Charlie, diga a ele.
- Não dirija suas palavras a mim! – rugiu furioso. – Você, mais do que ninguém, sabe muito bem manipular meus poderes.
Franzi o cenho com a memória. Eu não tinha o poder de Jasper, mas juro que pude sentir a raiva de Charlie por Aro.
A lembrança durou poucos segundos, mas me provocou diversas perguntas. Minha resistência em simpatizar com ele diminuiu um pouco e eu me deixei levar por minhas curiosidades.
- Eu não entendo, se Aro conheceu e viveu na Lua, porque então sempre desmentiu a lenda?
- Você consegue enxergar os Volturi se submetendo a alguém? – neguei apenas com um aceno. – Então aí está sua resposta. Se eles deixassem que a história de que existem criaturas tão poderosas capazes de fazê-los ajoelhar se espalhasse, então não teriam completo domínio sobre nosso mundo.
- Ei Edward! Pare de dar spoilers! Quero saber toda a história e ser pago pelo Jazz, porque eu sempre estive certo! Os lunáticos sempre existiram! – reclamou Emmett sorrindo de maneira infantil.
Charlie riu levemente. Emmett era o rei do constrangimento.
- Na verdade o nome correto é lunares. Se chamar qualquer lunar de lunático ele provavelmente ficará um pouco ofendido.
- Oh! Desculpe. – deu de ombros sem realmente se preocupar, ele era incorrigível.
Desde que fui transformado por Carlisle o mundo vem me surpreendo por suas peculiaridades. Saber que vampiros existiam foi... Assustador. Saber que eu me transformei em um foi estranho. Porém a companhia e paternidade de Carlisle fez-me seguir minha vida da melhor maneira que podia. É verdade que tive meus tempos rebeldes, mas isso tudo foi por causa de meus poderes que revelavam pensamentos que me deixavam doente de raiva.
Mas conforme nossa família foi crescendo tudo foi melhorando. Ter Esme como mãe era como sempre ter um colo para deitar. E meus irmãos deixavam tudo mais divertido.
- Ainda me parece surreal toda essa história de povo da Lua. – comentou Jasper.
Charlie colocou a mão no bolso e mexeu rapidamente em seu celular. Em seguida jogou o aparelho para o loiro.
- Daniel mandou-me o vídeo há alguns dias. Ele esta ensinando sua filha.
Emmett e Jasper se amontoaram para assistir o vídeo. Pelas mentes eu pude ver uma garotinha com um grande sorriso e olhos profundamente azuis acenando para a câmera.
- Olha vovô o que eu aprendi a fazer! – disse alegremente antes de virar-se de costas e começar a correr.
Uma forte luz brilhou nas costas da menina e asas brancas cresceram delicadas e bonitas. Logo ela saía alguns metros do chão e virava-se novamente para câmera.
- Não tão alto Bruna. – reprendeu a mulher que filmava.
A garotinha começou a mexer suas mãos com estranha leveza, seu rosto transformou-se em concentração até que uma bola de água formou-se a sua frente. Ela sorriu levada antes de movimentar as mãos rapidamente gesticulando um empurrão na bola de água.
A câmera movimentou-se rapidamente e mostrou o exato momento em que a água atingia um homem.
Ele estreitou os olhos, mas não pode esconder o sorriso.
- Então é assim que trata o seu pai! – reclamou antes de sorrir da mesma maneira que sua filha e então mexeu os braços de maneira sutil.
A câmera voltou a filma a menina que agora gargalhava de ponta cabeça no ar.
- Não é justo papai! – reclamou entre risos.
A mulher que filmava também riu antes que o vídeo terminasse.
Meus olhos cresceram em surpresa. É verdade que as lendas diziam que os lunares eram capazes de manipular elementos naturais, mas ver deste modo era surpreendente. Mais uma vez uma lembrança sobressaiu entre as diversas de Charlie. Era o homem que apareceu na filmagem, mas ele aparentava ser ainda um adolescente.
- Não é justo pai! Eu prometo controlar minha força!
- Como prometeu não entrar em brigas?
- Foi aquele idiota quem começou!
- Talvez quando aprender a controlar seu temperamento.
- Não é justo! – o garoto virou-se e saiu pisando duro enquanto Charlie ria levemente.
- Eles têm grande carinho por você. – comentei enquanto meus pais tinham a sua vez assistindo ao vídeo.
Charlie sorriu e disse por pensamento.
- Eu nunca pedi que me chamassem desta forma, mas eles simplesmente passaram a me ter como pai.
- Você não parece confortável com isso.
- Porque não estou. Sinto como se estivesse traindo a confiança de meus velhos amigos.
- Sabe que isso não é verdade. – eu sabia um pouco sobre o que era amar pais adotivos mesmo amando meus pais biológicos.
Ele deu de ombros e respondeu em voz alta.
- É como me sinto.
Charlie sorriu para a minha família que parecia muito mais a vontade e entretida com o celular.
- É como um anjinho. – pensou minha mãe encantada.
- Você parece conhecer todos os nossos poderes, isso é meio injusto. Qual é o seu? – perguntei amigável.
- Ele não é tão interessante quanto os de vocês. Eu apenas tenho uma espécie de radar que avisa quando alguém está mentindo. Na verdade é bem irritante às vezes.
Franzi o cenho.
- Então como poderia ser manipulado?
- Oh! Você viu aquilo... – suspirou. – Meu radar apita para mentiras diretas. Por exemplo, se você disser que a camisa de Carlisle é amarela o meu radar vai apitar, pois ela é branca. Mas se você disser que o Emmett caçou um coelho ontem, sendo que você não o viu caçando, mas acha que isso aconteceu, meu radar continua silencioso. Ou então se alguém lhe conta uma mentira e você a repete para mim, eu também não identificarei. – sorriu. – Há ainda o caso das omissões, se você editar algum fato eu não posso dizer se você está escondendo algo ou não, pelo menos não usando meus poderes.
- Aro tentou algo contra a princesa da Lua?
- Eu nunca consegui provar. Na época, ele era o Chefe da Guarda Real e... Bem, nós tínhamos um passado. O rei achou que eu estivesse sendo imparcial. – deu de ombros sem dar mais detalhes. Minha curiosidade me impelia a tentar me aprofundar em sua mente, mas era como nadar em um mar revolto, por mais força que eu fazia para ir adiante eu era empurrado para fora.
- Então a Lua realmente vivia uma monarquia. – interessou-se Jasper. – E Aro Volturi era, o que seria hoje, um secretário de segurança?
- Algo assim. – era a primeira vez desde que chegou que ele parecia desconfortável com o rumo da conversa e como para provar seus pensamentos tornaram-se ainda mais acelerados.
Fechei meus olhos instintivamente. O enjoo voltou. Acho que estava na hora de eu me retirar.
- Irei buscar o que me pediu, Esme. – informei rapidamente e disparei para os fundos da casa. Em poucos minutos eu já não escutava mais ninguém. Suspirei em alívio e comecei a procurar as plantas para mamãe.
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No próximo capítulo teremos muuita coisa acontecendo. Se preparem que teremos algumas palavras afiadas, trocas de farpas, confusão, perigo, uma luta ou duas e claro... O encontro entre Edward e Bella ^^
Próxima postagem: 05/03/2017
