Personagens de Stephenie Meyer. História de Tessa Dare.


CAPÍTULO OITO

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"Você precisa ficar longe de mim. Mantenha distância."

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Aquele beijo podia ser o fim de tudo, Edward sabia. Tinha sido completamente tolo ao beijar a Srta. Isabella Swan, colando o seu corpo esguio ao dele, enquanto se deliciava com o tênue sabor de groselha em seus lábios, e aquilo poderia ser o fim de tudo. O fim de todos os seus planos, de sua carreira militar... Talvez o fim dele, e ponto final.

E se esse fosse o caso, se ele tivesse apostado impulsivamente todo seu futuro em um beijo proibido... Ele bem que podia ir mais devagar e fazer a coisa direito.

Ele deixou sua boca pairar sobre a dela. Isabella não tinha sido muito beijada. Pelo menos não da forma certa. Dava para ver pela maneira como ela tinha dificuldade para reagir. Ela não possuía aquela formação, mas demonstrava grande aptidão natural. Edward segurou o pescoço dela com uma mão.

- Suavemente, amor... Deixe eu mostrar pra você.

Com seus lábios ele provocou os dela, roçando-os de baixo para cima. E outra vez... E então mais uma, persuadindo sua boca a se abrir. Ela se retraiu ao primeiro toque da língua dele, mas Edward a segurou firme até o susto passar. E então a provou... O suave, doce deslizar de sua língua contra a dela fez com que ele gemesse de satisfação.

Sim, ele lhe disse sem palavras. Sim... De novo...

Desde que se encontraram pela primeira vez, Edward suspeitou de que aquela mulher era uma sedutora disfarçada, e agora Isabella mostrava que ele tinha razão, com cada toque de sua língua contra a dele. Sua falta de experiência apenas melhorava tudo. O modo como ela agarrava sua camisa, perseguia sua língua, deslizava o dedo enluvado pelo contorno de seu rosto não barbeado... Ela estava inventando cada uma daquelas pequenas intimidades e agia guiada por um desejo puro, instintivo. Aqueles não eram movimentos que ela praticava em outros homens. Eram apenas dele.

Ele aprofundou o beijo, mantendo o ritmo firme e constante. Cada vez tomando-a mais um pouco, indo apenas uma fração além. Da mesma forma que ele faria amor com ela.

Assim que o pensamento emergiu em sua cabeça, Edward o tomou para si. Ele tinha que fazer amor com ela. Algum dia... Não naquela noite. Ela apenas aprenderia a beijar naquela noite. Isabella não estava pronta. Ele, por outro lado, sentia-se absolutamente pronto. Pronto, desejoso e capaz. Em um movimento irracional, instintivo, ele a apertou contra sua virilha dolorida. Se ela conseguiu sentir a evidência abundante da excitação de Edward, não se intimidou. Seus seios transmitiam maciez e calor ao peito dele, enquanto ela se entregava ao beijo.

Baixando a cabeça, Edward beijou seu pescoço, sua orelha, perdendo-se em seu perfume. A pele dela cheirava a ervas, e seu sabor... era uma lembrança. A lembrança de um dia distante de verão. Sol quente, água fresca e cristalina, grama alta e brisa delicada. Tudo de bom, real e novo. Até o nome dela era uma música especial.

- Isabella... - sussurrou ele, junto à orelha dela.

Ela suspirou em seus braços, como se amasse o som de seu nome nos lábios dele. Então ele repetiu e murmurou aquela melodia leve, obstinada.

- Isabella. Linda Isabella. - Ele passou o nariz por sua orelha, depois a prendeu entre os lábios, beijando o lóbulo delicado. Seu breve arfar atiçou o desejo dele.

Ela o fazia querer mais... Demais. Droga, ela fazia Edward ansiar. Ele a beijou novamente, demorando para saborear seus lábios carnudos, suculentos, antes de enfiar a língua entre eles. Dessa vez, ele mergulhou mais fundo, exigiu mais. Isabella produziu um miado no fundo de sua garganta, que foi mais uma exigência erótica do que um gemido. Seu beijo agora tinha urgência e uma doce frustração. Ele podia saborear o quanto ela desejava seu toque, e saber disso o enlouquecia.

Tudo aquilo a partir de simples beijos, com os dois totalmente vestidos. Bom Deus! Ele desceu uma das mãos pelo braço de Isabella e segurou a extremidade de sua luva. Aquelas luvas de cetim o deixavam louco de desejo, com suas intermináveis fileiras de botões e costuras. Do jeito que estava, ela mal conseguia conter sua paixão. O que aconteceria se as luvas fossem retiradas? Ele soltou o primeiro botão com um toque de seu polegar.

- Lorde Cullen. - disse ela, rouca.

- Edward. - ele a corrigiu, soltando outro botão. - Depois de um beijo desses, você deve me chamar de Edward.

- Edward, por favor.

- Com prazer. - Ele beijou novamente seus lábios, deslizando os dedos por baixo do cetim desabotoado.

As mãos dela deslizaram para o peito dele, que Isabella empurrou com força.

- Lorde Cullen. Por favor.

O tom desesperado na voz dela o surpreendeu. Ele baixou os olhos e a encontrou com a expressão aflita e o lábio inferior tremendo. Seus olhos estavam abatidos. Edward imediatamente sentiu falta deles. Se ele passava tanto tempo pensando nos olhos de Isabella, era porque em cada interação que tiveram, ela o encarava diretamente nos olhos. Destemida e orgulhosa. Até naquele momento. Droga, e lá estava ele, certo de que ela estava gostando. Ele não era do tipo que forçava uma mulher a fazer o que não queria.

- Isabella? - Ele esticou a mão e segurou o queixo dela, levantando seu rosto.

Os olhos dela estavam arregalados e suplicantes, e o coração dele deu um pulo estranho. Desejo e honra duelavam. Ele a queria, sim, mas ela também queria protegê-la. Imaginou brevemente se aquilo significava que ele era um hipócrita. Não, ele decidiu. Significava apenas que ele era um homem.

- Eu... - Bella abriu os lábios, como se fosse falar.

Aquilo queria dizer que ele precisava escutar. Edward lutou para aquietar o desejo que corria por suas veias, para que pudesse entender as palavras dela por sobre as batidas furiosas de seu coração.

- Meu pai... - suspirou ela.

O pai dela.

Ele sentiu o estômago apertar e a soltou imediatamente. Aquela era a cura instantânea para seu desejo. De alguma forma, por um minuto inteiro e desastroso, ele tinha conseguido se esquecer completamente de Sir Charlie Swan. O bom amigo de seu falecido pai. Um herói nacional. O homem que tinha o destino de Edward em suas mãos. Como ele poderia ter esquecido? A resposta era simples: depois de Edward tomar a decisão de beijar Isabella e de beijá-la de verdade... Não sobrava espaço em seu cérebro, seus braços ou coração para qualquer outra coisa que não ela.

Aquele beijo o consumiu por inteiro. E não podia, não iria acontecer de novo.

- Ah, meu Deus. - murmurou ela, ajeitando o cabelo desalinhado. - Como isso aconteceu?

- Não sei. Mas não vai acontecer novamente.

Isabella olhou de forma enviesada para ele.

- É claro que não. Não pode acontecer.

- Você precisa ficar longe de mim. Mantenha distância.

- Nossa, claro! - As palavras dela saíram apressadamente. - Vou manter muita distância. Vou ficar longe de você. E você mantenha seus homens longe das minhas garotas, certo?

- Perfeitamente. Estamos combinados, então.

- Ótimo. - Os dedos trêmulos de Isabella tiveram trabalho para abotoar novamente as luvas.

- Quer ajuda com isso?

- Não. - respondeu ela, incisiva.

- Você... - Ele pigarreou. - Pretende contar sobre isso ao seu pai?

- Sobre isso? - Ela olhou para ele, horrorizada. - Céus, claro que não. Está louco? Ele nunca poderá saber disso.

Uma onda de emoção passou por ele, e se foi antes que Edward pudesse identificá-la. Alívio profundo, ele supôs.

- É só que... você falou nele. Antes...

- Falei? - Ela franziu a testa. - Falei. Não fale com meu pai, era o que eu queria dizer. Não fale a respeito de hoje, nem de nada. Quando ele propôs essa coisa da milícia, eu pensei que fosse apenas uma exibição, mas depois de ver tudo isso... - Ela voltou os olhos para o armamento. - Por favor, não o inclua nisto. Ele pode querer se envolver, mas você não deve permitir. Ele está ficando velho e sua saúde já não é a mesma. Não tenho nenhum direito de pedir qualquer coisa a você, mas isso eu preciso pedir.

Ele não saberia como recusar.

- Muito bem. Você tem minha palavra.

- Então você tem meu muito obrigada.

E aquilo foi tudo o que Edward conseguiu dela. Pois com aquelas poucas palavras, ela se virou e foi embora.

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Naquela noite, como acontecia na maioria das noites, Isabella jantou sozinha.

Após o jantar, ela se vestiu para dormir. Sabendo que não conseguiria, ela escolheu um livro; um texto médico pesado, soporífero. Ela tentou ler, mas fracassou terrivelmente. Após ficar encarando a mesma página por mais de uma hora, ela se levantou da cama e desceu até o térreo da casa.

- Papai? Ainda está trabalhando?

Ela desceu os braços até a altura dos quadris e puxou o penhoar, apertando-o, e olhou para o relógio do vestíbulo, com ajuda da vela que carregava. Passava de meia-noite.

- Papai? - Ela pairou sobre a entrada da oficina de seu pai, situada no térreo de Summerfield.

Até poucos anos atrás, Sir Charlie usava uma casa anexa como lugar para suas experiências, mas ela o convenceu a transferir suas atividades para a casa principal na mesma época em que o convenceu a desistir das experiências de campo. Ela gostava de tê-lo por perto. Quando estava trabalhando, seu pai frequentemente ficava recluso por horas, até mesmo dias. Pelo menos dentro de casa ela conseguia ver se ele estava se alimentando. E ele não estava... Pelo menos não naquela noite. A bandeja com o jantar permanecia, intocada, sobre a mesa junto à porta.

- Papai. O senhor sabe que precisa comer algo. O gênio não consegue se alimentar de ar.

- É você, Bella? - Ele ergueu a cabeça grisalha, mas não olhou para ela. A sala estava repleta de mesas de trabalho de diferentes tipos. Uma bancada de marceneiro, com plainas e um torno; uma estação de solda... Naquela noite, ele estava sentado à bancada de projetos, em meio a rolos de papel e restos de carvão de desenho.

- Sou eu.

Ele não a convidou a entrar, e ela sabia que não devia entrar sem um convite explícito. Sempre foi assim, desde que ela era uma garotinha. Quando o pai estava concentrado, não podia ser interrompido; mas, se ele estivesse trabalhando em algo trivial, ou frustrado a ponto de lançar as mãos para cima, ele a convidava a entrar e a colocava sentada no joelho. Ela ficava ali com ele, então, maravilhada com os desenhos e cálculos confusos. Aquilo tudo era grego para ela. Na verdade, era mais complicado, pois em uma tarde chuvosa ela havia aprendido sozinha o alfabeto grego. Ainda assim, ela adorava ficar sentada com ele, debruçada sobre os projetos, sentindo-se parte de segredos misteriosos e da história militar enquanto esta era escrita.

- Você precisa de algo? - perguntou ele, e Isabella reconheceu o tom ausente de sua voz. Se ela precisasse conversar sobre algo importante, ele não a dispensaria, mas Sir Charlie não queria interromper seu trabalho por banalidades.

- Não quero interrompê-lo, mas hoje vi Lorde Rycliff. Na vila... Nós conversamos. - E então eu o segui até o castelo, onde nossos lábios colidiram. Várias vezes.

Deus. Ela não conseguia parar de pensar naquilo. O rosto barbado, os lábios fortes, as mãos firmes em seu corpo. O sabor dele... Isabella aprendia uma coisa nova todos os dias, mas aquela era a primeira vez que experimentava o gosto de uma pessoa. Aquele segredo a devorava por dentro, e ela não tinha para quem contá-lo. Nenhuma alma. Não tinha mãe nem irmã. A vila estava cheia de mulheres, cujas confissões ardentes ela ouvia inúmeras vezes; mas, se ela confiasse na pessoa errada e seu momento de fraqueza se tornasse de conhecimento público, todas aquelas moças seriam chamadas de volta a suas casas. Ela corria o risco de perder cada amiga que tinha.

Ela bateu a cabeça de leve no batente da porta. Idiota, idiota!

- Parece que os planos de Rycliff para a milícia já estão tomando forma. Achei que o senhor gostaria de saber.

- Ah. - Ele rasgou uma folha de papel no meio e puxou outra de uma pilha. - É bom saber disso.

- Como você o conheceu, papai?

- Quem, Cullen?

Edward. Depois de um beijo desses você deve me chamar de Edward. Um arrepio percorreu seu corpo.

- Isso.

- O pai dele foi meu colega de escola. Depois tornou-se general, muito condecorado. Viveu na Índia durante a maior parte de seu tempo no exército e morreu lá há não muito tempo.

Uma pontada de compaixão atingiu o coração de Isabella. Será que Edward ainda estava de luto pelo pai?

- Quando foi isso?

O pai ergueu a cabeça, apertando os olhos para enxergar uma distância imaginária.

- Já deve fazer mais de um ano.

Não era tão recente, então. Mas a tristeza podia durar mais de um ano. Bella detestou pensar durante quanto tempo choraria por seu pai, caso ele morresse inesperadamente.

- O senhor conheceu a Sra. Cullen?

Com um estilete, ele apontou o toco de lápis e recomeçou a escrever.

- Encontrei-a algumas vezes, sendo que na última, Edward ainda era criança. Então eles foram para a Índia, e isso foi o fim dela. Disenteria, eu acho.

- Céus. Que trágico.

- Essas coisas acontecem.

Isabella mordeu o lábio, sabendo que ele se referia à mãe dela. Embora tivesse morrido junto com o filho natimorto havia mais de uma década, Renée Swan continuava viva na memória de Bella: linda, infalivelmente paciente, bondosa e alegre. Mas seu pai tinha dificuldades para falar dela. Para mudar de assunto, ela disse:

- Devo pedir à Sue que lhe traga um bule de chá novo? Café ou chocolate, talvez?

- Isso, isso... - murmurou ele, inclinando a cabeça. - O que você achar melhor.

Outra folha de papel foi parar no chão, amassada em uma bola. A culpa beliscou a nuca de Isabella. Ela o estava distraindo de seu trabalho. Ela sabia que deveria ir embora, mas algo não a deixava sair. Ela se encostou no batente da porta e ficou observando seu pai trabalhar. Quando garota, se divertia com a forma como ele contorcia o rosto enquanto trabalhava. Se uma testa enrugada podia extrair ideias de um papel em branco, ele deveria receber um raio divino de brilhantismo... Agora!

- Ahá! - Ele puxou uma nova folha de papel. Sua mão deslizava para frente e para trás, rabiscando linhas de texto e cálculos.

A genialidade tinha um ritmo, Bella havia observado, e seu pai, naquele momento, assumia essa cadência. Os ombros curvados, sustentando o mundo. Nada que ela dissesse poderia chamar sua atenção, a não ser, talvez, se gritasse "Fogo!" ou "Elefantes!".

- Sabe, pai... - ela disse, como quem não queria nada. - Ele me beijou hoje. Lorde Cullen. - Ela fez uma pausa e então, para testar o nome em seus lábios, acrescentou: - Edward.

- Hum-hum.

Pronto. Ela havia contado para alguém. Não importava que a informação tivesse passado por cima da cabeça de seu pai como um tiro de mosquete. Pelo menos ela havia falado em voz alta.

- Pai? - A única resposta foi o som do lápis no papel. - Eu não fui totalmente sincera. Na verdade, Edward primeiro me beijou ontem. - Ela mordeu o lábio. - Hoje... hoje foi algo muito maior.

- Ótimo. - murmurou ele, distraído, passando a mão pelo que restava de seu cabelo. - Ótimo, ótimo.

- Não sei o que pensar dele. Ele é rude e mal-educado e quando não está me mandando embora, está me tocando em lugares onde não deveria. Não tenho medo dele, mas quando está perto de mim, eu... eu tenho um pouco de medo de mim mesma. Sinto como se eu fosse explodir.

Ela deixou passar alguns segundos. O som do lápis continuou.

- Ah, papai. - Ela virou o corpo, apoiando a testa no batente. Bella enrolou na mão a faixa do penhoar. - Não quero que o senhor fique preocupado. Não vai acontecer de novo. Não sou uma dessas garotas bobocas, volúveis, que ficam com febre quando os soldados passam. Não vou deixar que ele me beije de novo, e sou inteligente o bastante para saber que não posso deixar um homem desses chegar perto do meu coração.

- Exato. - murmurou o pai, sem parar de escrever. - Isso mesmo.

Exato. Isso mesmo.

Não importava o quanto Lorde Cullen a intrigava, atraía, beijava, ela devia mantê-lo à distância. Sua paz interior e sua reputação dependiam daquilo, e as mulheres de Spindle Cove dependiam dela. Bella inspirou profundamente, sentindo-se aliviada e decidida.

- Estou feliz por ter conversado sobre isso com o senhor, pai.

Então ela pegou a faca e o garfo na bandeja e cortou a carne assada em fatias finas. Em seguida, ela abriu um pãozinho e colocou a carne dentro. Quebrando o acordo tácito, ela entrou na área de trabalho e circulou a mesa dele na ponta dos pés. Ajeitou o sanduíche perto do tinteiro, na esperança de que seu pai acabasse por reparar nele.

- Boa noite. - Em um movimento impulsivo, ela se debruçou sobre a escrivaninha e beijou o alto da cabeça dele. - Por favor, lembre-se de comer.

Ela já tinha chegado à porta quando o pai respondeu. E as palavras vieram na mesma voz distante, como se ele estivesse falando com ela do fundo de um poço abismal.

- Boa noite, minha querida. Boa noite.


kkkkkk Charlie, Charlie... Você parece meu marido quando está no joguinho de dinossauros dele. A menina confessou que "manchou a honra" (pela época né) e você aí no 'Ótimo, tudo bem, sem problemas' hahaha

Quem ai acha que ela realmente vai conseguir manter distância do Lorde, huh? Quem será que ela engana? kk