Bad Things
por E , para T.
IX.
Jensen demorou um bom tempo para voltar a si. Foi só após Genevieve ter fechado a porta, deixando Jared e ele para trás, que Jensen conseguiu se recompor — não muito, mas o suficiente para evitar uma crise ali no meio da cozinha. Percebeu que sua respiração estava descontrolada como se ele tivesse dado várias voltas pelo quarteirão, tanto que podia sentir que seus batimentos cardíacos estavam muito mais agitados do que o habitual.
Estava petrificado, para ser bem honesto.
Suas mãos estavam geladas e Jensen mal piscava os olhos, porque estava completamente petrificado por um desespero e medo que ele nem sabia ser capaz de sentir.
Seu sangue gelou nas veias quando bateu os olhos em Genevieve. E, agora, após tudo o que a garota havia dito a Jared — a Jensen —, ele sentia vontade de vomitar.
Ela os havia visto.
Não era mais segredo, alguém os havia visto juntos.
E não qualquer pessoa, mas sim a ex-namorada de Jared; magoada, machucada, traída. Ela os tinha visto justos. Jensen não fazia à mínima ideia do que ela seria capaz de fazer com essa nova informação.
Foi obrigado a parar de pensar nisso quando Jared parou à sua frente, de costas para ele, encarando a porta e passando a mão no cabelo de maneira inquieta e abalada. Ele respirou fundo, voltando-se para Jensen. O coração do loiro partiu-se ao meio quando ele observou seu amante e melhor amigo.
Jared parecia estar devastado.
Padalecki era um amor de pessoa; ele era aquele amigo que você podia contar para todas as horas. Ele sempre estaria lá quando você precisasse dele. Ele era gentil, amoroso, carinhoso; se importava com as pessoas; se importava com o que elas pensavam dele e magoá-las era algo que ele jamais faria — se pudesse evitar.
Entretanto, ele havia feito. Ele havia machucado Genevieve sem a intenção e Jensen não sabia o que dizer para melhorar a situação. Nem sabia se poderia melhorar a situação com meras palavras, parecia ser muito mais complicado do que isso.
— Eu não esperava por essa. — Jared disse, sorrindo de maneira triste. Respirou fundo outra vez para acalmar os nervos e se sentou na cadeira mais próxima, apoiando os cotovelos na mesa. Jensen o acompanhou, se sentindo esquisito. Sentindo-se um lixo e um tremendo filho da puta mesmo sabendo que não tinha culpa. Não a respeito de Genevieve, pelo menos.
Aquilo que havia acontecido entre Jared e ele tinha sido espontâneo, chegou sem aviso e tirou o controle da vida de ambos. Jared havia terminado com a garota antes que eles ficassem juntos e, sim, talvez namorá-la com a intenção de esquecer Jensen não houvesse sido a coisa mais inteligente e correta do mundo, mas Jensen realmente acreditava que Jared tinha feito tudo sem se dar conta das consequências.
E ela descobrir dessa maneira tão súbita não estava nos planos dos dois.
Jensen queria se acalmar, mas não conseguia. Só conseguia pensar que alguém sabia e que, se quisesse, Genevieve poderia destruir a vida deles.
— No que você está pensando? — Jared perguntou. Jensen balançou a cabeça, sem vontade de falar disso neste momento. — Jensen, por favor, o que é?
— É só que... — Fitou Jared, sem jeito. — Ela sabe.
O ator mais novo não pareceu compreender de primeira.
— Sim, ela sabe. — Ele disse como se fosse algo óbvio. — Meu Deus, ela sabe! Eu não queria que ela descobrisse assim... Eu nem me dei conta do que estava fazendo e... Eu fui um idiota! Eu fui um canalha com ela!
— Jared...
— Não, é verdade. Ela está certa. Eu fui um covarde em iniciar algo com ela quando estava com outra pessoa na cabeça.
— Você é humano. — Jensen contrapôs, sério. — Humanos cometem erros e fodem com as coisas. Não é culpa sua. Você não tem culpa de se sentir dessa maneira ao meu respeito. Aconteceu.
O moreno passou a mão pelos cabelos outra vez, não parecia acreditar em nenhuma palavra de Jensen. Por isso o loiro não insistiu, sabia que quando Jared ficava assim era impossível convencê-lo do contrário. Ele teria que perceber sozinho.
— Mas no que você estava pensando?
Jensen desviou o olhar, constrangido.
— Jensen...
— Ela sabe, Jared. Ela sabe. — Jensen respondeu, beirando a impaciência. Jared franziu o cenho sem compreender de primeira, mas então, após alguns segundos, a ficha finalmente caiu e ele se deu conta do que Jensen estava insinuando. Levantou-se da cadeira no mesmo instante, ficou de costas para Jensen e, quando se voltou para ele, sorria de maneira triste e incrédula ao mesmo tempo.
— Você não está achando...?
— É claro que eu estou achando! Jared, ela nos viu aos beijos! Sua ex-namorada! E se ela...?
— Não! — Jared cortou; sério de uma maneira com que Jared raramente se dirigia a ele. — Não, Jensen. A Genevieve não é assim, tá legal? Ela nunca... Ela nunca faria uma coisa dessas só pra se vingar. Eu a conheço, Jensen. Ela não é assim.
— Olha, eu sei que você...
— Não, você não sabe. Ela nunca contaria sobre nós a ninguém. Eu confio nela.
Jensen se levantou também, sentindo uma irritação e impaciência tomar conta dele. Talvez fossem apenas os nervos, por ter se desesperado com a hipótese do mundo descobrir sobre eles. Ou talvez fosse porque Jared falava de Genevieve dessa maneira tão confiante, falava de sua ex-namorada com toda essa convicção. Talvez fosse ciúme, ou não, fosse o que fosse, acabou com o pouco de humor que o loiro ainda tinha.
E ele sabia que não era justo se sentir assim traído, mas não tinha como evitar.
— Você parece ter muita certeza mesmo. Espero que não quebre a cara. — Disse acidamente, cruzando os braços de maneira petulante e infantil. Jared ainda pareceu que ia responder algo de modo grosseiro, mas optou por ficar quieto.
— Eu preciso... Eu preciso dormir. Estou exausto. — Ele não esperou resposta de Jensen, e algo em seu tom deixou claro que ele precisava dormir sozinho aquela noite, que precisava ficar sozinho para digerir tudo o que tinha acontecido. Jensen, sentindo além da irritação, uma chateação tomar conta dele também, preferiu se calar e assistir Jared deixar a cozinha e ir para o quarto.
Quando se encontrou sozinho, se sentou de novo na cadeira e encarou a mesa. Era melhor ele rezar para que Jared estivesse certo sobre o caráter de Genevieve — rezar para que ela não contasse nada daquilo a ninguém. Jensen não sabia se estava preparado para que ficassem sabendo sobre ele e Jared, aliás, ele tinha certeza que não estava preparado para uma coisa dessas. Se somente o fato de uma pessoa ter descoberto sobre eles o abalara daquela maneira, imagine só se o mundo tivesse ficado sabendo ao invés de Genevieve.
Era melhor nem pensar nisso.
Seu celular começou a vibrar em cima da mesa e Jensen teve uma sensação ruim imediatamente. Mesmo assim, pegou o aparelho para checar o visor.
Danneel.
Jensen parou de respirar, sentindo aquele desespero de antes tomar conta dele outra vez. Desde o término do namoro dos dois, Jensen não falara com Danneel. O motivo era bem simples: ela não ligara para ele e Jensen não tinha ligado para ela. Ele prezava muito a amizade de Danneel, mas tinha consciência de que era cedo demais para tentar consertar o que restou da amizade entre os dois — talvez depois de tudo aquilo, a amizade deles já estivesse totalmente acabada. Jensen entenderia se esse fosse o caso, afinal, era pedir muito esperar que Danneel voltasse a falar com ele após ter terminado com ela e confessado que a havia traído com alguém.
Então ver que ela estava ligando agora, após todo esse tempo e justamente depois de Genevieve ter descoberto sobre eles, o deixava paranoico e com medo de que a morena pudesse ter contado tudo a Dan.
Será que Danneel também sabia?
Rejeitou a ligação. Suas mãos estavam tremendo de leve, mas o suficiente para mostrar que ele estava agitado. O loiro tinha completa certeza de que não estava preparado para lidar com Danneel caso ela soubesse também. Sabia que não era a decisão mais sábia do mundo, mas tentaria evitar a ruiva o máximo que pudesse.
J&J
Naquela noite Jensen não estava conseguindo dormir, só conseguia pensar que Genevieve sabia de tudo e imaginar qual era o motivo para Danneel insistir tanto em tentar falar com ele — ela havia ligado outras vezes após a primeira ligação rejeitada, e Jensen não teve coragem de atendê-la nenhuma vez — e, também, que o clima entre Jared e ele havia ficado estranho por um motivo idiota qualquer. OK, nem tão idiota assim.
Tanto que estava em seu quarto, dormindo sozinho, porque não teve coragem de ir até o quarto de Jared com receio de ser rejeitado ou algo do tipo.
Sentia-se um idiota, aquele era Jared. Não só seu namorado, mas seu melhor amigo também. Porém, era impossível vencer aquele orgulho e procurar o moreno, tentar fazer as pazes com ele.
Afundou o rosto no travesseiro. Estava tudo tão bem nos últimos dias, tudo tão perfeito, por que é que de repente aquilo havia acontecido? Lei de Murphy, obviamente. Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará.
Jensen não era ingênuo a ponto de pensar que Jared e ele viveriam felizes para sempre dentro do armário sem ninguém saber do casinho gay deles, mas ele havia sido ingênuo a ponto de esperar que talvez eles ficassem lá por mais algum tempinho. Era cedo demais, Jensen pensou, ele não estava preparado para isso.
Deus, que Jared estivesse certo sobre o caráter de Genevieve e que Danneel o ligar fosse só uma mera coincidência.
Ele ouviu o som da porta se abrir, fechou os olhos no mesmo instante e fingiu estar dormindo. Escutou passos de alguém se aproximando e, então, por fim o colchão afundou um pouco como se alguém tivesse se sentado ali na beirada da cama. O coração de Jensen bateu forte no peito, não por medo ou receio, e sim expectativa.
— Jen? — Era Jared. Quem mais poderia ser? — Jensen? Você está acordado?
Abriu os olhos e virou-se na cama, encarando o moreno. Ele parecia péssimo, triste, Jensen notou. Odiava vê-lo daquela maneira, se sentia um inútil por não conseguir fazer nada para melhorar o humor de Jared.
O mais novo não só estava triste, como também parecia estar muito cansado.
— Eu sinto muito. — Jared disse baixinho. — Eu estava... Eu estava um pouco nervoso com a situação toda. Não quis ter falado daquela maneira com você.
Jensen se sentou na cama, passando a mão no cabelo. Respirou fundo e resolveu dizer a verdade:
— Achei que estivesse chateado comigo por ter pensado aquilo sobre a Genevieve.
— Não estou. Mas continuo achando que ela não vai contar nada a ninguém. — Jared disse, num tom baixo de voz, com receio de que ao dizer aquilo fosse chatear Jensen mais ainda. Jensen se odiou um pouco por isso; ele gostava de pensar que os dois fossem como unha e carne e que o texano mais jovem poderia dizer tudo a ele, sem receio algum.
Pensar que Jared estava com medo de dizer algo que o fosse chatear fazia Jensen se sentir péssimo.
Jensen sorriu sem tanta vontade, um sorriso cansado.
— Eu espero que você esteja certo. — Disse, tentando mostrar que não estava mais chateado com aquilo. — Vem cá. — Ele se deitou na cama, dando um tapinha no colchão em sinal para Jared acompanhá-lo.
O moreno sorriu, puxou as cobertas e se enfiou embaixo delas, aconchegando-se ao lado de Jensen. O loiro sorriu também em resposta, virando-se para que Jared pudesse abraçá-lo por trás. Sorriu mais ainda quando sentiu os braços do moreno o envolver num abraço íntimo e carinhoso; o corpo forte e caloroso de Jared junto ao seu.
— Fiquei preocupado quando você não apareceu no quarto. — Jared murmurou, beijando de leve o ombro de Jensen. O loiro tocou a mão dele em volta da sua cintura, entrelaçando os dedos.
— Achei que queria dormir sozinho.
— Não consigo mais dormir sem você. — Jared confessou. Jensen riu, divertido. — Não ligo se isso é gay demais, é sério.
O intérprete de Dean riu mais ainda.
— O que você fez ontem foi gay demais. — Ele retrucou, brincando. Sentiu-se satisfeito quando Jared riu.
— Eu? O que você fez ontem foi gay demais!
Silêncio seguido de risadas.
— Besta. — Pouco tempo depois, ele emendou, se referindo ao que Jared havia dito sobre não conseguir dormir sozinho:
— Eu também, Jared. — Achou que o moreno deveria saber disso.
Fechou os olhos, sentindo parte de seu cansaço mental ir embora, levando consigo algumas preocupações. Jared o abraçou mais forte e após algum tempo de silêncio, os dois dormiram.
J&J
A primeira coisa que Danneel Harris fez ao chegar à sua casa após ter presenciado uma cena romântica entre seu ex-namorado e o melhor amigo dele, foi chorar. Ela sabia que era patético, nunca se imaginou numa situação dessas. Escutava suas amigas lamentarem o final de namoros, ou chorarem por terem brigado com seus respectivos namorados e, por mais que Dan tentasse consolá-las e dar bons conselhos, sempre imaginou que era incapaz de sentir algo assim.
Incapaz de chorar por um homem.
Pelo visto, estava enganada, porque neste momento se encontrava na mesma situação de tantas mulheres que havia conhecido em sua vida: chorando por culpa do amor.
Sentou-se no sofá e enterrou o rosto nas mãos, soluçando e chorando copiosamente no silêncio de sua casa vazia. Era diferente de antes, era diferente de ter chorado quando Jensen foi embora tendo ciência de que o loiro a havia traído com alguma mulher, era diferente porque agora Danneel sabia toda a verdade.
Jensen a trocou pelo melhor amigo. Por um homem. Por Jared Padalecki.
A vida era mesmo uma grande ironia, pensou. Se antes ria por achar que tudo era uma grande ilusão de fãs românticas, agora se sentia um lixo porque era tudo verdade.
Há quanto tempo será que aquilo vinha acontecendo?
De repente a tristeza recebeu companhia da ira.
Danneel se levantou e foi até a cozinha, pegou uma faca e foi até o quarto. Destruiu todos os travesseiros e almofadas que viu pela frente e gritou para o nada. Se a vissem agora diriam que estava descontrolada, e ela estaria pouco se lixando, precisava extravasar a raiva em algo ou seria capaz de fazer uma loucura.
Passou um bom tempo ali sozinha na casa, chorando, gritando, chutando objetos e deixando Icarus assustado. Nem passou pela sua cabeça ligar para Genevieve, alguém que estava passando pela mesma situação que ela.
Ela ligou para Jensen, no impulso, mas ele não a atendeu. Aquilo a deixou mais furiosa ainda.
Foi só pelo fim da tarde que ela começou a pensar com mais calma.
Jensen não era gay. Tudo bem, eram atores — Hollywood, todo mundo era meio gay nesse ramo. Mas Jensen nunca, antes, havia tido experiências homossexuais, e isso ela sabia por que o conhecia muito bem. Antes de serem namorados, eram muito amigos, o tipo de amigos que contam tudo um para o outro. Ela sabia que antes de Jared, Jensen nunca havia feito uma coisa dessas.
Jared.
Jared sempre tão simpático, tão amigável, tão carinhoso; bonito, sorridente, digno de confiança e amigo para todos os momentos. Riu sozinha. Esse tempo todo ela achou que Jared fosse seu amigo, ela achou que ele fosse bom, mas a verdade era que Jared Padalecki era um grande filho da puta mentiroso. Por trás daquele sorriso de covinhas, havia um ser humano horrível. Uma pessoa detestável, mentirosa, dissimulada.
Ela tentou ligar para Jensen outras vezes, tentou falar com ele. Precisava falar com ele. Ela sabia que Jensen a amava, ele só estava confuso. Como um caso com seu melhor amigo poderia ser chamado de amor? Como aquilo poderia dar certo? Jensen só estava confuso, experimentando. Ela tinha certeza de que aquilo não significava nada.
Tinha achado ruim antes, quando achou que ele estava com uma mulher, mas por mais que pensasse que Jensen a amava e que não retinha os mesmos sentimentos pela tal fulana, ainda assim uma parte de Danneel havia temido. E se Jensen realmente amasse essa mulher com quem tivera um caso?
Poderia se sentir aliviada agora, porque um caso com outro homem era diferente. Ainda mais com um amigo. Não era amor, era curiosidade.
Sim, era simples e pura curiosidade; e Danneel o faria ver isso.
Ela passou os próximos dias se recuperando e se acalmando, tentando entrar em contato com Jensen — mas o loiro continuava a evitá-la. Ela se convenceu de que Jensen estava com medo da reação de Danneel, ela o faria ver que estava do lado dele; que iria consertar tudo aquilo e eles voltariam a ser o que eram antes.
Ela poderia perdoar algo assim.
Ela queria perdoá-lo.
Como não conseguiu falar com Jensen via telefone, tomou a decisão de ir até o set de filmagem alguns dias após o ocorrido para falar com o loiro pessoalmente. Arrumou-se da melhor maneira possível, colocou uma maquiagem e arrumou o cabelo, escolhendo aquele vestido que Jensen sempre achou que ficava lindo nela. Respirou fundo e entrou no carro, foi até lá com o pensamento otimista.
Ao chegar, ninguém a impediu de entrar já que a conheciam muito bem. Danneel Harris, a namorada de Jensen Ackles — sentiu-se orgulhosa por um momento.
Estacionou o carro e foi até o trailer do loiro, sorrindo e cumprimentando todos pelo caminho. Sentia-se bem pela primeira vez em dias e estava muito otimista, sabia que após uma conversa séria e controlada os dois poderiam resolver aquele problema e deixar aquela história para trás.
Encontrou Jensen alguns poucos minutos depois. Ele não estava no trailer, estava em frente a ele conversando com algumas pessoas da equipe de Supernatural. Sua respiração falhou quando o viu — Jensen tinha um sorriso radiante nos lábios, um brilho feliz em seu olhar. Ele estava lindo, tão lindo que o coração de Danneel apertou e ela pensou, ali, naquele instante, que o amava mais que tudo nesse mundo.
Aproximou-se sorrindo e era como se nada daquilo tivesse acontecido. As pessoas, quando a notaram, sorriram para ela: "E aí, Danneel", "Quando tempo, Dan" e o coração da ruiva bateu mais forte e seu sorriso aumentou. Ela encarou Jensen que de primeira parecia confuso com as pessoas ao seu redor, mas de repente seu olhar se encontrou com o dela e o loiro arregalou os olhos verdes, surpreso por vê-la ali. Danneel se perguntou se ele a havia visto e pensado que ela também estava linda.
— Jen. — Ela parou em frente a ele, sorrindo, a voz suave. Jensen abriu a boca, mas não disse nada por algum tempo.
— Danny. — Ele respondeu, por fim, receoso. Danneel não o culpava. Da maneira que o havia tratado no último encontro entre os dois, era aceitável que Jensen estivesse hesitante em falar com ela.
— Passei para te ver. Será que podemos entrar e conversar um pouquinho, a sós? — Ela olhou para as pessoas, sorrindo de leve. Eles não notaram nada de estranho e era, de novo, como se nenhum daqueles problemas tivessem acontecido e os dois ainda estivessem juntos. Jensen ainda pareceu hesitar, mas ao ver que tantas pessoas estavam ali, optou por concordar com ela.
O loiro indicou o trailer com o olhar e esperou que Danneel o acompanhasse. Quando estavam lá dentro, ele fechou a porta sentindo-se incrivelmente agitado e com uma vontade estranha de colocar seu café da manhã para fora. Danneel parecia calma, tranquila até, e ele não tinha muita certeza do que esperar da ruiva. Não sabia se Genevieve havia contado tudo a ela ou se Danneel apenas queria conversar e não tinha ideia do que estava rolando entre ele e Jared.
Não saber, não ter o controle da situação, o deixava mais inquieto ainda.
Ele manteve a postura séria e controlada, encarando Danneel. Ela estava muito bonita, bem arrumada, a imagem de vê-la chorando aquele dia foi apagada por essa de hoje.
— Eu... — Ele começou, sem saber muito bem o que dizer.
— Eu sei. — Ela disse, direta. Jensen franziu o cenho, confuso, então como que para acabar com quaisquer dúvidas que ele poderia ter, ela prosseguiu: — Eu estava lá com a Gene. Na verdade, eu que insisti para que ela fosse até lá comigo, queria falar com você. Mas ao ver... Bem, digamos que eu precisava de um tempo para mim mesma.
Jensen engoliu em seco. Não sabia se gostava da tranquilidade na voz de Danneel ou se preferia a ver gritando e o estapeando.
Ela sorriu de leve.
— Nós somos atores, estamos no mesmo ramo. Eu entendo o mundo artístico, entendo que talvez o artista queira se sentir livre e tentar coisas novas. Até mesmo eu me senti tentada uma vez ou outra... Jensen, o que eu estou querendo dizer é que... É que eu estou disposta a perdoar e esquecer tudo aquilo. Deixar isso tudo para trás e começar de novo.
Jensen abriu a boca, mas não disse nada, pego de surpresa pelas palavras de Danneel. A ruiva prosseguiu, mais decidida ainda, disposta a fazê-lo compreender, e ele a deixou falar talvez por não ter palavras para respondê-la:
— Mas o mundo real é outro, não é? É diferente do mundo artístico. Não é um filme. — Ela estava séria, procurando as palavras perfeitas que tocariam Jensen. E ela o conhecia bem demais, sabia o que dizer. — Você não pode se casar com o Jared e constituir uma família com ele. Oras, isso não é um livro romântico, Jen. A realidade é outra e ela é dura e cruel. Você não pode se casar com ele e formar uma família, ter os filhos que você tanto quer. Já pensou na reação do público se soubessem sobre vocês dois?
Ela fez uma pausa, mordendo de leve o lábio inferior, envolvendo Jensen com suas palavras que, infelizmente, eram verdade.
— Seria um verdadeiro inferno, Jensen. — Ela disse suavemente. — E quem sabe? De ator caminhado para o sucesso, tudo poderia acabar porque você não soube lidar com uma situação dessas. Se fosse uma mulher eu estaria preocupada, já não seria uma boa imagem para você, traição. Mas é um homem e não qualquer homem, seu amigo. Seu amigo que trabalha com você.
Jensen mordeu o lábio inferior e olhou para o lado, era como se Danneel estivesse lendo sua mente, expondo todos os seus medos em relação ao seu relacionamento com Jared. Eles nunca poderiam ter o que um casal heterossexual teria, se fossem desconhecidos já seria complicado, mas eles eram famosos. Poderia não ser um famoso ao estilo Johnny Depp ou Brad Pitt, mas as pessoas sabiam quem eles eram; conheciam seus nomes. O que estava pensando? Que poderia viver às escuras para sempre, prosseguir com aquilo em segredo?
— O que você acha que isso é? — Ela o tirou de seu devaneio. — Paixão? Amor? Não tem como ser, Jensen. É amizade, de certa forma amor. Mas não o amor de uma vida inteira. Isso se constrói, não é?
Ela estava mexendo com seu íntimo, brincando com os pensamentos que ele não queria admitir ter. Era quase uma tentação, ceder para o mais fácil. Seria tão mais simples e fácil pedir perdão, deixar Danneel acolhê-lo e terminar tudo com Jared. Seria fácil, porque dessa maneira nunca teria que correr riscos, nunca precisaria sentir medo do que aconteceria no dia seguinte.
E ele também deveria pensar em Jared, no que era melhor para Jared. Jensen era o mais velho entre os dois, de certa forma tinha mais experiência. Deveria pensar no bem estar de Jared. Deveria pensar que também seria mais fácil para ele constituir uma família com alguma garota que o amava — Genevieve, talvez —, e ter filhos e nunca precisar se preocupar com o que as pessoas pensariam ao seu respeito.
Jared...
Lembrou-se do sorriso de Jared. Lembrou-se do riso do moreno ao escutar uma piada idiota ou ver algo engraçado; de como ele sorria com sua alma e fazia todos se sentirem melhor apenas com isso, um simples sorriso. Jensen amava tanto quando Jared estava feliz, Jensen amava fazê-lo feliz. Ser o motivo para a felicidade de Jared, a razão pela qual o moreno sorria e ria todos os dias.
Lembrou-se do cabelo rebelde dele, do cheiro do shampoo e de como era bom passar seus dedos entre aqueles fios macios. Lembrou-se da voz de Jared, tão marcante e que combinava tanto com ele; da voz empolgada até a voz baixa, sussurrada, dizendo que o amava e que o queria.
Lembrou-se do corpo de Jared, dos toques do moreno e de como se sentia completo quando Jared o abraçava e o beijava; de como tudo parecia fazer sentido quando Jared estava dentro dele.
Como aquilo poderia não ser amor? O amor de uma vida inteira?
Jensen respirou fundo e encarou Danneel nos olhos, e disse, com toda a certeza do universo:
— Eu amo o Jared. — Ele não esperou reação ou resposta de Danneel. — Não, não vamos ser uma família tradicional. Mas há coisas mais importantes do que tradição: amizade, respeito, carinho. Amor.
Sua voz era séria e calma.
— E a mídia só vai saber de alguma coisa, Dan, se você contar, o que eu peço para que você não faça. Porque se fosse o contrário, eu jamais faria uma coisa dessas com você.
Odiava magoar Danneel daquela maneira, mas ela precisava compreender.
A ruiva o encarou, sem palavras, era como se acabasse de levar um tapa na cara. Sua tranquilidade e calmaria se evaporaram, mas não foram substituídas por raiva ou ódio, e sim desespero. Escutar Jensen falando daquela maneira a respeito de Jared a deixou desesperada, colocou-a no fundo do poço; se antes tinha certeza de que Jensen a amava, agora sabia que Jensen não poderia amá-la mais do que amava o maldito Jared.
Mas ela não podia perdê-lo.
Ela o amava demais para isso.
Não, não podia e não queria perdê-lo!
— Isso tem a ver com a gente? — Ela perguntou com a voz fraca, chorosa. Não se importava de humilhar-se. — Porque eu não quis... Aquele dia... Sabe? Fazer... Com você... Eu posso tentar, Jensen. Eu posso tentar.
A pose de mulher forte se perdeu e Danneel se encontrava frágil. Ela se aproximou de Jensen, sentindo as lágrimas nos olhos, queria tocá-lo e fazê-lo mudar de ideia. Queria escutá-lo falando dela da maneira com que falava de Jared.
— Eu posso tentar fazer. — Ela disse, no que Jensen estava confuso sem compreender o que ela estava sugerindo. — Eu nunca entendi muito porque vários homens preferem desse jeito, e acho que o medo de doer acabou me espantando. Mas eu posso tentar por você, Jen, e...
Quando as insinuações de Danneel finalmente fizeram sentido, Jensen mordeu os lábios e olhou para o lado. Sentiu todo seu corpo esquentar de constrangimento porque Danneel estava insinuando algo desse tipo, insinuando que poderia tentar fazer sexo anal com ele se isso o trouxesse de volta; como se isso fosse o motivo para ele ter ficado com Jared em primeiro lugar. Rezou para que seu rosto não estivesse corado, respirou fundo e disse:
— Não, Dan. Isso não tem nada a ver com nossa vida sexual.
Ela se irritou, instantaneamente, chegou a fechar o punho com a intenção de acertá-lo no rosto do loiro, mas conseguiu se conter. Quis gritar na cara dele, quis gritar o que é que Jared fazia que ela não pudesse fazer melhor. Será que Jared era tão bom de cama assim? Será que comê-lo era tão fabuloso assim que Jensen estava jogando tudo pro alto? Ela quis, realmente, dizer tudo isso, mas se conteve porque estava claro que Jensen não iria mudar de ideia.
Ela pensou em dizer algo, mas optou por ficar calada. Deu as costas à Jensen e saiu do trailer batendo a porta e sentindo a fúria tomar conta dela.
Jensen não foi atrás dela, tinha noção de que Danneel precisava de um tempo. Ela era uma pessoa fabulosa, mas tinha o pavio curto. Ele não se preocupou quanto a Dan dizer algo a mídia ou a outras pessoas — por mais nervosa e por mais que ela o estivesse odiando, Jensen sabia que Danneel não seria capaz de colocar a carreira dele em risco por vingança. As pessoas desdenhavam Danneel Harris, achando que ela era uma louca capaz de fazer coisas horríveis, mas ela não era.
Porém, qualquer esperança de que os dois pudessem voltar a conversar civilizadamente se evaporou, ele teria sorte se Danneel quisesse ver a cara dele outra vez.
J&J
Ela saiu do trailer batendo os pés, cega por um ódio que nunca antes achou ser possível sentir. Ignorou qualquer olhar curioso, decidida apenas em ir até seu carro, chegar em casa e destruir mais algumas almofadas imaginando que elas fossem Jensen-Filho-da-Puta-Ackles.
Foi, então, que ela o viu.
Vindo em direção a ela, com aquele sorriso dissimulado no rosto, fingindo ser o homem perfeito.
De primeira ele não a viu, mas quando a viu, sorriu. Sorriu, o desgraçado!
Por um instante ela o encarou bem, imaginando o que é Jensen havia visto nele, o que é que ele tinha de tão especial a ponto de fazer seu homem, seu ex-namorado, tão viril e másculo, jogar no outro time. Claro, ele era um homem bonito — sabia ser agradável, não era apenas um rosto bonito. Era atraente, sim, mas tinha uma lábia do cacete.
A imagem de Jensen o colocando de quatro invadiu seus pensamentos e ela quis vomitar, porém ao invés disso, ela caminhou até Jared com passos decididos.
— Oi, Dan! — Jared cumprimentou, com um pingo de hesitação quando notou o olhar de Danneel. — Está tudo b...?
"Mas que hipócrita desgraçado!", ela pensou e chegou perto dele e apoiou sua mão em seu ombro. Acertou com toda a força possível seu joelho nas partes íntimas de Jared Padalecki, fazendo-o se arquear de dor e soltar uma exclamação abafada, vendo estrelas. Ela sorriu internamente quando viu o moreno cair de joelhos no chão, cobrindo as partes com as mãos, e o vermelho tomar conta de seu rosto que tinha uma expressão clara de dor que chegava a definir o insuportável.
Ela continuou com a mão em seu ombro, abaixou-se um pouco e tocou a orelha de Jared com seus lábios.
Sorriu, permitindo que Jared sentisse seu sorriso.
— Olá, Jay. — Ela disse, a voz doce soando perigosa. — Você vai se arrepender de ter tirado Jensen de mim.
Ela se afastou para que ele pudesse olhá-la com seus olhos esverdeados e assustados. Sorriu mais ainda, tocando o rosto de Jared. Precisava que ele visse que ela estava falando sério, tão sério como nunca antes falou em sua vida. Precisava que ele soubesse disso.
— Vai desejar nunca o ter conhecido. — Disse como quem prevê algo, levantando-se e dando as costas. Mas antes de sair do estúdio e sumir dali, virou-se e observou o moreno que ainda a encarava com aquela expressão de dor misturada com choque.
— Tchau, Jay! — Acenou, lançando-lhe um sorriso de satisfação que deixava mais do que evidente a vontade e certeza de que ela destruiria a vida de Jared Padalecki.
E sentiria um imenso prazer fazendo isso.
O salto fazia um barulho forte no momento em que tocava o chão, por culpa da velocidade dos passos de Danneel. Ela precisava sair daquele estúdio e ir até seu carro.
Assim que cruzou o portão, ignorando qualquer olhar, sentiu que começaria a passar mal. A vontade de chorar veio à tona junto com a raiva. Todo o turbilhão de emoções que ela escondera tão bem, para poder sorrir falsamente à Jared, tinha voltado com tudo.
Ela se deu conta de que, dessa vez, havia perdido. Havia perdido Jensen.
"Mas Jared vai perder muito mais", ela pensou. Sabia que aquele ódio e rancor só passariam assim que Dan tivesse se vingado, assim que visse Jared no fundo do poço; somente dessa maneira todo o seu sofrimento e raiva iriam passar, e iriam passar — era só uma questão de tempo.
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NOTA: Ai, gente. Eu não vou nem olhar a data da última atualização se não eu fico com vergonha! D: Sejam legais comigo, vocês sabem que eu estava num hiatus e que agora voltei — ou pelo menos estou tentando voltar —, né? Sejam bacanas com essa pobre autora! /drama. Parando com o drama de novela mexicana, muito obrigada pelos comentários lindos que vocês me mandam. Eu peço desculpas por não ter respondido todos nos últimos capítulos, é que eu estava no tal do bendito hiatus... Mas eu juro, eu li e amei todos. E só porque vocês são adoráveis e comentam, é que eu não abandonei a fanfic mesmo quando a vida ficou difícil! :)
Fiquem sabendo que eu estou respondendo os reviews agora, então qualquer um que vocês me mandarem nesse capítulo e nos próximos, eu vou tentar responder o mais rápido possível! O mais engraçado é que quase todo mundo morreu de pena da Genevieve, mas desceu o pau na coitada da Danneel, né? HAHAHA! Eu juro que gosto da Danny, tá, gente! E eu espero do fundo do coração que ela seja uma pessoa mais calma na vida real, se não coitado do Jensen quando essa mulher está na TPM! :P Comentem, pessoas! Me deixem saber o que vocês acharam do capítulo, eu sei que teve menos J2, mas é necessário. Além do mais, é justamente pra compensar essa falta de J2 que nos capítulos anteriores teve taaaaaaanta pegação (nem acredito que escrevi aquilo tudo /vergonha).
É isso, mais uma vez obrigada! E tenham paciência comigo :3
