Matt estacionou a Harley no estacionamento oculto onde estavam outros veículos da unidade de Operações Especiais. Desligou o motor e inspirou profundamente. Maldição, não desejava estar ali. Tinha querido subir a colina até à casa e passar a noite fazendo amor com sua esposa que o fazia sentir-se mais quente que o fogo no inverno e que o fascinava mais agora que há seis anos. Negou com a cabeça. Voltar a conhecê-la outra vez, descobrir tudo aquilo que lhe tinha oculto sua mulher quando estavam casados, só reforçava o temor de ter cometido o maior engano de sua vida ao ter acreditado que Isabella não poderia suportar o horror ao qual o tinham submetido.

Chegava tarde à reunião porque esteve dando voltas naquele condenado apartamento, jurando que podia sentir a Isabella. Ele teria jurado, teria jurado sobre uma pilha de Bíblias que a tinha ouvido sussurrar seu nome. E não tinha sido a primeira vez. Tinha ocorrido em muitas ocasiões ao longo dos últimos anos.

Durante os terríveis meses que passou no inferno de Fontes, tinha acreditado muitas vezes que sua Isabella estava a seu lado. Limpando-lhe a fronte, com os olhos cheios de lágrimas, rogando-lhe com a voz angustiada que a deixasse ajudá-lo. Então tentava tocá-la, e via suas próprias mãos ensanguentadas pelos intentos de escapar ou pelos guardas que tinha tentado matar. E ela chorava. Nesses horríveis pesadelos ela sempre chorava.

Apertou os dentes ante as lembranças quando entrou na sala de reuniões e fechou a porta nas suas costas.

— Já era hora. — Mitchel levantou-se da cadeira e apagou a luz enquanto Matt tomava assento. — Temos informação sobre os homens que conforme suspeitávamos a semana passada pertenciam à BC.

Mitchel não perdeu tempo perguntando a seu sobrinho por que se atrasou.

— Mike Newton é o gerente do banco mais importante da cidade, que além disso resulta ser o mesmo banco onde se tiram os recursos que mantêm ao Black Colar.

A imagem do Mike apareceu na tela que estava pendurada na parede.

— Conheço-o. — Disse Matt em voz baixa. — Poderia se encaixar perfeitamente num perfil paramilitar. Inclusive quando eu vivia aqui, Mike era contra as leis de imigração; dizia que deviam ser mudadas, ou reforçadas. Apoiava leis mais estritas e às tropas que as respaldavam.

— E eram amigos? — Inquiriu David com curiosidade.

Matt encolheu de ombros.

— Crescemos juntos. Não fazia falta comungar com suas ideias para ser seu amigo. Mas isso foi faz mais de seis anos. Evidentemente, encontrou uma maneira mais radical de difundir suas ideias.

— Todos o têm feito, companheiro. — Grunhiu Jason Vinny. Seus duros traços estavam concentrados nos dossiers que Rachel lhes tinha entregado.

— Como verão no relatório, ao menos dois dos mecânicos trabalham na Oficina Cullen, Toby Condon e Victor Stevens, são suspeitos de ser membros de sub-nível da tropa. — Suas fotos apareceram na tela.

— Também os investigamos. — Continuou Mitchel — Fazem viagens de forma frequente aos ranchos que possuem Patrick Stewie e Mike Newton nos subúrbios da cidade. Além disso, rastreamos Newton e a seus contatos.

A seguir a tela mostrou as fotos de vários homens; Jacob Black era um deles.

— Ontem à noite tentei infiltrar-me no computador de Newton. — Interveio Rachel ante um gesto de Mitchel.— Mas têm feito um bom trabalho. — Admitiu com um suspiro.— Alguém instalou um sistema de segurança muito avançado em sua rede. Black possui conhecimentos e habilidade para havê-lo feito. Ao não poder saltar seu código de segurança, tentei-o com o de Patrick e tropecei com mais do mesmo. Necessitamos que alguém carregue o programa que desenhei para sortear o código no computador.

— Posso encarregar-me. — Disse Matt. — Ajudei Mike a construir sua casa. Fez uma variação no projeto que ninguém, salvo nós dois, conhece. É um pequeno túnel de escapamento que dá a seu escritório. Suponho que não terá feito nenhuma mudança depois de minha morte. Sentir-se-á mais seguro que nunca.

— Bom. — Mitchel assentiu com a cabeça antes de exalar com cansaço. — Além disso, recebemos um relatório de outra caçada que aconteceu na semana passada. A patrulha da fronteira encontrou os corpos ontem à noite.

Esses corpos enchiam a tela agora. Um homem e uma mulher. Ambos tinham os olhos em branco e expressões de horror nos olhares cegos de seus rostos destroçados.

— Um casal mexicano. Supomos que eram imigrantes ilegais. — A foto do jovem mexicano era horrível. A mulher tinha sido claramente violada e torturada, e seu marido tinha recebido cortes em tantos lugares que seu corpo nem sequer parecia humano.

— Ao parecer levavam o seu filho com eles. Não achamos nem rastro dele e não temos fotos. Tem três meses e uma marca de nascimento no quadril esquerdo. É tudo o que sabemos.

— Conforme os informadores com os quais contamos, esta é a forma habitual de proceder nas caçadas — seguiu Mitchel. — Muitos casais de imigrantes, legais como ilegais, desapareceram nas zonas de Dallas e Houston, e apareceram aqui, no parque nacional Big Bend. Todos os cadáveres apresentavam sinais de luta. Como recordarão de nossa última reunião, os agentes federais falecidos informaram sobre uma caçada na noite que desapareceram.

— É possível que estejam envoltos os membros da patrulha fronteiriça? — Inquiriu David Slam, antigo agente do Mossad, com seus olhos negros frios e calmos. O israelense era um dos homens mais mortíferos do grupo. O treinamento e as manobras que tinha ensinado ao resto da equipe tinham feito mais forte a unidade.

— Não podemos confirmá-lo. A patrulha fronteiriça encontrou muitos cadáveres nos últimos dois anos, mas também o têm feito rancheiros, excursionistas, a patrulha do parque nacional e alguns vaqueiros. Não aparecem nunca no mesmo lugar. Repartem-nos. — Explicou-lhes Mitchel. — Algo mais que acrescentar? — Passeou o olhar pelos outros homens.

— Amanhã começo a trabalhar na oficina. — Igor sorriu amplamente enquanto se reclinava na cadeira. — Ao que parece, Tom Cullen convenceu a sua sócia para que me contrate durante um período de teste.

Matt lançou um bufo. Tom tinha discutido com Isabella aos gritos. Seu irmão era mais teimoso do que tinha suspeitado.

— Eu permaneci quase todo o tempo nas sombras. — Fez-lhes saber David. — Ouvi muitos rumores, como podem ver em meu relatório. Muitos falatórios, mas nada conclusivo ainda.

— Vamos, companheiro. — Disse brincando o australiano. Jason Vinny podia ser um bastardo sarcástico quando queria — Todos esses bares e clubes foram uma soberana perda de tempo. Não vi mais nada que um monte de bonequinhas curiosas e muitos vaqueiros bêbados. Os poucos que conheci que me pareceram suspeitos, fechavam-se em banda assim que me apresentava.

— Cuida do acento e da atitude, Jason. — Advertiu-lhe Mitchel com serenidade. — David, segue nas sombras e procure estar atento a qualquer conversa suspeita. Temos que saber quem são os cabeças e quais são os peões que executam suas ordens.

— Essas caçadas são coisa de profissional. — Indicou Igor. — Não de peões. Possivelmente os peões saibam quem são seus cabeças, mas certamente não os conhecem em pessoa.

— Muitos desses peões, como no caso de Jacob Black, rondam pela oficina e falam de vez em quando com Toby e Victor, os mecânicos que a BC tem lá. — Disse Matt. — Como é loiro e parece americano poderiam confiar em você e falarem mais.

Igor soltou um grunhido.

— Estabeleceu muitos contatos? — Perguntou-lhe Mitchel. O enorme russo negou com a cabeça.

— Conhecem-me como Igor. Fui tomar algumas cervejas, mas não falei com ninguém. Embora, ao que parece, tenho um bom acento americano.

Matt sabia que o agente russo tinha praticado aquele acento antes de entrar na unidade de Operações Especiais.

— Arrume seus papéis. Faça-lhe uma árvore genealógica que remonte até o O'Nell. Que seja um empobrecido americano de sangue azul.

Rachel sorriu amplamente e piscou um olho a Igor.

— Terei preparado isso antes que se vá, Ig.

Ele fez uma careta ante o apelido.

Mitchel voltou a olhar Matt com expressão séria.

— Ocorreu algo mais na oficina?

— Nada que mereça atenção. — Encolheu os ombros. — Minha intenção é que Tom despeça Toby para mover um pouco as coisas.

O mecânico era um inútil, pior inclusive: não sabia diferenciar uma chave inglesa de um gato. Matt não entendia por que demónios lhe tinham contratado Tom e Isabella.

Mitchel assentiu com a cabeça.

— Os objetivos da missão são simples. Identificar os membros da tropa e capturá-los se for possível. Retê-los e tê-los capturados até que possam ser transferidos à agência e, se tudo isso fracassar, eliminá-los. Isso só no pior dos casos. Necessitamos de informação; temos que saber os nomes dos dirigentes e dos líderes da organização. A tropa está se expandindo e é necessário destruí-la, por isso conseguir informação é de vital importância. Terá que encontrar a maneira de averiguar o que precisamos saber.

Abriram as pastas que continham a informação que possuíam e passaram as duas horas seguintes trabalhando em situações e ideias. Mitchel recostou-se na cadeira, escutando e fazendo algum comentário quando necessário. O grupo trabalhava bem junto. Matt estava a fundo na missão, e procederia como o resto dos agentes em anos anteriores. Com segurança e firmeza.

Tinham sido adestrados individualmente até que tiveram que trabalhar juntos. Podiam levar a cabo missões sozinhos ou em equipas conforme fosse necessário. Naquele caso, trabalhariam melhor separados, exceto Igor, que estaria com Matt na oficina.

Para Matt não cabia dúvida de que alguém estivesse tentando sabotar o negócio de Isabella e Tom. Seu irmão tinha admitido na noite anterior que antes que Isabella tomasse a frente do negócio, os veículos eram entregues sem que estivessem reparados completamente, o que em algumas ocasiões resultava perigoso. Assim, ela dedicou-se a revisar todas as reparações procurando qualquer tipo de anomalia antes de devolver os carros a seus proprietários.

A fúria nublava a mente do Matt cada vez que pensava nos problemas que Isabella tinha tido na oficina. Não podia evitá-lo. Achava-se naquele estado desde que viu Mike Newton aparecer no negócio completamente bêbado, insultante e violento. Não tinha visto Mike assim desde que eram adolescentes, e o fato de que ultrapassasse os limites com Isabella dessa maneira o tinha deixado estupefato.

Isabella nunca havia gostado de Mike. Deveria ter acreditado nos instintos de sua esposa, sobretudo se levasse em conta que a amizade com Mike tinha sido fomentada por seu pai, Carlisle.

Os Newton eram amigos dos Cullen, assim Mike e Edward, que tinham a mesma idade, cresceram juntos. Tinham caçado e pescado juntos. E Matt sempre tinha pensado que também criariam juntos seus filhos. Teria que perguntar a Tom se o pai de Mike e Carlisle Cullen continuavam amigos.

— Rachel e Kevin encarregar-se-ão das comunicações e a electrónica aqui no centro de operações. — Explicou-lhes Mitchel. — Eu estarei hoje e parte de amanhã no rancho Cullen. Espero conseguir alguma informação. Tenham os celulares à mão. David, você e Jason serão nosso respaldo. Agora mesmo todos os integrantes da unidade de Durango, salvo Kevin, estão no parque vigiando como vão as coisas por lá. Serão nosso último recurso.

A unidade de Operações Especiais tinha sido especialmente desenhada e treinada para trabalhar sem apoio. Quanto menos pessoas soubessem que estavam ali e o que estavam fazendo, menos probabilidades teria de se produzir infiltrações. O melhor para todos seria que permanecessem «mortos».

Uma vez que a reunião finalizou e se acenderam as luzes, Matt não perdeu tempo. Isabella tinha tido um encontro essa noite, e ele queria assegurar-se de que sua esposa chegava em casa sem ter sido tocada por aquele bastardo do Jacob.

— Matt. — Mitchel chamou-o quando já passava a perna sobre a Harley e tinha os dedos postos na chave, preparado para arrancar.

Matt observou como seu tio se aproximava, perguntando-se, não pela primeira vez, porque Mitchel o tinha escolhido para formar parte daquela unidade.

— Hoje recebi uma ligação. — Informou seu tio.

─ Sim?

— De Rick Brien, o xerife. ─ Matt levantou o olhar para ele. — Carlisle deu-lhe meu número. Disse-me que tinha chegado um desconhecido à cidade, — Mitchel curvou os lábios— e que estava trabalhando na oficina. Comentou que o desconhecido ultrapassou os limites com Bella e que pensava que alguém da família deveria tomar conta do assunto.

Matt virou lentamente a chave da Harley, sem perder em nenhum momento o contato visual com Mitchel enquanto lhe dava um chute no apoio e girava a moto para sair do estacionamento. Logo pisou no acelerador e abandonou o pequeno cânon de pouco mais de um quilómetro de comprimento.

O parque nacional Big Bend estava cheio de abismos, gargantas, escarpados e montanhas. Matt manteve apagado o farol dianteiro; as luzes de freio podiam acender-se e desconectar-se manualmente, o que lhe permitia conduzir em meio da escuridão cada vez que o necessitasse.

E quando chegou à estrada principal, acendeu as luzes e tomou o caminho de volta à oficina. A casa na colina estava às escuras. Não havia luzes, nada que indicasse que ali houvesse alguém. Mas Isabella não dormia. Estava observando. Podia senti-la. E o carro de Jacob não estava ali, o que queria dizer que não o tinha convidado a tomar uma xícara de café.

Estacionou a Harley, desceu e ficou olhando a janela do dormitório que tinha compartilhado com Isabella. Sabia que sua esposa ainda dormia na mesma cama. Seguiria abraçando-se ao travesseiro de Edward ou se teria desfeito dele?

Negando com a cabeça, subiu as escadas do apartamento que havia em cima da oficina, sabendo inclusive antes de desligar a moto o que o esperava lá em cima.

— Está procurando problemas. — Advertiu-lhe Tom quando pôs o pé no terraço.

Seu irmão levantou-se da cadeira de plástico que havia junto à porta e o olhou fixamente enquanto Matt, com o cenho franzido, abria a porta e entrava.

O apartamento estava em silêncio, vazio. Justo como devia estar. A fina corda que servia para detectar a entrada de qualquer intruso permanecia intacta entre o marco e a porta dianteira, e Matt recuperou o palito que ainda estava pego na fechadura da porta traseira.

Mesmo assim, entrou sem fazer ruído, sentindo que Tom o seguia em silêncio, e revisaram juntos o apartamento antes de entrar na cozinha.

— Maldição, necessito algo mais forte que uma cerveja. — Suspirou Tom enquanto tirava duas garrafinhas do frigorífico e oferecia uma a Matt. — Jacob Black ligou-me para me dar uma bronca por haver contratado você. Afirma que você é o responsável porque Bella tenha cancelado seu encontro desta noite.

Matt permitiu-se sorrir com satisfação.

— Eu me encarregarei dela. — Virou a tampa da garrafa e o lançou ao cubo do lixo antes de tomar um longo trago.

— Isso é o que me disse na outra noite. — Grunhiu Tom com os olhos verdes acesos de ira. — Maldita seja, tive que vê-la chorar cada vez que pousava seus olhos sobre mim durante quase dois anos. Não podia suportar olhar-me. E agora que parece a ponto de recuperar sua vida, aparece você, e em lugar de lhe dizer quem é, põe seu mundo de pé para o ar.

— Não me irrite, Tom. — Matt não queria escutá-lo.— Para que veio aqui esta noite?

Tom soltou um suspiro.

— O vovô cansou- se de me ver dar voltas pela casa. Disse-me que me daria um tiro se eu não parasse.

Matt quase soltou uma gargalhada. Típico de seu avô.

— Posso usar o quarto de hóspedes? —

Matt encolheu os ombros.

— Como quiser, quero que despeça o Toby. Que seja a primeira coisa que faça pela manhã.

Tom olhou-o cada vez mais irritado.

— Vamos, Matt. Toby é o único suporte económico de sua mãe.

— Não, não é. Só perde tempo fumando atrás da oficina quando ninguém olha e conta ao Mike Newton tudo o que Isabella faz. Despede-o.

— Maldita seja. Foi Bella quem o contratou. Voltará a irritar-se comigo.

— Não o morderá. — Matt voltou a encolher os ombros. Não, não mordia, mas podia conseguir que qualquer homem ficasse paralisado ante sua fúria. Se estivesse irritada, atirava para matar. Quando lhe enchiam os olhos de lágrimas e começava a atirar coisas, era o momento de retirar-se às colinas até que se acalmasse. Não era violenta; entretanto, sabia como fazer com que um homem se sentisse miserável com apenas um olhar.

— Pode ser que não morda, mas sabe muito bem como brigar como qualquer um. — Comentou Tom. — A primeira vez que tentei afastá-la dos carros e colocá-la no escritório, deu-me um murro no queixo.

Matt dissimulou sua surpresa. Isabella jamais tinha batido nele. Nem sequer havia batido com o travesseiro nele quando estava zangado.

— Dorme um pouco. — Indicou o dormitório com a cabeça. — Tenho que sair de novo.

— Posso ir com você. — Tom ficou em pé. — Sei como dar cobertura. Você me ensinou.

Bom, isso era certo. Fazia toda uma vida disso.

— Esta noite não. — Matt negou com a cabeça. Não queria testemunhas, nem sombras, nem ninguém que lhe seguisse a pista. E sem dúvida alguma, não queria que Tom se visse envolto em tudo aquilo.— Dorme um pouco. Amanhã terá que lutar com Isabella.

— Maldito seja. — Resmungou Tom fazendo uma careta. — Voltará a dar-me outro murro.

— Não se aproxime dela quando disser. Tem um braço curto. — Matt dirigiu-se à porta, abriu-a e deslizou na noite.

Mike Newton não vivia longe. Rachel havia-lhe passado os dados do programa que devia instalar no computador de Mike antes de ir e esperava que não fosse muito difícil.

Uma hora mais tarde, Matt atravessou o túnel subterrâneo de Mike e abriu o painel que dava ao escritório. Revisou o lugar em busca de câmaras ou microfones, leu o sinal do dispositivo electrónico que usava com ele e sacudiu a cabeça. Ao que parece, o escritório contava com algumas medidas de segurança, mas, naquele momento, estavam desativadas. Deixando aceso o dispositivo que usava consigo para assegurar-se de que seguissem assim, Matt moveu-se pelo escritório.

Mike sempre tinha sido um arrogante filho da puta, mas Matt nunca o tinha tomado por um estúpido. E ir atrás de Isabella tinha sido uma solene estupidez, embora tampouco de se surpreender que, como Matt acreditava, Mike fazia parte da BC.

Se não falhava a memória, quando Isabella trabalhava no banco, antes de suas bodas, Mike tinha sido muito amigável e a esposa deste sempre se mostrou muito fria com ela. Agora sabia porquê. Naquela época, Matt tinha tentado negar as evidências posto que fosse um homem muito desconfiado. Tinha pensado que Mike não podia ser assim, embora possivelmente estivesse equivocado.

Aproximou-se primeiro da mesa e do notebook que repousava sobre ele. Introduziu a memória USB na porta correspondente e logo ligou o computador. Conforme lhe havia dito Rachel, o código que tinha preparado se auto instalaria com a ligação e acabaria com seus problemas.

Observou como o programa sorteava todos os protocolos de segurança e conseguia identificar a contra-senha e enviá-la à memória USB.

Quando terminou, desligou o note e colocou a memória USB no bolso dos jeans. Logo observou o escritório, entrecerrando os olhos enquanto o examinava.

Sem fazer o menor ruído, forçou a fechadura da gaveta inferior do mesa e olhou friamente o conteúdo: uma pistola com munição, um capuz negro e três cachecóis da mesma cor.

Tinham aparecido cachecóis negros nos pescoços de todas as vítimas de caçadas dos últimos meses.

Matt voltou a fechar a gaveta com chave e retornou sigilosamente ao painel. Depois de deixá-lo encaixado, percorreu o passadiço uma vez mais, procurando não deixar rastros no chão poeirento. Não parecia que o túnel tivesse sido utilizado.

Uma coisa era certa: já tinham um membro da tropa Black Colar na lista.

Notas Finais:

Olá pessoal, aqui está mais um capítulo.

Espero que gostem.

Beijos, comentem por favor.