Capitulo 9: Insensatas Atitudes

Às vezes me pergunto se um dia terei você somente para mim, ou tudo o que passa dentro de mim um dia irá passar e me verei mergulhada na escuridão.

É fácil fechar os meus olhos e sonhar com você ao meu lado; seus beijos, seu toque e sua voz sussurrando que me ama ao pé de meu ouvido. Mas é doloroso quando eu os abro e me vejo sozinha... Sem você, aqui, ao meu lado.



Já havia se passado dois anos desde a morte dele, e a ferida parecia que ainda estava se formando, como se a tragédia fosse recente.

Suspirou fundo quando as lembranças vieram em flash em sua mente, a fazendo sentir as mesmas emoções do passado, a alegria que sentia nos braços dele, da voz que sempre a tranqüilizou e das mãos que sempre se estenderam para ajudá-la quando caia.

- Por que você tem que ir embora? – ela perguntara a ele com os olhos marejados, com apenas onze anos de idade, quando ele lhe informara que iria mudar de escola no próximo ano. – Tenho certeza que vai me esquecer e achar outra melhor amiga lá nessa tal de Hogwarts. – fez uma careta antes de soltar uma forte bufada – Nome bizarro...

Ele riu abertamente, e a abraçou com carinho, sussurrando palavras doce em seu ouvido, a fazendo não conseguir mais segurar os soluços e as lágrimas que começaram a escorrer pelo seu rosto.

Parou de andar quando seu coração se apertou em seu peito, a sufocando.

Sentou-se no parapeito da janela e permitiu que as imagens do passado voltassem a ecoar em sua mente.

O vento frio abriu a janela de vidro, de modo que pudessem brincar com seus cabelos, os fazendo caírem em frente a seus olhos.

Os calorosos raios de sol se fixaram em sua pulseira descoberta pelo sobretudo que tirara, fazendo a pedra negra ir mudando de cor, transformando-se num tom mais azulado, mostrando as emoções alegres que passara ao lado de seu amigo e primeiro amor.

- Eu te amo. – ele falou, no dia de seu aniversário de treze anos.

- Oras... E quem seria o cego a não me amar? – ela perguntou irônica, correndo pelo jardim, entre as belas roseiras que enfeitavam ao redor de uma fonte.

- Você não me entendeu. – ele respondeu rindo abertamente, enquanto a alcançava por trás e a abraçava pela cintura.

A garotinha soltou um grito histérico, quando seus pés saíram do chão e tudo ao redor começou a rodopiar, antes dos dois caírem no chão e rolarem pela grama fofa e verde, sujando suas vestes.

- O que você esta querendo me dizer então, Cedri? – o garoto a abraçou com mais força de encontro ao peito, enquanto ia lhe acariciando os cabelos sedosos.

- Que eu te amo... de verdade... mesmo. – e sem ela mesmo pensar no que viria a seguir ele a beijou num toque delicado e tímido.

Jogou a cabeça para trás tentando impedir as lágrimas de rolarem de seus olhos cerrados. Passando a língua de leve pelos lábios comprimidos de dor, pôde sentir o gosto dele novamente, doce e ao mesmo tempo amargo, carinhoso e excitante, delicado mais eloqüente.

Um gemido deslizou por sua garganta até sua boca e desta se libertando.

Ele estava tão distante de si, que às vezes pensava que iria enlouquecer.

O queria de volta, vivo. O queria ao seu lado, a abraçando a ajudando nos momentos que se sentia mais sozinha, dizendo que tudo no final iria dar certo, mesmo que não desse, ela sabia que ele sempre estaria ao seu lado.

O queria para escutar dos lábios dele que a amava e sempre iria a amar.

Mas não, o destino o tirou de si, o levando para o mais longe possível, onde nenhum homem poderia alcançar.

- Por que...- murmurou, encostando a testa na janela e fitando o céu azul, onde nuvens brancas flutuavam sobre este.

Às vezes podia sentir a presença dele, mas não era a mesma coisa.

Saiu do parapeito da janela e voltou a andar, com a cabeça baixa e as mãos no bolso do casaco.

- Ano que vem a gente vai se ver. – ele falou sorrindo e a pegando no colo, brincalhão, antes de girava no ar, a fazendo soltar gritinhos histéricos.

O sorriso dela ia de orelha a orelha e os olhos tão negros se encontravam numa cor mais clara, de tanta felicidade, quase num tom dourado, graças aos raios de sol daquele dia de primavera.

- É, só no ano que vem, é bom me mandar cartas todos os dias. – respondeu, batendo no ombro dele, falando que já estava na hora de colocá-la no chão, se não era seria obrigada a vomitar em cima dele.

Parecendo perceber o que ela queria, ele a colocou no chão no mesmo instante.

- Claro! Você acha que eu não iria mandar cartas para o meu diário ambulante? – ela fez uma engraçada careta, o fazendo rir e abraçá-la – Tenho uma coisa para você. – colocando a mão dentro do bolso do casaco, timidamente, tirou um embrulho pequeno e a entregou. – Comprei ontem, espero que goste, e sempre use. Isso fará você sentir que eu sempre estarei ao seu lado.

E antes que ela pudesse abrir o embrulho ele a beijou.

- Eu te amo. – e assim se foi.

Sorriu e olhou para a sua pulseira novamente onde a pedra se encontrava, ainda azul.

Sim, ela gostara e nunca mais tivera a coragem de tirá-la. Foi uma promessa que fez a si mesma quando vira o corpo dele, deitado numa das camas da Ala Hospitalar, imóvel, pálido, frio... Morto.

Suspirou fundo e segurou as lágrimas que ameaçaram escorrer pelo seu semblante.

Já havia se passado muito tempo e já estava na hora de levantar a cabeça e seguir em frente, e não viver mais no passado.

Quando estava preste a virar o corredor ao encontro de Naty, pôde ouvir um grito. Pior. Um grito conhecido. Instantaneamente a pedra ficou amarela, mostrando a sua preocupação.

Correu o mais rápido que pôde, e se escondeu atrás de uma estátua de um guerreiro e pode ver Paul saindo de uma sala, fechando a braguilha da calça e com um sorriso nos lábios.

- Isso é para você aprender a nunca mais me enfrentar. – e com isso, ele arrumou a blusa amassada e os cabelos, antes de ir atrás de um grupo de garotas que passara pelo final do corredor.

Com o cenho franzido andou com passos silenciosos até a sala. Olhando para os dois lados, tomando o cuidado e se certificando que não estava sendo seguida, abriu a porta onde esta rangeu, cortando o ar tenso.

O breu havia dominado completamente ao redor. Uma luz fraca do sol que conseguia passar pela janela iluminava fracamente o centro da sala.

Um gemido de dor, baixinho, cortou novamente o ar, a fazendo olhar para o lado que estava à mesa do professor, e o que viu não pode deixar de assustá-la.

Naty estava ali, toda machucada e com a blusa aberta, onde terminava de abotoar.

Os cabelos despenteados caiam sobre o rosto e os ombros, onde não fora o suficiente para impedi-la de ver os fortes hematomas no braço, e o os cortes no rosto.

Fechando a porta, andou até a amiga que voltou a gemer, quando os dedos trêmulos tocaram em algum ferimento.

- Naty? – chamou-a num tom delicado, vendo a morena arregalar os olhos e dar um pulo para fora da mesa.

- May, o que você está fazendo aqui? – perguntou, se afastando da índia e indo até o outro lado da sala, às pressas. Céus! Ela não poderia a ver naquele estado, pois, nem mesmo Deus poderia a impedir de cometer um assassinato.

- O que aconteceu? – para novamente a sua surpresa, May, correu até ela num rápido reflexo onde não a deixou ter a chance de fugir. A índia bateu as palmas, e várias luzes apareceram iluminando a sala, onde permitiram melhor visão da amiga, onde foi ainda mais assustador.

Merlin, as pernas estavam completamente marcadas de golpes fortes de cinta.

Uma raiva explodiu sobre si, fazendo seus olhos negros ficarem completamente prateados. Cerrou os punhos com força.

Oh fazia muito tempo que ela estava querendo dar uma surra em Paul, e ensinar-lhe a não tratar as garotas daquela maneira tão baixa, mas bater nelas? Isso era inadmissível e acima de tudo, em sua melhor amiga.

Aproximou-se de Naty e com cuidado a virou para si, de modo que seus olhos se encontrassem com as íris azuis dela.

- Por que você permitiu que ele te batesse? – Naty abaixou a cabeça, fazendo uma lágrima escorrer pelo rosto pálido – Naty, eu, a Gina sabemos, muito bem que você não é igual aos outros bruxos. – a morena confirmou com a cabeça, a fazendo continuar – Então por que permitiu que o Paul batesse em você dessa maneira? – sua voz era tremula, e os olhos pratas começaram a se encherem de lágrimas.

Naty ergueu o rosto e sorriu tristemente antes de abraçá-la e começar a soluçá-la.

Aquilo era por que ela imaginava, May pensou abraçando a amiga fortemente contra o peito. Nunca vira Naty tão abalada em toda sua vida, e muito menos chorar daquela maneira como se fosse uma criança perdida.


Nunca pensou que uma aula de Adivinhação pudesse ser tão monótona.

Sibila deveria ganhar um premio de professora mais chata no ano, pois nem mesmo Binns e suas aulas de Historia da Magia – que para o seu azar era a próxima aula -, a fizeram ter tanto sono, como estava naquele momento.

Colocou a pena no tinteiro e assim apoiou a cabeça nas mãos, antes de virar sua cabeça e fazer seus olhos passearem pela bela paisagem da janela.

Sorriu tristemente, sabendo que um dia tão belo como aquele não poderia ser apreciado como ela gostaria. Pelo simples motivo que seus olhos não brilhavam mais, seu sorriso não era o mesmo, e o seu coração parecia que havia sido tirado, jogado num poço negro e em seu lugar colocado uma bola de ferro, que apertava seu peito.

Por que Harry teve que marcar sua presença a ferro nela? A fazendo ficar daquela forma... Acabada.

Suspirou e começou a enrolar com o dedo a mecha vermelha de sua franja que lhe caia em frente ao rosto.

- Entenderam, queridinhos? – a voz estridente de Sibila ecoou – Agora quero que se concentrem e leiam a mão um do outro. Mas para mais uma demonstração chamarei a ajuda de um aluno. – todos arregalaram os olhos e discretamente se esconderam embaixo da mesa. Os olhos da professora brilharam ao ver uma aluna no canto da sala olhando para a janela e com o dedo estendido. – Oh perfeito, Senhorita Weasley, por favor, venha aqui.

Gina balançou a cabeça e piscou os olhos, como se estivesse acabado de sair de um transe.

Olhou para a professora e o seu dedo esticado que antes, enrolada seu cabelo.

- Ahn...- perguntou, franzido o cenho.

- Venha aqui. – Sibila voltou a chamar.

Okay, seu dia estava péssimo e ainda participar da aula de Adivinhação, onde aquela louca diria que ela iria morrer tragicamente e fazer uma cara de pena, era de mais para a sua cabeça.

- Oh não professora. – Gina falou, sorrindo e colocando as mãos sobre o colo – Eu estou muito bem aqui, tenho certeza que outro gostaria de ir no meu lugar demonstrar o exercício, não é gente? – todos os alunos abaixaram a cabeça, a fazendo gemer por dentro.

Sibila sorriu e andou até a ruiva, fazendo esta engolir em seco.

- Por favor. – a professora pediu. Gina suspirou pesadamente e assim se levantou.

Andou até a mulher com passos pesados, fuzilando cada aluno que olhava pra ela, com os olhos.

- Muito bem. – Sibila falou, esticando a mão, e pegando a de Gina que bufou – Vamos lá. Prestem a atenção, queridinhos.

Ela começou a emitir um som estranho, enquanto arrumava as grossas lestes dos óculos fundo de garrafa sobre o nariz.

- Huuuuuuuuuuuuum...- o som era estridente e irritante, fazendo a ruiva se lembrar do som de um mosquito que a perturbava enquanto dormia.

Os alunos olhavam para a professora encantados pelas várias caras que ela fazia, da mais suave até a mais assustada.

Gina suspirou quando a mulher a olhou com os olhos cheios de pena.

- Oh, eu sinto muito, Senhorita Weasley! – E lá vamos nós de novo, Gina pensou, respirando fundo e tentando fazer a sua melhor cara de assustada.

- Oh, professora não me diga que eu...- seus olhos se encheram de lágrimas falsas, e tampou a boca parecendo ainda mais perturbada.

Sibila tirou os óculos e fez um gesto afirmativo com a cabeça.

- Infelizmente sim querida. – ela passou a mão pela da ruiva num gesto de consolo – Infelizmente, tenho que lhe informar que você ira morrer tragicamente.

Gina se viu obrigada a morder a própria língua para segurar o seu riso.

- E agora eu já descobri do que. – Opa, aquilo era novo, Gina voltou a pensar, olhando para a professora de modo que pedisse para que ela continuasse – Será mais para depois das férias, e você morrera de uma grave e dolorosa doe...- Sibila nunca pode terminar aquela frase, já que o sinal indicando o final da aula soou.

A professora soltou sua mão bruscamente e lhe deu as costas, andando rapidamente até sua mesa.

Gina levou a mão de encontro ao próprio peito e pegou sua mochila, pensativa.

O que, diabos aquela louca estava querendo dizer? Morrer todos iriam um dia, mas ela não precisava ser tão surrealista e falar que iria ser, tragicamente.

Suspirou. Provavelmente Sibila estava tendo mais de uma suas alucinações paranóicas.

Dando os ombros, andou até a porta da sala, mas parou bruscamente quando viu ele, entrar por esta e a fitar com os incríveis olhos que ainda a faziam estremecer.

Harry a olhava ainda com os olhos verdes escuros, mas estes pareciam estar abalados e tristes. E aquilo foi pior do que ela pudesse imaginar.

Seu coração disparou quando ele lhe deu um sorriso fraco e andou até si, sem parar de fitá-la no fundo dos olhos.

Agarrou com mais força o seu livro e o apertou em seu peito, parecendo querer se defender.

Por que ele ainda fazia aquilo? A magoa, pisa em cima dela e depois vem todo arrependido.

Pois bem, estava na hora de ele aprender que o mundo não girava ao redor dele e que deveria superar a dor quando batesse a cara, e era isso que ela iria fazer.

Harry se aproximou de si, e o olhando de forma raivosa, andou em sua direção, só que em vez de abraçá-lo como fazia e falar algo engraçado, simplesmente passou reto.

Pôde ver Harry suspirar e segurar seu braço, a impedindo de sair.

A mão dele ainda tinha o mesmo toque, Gina pensou, fechando os olhos e tentando ignorar o calor do corpo dele que começava a percorrer o seu como uma corrente elétrica, a arrepiando.

Seu coração disparou quando ele se aproximou de seu ouvido e murmurou:

- Gina, eu...- ela começou a rir o interrompendo friamente.

- Que você quer o quê? – perguntou num tom cortante, o fazendo se assustar – Me pedir desculpas? Que está arrependido? Que nunca deveria ter falado aquelas coisas para mim, ou ter se metido na minha vida? – Harry abaixou a cabeça, envergonhado – Pois bem, Potter, eu não te perdôo, pois ainda sinto nojo de você. – puxou o braço bruscamente, e antes de sair da sala se virou para ele e frisou cada palavra dita entre os dentes, ciente que o estava machucando com suas palavras – E diante de hoje é Virginia para você. Não temos mais nenhuma intimidade com o outro, lembra-se? – e assim foi embora, deixando para trás um Harry Potter acabado.


Pôde ver a cabeleira de Hermione correndo em sua direção, ao mesmo tempo em que lhe fazia um sinal com a cabeça para que olhasse para trás.

Sem entender, se virou e arregalou os olhos quando viu os olhos soltando faíscas de ódio de Rony, que num gesto rápido segurou seu braço.

- Precisamos conversar!

Suspirou fundo, quando viu a amiga terminar de fazer o feitiço, que escondia seus machucados, e voltar a se sentar novamente na mesa do professor.

- Fique aqui, eu já volto. – falou, vendo os olhos da amiga se arregalarem ainda mais.

- Aonde você vai? – May não respondeu, simplesmente lhe deu um sorriso forçado e saiu da sala, trancando a porta, impedindo Naty de fugir.

Correu pelo corredor, olhando para os lados e para trás tentando ver se não estava sendo seguida.

Desceu as escadas num único pulo e assim acelerou a velocidade de suas pernas, tentando chegar o mais rápido que podia na Torre de Transfiguração.

Fred tinha que estar lá. Precisava dele naquele momento. Naty precisava dele.

Céus, não queria nem imaginar se ele descobrisse que Paul batia em Naty, daquela maneira.

Seria a primeira vez, para a historia, que um dos gêmeos iria explodir. Explosão Weasley dos gêmeos. Por alguma razão isso lhe deu calafrios.

Passou a mão pelos cabelos e respirou fundo, quando finalmente se viu em frente a porta da sala onde estaria acontecendo a aula de Transfiguração do sétimo ano.

Arrumando as vestes em seu corpo, ergueu o punho e delicadamente bateu na porta, antes de abri-la.

Pode ver os olhos de Minerva a fitarem de uma maneira estranha, enquanto Fred e Jorge pararam de fazer desenhos com o pergaminho.

- Em que eu poderia ajudá-la, Senhorita Su? – a professora falou, andando pelo meio da sala, entre as carteiras com sua pose de superioridade.

May sorriu gentilmente e abriu ainda mais a porta, fazendo vários alunos suspirarem.

- Desculpe interromper a sua aula Professora, mas eu poderia tirar por alguns instantes o aluno Fred Weasley? – Fred franziu o cenho e olhou para Jorge que simplesmente deu os ombros.

Minerva a olhou antes de mover seus olhos castanhos para o ruivo.

- Pode sair! – liberou, dando a volta nos calcanhares e continuar dando a sua aula, como se esta não houvesse sido interrompida.

Fred apanhou suas coisas rapidamente, mas quando Jorge fez o quesito de também guardá-las May falou:

- Desculpe Jorge, mas é só o Fred. – um sorriso sem graça cortou-lhe os lábios, enquanto um aluno virava para trás e olhava para Jorge, antes de começar a rir, mas o ruivo emburrado lhe deu um tapa na cabeça, o fazendo parar de rir no mesmo instante.

- Até mais, irmão. – Fred falou, passando por de trás da cadeira e indo em direção a porta, com um olhar preocupado. – O que aconteceu? – perguntou, quando May fechou a porta atrás de si.

- É a Naty...- ele a interrompeu bruscamente.

- O que aconteceu com ela? – May suspirou e começou a correr com o ruivo a seus calcanhares.

- Digamos que ela sofreu um acidente e preciso que você cuide dela, enquanto eu vou tirar satisfação com um, ser, e ela não tente me impedir!

Fred não fez mais perguntas, simplesmente correu ainda mais rápido, com os pensamentos a mil.

May às vezes dava fortes suspiros, mostrando a força que fazia para continuar a correr, pelos grandes corredores.

- Mas ela está muito machucada? – perguntou depois de um tempo, quando pararam de correr e começaram a andar quando chegaram no corredor que Naty estaria.

May não respondeu simplesmente o olhou de modo significativo, o fazendo ficar ainda mais preocupado.

Pararam em frente à porta e num movimento rápido de varinha feito por ele, a porta se abriu.

- Entra aí, e não deixe a Naty sair de forma alguma, que eu volto logo. – avisou a índia, empurrando Fred para dentro da sala e voltando a trancá-la. – Agora sim aquele verme não me escapa. – murmurou voltando a correr.

A sala estava escura, onde nem mesmo a luz do sol era o suficiente para iluminá-la por completo.

Sabia que Naty estava ali, pelo simples motivo que a sentia, junto com o perfume doce que se espalhava ao arredor da sala.

- Naty? – a chamou de forma doce. Escutou o rangido da mesa dos professores e se virou em direção a esta, podendo ver entre a escuridão à silhueta perfeita da morena, que começou a andar em sua direção, calmamente.

Prendeu a respiração quando pôde ver o brilho dos olhos azuis e o sorriso doce que cortou os lábios vermelhos.

Ela parou em sua frente, escondida pelas sombras, sendo que ele estava iluminado pelos raios solares.

Dando um passo a frente, Fred tocou-lhe no rosto, sentindo o peito dela arfar levemente e a pele acetinada dela, gelada, começar a esquentar.

Sorriu e se aproximou ainda mais.

- O que está havendo com você? – perguntou num murmúrio doce. O sorriso dela foi morrendo lentamente, antes de ela dar um passo para frente o fazendo andar para trás.

Aos poucos o sol foi a iluminando, lhe revelando a imagem tão bela.

As pernas perfeitas, a blusa que estava para fora da saia curta, amassada e com alguns botões abertos, o pescoço alvo, a boca que o fazia delirar, os cabeços negros e longos que lhe caiam sobre a pele como uma seda, e finalmente os olhos cor de água marinha, onde ele por incrível que pareça, sempre se perdia naquele mar revolto, desejando chegar cada vez mais perto, parecendo não acreditar que aqueles olhos seriam na verdade, uma jóia rara.

Ela abaixou a cabeça parecendo envergonhada e segurou-lhe a mão, a levando em direção a seu coração que ele pode sentir bater em sua palma, numa forma rápida.

Fred dando mais um passo a frente, pôde sentir o corpo dela contra o seu, onde para a sua surpresa, Naty não fez questão de afastá-lo como sempre fazia.

- Você...- ela começou a falar, num tom de voz doce e baixo, enquanto aos pouco voltava a erguer a cabeça – Me...Ama? – Oras, que pergunta era aquela? Ele pensou, franzido o cenho, confuso.

Naty o olhava com as íris azuis brilhantes que quase o fizeram perder a cabeça e cair no chão graças às pernas bambas.

Respirando fundo, sorriu e a enlaçou cuidadosamente pela cintura.

Fechou os olhos e deslizou pontinha do nariz pelo rosto dela até a curva delicada do pescoço, respirou fundo, sentido o perfume doce aguçar seus sentidos.

A apertou ainda mais de encontro a si, a fazendo erguer os braços e o abraçar pelo pescoço.

Céus, ela era tão perfeita que ele não tinha palavras para descrever aquele sentimento arrebatador dentro de seu peito, que não havia explicação.

Ele contava os minutos para ver quando iria a ver de novo. Tentava achar os pensamentos, mas só vinha ela a sua mente. Naty era como se fosse o seu coração, onde sem ele não poderia mais respirar... Viver!

Afastou o rosto do dela, e encostou as testas uma na outra.

Sentiu as unhas dela começarem a acariciar sua nuca, fazendo os pelos destas ficarem arrepiados.

- Eu nunca pensei...- abriu os olhos e encontrou os dela – Que poderia sentir isso por alguém. É algo que já tomou conta de mim, fazendo meu coração bater mais rápido do que nunca. Graças a você Naty eu descobri que não posso mais viver sozinho, não posso mais viver sem você. – sorrindo, deslizou suas mãos pelo braço dela a sentindo tremer, e assim as colocou no rosto dela, acariciando-lhe as bochechas rosadas com o polegar – Eu não posso ficar mais sem o seu sorriso, sem o brilho de seus olhos e o seu beijo...- aproximou os lábios lentamente, a sentindo estremecer em seus braços – Eu te amo, Naty... Eu sou seu, e você é minha. Incondicionalmente. Eu te amo. – e sem dizer mais nada a beijou.

Foi algo tão forte que ele nunca pensou que poderia acontecer. Num instante estava com os lábios colados aos dela, num toque gentil e doce, no outro já estavam andando sem perceberem para trás, as línguas buscando uma as outras numa forma faminta e sedenta.

Suas mãos já estavam de volta ao redor da cintura dela, enquanto as de Naty eram enterradas nos músculos de seus braços.

Uma onda pareceu bater contra eles os levando para um recanto do mar que os deixavam cada vez mais sem controle. Loucos.

Gemeu quando Naty levou as mãos para dentro de sua camisa, onde arrancara para fora de sua calça, tocando sua barriga malhada com a pontinha das unhas, arranhando sua pele, enquanto ele a erguia nos braços e a colocava sentada na mesa e suas mãos uma de cada lado, prendendo-a, começando-lhe a beijar o pescoço.

Naty sorriu e jogou a cabeça para trás dando-lhe um maior acesso.

- Fred...- um gemido baixo, como o de uma gata manhosa, escapou de seus lábios, onde o som logo se perdeu no ar, sendo que o ruivo ergueu a cabeça e voltou a lhe apossar da boca, pressionando os lábios fervorosamente contra os dela.

- Naty. – ele disse seu nome como um lamento, onde falava que o que estavam fazendo era um erro, onde poderiam ser pegos a qualquer minuto. Mas ela fingiu não ter ouvido. Como resposta, segurou a gravata dele e o puxou para si, enquanto aos poucos, cedia ao peso do corpo dele contra o seu, deitando sobre a mesa do professor lentamente.

Fred deslizou as mãos pela madeira gasta e queimada até as colocar uma de cada lado da cabeça da morena, que sorria de uma forma doce onde fazia seu coração falhar cada vez mais os batimentos.

Ela era tão bela, que seria capaz de passar sua vida inteira somente a contemplar o rosto de anjo, e saberia que não conseguiria encontrar um único defeito, pelo motivo que, para seus olhos, Naty era simplesmente perfeita.

Roçando seu nariz no dela numa forma carinhosa, sorriu, sendo presenteado por um dela, que correspondeu.

- Sabe de uma coisa...- Naty falou num tom sensual, deslizando os lábios pelas bochechas vermelhas de Fred, onde este fechou os olhos parecendo querer gravar em sua mente a maciez dos lábios dela sobre sua pele, indo em direção a sua orelha, causando-lhe uma chuva de arrepios – Eu já fingi que amei um outro alguém, mas pro seu lugar não tem mais para ninguém. – Fred prendeu a respiração e não pôde conter o impulso de cerrar os dedos de uma mão sobre a mesa, enquanto a outra se entrelaçava nos cabelos dela. Ele estava ficando louco, ou Naty estava mesmo se declarando para ele? Soltou a respiração lentamente pela boca, tentando manter a calma que estava bastante longe de existir – Eu vivo de uma ilusão Fred, de uma louca paixão que tomou minha mente e o meu coração. – ela o abraçou carinhosamente, fazendo ele apoiar a testa na curva de seu pescoço, e respirando fundo para criar coragem, Naty começou a cantar a letra de uma musica, baixinho, somente para ele, sussurrando em seu ouvido. – Vem me dar o seu amor...- a voz era doce e delicada, como o ruído de um vento onde com este trazia a chama de um verdadeiro amor – Oh meu bem, venha me aquecer. Eu preciso dormir e acordar com voc...- a última frase fez com que imagens fluíssem na mente de Fred, fazendo-lhe o sangue correr ainda mais rápido por seu corpo e suas testa transpirar – Vem me dar o seu amor. Meu bem venha me aquecer...- e num suspiro ela terminou o trecho da canção – Eu preciso de você. Eu tentei pensar, tentei entender, e descobri que sou alguém que não sei mais viver sem você. – Fred soltou os braços e os repousou na cintura fina e delgada de Naty, fazendo seu corpo pressionar o dela levemente contra a mesa, podendo sentir cada contorno do perfeito corpo, delicado e acetinado, dela. Sorriu quando ela continuou a canção ao pé de seu ouvido, chegando em algumas partes o emocionar - para me tirar desse labirinto, aliviar essa dor que eu sinto. Somos almas gêmeas que nem mesmo o tempo pode separar. – seu coração voltou a bater normalmente, e agora num compasso mais rápido. Seu peito descia e subia num mesmo ritmo ao dela, onde os sorrisos compartilhados eram de pura felicidade, e o brilho nos olhos de ambos, diziam que muitas coisas ainda tinham que enfrentar pela frente, mas o amor deles passaria por tudo. Naty jogou a cabeça para trás e segurou o rosto de Fred entre suas mãos, e o olhando no fundo dos olhos terminou a canção, num ruído doce e afinado – Eu já me entreguei, eu já me rendi, e nesse jogo de orgulho fui eu quem perdi, mesmo assim eu ínsito...- fechou os olhos – Não creio no fim, acredito que eu na verdade...- e num murmúrio final terminou a canção – amo você.

A respiração do ruivo era pesada, onde mostrava a força que ele fazia para continuar segurando a sensatez em sua mente, que tentava bater as asas e voar para o mais longe deles, o tentando em fazer uma verdadeira loucura.

Lógico que ele amava Naty, e assim, automaticamente ele a desejava de uma forma inexplicável. Mas era errado, pois, estava ciente que ainda não era a hora deles.

Roçou seus lábios nos dela levemente, a fazendo abrir os olhos e fitá-lo com aquelas feiticeiras íris azuis.

- Se você soubesse quanto tempo eu esperei para ouvir essas palavras de você...- murmurou – Oh, minha doce Naty... Como eu a quero para mim.

- Então me tenha. – ele sorriu e acariciou-lhe o rosto com a ponta dos dedos.

- Quando eu a tiver para mim, querida, tenha certeza que será algo perfeito. Eu a desejo mais do que possa imaginar, mas quando isso acontecer, será num lugar especial, e não numa sala de aula. – Naty sorriu envergonhada, e entendo o recado simplesmente o abraçou, sentindo seus olhos marejarem, não por vergonha, mas por gratidão. Oh Merlin, como era bom ser amada de verdade.

- Me abraça. – pediu baixinho, abraçando Fred com mais força, enquanto este deitava ao seu lado, a abraçava pela cintura e a aconchegava em seu peito.

- Eu te amo. – ele falou com um sorriso doce nos lábios, antes dos dois caírem num profundo sono.


Suspirou quando o irmão finalmente sentou-se a sua frente no sofá no Salão Comunal, depois de longos minutos andando de um lado para o outro.

- Espera...- Rony começou a falar passando as duas mãos pelos cabelos – Você está querendo me dizer que beijou o Malfoy, pelo simples motivo que já estava cansada de esperar o... Harry?

Gina engoliu em seco e começou a enrolar uma mecha de seu cabelo, nervosamente.

Por que o irmão tinha que ser tão intrometido em sua vida. Nunca se metera no relacionamento dele com Mione... Bufou.

Mordendo a própria língua para segurar um palavrão entalado em sua garganta, tentou manter a maior calma possível, antes de responder num tom baixinho, que mostrava perfeitamente o começo de sua raiva.

- Rony você tem que concordar comigo que...- o ruivo se levantou bruscamente do sofá.

- Concordar? Gina, por Merlin, você beijou um cara que eu simplesmente detesto, uma pessoa que a nossa família odeia.

Gina passou a mão pelos cabelos, antes de erguer os olhos e encontrar as íris raivosas do irmão.

- Mas é isso que eu tento fazer você entender, Rony. – a voz começava a sair abafada e os olhos a brilharem graças às lágrimas – São VOCÊS que odeiam o Draco, e não eu. Só por que vocês não se dão bem, não quer dizer nada que eu tenha também que provocá-lo cada vez que aparece na minha frente. – batendo as mãos sobre os próprios joelhos, se levantou e andou até a janela, sentindo a brisa da manhã balançar seus cabelos – Rony, você não sabe como é difícil gostar de uma pessoa onde esta não nota nem mesmo um único fio de seu cabelo. Essa pessoa é tão cega a ponto de não saber que a pessoa que realmente o ama, que pode fazê-lo feliz, esta ali, na sua frente, mas ele não nota, continua cego, sorrindo para ela daquela mesma maneira que a encantada, daquela forma cega.

Rony engoliu em seco e caminhou até a irmã, ciente que o assunto não era mais sobre o Malfoy e sim sobre Harry.

Parando atrás da irmã, colocou as mãos sobre os ombros dela a fazendo virar para si e assim abraçá-la fortemente contra o peito.

Deus, ele não podia acreditar que ela, ainda amava o Harry. Ele jurava, colocava as mãos no fogo que aquela paixonite já havia se acabado... Mas não, ela havia aumentando, se transformando num amor incondicional. Algo que não se pode deter.

Suspirou e abraçou a ruiva ainda mais com força.

- Oh, Gi...- começou a falar, num tom de voz carinhosa ao lado do ouvido da irmã, a fazendo o abraçar ainda com mais força. – Eu não creio que você ainda ama o Harry.

Gina soltou um soluço quase insperctivel, mas onde Rony não pode deixar de ouvir.

- Você não sabe o esforço que eu faço até hoje para esquecê-lo, mano. – fungou – Mas eu não consigo. É algo que se lacrou na minha mente, no meu coração...- ergueu os olhos e sorriu tristemente para o irmão – na minha alma.

Sorrindo para a irmã, lhe segurou pelos ombros e a afastou de si delicadamente, de modo que pudessem se ver cara a cara.

- Gina, eu sei que deve ser difícil... Você tentando esquecê-lo, e quando finalmente encontra um garoto as pessoas vêem e te pedem explicações. – Oh sim, ele seria obrigado a engolir o próprio ódio e o orgulho. Tudo para vê-la feliz. Senhor, o que ele não fazia por aquela ruiva que amava. Era sua irmã. – Não quero saber o que você realmente esta pensando em fazer. Mas...- suspirou pesadamente – Eu não posso dizer que aprovo essas suas "ficadas" com o Malfoy, mas eu sei que mesmo que eu grite, esperneie ou te tranque num quarto, você não ira deixar de vê-lo. Então... Digamos que você tem o meu apoio, vou deixar você continuar essas...- fez uma careta, arrancando risadas da ruiva. – coisas, com aquela coisa. Tudo pela sua felicidade, pois isso é o que importa para mim. Acima de tudo. Você é minha irmã e eu te amo muito.

Gina sorriu de orelha a orelha e pulou no pescoço do ruivo, dando alguns gritos de felicidade.

- Obrigada Rony! Obrigada! – dando um exagerado beijo na bochecha do irmão, começou a andar saltitando pelo Salão, mas antes de sair pelo retrato pôde ouvir Rony falar num tom de voz paterno, onde arrancou gostosas gargalhadas suas com o comentário sem noção:

- Mas não quero ver a senhorita daqui três meses, falando que está grávida. – Gina revirou os olhos e saiu.

Quando a porta do Salão fechou atrás de si, suspirou.

- Obrigada pelo seu apoio Rony, mas entre eu e o Draco não poderá haver mais nada, pois, já conheço uma pessoa que o ama. – e sorrindo, começou a caminhar, para finalmente, sua aula de Historia da Magia.


Gemeu...

Ainda não havia chegado à hora do almoço?

Ele estava ali. Parado no corredor, com os braços cruzados em frente ao peito e andando calmamente, sem nenhum peso na consciência. Como se bater em mulher fosse a coisa mais normal do mundo, naqueles tempos.

Ah, maldito, galinha, cafajeste... Ele iria pagar. Desde o momento que levantou pela primeira vez a mão para Naty.

Iria quebrar cada dedo que ele tinha, cada membro e arrancar cada molécula.

Paul assinara sua sentença de morte, e ela, Talamay Sutramy, iria ter muito prazer em condená-lo ao inferno.

Respirando fundo e arrumando suas vestes sobre seu corpo, começou a andar em direção ao moreno como o rastejar de uma cobra; atenta e venenosa.

Os altos saltos batiam sobre o chão de pedra áspero, fazendo um barulho oco ecoar sobre as paredes frias.

- Ei, corno manso. – chamou-o no seu famoso tom cortante. Sorriu pelo canto nos lábios quando viu Paul parar bruscamente de andar e se virar para logo olhá-la com os olhos arregalados.

- Su? – ele perguntou numa voz baixa, numa maneira como se o nome dela fosse algo desconhecido e estranho para seus ouvidos.

May girou os olhos antes de cerrá-los, fazendo uma linha prateada brilhar sobre eles, mostrando sua raiva, onde ela se viu obrigada a cerrar os punhos para se conter.

- O que quer? – Paul voltou a perguntar.

A raiva dentro dela cresceu ainda mais.

Cínico...

Como ele poderia ser tão cara de pau, a ponto de perguntar a ele o que queria.

Ah, nada de mais, só matá-lo!, Pensou ironicamente, se aproximando ainda mais dele.

Dando os ombros parou a um passo de distância do moreno, e sarcasticamente respondeu:

- Nada de mais. – passou a ponta da língua sobre os lábios, umedecendo-os – Só torturá-lo lentamente e se eu tiver um pouco de piedade o poupo da morte. – riu – Onde ter piedade de vermes como você, não seja algo que eu esteja sentindo agora.

Paul relaxou os braços ao lado do musculoso corpo, e com os olhos castanhos brilhando de uma maneira onde fizeram a índia sentir um arrepio na espinha, perguntou:

- E como você pretende fazer isso? – May ergueu uma das sobrancelhas, e delicadamente começou a estrelar cada um dos dedos.

- Simples...- estralando levemente a língua, sumiu da frente de Paul e se colocou as suas costas, antes de um passe rápido de pernas, lhe derrubar no chão e colocar o salto fino do sapato no ponto certo na coluna vertebral dele, o fazendo gemer.

- Você é maluca? – ele perguntou tentando se soltar – O que eu fiz para você?

May não pôde conter uma fria risada, que atravessou o ar silencioso e tenso do corredor, enquanto um grupo de corvos bateram vôo entre as altas e macabras arvores da floresta proibida.

- O que você fez para mim? – a pergunta foi repetida com ironia – Nada... Só fiquei a fim de bater em alguém, e olha só que SORTE... Você foi o escolhido. Parabéns! – pressionou com mais força as costas dele. – Pare de ser um estúpido e comece a pensar no que você fez para me ver aqui, pisando em você como um animal rastejante.

Paul simplesmente sorriu, antes de, pegando a índia de surpresa, girar sobre o chão e bater fortemente a sua perna na dobra do joelho dela, a fazendo cair no chão.

- Eu realmente não sei. – ele falou, enquanto pegava a varinha e apontava para o coração de May, que prendeu a respiração, mas continuava com a mesma fisionomia de nojo para ele – Immobili Corparus Incantamem. – um facho forte de luz alaranjada penetrou sobre suas vestes, e pôde senti-la atravessar a sua carne, como um ferro em brasa, a fazendo morder o próprio lábio para não gritar. A luz percorreu seu corpo como se houvesse tomado conta no lugar de seu sangue. Aos poucos não conseguiu mais sentir suas pernas, sua barriga, seus braços e finalmente sua cabeça. Estava completamente imóvel.

- Covarde! – gritou com fúria, o fuzilando com os olhos ainda mais prateados.

Paul simplesmente sorriu, antes de começar a levita-lá em direção a uma sala vazia do corredor, e assim trancá-la, quando os dois já se encontravam dentro desta, sozinhos. Imunes a qualquer coisa no mundo a fora. E só de pensar nisso, May estremeceu. Estava naquele momento sozinha com um psicopata, onde nem mesmo Deus saberia o que ele iria fazer.

Maldição, onde está o retardado do Malfoy quando eu preciso dele!, Pensou raivosa, antes de arregalar os olhos. Merlin, nem mesmo em situações como essa àquela cobra oxigenada me deixa em paz. Inferno!

Mas era verdade. Nunca pensou que poderia algum dia desejar que Draco estivesse ao seu lado, a defendendo, a provocando ou até mesmo falando que ela era uma idiota a ponto de ir enfrentar um louco como Paul.

Bufou, antes de sentir seu corpo ficar suspenso no ar, em pé. Como numa posição que estivesse sendo crucificada.

Permitiu que seus cabelos caíssem sobre seu rosto contorcido em ódio, enquanto seguia com os olhos Paul andar de um lado para o outro pela sala, como se estivesse pensando o que iria fazer com ela.

- Fazia um bom tempo que eu vinha sonhando com esse momento. – ele falou, depois de longos minutos em um silêncio arrepiante. – E olhe agora... Você está aqui, sozinha, comigo e...- um sorriso cortou os lábios firmes. – Presa!

Seja lá o que ele esperasse que ela fizesse, foi algo que realmente o surpreendeu graças a sua fisionomia surpresa que fez, ao escutá-la rir.

- Sonho? – May perguntou entre os dentes – Tem certeza? Parece-me ser mais um pesadelo. Ou até mesmo um anjo da morte que veio lhe buscar para levá-lo ao inferno.

Paul se aproximou, girando a varinha entre os longos dedos finos.

- Anjo da morte, é isso que você é? – May sorriu.

- Não... Eu sou pior que ele.

Paul simples deu os ombros e cortou a distancia que havia entre eles.

Começou a girar a varinha ainda mais rapidamente entre os dedos, chegando a assustar May por alguns segundos.

Céus, ele era louco!

- Nossa! – falou antes de soltar um longo assobio, percorrendo os olhos pelo corpo dela - Como me excita vendo-a assim. Presa, somente minha. Como uma gata sem dono, onde deve ser...Domada!

Um repulso de repugnância se arrebatou a ela como uma onda forte e gélida. A fazendo estremecer.

Okay, aquilo não estava em seus planos. Deveria ter matado aquele louco quando o vira de costas.

Mas o orgulho e a vontade de sempre se manter superior a todos não permitira.

E agora, se arrependia de ter deixado se levar pela raiva e não pela razão.

- Agora, vamos deixar as coisas mais interessantes. – a voz dele a trousse para o presente, e só de ter a visão das íris escuras dele contras as suas, a faziam ter uma enorme vontade de gritar.

Pôde ver Paul fazer um leve gesto com a varinha em frente a sua blusa, onde esta se abriu bruscamente, fazendo todos os botões voarem para os lados, deixando a vista a fina e delicada peça do sutiã preto de renda.

- Você é perfeita...- ele falou, começando a lamber seu pescoço.

- Fique longe de mim seu porco. – May gritou, não conseguindo mais segurar o próprio pânico.

Paul se afastou dela e erguendo o punho lhe deu, fortemente, um soco no rosto, a fazendo abaixar a cabeça, enquanto sentia o liquido quente de seu sangue escorrer por sua têmpora. O desgraçado cortara sua sobrancelha.

- É melhor você ficar quietinha, pois agora que eu comecei não vou parar até terminar.

A voz dele veio como um punhal ao seu peito. O fazendo se apertar e começar a sufocá-la.

Seu coração ameaçou parar quando as mãos dele começaram a passear por seu corpo, o apartando de uma forma que chegava a machuca-lá.

Gemeu de dor, quando ele apertou um de seus seios, enquanto a boca asquerosa, viajava por sua barriga.

- Por favor, não...- pediu na tentativa de conseguir mexer alguma parte de seu corpo. Impossível, concluiu. Que feitiço ele usara? Nunca tinha ouvido aquelas palavras antes.

Tudo ao seu redor começou a girar, e temeu perder a consciência.

Sentiu as lágrimas marejarem seus olhos, quando Paul começou a abaixar o zíper de sua saia.

- Seu filho...- o moreno sorriu, antes de voltar a erguer o punho, pronto para um novo golpe, onde a pegou de surpresa a fazendo engolir as próprias palavras rudes.

Fechou os olhos à espera do golpe, aonde para o seu espanto, não veio.

Abrindo lentamente um dos olhos, para depois o outro, não pôde deixar de esconder o seu próprio espanto.

Paul tinha o punho suspenso no ar, enquanto uma mão pálida e forte o segurava fortemente.

Sorriu agradecida aos Deuses que deveriam ter ouvido seu chamado de socorro.

Um perfume cítrico circulou pelo ar a fazendo estremecer. Não de frio.

O perfume a fez sorrir ainda mais, enquanto penetrava sobre sua pele descoberta.

O vento frio que antes parecia ultrapassar sua pele como laminas se transformou num calor onde ela desejou que as peças fossem retiradas de si.

- Nunca mais toque nela, ou eu acabo com você. – o tom de voz venenoso a excitou ainda mais.

Franziu o cenho, enquanto seus olhos começavam a se cerrar lentamente.

Conhecia aquela voz... Mas não conseguia pensar com coerência para identificar a pessoa que a tinha.

Mas, a única coisa que pôde ver antes de perder a consciência, foi um jato de luz platinado parado entre o breu da sala e o grito de Paul caído no chão, quando recebeu a maldição Cruciatus.


Ele era louco!

Não pelo motivo de ter tido a audácia de fazer um feitiço de magia negra dentro do colégio, mas sim de ter trazido ela para o seu quarto.

Hesitou um pouco antes de voltar a colocar, delicadamente, o pano húmido sobre o corte na sobrancelha dela.

Sorriu ao deslizar os olhos pelo semblante adormecido. Os cabelos negros se espalhavam por seu travesseiro, às sobrancelhas bem feitas contornavam os olhos cerrados, onde os longos cilhos faziam uma fina linha negra sobre este. O nariz pequeno e delicado, e finalmente os lábios entreabertos, onde ela soltava a leve respiração, mostrando a sua calma e tranqüilidade.

A acariciava com os olhos, de uma maneira como se fosse possível ver o corpo dela alem das vestes.

Abaixou ainda mais os olhos, podendo ver o pescoço dela, alvo, com uma leve marca de chupão e a blusa branca amassada estava aberta, graças aos botões arrancados, lhe dando a liberdade de apreciar a delicada e rendada peça sensual do sutiã preto.

Céus, observar May estava começando a se tornar um vicio.

Ela era tão linda...

- Irritante...- murmurou para si mesmo, voltando a sua atenção para o ferimento. Mas sua mente não estava convencida em perder aquela luta contra sua teimosia.

Cativante!, Seu coração murmurou em sua mente.

- Chata.

Perfeita!

- Eu a odeio. – rebateu jogando o pano dentro da vasilha em cima da mesinha ao lado de sua cama. E então a voz de seu coração voltou a importuná-lo, agora o fazendo se contorcer incomodado.

Você a ama!, E assim se foi o deixando sozinho, somente com May, deitada em sua cama adormecida como um verdadeiro anjo e o seu traiçoeiro desejo por ela.

Algo gelado e fresco escorreu pelo seu rosto até chocar-se contra seus lábios e neste penetrar. A sensação da água sobre seus lábios e sua língua fez com que a sua garganta seca parasse de doer.

Abriu os olhos delicadamente, se deparando com os raios de sol e o céu límpido. Uma nuvem branca como o algodão, tampou o sol a fazendo ficar ainda mais relaxada para abrir os olhos e assim fazer com que suas íris escuras encontrassem com as claras, dele.

Engoliu em seco, e a sensação horrível de seca em sua garganta, voltou.

- Ma... Malfoy? – gaguejou, ainda atordoado.

Mas que por diabos estava fazendo ali. Olhou em volta e arregalou ainda mais os olhos, fazendo com que as orbes quase saltassem. Estava no quarto dele. Só os dois, e...

- Senhor das Alucinações! – balbuciou, antes de se sentar bruscamente na cama fazendo o loiro ter um sobressalto para trás – Draco Malfoy, seu pervertido descarado, o que pensa que está fazendo comigo no seu quarto, em sua cama e você ao meu lado com esse pano na mão como se fosse me amarrar?

Draco não pôde contar o sorriso que brotou no canto de seus lábios finos.

Oh sim, ela havia voltado.

Inclinou-se e colocou o pano sobre o cômodo ao lado da cama, antes de voltar a fitá-la de uma maneira divertida e passar a mão pelos cabelos, fazendo as mechas loiras caírem num jeito que o deixava mais sexy, de lado, tampando-lhe um dos olhos e parte da face pálida, que para a surpresa da índia, estavam incrivelmente azuis.

- Poxa, vejo que você descobriu o meu plano. – ele caçoou, soltando uma sonora gargalhada, fazendo May sentir um arrepio na espinha.

Era quase um mérito ver Draco Malfoy rir daquela forma, verdadeira e aberta, e de alguma maneira aquilo a enfeitiçou.

Olhou para si mesma, e tudo o que havia acontecido voltou como flash em sua mente.

Levou a mão à sobrancelha e gemeu de dor quando seu dedo chocou-se contra o ferimento.

- Ei vai com cuidado, eu ainda não fiz o feitiço para curá-lo. – Draco avisara, segurando o seu pulso num toque gentil e levando sua mão para a perna musculosa dele cruzada sobre a cama. – Como você está? – ela estava delirando ou havia realmente um toque de preocupação na voz dele?

Sorrindo debilmente e encostando a cabeça da cabeceira da cama, respondeu num tom brincalhão.

- Eu estou ótima e a sua coxa é realmente muito dura. – ela falou, vendo-o franziu o cenho e olhar para baixo, de modo que pudesse ver a mão dela apertar a sua coxa numa forma ousada.

Riu.

- Obrigado, são os exercícios de Quadribol. – ele lhe piscou o olho que estava a vista, sendo que o outro ainda se escondia entre as mechas platinadas – Sabe como é, depois do Baile vai haver a abertura dos jogos e esse ano a Sonserina vai ganhar.

May riu e pegou o copo de água ao seu lado e o bebeu, antes de soltar um aliviado suspiro.

- Espero! – disse, molhando a pontinha dos dedos sobre a água e passando sobre sua nuca – São mais de sete copas seguidas que a Grifinória ganha. Isso já ta ficando clichê de mais.

Draco voltou a rir e se aproximou dela perigosamente, com um sorriso sobre os lábios finos e delirantes.

Engoliu em seco. Só de olhar para a boca daquele loiro, uma sensação estranha a invadiu, era como se já o houvesse beijado.

Mordeu a própria língua para segurar a gargalhada.

Ela, Talamay Sutramy, beijar aquele, peixinho dourado? Nunca! Jamais! Nem louca!

Então por que seu coração começou a acelerar quando seguiu com os olhos a mão dele se aproximar de sua blusa, lentamente?

Abaixando os olhos em direção a si mesma pôde ver que o seu sutiã estava praticamente à amostra e antes que pudesse fazer qualquer coisa, Draco fez questão de levantar sua blusa que escorregara pelo seu ombro, a arrumando sobre si, a tratando como se fosse uma boneca rara tamanha a sua delicadeza.

- Pronto, assim fica melhor. – ele murmurou ao pé de seu ouvido quando começou a deslizar os dedos do seu pescoço até sua nuca, tirando o excesso molhado da água e o suor.

Ela era ou o quarto havia esquentando?

Os seus pelos se arrepiaram pela proximidade. Aquele corpo viril pressionando o seu levemente, o peito firme e musculoso colado ao seu, lhe dava um prazer tão bom que a fazia ter uma vontade arrebatadora de gemer.

Numa súbita vontade de se aninhar aos braços fortes do loiro, May ao abraçou pelo pescoço e apoiou seu rosto no ombro dele, e assim permitiu o que a muito não fazia na frente de alguém; chorou.

Draco se assustou de começo com o gesto da índia, mas no momento que sentiu a primeira lágrima dela molhar sua blusa não hesitou em abraçá-la e a aconchegar em seu peito.

Passou suas mãos pelas costas dela até chegar aos cabelos sedosos e entrelaçar seus cabelos as mechas negras.

Ela soluçava baixinho.

Há quanto tempo eles não ficavam daquela forma? Como verdadeiros amigos que no passado eram. Desde aquele maldito incidente quando ela o flagrará beijando uma garota com apenas dez anos em sua casa?

Sorriu travesso, ele era um Malfoy, e eles agiam rápido.

"Quando crescermos iremos nos casar", As palavras inocentes dela com oito anos, veio a sua mente. Ela já havia conhecido aquele maldito Lufo, obviamente, mas a amizade que ele tinha com ela na época era algo invejável. Pareciam que eram irmãos... Não! Eles eram algo a mais que aquilo. Um sentimento que começou a brotar entre eles desde cedo. Mas que foi adormecido e afogado pelo ódio e o orgulho.

Um Sutramy e um Malfoy. Aquilo seria realmente um belo elo.

Balançou a cabeça.

O que passou, já estava enterrado.

Agora ele estava ali, abraçado a May, curtindo aquele momento pleno que enchia o seu coração. Parecendo quebrar aquela barreira de gelo sobre ele e o fazer arder em chamas.

Céus! Depois de sua mãe, May e Gina foram às únicas que o viram como um humano. E não um garoto mimado, onde recebia cobranças de seu pai.

A abraçou com mais força quando um soluço veio ainda mais alto, o fazendo lembrar da cena que vira.

Estava passando pelo corredor abraçado a uma gostosa Corvinal quando ouvira o grito dela.

Tomado por uma onda de desespero começou a correr deixando a loira voluptuosa para trás. Tinha que encontrar May, e a encontrou. Presa por algum feitiço desconhecido por ele, e Paul a tocando de uma forma que fez seu sangue ferver.

Havia sido algo novo que sentiu, algo puro e selvagem, feroz e perigoso.

Não pensou duas vezes. Avançou sobre o moreno quando este ameaçou bater na índia novamente e quando o fizera cair no chão, à vontade de matá-lo fora à mesma como o de uma cobra pronta para devorar o seu rato em sua caçada noturna. Mas ele não estava a fim de ir para Askaban com apenas dezesseis anos de idade. Então, por que não um simples Cruciatus?

Sorriu ainda mais ao se lembrar dos gritos do moreno. Oh sim, aquilo fora realmente satisfatório.

- Shhh! Calma May...- Merlin, quanto tempo não a chamava daquela forma tão delicada e gentil, e por alguma razão gostara. – Já acabou, eu estou aqui. – E sempre vou estar! Sentiu vontade de dizer, mas conteve-se.

May afastou-se dele, de modo que seus olhos se encontrassem.

A índia sorriu e num toque delicado afastou sua franja loira de frente de seu olho, permitindo a visão ampla de seu semblante.

- Foi horrível Draco... A maneira que ele me tocou... Me beijou...- a fisionomia dela se contorceu numa maneira como se ela fosse vomitar a qualquer momento, o fazendo arregalar os olhos e se distanciar um pouco.

Okay, ela poderia ser linda, perfeita e tudo mais, mas ele não estava nem um pouco a fim de ter suas vestes sujas e fedendo a vomito.

- Mas já acabou May...- aquilo foi música para os ouvidos dela, que respirou fundo tentando se acalmar – Agora você está a salvo.

A índia segurou-lhe a mão e levou-a de encontro ao seu rosto.

- Promete que não vai me abandonar?

As íris escuras dela brilhavam enquanto esperava a sua resposta.

Draco abriu e fechou a boca várias vezes, estupefato.

Que tipo de pergunta era aquela? Ele nunca a abandonara. Enquanto ela pensava que ele havia parado de segui-la, ele se escondia atrás de alguma estátua, arvore, ou o que quer que fosse, mas sempre estava tomando conta dela.

Sorrindo abertamente colou sua testa na dela e suspirou.

- Sempre vou estar com você. – disse num murmúrio, a fazendo lembrar do ruído do veto e de sua soáveis.

Draco levou a mão aos cabelos dela e em seguida, correu a ponta dos dedos pelas mechas sedosas, trançando-lhe, então, os contornos delicados do queixo. Aqueles intensos olhos negros manifestaram surpresa, mas May não tentou se esquivar em momento algum.

Afagou-lhe o lábio inferior com o polegar. Talvez tenha sido o fato de lhe notar a respiração um tanto ofegante que o fez erguer-lhe o queixo de leve, e virar-lhe um pouco o rosto. Ou talvez aquilo tenha sido inevitável desde a primeira vez que a beijara, enquanto ela dormia.

- No que está pensando? – May sussurrou.

Clareando a garganta, conseguiu encontrar as palavras para responder num fio de voz:

- Em como está sendo difícil resistir. – Draco abaixou a cabeça e cobriu-lhe os lábios cheios e rosados com o seu.

Lábios se entreabriram, línguas entrelaçando-se languidamente. Era um beijo de descobertas e, embora não contivesse promessas, fez com que ambos se entregassem com abandono ao momento, uma união de lábios e suspiros de prazer, repleta de intimidade e possibilidades. Mesmo quando o beijo terminou gentilmente, e eles abriram os olhos, nenhum dos dois se afastou.

Draco fitou-a longamente, observando-lhe os olhos negros brilhantes, ardentes, os lábios cheios e úmidos de seu beijo.

- Muito difícil. – murmurou, rouco, e sem poder se conter, tornou a beija-lá.

Um tanto menos gentil agora, o beijo se intensificou, uma mescla volúpia e sofreguidão, um elo entre duas pessoas solitárias que, de algum modo, tinham se deixado conduzir áquele lugar, aquele momento no tempo. Draco quis estreita-lá no calor de seu corpo ansioso, deitá-la em sua cama e possuí-la ali mesmo, se pudesse.

Não estava a fim de ter uma família inteira de Sutramys atrás de si, junto, provavelmente, seu pai e... O padrinho dela.

Gemeu de surpresa quando May levou uma de suas mãos ao seio dela, o pressionando levemente, enquanto a outra lhe acariciava as pernas delicadas e bem torneadas.

Pôde sentir as mãos dela arranhar-lhe o peito e assim o abraçar pelo pescoço, aproximando ainda mais os corpos um do outro.

Agora sim ele tinha certeza que ela estava bem acordada e que aquilo não seria apenas um bom sonho, ou uma lembrança vivida somente por ele.

Agora, seria ela também a não conseguir dormir a noite com a lembrança e o desejo de provar novamente o seu beijo.

Sorriu e lhe mordeu o lábios num gesto selvagem, mostrando o seu desejo, onde ela correspondeu com a mesma paixão.

Teve vontade de gritar quando May se afastou dele delicadamente e moveu sua cabeça em direção a curva delicada e alva de seu pescoço.

- Beija...- ela pediu entre um gemido e outro, quando sua língua passou delicadamente pelo mesmo caminho que a de Paul fizera, antes de assim morder-lhe a pele a fazendo fechar os olhos e jogar a cabeça para o lado lhe dando um maior acesso.

Tudo aquilo era novo para ela. Nunca pensou em sua vida que o toque daquele loiro infeliz pudesse ser tão bom, ardente, prazeroso.

As mãos dele entraram por dentro de sua saia, cuidadosamente, como se temesse assustá-la em algum momento.

Sentia-se suja e nunca desejou tanto um banho em toda sua vida, mas antes queria desinfetar o loção que Paul lhe tocara, permitindo assim o toque de Draco sobre si. Mas aquilo estava começando a fugir de seu controle.

Desde o beijo dele em sua boca até as caricias, estava começando a ansiar por mais, cada vez mais, até que chegasse a um ponto que ela se sentisse satisfeita e consumida por uma plenitude maravilhosa.

A boca dele trilhou beijos doces de seu pescoço até o ninho entre seus seios, e quando a alça de seu sutiã deslizou pelo seu ombro, ela acordou do transe.

Engolindo em seco, respirou fundo e assim ergueu o rosto de Draco de encontro ao seu.

Sorrindo-lhe, deu-lhe um último beijo e assim murmurou.

- Obrigada eu estava mesmo querendo desinfetar. – jogou as pernas para fora da cama e começou a se calçar.

Draco estava estupefato. Nunca, nenhuma garota recusara suas caricias como May acabara de fazer.

Ela por acaso era feita de ferro ou algum material que não se quebrava, por ser tão dura?

Passando a mão pelos cabelos se jogou ao lado da cama, enquanto a índia terminava de se arrumar.

Seus lábios tremiam e seu corpo ardia.

Okay, ele poderia ser considerado louco, naquele momento. Chamem Dumbledore e peçam para que aquele velho lhe dissesse o que estava havendo com ele.

Tampou o rosto com a mão e tentou se recompor.

Estava preste a falar um sonoro palavrão que chegaria até mesmo a surpreender o próprio Voldemort, quando sentiu uma mão delicada em seu ombro, o fazendo tirar a mão do rosto e olhar para May que lhe sorria numa forma que fez seu sangue voltar a ferver, mas desta vez não era de raiva.

- E quero que saiba...- ela se inclinou sobre si e beijou-lhe o lóbulo da orelha, antes de sussurrar e assim ir embora – Eu sou mais o seu toque Draco, do que o dele. – e se foi, deixando para trás um abobalhado Draco Malfoy.

Andou pelo corredor com a cabeça baixa, em direção ao Salão Principal onde, finalmente, iria acontecer o seu tão esperado almoço.

Passando a mão pelos cabelos negros soltou o ar com força pela boca, onde havia segurado por um longo tempo.

Sua cabeça estava rodopiando de modo que chegava algumas vezes o fazer cambalear para o lado.

- Primeiro o desaparecimento do Siríus, depois essa maldita briga com a Gina e agora o mistério da pulseira da Su...- parou bruscamente de andar e arregalou os olhos quando uma imagem do passado veio a sua mente, como um raio.

- É uma pulseira muito bonita.

- Você acha que ela vai gostar? – o garoto lhe perguntou, olhando da jóia para ele e voltando sua atenção novamente para a jóia.

Sorrindo-lhe colocou a mão sobre o ombro do Lufo e disse com um sorriso:

- Sim, tenho certeza que a Cho ira gostar. – o rapaz franziu o cenho.

- Mas não é para a Cho que eu vou dar essa pulseira, é para uma garota muito mais especial. – franziu o cenho de modo que pedisse para que o jovem continuasse e assim ele fez: – Vou dar para a May Su da Sonserina.

Engoliu em seco, quando seus lábios se abriram e assim pronunciaram.

- Cedrico.

Continua...