Bella abriu um pouco as cortinas para respirar ar fresco.

Um cavalo e um cavaleiro estavam parados no bulevar e, por um momento, o homem lhe pareceu familiar. Antes que pudesse ter certeza, porem, ele foi embora. Ainda assim... estremeceu. Saint não se aproximaria de um lugar como o Almack's. Não havia razão para ele estar parado lá fora.

—Bella, esta me ouvindo? Ela largou a cortina.

— Oh, desculpe-me, Rosalie. O que disse?

—Emmett me contou que Manse quase se envolveu em uma briga hoje na Casa dos Lordes.

— Oh, por favor, Rose. Ele esta sempre envolvido em alguma coisa. Por que vou me importar com isso?

— Poderia, pelo menos, interessar-se em saber que quase comecei a brigar com o Duque para defender você, Bella. — A voz do visconde McCarty soou do outro lado.

Rosalie olhou para o marido com cara feia.

— Estamos conversando. Vá embora, Emmett.

— Certo — ele disse.

— Espere! — Isabella o segurou pelo braço. — Como assim, para me defender?

— Eu... ah... — Emmett olhou para a esposa, receoso. — Não foi nada. Eu tenho mesmo um problema mental.

— Por favor, Emmett, diga o que aconteceu. Estou tentando trabalhar com ele, e realmente não quero que você torne as coisas mais difíceis.

— Eu apenas sugeri que ele não a aborrecesse mais.

— Agradeço sua preocupação, mas, se eu quiser prosseguir com o meu trabalho, preciso da cooperação dele. Por favor, não saia em minha defesa de novo.

— Esta bem. Apenas não reclame depois que não a avisei, Bella. Perto do que ele já fez, eu pareço um anjo.

— Sim, por mais difícil que seja acreditar — Rosalie acrescentou, colocando o braço no do marido. — E a culpa foi minha, Bella. Pedi a Emmett para falar com ele. Estou preocupada com você.

— Não precisa. Posso tomar conta de mim mesma.

Sem duvida, ninguém acreditou nela. A orquestra começou uma das poucas valsas da noite e, sem muita dificuldade, ela convenceu Rosalie e Emmett a se unirem aos outros dançarinos na pista. Alice não estava na festa, e de repente, Bella se viu sozinha.

Infelizmente, o momento de paz foi breve.

— Bella— o irmão chamou-a —, você já conhece o duque de Monmouth? Vossa Graça, minha irmã, Isabella.

— Encantado — disse o duque, fazendo uma breve reverencia.

— Estava falando com Sua Graça a respeito de como você gosta de jogar xadrez, Bella.

Xadrez? Ela detestava xadrez!

— Sim, e verdade, apesar de eu não ter habilidade no jogo.

O duque assentiu.

— Dizem que o xadrez esta alem da capacidade mental das mulheres. Fico feliz era saber que pelo menos uma de vocês compreenda isso.

Bella forçou um sorriso.

— Quanta gentileza de sua parte! Presumo então que seja um jogador exímio.

— Sou o campeão de Dorsetshire.

— Esplendido!

— Sua Graça especificamente pediu para ser apresentado a você, Bella—- Jacob disse com um sorriso indulgente. — Sugiro que deem uma volta pelo salão, uma vez que nenhum de vocês gosta de valsar.

Bella suspirou. Xadrez e nada de valsa. Aparentemente, o duque era muito aborrecido.

— Seria um prazer, Vossa Graça.

Pelo menos, não teria de se preocupar em falar, já que o duque começara a fazer uma interminável explanação sobre xadrez. Ela apenas balançava a cabeça, concordando e sorrindo nas horas certas, enquanto amaldiçoava em silencio o irmão.

Ele já fizera isso antes.

Encontrava alguém que poderia apoia-lo politicamente, descobria seu passatempo favorito, e então o tornava o dela. Bella sempre odiara isso, mas detestava ainda mais agora que tinha coisas mais importantes para fazer.

Estava tão ocupada em concordar e sorrir que demorou um pouco para perceber que ele estava se despedindo.

— Obrigada por essa conversa tão interessante, Vossa Graça — ela disse com um ultimo sorriso e uma reverencia. Logo que o duque sumiu no meio da multidão, ela foi encontrar Jacob.

— Muito bem, Bella— ele disse.

— Você poderia pelo menos ter me avisado. Não sei nada sobre xadrez.

— Eu teria lhe ensinado, se achasse que você conseguiria dedicar a isso pelo menos um mínimo de atenção.

Bella estava tolerando aquilo por um motivo. Quem sabe, se tentasse convencer o irmão...

— Jacob, andei fazendo algumas pesquisas. Tem ideia de quantas crianças órfãs vivem em Londres? E se você...

— Não. Estou em campanha, e não reformando as coisas. E você deveria estar me ajudando.

— Mas e isso o que estou tentando fazer.

— Então pare de falar com Manse e pare com essas suas pequenas pesquisas. Se estiver interessada em crianças, case-se e gere algumas.

— Isso é maldade sua.

— Não estou aqui esta noite para agrada-la. E, por sinal, você não deve ficar com essa cara feia. Sua popularidade reflete em mim.

— Mas achei que eu não gostasse de valsa — ela retrucou.

— Você não gosta de valsa quando Manmouth estiver presente. Nem quando Manse estiver por perto.

— Hum... Pelo menos Manse não vive mentindo por ai para conseguir influenciar as pessoas.

Ela compreendeu de imediato que dissera a coisa errada, mas já era tarde. Jacob segurou-a pelo braço e levou-a para um dos cantos da sala.

— Tenho sido paciente no que se refere a você e Manse— ele murmurou. — Você se acha muito esperta e independente, mas, como seu irmão, devo informa-la de que apenas esta parecendo ser uma hipócrita e uma tola.

Lagrimas de frustração encheram seus olhos, mas Bella as conteve. Não daria a Jacob a satisfação de saber que podia faze-la chorar.

— Você sempre me achou uma idiota, mas não sou nem tola, nem hipócrita.

— Ah, então desistiu de entrar em contato com os de classe baixa, os órfãos e os mendigos de Londres?

— Não. Nunca vou desistir. Jacob sorriu maldosamente.

— Então deve saber que o patife que você anda defendendo esta em negociação com o príncipe George para derrubar o orfanato e colocar um parque no lugar.

Incapaz de respirar direito, Isabella o encarou. Jacob estava mentindo. Aquilo tinha de ter uma explicação.

— Isso não e verdade.

— E claro que e. Ouvi do próprio príncipe essa informação. O orfanato Coração da Esperança, ou algo assim.

Sem duvida, Manse quer tirar algum lucro desse acordo também. Ele não é conhecido por seu altruísmo.

Bella libertou o braço que o irmão segurava e que agora doía. Mas aquela dor não era nada se comparada com a que sentia no peito. Por que Saint faria uma coisa dessas?

No momento, ele ate parecia uma pessoa agradável. E aquelas crianças estavam sob sua proteção. Se ele pretendia derrubar o prédio, por que permitira que ela tirasse tudo dos depósitos? E...

Bella mordeu o lábio. Claro, ele a deixara esvaziar todas as salas. Isso pouparia o tempo dele mais tarde. Quanto à pintura das paredes, bem, era apenas uma inconveniência menor, e não representara despesa alguma para ele, alem de mante-lo longe de qualquer suspeita por parte dela e das crianças.

— Talvez a partir de agora você me escute quando eu tentar avisa-la de alguma coisa — disse Jacob. — Preocupo-me com você. Pare de ficar ai de boca aberta e vá dançar com alguém. Saiu-se bem esta noite. Vá se divertir.

Ela fechou a boca. Maldito Manse! Ele não ia destruir sua única esperança em contribuir com algo que valesse a pena. Não permitiria que ele fizesse isso.


Bella chegou cedo ao orfanato, indo direto a sala de refeições justamente quando as crianças estavam terminando o desjejum.

— Srta. Bella! — Rose exclamou. Ela e Penny correram para abraça-la. — Fiz um desenho para a senhorita.

— Verdade? Mal posso esperar para vê-lo.

— Desenhei todos nos dançando. Eu estou usando um vestido verde, porque e minha cor favorita.

Bella anotou mentalmente que deveria providenciar um vestido verde para Rose.

Todos eles precisavam de roupas, algo alem do que o orfanato fornecia. Infelizmente, ela já usara sua mesada na pintura e com os instrutores. Talvez pudesse convencer Victor de que ela o ajudaria melhor se tivesse um ou dois novos vestidos; assim, ele lhe adiantaria um pouco de dinheiro.

— Vamos dançar de novo hoje? — Penny perguntou.

Mesmo Molly, a mais cínica das meninas, não conseguia esconder um sorriso.

Isabella lutou contra o desejo de chorar. As crianças começavam a confiar nela, e o Duque de Manse queria arruinar tudo.

— Não temos uma orquestra, mas vou lhes ensinar alguns passos. Todos os que quiserem aprender a dançar serão bem-vindos no salão.

— Isso inclui a mim? — Saint estava parado junto à porta.

Ela estremeceu. No dia anterior achara o Duque enigmático e atraente. Hoje, gostaria de não tê-lo conhecido.

— Bom dia, milorde — ela disse, rangendo os dentes, sem ceder a vontade de olhado.

— Digam bom-dia, crianças.

— Bom dia, lorde Manse— o coro soou.

— Bom dia. Por que não seguem todos a nossa frente para o salão? A Srta. Swan e eu nos reuniremos a vocês em alguns instantes.

— Bobagem — ela retrucou com uma risada forcada. ― Vamos todos juntos.

Para ter certeza de que Manse não a interceptaria, ela deu as mãos para Rose e Penny. Precisava, e queria confronta-lo sobre a traição e a duplicidade, mas não ate que decidisse o que dizer; e não ate que pudesse fazer isso sem cair no choro ou, por mais satisfatório que fosse, dar um soco naquele belo rosto.

Saint seguiu os órfãos e a querida Srta. Bella deles ate o terceiro andar.

Aparentemente todos queriam aprender a dançar.

Ficaria apenas observando.

Considerando os sonhos eróticos que tinham perturbado o seu sono nas poucas horas em que conseguira fechar os olhos, o cumprimento de Isabella naquela manha fora uma espécie de banho de água fria.

Ela provavelmente soubera a respeito da discussão que ele tivera com McCarty e Wycliffe no Parlamento e estava tentando puni-lo pelo mau comportamento.

Isabella parou a sua frente, e Saint piscou. O vestido de seda cor-de-rosa de alguma forma salientava o tom cinza dos olhos. Tudo de que ela precisava era um par de asas para completar a aparência angelical.

Ele, querendo ir para a cama com um anjo!

Era só o que lhe faltava...

— O senhor pode fazer par com Molly? — ela perguntou, com o olhar fixo em seu ombro.

— Qual delas e Molly?

Seus olhares se encontraram por um breve momento.

— Não sabe nenhum dos nomes?

Considerando o humor dela, seria mais sábio não mencionar que passara mais tempo no orfanato nas duas ultimas semanas do que em todo o ano anterior.

— Sei o seu.

— Mas não sou uma moradora de um estabelecimento sob a sua supervisão. Molly e a menina de olhos verdes e cabelo vermelho bem curto. Ela fica tímida ao lado dos rapazes. Portanto, seja gentil.

Bella teria se afastado se Saint não lhe segurasse o braço.

— Não me de ordens, Isabella. Estou aqui porque escolhi estar.

Ela se soltou.

— As crianças não.

O senso de humor dele, já abalado com muito uísque e pouco sono, piorou bastante.

— E acha que dar-lhes umas poucas aulas de dança vai melhorar a vida delas?

Uma lagrima deslizou pelo rosto de Bella. Ela a enxugou com um gesto impaciente.

— E acha que derrubar o lar delas vai fazer isso? Não ouse impor seus inexistentes valores morais para mim.

Maldição!

— Quem lhe contou?

— O que isso importa? É um homem desprezível. Sua presença me faz sentir mal.

Saint a fitou. Sentiu a raiva tomando conta dele; raiva e frustração, porque agora ele nunca a teria. E, se não pudesse ter o que desejava, ela também não poderia.

— Saia daqui!

— O que?

— Você me ouviu, Isabella. Não é mais bem-vinda aqui.

Outra lagrima deslizou pelo rosto dela.

— Posso pelo menos me despedir?

As lagrimas ainda o aborreciam. O que havia de errado com ele ultimamente era culpa dela, decidiu, mas vê-la chorar o perturbava, mesmo que estivesse bravo o suficiente para estrangula-la.

— Tem quinze minutos. Vou esperar lá embaixo.

— Muito bem.

— E lembre-se, independentemente do que diga a eles, nada mudara. Assim eu sugiro que leve em conta os sentimentos de seus queridinhos e mantenha sua boca fechada.

— Bastardo — ela resmungou quando ele lhe deu as costas.

— Odeio você — As lagrimas escorreram mais forte pelo rosto dela.

O duque se virou lentamente, ele não conseguia entender o motivo que todo o corpo ter congelado quando ela disse isso.

Maldição! Não chore Bella!

Queria falar algo mais nada saiu da sua boca, só pode ficar olhando para ela e se odiando pelo olhar que ela lhe dava.

Bella viu-o descer as escadas sem olhar para trás. Quando ela se virou, percebeu que as crianças a fitavam. Fosse lá o que soubessem, elas não tinham poder para mudar nada, assim como ela.

— O que ha de errado, Srta. Bella? Ela secou os olhos rapidamente.

— Lamento, mas terei de ir embora. — Foi à frase mais difícil que já dissera na vida.

— Esta bem — Penny disse, pegando sua mão. — Podemos dançar amanha.

— Não, Penny, não podemos. Eu... eu não posso vir aqui de novo.

—Manse não a quer aqui, não é? — Randail Baker grunhiu.

— Não, não é isso... — Bella parou. Estava cansada de defender as pessoas quando elas obviamente não mereciam. Não mentiria para as crianças, muito menos para favorecer Manse. — Não, ele não quer.

— Por que não? — Rose agora estava com os olhos cheios de lagrimas.

— Porque a senhorita não deixou o bastardo levantar a sua saia, não é? — Matthew Radley tirou um cigarro do bolso.

Ela ruborizou.

— Não deveria dizer essas coisas, Matthew.

— Todos nos sabemos, Srta. Bella. — Molly se aproximou. — O Duque nunca passou tanto tempo aqui como desde que a senhorita apareceu. — Os lábios da menina tremiam. — E agora ele esta obrigando a senhorita a ir embora.

— Deveríamos trancar Manse na masmorra com os ratos.

A sugestão de Matthew foi recebida com aplausos das crianças. E Bella compreendia o sentimento, mas planos de vingança somente serviriam para diminuir o pouco tempo que ela tinha para as despedidas. E ela sabia que Manse viria busca-la, caso se demorasse.

— Infelizmente, Matthew, vocês são crianças, eu sou uma mulher, e ele é um Duque. E não temos uma masmorra. Penny, por que não pega um livro, e eu lerei uma ultima historia para vocês?

— Nos temos uma masmorra — Thomas Kinnett afirmou. — Com algemas e tudo o mais. E temos ratos, também.

— Do que estão falando?

Penny a puxou em direção as escadas que levavam ao porão.

— Venha. Vamos lhe mostrar.

O que quer que eles pensavam ter visto, o fato e que parecia importante para eles. E se Manse e outros membros do conselho tivessem montado uma terrível camará de horrores, ela poderia alertar as autoridades e talvez impedir a demolição do lugar. Mesmo sendo notoriamente mau, não parecia fazer o estilo do duque manter masmorras, mas no momento ela estava com tanta raiva que poderia ate acreditar que ele seria capaz disso.

O porão estava cheio de velhas camas e suprimentos, como sacos de farinha, barris com macas e coisas do tipo.

No meio da umidade, sem janelas, aquilo de fato parecia uma masmorra.

— Sim, e bastante assustador — ela concordou, para não ferir os sentimentos das crianças.

— Não é aqui, Srta. Bella— Randall disse com um sorriso de superioridade. — É mais adiante.

Juntos, ele, Matthew e Adam Henson, outro dos garotos mais velhos, afastaram uma das camas. Logo que a poeira assentou, ela viu uma porta na parede que antes estivera encoberta. Randall a abriu enquanto Molly providenciava numa vela. Dentro, um novo lance de escada levava a outra porta.

— Randall, deixe-me ir à frente — disse ela, erguendo a vela.

— Mas tem aranhas — disse Rose. Aranhas!

— Certo, mas tome cuidado — advertiu, permitindo que Randall a precedesse.

Rindo, ele abriu a pesada porta. Logo que entrou, percebeu que o lugar era minúsculo.

— Uma cela para soldados, imagino — murmurou Bella.

Algemas e correntes estavam penduradas em uma das paredes. Um banco pequeno e um balde eram a única mobília, alem de um par de castiçais de cada lado da porta.

— Viu? — Thomas perguntou. — Podemos trancar lorde Manse aqui e ninguém nunca saberá.

— E um pensamento bastante agradável, meus queridos, e eu o aprecio, mas sequestrar um nobre não e uma boa ideia.

— Mas se nos fizermos com que ele fique aqui, a senhorita pode continuar nos visitando todos os dias. — Uma lagrima escorreu pelo rosto de Penny.

O irmão dela, Willy, colocou o bracinho magro em volta de seu ombro.

— Não chore, Penny.

— Mas eu quero aprender a ler.

— Sim, eu também — disse Randall. — E eu ouvi o Duque dizer para a Sra. Natham que ele queria derrubar este lugar e acabar com a gente.

— E ele não pode derrubar o prédio se estiver trancado aqui embaixo, não é? —indagou Matthew.

Bella olhou para os meninos. Eles estavam apenas repetindo um comentário. Não tinham ideia de que o marques pretendia mesmo demolir o prédio.

— Esta tentada, não e, Srta. Bella? — Randall perguntou em voz baixa. — Podemos fazer um acordo. Prometa retornar aqui dentro de alguns dias, e nos prometemos que não terá de se preocupar mais com Manse.

O coração de Bella disparou. Saint a alertara de que alguns dos órfãos já eram pequenos bandidos, mas nem ele tinha ideia de como alguns reagiriam caso se sentissem ameaçados. Mesmo que ela tentasse tirar-lhes a ideia da cabeça, uma vez que fosse embora, nada impediria que tentassem trancar o duque ali. Alguém poderia sair ferido, ou pior. E se conseguissem prender Saint, não poderiam deixa-lo sair. Sequestrar um nobre, mesmo um com uma reputação como a de Manse, era um crime punido com a forca e Deus ele era um duque.

Por outro lado, se Saint fosse forcado a ter um contato mais próximo com as crianças, se visse como precisavam de alguém que cuidasse delas, como tinham necessidade de fazer parte da família que constituíam ali no orfanato, talvez mudasse de ideia. E talvez aprendesse o que era ser um cavalheiro, um homem, no melhor sentido da palavra. Oh, aquilo era insano! Se virasse as costas ou tentasse alertar Manse, as crianças se encontrariam em uma situação ainda pior do que antes de sua chegada ao orfanato. Porem, se mantivesse o controle da situação, fizesse as regras e conduzisse a trama, talvez, apenas talvez, pudesse salvar a todos. E ate mesmo fazer alguma diferença.

— Esta bem — disse, sentando-se no banquinho. — Todos vão ter de concordar com isso. E todos tem de concordar que eu estou no comando. O que eu disser, será feito. De acordo?

— Sim, capita! — respondeu Matthew.

— Certo. Precisamos agir com rapidez.

— Ótimo! Matthew juntos com os outros garotos coloquem um cama aqui, as meninas peguem alguns lençóis para cama. Vão, agora!

— Sim, capita!


Saint andava de um lado para o outro no vestíbulo. Deveria ter dado a Bella apenas cinco minutos para pegar os livros e sair. Porem, aparentemente, as lagrimas de Isabella Swan eram o seu calcanhar de Aquiles, e agora tudo o que podia fazer era consultar seu relógio a cada dois minutos e praguejar.

— Ela acha que sou desprezível — resmungou. — Minha presença a faz se sentir mal. Ela me odeia.

Ninguém dissera algo assim para ele e se safara depois.

Consultou o relógio mais uma vez. Dois minutos haviam se passado. Se Bella não aparecesse logo, iria busca-la. Guardou o relógio. Para que esperar?

— Saint?

Ele se virou. Bella estava parada junto a escada, com o rosto vermelho e o peito arfando.

— Pegue seus livros. O tempo já se esgotou. Ela não se moveu.

— Eu estive pensando...

Saint se encheu de suspeitas. Bella não parecia incapacitada pelas lagrimas, como ele esperara; tampouco estava implorando que a deixasse continuar ensinando os órfãos, nem que interrompesse os planos de destruição daquele maldito lugar.

— No que? — ele perguntou.

— Em como... me disse que... nunca fazia nada de graça.

Isabella estava nervosa, e isso não era tudo. Ele podia praticamente sentir a tensão no ar.

— E?

Ela tossiu.

— Estava pensando em qual seria o preço que cobraria para manter o orfanato aberto.

Saint não sobrevivera tanto tempo sendo um tolo.

O anjo tinha algum plano. Por outro lado, se isso envolvesse uma maior intimidade entre ambos, ele estava disposto a concordar. Ainda assim...

— Pensei que eu a fizesse se sentir mal e que me odiava.

— Sim, bem, eu estava com raiva.

— E não esta mais? — Ele nem tentou disfarçar o ceticismo na voz.

— Não entendo como pode fechar o orfanato. Sua mãe...

— Pelo amor de Deus! — ele a interrompeu. — Se estamos falando em sedução, não mencione minha mãe.

— Desculpe — disse ela, nervosa. —- Tudo isso e novo para mim.

— Isso o que?

— Vai... me obrigar a dizer?

Ele caminhou ate Isabella, não mais com pressa para vê-la longe dali.

— Sim — respondeu e a beijou.

Isabella pretendia fazê-lo prometer coisas, sem duvida e se ela fizesse tudo da maneira certa, concordaria com o que dissesse. Claro que também escutaria com muita atenção a maneira como ela formularia os pedidos. A longa experiência o ensinara que existia mais de uma forma de levar uma mulher para a cama, e mais de um modo de se livrar de um orfanato.

Levantou a cabeça, mas Isabella puxou seu rosto para baixo para um novo beijo.

Imediatamente, ele a pressionou contra seu corpo excitado.

— Você ainda tem de dizer, Isabella Marie — ele murmurou. As malditas salas de aula eram o lugar mais próximo e privado no qual ele conseguia pensar. As portas não tinham trancas, mas os garotos achavam que ela tinha ido embora. — Vamos, diga.

— Eu... — ela começou, ofegante, o olhar preso aos seus lábios. — Quero saber se deixaria de lado o plano de derrubar o orfanato se... se eu...

— Se me receber em seu corpo — ele sussurrou, soltando os cabelos dela. Ondas de fios sedosos com aroma de limão caíram sobre suas mãos.

— Sim.

Saint sacudiu a cabeça, tirando mais um grampo.

— Precisa dizer.

Ruborizada, com os lábios inchados por causa de seus beijos e os seios pressionados contra seu peito, o anjo murmurou:

— Se eu receber você em meu corpo.

— Temos um acordo, Isabella.

— Não aqui. — Bella gemeu quando sentiu os dedos de Saint nos seios. — As crianças...

— O que acha de suas salas de aula? — Ele capturou-lhe os lábios outra vez, ciente de que normalmente não reagia assim. Claro, vinha sofrendo por quase três semanas, mas esse desejo era novo. Era um desejo por Bella, e não por qualquer mulher.

— Não. Oh, Saint! Algo mais privado. Por favor?

— A sala de reuniões do conselho.

— O porão — ela sugeriu.

— Certo — concordou Saint, pegando-a pela mão e puxando-a para a escada. Um lugar cheio de poeira lhe parecia perfeito naquele momento.

— Mas meu cabelo esta solto...

— Iremos pelos fundos, ninguém nos vera.

Por ter sido um alojamento de soldados, havia duas escadas que levavam ao porão: as que saiam da cozinha, e as do velho escritório. Saint agarrou um lampião e abriu a porta do escritório.

— Tem certeza de que aqui não serve? — perguntou, beijando-a. Felizmente ela concordara em ceder, porque ele não tinha certeza de quanto tempo mais seria capaz de manter as mãos afastadas daquela mulher sem ficar louco.

— As janelas — ela disse.

— Vou fazer você gritar de prazer — murmurou ele contra os lábios de Bella.

Caso se detivessem ali por mais tempo, ele, que sempre se orgulhara de seu autocontrole, não seria mais capaz de andar. Pegou-a pela mão de novo e a conduziu pela escada.

Assim que chegaram ao porão, Saint a pressionou contra a parede de pedra, tomando-lhe os lábios em um beijo ardente. Por fim, estavam sozinhos, sem ninguém para interrompe-los pelo menos por uma hora, ate que as crianças começassem a fazer os preparativos para o almoço.

— Isabella... — Ele gemeu, beijando-a no pescoço.

—Sinto muito, Saint — ela murmurou.

— Sente pelo que?

— É para o seu próprio bem.

— O que...

Passos soaram atrás dele, e Saint sentiu algo atingi-lo na nuca. Conseguiu praguejar antes de cair desmaiado.


Olá meus queridos leitores, como vocês estão?

Vocês gostaram?

Oh Meu Deus a Bella sequestrou o nosso Saint 0_0 E agora? kkkk

Algo me diz que ele não vai ficar muito feliz. E vocês o que acham?

Bom, estou amando os comentários me deixam muito feliz e inspirada para continuar a nossa historia.

Comentem e me digam o que acharam!

Beijos!