Olá, eu voltei.
Sirius estava nervoso por encontrar seu afilhado, ele tinha evitado esse momento porque ele simplesmente não merecia ter contato com o ser inocente, que por sua estupidez tinha sido enormemente prejudicado. Ele não sabia como olhar para Harry sem se lembrar que por culpa dele James e Lily tinham morrido, ele ainda podia sentir o terror de quando entrou na casa dos amigos e só encontrou morte e devastação. Lutando para enterrar as más lembranças, Sirius segurou firmemente os pacotes de presente debaixo de seu braço e jogou o pó de flú na lareira. Ele não estranhou encontrá-la bloqueada, e esperou pacientemente até que um elfo chamou Abraxas, que permitiu sua passagem.
Quando o jovem lorde Black saiu da lareira na imponente sala de Malfoy Manor deu de cara com a varinha de Abraxas apontada em sua direção.
- Eu fui convidado. – Sirius disse, defensivamente.
- Eu sei, mas precaução nunca é demais. – O patriarca disse, lançando uma série de feitiços que verificaram Sirius para venenos, chaves-de-portal e outras surpresas desagradáveis.
- Eu não viria a sua casa para fazer mal a sua família! – Sirius disse, profundamente ofendido.
Abraxas deu de ombros, para logo depois estreitar os olhos.
- Eu não confio em ninguém ao redor dos meus meninos, é bom se comportar como o sangue-puro que é, ou vou te levar as masmorras e te dar a educação que Órion negligenciou.
Sirius corou de raiva, mas preferiu não mandar Abraxas enfiar as ameaças num lugar nada educado, afinal, ele era uma visita.
- Eu não preciso de uma lição de educação, ou de paternalismos, meu lorde. Eu sou o senhor da antiga e nobre casa dos Black. – Sirius afirmou, com toda pomposidade e orgulho que sua mãe tinha inculcado nele quando criança.
Surpreendentemente Abraxas sorriu, e negou com a cabeça.
- O seu grande problema lorde Black, é que nunca teve o preparo para ser o herdeiro depois de entrar na escola, mas isso já é outra história. Agora, me siga até os jardins, minha família está lá.
Sirius seguiu o homem até os jardins, pensando que deveria mandar alguém dar um jeito na mata sombria que rodeava sua casa agora, ele nunca tinha sido bom com esse tipo de coisa. A primeira coisa que ele ouviu foram os risos infantis, e quando ele olhou para a fonte do som, viu algo que fez seu coração bater mais forte. Harry estava flutuando e rindo loucamente, Remus corria atrás dele, pulando para pegá-lo, mas não conseguia porque o moreninho se esquivava no ar. Sirius ficou boquiaberto, até que viu a figura altiva e arrogante de Lucius Malfoy sentado numa espreguiçadeira com a varinha nas mãos. Harry se movia de acordo com a varinha do loiro, e isso fez Sirius ficar tenso, o loiro poderia machucar o bebê se quisesse, ele aproximou a mão se sua própria varinha, mas um puxão em sua túnica o impediu.
- Ei, moço! – Draco chamou. – Os presentes são pra mim?
Sirius olhou com cara de bobo para o menino. Ele era pequeno, da idade de Harry provavelmente, e claramente um Malfoy.
- Trouxe um presente para meu afilhado Harry e seu amiguinho. – Sirius disse, piscando um olho para o menino. Era filho de sua prima afinal de contas, e Narcissa sempre tinha sido divertida.
- Eu sou o amiguinho! Me dá, me dá! – Pediu o loirinho pulando.
- Draco Lucius Malfoy! Isso não é maneira de se comportar. – Lucius disse, se aproximando e olhando para o filho severamente, e com Harry no colo, para o horror de Sirius.
- Mas papai, ele trouxe presentes. – Draco disse, com carinha amuada.
- Sim, mas ainda assim não é educado. – Lucius retrucou e só então olhou para Sirius. – Black. – O loiro disse secamente, à guisa de saudação.
- Malfoy. – Sirius devolveu de má vontade, mas com os olhos postos em Harry.
Harry olhava curioso para o homem de cabelos grandes, se agarrou com mais força a túnica de Lucius, ele não gostava muito de novos adultos.
- Harry esse é seu padrinho, Sirius Black. Ele é meu amigo há muito tempo também, lembra de eu te mostrar as fotos dele? – Remus disse, chegando ao lado do loiro.
Harry sacudiu a cabeça e deu um sorriso amigável para Sirius.
- Olá Harry, já faz muito tempo meninão. – Sirius disse com voz embargada.
- Oi, padin. – O menino disse . – Esse é meu Daco.
Sirius sorriu quando viu o afilhado apontar para miniatura Malfoy no chão.
- Olá Draco, meu nome é Sirius Black, sou primo da sua mãe.
- Oh… tio Sirius, então? – Draco perguntou, confuso.
- Nem pense em chamar o vira-lata de tio, ele é só um incômodo. – Severus disse, se aproximando e pegando Draco no colo.
- Vira-lata? – Draco perguntou, confuso.
- Na frente das crianças não, Severus! – Lucius disse, taxativo.
Sirius sorriu de modo superior ao ver seu animigo sendo repreendido.
- Mas eu sou mesmo um vira-lata Draco, quer ver? – Ele perguntou ao menino.
Os dois meninos soltaram gritinhos extasiados quando Sirius deixou os pacotes no chão e se transformou num enorme cachorro preto. Harry forcejou para sair do colo de Lucius e se juntou a Draco para fazer carinhos no cão e logo correr com ele pelos jardins.
- Maldito exibicionista. – Severus masculou, irritado ao ver os meninos tão felizes ao lado do vira-lata.
- Isso soa um pouco ciumento Severus, não o deixe saber que te incomoda, ele usaria contra você. – Remus disse, amigavelmente.
- Duvido que ele possa pensar em algo assim. – O pocionista desdenhou.
- Não substime o Sirius, ele é uma mistura explosiva de influências, afinal, ele é filho de Walburga Black, quer ele goste disso ou não e foi um leão com tudo o que há de direito. – Remus disse, sorrindo enigmaticamente.
Lucius e Severus estranharam isso, mas ainda olhavam com caretas a cena de seu lindo Draco rolando na grama ao lado de Harry para escapar da versão animaga de Black.
- Devo providenciar biscoitos caninos? – Lucius zombou, vendo como o animago parecia muito a vontade em sua forma.
- Se ele se comportar, eu providenciarei a recompensa adequada. – Remus sussurrou no ouvido do loiro.
- Se atreva Lupin e da próxima vou morder suas bolas em vez de lamber. – Lucius disse, num tom normal, fazendo Remus sorrir e Severus corar furiosamente.
- Se controlem pelo amor de Merlin, tem crianças por perto. Pervertidos. – O pocionista reclamou.
Remus olhou divertido para Severus e ia fazer uma piada, mas Lucius fincou o cotovelo em suas costelas.
- Deixe-o em paz. – Lucius disse, ciente de que seu amigo não se sentia à vontade com piadas de cunho sexual.
O lobisomem obedeceu, nem ele era louco o suficiente para ir contra Lucius quando ele estava sendo protetor com Severus. Era uma má ideia.
X~X~X
Remus quase sorriu ao ver a cara de desapontamento de Sirius, quando os meninos praticamente desmaiaram de sono depois do almoço. Eles tinham corrido atrás do pequeno pomo encantado para voar baixo e mais devagar, que vinha junto com os conjuntos esportivos de quadribol que ele dado de presente aos meninos. Isso, depois de Lucius ordenar que entrassem, já que a pele dos meninos não ia se dar bem com o sol forte depois das dez da manhã, ainda mais correndo loucamente atrás de um cão. Claro que toda essa atividade fez com que sono fosse mais forte e os bebês terminaram dormindo lado a lado no tapete.
- Eles dormiram sujos e suados. – Lucius reclamou, se inclinando para pegar Harry, enquanto Remus pegava Draco.
- Sim, mas podemos dar um banho rápido neles antes de colocá-los na cama. – O lobisomem disse. – Quer conhecer os quartos dos meninos, Sirius?
Lucius fez um beicinho, mas eles estavam tentando trazer Black para o lado deles afinal de contas, e ele precisava fazer concessões. Sirius seguiu os dois homens e ficou impressionado com o quarto onde entraram, viu que Lucius era hábil em desvestir e banhar Harry num trocador alto sem acordá-lo, enquanto ralhava com Remus por ser desajeitado com Draco.
- Por que ele dá banho no Harry? – O animago perguntou ao amigo, baixinho.
- Harry se sente mais seguro com ele. – Remus respondeu dando de ombros. – Lucius que cuidou dele primeiro quando o resgatamos dos trouxas.
Sirius assentiu, mas Remus pegou aquele olhar sombrio e escuro no amigo, que o lembrava de que família Sirius vinha. O animago viu como ele e Lucius colocavam Harry e Draco no mesmo berço.
- E isso? – Ele perguntou, divertido.
- Ah, eles não gostam de dormir separados, por isso o deixamos dormir juntos de tarde, mas a noite colocamos um em cada quarto. Essa porta leva ao quarto do Harry. – Remus disse apontando para a parede oposta ao berço.
Os três adultos saíram do quarto, e Sirius limpou a garganta.
- Tem algum lugar onde possamos conversar a sós? – Ele perguntou a Remus.
- Bem, isso depende, pretende agredir meu funcionário novamente? – Lucius espetou.
- Isso não é da sua conta, Malfoy. – Sirius sibilou em resposta.
- Sim, é. Principalmente quando sou eu quem tem que curar e cuidar do estrago depois.
Remus entrou no meio dos dois.
- Pelo amor de Merlin, parem de agir como dois adolescentes. Ele não vai me atacar de novo, não é idiota… quer dizer, não é tão idiota assim.
- Moony! – Sirius protestou quando Lucius sorriu.
- Pare de choramingar, te acompanho até a saída e então podemos conversar.
- Tudo bem.
Os dois amigos saíram da casa e se afastaram pelos jardins, era uma caminhada agradável até os portões de Malfoy Manor.
- Eu… é… sabe que sinto muito, não é?
Remus ignorou o pedido desajeitado de desculpas, ele queria que Sirius sofresse um pouco.
- Não seja malvado Moony! Eu… fui um idiota, mas tem que admitir que era muita coisa para lidar e você ficou defendendo as cobras. – Sirius disse, parecendo um menino emburrado.
- E Fenrir. – Remus esclareceu.
Sirius estremeceu de desgosto.
- Sim, e esse.
- Ele não é como eu pensava, não me mordeu porque é um bastardo sanguinário.
- Eu posso aceitar isso, mas acredite em mim, as coisas que eu vi ele e seu bando fazendo junto com Voldemort eram exatamente o que um bastardo sanguinário faria.
Remus não tentou argumentar contra isso. Sirius e James tinham sido levados a campo nas batalhas contra Voldemort e ele sabia que Fenrir e o bando tinham feito estragos grandes.
- Era uma guerra. – O lobisomem disse.
- Sim, mas não me peça pra esquecer que vi seu querido alfa desmembrando um amigo meu. – Siriu disse, sombriamente, e logo suspirou. – Se falarmos disso, vamos terminar rolando no chão de novo.
Remus bufou, indignado.
- Não seja convencido Padfoot, eu deixei você ganhar porque não era justo bater num pobre homem sem rumo, recém saído de Azkaban. – Disse Remus, dando de ombros.
Sirius chiou de indignação.
- Nunca! Eu posso te vencer a qualquer momento.
- Lobisomem. – Disse Remus apontando para si mesmo. – Bruxo magricela.
Sirius inflou as bochechas, indignado.
- Eu estou voltando a minha forma! Olha aqui. – O animago exlcamou, desabotoando a camisa. – Minhas costelas não estão mais aparecendo.
- Nada de músculos. – Remus riu, cutucando a barriga do amigo.
- Eu ainda não tive tempo pra me recuperar. – Sirius reclamou.
- Claro, porque frequentar a temporada de bailes, jantares e recitais do mundo bruxo é muito mais importante.
- Eu estava tentando me divertir, já que meu melhor amigo me trocou por um bando de serpentes.
Remus revirou os olhos.
- Quem foi que saiu socando os outros?
- Isso não vem ao caso! – Sirius disse, mais calmo. – Eu tinha entendido que você ficou com os Malfoy porque não tinha outro lugar pra ir e eles se dispuseram a ajudar.
Remus assentiu.
- Bem, agora eu voltei e tenho acesso aos cofres da minha família. Vocês podem se mudar para Grimmauld Place.
- Não podemos, há termos específicos no acordo de guarda do Harry. Dumbledore queria dá-lo aos Weasley porque sou lobisomem. – Remus explicou.
- Dumbledore. – Sirius disse com desprezo, ele ainda estava se segurando para não confrontar o velho, pela primeira em anos, ele iria pensar antes de se vingar.
- Não faça nada estúpido Sirius. – Remus pediu. – Ele é pior do que imagina.
- Como pior? E eu sou o padrinho de Harry, ele não pode querer colocar travas se eu quiser que vocês dois venham para minha casa.
- Mas Harry está bem aqui! – Remus disse. – Ele tem Draco e estabilidade pela primeira vez em muito tempo.
- Mas está na casa com três comensais da morte! – Sirius rugiu. – Não me diga que confia nessas cobras, pelo amor de Merlin!
- Eu confio, e acho que está na hora de você ver que o mundo não é preto e branco. – Disse Remus, girando sobre os calcanhares e voltando para a mansão, sem ânimos para brigar com o amigo de novo.
X~X~X
Remus ficou chateado que Sirius não tinha reagido como ele esperava a visita. Claro que ele sabia que seu amigo não tinha seus instintos de lobo para ajudar a aceitar os Malfoy e Severus, mas ele não podia confiar no juízo de Remus sobre isso? Ele só queria um pouco de confiança sobre isso, mas não, Sirius tinha que ser um bastardo desconfiado e agir como se tudo fosse uma conspiração para prejudicar Harry.
O lobisomem já estava ruminando sobre o assunto há três dias e nessa manhã descontava suas frustrações numa massa de pão. Um sorriso de lado apareceu em seus lábios quando ele ouviu os elfos choramingarem sobre um "amo" cozinhando e sobre os "aminhos" se sujando.
- Comigo, eles não fazem essa algazarra. – Severus disse, apontando para os meninos, que sentados em cima do balcão sujos de farinha e brincando com pequenas bolas de massa.
- Eu sou um preceptor, estou ajudando a desenvolver as capacidades motoras dos meninos. – Remus disse, dando de ombros, ele se sentia sumamente incômodo em ser sustentado por Malfoy, mas o loiro o tinha olhado gelidamente quando ele mencionou uma proposta de Gringots para ser rompedor de maldições.
- Precisa melhorar essa desculpa, se é o que está pensando em dizer ao Lucius quando ele souber que andou deixando o herdeiro Malfoy sujo e fazendo trabalhos braçais.
Remus ficou tentando a mostrar a língua para Severus.
- E é bom acrescentar que está explorando meninos de dois anos de idade. – O pocionista adicionou.
- Não seja dramático, eles gostam, não é meninos? – Ele perguntou aos meninos, mas não recebeu resposta porque eles estavam mais interessados em fazer figuras com a massa que nos adultos.
- Leu o jornal hoje? – Severus perguntou, sem mais rodeios.
- Não, Lucius estava atrasado para o trabalho e…
Severus deu um sorriso travesso.
- Oh, noite agitada?
- Sim, mas não porque você está pensando. Draco teve febre ontem a noite e Lucius não quis ir dormir enquanto a poção não fez efeito.
Severus imediatamente foi até o afilhado, lançando feitiços diagnósticos.
- Por que ninguém me chamou? – Severus perguntou, azedo.
- Porque você chegou exausto da convenção em Genebra, e porque não era grave. – Remus contemporizou.
- Vocês dois não tinham como saber. – Severus teimou. – Mas é só o começo de um resfriado. Harry está bem?
- Sim, ele está ótimo. E afinal, o que tem no Profeta? – Remus perguntou, enquanto fazia bolinhas com a massa.
- Seu amiguinho não é mais um herdeiro vagabundo, ele foi reincorporado aos Aurores, sob a tutela de Moody. – Severus disse. – Isso vai ser um problema? Afinal, você como o leão tolo que é, contou muitas coisas comprometedoras ao vira-lata.
Remus rilhou os dentes, isso era algo que ele não gostava.
- Eu não sei, não estamos em bons termos, mas acho que ele seria incapaz de me prejudicar diretamente.
- É melhor procurar saber, porque Dumbledore não vai demorar para fazer sua jogada. Ele pode muito bem engambelar o vira-lata e convencê-lo a ficar do lado dele.
Remus esmagou uma bolinha de massa, raivoso. Nada daquilo estava saindo como o esperado, e para ajudar, a lua cheia era em dois dias. Se Sirius fizesse besteira ia terminar com uma mordida ou duas naquela bunda magra.
X~X~X
O ruim de voltar ao departamento e ser treinado por Moody, era o fato de que seu mentor podia ser um sádico. Depois do terceiro dia nas mãos do auror, Sirius estava com dor em músculos que ele nem lembrava que tinha. Quando o herdeiro saiu da lareira em sua casa, caiu no sofá sem nem mesmo tirar a parte de cima de sua túnica de auror. Sirius soltou um suspiro casado e fechou os olhos, e logo, sentiu a ponta de uma varinha fincada em seu pescoço. Sirius abriu os olhos lentamente e sorriu preguiçosamente para a figura de Abraxas Malfoy.
- Ora vejam só, veio até minha casa para me colocar sob imperius e usar meu jovem e tentador corpo? – Perguntou o jovem bruxo, esticando o corpo e batendo os cílios, de forma coquete.
O loiro bufou em descrença e olhou para o corpo de Sirius.
- Eu não sou exatamente um apreciador de músculos, a menos que considere usar calcinhas rendadas e fazer uma depilação...
Sirius fez uma careta, aquele era um patriarca puro-sangue difícil de desconcertar. Seu pai teria tido um ataque apoplético se alguém falasse com ele assim, e nunca responderia com uma pilhéria sobre calcinhas de renda.
- Não, sou muito tradicional quanto as vestes… não uso nada por baixo da túnica. – Sirius disse, atrevidamente.
Abraxas revirou os olhos.
- Eu esperava que um auror fosse mais cuidadoso, e menos irreverente. – Abraxas disse, guardando sua varinha, finalmente.
- Eu poderia me defender e te desarmar em dois tempos. – Sirius disse, sacudindo sua própria varinha. – A que devo a invasão?
- Sabe que dia é hoje? – Abraxas perguntou.
- Dia de lua cheia? Problemas para manter Moony sob controle? – Sirius perguntou.
- Não exatamente, mas tenho certeza que ele apreciaria companhia.
- Ele deveria estar bem, Snape não fez a mata-lobos? – Sirius perguntou preocupado, ele se lembrava como o amigo ficava depois das transformações sem a poção.
- Ele não precisa mais da poção… deveria vir e descobrir que por mais sanguinário que tenha sido na guerra, Fenrir é um bom alfa e ajudou seu amigo, coisa que você não está fazendo.
Sirius bufou.
- Veio me dar sermão sobre como tenho que lidar com meu melhor amigo? Eu o conheço há muitos anos, eu sei quando é a hora de nos reconciliarmos. E estou usando o tratamento do silêncio.
- Então, está dando um gelo no seu melhor amigo porque quer provar um ponto? Confesse, você é uma garota do quarto ano. – Abraxas disse, perplexo.
Sirius usou todo seu auto controle para não corar.
- Estamos num impasse de definições morais.
- Você tem alguma? Soube de um incidente com a filha de Lady Cosby no armário embaixo da escada, que diz o contrário.
Dessa vez Sirius corou.
- Ela praticamente me encurralou, juro!
- Sabia que Harry vivia trancado num armário muito menor que aquele na casa dos tios? Que estava sozinho, machucado e faminto quando Remus o encontrou?
O semblante de Sirius se anuviou de tal forma que Abraxas viu pela primeira vez no jovem herdeiro a expressão carregada e terrível de Órion Black.
- Eu sei, e acredite, eu vou me vingar.
- E sobre o jovem sr. Lupin? Sabe que ele ficou vagando sem dinheiro e faminto pela Europa? Fugindo de tudo e todos porque ficou sozinho? E que foi Fenrir GreyBack que o ajudou a se recompor?
- Sim, eu sei também que Fenrir Greyback foi um dos mais sanguinários e letais dos servidores de Voldemort.
Abraxas estremeceu levemente a menção aberta de seu antigo mestre.
- O Ministério está atrás dele claro, e eu teria imenso prazer de dar uma ou duas dicas sobre a posição daquele maldito clã de assassinos, mas não vou fazer isso porque seria o diabo explicar porque Remus sabia disso e não disse nada, mesmo sendo membro da Ordem da Fênix. Eu protegendo o meu amigo mantendo os aurores idiotas fora do rastro da porra do lobisomem que ele parece amar agora.
- Então, se já está ajudando, por que simplesmente não voltam a fazer coisas efusivas e irritantes de gryffindors?
- Porque eu não quero! Quero que ele fique tão chateado quanto eu! – Sirius disse, e arregalou os olhos, se dando conta de que estava falando muito mais do que deveria. – Que classe de feitiço é esse?
- Oh, uma simples compulsão pela verdade. Nada muito grave, mas pensei que um aprendiz de Moody saberia evitar ficar a mercê da varinha de um comensal da morte.
- Serpente traidora! – Esbravejou Sirius, lançando um finite em si mesmo.
- Sim, eu sou. Agora, seja um cachorro bonzinho e vá correr com seu amiguinho.
Sirius ia retrucar, mas o homem desapareceu, deixando-o com os xingamentos na ponta da língua. Foi então que o auror se deu conta de que estava morando numa casa cujas proteções eram as mesmas desde os tempos de seus pais.
- Monstro! – Ele esbravejou chamando o velho elfo, era hora de começar as mudanças.
X~X~X
Remus amava correr na floresta perto de Malfoy Manor, ele podia sentir o vento, o cheiro e podia caçar. Ele tinha se tornado um caçador muito bom, por isso, levou um bom susto quando sua corrida foi interceptada por um pulo certeiro de Sirius, que o desequilibrou e terminou com ele debaixo do cão negro. O lobisomem rosnou e forcejou para tirar o amigo de cima dele, e os dois começaram uma disputa nem tão amigável assim. Remus estava irritado com o comportamento de Sirius, e este por sua vez também estava chateado com o amigo. Ambos sentiam a adrenalina correr em suas veias enquanto corriam e logo rolavam numa briga novamente, pareciam dois filhotes enfurecidos. Brigando sim, mas sem causar estrago suficiente para ser uma preocupação real.
Quando os primeiros raios de sol acompanharam a transformação de volta a humano de Remus, Sirius estava a seu lado, cansado e arisco, mas a seu lado.
- Vamos lá Padfoot, converse comigo. – Pediu Remus com voz ainda rouca pela influência da lua.
O cão soltou um latido e se virou, dando as costas ao amigo nu e agora humano.
- Não seja uma criança, sei que está curioso.
Sirius reverteu sua transformação e apareceu sentado na grama ao lado de Remus.
- Como pôde virar um lobo daquele tamanho? Só soube que era você pelo cheiro.
- A transformação humanóide é uma das fases que um lobisomem pode usar. Aprendi a transformação completa e intermediária com Fenrir e seus betas. É uma novidade ter controle sobre isso, e muito menos doloroso se quer saber.
- Entende que eu nunca vou sentar numa mesa e conversar com esse assassino, certo? – Sirius perguntou, depois de uma pausa.
- Sim.
- Mas eu também não vou entregá-lo para o Ministério, porque você parece estranhamente encarinhado com o desgraçado que te mordeu. – Sirius levantou a mão para impedir Remus de interrompê-lo. – Sim, eu sei que ele te salvou e eu sou estranhamente agradecido por isso, mas eu não vou esquecer que aquele homem retalhou muitas pessoas pra viver.
- E sobre os Malfoy?
- Ainda acho que eles estão planejando algo contra o Harry, tê-lo por perto é uma jogada desses loiros.
- Sim, eu sei. A jogada deu a eles a respeitabilidade e o status que tinham perdido, sei onde estou metido Sirius, serpentes não fazem boas ações de graça. Meus instintos salvaram Harry, pode ter certeza de que saberia se Lucius estivesse querendo algo mais que mimá-lo até a perdição.
- Lucius? Desde quando estão no primeiro nome?
- Costumo deixar formalidades de lado quando tenho um loiro bonito chupando meu pau.
Devidamente chocado, Sirius ficou de boca aberta enquanto seu amigo se levantava e andava em direção a mansão, nu e assoviando.
X~X~X
Lucius se esticou na cama do quarto de Remus. Ele tinha passado a noite ali, esperando calmamente pelo retorno do lobisomem, o sol tinha se levantado há poucos minutos quando o loiro começou a ficar impaciente pela demora do lobisomem. Ele tinha estado excitado desde a noite anterior, esperando o momento que Remus voltaria para casa, ainda sob os efeitos da lua, ou seja, totalmente selvagem e pervertido.
O loiro sentiu as proteções da mansão estremecerem e darem passagem para Remus. Não demorou muito para o lobisomem chegar em seu quarto, e Lucius percebeu como ele parou na porta, respirando fundo e provavelmente sentindo o cheiro de sua excitação.
Remus sentiu o cheiro de Lucius assim que abriu a porta de seu quarto, só não esperava que o loiro estive nu, em sua cama. A visão e o cheiro da excitação de Lucius foram diretamente para seu pau, que começou a inchar, na mesma medida em que seu lobo interior começava a salivar de desejo por seu companheiro. O lobisomem fechou a porta e lançou alguns feitiços de privacidade, antes de largar sua varinha na mesinha novamente. Quando Remus chegou perto da cama, Lucius estava confortavelmente deitado de lado, o rosto apoiado numa das mãos e com os cabelos caindo numa cascata graciosa ao lado de seu rosto.
- Atrevido. – Remus disse, agarrando um punhado de cabelo loiro e se inclinando para aspirar o cheiro de Lucius.
- É sua culpa, não é? Estou excitado como uma cadela no cio e é sua magia, não é? – Lucius perguntou, se arrastando pela cama de modo que estivesse de cara com o pênis de Remus.
O lobisomem sorriu lascivamente para o loiro e em vez de responder agarrou os cabelos do nobre puro sangue, levando a boca de Lucisu a seu membro semidesperto.
- Eu adoro a lua cheia. – Lucius murmurou, ao ver como o pau de Remus ficava maior e mais cheio nessa época.
Remus gemeu quando o loiro abocanhou a ponta de seu membro, Lucius circundou a ponta com a língua, provocando e sugando apenas aquela pequena parte, como se estive chupando um pirulito de sangue.
- Você vai me matar. – Remus resmungou, ao sentir sua ereção se encher e inchar a um ponto praticamente insuportável.
Foi a vez de Lucius só sorrir e usar os dentes para provocar o lobisomem, fazendo-o gemer. Quando Remus sentiu a boca do loiro envolvê-lo pouco a pouco fechou os olhos para aproveitar a sensação e com a mão firmemente enroscada no cabelo macio do amante, forçou a cabeça de Lucius até sentir os lábios esticados na base de seu pênis. E gemeu quando o loiro em vez de tentar se afastar começou a usara língua para massageá-lo, enquanto movia a cabeça levemente, fodendo sua própria boca.
- Você vai me matar. – Remus guinchou, abrindo os olhos.
Lucius continuou chupando-o, se apoiando nos joelhos para ter um ângulo melhor, o que deu ao lobisomem uma visão privilegiada de sua bunda arredondada, mas o que o fez praticamente salivar, foi ver que Lucius usava um plugue, que claro, tinha que ter uma pedra preciosa azul na base.
- Atrevido e pervertido. – Remus disse, deslizando as unhas, ainda afiadas pelas costas do loiro, agarrando as duas partes da bunda de Lucius, abrindo-o ainda mais para seu olhar.
Lucius soltou o membro de Remus, dando lambidinhas travessas por toda a extensão da ereção palpitante.
- Eu disse, estive excitado como uma cadela no cio. – Lucius disse, passando a ponta da ereção palpitante de Remus por seus lábios inchados.
- Oh não… você é como um gato. – O lobisomem respondeu empurrando o loiro na cama, fazendo-o cair de bruços. – Mimado, altivo… e muito provocador.
Lucius mordeu os lábios quando Remus afastou suas coxas e o deixou aberto e vulnerável. O lobisomem começou a girar o plugue dentro dele, aquele era um de seus brinquedos favoritos, tinha o formato de gota e podia sentir o brinquedo alargando-o, deixando-o mais quente e excitado. Remus por sua parte, gostou de ver como Lucius gemeu e começou a rebolar, ele tinha um gatinho cheio de tesão nas mãos, e se tinha uma coisa que Lucius não era, era um amante dócil. Sem hesitar, Remus deu uma forte palmada numa das nádegas brancas do loiro, vendo como o local avermelhava deliciosamente, sem poder se conter, deu mais dois, deixando Lucius com um dos lados da bunda, quente e sensível.
- Eu poderia fazer isso por horas. – Remus sussurrou no ouvido de Lucius. – Mas agora, estou mais interessado em foder essa bunda linda.
Lucius estava propenso a responder, mas as palmadas, tinham feito com que ondas de prazer endurecessem ainda mais seu pênis. Ele sentiu Remus tirando o plugue de dentro dele, para logo colocar dois dedos dentro do loiro, verificando que ele estava palpitando e lubrificado. Como já estava em cima do loiro, Remus só moveu o corpo, fazendo sua ereção se esfregar na entrada de Lucius por algum tempo, o loiro choramingou, movendo os quadris e pedindo para ser penetrado.
- Vamos lá Lupin, não me quer? – Lucius perguntou com voz urgente.
- Você o quer? – Perguntou Remus voltando a se mover e esfregar sua grossa ereção entre as nádegas de Lucius. – Quer que eu termine de te abrir? Porque sabe que sou muito maior que esse brinquedinho, certo?
- Sim, eu quero você. – Lucius admitiu, sentindo-se quente e pronto para explodir. Maldito fascínio lupino.
Remus se ajoelhou, e abriu as coxas de Lucius, fazendo-o empinar a bunda no ar. Sem esperar por mais pedidos do loiro, encaixou a ponta de seu membro na entrada palpitante e forçou sua entrada, sentindo como Lucius se abria pra ele, para acomodá-lo até as bolas.
Lucius soltou um gemido lamentoso quando Remus terminou de entrar nele, o lobisomem era grande e tinha enfiado o pau nele até as bolas, sem dó. Exatamente como ele amava. O loiro mal tinha tido tempo para respirar quando o lobisomem recuou, quase saindo dele e logo voltou a entrar com força, impulsionando-o para os travesseiros. Lucius agarrou os lençóis com força, assim, ele não aguentaria muito tempo.
Remus amava o modo que Lucius impulsionava os quadris para trás, a procura de sua ereção em vez de recuar. Agarrou uma parte dos longos cabelos, tirando-os do caminho de sua boca, lambeu a pele salgada do pescoço do loiro, sem parar de investir contra aquela bunda maravilhosa nem por um minuto. Sem poder conter seus instintos, cravou os dentes na pele macia até sentir o gosto do sangue de Lucius e isso enviou uma onda de prazer tão grande por seu corpo que ele ficou imóvel por alguns momentos.
Lucius quase engasgou com o ar quando sentiu a mordida, mas quando Remus parou de se mover e praticamente uivou em cima dele, podia jurar que sentia o membro do lobisomem engrossar dentro dele, esticando-o ainda mais.
- Merlin... isso é bom. – O loiro gemeu.
Remus só podia concordar e quando sentiu o loiro começar a girar os quadris apertando e soltando seu canal ao redor de sua ereção furiosa, deu um gemido e voltou a se mover. Mais três golpes duros e ele gozou, mantendo-se apoiado nas mãos, pairando sobre Lucius. O loiro, sentia o membro do lobisomem latejar e soltar jatos quentes de esperma dentro dele, mas Lucius ainda estava duro e latejando de tesão.
- Sua vez, gatinho. – Remus murmurou.
Sem sair de dentro do loiro, Remus agarrou a ereção dele, passando a masturbá-lo com firmeza.
- Você é delicioso, e por isso, vou te deixar gozar agora. – Remus disse, no ouvido do loiro. – Porque de agora em diante, vai ter que ser um bom menino para ganhar sua recompensa. Estou pensando em te comprar um plugue com uma cauda, vou te fazer desfilar pra mim… e depois vou surrar esse traseiro lindo, só porque o vermelho da sua pele vai ficar lindo em contraste com o branco da causa… e isso? É só o começo…
Lucius adorava ouvir coisas sujas e a voz de Remus era um afrodisíaco adicional, o loiro só precisou de mais dois golpes duros da mão envolvendo seu pênis e gozou, com um grito de libertação.
- Essa mordida… eu sou seu companheiro? – Lucius perguntou, ofegante.
Remus afastou o cabelo do rosto afogueado de Lucius e sorriu.
- Essa mordida é um aviso. Não quero nenhum outro macho perto do que é meu. – O lobisomem disse terminantemente.
- Isso não responde minha pergunta. – Lucius replica, movendo os quadris e sentindo mais um jato de sêmen dentro dele. – Merlin, você nunca termina?
- Lua cheia. – Remus disse, à guisa de resposta. – Agora, o que meu gatinho acha de ser mimado?
Lucius sorriu.
- Acho que posso lidar com isso.
E então, o que acharam? Me deixem saber.
