Capítulo Oito.

"A amizade é uma das mais belas formas de amar o próximo. E existem dois tipos de amizade que transformam o amor. Aqueles são e serão eternamente fraternais. E aqueles que de amigos, passam ser algo mais. O coração pede mais que "só isso". O coração quer tudo. Porque de amor e companheirismo todo relacionamento precisa. É a base. A estrutura perfeita para um começo. E é assim que deve. E é assim que ensinarei Andrew quando crescer. Quero que ele seja um menino de bom coração, que saiba ser amigo todos os dias, companheiro e carinhoso. Quero que ele se torne um adulto que saiba amar e não tenha medo disso. Eu espero conseguir mostrar ao meu bebê o melhor do mundo inteiro e que ele seja capaz de enxergar todos os lados das pessoas, para amar o que for certo e repelir o que for errado. Espero estar colocando um homem de verdade no mundo. É assustador que tudo isso depende de mim. Não quero falhar. Meu amor por ele não vai me permitir falhar".

- Sabe pai... – comecei a falar sentando ao lado dele no sofá. Charlie desviou os olhos do jornal muito brevemente e então bufou. – Continuar me ignorando não muda o fato que Sue vem jantar conosco hoje. Ela está trazendo sua torta de nozes favorita.

- É sua torta, não minha. – reclamou com um meio beicinho.

- Por que você é tão emburrado? Ranzinza? – cutuquei-o sorrindo abertamente. Charlie corou e bufou de novo.

- Por que a convidou para jantar?

- Você tem alguma namorada que eu não sei? Alguma pessoa que ficaria chateada com o fato que sua amiga de infância vem jantar conosco? Olha só, também chamei Rosalie, Emmett e Edward. Esme e Carlisle não podiam vir por um jantar de casais da igreja.

- Ah... Então vem mais gente? – perguntou muito decepcionado.

Papai achando que era espertinho. Enganei-o pelo dia inteiro dizendo que Sue iria jantar conosco. Ele ficou branco feito uma vela. Suando. Algo acontecia entre esses dois e ainda iria descobrir, assim como juntá-los de uma vez por todas. Rosalie nunca nega falar sobre algo comigo, mas toda vez que perguntava o que aconteceu entre meu pai e Sue, ela desconversava no seu maior estilo de falar sobre comida do nada.

- Sim. Hoje eu estou comemorando mais um mês de gestação. E por consequência desse detalhe, chamei os padrinhos dele para comemorar comigo. Você é meu pai, avô desta criança, Emmett se intitulou tio favorito e Sue aquela que me alimenta em desejos, então...

Charlie olhou para minha barriga e sorriu docemente.

- Eu te amo, filha. – disse baixinho e deitei minha cabeça no seu peito. – Sua mãe ligou.

- O quê? Quando?

- Hoje de manhã. Você estava dormindo tão pesado que me recusei a te acordar para o café da manhã e então o meu celular tocou e vi que era ela. Basicamente perguntou se você estava bem e se precisava de algum dinheiro. – murmurou com um tom de voz com raiva. – Eu disse a ela que nunca precisei do dinheiro dela para te sustentar e não seria agora que isso mudaria. Bella eu preciso que você entenda uma coisa: Nunca deixei de te dar nada, entendeu? Sua mãe sempre concordou que deveria fazer parte ativamente da sua vida, a distância nunca permitiu muito, mas quando ela foi embora da cidade para viver com a mãe dela em outro estado, eu e seu avô conversamos muito. Renée largou tudo aqui. O pai dela e a madrasta. Fiz tudo legalmente, sempre mandei seu dinheiro e nunca atrasei. Sou policial porque gosto da profissão e sempre quis ser um. Meus pais deixaram um dinheiro pra mim e também algumas propriedades que serão suas no futuro. Não é e nunca será um peso pra mim por mais que sua mãe faça parecer o contrário.

- Eu sei pai, entendo. Desde aquela conversa tenho ficado bem mais tranquila. Sei que um bebê gasta muito e essa coisa toda financeira me aterrorizou muito, mas agora eu sei que você vai estar comigo e fico tranquila nessa parte. – respondi sinceramente. Pelo menos com o dinheiro para vestir meu filho podia não me preocupar. Faltava todo restante. – O que mais ela falou?

- Eu respondi que você estava bem e que ela deveria te ligar, mas tudo que me disse foi que ainda não estava pronta para enfrentar que sua filha teria um bebê e que está com raiva que não foi esse futuro que ela traçou para você. E algumas outras coisas que eu acho palhaçada e por isso não vou repetir. – disse e virou-se pra mim. – Sua mãe está errada. Nós nunca devemos planejar o futuro com tanta força porque o destino é algo que ninguém sabe. A decepção pode ser grande demais. Viva um dia de cada vez, faça planos, lute por eles, mas não desista ou desanime quando der errado.

- Eu queria que ela conversasse comigo. – suspirei fechando meus olhos. Sentia muitas saudades dela.

- Eu também. Eu queria que sua mãe também pudesse estar com você agora. – murmurou me abraçando apertado.

- Eu entendo, realmente entendo a chateação dela. Mas o que vou fazer? Eu também queria que todos entendessem que eu não planejei o bebê, mas aconteceu! Foi errado e agora é tarde demais!

- Entendo perfeitamente. Acredite em mim. – Charlie sorriu docemente. Eu ri. Eu era o seu erro. – Foi o melhor erro da minha vida.

- Agora que estou perdoada... Você pode me ajudar com o jantar? – perguntei docemente querendo deixar o assunto pesado de lado.

- Claro querida. Você foi ao mercado?

- Edward passou aqui de manhã cedo e me levou ao mercado. – respondi tentando ocultar meu sorriso. Com uma barriga de seis meses ainda pequena, meu pai não gostava muito que dirigisse sozinha. Como estava chovendo muito, acordei Edward cedo e pedi que viesse me buscar em casa. Ele estava tão irritado por ter saído da cama cedo, mas ficou paciente e calmo na promessa que logo voltaria a dormir.

- Você e Edward estão bem próximos. – Charlie disse no tom de que queria saber mais. Sorri. Ele nunca me enganava.

- Ele tem ficado aqui nos finais de semana para estudar um pouco e às vezes o ajudo com isso.

- Só amizade?

- Pai... – resmunguei olhando para minha barriga. – Vai demorar muito tempo para alguém se interessar em mim de novo e pode apostar que não será grávida.

- Edward não parece se importar com o bebê.

- Pai, ele é um dos poucos amigos que tenho. Além do mais, ele tem uma namorada, sabe? Alta, loira, bonita e descolada. E que não está esperando um bebê que não é dele. Entende que a situação não tem lógica?

Charlie ficou me olhando um tempão, pensando em um monte de coisas que ele não queria me dizer. Balançou a cabeça e foi pegar uma lata de Vitamina R. Separei os vegetais que ele tinha que cortar pra mim em cima do balcão. Fui até a sala ligando o aparelho de som na última playlist que ele andou ouvindo e era um CD do Hoobastank. Ter um pai jovem confundia minha cabeça.

- Charlie, acho que nós precisamos conversar. – disse assim que o instrui a cortar os tomates tirando toda semente. – Não deixe a cebola muito grande. Rosalie não gosta de ver a cebola na comida e Emmett tem alergia a semente do tomate.

- O que nós precisamos conversar? – perguntou olhando para a faca. – Não me diga como cozinhar para meus amigos. Emmett não tem alergia à semente de tomate. Uma vez ele passou mal porque comeu muito cachorro quente e Rosalie inventou essa história. É maluquice. Aqui em casa ele está cansado de comer tomates assados com queijo e nunca passou mal.

- Tudo bem, faça como quiser. – resmunguei e olhei para o rosto dele. – Você poderia tirar o bigode por um tempo?

- Por quê?

- Acho que ficará bem sem ele. Mais jovem. Você precisa arrumar uma namorada.

- Bella, o que nós conversamos sobre se intrometer na minha vida amorosa?

- Não é intromissão. Sou sua filha e sei que está precisando de alguém. Eu acho que a Sue é uma excelente candidata. Ela é doce, amorosa, carinhosa, cozinha bem pra caramba, vocês se conhecem há bastante tempo e além do mais, é solteira!

- Bells... Sue foi esposa de um grande amigo meu. Ele morreu na guerra e não posso simplesmente entrar na vida dela assim. Harry e eu crescemos juntos. Você não deve lembrar-se dele, mas ele era seu padrinho de batismo. Sua mãe não gostava dele. Eu, ele e Emmett andávamos sempre juntos.

- Eu acho que ele ficaria feliz.

- Por quê?

- Se ele era seu amigo e te conhecia bem, vai saber que ela estará bem cuidada e amada para sempre. – respondi olhando nos olhos dele.

- Então a maternidade tem te mudado tanto assim?

- Como assim?

- Quando a minha filhinha preocupada com sua saia de líder de torcida ou em me pedir um novo telefone se tornaria tão centrada, calma e sensata sobre a vida?

- A gravidez foi um choque, mas todas as outras coisas que aconteceram por causa dela que me transformaram. Estou triste, sinto uma tristeza de um tamanho imensurável, mas eu não posso ficar assim. Tenho pensado muito sobre a minha vida e sobre a vida em si. Não sei porque isso aconteceu comigo, o bebê, a rejeição de duas pessoas que amo muito e também esse preconceito que tenho sofrido. Um dia vou entender. Hoje eu só quero ver as pessoas felizes. Eu quero ser feliz de novo. Eu quero que você seja feliz, pai. Tenha um casamento e filhos como todo homem da sua idade. Não é porque a mamãe te deixou e me levou que sua vida tem que se resumir a ser apenas meu pai. Eu quero irmãos. Quero uma madrasta legal. Quero estar do seu lado no altar. Eu quero ver Rosalie casando com Emmett. E quero ver Alice pirando no dia do seu casamento. Quero ver Edward se formar... Tudo que a mamãe gritou pra mim quando neguei tirar o bebê está gravado muito forte no meu coração. Doeu tanto que a única coisa que acalma essa dor é ver quem está ao meu redor sorrindo.

Não percebi que estava chorando até meu pai me abraçar apertado.

- Meu único foco de vida foi você, Bella. Eu trabalhava durante meses planejando suas férias. Pensava nos melhores presentes. Sempre vigiava o horário para conversar com você e ficava ligando para sua mãe para falar sobre a escola. Agora eu não estou pensando em mim porque você precisa de mim.

- Você vai continuar sendo meu pai mesmo se arrumar alguém, ok?

- Nós precisamos conversar sobre seus sentimentos. Vejo você suspirando. Ouço você chorar no quarto e durante o banho. Isso faz mal ao bebê. Você não pode permitir que essa tristeza tome conta do seu coração... Olhe só, Andrew está grande e saudável. Você também está tão bonita a cada dia. Encare tudo isso que vem dele como uma benção divina e nada mais importa.

- O que está acontecendo aqui? - Rosalie perguntou interrompendo o discurso de Charlie. Ela me arrancou dos braços do meu pai, jogando sua bolsa em cima da mesa. Analisou-me de cima abaixo procurando um machucado. – O que houve? Eu odeio te ver chorando. Foi a ligação daquela vaca?

Rosalie não tinha trava. Renée era minha mãe e senti um impulso em defende-la da palavra ofensiva, porém, achei engraçado e decidi rir. Somente ela poderia me causar essa sensação de felicidade. Rose percebeu meu sorriso e riu também sem se desculpar. Não podia culpa-la por odiar minha mãe. A história era longa demais para me meter e não me surpreendia que soubesse da ligação também já que Charlie contava tudo a ela.

- Eu e ela estávamos conversando antes de você interromper muito rudemente. – Charlie reclamou me puxando de volta. – Eu não quero que guarde todo esse rancor e mágoa da sua mãe e principalmente do bostinha do seu ex-namorado. Eles não merecem toda essa dor.

- Estamos falando sobre os progenitores? Isso é conversa de menina. Sai da cozinha. – Rosalie empurrou Charlie e olhou para Emmett e Edward que eu nem tinha tido oportunidade de cumprimentar. – Fora da cozinha. Os três! Anda!

- Rose... Posso falar com a Bella? – Edward perguntou brincando.

- Não. Eu quero conversar com ela.

Depois de expulsar os três da cozinha, Rosalie e eu conversamos sobre minhas últimas tentativas de contato com Riley e Renée. Também confessei que conversava muito com Olivia, mãe de Riley e que ela não conseguia mais ter um diálogo com o filho desde o momento que descobrimos a gravidez. Ele vivia com o pai e estava dando um tempo da casa da mãe. Ela também tentou conversar com Renée e não teve nenhum sucesso.

Rosalie acreditava que eu tinha que deixar os dois de lado. Parar de ligar e tentar algum tipo de conversa e no fundo, também concordava, só odiava o gosto amargo de ter fracassado. Ele era o cara por quem eu fui apaixonada. Não sabia o que sentia romanticamente em relação a ele, mas eu não fiz esse bebê sozinha. Minha mãe sempre seria minha mãe. E sentia que precisava do colo dela.

- Eu acho que Rose tem razão. – Sue disse baixinho. – É horrível esse sentimento de não ter a sua própria mãe para contar, mas, a verdade é que chegou o momento de você deixar os dois no passado. Pare de procurá-los e cuide de si mesma.

- Exatamente isso. – Rosalie disse e abriu o forno. – Deus... Essa carne está pronta. Que tal jantarmos na varanda?

Concordei ainda pensativa. Sue e Rosalie saíram para arrumar a mesa quando terminei de colocar todos os acompanhamentos em travessas. Peguei as jarras de suco e o vinho deixando em cima do balcão. Fizemos um trabalho rápido em colocar a mesa e chamamos os homens na sala que estavam discutindo esportes.

- Não somos tão boas cozinheiras quanto a mamãe... – Rosalie disse servindo um prato para Emmett. – Espero que gostem. E antes de comer, um brinde ao Feijãozinho que não é mais do tamanho de um feijão, se mexe à toa e agora não deixa mais a mamãe tão enjoada!

- Um brinde ao Andrew! Que ele continue crescendo saudável e deixando a mamãe bastante saudável e feliz também! – Charlie ergueu sua taça. Emmett, Edward e eu estávamos no suco.

- Nós agradecemos.

O jantar era uma bela peça de carne assada, purê de abóbora, arroz, salada verde com tomates cereja e a sobremesa que Sue trouxe cuidadosamente embalada. Devoramos toda comida com uma conversa animada, recheada de histórias engraçadas.

- A primeira vez que Emmett me beijou eu pirei. Empurrei o corpo dele e desci do carro no meio da estrada na entrada de Forks. Comecei a chorar e liguei para Charlie. – Rosalie disse sorrindo. – Eu era tão amiga dele que pensei que o beijo ia estragar tudo porque me fez perceber que era apaixonada por ele.

- Eu quase bati com o carro. Estava voltando de Port Angeles quando ela ligou berrando. Não entendia nada, só sabia que estava chorando.

- A louca se escondeu para esperar Charlie e eu fiquei andando na beira da estrada gritando por ela. Fiquei louco de preocupação, rodei a cidade inteira e liguei para todos que ela podia estar, colocando a maioria dos nossos amigos morrendo de preocupação.

- Charlie me pegou na casa de barcos e eu chorei o caminho inteiro até meu apartamento. Ele não entendia nada. Estava pensando tanta besteira que foi difícil segurá-lo quando Emmett chegou.

- Eu deixei Charlie me bater.

- Mentira, você ficou surpreso com meu gancho de esquerda.

- Mentira... Sabia que Rosalie tinha confundindo tudo e você estava com raiva...

E assim Charlie e Emmett começaram a discutir de novo sobre quem deixou acertar um soco ou não. Edward e eu nos entreolhamos e continuamos comendo enquanto Sue e Rosalie tentavam se meter na conversa acrescentando pontos que ambos estavam deixando de fora. Observei cada uma das pessoas e percebi que eu podia ser feliz, só bastava descobrir como.

Os homens ficaram responsáveis pela louça e por isso convidei Rosalie e Sue para o quarto de hóspedes, que seria o novo quarto do bebê e mostrei meu projeto de paletas de cores e onde ficaria cada item. Semana passada Charlie chegou em casa com vários catálogos. Na minha cabeça um berço estava bom até o momento que bati os olhos em todas as decorações e ele me deixou a vontade para escolher.

- Eu penso que uma decoração de marinheiro seria bem legal. Uma homenagem ao time da casa e ao local que vivemos.

- É realmente fofo. – Rosalie suspirou e olhou para minha barriga. – Me sinto tão ansiosa para segurá-lo... Como você se sente?

- Quero saber como é o rostinho dele, mas tenho medo de estragá-lo completamente e ser uma péssima mãe. Também sinto desejo de tê-lo em meus braços. Está tudo tão confuso, mas o amor que sinto por ele é tão... Grande. Tão maior que tudo que senti na minha vida.

As duas sorriram pra mim com sinceridade e desceram enquanto ainda fiquei parada no meio do quarto imaginando a decoração de marinheiro para todo lado. Em tão pouco tempo eu estaria no mesmo lugar, mas com ele em meus braços, ninando de um lado ao outro, provavelmente morrendo de sono e querendo desaparecer da face da terra depois de tanto ouvir um choro agudo e irritado.

Passei a mão na minha barriga volumosa e o senti mexer, um leve cutucão, provavelmente só se ajeitando na sua posição para dormir. Depois que como ele sempre fica calminho.

- Posso entrar? – Edward perguntou encostado na soleira da porta com sua cerveja.

- Decidiu beber?

- Emmett está dirigindo, não vou estudar mais nada hoje e só amanhã passarei o dia no hospital.

- Por que Tanya não veio com você? – perguntei apenas porque estava curiosa e queria ser educada. – Já faz um tempo que ela não aparece por aqui.

- Quando cheguei em casa ontem ela tinha todas as amigas com alguma coisa verde no rosto. Elas falavam ao mesmo tempo e tudo que sabia era que tenho uma prova segunda-feira e precisava de paz e silêncio para estudar. Revisar a matéria. Arrumei uma bolsa, entrei no carro e três horas depois cheguei aqui.

Mordi meu lábio e olhei para o seu rosto para entender sua frustração. Ele sabia que ela era assim, qual era a novidade? Tanya não tinha mais o interesse de continuar estudando visto que seus pais eram muito bem de vida e bancavam tudo que ela queria – mesmo que ela não desse um dólar em casa para ajudar Edward nas despesas. Ele é um estudante bolsista, que recebe um fundo para manter seus estudos, mas não consegue trabalhar por estar a disposição da faculdade em tempo integral. Esme e Carlisle também mandam dinheiro para ele e sei que também usa parte da herança que a mãe de Esme deixou quando morreu.

Todas essas situações deixavam Esme muito preocupada e Rosalie furiosa. Edward realmente era um homem muito bom, mas um tremendo babaca. Não que Tanya fosse uma pessoa ruim, nas poucas vezes que conversei com ela pude enxergar o motivo que ele era tão perdidamente apaixonado por ela. Tirando seus ataques de nojo, era doce e divertida. Sabia manter uma conversa.

- Está tudo bem entre vocês dois? – perguntei quando ele não completou mais nada.

- Eu sinto como se...

- Você sabe que pode falar comigo, Edward. Vamos ficar confortáveis para essa conversa. – disse pegando na mão dele e arrastando para o pequeno sofá que ficava no escritório vazio de Charlie. – Então, você se sente como se...

- Eu acho que estou fazendo alguma coisa errada. Estou confuso com uns pensamentos, sentimentos bem estranhos. Antes era tudo sobre medicina e minha namorada. Agora não é mais.

- Eu não estou entendendo.

- Acho que estou sentindo algo por outra pessoa além da Tanya.

Minha boca abriu em tremendo choque.

- Como assim? Quem é ela?

- Não quero entrar em detalhes, mas Bella está tudo muito confuso e intenso. Só queria focar nos estudos e não estar preocupado com meu relacionamento e ao mesmo tempo pensando em outra pessoa que não é a minha namorada.

- Então apenas se preocupe com seus estudos. Quando essa parte crítica passar você decide o que precisa fazer com o restante. Essa é a sua única chance, não desperdice por causa de mulher alguma. – murmurei pensando que ele tinha a possibilidade de estar estudando em uma excelente faculdade enquanto eu estarei com um bebê nos braços sem poder frequentar uma.

- Tanya sequer desconfia disso... – murmurou olhando para o meu rosto. – E não pode. Só você sabe disso e quero que deixe pra lá, tá?

- Tudo bem... Isso é segredo nosso. – sorri erguendo meu dedo mindinho e ele cruzou com o meu. – Eu e Andrew estaremos sempre com você, não importa o que aconteça.

Edward murmurou algo que não compreendi e me abraçou.

Deitei minha cabeça em seu ombro. Ele ergueu o celular e tirou uma foto, postando no seu facebook. Meu sorriso era tão doce quanto o olhar dele. Por um momento imaginei que nós dois éramos um casal esperando um bebê. Esse pensamento chegou rápido e na mesma velocidade o expulsei da minha cabeça. Edward tinha um compromisso com uma pessoa legal que podia dar a ele tudo que precisava e agora outra mulher - que em parte estava com ciúmes dela – estava dominando seus pensamentos.

- Você acha que é possível ser cem por cento feliz? – perguntei completamente amolecida com o carinho terno que ele estava fazendo na minha nuca.

- Não sei. Eu acho que é possível sim, basta encontrar as pessoas certas. – respondeu baixinho.

- Você é feliz?

- Eu achava que era completamente feliz, mas então a minha vida mudou e eu descobri que não era completo e que talvez nunca vá ser se não tomar uma decisão. – retrucou e fiquei ainda mais curiosa. Que diabos era essa mulher que transformou tudo que ele sentia por Tanya em uma bagunça? – E você é feliz, Bella?

- Quando estou com você, me sinto feliz, amada e segura. Quando estou com meu pai também. A amizade de Rosalie me coloca no lugar... – suspirei fechando meus olhos. – Mas no fundo me sinto tão sozinha com o bebê.

- Eu nunca vou deixar vocês dois sozinhos, entendeu? – Edward disse com uma convicção que me assustou e ao mesmo tempo me deu uma paz fora do comum. – Estarei do seu lado a cada momento da vida do Andrew e ninguém vai tomar o meu lugar. É uma promessa. – sorriu erguendo o dedo que ainda estava entrelaçado com o meu.

Em algum momento na nossa conversa acabei adormecendo e em meus sonhos ouvi a voz de Edward me perguntando o que eu tinha feito com a sua vida. Confusa, abri os olhos e era de manhã cedo e estava na minha cama só com a blusa que estava usando ontem a noite. Andrew estava chutando porque sentia fome. Vesti uma calça de pijama e desci as escadas me deparando com Charlie preparando o café da manhã em silêncio com cara de poucos amigos. Como também me sentia mal humorada, não puxei assunto. Nós dois éramos muito parecidos, chegava ser estranho.

Coloquei uma tigela cheia de iogurte, piquei maçã e banana, misturando com granola e enfiei uma grande colher na boca. Meu sonho ainda parecia confuso. Edward na vida real não me perguntaria isso porque realmente não fiz nada demais. Somos amigos. Importantes na vida do outro. Nos falamos o dia inteiro pelo celular, trocando mensagens e ligações. Às vezes ficamos no facetime mostrando ao outro o que estamos fazendo. Realmente era muito difícil ficar sem o outro por todo o tempo... Ele me ligava antes de dormir e de manhã cedo me enchia de mensagens ou vice e versa.

Talvez realmente não fosse uma amizade convencional e o motivo de Tanya não me odiar é que existe um bebê na minha barriga. A partir do momento que ele nascer as coisas mudarão para ela. A verdade é que realmente não fazia ideia do que sinto por Edward. Saberia se estivesse apaixonada por ele. Não sinto o desejo de estar romanticamente ligada a nenhum homem no momento, incluindo ele. Tudo que penso é no meu bebê. E nada mais.

E tenho certeza absoluta que eu não sou a mulher que está mexendo com a cabeça dele.

- Vou chamar Sue para um encontro. – Charlie disse depois de bater a caneca de café no balcão. Quase caí da minha cadeira, mas ao invés disso soltei um gritinho que o fez tapar os ouvidos. – Cristo, cuidado com minhas taças de cristal. – brincou e abriu um sorriso tímido. – Eu gosto dela. Sempre gostei... Desde que Harry morreu as coisas mudaram completamente. Eu fiquei arrasado com a morte dele e ela também, mas, agora não faz sentido permitir que a memória dele fique entre nós. Não estou traindo-o... Estou?

- Não papai. Não está traindo-o. Ele sempre será seu grande amigo e ela sempre será a mulher dele, mas ele morreu e vocês dois estão vivos. – respondi abraçando-o apertado. – Vá se arrumar, compre flores e a chame para sair.

Charlie subiu praticamente correndo e eu mandei uma mensagem para Rosalie contando a fofoca porque realmente não aguentei. Ela me respondeu um áudio cheio de gritos e gargalhadas de felicidade. Depois mandou uma foto dela e Emmett com cara de sono e muitas coisas do casamento espalhadas ao redor.

Lavei minha louça e subi para meu quarto, abrindo um documento do word e começando um novo texto. No meio do terceiro parágrafo uma buzina me chamou atenção. Charlie estava de folga e saiu para falar com Sue e não tinha voltado. Peguei meu celular e encontrei dez chamadas não atendidas do Edward. Olhei na janela e o encontrei encostado no carro, com as mãos no bolso, olhando para mim. Sorri e acenei. O que ele queria agora?

De pijama mesmo, desci e abri a porta.

- O que houve? – perguntei confusa e ele sorriu mostrando a bolsa da sua câmera. – Edward... Não.

- Vá se vestir. Agora. – disse simplesmente e passou por mim, se instalando no sofá. - Você concordou que era certo registrar cada fase da sua barriga. Cinco meses. Nova fase. Novas fotos.

Mesmo irritada porque eu não queria tirar fotos, sorri para sua insistência e carinho. Voltei para meu quarto escolhendo um vestidinho branco com detalhes lilás, passei uma maquiagem no rosto e penteei meu cabelo. Arrumei minha bolsa com meus documentos e uma fruta para comer.

- Estou pronta. – murmurei me olhando no espelho da sala e percebi que ele estava me olhando. – Uma foto?

Atrás de mim, no fundo, ergueu seu celular e registrou o momento que eu estava sorrindo e ele também.

- Nós somos bonitos juntos. – deixei escapar quando vi a foto e corei de vergonha.

- Não posso discordar. – murmurou e pegou minha mão. – Vamos... Não temos muito tempo antes do seu almoço e não quero que Rosalie reclame que não te alimentei por muito tempo.

Saímos de mãos dadas da minha casa e infelizmente a primeira pessoa que vimos foi Jéssica Stanley passeando com seu cachorrinho peludo. Ela abriu a boca e depois sorriu de um jeito que eu sabia que amanhã todas as pessoas estariam tendo certeza absoluta que Edward era o pai do meu bebê.