Gênero: Drama/Romance

Spoilers: Essa fic pode ter um ou vários spoilers seja do livro um, dois, três, quatro ou meio do quinto (haushaushaush). Eu não sei ainda aonde a minha imaginação vai me levar, no entanto estejam avisados desde logo, porque depois eu não quero gente reclamando comigo oká. E ela é uma fic slash/yaoi, então se você não curte, e nem se arrisca a por os olhos em tal espécie de texto, não o aconselho ir adiante.

Sumário: Finalmente Seth teve sua impressão. Mas... e se essa pessoa em questão não é exatamente quem ele esperava?

Disclaimer: Essa ffic foi baseada na série de livros Twilight, cujos direitos autorais pertencem a Stephenie Meyer. Eu só peguei o gancho dela e criei uma história à parte, só por diversão e falta do que fazer num domingo à tarde. Os novos personagens e o que acontece com eles... Tudo meu! My precious...

SUNRISE

por Gê Black-Masen


Capítulo 9: Então se fez a luz.

Andreas A. Cullen

Como se inquieta com os últimos e felizes momentos que Seth e eu compartilhamos naquela tarde, a realidade tratou de nos dar um soco no estômago com a sequência de fatos que se seguiram a visita de Leah. Eu já sabia que a irmã de Seth era uma criatura tão doce e comportada quanto uma matilha de cães presos em uma sala de cristaleiras com uma fêmea no cio, mas ela vir até Bella e atacá-la verbalmente com o que pareceu uma perversa – ainda que genuína – tentativa de defender os sentimentos de Jacob, foi a última gota do leite de cabra que azedou.

Bella ficara extremamente sensível e irritada com a situação, já que Leah fez questão de fuzilá-la com verdades inconvenientes que só lhe serviram para aumentar a culpa, que já não era pequena, por magoar Jacob repetidas vezes. Não houve gritos, socos ou pontapés: todo o "diálogo" foi proferido em um tom anormalmente baixo, quase sussurrado, o que tornava a cena bem pior.

Seth, pondo fim àquele show de acusações, arrastou a irmã de volta para a floresta – desejei silenciosamente que tivesse sido pelos cabelos – e em menos de cinco minutos depois, tínhamos Jacob entrando pela porta da frente, sisudo e cheio de dedos. Ele repetia inúmeras vezes que se arrependia de ter deixado Leah se juntar a eles e desculpava-se pelo inconveniente da tarde; Bella, por sua vez, também pedia desculpas e desencavou fatos entre eles, muito provavelmente muito bem enterrados em Jacob, e as coisas enfim pareceram ter ficado mais amenas.

De volta a sacada do andar superior, revisitei as lembranças da conversa que tive com Seth e me peguei inconscientemente sorrindo. Quando ele me perguntou se eu já havia sentido "borboletas no estômago" por alguém, realmente fui sincero quando neguei. É engraçado como as pessoas comuns levam quase uma vida para encontrar um parceiro, às vezes encontram até mais de um. Precisei de no mínimo três vidas para ter um vislumbre da possibilidade se concretizar. Houve um tempo em que eu realmente acreditei que eu teria meu espaço no mundo de um homem, mas por mais que eu desejasse, ansiasse por isso, algo em mim me dizia que aquilo era irreal, meus poderes me alertavam que palavras não expressavam sentimentos, e por isso não deveria desperdiçar nem o menor dos esforços. No fim, minhas suposições se provaram corretas e o homem a quem dei pela primeira vez o benefício da dúvida, o desperdiçou, ou seja, nunca perdi a voz e senti borboletas por ninguém. E agora, justo quando sou forasteiro nesse país tão distante do meu, encontro um que não avisa, faz; não fala, sente; não ensaia, cumpre; não pensa, ama. Eu não estava preparado para isso. E talvez por isso tenha sido presa fácil para Seth. E o meu sorriso só se ampliou.

No andar de baixo, o som de algo quebrando subitamente, me despertou. Parecia... osso? Desci num salto para o terraço e entrei na sala. As cenas que se seguiram me fizeram desejar que aquele som não tivesse sido ossos quebrando. O corpo de Bella, totalmente avermelhado, começou a se contorcer, se debatendo nos braços de Rosalie como se estivesse sendo eletrocutada. Todo esse tempo, o seu rosto estava vazio – inconsciente. Era uma sacudida selvagem que vinha do centro do seu corpo e que a agitava. Enquanto ela tinha convulsões, os sons de ossos partindo e rachando mantinham o ritmo dos espasmos.

Rosalie, Edward e eu ficamos congelados por um breve meio segundo, e então eles agiram. Rosalie jogou o corpo de Bella nos braços, e ela e Edward se lançaram escadas acima para o segundo andar. Jacob e eu fomos logo atrás.

- Morfina! - Edward gritou para Rosalie.

- Alice – ligue para Carlisle! - Rosalie gritou agudamente.

Eu havia ajudado Carlisle alguns dias antes a preparar na biblioteca em uma unidade semi-intensiva improvisada, com monitores, mesa operatória e todos os utensílios necessários para atender qualquer intercorrência com Bella. A maior parte da montagem fiz com força mental para minimizar a chance de contaminação do ambiente. No fim, ficou parecido com o centro cirúrgico de um hospital de campanha.

Bella foi posta na mesa, sua pele fantasmagórica debaixo do brilho dos focos de luz. O corpo dela se debatia, um peixe na areia. Rosalie pediu que eu imobilizasse Bella enquanto ela a prendia e retirava – não, arrancava – suas roupas. Edward fazia o acesso venoso

- O que está acontecendo, Edward?

- Ele está sufocando!

- A placenta deve ter se descolado!

Bella, subitamente recobrando a consciência, gritava em aflitivo desespero.

- Tire ele daí! - Ela gritou. - Ele não consegue RESPIRAR! Faça isso AGORA!

Eu me sentia impotente, porque mesmo querendo, não havia muito que eu pudesse fazer. O espetáculo de um parto, ainda que mórbido, estava se desenrolando ali, na minha frente, e os papéis já tinham sido distribuídos. Sobrei como mero espectador.

- A morfina – Edward rugiu.

- NÃO! AGORA! - Outra golfada de sangue saiu enquanto ela gritava. Ele segurou a cabeça dela pra cima, tentando desesperadamente limpar sua boca para que ela pudesse respirar de novo.

Alice entrou correndo no quarto, colocando o telefone no ouvido de Rosalie. Pela voz do outro lado, era Carlisle instruindo-a do que fazer. Alice se afastou, seus olhos dourados estavam arregalados e saltando das órbitas.

Bella parecia que a qualquer momento iria se desintegrar, esfarelando-se literalmente a nossa frente. A pele alva tingia-se agora de hematomas crescentes, alguns no abdome e tórax, claros sinais de que as hemorragias internas estavam dissecando seus planos musculares. A mão de Rosalie apareceu com um bisturi.

- Deixe a morfina se espalhar! - Edward gritou pra ela.

A mão dela desceu para o estômago de Bella. Rose estava cega pela determinação. Ela IRIA salvar aquele bebê, a qualquer custo. Foi quando uma sombra se instalou em seus olhos e ela perdeu o foco. Eu vi a expressão em seu rosto mudar, e vi seus lábios se erguerem sobre os dentes e seus olhos negros brilhando de sede. A aura enegreceu.

- Não, Rose! - Edward rosnou, mas as mãos dele estavam presas, tentando segurar Bella na posição vertical para que ela pudesse respirar.

Antes que eu pudesse agir, Jacob atirou-se sobre Rosalie, pulando por cima da mesa, e jogando-a em direção à porta em seguida. Quando ele virou, o bisturi que estava na mão de Rose, agora estava afincado em seu braço esquerdo. Ainda assim, ele a imobilizou contra o chão com a outra mão e deu um chute em seu abdome. Ela voou para a porta, amassando um dos lados da estrutura e o pequeno telefone em seu ouvido se fez em pedacinhos. Era o bastante. Sai do lado da mesa, direto para cima de Rose, impedindo-a de retornar para a luta com Jacob e para perto de Bella. Alice então apareceu por detrás de mim, e puxou-a pela garganta para o corredor, e eu a acompanhei.

- Alice, tire-a daqui! - Edward gritou. - Leve-a pra Jasper, e mantenha-a por lá! Jacob, eu preciso de você!

##-##-##

Levou algum tempo para que pudéssemos estabilizar o rompante de loucura de Rose. A presença de Jasper e sensação de calma que ele projetava sobre ela ajudaram, mas mesmo assim eu a prendi na poltrona da sala, para que não se movesse um centímetro dali. Enquanto isso, toda a ação acontecia no andar de cima: Bella estava "dando da luz", isto é, o fato de estarem arrancando o bebê de suas entranhas às pressas podia parecer isso. Embora eu tivesse escasso conhecimento de fisiologia humana o suficiente para entender como funcionaria o processo e poder ajudar, Edward recusou minha oferta mental só com um olhar duro. Aquele momento era deles. Mas eu estaria ali se precisasse.

Depois de longos cinco minutos, um pequeno som ritmado, rápido, como um pequeno tambor, podia-se ouvir claramente no andar de cima: o bebê havia nascido. Rose, agora de volta ao normal, ou ao "normal" dela nos últimos dias, pediu para que a deixássemos subir. Jasper consentiu e sinalizou para que eu a liberasse. Todos subiram, com Alice o mais próxima possível dela para qualquer eventualidade, a tempo de ouvirmos:

- Jogue-o pela janela. - Um. Dois. Três. Quatro.

- Me dê ela – Rose disse da porta.

Edward e Jacob rosnaram ao mesmo tempo. - Eu estou controlada - Rosalie prometeu. - Me dê o bebê, Edward. Eu vou cuidar dela até que Bella... Edward passou a pequena às mãos de Rose e armou-se de uma seringa prateada, com embolo de vidro repleto de um líquido viscoso prateado.

- Afaste suas mãos, Jacob. – Edward ordenou, suspendendo a massagem cardíaca que Jacob ainda insistia manter em Bella.

- O que é isso? – Jacob perguntou, enquanto rudemente tinha sua mão empurrada para longe do tórax de Bella, e ganhando um osso da mão fraturado no processo, pelo que pude ouvir. Com uma estocada, Edward cravou a agulha na altura do coração dela.

- Meu veneno - ele respondeu mecanicamente enquanto injetava.

Não demorou muito e Jacob saiu claramente desconfortável com a cena, destroçado, mesmo com a garantia de Edward de que Bella ficaria bem. Eu mesmo tinha minhas dúvidas, mas enquanto estávamos eu e Edward na sala, perfazendo os últimos cuidados "pós-operatórios" em Bella, percebi que por baixo daquele escudo duro que ele construiu também se escondia a mesma dúvida, mas também a mesma esperança, de que no fim, ela voltasse. A aura de Bella estava nublada, sinal de que ainda ela não estava morta, pois os mortos não tem aura, mas como se estivesse num estado suspenso, nem viva nem morta, esperando.

- Ela não morreu, Edward. E nem vai, acredite. Ela ainda tem uma aura forte. Vamos apenas esperar. O que deveria ser feito, foi feito, e o que não deveria, foi feito também. Então só nos resta esperar. – Sentenciei a ele.

Ele assentiu, e ficamos os dois ali numa vigília muda, agonizante, atentos a qualquer sinal de que Bella estaria bem, e então veio um novo som. O único som que podia nos aliviar naquele instante interminável. O frenético batimento, um batimento apressado... Um coração em transformação.


Observação da Autora: As partes contidas neste capítulo e que foram grifadas em negrito, algumas frases para ser exata, foram retiradas na íntegra (ou adaptadas) do livro Amanhecer da Saga Crepúsculo (autoria de Stephenie Meyer, versão brasileira Editora Intrínseca). Como sabiamente já prediz o disclaimer, isso não é caracterizado como plágio, principalmente se eu citar a fonte. (Eventuais dúvidas, leiam a Lei de direitos Autorais!).

Nota da autora: Olá, pessoal! Eu sei que muitos (senão todos!) devem ter pensado que eu teria desistido dessa ffic. De fato, por um ano eu efetivamente desisti, mas cada vez que eu tinha uma idéia, eu escrevia um parágrafo ou dois e parava. Tenho muitos capítulos interminados, que eu espero ir postando num futuro próximo. Muita coisa aconteceu desde o último capítulo pra cá, não na estória, mas na minha vida, então não esperem brevidade nas postagens, mas esperem, pois os capítulos eventualmente virão. Ok?! Peço apenas que tenham um pouco de fé. RS. Para aqueles que ainda não desistiram da fic, ao contrário desta autora, espero que tenham gostado desse teaser de capítulo (porque foi pequeno comparado aos meus padrões). Os demais voltam a ser maiores. Vida que segue, meus amores. Bjabraços!

Sugestões, reclamações ou elogios? Queremos saber o que você tem a dizer! Por favor, contacte a Ouvidoria da Gê, enviando sua mensagem pelo Fale Conosco Review através da caixinha abaixo. Desde já, obrigada!