Capítulo 9 – Tomando uma atitude
Na véspera da minha formatura, meu cantinho com a Videl estava pronto para ser usado, limpinho, arrumado, bastante decente. E sem nenhum inseto por perto. Como aspirante a biólogo, eu sabia que estava me comportando como algumas espécies de pássaros que fazem ninhos elaborados para atrair sua fêmea. E Videl merecia cada detalhe carinhoso que eu elaborara para nosso cantinho.
Água no banheiro e uma mesa na cozinha, por que embora eu não saiba cozinhar e não entreguem pizza no meio da montanha, achei que sempre poderia levar um lanchinho pronto para a gente. Uma lareira que eu precisei aprender como acender. Meu pai conseguiu alguns lampiões a querosene, caso a gente precisasse passar a noite ali (o que eu realmente esperava que acontecesse um dia), mas o melhor presente que ele me deu foi um futton novinho, limpo e cheiroso, travesseiros e lençóis. Do lado do futton tinha um criado-mudo. Meu pai colocou um monte de camisinhas ali e disse que eu tratasse de usá-las porque ele não queria ainda ser avô.
Estava tudo pronto, pintado e asseado, com telas nas janelas para que nunca mais nenhuma mísera lacraia entrasse naquele ambiente perfeito e acolhedor onde nós dois juntos teríamos nossa primeira vez, que eu planejara para o próximo domingo.
Mas antes, tinha a cerimônia de formatura e o baile na escola.
No sábado pela manhã, nós fomos todos para a minha escola. Meu pai não parava de ajeitar o colarinho do terno dizendo que era desconfortável enquanto minha mãe dizia entre dentes para que ele, pelo poderoso Kami, parasse de reclamar e de se coçar. Já Goten, mesmo reclamando do terno, não parecia muito preocupado com nenhuma espécie de protocolo e corria pelo pátio com o Trunks, enquanto Vegeta resmungava para a Bulma que era uma perda de tempo aquela cerimônia. Pelo menos ele não estava tentando me dar conselhos sobre minha vida sexual, então eu estava no lucro.
Eu me despedi de todos para me juntar à turma e encontrei a Videl no meio da galera. Como eu, ela também usava uma beca e um chapéu de formatura e estava bem linda. Mas não me deixou dar nem um selinho para não estragar o batom antes da formatura. Ela ia ser a oradora da turma, logicamente. Ninguém se atreveria a tirar esse lugar dela.
Então, depois de todos os discursos e homenagens, fomos para um coquetel. Meu pai e Vegeta ficaram num canto, fazendo Bulma e minha mãe passarem vergonha enquanto eles devoravam metade do buffet. Goten e Trunks estavam correndo pelo pátio e eu resolvi me juntar à Videl, que estava do lado do Mr. Satan. Ele estava de terno roxo. Acho que ele não tem nenhuma roupa minimamente normal.
Mas fui pego pelo senhor Piccolo no meio do caminho. Ele queria me dar os parabéns e dizer que tinha certeza que eu teria muito sucesso e tudo mais. Por um instante eu achei que ele iria me dar um abraço. Mas ele é o senhor Piccolo, não abraça ninguém. Deve ser algo da cultura Namekuseijin.
Finalmente eu e Videl nos desvencilhamos de todo mundo e nos abraçamos, nos beijamos, felicitamos um ao outro e ela me perguntou:
- Sentiu minha falta?
- Todos os dias. Mas hoje vamos passar o dia juntos.
- Queria passar a noite com você – ela fez beicinho – mas meu pai continua chato, marcando durinho.
- Eu sei. Mas eu tenho uma surpresa para você. Mas tem que esperar até domingo.
Ela me olhou desconfiada, mas eu desconversei. Não tinha música para dançar naquele coquetel, só comida mesmo. Quando estávamos nos servindo no Buffet eu ouvi o meu pai conversando com o Vegeta:
- Mas você não está achando nem um pouco divertido?
- Não.
- Mas nem a comida?
- Só a comida. Podiam fazer a formatura assim: primeiro a comida, depois a parte chata. Aí eu poderia comer e ir embora.
Já disse para vocês que Vegeta é uma pessoa legal, né? Com toda consideração do mundo pelos amigos. Eu estava comendo com a Videl numa mesa quando ele se aproximou e me disse:
- Gohan, venha cá.
Vocês imaginam o que ele queria, né? Eu também. Mas não tinha como fugir. Deixei Videl na mesa e disse a ela que já voltava.
- Então? – ele me perguntou, subentendendo do que queria falar.
- Vegeta, eu...
- Gohan. Você é metade sayajin. Tome uma atitude!
- Eu já consegui um lugar e...
- Seu pai me disse. Boa ideia. Mas não se esconda. Diga para todos: ela é minha namorada e vocês não tem nada a ver com isso. E exploda qualquer um que chegar a menos de 100m do local.
- Mas Mr. Satan e minha mãe...
- Eles não estão na relação. Você e Videl sim. Mande-os tomar conta da vida deles, vocês dois tem dezoito anos. Com dezoito anos eu já tinha explodido vinte planetas.
- E já tinha transado?
- Isso não vem ao caso.
Foi assim que eu descobri que Vegeta também tinha sido um virgem de 18 anos. Exatamente como eu e meu pai.
À noite meu pai me emprestou o carro para levar Videl ao Baile. Minha mãe tinha insistido em virmos de carro para Satan City e passar a noite num hotel como qualquer família normal em vez do meu pai teletransportar a gente como sempre – ignorando completamente o fato de que definitivamente não somos uma família normal. Meus pais iriam com Goten de Taxi e sairiam mais cedo. Eu ficaria com Videl até o fim do Baile, previsto para 4 horas da manhã.
Ela estava linda, realmente linda. Usava um belo vestido longo, azul, um azul mais escuro que seus olhos. Mas o Mr Satan estava de roupão no sofá, o que eu estranhei. Ele alegou um mal estar e disse que ficaria em casa. O baile, ele disse, era para pessoas jovens.
Não ligamos muito. Eu e Videl tínhamos a noite para nós, e dançamos todo tipo de música juntos (juro que eu sei dançar. Ela me ensinou). Todos os nossos colegas estavam lá, Erasa agarrando Sharpner, o que me deixou feliz por ela. Depois que meus pais se despediram de mim quando era quase meia-noite tive a incrível sensação de estar no meu primeiro evento adulto. Éramos apenas eu e Videl. Eu a tinha ali só para mim.
Talvez tenha sido isso. Ou a música lenta e muito romântica. Ou o fato de não conseguirmos parar de nos beijar na pista de dança. Mas antes que minha mão ganhasse vida própria, eu me vi arrastado pela Videl para uma sala num corredor da escola. E aí minhas mãos ganharam vida própria e realmente ficaram descontroladas.
Eu não podia tirar o vestido da Videl, por mais que eu quisesse. O pingo de razão que me restava dizia que a gente estava dentro da escola, no baile da formatura, que alguém podia nos encontrar ali... mas a Videl me olhou de repente e disse:
- Eu fiquei te devendo uma coisa...
Ela foi descendo devagarinho, aqueles olhos azuis me olhando, até ficar de joelhos na minha frente e abrir o zíper da minha calça. Eu sentia um nervosismo estranho, que me fez olhar em volta e ter pensamentos ridículos como: "Puxa. Agora que eu vi que estamos na sala do clube de robótica". Aliás, era meio assustador, pensando melhor, ter a Videl abrindo minhas calças enquanto um robô inacabado me encarava numa bancada ali adiante.
A coerência de pensamentos foi embora quando eu a senti terminando de abrir minha calça e puxando meu "instrumento" para fora. Ela já o conhecia de vista, mas era a primeira vez que chegava tão perto, com tanto entusiasmo. Só de sentir suas mãos suaves nele, eu já me sentia, sei lá, na Lua. Qualquer toque dela me tirava o fôlego. Ela olhou para cima e eu vi a expressão de insegurança quando ela sussurrou:
- O que eu faço?
Eu ia abrir a boca para dizer "O que você quiser" quando a porta abriu e nós dois demos um pulo, assustados. O professor Toriama, de Ciências estava parado na porta e disse:
- Vocês dois estão loucos?
Por algum motivo, minha ereção desabou ainda mais rápido do que quando Goten me flagrou no chuveiro. Eu guardei meu pênis envergonhado nas calças, enquanto Videl, muda e apavorada, cobria o rosto com as duas mãos. Na penumbra da sala não dava para ver o rosto do professor, que estava contra a luz. Achamos que iríamos ganhar uma bronca, mas ele disse apenas:
- Garotos, por favor... um segurança os viu vindo para essa sala e me chamou. O circuito de TV estava filmando e essa sala tem uma câmera escondida naquele robô ali – ele apontou o robô que me encarava - Eu vim aqui antes que a situação se tornasse mais... constrangedora.
Um sentimento estranho de gratidão pelo professor nos dominou. Fiquei imaginando o que poderia ter acontecido se tivéssemos ido além daquilo.
Peguei a mão da Videl e ela se levantou e eu, como imaginava que era minha obrigação, disse:
- Desculpe-me, Toryama-sensei. Eu e Videl...
O professor me interrompeu com um gesto delicado e deu um sorriso simpático.
- Eu entendo vocês. São jovens. Eu não os perdoaria se tivessem vindo aqui para usar drogas... mas já se formaram, não são mais alunos. Voltem para a festa e divirtam-se.
Nós saímos da sala. Passava de uma da manhã, havia mais três horas de festa, mas quase chegando no salão, Videl disse:
- Gohan, me leva para casa?
Não podia culpá-la. Era chato ser flagrado por um professor naquela situação, ainda que ele tivesse sido legal demais. Pela primeira vez as palavras de Vegeta fizeram sentido para mim. Não precisaríamos fazer aquilo se fossemos tratados como adultos. Se não estivessem vigiando a gente o tempo todo para que a gente não fizesse... o que a gente queria tanto fazer. Eu precisava tomar uma atitude, e ela deveria ser mais enérgica que simplesmente transar escondido.
Eu levei Videl para a casa dela no carro do meu pai. Ela estava triste, cabisbaixa, envergonhada. E eu me sentia responsável por ela, ela tinha se exposto de forma vexatória para me agradar e isso não era justo, como também não era justo ter de esperar o Buu dormir para um amasso mais sério. Eu estiquei a mão, sem tirar os olhos da estrada, e acariciei sua mão. Queria que ela soubesse que eu me importava com o que ela estava sentindo. E não me saía da cabeça que eu deveria tomar uma atitude.
Na porta da casa dela, vimos a luz da sala acesa e estranhamos aquilo. Se Mr. Satan estava doente, deveria estar dormindo há horas. Buu então, nem se fala! Ele dormia mais que a cama. Videl pôs a chave na porta e eu decidi entrar com ela. Poderia ser um ladrão.
Não era um ladrão. Mas foi uma coisa que nos fez parar na porta da casa, constrangidos. Uma cena que eu vou poupar vocês e não vou descrever graficamente porque é algo que eu decididamente gostaria de "desver".
Mr. Satan estava na sala envolvido em atividades sexuais. Com acessórios. E três mulheres ao mesmo tempo. Instintivamente, eu pus uma das mãos sobre os olhos da Videl. Queria poupá-la de alguma forma, mas ela tirou a minha mão do rosto e disse, numa explosão:
- Então ERA ESSE O SEU MAL ESTAR, PAPAI? O senhor fingiu que estava doente para TRANSAR ENQUANTO EU ESTAVA NO BAILE? Que espécie de maníaco sexual é o senhor, papai? Fica colocando aquela mala do Buu no meu pé enquanto transa com três mulheres ao mesmo tempo?
- Docinho, eu... É que você e Gohan são muito jovens...
Eu me senti imediatamente autorizado a me manifestar. Ele tinha me colocado na conversa.
- Mr. Satan, com todo respeito – minha voz saiu mais sombria do que eu queria. – na minha idade meu pai já estava casado e eu estava a caminho. Pelo que eu sei, o senhor também se casou jovem... eu e Videl somos adultos. E eu vou levar sua filha comigo agora. Ela não é obrigada a ficar numa casa onde presenciou... essa cena – eu apontei para... aquilo tudo que a gente tinha flagrado. – Prometo ao senhor que trago ela de volta no domingo, sã e salva.
Eu senti um frio na barriga quando puxei a Videl para fora, fechei a porta, e caminhei, segurando a mão dela até o carro. Mr. Satan não contestou ou argumentou. Quando entramos no carro ela perguntou:
- Onde a gente vai?
- Deixar o carro no hotel onde meus pais estão... depois – eu olhei para ela – você tem disposição para voar comigo ainda essa noite para um lugar especial só pra nós dois? Se a gente voar a toda velocidade, chega lá em uma hora. Mas só se você quiser.
- Eu quero! – ela disse, seu rosto se iluminando num sorriso.
- Então, nós vamos para lá – eu disse, e girei a chave na ignição.
Era engraçado, mas, depois de tudo, um conselho do Vegeta tinha me servido: eu tinha tomado uma atitude.
Notas:
1. Alô fãs do Vegeta. Finalmente ele deu uma dentro! Mas como quem tá escrevendo sou eu é lógico que tem uma sacaneadinha de leve com ele...
2. Eu imaginei um milhão de situações para esse flagrante do Mr. Satan e não gostei de nenhuma das imagens mentais que se formaram. Por isso não tem a descrição. E não, eu não incluí o buu na suruba porque eu acho (só acho) que ele é assexuado.
3. GOHAN HOMÃO DA PORRA! Finalmente tocou aquele botão que vocês conhecem e chutou o balde. AGORA VAI!
