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FEITICEIROS
Por Kath Klein
Revisão: Rô Marques & Yoruki Hiiragizawa
Capítulo 09
Universos Paralelos
Sakura observou Syaoran que guiava o carro. Tomoyo estava no banco de trás com um falante Kero. O bichano estava cheio de energia e voava de um lado para o outro na altura do rosto da amiga.
'Acha que Meilyn ficará bem?' A ruiva perguntou para o rapaz.
Syaoran não sabia direito como responder aquela pergunta. 'Eu não sei. HyoLing é louco por ela.' Esclareceu para a namorada enquanto girava o volante para fazer uma curva a esquerda. Eles tinham acabado de deixá-los no aeroporto.
HyoLing havia insistido para o primo ir com eles, mas Syaoran não voltaria nem sob tortura para Hong Kong. Já tinha mexido seus pauzinhos junto à universidade e tinha conseguido uma bolsa integral devido às suas notas altíssimas , além de representar muito bem a universidade em alguns jogos de futebol. Sua estadia ali, seria sem custo para o clã. Assim que finalizasse a faculdade, conseguiria um emprego e permaneceria no Japão. Sorriu de lado pensando que já estava tudo armado para manter-se para sempre ao lado da bela feiticeira que estava no acento de passageiros. Aquele bando de velhos idiotas não poderiam mandar mais nele, já era maior de idade e independente financeiramente. O que o preocupava apenas, era se isso poderia resvalar em sua mãe e irmãs, mas todas já estavam bem casadas. Franziu a testa pensando que talvez fosse mais seguro trazer a mãe para o Japão, mesmo que fosse contra a vontade dela, não confiava plenamente nas irmãs para protegê-la caso os anciões resolvessem agir com violência. Não sabia até quando a memória do pai seguraria a raiva daqueles velhos. Tinha que ligar para ela hoje, assim que chegasse no seu dormitório.
No fundo, Yelan sempre soube que aquela conversa fiada do filho de tentar recuperar as cartas Clow voltando para o Japão era exatamente isso, balela. Ela o conhecia bem demais e sabia que o amor que o rapaz tinha pela mestra das cartas não tinha desaparecido, como todos acreditavam. Syaoran não tinha ideia, mas sua mãe também tinha mexido em seus contatos para ajudá-lo de forma sorrateira sem que ele e os anciões desconfiassem. Quando soube do desaparecimento dele pensou que tinha sido obra do clã e desesperou-se.
'Ele é obcecado por ela.' Sakura comentou incomodada. 'Meilyn está noiva dele só para não ser... como é que ela falou, Tomoyo?' A jovem perguntou virando-se para trás para ver a prima que ria, divertindo-se com Kero, ela estava tão feliz em vê-lo novamente bem.
'Sheng nu.' A morena falou. Sakura sabia que a prima tinha a memória muito melhor do que a dela, vide aos últimos acontecimentos.
'Ah, sim...' Syaoran exclamou entendendo o que a prima quis dizer. Realmente ela tinha razão, o rapaz a tiraria da eminência de se tornar uma mulher sombra.
'Você sabia disto?' Sakura o indagou.
Li deu de ombros, não gostava muito desta tradição chinesa que até hoje existia e que era tão fortemente seguida, principalmente pelo seu clã, ou ex-clã, ou enfim... pela sua família. 'Na China isso é muito sério.' Falou tentando desviar a atenção apenas para o problema familiar e colocá-lo como um problema nacional chinês, o que não deixava de ser verdade.
'Verdade?' o rosto de Tomoyo apareceu entre os dois bancos. 'Uma mulher de 25 anos tem que estar casada, senão é recriminada?"
O rapaz se ajeitou melhor no banco de motorista. Estava se sentindo incomodado com a conversa. Estava num carro, com duas mulheres bem independentes que com certeza não gostariam de ouvir o que era comum na China até hoje. Imagina quando contasse sobre o mercado de noivas e como o seu clã escolhia os casamentos, como uma empresa verificava os currículos para os candidatos a uma posição. Era melhor deixar isso para lá. Não concordava com isso, inclusive tinha recusado claramente duas pretendentes que os anciões tinham lhe pressionando a aceitar. Ele havia sido taxativo, não se casaria por imposição.
'Você não respondeu a Tomoyo, Syaoran.' A voz de Sakura foi baixa, perigosamente baixa, ele pensou sentindo um arrepio gostoso pela nuca. Adorava quando ela o ameaçava só com o olhar, era fascinante ver aquela determinação nos olhos glaucos que amava.
Ele pigarreou. 'Vamos tomar um sorvete?' Fez como todo namorado quando é encurralado por sua parceira, mudou de assunto, sabendo que Kero quando ouvisse a palavra sorvete se pronunciaria e o tiraria daquele incômodo diálogo.
'Sorvete! Oba!' Kero voou para o banco da frente pousando no colo de sua mestra e sorrindo. 'Até que este moleque depois que virou seu namorado anda bem inteligente, Sakura.' A jovem sorriu para o amiguinho e depois sorriu para o rapaz. Era tão bom ouvir o status de namorada dele. Syaoran sorriu internamente pensando que tinha conseguido se esquivar da conversa.
'Tem uma sorveteria ótima no parque. Vamos lá?' Tomoyo falou animada. 'É perto da loja do Touya.' Esclareceu.
'Ótima ideia, Daidouji.' Li já mudou a rota da faculdade para o parque.
'Sim, gostaria de ver como Yukito está.' Falou Sakura pensativa observando o bichano no seu colo. 'Será que ele está bem, Kero?'
Kero sorriu para a jovem. 'Sim, Sakura. Todos estamos bem depois que você voltou a usar magia. Você foi incrível.' Sakura sorriu encabulada e falou um deixa disso, para o amiguinho. Tinha agido por instinto e estava feliz que tudo tinha no final dado certo.
'Agora precisamos saber o porquê de termos perdido nossas memórias quando passamos pela luz.' Syaoran falou sério olhando o trânsito de Tomoeda. Os últimos anos tinham transformado pequenas ruas tranquilas, bem engarrafadas.
'É verdade...' A morena do banco de trás falou, olhando pela janela. 'Não encontrei muita coisa na biblioteca, e só eu e Emma Daiyo sabemos o quanto eu procurei e estudei. Mal conseguia dormir.'
Sakura voltou-se novamente para trás procurando fitar a amiga. 'Obrigada, Tomoyo. Se não fosse você eu não me lembraria como invocar minha magia. Você também foi incrível.' A jovem falou e riu quando a amiga ficou corada de vergonha.
Syaoran lembrou de um detalhe. 'Como soube que Esperança recuperaria nossas memórias?' Perguntou batendo de leve os polegares no volante esperando o sinal de trânsito abrir.
Sakura virou-se para o namorado e repousou sua mão esquerda no braço do rapaz, chamando a atenção dele. 'Eu não sei. A carta parou na minha mão e eu apenas a li, mas depois de tê-la invocado e quando finalmente lembrei de tudo só fiquei rezando para que ela tivesse novamente salvo os seus sentimentos por mim.'
Syaoran sorriu para ela e lhe daria um beijo se o motorista de trás não tivesse buzinado alertando que o sinal estava aberto. 'Bem, precisamos saber o que foi aquela luz, por que ela nos enviou para o passado sem nossas magias e depois por que quando passamos por ela perdemos nossas memórias relacionadas a magia.'
Tomoyo apareceu novamente entre os dois. 'Inacreditável o que aconteceu com vocês.' Os dois tinham contado para a morena, Hyo Ling e Meilyn o que aconteceu nos dois dias que estiveram desaparecidos. Syaoran pensou que bem ou mal tinha que se explicar para o irmão da namorada. Comunicar poucas horas antes de desaparecerem que estavam namorando e depois sumir da face da Terra com a jovem deve ter quase enfartado o irmão. Suspirou de forma pesada pensando que Kinomoto tentaria arrancar seu fígado a dentadas. Engoliu em seco, bem imaginando o irmão de Sakura num ritual macabro para lhe arrancar o órgão e temperá-lo antes de degustar soltando uma risada diabólica.
'Tomoyo... era um lugar terrível! As mulheres não podiam falar, não podiam nem mesmo olhar para os homens diretamente.' Sakura contava para a prima.
Ela de repente lembrou-se muito bem do namorado esmurrando um dos homens e franziu a testa, já tinha percebido que Syaoran era ótimo lutador; desde garoto ela se lembrava que ele lutava muito bem, mas naquela hora recordava-se claramente de uma nuvem negra fazendo os olhos ambares tão amados ficarem enegrecidos. Era como se ele tivesse perdido o controle. Franziu a testa pensando que apesar de Syaoran ser irritado quando criança, ele nunca se mostrou violento, muito pelo contrário. O que tinha realmente acontecido com ele durante aqueles anos todos de silêncio entre eles? O que realmente tinha acontecido naquele maldito treinamento que fora obrigado a enfrentar? Ele tinha dito que fora uma droga. Isso era uma resposta vaga. Ela sabia que ele sempre minimizava as coisas para ela. Sendo assim, droga representava muito mais do que realmente era.
Como se soubesse dos pensamentos negros da namorada, o rapaz virou-se rapidamente para ela e tentou sorrir. Sakura balançou a cabeça dissipando aqueles pensamentos.
Touya e Yukito tinham se encontrado com o grupo de jovens na sorveteria. Sakura estava infinitamente feliz em constatar que Yukito estava bem. Ela estava conversando alegremente com ele e Tomoyo enquanto Touya e Li se encaravam com cara de poucos amigos. A ruiva até tentou quebrar o clima pesado entre o namorado e o irmão, sem sucesso, no final deu de ombros e resolveu aproveitar o fim de tarde quente de Tomoeda.
Uma senhora parou perto do animado grupo e sorriu. 'Posso me juntar a vocês?' Eles a reconheceram como a vendedora de Poções do Amor de Makoto. Syaoran finalmente deixou para lá os olhares assassinos de Touya e franziu a testa observando a senhora. Ela tinha poderes mágicos não havia dúvidas, mas ele tinha a impressão de que já conhecia aquela presença mágica. Irritava-o saber que não conseguia identificar.
Yukito, como um cavalheiro, levantou-se e ofereceu uma cadeira para a velha dama que sorriu em agradecimento. Ela trazia um pote de sorvete nas mãos, mas tinha os olhos vidrados no casalzinho de feiticeiros do outro lado da mesa.
'Como vai, senhora?' Tomoyo a cumprimentou educadamente. 'Makoto não tem lhe procurado mais, não é?' Perguntou só por segurança fazendo a senhora jogar a cabeça para trás numa gostosa gargalhada.
'Não, não... Acredito que o senhor Makoto se convenceu que não existe solução mágica para seus problemas do coração.' Falou sorrindo e fitando novamente Sakura e Syaoran que mostravam-se nitidamente encabulados, Se Touya desconfiasse do que os dois andaram fazendo, aí sim que estariam perdidos. Depois a senhora voltou-se para Touya que a olhava fixamente. 'Como vai, meu rapaz? Faz muito tempo que não nos encontramos.'
Touya pigarreou incomodado, coisa que Li percebeu muito bem. Ótimo, não era só ele que sentia-se assim. 'Boa tarde, senhora Mizuki.' Ele falou cumprimentando-a educadamente, não era muito legal encontrar a mãe da ex-namorada.
'Mizuki?!' Tomoyo, Sakura e Li não conseguiram disfarçar a surpresa. A senhora sorriu de volta.
'Sou Amaterasu Mizuki.' esclareceu de forma simpática sorrindo.
'A senhora é parente da professora Mizuki?' Sakura perguntou inclinando-se na mesa para fitá-la de perto e sorriu quando a senhora confirmou com a cabeça.
'Ela é minha filha.' Esclareceu.
'Que maravilha! Estamos com saudades dela. Como ela está?'
'Está muito preocupada com vocês. Tem me ligado quase todos os dias. Tanto ela quanto Eriol.' Esclareceu antes de levar uma colher do sorvete à boca. 'Vejo que já recuperaram suas memórias, não?'
Sakura e Li entreolharam-se de esguelha e fitaram novamente a senhora. Tomoyo tinha ligado para Eriol pedindo alguma ajuda e este, pelo jeito, contou para ela. 'Hiraguizawa anda muito omisso quanto ao que está acontecendo aqui em Tomoeda, senhora.' Li falou de uma vez, estava realmente sentindo-se incomodado do amigo só ficar enviando livros e mais livros e nada de dar as caras para explicar o que estava realmente acontecendo. 'Tem muita gente morrendo por causa destas criaturas que andam surgindo do nada.'
Ela encarou o rapaz com semblante sério e estremeceu ao pensar no tamanho da responsabilidade daquele jovem tão cheio de vida, desviou os olhos para a namorada dele que também mantinha-se séria mostrando que compartilhava da mesma opinião que Li sobre a falta de notícias da reencarnação do Mago Clow. Ela respirou fundo e largou o sorvete na mesa, não se importando que ele derretesse. 'Está na hora de explicar algumas coisas para vocês. Eriol já tinha me pedido isto, mas confesso que não tive coragem de encará-los e contar tudo que sei. Acreditem, crianças, meu genro está desesperado tentando encontrar uma saída para o Caos que se aproxima.'
'Caos?' Yukito falou, mas todos perceberam que não era mais o rapaz, Yue estava entre eles, apenas manteve a forma, pois estavam em um lugar público. Algumas crianças brincavam próximas, aproveitando antes do crepúsculo, quando se refugiariam em suas casas. Kero também largou o sorvete que comia escondido e pousou na mesa, tentando se manter discreto.
A senhora Mizuki ajeitou-se na cadeira mostrando que aquela conversa seria longa, mas essencial para os jovens. Seu genro havia pedido este favor, já que ainda não tinha como se afastar de Londres, onde tentava desesperadamente procurar ajuda de outros feiticeiros, a fim de evitar o inevitável.
'Acho que a senhora pode começar nos explicando o que era aquela luz e por que interferiu em nossas memórias.' Sakura falou, tentando ajudá-la a iniciar o diálogo já que percebeu que ela estava bem nervosa.
'Sim... os portais.' A senhora falou tirando um livro de dentro da bolsa e colocando no meio da mesa dos jovens. Todos, inclusive Touya inclinaram-se para frente observando o livro antigo. Ela o abriu e mostrou uma figura com várias cidades, umas por cima das outras. 'Existem inúmeros universos, mas nenhum deles interfere um com o outro, em teoria. Porém existem falhas, brechas que tornam possíveis a ligação entre eles.' Ela falou virando a página e a figura de um homem entre dois mundos completamente diferentes apareceu.
'Aquela luz era então uma brecha?' Syaoran deduziu e a senhora concordou.
'Vocês passaram por uma brecha e estiveram em um universo paralelo a este ao qual pertencemos.'
Sakura franziu a testa. 'Então não era realmente num ponto do passado?'
A senhora deu de ombros. 'Existem infinitos universos paralelos. Alguns coexistentes, outros não. Como se os universos estivessem se sobrepondo uns aos outros. Talvez fosse o passado coexistente a esta realidade, talvez não. É difícil de se responder esta pergunta com 100% de certeza.'
'A teoria das cordas e a Teoria dos outros mundos.' Touya esclareceu. 'A ciência tem procurado esclarecer estes pontos.'
'Como assim Touya?' Tomoyo perguntou para o primo que suspirou e resolveu ajudar a senhora.
'A teoria das cordas foi criada pelo físico nipo-americano Michio Kaku. Sua teoria afirma que os blocos de construção essenciais de todas as matérias, bem como de todas as forças físicas do universo, como a gravidade, existem em um nível subquântico. Esses blocos de construção lembrariam pequenas tiras de borracha, ou cordas, que formam partículas quânticas, e, por vezes, os elétrons, átomos, células e assim por diante...' O rapaz explicava tentando ser o mais didático possível. Li franziu a testa, sabia da teoria das cordas, da teoria dos outros Mundos e tal, foi obrigado a estudar, assim como as aulas de magia, o que lhe intrigava era como Touya sabia disso tudo também. Aquela não era lá uma matéria dada em um curso de universidade ou no colégio. Achou melhor questionar o rapaz em outra hora.
Touya continuou mexendo levemente as mãos, como um professor explicando para sua turma de faculdade. 'O tipo de matéria que é criada pelas cordas e como tal matéria se comporta depende da vibração dessas cordas. É dessa forma que todo nosso universo é composto e, segundo a teoria das cordas, essa composição acontece por meio de 11 dimensões separadas, se eu não me engano.' Ele se ajeitou melhor na cadeira pensando em como explicar uma teoria enorme para aquele grupo, tinha que ser mais direto.
'Assim como a teoria dos Muitos Mundos, a teoria das cordas demonstra que existem universos paralelos.' O irmão de Sakura continuou e era ouvido por todos em silêncio. 'Segundo essa teoria, nosso próprio universo é como uma bolha que existe lado a lado de universos paralelos semelhantes. Ao contrário da teoria dos Muitos Mundos, a teoria das cordas supõe que esses universos podem entrar em contato entre si. Ela afirma que a gravidade pode fluir entre esses universos paralelos. Quando esses universos interagem, pode até mesmo acontecer um Big Bang semelhante ao que criou nosso universo.'
'A criação do nosso universo?' Sakura perguntou abismada, não sabia se estava mais assustada com o irmão ou com o que ele falava. Não sabia que Touya era entendedor destes assuntos.
'Mas isso é em grande escala. Quando uma dimensão choca-se com a outra.' Li esclareceu e pediu com um gesto que o irmão da namorada continuasse.
Touya confirmou com a cabeça e continuou. 'Enquanto os físicos têm criado máquinas capazes de detectar a matéria quântica, as cordas subquânticas ainda precisam ser observadas, o que as torna, e a teoria da qual elas vêm, totalmente teóricas até agora. Alguns não acreditam nela, ao passo que outros pensam que ela está correta. Eu sinceramente não sei o que pensar.'
'Tudo bem, mas isso ainda não explica as brechas.' Syaoran voltou sua atenção para a senhora.
Touya deu de ombros, já tinha falado tudo que sabia sobre o assunto. 'Aí já entramos na área de vocês e saímos da física.' Falou em tom de brincadeira, mas mostrando que estava nervoso.
'Exatamente, aí chegamos ao nosso ponto.' Syaoran falou devagar observando a senhora.
'Estes monstros que estão aparecendo são seres de outro universo que estão invadindo o nosso por alguma brecha.' Ela esclareceu.
'Mas não estivemos num lugar com monstros.' Sakura interveio sem entender.
'Estas brechas aparecem de forma aleatória ou por intermédio de alguma magia. A magia está em todos , só que alguns são mais evoluídos que outros.' A senhora sorriu. 'Às vezes as brechas aparecem por algum propósito que vai além da nossa compreensão. Você sentiu-se atraída para passar por ela, não foi? ' Sakura confirmou com a cabeça. 'Porque aquela brecha tinha provavelmente aparecido para você justamente passar por ela.'
'Como é que é?' A ruiva falou mais alto do que queria. 'Mas por que eu?'
A senhora sorriu de forma meiga para a jovem. 'Porque és o Pilar da Vida deste Universo, querida.'
'Oi?' Sakura não entendeu.
'Clow foi muito sábio em unir você ao senhor Li.' Mizuki falou ainda sorrindo, mas os dois jovens sentiram-se incomodados com a colocação. Eles se amavam, era um sentimento deles, não uma intervenção de Clow. Sakura repousou sua mão direita em cima da mão esquerda de Li que estava sobre a coxa do rapaz. Ele a virou entrelaçando os dedos. Naquele pequeno gesto sem que ninguém percebesse, tentavam dizer um ao outro que eles estavam juntos porque queriam, não precisavam se olhar, suas auras misturavam-se de forma que mal sabiam como separá-las.
'O que Clow tem a ver com isso?' Touya perguntou sério. Ele reparou no rosto da irmã, por mais que ela tentasse disfarçar, assim como no de Syaoran.
'Desculpem-me pulei uma parte...' A senhora falou um pouco desconcertada. Era tanto a falar para eles que não sabia direito qual a narrativa que deveria tomar. Touya já tinha lhe ajudado, agora a parte mais difícil caberia a ela mesma. 'Vamos por partes, o portal que vocês atravessaram provavelmente foi aberto a pedido de alguém... Alguém sabia que vocês ajudariam, então pediu socorro.'
'Sim...' Sakura falou lembrando-se. 'Lembro-me claramente de uma voz infantil pedindo ajuda,' ela voltou-se para o namorado. 'Era a voz do menino Oktasama, Syaoran. Agora que eu percebi.'
Syaoran acenou com a cabeça indicando que acreditava nela. Mas estava preocupado, por que ele a estava chamando já que eram de universos paralelos? Voltou-se para a senhora. 'Mas ainda não faz sentido.'
Ela voltou a sorrir. 'Quantas pessoas dizem que foram ajudadas por estranhos que nunca mais viram? Pessoas que apareceram apenas naquela hora, naquele momento? Algumas afirmam que são anjos, outras espíritos bons… mas e se forem pessoas de outro universo que as ajudaram e depois voltaram para casa?'
Sakura franziu a testa. 'A senhora está me comparando a um anjo? Isso é heresia.' A jovem disse um pouco irritada. Primeiro falou sobre seu relacionamento com Li, agora que era um anjo, não gostava nem mesmo de se ver como Feiticeira, quanto mais um ser celeste adorado por todos.
'Acredito que vendo-a com o poder de Alada pode parecer bem uma figura celestial, não?'
Sakura se sentiu ainda pior ao dar razão para a senhora, em parte. Syaoran deu um beijo na face da jovem que sorriu de leve. 'Ela tem razão. Devem ter pensado que você era um anjo, o mais lindo de todos.' A face da feiticeira ruborizou.
Yue observou sua mestra e sorriu. Realmente Sakura parecia um anjo belíssimo quando invocava alada, lembrou da primeira vez que a jovem transformou a carta Clow em carta Sakura e como ficou boquiaberto vendo a figura alada com a espada em punho tentando acabar com o feitiço de Clow que transformou um ursinho de pelúcia num gigante. Sakura foi uma menina linda, tornara-se uma jovem belíssima. Compreendia o fascínio do descendente de Clow por ela, ou não? Será que o que unia os dois realmente não eram sentimentos e sim uma armação de seu antigo mestre? Não gostou de ver as coisas desta maneira, observou de esguelha Touya e pensou que não gostaria de deduzir que seus sentimentos com o irmão da mestra fossem apenas armadilhas planejadas por Clow. Seu antigo mestre era um homem muito reservado e misterioso, lembrava-se que Clow estudava muito sobre o que ele chamava de caos. Se tivesse alguma vez visto seu ex-mestre perder o controle, fora quando conversava com outros magos sobre este acontecimento. Será que Clow tinha arquitetado exatamente tudo na vida de Sakura e Li ao ponto de eles não serem donos do seus próprios destinos? E de seus sentimentos?
'Isso ainda não explica o porquê deles perderem a memória.' A voz meiga de Tomoyo que estava ao seu lado despertou-o de pensamentos mais negros.
'Bem colocado, senhorita Daidouji. Eriol e minha filha sempre elogiaram muito o seu senso de percepção.' A morena corou e abaixou os olhos.
'Estou apenas tentando ajudar.' Sussurrou timidamente observando que todos olhavam para ela.
'Provavelmente perderam parte da memória porque ainda não estão evoluídos completamente.' Kero falou. Até agora não tinha falado nada para não chamar a atenção, mas vendo que o entardecer se aproximava, observou que as pessoas começaram já a voltar para suas casas. A Sorveteria estava fechando as portas.
'Exatamente.' A senhora concordou.
'Sakura transformou todas as cartas Clow em cartas Sakura.' Yue falou observando Kero que mostrava-se bem sério para um ursinho de pelúcia.
'Aí está a parte que me cabe contar para vocês.' A senhora falou e depois soltou um longo suspiro. Tinha protelado aquilo, Eriol e a filha já estavam cobrando que ela explicasse o quanto antes o que eles não poderiam por causa da distância. Aquela conversa não deveria ser feita por telefone.
Ela observou os jovens e novamente seus olhos cravaram em Li. Deus! Conhecendo-o agora e não só pelas escrituras que tanto lia, as coisas tomaram outra forma para a velha feiticeira. Antes o Guardião era apenas uma imagem, um ser dotado de poderes extraordinários que salvaria o mundo do Caos completo, sacrificando-se para isso. Mas agora conhecendo aquele jovenzinho tão dono de si, tão belo e assertivo, e vendo todos os sentimentos que aqueles olhos ambares transmitiam, sentiu um bolo enorme se formar na garganta, engoliu em seco sentindo-o descer arrastando. Precisava contar, pelo menos parte, para ajudá-lo, esta era sua obrigação. 'O que está acontecendo é um momento único, alguma coisa ou alguém está fazendo com que, particularmente, entre o mundo das trevas e o nosso apareçam essas brechas. E por onde tantos demônios estão atravessando incessantemente. Inicialmente foram demônios menores, logo outros mais fortes adentrarão nosso universo, e então o Caos chegará.' Ela levantou a mão impedindo que Sakura ou qualquer outro do grupo interrompesse sua narrativa, já estava sendo difícil demais. 'Os portais na verdade abrem-se em todo o mundo, mas as pessoas não percebem. Porém, em outros lugares são raros, mas Tomoeda é uma cidade muito forte magicamente. Não foi à toa que Clow e vários outros magos resolveram terminar suas vidas terrenas aqui.'
Ela fez uma pausa e virou mais algumas páginas do velho livro até chegar a uma figura, apontando-a para o grupo que inclinou-se novamente a frente observando. Era uma figura de um ser alado, banhado de luz e todos ao seu redor estavam ajoelhados. As mãos desta figura alada estavam na altura do peito, mais precisamente no coração mostrando que era um ser detentor de amor, raios de luz atingiam a todos e por onde eles passavam e a quem atingiam envolviam-se em um estado de felicidade, porém quem estava fora de seu poder, era nítido o desespero e dor no rosto dos desafortunados. Atrás dele, outra figura aparecia como se estivesse protegendo o primeiro com a espada comprida em punho. A figura era lindíssima e muito bem desenhada. Não era possível ver os rostos das figuras principais. 'Este aqui' A senhora apontou para a figura central. 'É o Pilar da Vida deste universo. Você, senhorita Kinomoto.' Observou que a jovem estava nitidamente sem conseguir disfarçar o incômodo. 'E este aqui...' Apontou para o outro protagonista e fitando Li. 'Não preciso dizer, não é senhor Li?'
'Isso é... besteira.' Syaoran falou irritado e levantou-se. Não estava mais a fim de ouvir tanta loucura. Aquela velha era louca e o amigo inglês estava era de sacanagem com ele. Ao invés de dar as caras e ajudar a entender o que estava acontecendo e parar aquela onda de loucura em Tomoeda, mandara a sogra esclerosada para lhe falar um monte de besteira.
Sakura observou o rapaz caminhando com passos duros, afastando-se do grupo, estava irritado pelo mesmo motivo que ela, era muito ruim uma pessoa falar que o que sentiam um pelo outro simplesmente estava escrito num livro velho.
'Ele tem razão.' A jovem sentenciou, levantando-se também. 'A senhora me desculpe, mas Eriol deveria estar aqui nos ajudando e não tê-la mandado mostrar para gente este livro com tantos absurdos.' Ela falou decidida. 'Com licença.' Desculpou-se e caminhou na direção de onde o namorado tinha ido, afastando-se do grupo.
A senhora deu um longo e pesado suspiro, sabia que as coisas eram muito surreais e ela nem tinha chegado ao final.
'E o que são estas figuras?' Tomoyo perguntou encarando a senhora com o rosto sério. 'A senhora disse que Sakura é o pilar deste universo e Li a figura que a guarda. Por quê?'
A senhora desviou o olhar do casal que se afastava caminhando em direção ao carro deles e voltou-se para a morena e o resto do grupo. Ponderou que era melhor finalizar a narrativa para eles, assim com a informação e sendo mais próximos a Sakura e Li poderiam aos poucos ir explicando para eles. Ela confirmou com a cabeça. 'Este é o guardião. Em todos os universos existe um pilar que o sustenta e um guardião que o protege. Estes pilares estão interligados e segundo os estudos de Clow podem vir em forma apenas de energia ou reencarnam para cumprir uma missão. O guardião o acompanha sempre para protegê-lo. Seu dever é proteger o pilar nem que seja com sua própria vida.'
'Amando-o acima de todas as coisas.' Yue completou.
'Exatamente.'
'Então, por isso o moleque resolveu aparecer depois de tanto tempo.' Touya concluiu e respirou fundo. 'Realmente desde que coloquei os olhos naquele garoto eu sabia que ele estava ligado a Sakura. Mas não imaginei que fosse algo profetizado. Sakura não vai gostar de saber disso.' O homem falou sério, não gostava do namorado da irmã simplesmente porque era o namorado da irmã. Não gostava de Makoto. Não gostava de ninguém que de uma maneira ou outra pudesse magoar sua pequena estrela. Amava demais Sakura.
'Oh!' Tomoyo levou uma das mãos no peito. 'Sakura morreria de tristeza só em desconfiar que o que Li sente por ela é algo relacionado a magia e não aos sentimentos verdadeiros dele.'
Um silêncio incômodo se instalou na mesa onde agora estavam apenas os quatro sentados e Kero em cima do móvel olhando em direção ao casal que estava debruçado no carro esperando os outros. Sakura tinha a cabeça encostada no braço direito do rapaz.
'O Guardião deve estar preparado para defender este universo e os outros quando for necessário, por isso, além do dom da magia, recebeu treinamento de guerreiro. Esta foi a razão pela qual Clow se uniu ao Clã Li. Ele sabia que o guardião viria deles. O Clã Li, no mundo da magia, é muito respeitado desde a antiguidade. Clow é um mago muito esperto e sábio e fez com que tudo saísse perfeito e da melhor maneira possível. Tanto para o Pilar quanto para o Guardião.'
A senhora abriu o livro e leu um trecho numa língua bem esquisita. 'Este é um trecho num dialeto antigo de uma civilização que já não está entre nós.'
'E o que quer dizer, Senhora?' Tomoyo perguntou apertando as mãos, não aguentando mais o suspense, sabia que tinha algo muito mais terrível ainda por vir. Touya balançava levemente uma da pernas, também mostrando clara preocupação .
'O guardião deve estar sempre muito próximo ao pilar que sustenta a vida, como se fossem um. Ele deve protegê-lo para que não seja corrompido pelos males dos universos. Não se sabe ainda em que forma virá o pilar, mas o guardião deve estar pronto para dar de coração sua vida para protegê-lo, fazendo dele a coisa mais importante de sua existência, pois, se ele desfalecer ou for corrompido, o equilíbrio de um ou mais mundos será abalado e tenderá a infinita infelicidade e caos.'
'É, ela não vai gostar nada de saber disso.' Touya sentenciou, conhecia a irmã.
Se desconfiasse que o moleque chinês estava ao lado dela por causa de uma estúpida profecia, enlouqueceria. Sakura nunca foi de se aproximar do sexo masculino, e isso para ele era um grande e maravilhoso alívio. Era ciumento com relação a irmã e depois da morte do pai só piorou seu sentimento de proteção para com a jovem. Ele sabia que ela tinha crescido, que não era criança, mas não gostava de imaginar a irmã tendo uma vida como as outras jovens da idade dela. Era louco sim, não podia negar. Louco de amor pela sua florzinha. Quando viu Li pela primeira vez, sabia que ele era "o cara". Tinha magia na época, suficiente para perceber que a aura dele e de Sakura se procuravam. Quando estavam juntos elas se circulavam em uma dança maravilhosa que o encantava e ele sabia que isso consequentemente atingiria o coração dos dois. Era só uma questão de tempo, até o que antes estava num nível, como dizer astral, ir para o nível carnal. E então um pensamento veio a cabeça do rapaz. 'Então o que Sakura sente por ele também pode ser apenas...'
'Não.' Ela o interrompeu. 'O pilar não é obrigado a amar o guardião, algumas vezes nem mesmo sabe da existência dele'. Ela voltou-se para trás, vendo o casal e sorriu, depois voltou-se para o irmão da jovem. 'Clow fez as coisas perfeitas.'
'Este Clow é um pé no saco. Tem o dedo dele em tudo.' Touya falou e soltou um longo suspiro irritado.
'O que o mago Clow tem a ver com isso tudo? Ele sabia disso?' Kero perguntou.
'Tanto sabia que conseguiu unir o Pilar e Guardião há muito tempo e da maneira mais perfeita possível'. Ela repetiu novamente.
Yue arregalou os olhos lembrando-se do Juízo Final. 'Sakura quando passou pelo juízo final, ficou sendo a mestra das cartas Clow e pegou para si a responsabilidade de ser o Pilar do Amor deste mundo.'
'Verdade, ela me contou que estava num mundo sem amor e que ele era terrível. Ela quase enlouqueceu.' Tomoyo falou sentindo o coração doer.
Yue confirmou com a cabeça. 'Se ela tivesse falhado no juízo final, todos perderiam seus sentimentos mais importantes. Este era o preço que todos pagariam pela sua falha.'
'Mas ela não tinha ideia desta responsabilidade.' Tomoyo falou encarando a figura de Yukito. Depois desviou para olhar Kero. 'Você deveria ter esclarecido isso para ela.'
'Eu não tinha ideia disto.' O bichano falou com o tom irritado. 'Yue é quem deveria esclarecer.'
'Clow nunca foi claro com relação as consequências do juízo. Ele só me pediu para ser imparcial. Por isso fui tão duro com Sakura. Precisava ter certeza do que ela era capaz.' Yue tentou explicar. 'Indiferente da minha versão como Yukito.'
Aquela hora Sakura tinha selado o seu destino, seu e o de Li. 'Mas, Sakura é o pilar do amor, não da vida.' Tomoyo se atentou a este detalhe.
A senhora estendeu as mãos em direção da jovem que as segurou. 'E o que eu lhe disse sobre o amor?'
Tomoyo fechou os olhos lembrando-se das palavras da senhora naquele terrível episódio da Poção do Amor de Makoto. 'O amor é o sentimento que sustenta a vida e as pessoas e que brota nelas independente delas quererem ou não.'
'Isso mesmo.'
'Então Sakura é este pilar que sustenta a vida neste universo uma vez que ela pegou para a si a responsabilidade do pilar do Amor.'
'Possivelmente não só neste, como em outros. Por isso, ela foi atraída pela Luz do portal, pelas súplicas e desejos dos outros.'
'E o dever de Li é protegê-lo, proteger Sakura.' Tomoyo sentenciou.
'Não só ela, mas todo o universo, contra o Caos.' A senhora virou mais uma página onde mostrou o verdadeiro inferno. Tomoyo arregalou os olhos assustada enquanto Touya virou o rosto ajeitando-se na cadeira. Kero e Yue eram os únicos que fitavam diretamente a figura assim como a senhora. 'E ele está próximo...' Terminou com pesar. Silêncio.
Já estava escuro em Tomoeda, os potes antes com sorvete, agora só tinham o líquido melado dentro deles. Estava deserto, apenas o grupo estava em uma das mesas do parque do Rei Pinguim.
Sakura e Li ainda esperavam os amigos que continuavam a conversar com a senhora Mizuki. Estavam em silêncio apenas observando-os e apreciando a presença um do outro. Sakura deu um suspiro entediada.
'Daqui a pouco vão aparecer aquele monte de monstros...' Falou baixinho. 'Ando um pouco cansada disso tudo.'
'Eu também.' Ele falou com sinceridade. 'Hiraguizawa poderia ter mandado uma ajuda um pouco mais eficaz.' O tom era de ressentimento. Não culpava a senhora Mizuki, ela estava fazendo o seu melhor, mas o amigo deveria ser um pouco mais ativo.
'Eriol sempre agiu desta forma...'
'Sim... era o que mais me irritava nele.'
Sakura riu lembrando-se de que Syaoran nunca se dera bem com Eriol, considerava-o um amigo pela afinidade na magia e por saber que ele era a reencarnação de um ancestral dele, mas nunca passou disto.
'Ah, então outras coisas lhe irritavam também.' Ela falou em tom de brincadeira. 'E eu posso saber o que era?'
'Ele dar mole para você.' Foi direto, fazendo Sakura quase se engasgar.
'Ele é casado!'
'Agora.'
Sakura sorriu e voltou a ficar em silêncio. Eriol nunca havia lhe dado "mole" como Syaoran afirmara, mas não teve como não gostar de constatar que ele tinha ciúmes dela. Desde que ela descobriu os sentimentos pelo amigo de caçada às cartas Clow, só tinha ele no coração. Verdade que ela custou para entender o que se passava dentro dela, estava confusa, era uma criança, mas quando conseguiu compreender, não teve mais dúvidas, sua vida era Syaoran. Sofreu um bocado esperando por ele, mas nunca havia desistido dele. Quando este voltou estava magoada, e com razão, mas foi apenas um empurrãozinho de uma poção que tirasse seu senso de certo e errado que não perdeu tempo em ir direto para a cama do rapaz. Sorriu pensando que ele fora maravilhoso em se segurar apenas pela suspeita de que ela estava ali não por vontade própria. Sentiu as faces ficarem mais quentes.
'Eles estão vindo. Ainda bem, pensei que criaria raízes aqui.' Syaoran falou desencostando-se do carro e segurando sua namorada pelos ombros, beijou a cabeça amada inalando o perfume suave dela. 'Espero que não venham com este papo maluco novamente.'
Sakura não falou nada, apenas deixou-se ser abraçada pelo namorado e esperou pelos amigos. Não tinha como não reparar os semblantes pesados de todos, até Kero em sua forma fofinha tinha o rosto atormentado. E aconteceu o pior que Syaoran podia esperar, Touya deu um leve tapinha no seu ombro mostrando imensa camaradagem. Aquilo sim tinha sido completamente surreal para ele, e começou efetivamente a preocupá-lo.
Syaoran parou em frente a irmandade Kαβ. Sakura estava ao seu lado, voltavam de mais uma noite cheia de monstros, vampiros, lobisomens e coisa e tal. Estavam cansados.
'Pronto. Está entregue.' Ele falou sorrindo de leve como um namoradinho normal que levava a namorada até a porta da casa dos pais, só que entre eles as coisas eram um pouco mais complicadas, não estavam voltando de uma sessão de cinema. 'Tem certeza que este seu machucado nas costas foi só um arranhão?' O jovem perguntou, agora fitando a namorada que tinha levado um baita golpe de um vampiro e caído no chão arrastando-se por alguns metros. 'Por favor, peça para Tomoyo cuidar dele.'
'Tomoyo está na casa da mãe dela. Vai passar a noite lá hoje.' Sakura esclareceu.
'Hã...' Syaoran deixou escapar. O rapaz engoliu seco, sabia que Kero tinha voltado com Yue para a casa de Touya quando se despediram há poucos minutos.
Ela voltou-se para trás tentando ver o estrago e pensando que já era mais uma blusa. Tinha que fazer compras ou ficaria sem roupas. Estava pensando que seria uma boa começar a pedir para Tomoyo preparar uns trajes especiais de batalha como fazia quando criança, pelo menos assim salvava parte do seu guarda roupa. Não podia negar que estava ardendo um pouco, mas um bom banho e um antisséptico resolveriam o problema. Tiraria de letra. Por fim respondeu que estava tudo bem para o namorado.
'Hum... então não precisa de ajuda?' Ele ainda insistiu e Sakura viu um brilho vindo dos olhos ambares, estremeceu e mordeu o lábio inferior.
'Acho...' Ela brincou um pouco com as mãos. 'Acho que preciso. Não conseguirei limpar bem, pois não consigo ver.' Excelente desculpa pensou e sorriu de lado. 'Tem material de emergência lá em cima.'
Ela subiu os dois primeiros degraus e voltou-se para Syaoran que ainda ficou um tempo parado observando a namorada. 'Vamos?' Chamou-o.
O rapaz caminhou devagar até ela e parou ao seu lado. 'Você tem certeza?' Ele falou fitando o rosto tão amado, não queria forçar nada com Sakura, arrependeu-se de ter insinuado algo. A jovem sorriu para ele e piscou. Não respondeu, não tinha mais certeza de nada na vida, tudo era uma loucura sem fim, por que não poderia pelo menos aproveitar um pouco que fosse da parte boa? Voltou a caminhar e fez um gesto com a cabeça para ele vir junto.
Caminharam em silêncio, mas tinham a respiração levemente acelerada, Sakura abriu a porta do dormitório e acendeu a luz.
'Eu vou tomar um banho...' Comentou tirando as cartas do bolso da calça jeans e colocando sobre a escrivaninha. Depois tirou sua chave mágica deixando-a por cima das cartas. Voltou-se para Li que estava parado perto da porta observando-a, tinha os olhos fixos nela e rosto sério. Ela sorriu e caminhou na direção do rapaz, deu um demorado beijo na sua face e afastou-se indo para o banheiro.
Li franziu a testa observando a porta do banheiro e ouvindo o barulho da água do chuveiro onde Sakura se banhava, sorriu de lado, ela não tinha trancado a porta. Não era ingênuo. Tirou sua esfera negra do bolso, deixando-a ao lado das cartas da amada. Caminhou até o banheiro tirando a camiseta, jogando-a no chão e abrindo a porta onde o vapor e o perfume embriagante de cerejeiras invadiu suas narinas. Livrou-se da roupa sem nem saber como e caminhou em direção ao chuveiro onde estava Sakura, entrou no box e logo sentiu os braços da amada envolvê-lo enquanto as bocas se uniam.
'Você demorou.' Sakura falou afastando os lábios dos dele rapidamente. 'Pensei que fosse mais rápido.' Disse sorrindo de forma marota.
Syaoran sorriu passando a mão no rosto da jovem e afastando os cabelos molhados da bela face. 'Não tenho pressa.' Respondeu.
'Sempre pensei que fosse ansioso.' Ela rebateu.
'E sou…' Ele concordou. 'Mas não para tudo.' Falou beijando de leve os lábios dela. 'Há coisas que são mais prazerosas quando feitas com calma.' Disse beijando o rosto dela devagar.
Ela fechou os olhos sentindo os lábios dele contornarem seu rosto enquanto a água caía no seu corpo. Sentiu ele segurando sua cintura e a aproximando do corpo dele.
'Serei gentil.' Ele falou com os lábios contra os da jovem.
'Eu sei.' Ela sabia que ele seria, já tinha provado isso antes.
'Você sabe que eu te amo demais, não é?'
'Não tenho dúvidas disso.' Respondeu antes de morder de leve o pescoço do rapaz.
Nada mais precisou ser falado, estavam esperando por aquele momento há muito tempo. Logo os dois corpos molhados estavam rolando na cama da jovem. Suas auras estavam misturadas, seus corpos unidos pela primeira vez. Ali não eram feiticeiros, não eram parte de nenhuma profecia. Eram duas almas que se amavam, dois corpos que se desejavam de forma profunda e desesperada.
Sakura enfrentava dois bichos verdes fedorentos perto do lago do parque junto com Kerberus e Yue. Ela tentava acertá-los com chutes e socos usando a carta Luta, mas a pele escorregadia deles tornavam seus golpes inúteis. Yue acertou um com sua chuva de cristais, derrubando-o. Kerberus tentou atacar o outro para não ficar atrás, mas acabou levando uma vomitada de geleca verde. Sakura usou a carta Trovão e conseguiu transformar em pó o fedorento.
'Maravilhosa!' Tomoyo gritou saindo de trás de uma árvore onde registrava toda a aventura dos amigos com sua nova aquisição Made in Japan.
'Que é isso, Tomoyo. Não foi nada de mais.' Falou encabulada.
'Tomoyo! Você não deveria estar aqui!' Kerberus olhou assustado para a jovem. 'Você filmou tudo?' A morena acenou que sim com a cabeça deixando o poderoso tigre alado sem graça. 'Será que você pode editar? Pode cortar algumas cenas, não é?'
Sakura correu até o amigo e não teve com não fazer uma cara de nojo vendo a geleia verde por todo o corpo do ser mágico. 'Kero, você está bem?'
Kerberus deu um longo suspiro desanimado. 'Na medida do possível.'
Yue caminhou até os três sem conseguir disfarçar o sorrisinho no canto da boca. 'Isso é para aprender a não agir sem pensar. Anda impulsivo demais, Kerberus'. O tigre olhou feio para o anjo.
A mestra das cartas rodou os olhos imaginando uma discussão entre seus dois guardiões, era incrível como os dois implicavam um com o outro, mesmo depois de tanto tempo. 'Já sei, vou usar a carta Bolha para limpar você!' Exclamou sorrindo com sua ideia. Não tinha nem graça depois de tudo que passou durante a noite com os seres fedorentos, ainda ter que limpar o bichano.
'Ah não, esta carta não. Ela faz cócegas...'
'Qual é, Kero. Eu não sei como limpar esta meleca toda. Eu não vou ficar esfregando você...'
O tigre olhou para Tomoyo. 'Hei, nem adianta olhar para mim. Nem sei como tirar isso de você.'
'Até tu me traíste, Tomoyo.' Ele falou desanimado. Tentou caminhar mas ficou grudado no chão.
'Elas têm razão.' Yue foi taxativo. 'Deixa de besteira e vá se limpar. Não temos a noite inteira.'
'Isso porque não é com você.' Kero falou entre os dentes, sacudiu uma pata e respingou geleia, fazendo Sakura e Tomoyo pularem para trás.
'Deixa de conversa e vamos logo com isso. Entra no lago.' Sua mestra ordenou já impaciente.
'Mas a água deve estar fria. 'Ainda tentou clamar pela misericórdia da jovem ruiva.
Yue soltou um longo e cansado suspiro. 'Você é um tigre ou um rato, Kerberus?'
'Isso não é justo. Isso não é justo.' O tigre alado caminhou devagar em direção ao lago, por onde ele passava um rastro de geleca verde ficava. Sakura caminhou cautelosa até a beirada, pulando esta ou aquela poça de meleca. Pegou a carta e invocou o poder da Bolha. Kero foi envolvido por uma espessa camada de espuma, e Sakura pôde ouvir as risadas descontroladas do seu guardião. Não teve como não rir acompanhada por Tomoyo.
'O que aquela bola de pelo está fazendo? Isso não é hora de tomar banho.' Sakura reconheceu a voz do namorado e sorriu boba. Tomoyo percebeu isso e mesmo que não quisesse sentiu-se um pouco melancólica.
Ela se sentia feliz pela amiga, e como se sentia bem em saber que a dona de seu coração estava iluminada de felicidade, mas começava a se dar conta que estava sendo demais na vida do seu ser mais adorado. Sakura já firmara namoro com Li. A faculdade toda comentava sobre o popular casal da faculdade de Tomoeda. Li era lindo, era ainda o capitão do time de futebol, o melhor aluno do curso de engenharia e um dos melhores da faculdade. Só era antissocial e se recusava a ir em festinhas da faculdade, era sério demais e isso acabava afastando as pessoas dele. Sakura, além de bela era a melhor competidora em várias modalidades esportivas e a mais graciosa líder de torcida da irmandade Kαβ. Li uma vez levou uma bronca dos amigos quando admirava a namorada num jogo entre Kαβ e KΩε, o mesmo aconteceu com ela que foi pega pulando de alegria quando Li fazia gols contra o seu time. Ela continuava a mesma menina que se importava com os outros e tentava ajudar a todos no que podia. O casal era motivo sempre de comentários, devido ao envolvimento dos dois em acontecimentos estranhos. Ninguém da faculdade falava abertamente, mas sabiam que eles de uma forma ou outra protegiam os outros.
Tomoyo não estava triste, apenas se sentia um pouco solitária. Ela recusava todos os convites de Sakura e Li para saírem juntos. Ela só saía quando o grupo todo se reunia, como agora. E ainda tinha Kurogane… O insistente colega de dormitório de Li ainda não tinha desistido dela. Sorriu lembrando-se do rapaz grande e com cara de mau que ficava como bobo falando coisas bregas para ela tentando arrancar-lhe um sorriso. Normalmente, ele sempre tinha sucesso nisto. Só que parava por aí. Tomoyo suspirou, gostava do rapaz, ele era inteligente e estava se esforçando inclusive para aprender sobre música clássica apenas para puxar conversa com ela, mas…
Tomoyo viu Sakura correndo em direção do namorado e se jogando nos braços dele. Ouviu a gostosa gargalhada de Li e provavelmente os dois estariam se beijando em segundos. Cerrou os punhos ainda observando Kerberus gargalhar envolvido por Bolhas no meio do lago.
Olhou de esguelha e viu o casal parando ao seu lado, Syaoran com o braço nos ombros da namorada. Ele mal conseguia controlar o riso debochado ao ver Kerberus sofrendo nas mãos da carta de Sakura.
'Hei, será que... ra, ra, ra... dá para me... ra, ra, ra... me tirar daqui... ra, ra, ra...' O bichano se contorcia em cócegas.
'Acho que já está bom.' Sakura falou levantando o báculo quando foi impedida por Li que tinha o sorriso mais debochado do mundo.
'Espera só mais um pouco.'
'Syaoran... o coitado vai morrer de tanto rir'.
'Morre nada... vaso ruim não quebra.' Falou beijando a namorada para distraí-la um pouco mais e deixar Kero sofrendo.
'Malvado...' Ela sussurrou com os lábios contra os do namorado.
'Você nem imagina o quanto.'
Tomoyo pigarreou tentando lembrar que tanto ela quanto Yue estavam ali. Os dois se separaram um pouco sem graça. 'Acho que agora já tá bom'. Sakura foi caminhando em direção a margem, para interromper a diversão da carta Bolha, a menininha riu muito antes de voltar a sua forma original.
Syaoran parou ao lado de Tomoyo. 'Você gravou tudo, não é?'
'Claro, você acha que eu perderia uma cena da Sakura?' Ela falou levantando a filmadora e tentando sorrir.
'Mas gravou também quando Kerberus foi atingido pela geleca verde, não?'
'Li, tadinho dele. Ele me pediu para editar .'
'Que é isso, para que editar? O importante é gravarmos nossas derrotas também.'
'É verdade, para que assim possamos aprender com elas.' Falou pensativa fitando o rapaz, mas franziu a testa, Li ainda mantinha o sorriso sarcástico enquanto observava Kero saindo do lago ao encontro de sua mestra.
'Ou pelo menos para fazer os outros se divertirem um pouco...' Falou voltando-se para a amiga. A morena meneou a cabeça, não concordava muito com o pensamento dele, mas tinha que admitir que a situação de Kero foi um tanto assim engraçada. Pensaria depois no que faria, o importante é que ela tinha mais uma filmagem para sua coleção.
O grupo estava voltando para seus dormitórios. Estavam cansados, os demônios estavam tornando-se mais fortes, Sakura e Li estavam evoluindo na magia e aos poucos tudo parecia que tinha se tornado uma coisa rotineira. Tomoyo observava o casal caminhando e conversando de forma alegre. Estavam de mãos dadas, dedos entrelaçados. Brincavam um com o outro como se fossem um casal normal, a única diferença é que na outra mão de Sakura estava o báculo mágico enquanto na outra mão de Syaoran estava sua espada. Tomoyo suspirou e abaixou a cabeça, estava preocupada também com a amiga depois daquela conversa toda com a senhora Mizuki. Será que o que os dois sentiam um pelo outro era só uma questão de magia?
'Você está bem, Tomoyo?' Yue perguntou fitando o perfil da amiga.
'Estou bem, Yue.' Ela sussurrou. 'Só preocupada com eles.' Esclareceu levantando o rosto e observando o casalzinho a frente. 'Ela sofreu tanto esperando por ele e agora que parece tão feliz... tenho medo dele ir embora daqui três anos, ou pior, tenho medo do que a senhora Mizuki falou.'
'Entendo.' O Anjo falou sério. A amiga de sua mestra tinha razão. Aqueles dois tinham tudo para serem felizes para sempre, mas tanto ele quanto Tomoyo sabiam que não se via um final bom para sua mestra e o descendente de Clow.
De repente Li parou e olhou para Sakura que também percebeu a presença estranha. Ela apertou mais forte o báculo olhando para os lados.
'Yue, Kerberus, protejam Tomoyo.' A Feiticeira ordenou e os dois ainda precisaram de um tempo para entender o que estava acontecendo.
'É forte demais... ' Li sussurrou intrigado com a presença. '...e rápida.'
'São duas.' Sakura alertou, no que ele concordou com a cabeça. Ficaram de costas um para outro esperando o inimigo que não tardou a atacá-los. Uma grande fonte de energia apareceu do nada na direção dos feiticeiros. Sakura arregalou os olhos. 'Escudo!'
A explosão foi terrível, fazendo Yue e Kerberus quase não conseguirem proteger a si mesmos, muito menos Tomoyo. Quando Tomoyo conseguiu abrir os olhos, fitou horrorizada a enorme labareda de fogo no lugar onde os dois amigos estavam. 'Sakura!' Gritou tendendo a correr na direção da amiga, mas sendo impedida por Yue.
'Ela está bem.' O anjo falou e observou as labaredas diminuindo e surgindo as formas dos dois Feiticeiros por trás delas. 'Poder espantoso.' Sussurrou observando boquiaberto a magia de sua Mestra.
Continua.
Notas da Autora:
Olá! Este capitulo está enorme, eu tentei explicar melhor o que deixei meio jogado na versão original. Esta teoria dos Universos Paralelos e a teoria dos Muitos Mundos realmente existem. De forma separada, mas no final eles se interligam. Não é uma matéria muito divulgada no colegial e nem na graduação. Acho mesmo que só na graduação de Física. Na graduação de engenharia a gente discute um pouco no que chamamos de Física Moderna, mas é bem rapidamente, a gente entra mais fundo na questão da relatividade do tempo.
A primeira vez que eu ouvi sobre isso foi num programa da Discovery Channel, depois minha mente insana fez eu escrever alguma coisa na versão original e eu quis trabalhar melhor esta explicação na versão reeditada. É uma teoria interessante, para quem gosta de estudar o assunto um pouco mais a fundo, pode achar coisas bem legais. Há excelentes filmes que abordam este tema de forma mais profunda, e alguns livros também (não me vem nenhum agora na cabeça, mas eu sei que tem). Algumas pessoas vão achar este capitulo confuso e tal, mas tentei ser o mais didática possível, espero que tenha conseguido esclarecer de forma simples uma teoria bem complexa. Além disso, a trama de Feiticeiros não segue completamente a teoria e tal, existe obviamente, a questão dramática e criativa. Licença literária.
É isso, mais um capítulo postado e vamos seguindo em frente. Espero estar amarrando alguns fios que eu achei que ficaram soltos na versão original.
E finalmente eu escrevi a cena que todo mundo estava me cobrando desde a viagem que eles fizeram lá para o passado, outro universo, sabe-se lá para onde eles foram! Olha, sei que muita gente quer me matar e coisa e tal, mas a versão original está lá, bonitinha (quer dizer, horrível! Cheia de erros ortográficos e gramaticais, mas tá lá!) para todos poderem reler se tiverem coragem. Eu fiz a cena da primeira vez deles como de qualquer casal de jovens. Sem nenhum super acontecimento que possa mexer com os universos e destruí-los de forma sequenciada e coisa e tal… tudo bem… mais para frente o negócio fica mais complicado, mas eu tentei aqui fazer uma cena singela de um casal jovem apaixonado, okay? Pronto! Falei!
Vamos lá esclarecer uma coisa muito importante. Seguinte: FEITICEIROS não é uma reedição, o termo correto (como a Yoru me alertou) é releitura da história original. E apesar de, essencialmente, contar a mesma história, faz isso de uma maneira diferente, mais enxuta, coerente e madura (palavras dela inclusive quando estávamos conversando sobre isso). Concluindo, não esperem exatamente o mesmo que a versão original, pois não virá.
Obrigada a todos que acompanham esta nova história e obrigada pelos reviews e e-mails e todas as demonstrações de carinho.
Beijos
Kath
Notas das Revisoras:
Rô: Huuuummmmm...huuuummmmm...
Sempre que releio esse capítulo penso em Flash... Ele volta ao passado, e sempre que retorna algo está diferente, tem universos paralelos, ou Sliders, um seriado antigo de Universos Paralelos, ou Stargate… Para… tem muitas referências a Universos Alternativos.
Eu não curto profecias... Alguém sempre se machuca nessa... Harry Potter, alguém? Pode até ser que a aproximação do Syaoran junto à Sakura seja baseada nessa história de pilar e protetor... Mas passou disso... Amor, gente... Mais forte que qualquer outro sentimento ou mesmo profecia.
Rolou... eeeee... Espero que com camisinha, afinal proteção é tudo...
Eu gosto desse capítulo, começa zen, tomando sorvete... E termina... Uau... Mais seres do mal... Ei, isso rimou.
E as coisas estão esquentando...
Beleza People... Até o próximo.
Bjs
Yoru: Agora é que entramos efetivamente na história de Feiticeiros ou, pelo menos, começamos a entender melhor o que acontece por trás de todos os eventos e desafios que nossos heróis têm enfrentado. Acho muito interessante toda essa teoria de Universos alternativos, tempo e espaço, buracos de minhoca. Volta e meia me pego lendo artigos de física quântica. Sim, sou da área de humanas, mas exatas me fascinam. Problema?
Argh! Confesso que detesto esse papo de profecia, também, viu. Como esse pessoal se atreve a reduzir o que Sakura e Syaoran sentem um pelo outro a algo tão trivial? Inaceitável. Não há profecia que supere Amor verdadeiro e eles irão provar isso! Eu tenho certeza… ou, pelo menos espero…
Bem… Enquanto isso, eles conseguiram ir até o fim e passaram a primeira noite juntos. Adorei, adorei, adorei! Bem pé no chão. Nada explosivo ou extremamente aterrador e capaz de deixar o mundo de cabeça para baixo. A única magia sendo o fato de terem finalmente se unido em corpo como há muito seus espíritos ansiavam. Lindo!
Adoro a próxima parte! Uma de minha partes favoritas. Mal posso esperar pela a próxima semana.
Ja, nee…
Yoru.
