Capitulo 09
Um céu nublado e pesado fez o novo amanhecer de Cancun, assim como os ânimos dos ocupantes daquele quarto. Esse dia não teria nada de mágico, quem via a cena pensava que era coisa de cinema. Até São Pedro conspirava nesse quesito. Será mesmo que um lugar paradisíaco como aquele poderia transformar a vida dos dois?
Como um lugar que, supostamente, faz os casais se tornarem mais apaixonados, estaria os afastando?
Ótimas perguntas para as quais não havia respostas.
House acordou com seu mau humor um pouco mais aflorado que de costume. Com muito custo, tomou um banho e desceu. A vontade de falar com Cuddy era grande, mas seu orgulho não deixava. A saudade do corpo dela era seu maior castigo, mas nada disso fez com que ele deixasse o orgulho de lado. Sendo assim, optou em tomar seu desjejum no restaurante.
Cuddy começa a despertar de seu sonho, passando a mão ao lado da cama, porém, a única coisa que encontrou foi o lado vazio. House havia acordado mais cedo apenas para evitá-la e ela sabia disso. Olhou pelo quarto e a única coisa que encontrou foi a bengala jogada no canto, o roupão, e a toalha molhada em cima da cadeira.
Após sair do banho, o seu café da manha já estava servido no quarto. Passou pela mesa, pegou uma xícara de café e se dirigiu à sacada. Assim como o céu, o seu dia também estava nublado e carregado. Nublado por que a tristeza de não ter House perto a machucava, carregado porque o peso na consciência de não poder se abrir com ele era maior. O que estava acontecendo com ela era muito especial, e ela precisava falar com ele, mas qual seria a reação dele perante isso, era algo que nem ela conseguia adivinhar.
Quando House chegou ao salão de jogos, notou que não era ali que ele queria estar, mas ter que olhar pra Cuddy sem descobrir o que estava acontecendo o deixava ainda mais desnorteado, então o único lugar onde ele teria um pouco de paz era no bar. E pra lá ele foi.
Sentando no bar, foi logo pedindo uma dose dupla de Whisky, apenas para começar.
Cuddy, por sua vez, estava no quarto quando ouviu batidas na porta. Seu coração chegou a acelerar achando que poderia ser House, que ele estava disposto a dar o assunto por esquecido por enquanto, que tudo voltaria a ser como era antes e assim quem sabe ela teria a coragem de dizer a ele, mas quando olhou pelo olho mágico, seu sorriso logo desapareceu.
C: Senhor Howard, a que devo a visita?
Hd: Saber como a senhorita está.
C: Estou bem, obrigada pela preocupação.
Hd: Está de férias em Cancun, mas ficará no quarto?
C: Digamos que o clima não está para praia, e nem os ânimos.
Hd: Sim, o clima não ajuda, mas que tal uma volta na praia? Apenas para conversar.
C: Acho que seria uma boa.
Fritz e Lisa andaram uma boa parte do caminho calados. Ele não queria forçar nada, apenas deixou que ela se abrisse caso confiasse nele, como havia feito no outro dia.
Cuddy apenas encarava o horizonte, não sabia como, apenas sabia que mesmo com o silencio, era como se uma grande conversa estivesse sendo realizada. Um pouco de paz começava a se estabelecer dentro do coração dela. Agora o silêncio não era mais necessário, as palavras poderiam ser ditas.
C: Eu... eu ainda não contei a ele.
Hd: House?
C: Sim. Não consegui.
Hd: Por quê?
C: Não sei. Tem horas que quero pular no colo dele e abraçá-lo e contar tudo, mas...ao mesmo tempo um medo me invade e eu não consigo.
Hd: Medo de que?
C: Medo da reação dele.
Fritz, que até então caminhava ao lado dela, pára e a vira de frente para ele.
Hd: Cuddy, se ele realmente a ama como você diz, se o amor é verdadeiro, vai superar tudo. Supera qualquer barreira. Supera qualquer obstáculo.
As palavras de Fritz haviam caído como uma luva. O resto da coragem que ela necessitava ele havia completado. Ela ficou sem palavras, a gratidão dela por ele era grande. Não que fossem velhos amigos, mas ele tinha sido como um anjo para ela desde o inicio, então a única coisa que poderia fazer era dar-lhe um abraço.
O que ela não esperava era que House fosse vê-los juntos. Ele estava na praia também.
FlashBack
Quando Cuddy desceu do quarto ele estava na recepção, e ao vê-la sair resolveu segui-la. Ele estava com o nível de álcool um pouco elevado, pois quando foi para o bar começou a beber, e só parou quando o garçom resolveu parar por House estar com muletas.
Flashback off
Eles ainda não tinham sentindo a presença dele ali, então quando Cuddy soltou o abraço. A única coisa que ouviu foi uma salva de palmas de House. Ela apenas fechou os olhos e virou para ele.
C: House, não ... – ele a interrompeu.
H: "Não foi nada", é isso que você vai me dizer? Vai também falar que eu estou alucinando? Ou que você estava me vendo na pessoa dele?
C: Não, não é isso.
H: Eu vi Cuddy. O que pra você pode ter sido apenas um abraço, pra mim pode ter um sentido maior, afinal eu não sei onde você se meteu durante esses dias.
C: House, Fritz é apenas um amigo.
H: Oh! Ele é Fritz e eu sou House. Vem cá, com quem mesmo você divide a cama?
C: Cala a boca, House!
Howard tentou intervir a favor de Cuddy, mas quando ele foi tentar falar algo, a única coisa que sentiu foi o soco de House lhe acertando em cheio o nariz, fazendo-o ir ao chão. Cuddy foi ajudá-lo, e House foi em direção ao hotel.
Hd: Lisa, vá atrás dele, me deixe aqui.
C: Não! Eu vou ajudá-lo
Hd: Olhe para mim, o que ele fez agora só tem um significado, ele realmente gosta de você. Vá! Eu vou ficar bem.
C: Você tem certeza?
Hd: Vai logo.
Ela vai atrás de House. Ele, por sua vez, com a ajuda da muleta, estava mais devagar do que de costume, e na areia a coisa piorava, por isso não tinha sido muito difícil alcançá-lo.
C: House! Espera!
Ele nada respondeu, apenas continuou andando. Ele já odiava o fato de ter que andar de bengala, com a muleta se odiou mais ainda.
Ela apressou o passo para que pudesse ultrapassar, e ficar de frente pra ele.
C: O que está acontecendo com você?
H: O que? Não gostou de eu ter batido no seu novo namoradinho?
C: House, você sabe muito bem que eu e Fritz somos apenas amigos.
H: Oh! Engraçado. Eu sou House, ele é Fritz.
C: Pare com isso! Deixe de ser infantil.
H: Infantil?! A minha namorada vem a Cancun um dia antes de mim, no outro dia está de segredinhos com um cara que ela jura que é apenas amigo, e no outro dia eu os encontro abraçados, o que você quer que eu pense?
C: Que tipo de mulher que você acha que eu sou? Uma das suas prostitutas? Que sai com vários homens?
H: Pelo menos elas quando eu estou pagando, estão comigo.
C: Seu filho de uma puta!
Ela não sabe de onde tirou forças, mas um tapa bem estalado foi a única coisa que conseguiu fazer antes de sair correndo chorando.
Ele se sentiu o pior homem da face da terra. Às vezes até ele achava que tinha que pensar muito bem antes de simplesmente sair falando tudo que lhe vinha à cabeça, mas no calor da discussão, a boca sempre ia mais rápido do que o raciocínio, o que sempre fazia com que ele a machucasse.
Após muito correr, Cuddy apenas se ajoelhou no chão da praia. Sua mente estava a mil, o acontecimento anterior ainda estava sendo processado por ela. Como ele poderia achar que ela fosse uma qualquer? Como ele não pôde confiar nela?
O tempo começava a fechar. Um vento forte começava a soprar, mas ela não estava nem um pouco a fim de voltar ao hotel e ter que encontrar com House.
Sabia que as emoções tinham sido grandes, e qualquer tipo de contato agora poderia ser pior para ambos.
Uma leve garoa começa a cair, mas isso não fez com que ela se movesse. Era com se quisesse que tudo acabasse ali, naquele momento. As lágrimas ainda teimavam em cair, por maior que fosse o esforço para que parassem. O que ela mais queria agora era que tudo explodisse, para que tudo que ela estava sentindo pudesse morrer junto.
House saiu do banho e notou que ela ainda não havia chegado. Talvez ela estivesse na recepção, talvez no bar bebendo algo, mas algo dentro dele dizia que não era nada disso, que dessa vez ele deveria começar a se preocupar com ela. Então rapidamente pegou o telefone e ligou na recepção.
Re: Recepção
H: A Senhora House por acaso está por ai?
Re: Não, senhor House.
H: E no bar?
Re: Posso pedir pra dar uma olhada, caso deseje.
H: Então me avise assim que tiver resposta.
Re: Ok
House terminou de se vestir e foi até a porta da sacada. A chuva começava a dar uma engrossada e isso fazia com que ele se preocupasse mais ainda. Onde ela estaria? Se caso acontecesse algo com ela, com certeza ele iria se culpar. O telefone voltou a tocar, ele saiu do seu transe e foi em direção ao mesmo.
H: Pronto.
Re: Senhor House, a Senhora House não está no bar e nem no restaurante.
H: Obrigado.
Re: Deseja mais alguma coisa?
H: Qual o quarto do Senhor Howard?
Re: Quarto 401
H: Ok.
Ele desliga e retira a bota ortopédica. Um pressentimento muito ruim o dominava, sabia que teria que andar muito rápido e a bota e a muleta só iriam atrapalhar. Colocou o outro pé do tênis, virou três comprimidos de vicodin na boca, pegou a bengala, foi em direção ao elevador, e em direção ao quarto andar.
Batidas na porta fizeram Howard terminar o banho antes do tempo. Com o nariz ainda inchado ele foi atender, o que lhe causou um pouco de surpresa após ver quem se tratava.
Hd: Doutor House. Veio ver como ficou a obra prima?
H: Cuddy, ela está ai?
Hd: Não, a ultima vez que vi a doutora Cuddy ela estava correndo em sua direção. Aconteceu alguma coisa?
H: Nós... brigamos.
Hd: E desde que horas vocês não se vêem?
H: Aproximadamente umas três horas, antes da chuva começar.
Hd: Ela não está na recepção do hotel?
H: Já liguei pra lá, não está.
Hd: Vou só colocar uma roupa e lhe encontro lá embaixo.
House desceu a recepção e novamente perguntou de Cuddy, mas a recepcionista lhe respondeu o mesmo que da última vez. O porteiro garantiu que ela não havia passado por ali desde a hora que saiu junto com Howard, que o único a retornar até então era Fritz e ainda com o nariz todo ensangüentado. House deu um leve sorriso interno por que ele realmente o tinha acertado em cheio.
Ele andou até o bar e procurou novamente por ela, mas nada também. Quando voltava do bar encontrou com Howard no caminho, e juntos seguiram até a frente do hotel.
A chuva agora era bem mais forte, o que fez com que Cuddy fosse procurar um abrigo para tentar se proteger, já que ficar ali não ajudaria em nada, além de pegar um grande resfriado, e se bobeasse uma pneumonia.
House e Fritz saíram à procura dela, ambos com uma lanterna e bateria. Seguindo caminhos opostos, os dois foram com um aparelho de celular, para caso fosse preciso um ajudar o outro.
Fritz seguiu o caminho que fez com Cuddy na hora da conversa. Não tinham ido muito longe, mas por onde eles tinham passado havia algumas pedras, que nessa chuva poderiam muito bem servir como abrigo, e isso era o que ele mais desejava, que Cuddy realmente tivesse procurado um abrigo para se proteger.
House, por sua vez, foi para o lado que tinha ido durante a briga. Tentou lembrar o caminho que tinha feito, e principalmente desejando que nada de ruim acontecesse, por que ele jamais seria capaz de se perdoar se acontecesse.
Seu pé começou a doer mais ainda. Ele não sabia se era por que estava andando a bastante tempo, ou se era o efeito do vicodin passando, então deu uma parada e começou a gritar por Cuddy, na esperança dela responder, mas os únicos barulhos que se escutava eram dos trovões e das ondas do mar.
A escuridão atrapalhou muito a visão de ambos. Mesmo que estivessem com lanternas, a iluminação era muito baixa, porém, logo a frente, algo chamou atenção de House. Eram os chinelos de Cuddy, e isso mostrava que ele estava no caminho certo. Pegou o frasco de vicodin e virou mais dois comprimidos. Olhou para o frasco e apenas dois comprimidos ainda restavam. Ele guardou novamente o frasco no bolso e voltou a caminhar.
Quando olha mais à frente, encontra algo parecido com uma caverna, nas pedras a beira mar. Foi olhar para ter certeza que ela não estaria ali, mas para sua surpresa Cuddy estava sentada mais para dentro da gruta, encolhida e tremendo.
H: Lisa.
Ela abre os olhos, e não podia acreditar. Ele veio atrás dela.
C: Greg!
Ele anda até ela e a abraça. Ela estava encharcada, tremendo de frio, e assustada.
Ao vê-lo uma sensação de alivio a invadiu, mas sabia que as coisas entre eles não estavam muito bem, pois a briga havia sido feia, porém o medo de quase perdê-la novamente fez com que ele não a soltasse.
House sentou-se no chão, encostando o corpo na parede da gruta, e fez com que Cuddy sentasse bem próximo a ele. Retirou a camiseta molhada e jogou para o lado, tentando, assim, mantê-la aquecida
O Corpo de House próximo ao seu a estava quase deixando louca. O perfume dele, e principalmente o braço, a segurando firme, para que pudesse aquecê-la,
Cuddy começou a beijar o peito dele, suavemente, como se quisesse ter certeza que estava novamente em seus braços. Ele, por sua vez, começou a passar as mãos nas costas dela e beijar-lhe o topo da cabeça. Aos poucos os lábios de Cuddy vão subindo em direção à boca de House. Ela precisava sentir o gosto dele novamente, mas antes de beijá-lo, ela pára e fica fitando-o dentro dos olhos, como se perguntasse se havia permissão para tanto.
Com um único movimento, House a puxa pela nuca, fazendo com que seus lábios se unissem novamente, fazendo suas línguas travarem uma longa batalha por espaço, um dentro da boca do outro. House foi descendo o corpo dela em direção ao chão, uma mão estava abaixo da nuca e a outra estava indo explorar o corpo dela, em direção a um lugar que ele sentia muita falta.
Cuddy vestia uma saia longa e solta, o que facilitava o trabalho de House. Com a mão livre ele apenas passava, como se tivesse conferindo se tudo estava ali, desde a última vez que estiveram juntos. Cuddy o beijava, uma mão estava mexendo no cabelo dele e a outra hora passeava livremente na costas, hora as arranhando.
House precisava senti-la por inteiro, então a mão que estava mais abaixo começou a subir, fazendo com que a blusinha que ela vestia viesse junto. Ela o ajudou tirando o resto da blusa, e voltou a beijá-lo. Ela estava sem sutiã, então ele se deleitou entre seus seios, hora chupando, hora mordiscando. Ela, por sua vez, desceu as duas mãos em direção à região íntima de House. Sua excitação já estava visível, quando, então, Cuddy passou a mão por cima, sendo que um gemido foi ouvido. Como se Lê-se pensamentos, ela desabotoou a calça de House e foi descendo, levando a cueca junto. O pequeno Junior estava mais do que pronto, mas mesmo assim ela resolveu brincar um pouco com ele, primeiro com momentos leves, depois com movimentos um pouco mais frenéticos, até que ele resolve tirar as mãos dela de lá.
H: Não quero realmente ficar na mão. Por favor, pare.
Dizendo isso ele levou uma das mãos dela até a boca, e beijou suavemente, colocando-a na nuca dele novamente. A mão dele novamente desceu em direção à terra prometida, mas dessa vez fazendo a calcinha ir para o lado. Ele começou a acariciar o clitóris dela com movimentos circulares e suaves, às vezes os dedos dele iam passear por dentro dela, e a cada movimento diferente que ele fazia, ela se contorcia e puxava o cabelo dele. Quando ele percebeu que ela estava pronta, fez com que a calcinha dela virasse passado e a penetrou bem devagar, fazendo-a ir a loucura, seguindo com movimentos fracos e lentos, e depois com movimentos mais rápidos à medida que ela ia pedindo mais.
O celular de House começou a vibrar, mas à essa altura do campeonato ele realmente não ia, e não queria, atender.
Fritz tenta ligar mais algumas vezes, mas acaba desistindo. Ele já havia retornado ao hotel e estava à espera de House pra saber se tinha conseguido localizá-la.
Os dois ainda estavam bem ocupados, se assim podemos dizer. House a estava levando à loucura a cada minuto. A saudade que ambos sentiam fazia com que a força e energia de cada um fosse ainda maior, mas uma dor estava querendo atrapalhar o momento mágico deles. Não a dor na coxa, mas sim o pé de House. O esforço que ele havia feito na caminhada fizera doer ainda mais seu pé, mas isso não atrapalhou em nada seu desempenho, pelo contrário, só fez com que ele quisesse ainda mais.
Com movimentos mais rápidos, House sentiu quando ambos chegaram ao clímax juntos.
House deitou ao lado dela na areia. A luz da lanterna não iluminava muito, mas ele pôde ver os olhos dela brilhando por tê-lo novamente dentro dela.
A chuva começa a dar uma parada. Era hora de retornar ao hotel. Ela colocou a roupa e levantou para pegar as roupas dele. Quando pegou a calça, sentiu o celular vibrar e o atendeu, jogando a calça para House.
C: Pronto.
Hd: Cuddy.
C: Fritz.
Hd: Está tudo bem?
C: Sim, sim, estamos bem.
Hd: Aconteceu algo?! Faz tempo que estou ligando e ninguém atende.
C: Não aconteceu nada. Apenas... não vimos o celular tocar.
House fez movimentos com as mãos, como se quisesse mostrar o porquê de não ter atendido o celular.
Hd: Achei que House também tivesse se perdido, por isso liguei várias vezes.
C: Não, não, estamos bem. Daqui a pouco vamos voltar ao hotel.
Hd: Onde vocês estão? Posso ir buscá-los.
C: Não é necessário, nós vamos caminhando, a chuva já passou mesmo.
Hd: Ok, então. Eu os espero aqui na recepção.
Assim que desligou o celular, ela virou para ele para perguntar algo, mas assim que viu a cara que House fazia, tratou de esquecer. House estava com cara de quem estava sentindo muita dor. Ela, então, sentasse ao lado dele.
C: É a perna?
H: Não, o pé.
C: Mas você não esta... – e olha em direção ao pé.
C: Onde está a bota?!
H: No Hotel. No meu pé que não é.
C: Mas...
H: Eu ia precisar andar, e a bota e a muleta iam atrapalhar mais do que ajudar.
C: Eu vou ligar pro Howard, pedir para ele vir nos buscar.
Ela pega o celular para tentar discar, mas ele toma o celular das mãos dela e coloca dentro do bolso da calça.
H: Mal fizemos as pazes e já quer arrumar motivos para a próxima briga?!
C: As pazes? – ela o olha com cara de confusa.
H: Sexo de reconciliação. Melhor que discussão de relacionamento.
Ela apenas sorriu. Levantou e estendeu a mão para que ele também pudesse se levantar. Ele se escorou na parede e começou a procurar dentro do bolso o vidro de vicodin. Tomou dois comprimidos e ficou procurando a bengala. Ela pegou a bengala e lhe entregou. Apoiando a maior parte do peso na bengala, ele tentou caminhar sozinho, mas quase caiu.
Cuddy correu para ajudar, antes que ele caísse. Ele fez menção de querer argumentar, como se não fosse preciso, mas ela não deixou que ele falasse nada, então começaram a caminhar em passos leves até a saída da gruta, ela abraçada ao corpo dele, e ele com as dores um pouco mais fracas, afinal o vicodin começava a fazer um pouco de efeito.
No começo da volta para o hotel, o silêncio fazia companhia aos dois. Por mais que as coisas entre os dois estivessem começando a ficar boas novamente, algumas perguntas faziam parte daquele casal, mas ambos não queriam dar o braço a torcer. Até a hora que Cuddy resolveu dar o primeiro passo, ou melhor, a primeira palavra.
C: Eu vim primeiro para Cancun para fazer uma surpresa.
House permanecia em silêncio, apenas caminhando. Então Cuddy resolveu continuar.
C: Não vim encontrar Howard, como está pensando.
H: Não estou pensando.
C: Mas pensou.
H: Você deu motivos.
C: Posso continuar? – ele apenas acenou que sim com a cabeça.
C: Eu vim primeiro para fazer uma surpresa, como já disse, afinal você se interessou tanto pelo congresso que achei que estava arrependido de tudo.
H: Interessei-me pelo congresso por ser em Cancun, não pelas palestras chatas e um monte de médicos tentando ser maiores que os outros.
C: Mas pensa só, num dia está tudo bem, no outro você vem me falar que quer ir viajar. Você quer que a minha cabeça fique como?
H: Você deveria ter conversado comigo.
C: E desde quando você discute relacionamento?
H: Não iríamos discutir o relacionamento, iríamos fazer sexo, como agora pouco.
C: E?
H: O que? Vai dizer que não gostou?
C: House! Estou tanto ter uma conversa adulta. Tem como?
H: Ok, Mom!
House parou de andar e ficou encarando-a, apenas a estudando.
H: Se quer ter uma conversa adulta, então vamos ter. Onde você se enfiou o dia todo, enquanto eu estive no congresso?
C: Por acaso encontrei com Howard na recepção do hotel. Ele estava com um papel na mão e havia seu nome nele, então fiz com que ele me contasse o porquê do seu cartão de presença nas palestras já estar completo. Ele tentou dizer que houve um erro de impressão, mas eu não acreditei, então eu o segui.
H: O torneio. Você descobriu.
C: Sim. Então fiz com que ele me fizesse participar do torneio, em horário diferente do seu, para que assim nos encontrássemos no final, apenas para eu ver a sua reação quando descobrisse que eu também estava participando.
H: Tanto segredo pra isso?!
C: Só que uma coisa mudou tudo.
H: Uma coisa?? O que?! Vai dizer que vocês?!
C: Não! Jamais!
H: Então o que?!
C: Quando eu estava na mesa de jogo, comecei a me sentir ruim. Minha pressão baixou, eu achei que pudesse ser o calor, então Fritz vendo que eu não estava bem, me ajudou, me levou lá pra fora para que eu pudesse me recompor, foi então que eu comecei a ligar os fatos.
H: Que fatos? – ele a olhava confuso, porém quando olhou nos olhos dela, soube realmente o que estava acontecendo, então continuou falando – Você não quer dizer que...
C: Eu estou grávida, House.
H: Mas como? Você mesma disse que só teve uma leve queda de pressão, isso pode significar muitas outras coisas.
C: No dia que eu cheguei aqui, cheguei com o estomago embrulhando, e quando fui comer alguma coisa, logo saí em direção ao banheiro. Você lembra que quando nos encontramos eu estava tomando água de coco, não?
H: Sim, eu lembro.
C: Então, eu tinha acabado de voltar do banheiro, deixei meu café da manhã por lá.
H: Você fez algum teste?
C: Ainda não, tenho medo de tudo isso ser gravidez psicológica.
Ele deu um sorriso de canto de boca e voltou a caminhar. Mais nenhuma palavra foi dita o resto do caminho, mas algo ali havia mudado, e isso podia ser notado de longe.
