Leite com Canela

Sinopse: Lily adorava leite com canela. Eu jamais entendi o motivo. Até que ela me deixou provar um pouco.

About: J/L, como tudo que eu sei escrever. T, para garantir que eu possa escrever palavrões sem ter que me preocupar com criancinhas inocentes.

Calcinhas

Porque o Sirius é o Wando inglês (por Big Banana)

O resto do dia, Lily fez questão de não chegar nem perto de mim. Cada vez que eu dava um sorriso para ela, ela virava o rosto. À noite, resolvi ficar um pouco com os rapazes, no salão comunal. Tudo bem, eu tinha uns deveres para terminar, mas eu contava com a indispensável ajuda do Remus, sabe como é.

- Eu mandei você tentar ser engraçadinho? – Sirius cruzou os braços e me encarou, com a sobrancelha erguida.

- Não. – eu fiz aquela carinha de dó. Claro que não funcionava com Padfoot.

- Então, meu caro Prongs, aceite a sua insignificância e espere a TPM da Red passar. – ele concluiu.

- Eu nunca pensei que fosse dizer isso, James, mas o Sirius tem razão. – Remus deu de ombros e depois murmurou baixinho: - Eu nunca pensei que fosse dizer isso. Mesmo.

- É claro que eu tenho razão! – Padfoot sorriu, sem ouvir o restante, e assumiu um tom professoral. – Aprenda com o mestre, Prongsie: nunca – e quando eu digo nunca, eu realmente quero dizer nunca – diga a uma mulher que o problema dela é TPM. Elas ficam loucas. A tensão pré-menstrual se transforma em tendência para matar.

Wormtail gargalhou e eu não pude evitar um risinho.

- E se eu fosse você, - Moony interferiu, antes que o Padfoot resolvesse dar mais uma aula que eu não pedi. – eu pediria desculpas. As mulheres acham embaraçoso falar de seus probleminhas mensais.

- Ah, que coisa mais gay, Moony! – Sirius interrompeu. – Probleminhas mensais. Mimimi. – ele fez, em voz de chacota. É claro que começamos a rir.

- Sirius? – Remus sorriu, maldoso. Dava pra ver um brilho de malícia no olhar dele. – Travalíngua!

Eu e Wormtail começamos a gargalhar da cara do Pads. Impossível não rir do desespero dele, tentando soltar a língua, tentando reverter a azaração e tentando azarar o Moony.


Graças a Deus era sábado. Eu não agüentava mais todas as coisas que eu tinha que fazer. Relatórios, coordenação de monitores e rondas. Além dos meus deveres: lições, redações e um monte de livros para ler; ainda tinha a lua cheia. Eu estava morto.

Acordei muito tarde e quase perdi o café-da-manhã. Não que isso fosse um problema, porque eu conhecia o caminho da cozinha de cor e salteado. E, pelo que eu pude perceber, quando sai do meu quarto e fui para o salão comunal da Grifinória, meio zumbi, todo mundo tinha acordado tarde também.

Lily estava sentada, meio dobrada, e com cara de poucos amigos. Na verdade, ela deveria estar esperando alguma das amigas dela acordar para ter companhia para o café. Quase me ofereci. Mas ela olhava de um jeito tão interessado para a escada oposta a que levava ao dormitório das meninas, que eu tive que olhar também.

Lá estava, sonolento, porém feliz, meu melhor amigo, Sirius Black. Ele descia, com um sorriso no rosto, porque todo mundo estava olhando para ele. Exibido.

- O que é isso na sua cabeça, Six? – Lily perguntou, quando ele se aproximou dela para desejar um bom dia.

- Cabelos? – ele perguntou, irônico.

- Não, imbecil! – ela retrucou. – Essa coisa vermelha. – e apontou para o topo da cabeça dele.

- O que? É sangue? Eu vou morrer? – Padfoot começou a passar a mão pelo cabelo e eu já estava gargalhando, quase sem conseguir respirar, porque eu já tinha conseguido identificar o objeto estranho ao qual Lily se referia. – Prongs! – ele me olhou, desesperado. – Me ajuda! – eu gargalhei ainda mais e Lily soltou um risinho, um pouco descrente do que Sirius estava dizendo.

- Six – ela começou a rir mesmo, quando ele lançou um olhar perdido para ela. – Você tem uma...

- Eu tenho o quê, Red? Pelo amor de Deus, o que eu tenho? Eu preciso ir para a ala hospitalar? – ele passava a mão pelo cabelo e pelo rosto, nervoso, como se estivesse procurando alguma coisa.

Eu não conseguia mais me segurar de pé. Sentei no sofá e continuei a rir alto, perdendo o ar. Reparei que mais algumas pessoas se aproximavam para rir também.

- Tem uma calcinha na sua cabeça. – Lily terminou de dizer e começou a rir alto também.

- Porra, Red! – Sirius gritou. – Que susto! Achei que estivesse tendo um troço, um derrame, sei lá! – eu e Lily gargalhamos nessa hora. Ela se sentou ao meu lado.

- Six... eu... haha... – ela apontava e ria.

- Tira pra mim! – ele pediu. E Lily parou de rir subitamente.

- Eu não vou encostar a mão nesse negócio nem... – ela parou de falar e olhou para mim, sorrindo de novo. – O James tira pra você!

- Eu não. – retruquei, parando de rir também. – Tira você, Pads.

- Se eu tivesse visto essa porcaria e conseguisse, eu tiraria! – ele se revoltou, sentando ao lado de Lily e cruzando os braços.

- Sirius, você está usando isso na cabeça errada! – gritou Frank, rindo muito de Sirius.

- Tira. Isso. Agora. – ele sibilou para Lily, com raiva.

- Eu. Não. Vou. Encostar. Nisso. – ela respondeu e depois olhou para mim. – Pede ao James. Eu vou tomar café-da-manhã. – e se levantou.

Eu tenho certeza que Padfoot segurou um xingamento, porque ele olhou muito feio para Lily, antes de virar para mim, com raiva por eu não ter feito nada.

- Tira essa porra! Deve estar enfeitiçada para eu não conseguir.

- Relaxa, cara. – eu sorri, vendo Lily passar pelo buraco da passagem.

- Tira essa porra logo, Prongs! – ele falou, baixo.

Quando Sirius fala alto, você não precisa se preocupar. Ele tem aqueles lances de cinco minutos ou nunca mais, quando ele grita e estoura, mas você simplesmente não precisa se preocupar, porque são sempre cinco minutos. Agora, quando ele fala baixo, você tem que ficar com medo. Saquei a minha varinha e apontei para a cabeça dele. A calcinha vermelha escorregou e caiu em suas mãos.

- Obrigado. – ele murmurou, ainda nervoso. Depois, olhou para a calcinha. – Menina maldita!

- Calma, Pads. – e dei um tapinha no ombro dele. – Vamos tomar café.

- Vamos. Tô morrendo de fome. – ele continuou mau humorado, enfiando a calcinha no bolso da calça.

Descemos as escadas até o Salão Principal e montes de meninas passavam e davam risadinhas de flerte para Sirius. Ele inchou o peito, orgulhoso.

- Parece que eu estou ainda mais excepcional.

- Parece que o boato da calcinha se espalhou. – eu retruquei.

- O quê? – ele franziu o cenho e eu indiquei uma garota do quinto ano com a cabeça.

- Ela está vindo para cá. – comentei, passando a mão para o cabelo, instintivamente.

A garota se aproximou de Sirius com um olhar muito, mas muito, engraçado. Era uma tentativa de sedução, é claro, e, sem dizer nada, ela tirou do bolso do sobretudo uma calcinha cor-de-rosa e colocou no bolso dele. Eu tive a decência de esperar a menina sair, para começar a rir escandalosamente das bochechas coradas e da total falta de reação de Sirius.

- Para! – ele me acotovelou na costela e eu grunhi de dor, em meio às risadas.

- Pads... haha... Vai fazer... coleção! HAHAHA

Entramos no Salão Principal nesse exato momento e ele não conseguiu evitar o riso. Sentamos perto de Lily e Alice.

- Que? – perguntou Alice, erguendo a sobrancelha, desconfiada.

- Sirius está fazendo coleção de calcinhas. – eu contei e nós dois rimos. Me virei para a garota ao lado, que prestava atenção na nossa conversa. – Quer colaborar, Miley?

- Vou ver o que posso fazer. – a garota respondeu, corando e nos deixando (eu, Sirius, Lily e Alice) boquiabertos, quando levantou.

Explodimos em risos e depois disso, o Sirius nunca mais foi a mesma pessoa. Ele virou entendido de calcinhas. Tem todas as cores e modelos. Até um modelo extra grande, de Bulstrode. Deus me livre.

Eu ficaria bem feliz com a calcinha da Lily... O quê? Eu não sou tarado!


- Precisa de ajuda com isso? – perguntei para Lily, ao vê-la fazer uma dúzia de floreios com a varinha e não conseguir executar a transfiguração exata.

- Na verdade – ela suspirou e se virou para mim, com os olhos marejados. – sim.

- Ei, tudo bem. – eu sorri, me aproximando e passando o braço pelos ombros dela, desajeitado. Beijei sua bochecha. Ela sorriu com os lábios. – Você está errando na última curva. Ao invés de sacudir a varinha, dê uma batidinha suave. Veja – eu puxei minha varinha do bolso e fiz um movimento curvilíneo seguido por um movimento suave na direção da maçã dela. Uma pomba branca apareceu.

- Você é incrível. – ela sorriu e depois me imitou.

Claro que ela conseguiu também. Eu sou ótimo professor.


N.A.: Olááá!
Primeiro, eu quero agradecer especialmente a Big Banana pela idéia superdivertida do Sirius-Wando-Inglês. Ele nunca mais vai ser a mesma pessoa depois disso. Valeu, gata!
Segundo, eu quero agradecer a todas as pessoas que têm lido a fic, deixado reviews e favoritado. Obrigada mesmo! É muito legal quando a gente tem o trabalho reconhecido. Ainda mais quando é um trabalho tão gostosinho de fazer, que funciona como uma válvula de escape.
Enfim, queridas: Sophie Malfoy, Mila Pink, lilybraun, Lady Te, juust(.)me, Bih Portela, Melly BadarO, Lady Aredhel Anarion, Gabriela(.)Black e Big Banana, superobrigada pelas reviews. Eu espero que vocês tenham gostado do capítulo.
Beijos,
Nah