A Mansão parecia mais escura que o normal. Talvez pela visão levemente embaçada das lágrimas mais cedo, ou pela incerteza do que lhe esperava. Estava magoada, cansada e bem no intimo, derrotada. Não se importava com o que aconteceria agora, na verdade até desconfiava, mas ansiava apenas que tudo terminasse logo. Que morresse logo.

Quando Rony lhe olhou pela ultima vez antes de dizer que aquilo que ela fizera não mudava nada. Que ela não significava mais nada. Naquele momento ela soube que o preço que pagaria pela afronta a Draco era alto demais. Então todo o percurso antes de aparatar na Mansão o fez tentando se convencer do tanto que merecia aquilo. Escondeu em algum canto da mente o quanto Malfoy também mereceu aquilo, por que tudo era sobre ela. A ingenuidade dela. A decisão dela. O amor dela. A vida dela.

Escutou cada toque que seu salto fez contra o assoalho, rumo ao inevitável. Estava preparada. Não importa qual reação de fúria estava a sua espera, suportaria. No fundo talvez ela realmente merecesse.

(...)

- Já foi queimada Granger? - Hermione correu os olhos pela escuridão do quarto amedrontada. A voz controlada emergia de algum canto oculto do lugar. Apurou a visão tentando se acostumar com a ausência de luz e encontrou uma brasa flutuando no lado oposto ao que estava. A pequena fonte de luz se extinguia conforme o dono da voz tragava mais acentuadamente. O cheiro que amornava sutilmente o quarto denunciava que aquele cigarro não era o primeiro que Malfoy consumia. - Eu falei muito baixo? Quer que eu grite pra que você me responda?

- Não Malfoy. Acho que nunca me queimei. - Hermione fechou a porta atrás de si. Era melhor assim, no escuro, no silencio, no medo.

- Eu já. - Tragou o cigarro até o fim, fazendo a claridade que denunciava sua posição se extinguir. - Começa com uma ardência e logo depois se multiplica com a raiva de saber que podia ter evitado. E continua quando por sua culpa a sensação não passa e a raiva não passa. E então parece que o campo queimado é muito maior do que você se lembrava no começo, por que você percebe quão burro foi por não ter evitado. - Draco parou um pouco de falar para soltar a respiração diretamente no rosto da castanha. Ela sentiu a aproximação em cada palavra que ouvia, mesmo não ouvindo os passos.

- Malfoy, o que você vai fazer? - Bateu as costas na porta quando Malfoy tocou em sua pele.

- Tem medo do que penso em fazer, mas não teve medo de me ferir. Eu realmente queria que não tivesse feito isso Granger. – A voz ritmada, expressava toda angustia e sinceridade que sentia. – Você tem uma divida pra acertar.

(...)

Não precisava fechar os olhos. Mas facilitava a contração do diafragma que inalava o ar rarefeito. As mãos do loiro desceram calmamente pelos ombros e os seios levemente balançaram perdidos, quando num puxão nada delicado rasgou as duas alças largas do vestido. Malfoy apertou os dois seios, ao mesmo tempo em que se insinuava sobre ela. Sugou-os. De uma maneira tão desesperada que a castanha tentava não se atentar ao desconforto. Abriu de qualquer jeito o zíper que prendia o vestido ao corpo e empurrou-o para baixo, deixando esquecido aos pés da garota.

Sabia que não seria nada bom, apenas desejava que aquilo tudo acabasse.

Dor era tudo que Draco queria que ela sentisse. Não dor física ou carnal. Queria se ela queimasse por dentro como vinha fazendo com ele. Primeiro com a humilhação de desprezá-lo e agora com a vergonha na frente daquele pobretão maldito. Era isso que faria com ela. Humilhação.

Levou uma das mãos ao quadril macio e logo em seguida ao sexo, deslizando o dedo por toda a região sensível e afastando a peça em seguida.

Não sabia se a roupa do loiro havia sumido com magia ou não, mas sentia a pele quente contra a sua. Sabia o que estava por vir e não lutaria contra. Não lutaria mais por nada.

Guiou o membro para a entrada pouco úmida e forçou. Mantinha-a presa a parede e apenas uma das pernas suspensas na altura do seu quadril. Forçou novamente, sentindo o corpo frágil a sua frente retesar. Isso devia doer, por que estava bem difícil de entrar. Quase ouvia o agonizante som que a garota forçava pra não soltar. Logo seria audível.

Tão intimo, não sei dizer se algum dia desejei esse tipo de toque, mas definitivamente ser tocada por "ele" era indiscutivelmente pior. Tocar onde nem eu ousei. Tocar no lugar onde antes ele me machucou. Eu quero matá-lo. Cada fibra do meu corpo enoja esse toque. Áspero. Sujo.

A dificuldade em engolir a saliva, fez um delicioso som escapar da garganta da castanha. Delicioso pra Draco que parou momentaneamente de forçar-se sobre ela e subiu a outra perna da garota, fazendo-a encaixar-se em seu quadril, ainda mantendo-a presa na parede com um pouco mais de força.

As costas geladíssimas não desviavam sua atenção da virilha dolorida e da vergonha por estar tão exposta. Mesmo não enxergando, podia sentir a face quente e o suor que escorria da sua nuca. Draco sugava cada pedaço de pele que alcançava abaixo do maxilar. Não demonstraria seus sentimentos beijando-lhe a boca. Não queria sensação nenhuma além do próprio prazer.

Um único som alto ecoou pelo quarto, um urro de prazer. Draco gemeu abertamente ao finalmente invadir o corpo pequeno. Se Hermione gritou não foi ouvido. Extasiou ao senti-la tão quente e apertada. Tanto tempo privado de sexo. Tanto tempo desejando aquela satisfação. Muito tempo. Estava se controlando para permanecer imóvel dentro dela, pois sabia que a machucara. Sabia que aquele silêncio absurdo por parte dela significava que se segurava pra não chorar e realmente não eram essas as sensações que Draco queria provocar. Não mais.

Merlin, eu vou morrer. Um crucios dói menos que isso. Mil facas é pouco para explicar o que é ser rasgada por dentro. Não vou agüentar muito tempo. As lagrimas se formam contra minha vontade. Involuntárias. Na verdade. Na mais crua verdade. Quero chorar, e gritar, e morrer, e matá-lo.

Segurou-a pelas coxas e carregou-a rapidamente para cama, deitando por cima e invadindo mais profundamente com o movimento. Hermione soluçou.

- Quer que eu tire Granger? – A voz rouca e a respiração descontrolada denunciavam o quanto estava excitado e tentava se controlar.

- Sim. – A voz chorosa mais parecia um lamento.

- Não vou tirar, mas se quiser eu posso fazer a dor passar. – Draco pulsava dentro dela, mesmo não se movendo. Sussurrou bem próximo ao ouvido. – Não vou me conter por muito tempo Granger, você quer?

Eu só quero que essa dor passe. Não me importo de implorar. Nada mais importa mesmo. Sem sonhos, sem amor, sem nada. Nem meu orgulho eu tenho mais. Então por favor, Merlin me ajude. Não importa que ele me toque, ou que me beije, ou que faça o que quiser. Eu só quero que a dor passe. Por favor.

Balançou afirmativamente com a cabeça, como se ele pudesse ver e ainda sim Draco sorriu contra o pescoço úmido. Ele sabia a resposta e mesmo crendo que ela não merecia, não queria mais machucá-la. Não a mulher que estava lhe proporcionando tamanho prazer. Desejava-a. E desejava insanamente para tê-la de qualquer jeito. Daquele jeito. A enlouqueceria também.

- É só relaxar. – Roçou os lábios finos nos lábios carnudos e feridos pelas constantes mordidas para evitar os gritos, passou a língua por eles como se pudesse amenizar o inchaço. Levou ambas as mãos a cintura fina, apertando. – Relaxa Granger !!! - Beijou-a intensamente. Um beijo urgente e quente. Pressionava a língua contra a dela com desespero, sungando o ar e explorando sem pudor a boca desejada. As mãos movimentavam-se com o beijo, deixando Hermione tonta e confusa. Não distinguia direito o que sentia. O beijo que detestava por deixá-la quente contra sua vontade estava fazendo sua razão se esvair e algo em seu estomago queimar, a dor que sentira sumia com as mãos ágeis a apertando constantemente.

Como alguém pode ser idiota o suficiente para achar que alguém consegue relaxar com algo te rasgando por dentro. Sabia que era mentira, essa maldita dor não vai passar até que eu morra. Deslizar as mãos pelo meu corpo deve ser uma tentativa frustrada de desviar minha atenção ou ele vai me matar aos poucos. Droga, não vem me beijar, que droga. Odeio quando me beija assim. É como se me tirasse o ar, me deixa estranha. Não consigo focar meus pensamentos em nada real. Não importa que seja ele, mas pelo menos não consigo mais pensar na dor. Talvez seja a língua me deixando com calor, ou o corpo dele fervendo sei lá; mas pelo menos a dor passou. Passou.

Quando encheu livremente os pulmões de ar, prendeu a respiração ao sentir os lábios do loiro sugando seus seios. Não era delicado, era faminto. Sugava e mordia levemente os mamilos rosados e sugava de novo, deixando a área extremante sensível. Mudou o foco para o outro seio, fazendo a mesma coisa e deixando a castanha ainda mais envergonhada. Sentia-se tão desconfortável com aquelas sensações. Estava tão exposta e vulnerável que a face deveria estar tingida de vermelho. Os olhos arregalados queriam ter certeza do que ele estava fazendo, mesmo não enxergado nada. Era estranho aquele contato tão intimo. Ao mesmo tempo era bom e estranho de novo. Estava confusa e respirava irregular. Por isso não gostava dos beijos, eles a deixavam perdida. Queria que acabasse logo.

A boca quente e úmida é extremamente desconfortável. Queria que ele não me beijasse. É estranho e ruim tocar meus seios. Beijar então nem se fala. Não consigo desviar a atenção e fingir que não esta acontecendo. Já que tinha que beijar, por que não ficava na boca que pelo menos me desfoca dele mesmo. Me faz não pensar.

Deu-se conta de que ele não estava mais dentro dela e por isso não doía. Não o sentira saindo, mas estava sentindo a boca úmida descendo pelo seu abdômen. Não queria que ele chegasse perto de novo e num atrevimento puxou os cabelos finos, tentando parar as intenções do loiro. Continuou o caminho de beijos, sendo impedido pela pressão no seu cabelo novamente.

- Cuidado com o que faz garota, que eu posso gostar. – A malicia evidente na voz do loiro, fez Hermione se arrepender.

Afastou as pernas com urgência e debruçou sobre a intimidade da garota, sugando indecentemente. Hermione arqueou as costas ao mesmo tempo em que cerrava os olhos. Não esperava por aquilo. Não conhecia aquilo e definitivamente estava perdendo a razão junto com o pudor, já que agora não queria mais que ele parasse.

Draco alternava o caminho que fazia com a língua, ora preciso a penetrando, ora delicado a acariciando. Deslizou o dedo sobre o clitóris, pressionando e ouvindo pela primeira vez um gemido tímido junto com a respiração descontrolada. Queria sentar e implorar para que ele parasse e continuasse, para que aquele descontrole acabasse e que explodisse de vez, queria gritar e afundar no silêncio. Gemeu. Não sabia o porquê daquele formigamento nas pernas, mas o sentia subir pelo quadril, pela espinha, pela nuca até explodir na cabeça e espalhar pelo corpo todo. Tremia junto com as lagrimas coladas nos cílios pesados. Os lábios semi-abertos soltavam o ar sôfrego de quem não conhecia nada daquilo e estava deslumbrada. E estava saciada. E queria mais. Sentiu as mãos do loiro segurando sua face e antes que pudesse pensar foi invadida pela língua urgente novamente. Gosto estranho. Salgado. Mexeu o rosto tentando pará-lo. Draco queria que ela experimentasse. Conhecesse o próprio gozo. O próprio gosto. O mesmo que o enlouquecera. O mesmo afrodisíaco que o fizera chupá-la até gozar. Até despejar em sua boca, e lambê-la até acabar. Luxuria.

E beijá-lo agora era tão bom. Era doce por que agora tinha o gosto dele. E agora a deixava quente sem ter que ficar envergonhada, por que tinha queimado e não tinha mais volta. Não tinha mais fogo que não conhecesse e podia queimar livremente.

Queria que ela descansasse, mas precisava tê-la. Precisava agora. Precisava com urgência. Estava mais duro do que quando começou, do que quando estava esperando para matá-la, do que quando contou os segundos esperando que ela voltasse.

Segurou o cabelo cacheado e puxou contra o travesseiro, expondo o pescoço a seus beijos. Trilhou um caminho até o outro lado e sussurrou perto do ouvido.

- Eu vou colocar dentro. Continua relaxada que não vai doer tanto. – Antes que terminasse de falar já se posicionara e deslizava para dentro da garota. Hermione retesou o corpo e choramingou com a dor. – Vai passar relaxada. – Draco a calou com os lábios e a beijava conforme se movimentava, esperando para ela se acostumar. As mãos fincadas nos quadris a traziam de encontro a ele, a fazendo senti-lo por inteiro dentro dela. A língua se movimentava conforme o quadril se movimentava, desviando a atenção da dor. Aprofundou o beijo e aumentou o ritmo até o fôlego se transformar em gemidos e o suor escorrer pelos músculos e as estocadas se tornarem tão rápidas e altas quanto os gritos que brotavam da garganta de ambos. Descontrolou-se espalmando as mãos nos bicos sensíveis dos seios e fazendo-a gemer alto. Draco despejou-se dentro dela, simultaneamente a ardência nas omoplatas; provocada pelos rasos cortes que Hermione fez com as unhas ao gozar novamente. Ainda tremiam e continuavam abraçados. O que fariam agora? O que vinha agora? Draco selou os lábios uma ultima vez e saiu do corpo quente sentindo-se vulnerável. Incompleto. Precisava dela e a puxou para si, engolindo o orgulho e sentindo-se envergonhado. Ao menos ela não podia vê-lo. E ele perdeu o sorriso sincero que brotou nos lábios dela, anulando o semblante desesperador que ela exibia anteriormente, quando sentia um frio anormal por ele ter se afastado. Aninhou-se sobre o peito torneado e se calaram. Não tinham o que dizer e não tinham como dormir. Não naquele momento.


- Malfoy? – A voz lânguida e sensual fez o estomago do loiro estremecer.

- Humm. – Não estava dormindo, mas desejava imensamente.

- Eu nunca ... eu... eu nunca...

- Nunca o quê. – Falou devagar embora preferisse que ela não perguntasse nada.

- Nunca tinha feito isso, não é? Quero dizer, nós... dois... Por que eu me lembraria. Eu não teria esquecido. – Parecia tão frágil falando daquela maneira.
Malfoy riu.

- Talvez não desse jeito. – Não contaria a verdade.

- Então de que jeito? – Não queria perguntar, mas queria saber. Queria que ele assumisse que mentira. Ela jamais teria esquecido.

- Eu te indico alguns livros pela manhã? Mas amanhã. Agora vamos dormir. – Apertou a cintura fina trazendo-a mais para perto, e fazendo a pele delicada se arrepiar.

- Malfoy?

- Humm Granger. – Não abriu os olhos dessa vez. Estava exausto.

- E se eu quisesse saber agora de que jeito foi? – Não se reconhecia falando aquelas palavras e para ele.
Draco sorriu pela brincadeira. Por que só podia ser brincadeira.

- Então eu teria que buscar uma poção pra me manter acordado. – Inspirou o ar profundamente perto da nuca dela fazendo-a se arrepiar mais. Hermione sorriu e retirou a mão dele de sua cintura.

- Não demore pra voltar. – Não era brincadeira e os olhos do loiro estavam mais abertos do que nunca. Realmente buscaria a poção.


Acordar antes de Malfoy e vê-lo nu ao seu lado era prazerosamente ambíguo. Ele dormindo era tão celestial. Parecia um anjo e demônio ao mesmo tempo. Loiro, doce, inofensivo. Absurdamente bonito, tentador, pecaminoso. Ao mesmo tempo em que olhá-lo fazia um calafrio remexer em seu abdômen e seu sexo contrair, tornava tudo que aconteceu entre eles real demais. Do medo ao calor. Da angustia ao prazer.
Não queria que ele acordasse e a visse daquele jeito. Sentia-se tola, mas não sabia como agir. Ainda não entendera como pediu por mais. Por que precisava de mais. E ainda queria mais. Afastou o lençol devagar, se esgueirando para a borda da cama numa lentidão irritante.

- Ainda é muito cedo. – Malfoy disse sem abrir os olhos.

- Eu... é...eu vou buscar água. – Foi à primeira coisa idiota que lhe veio à mente, depois de ficar estática com metade do corpo descoberto e a face queimando por ser flagrada a meia luz. Na claridade as coisas eram diferentes.

- Você é uma bruxa Granger, pode conjurar. – Draco a olhou e se arrependeu no mesmo instante. Era desconcertantemente linda e não teria coragem de continuar deitado ali se tivesse que encará-la. Seu peito quase doeu ao cogitar a idéia de ser rejeitado agora. Era melhor agir rápido. – Quer que eu faça isso?

- Não, não precisa. Depois eu bebo. - Deitou virada de frente pro teto e continuou parada sem saber o que fazer. Draco deslizou a mão e colocou o lençol por cima novamente. Ela tremeu.

- Ta tremendo Granger? Está frio, vem cá. – Agarrou a garota e colou o corpo ao dela abraçando-a. – Eu aqueço você. – Aninhou e voltou a dormir, incendiando o corpo da garota com a proximidade. Se não dormisse logo de novo, começaria a suar. Malfoy era quente até inconsciente.

(...)

Estava numa posição desconfortável. Revirou-se e ouviu um baixo gemido ao seu lado. Avaliou a situação em que se encontrava e sorriu. Dormira com ela. Era verdade e não apenas um sonho excitante. Tivera uma noite deliciosamente sensual e gostara. O pior é que tinha plena consciência que gostara por que queria mais. Sorriu. Mesmo com o cabelo todo desgrenhado, Granger era bonita. E um furacão. E insaciável.
Não estava apaixonado, mas não a deixaria ir nunca. Ela era dele. A pele clara e macia era dele. As pequenas sardas que manchavam delicadamente o nariz fino e empinado eram todas dele. O cabelo castanho dourado que cheiram bem, eram dele. Malfoy era extremamente egoísta. Ela agora era dele e de todas as verdades universais no mundo cinza em que ele vivia, ele não a deixaria ir.

Granger suspirou inconsciente e se acomodou no seu peito e entre suas pernas. Ficou paralisado. Não queria que ela acordasse agora por que não saberia como agir. Ontem ela o queria. Ontem. Hoje ela certamente o odiaria ainda mais quando acordasse. Levantou e saiu em silencio.

Agradeceu pelo dia estar frio e a bendita gola alta da blusa de lã, encobrir as marcas roxas no seu pescoço. Dormira demais e estava atrasada. Desceu as escadas rogando para que não o encontrasse agora. Mais tarde pensaria nisso. Passou pela sala de jantar e seu estomago reclamou ao ver a mesa do almoço posta para ela. Draco já deveria ter almoçado por só haver um prato exposto. Não tinha tempo. Comeria algo no beco.

Atravessou a rua movimentada, desviando apressada da aglomeração em frente a alguma loja que não se deu o trabalho de olhar e entrou correndo na casa de ervas que estava fechando.

Pediu o que precisava e mandou entregar na mansão.

- Quanto?

- Mande a conta para a empresa. – Parou de virar o pescoço no meio do caminho pois o estralar que sentiu fez sua cabeça latejar. Virou o corpo todo.

- Está me seguindo Malfoy?

- Está me evitando Granger? – A voz arrastada e baixa penetrou em seus ouvidos de uma maneira diferente. Virou-se novamente para o balcão antes de responder.

- Pois parece que está me seguindo. Como sabia que eu estava aqui? – Ouviu os passos firmes do loiro se aproximando.

- Por que serpenteou pela casa pra que eu não te visse. Sou Slytherin Granger. – Encostou-se nela prendendo-a sutilmente ao balcão e apoiando as mãos nele, uma de cada lado dela a deixando sem fuga.

- Pressuponho que não seja mais uma prisioneira. – Falou bem baixo mesmo que as poucas pessoas ali não estivessem prestando atenção. Sentia a respiração quente e cadenciada em sua nuca. E aquilo era bom. Merlin como era bom.

- Não e você sabe. Mas pressuponho que não faria mal se avisasse quando saísse. – Sussurrou propositalmente rente ao ouvido e conseguiu o que queria, pois visualizou os pelos do braço delicado se eriçar.

- Sim, eu sei. Mas pressuponho que não seja necessário dizer aonde vou. – Engolira com dificuldade. A respiração do loiro e o quase roçar dos lábios no seu pescoço a deixavam tonta e quente.

- Não, não é. Contudo pressuponho que se quisesse ir junto eu poderia. – Ansiava tanto por uma resposta afirmativa. Podia tocá-la em publico, mas se ela o recusasse depois estava fadado a auto-satisfação. E seu coração ainda tentava se convencer que era apenas pelo sexo.

- Sim e não. – Virou pra ele, ainda presa entre os braços claros; e ao encará-lo, por instantes a máscara patenteada de sarcasmo não estava no lugar e Malfoy pareceu verdadeiramente sincero a luz do dia.

- Mione!!! – Assustou e os olhos do loiro se fecharam e o semblante também. Bufou irritado virando-se para porta, embora já soubesse quem era a dona da voz aguda que chamava pela "sua" mulher. Hermione desviou do loiro e sorriu para amiga que se aproximava.

- Oi Gina. – Abraçou a garota ruiva e afastou-se um pouco. A raiva de Draco parecia eletrificar o ambiente. Olhou da castanha pra ruiva e pra castanha de novo, esperando ela falar. A voz rouca demonstrava como estava sem jeito depois de todos os acontecimentos da noite anterior. Desde o baile, a discussão, a decepção, o prazer, Malfoy. – Gina, meu marido. Ah! Vocês já se conhecem. – Revirou os olhos. Que coisa chata de se fazer. Queria sumir.

- Como vai Malfoy. – Gina perguntou educadamente mesmo que não o suportasse.

- Bem e de saída Wesley. – Enlaçou Hermione e a puxou rumo à porta dando as costas para a garota. Malfoy sabia que um Wesley nunca vinha sozinho e confirmou sua teoria antes do primeiro passo. Que merda.

- Já vi porque saiu correndo Ginevra. – A vos severa de Harry fez Hermione petrificar no abraço de Draco e ele a apertou mais. – Se tivesse falado, teria evitado esse desgosto. – Rony apenas colocou a mão no braço do amigo e sussurrou um "vamos embora", se virando para sair.

- Harry, eu acho que se a Hermione tem algo pra nos dizer, essa é a hora. - Gina olhou com expectativa pra castanha, que devolveu um olhar completamente perdido. O que ela esperava? Olhou para Draco que não retribuiu, pois encarava Harry que o olhava furioso. Hermione voltou-se novamente pra Gina.

- Gina eu não sei o que quer que eu diga. – Estava apreensiva e confusa.

- O porquê de ter se casado com Malfoy. Eu sei que você não o ama Hermione. Ele te obrigou? Foi isso? Por favor, Hermione. – A boca da castanha abriu e fechou sem emitir qualquer som. E alguns segundos de pleno silencio reinaram entre eles até a castanha encontrar sua voz. Draco podia ter acabado com aquilo, mas levantaria mais suspeitas.

- Eu não acho que deva dar satisfações sobre meu casamento Gina, mas tem uma coisa sim. Eu não tenho amigos, por que os que eu julgava serem; não pensaram duas vezes pra me julgar. Não tenho família por que a que eu escolhi pra mim, continuou vivendo suas vidas quando cansaram de me procurar e o futuro eu estou construindo com as escolhas que me restaram. Não me procurem mais. Por favor. – Soltou-se de Draco e saiu sem ver o sorriso de canto nos lábios do loiro. Doeu. Doeu tanto que não conseguiu segurar as lagrimas, mas não voltaria atrás. Seguiria sua vida sem eles.

Draco olhou para os três com desdém e quando falou, focou no semblante da ruiva.

- Sabe Wesley, o que mais me irrita na minha esposa é a dor evidente que ela exala quando pensa em vocês. Pensava. Por que eu sou tudo o que ela tem e foram vocês que fizeram isso. E se vocês não fossem quem são eu até gostaria de vocês por isso. – Sorriu.

Harry puxou a varinha e Rony o impediu novamente. Não por que queria evitar briga com Malfoy. Queria matá-lo. Mas sabia que Hermione jamais o perdoaria. Soube no baile. Soube quando a destruíra. Soube que a perdera e que fora um estúpido por duvidar dela. E agora já não importava o motivo que a fizera se casar. Sabia que fora de alguma forma por eles. E que já não importa mais.

(...)

Encontrou-a na Floreios olhando atentamente um livro nas mãos, mas evidentemente sem lê-lo.

- Vamos pra casa. – Hermione processou as palavras e levantou o rosto para visualizá-lo. Casa. Nunca pensara naquele mausoléu como sua casa e ainda não conseguia. Piscou algumas vezes e levantou. Draco segurou superficialmente a cintura fina e parou quando viu um clarão cegante na direção deles.

- Malfoy, por favor. - Escondeu o rosto no peito do loiro num movimento instintivo e Draco colocou a mão na frente da câmera que não parava de disparar flash's.

Aparatou e a colocou na cama. Não queria que ela ficasse desamparada, mas seria esperar muito dele. Ele não estava preparado para aquilo.

Dormiu um sono que não sabia que precisava. Provavelmente Draco colocara algum feitiço no quarto por que já era manhã novamente e estava sozinha. Desceu e o desjejum estava servido. Pegou o Profeta no canto da mesa e torceu o nariz. A primeira foto era ela abraçando Draco e ele correspondendo, falando algo mal educado e cobrindo a câmera. ' O leão e a serpente – O amor vence a guerra'. A foto realmente parecia romântica e ela balançou a cabeça suspirando.

- Não há o que fazer. – Draco sentou-se de frente e serviu-se.

- É melhor deixar assim, antes que se torne uma perseguição. – Tomaram café em silencio e rumaram para seus destinos distintos. Hermione passava todo o dia no laboratório e Draco ela não fazia idéia de onde andava. Se afundar na profissão a deixava imensamente feliz e optou por ser feliz assim.


Três noites. Essa era a nova obsessão de Malfoy, marcar quantas noites dormia excitado ao lado dela sem poder tocá-la. E as lingeries de dormir pareciam cada vez menores. E quanto mais ele suava frio, menos coberta Granger usava. E essa era a quarta noite de tortura e esse já era o segundo banho frio depois do jantar.

- Terminei a poção que alivia os tremores após o Cruciatos. – A voz espreguiçada foi seguida de um alongamento e fatalmente o arriar da pequena camisola que deixava quase toda a extensão das coxas descobertas. Malfoy observou a cena com a boca salivando. Engoliu com dificuldade.

- Que bom pra eles. – Falou emburrado, pois sentia a região abaixo da cintura tremer e nenhuma poção iria resolver. Hermione levantara uma sobrancelha intrigada. Quase nunca conversavam e quando ela tentava era recebida assim. Malfoy era um estúpido mesmo. Ele revirou no lado dele da cama e puxou o lençol até cobrir-se todo. O livro que ela lia foi encoberto e ela fechou bruscamente, dada a noite por encerrada. Abaixou a luz e acomodou - se. O loiro se remexeu varias vezes tentando acomodar seu membro petrificado.

– Malfoy você está com algum problema? – Resmungou sentando-se e aumentando a luz. Draco encobriu a cabeça.

- Não Granger, dorme logo. – Revirou os olhos e voltou a deitar.

(...)

- Detesto essas festas. – Falou enquanto desciam da carruagem.

- Então pare de fazer benfeitorias no mundo, que eles param de dar festas. – Fez uma careta pra ele. Como Malfoy sabia ser desagradável.

- Foi você que me deu esse emprego lembra? – Disse vitoriosa. Ele falou algo inaudível e entraram no salão.

(...)

- Malfoy o que está fazendo? – Olhava ao redor envergonhada.

- Abraçando minha mulher. – Falou entre dentes com o rosto encaixado na curva do pescoço dela. Hermione se esquivou, segurando ambas as mãos do loiro.

- Você está quase arrancando meu vestido. As pessoas estão olhando. – A voz severa era disfarçada pelo sorriso fingido. Draco a virou de costas e esfregou seu membro nela, fazendo-a corar e falou rente ao ouvido.

- É por isso que eu posso. Por que tem alguém olhando. – Mordeu-lhe o pescoço e voltou a apertar seu quadril, fazendo o vestido de cetim claro deslizar.

- Aqui não Malfoy. Que vergonha. – Pouco se importou, mas perguntou contrariado. Se ela respondesse que em lugar algum ele continuaria da mesma forma. E só tinha umas duas pessoas prestando atenção. Não era como se estivessem no meio do salão. Não era idiota de se expor assim. Mesmo desesperado como estava.

- Onde é um bom lugar Granger? – Teve de sussurrar pra disfarçar o desespero.

- Em casa Malfoy. – Não assimilou o que disse até sentir-se tonta pela aparatação instantânea em que foi submetida. O loiro avançava sobre seu corpo, imprensado entre ele e o sofá da sala, descontrolado. Não tinha como escapar agora e achou divertido o modo como ele estava se portando. Era sempre tão frio e indiferente a ela. Ao menos ela achava. Cogitou falar para irem para o quarto, mas ao ver seu vestido rasgado novamente desistiu. Draco a sentou sobre as costas do sofá e sugou o sexo exposto sem pudor. Não tinha onde se apoiar e os cabelos loiros eram a única opção, fazendo Draco se descontrolar ainda mais e aprofundar a língua dentro dela. Gritou. E gritou de novo ao ser estocada com força. E gritou varias vezes até a exaustão. Mas sempre gritando por Malfoy. Não por Draco ou por nenhum nome carinhoso. Seriam sempre Malfoy e Granger. Pois era isso que eram. Únicos.

(...)

- Granger, podíamos modificar esse contrato.

- Modificar em que? – Ele estava com a cabeça amparada por uma das mãos enquanto seguia com os olhos o caminho que a outra fazia na curva do quadril da castanha. Fazia isso quase todas as noites, exceto as que ela dormia cedo e ele não podia tocá-la.

- Não sei. Talvez a parte do sexo. Eu poderia transar com você dormindo... – Sorriu torto.

- Há... Há...Ha... Nem morta Malfoy, o contrato está ótimo como esta. – Revirou os olhos. Draco sorriu e mordeu-lhe no ombro.

- Morta não tem graça, senão não posso apreciar seus "gemidos". – Dejá vu.

Desencostou dele e encobriu o corpo. Draco fechou os olhos e engoliu a saliva amarga. Idiota, idiota, idiota. Sentia-se completamente estúpido quando cometia essas gafes. Passaria uma semana sem se falarem e cabia apenas a ele não citar o passado que ela mesma não fazia questão de lembrar. Por que ela nunca esqueceria, mas vivia sua nova vida.


- Granger? – Sussurrou ao vê-la se remexer pela terceira vez.

- Humm. – Sorriu, se ela não estava dormindo, então o castigo tinha acabado. Deslizou as costas da mão pelo braço descoberto. Aproximou.

- Malfoy, eu não quero. - Aproximou-se mais. Seu coração não estava sufocando como se uma mão invisível o comprimisse. Então ela queria sim e a voz melosa ao dizer que não queria, denunciava a mentira.

- Não? – A voz sussurrada rente ao ouvido dela foi respondida por um gemido extasiado. – Tem certeza que não quer? Não ta parecendo. – Da parte interna das coxas ele tocava o sexo molhado, fazendo-a contorcer-se. Gemeu de novo mais alto. Draco mordeu os lábios. Era hora da vingança. Uma semana e meia por uma única frase era muito tempo. Segurou-a pela cintura e sem aviso colocou-a deitada de bruços e se projetou sobre ela, dando um pequeno espaço para que as mãos pudessem se mover. Passou-as pelas nádegas empinadas subindo a camisola vinho, junto. Ajoelhou e lambeu a cintura rente a base da lingerie antes de abaixá-la. As mãos espalmando cada centímetro de pele que tocava. Granger permanecia deitada, contendo com dificuldade os gemidos na garganta. Ele a enlouquecia. Subiu as mãos pela cintura, costas, ombros, cotovelos até as mãos. Mãos com mãos. Mãos sobre mãos. Mãos algemadas na cabeceira da cama e Granger sorriu. Claro que ele a puniria pelo jejum de sexo. Algemas era novo. – Muito tempo me punindo Granger. Você sabe como fico quando isso acontece. Você é muito cachorra. – Levantou o quadril dela na altura de seu membro e se encaixou por traz ainda vestido com a calça do pijama.

- Malfoy você não vai transar comigo como um animal. – Grunhiu irritada, tentando soltar-se do cárcere momentâneo.

- Cachorra sim e vai fazer do jeito que eu quiser. – Levou os dedos penetrando-a pouco antes de sentir uma dor aguda numa das coxas a se afastar rastejando. - Ah! Querida. Você não devia ter feito isso. – Ela virou o pescoço pra traz, vendo-o alisar a coxa onde havia deferido o coice certeiro. Arrependeu-se ao vislumbrar o brilho luxuriante que exalava dos olhos acinzentados. Quando avançou novamente foi com mais força, prendendo as panturrilhas dela com os próprios joelhos e completamente despido. Colou os corpos e sentenciou com a voz carregada de malicia. – Se cachorra não esta bom, potranca é um apelido mais carinhoso pra quem gosta de dar coices. – Estocou ao mesmo tempo em que abafava o grito feminino com o tapa estridente que atingia as nádegas brancas. E cada estocada era seguida de outro tapa até ela arquear as costas e gemer de prazer. E um único gemido foi o suficiente pro loiro derramar-se dentro dela.

Odiava quando ele a fazia ser submissa. Não conseguia relaxar se não pudesse vê-lo e precisava desse controle. De saber quando e como o estava enlouquecendo. Draco a dominava como queria, mas apenas quando ela queria. E essa briga por controle era constante entre eles. Tê-la a mercê de seus desejos mais insanos era perfeito. Ela o enlouquecia e os dias que passava sem ao menos dormir abraçado eram insuportáveis, por que no fundo aquele maldito contrato dava o controle a ela. E ele era dela e isso era insuportável de assumir.

- Agora me tira daqui. – Resmungou ofegante, e ouviu um 'desculpa' mais baixo que um sussurro. Disfarçou o sorriso, sabia que ele odiava gozar antes dela. – Malfoy, tá surdo? – Ouviu o típico sorriso debochado e torto que ela bem no fundo achava tão sexy que ele jamais saberia e o viu ao seu lado.

- Quem disse que acabou. - Segurou os braços ainda presos e enlaçou em seu pescoço, encaixando-se por baixo do corpo da garota, fazendo-a sentar-se sobre ele e segurar o grito pela encaixada no pau ereto. – Você não acabou seu trabalho e não mandei você parar. – Hermione sorriu. Um sorriso torto que pareceu familiar e que ele findou devorando-a boca quando ela começou a se movimentar. Ela estava como gostava e ele perdido.

Se um dia seriam um casal normal. Improvável.

Se um dia se apaixonariam de verdade. Apenas o Destino dirá.

Fim...