E corri, corri de volta para o meu passado. Pra longe de tudo que eu amava, pra longe da razão da minha existência. Mas era por um bem maior, eles nao poderiam correr nenhum risco por mim. Ninguém poderia. Eu precisava acreditar que estava fazendo o certo...
Continuei correndo até sentir um cheiro diferente. Cheiro de meio-vampiros. Diminui o passo pra não pega-los totalmente de surpresa. Eu ainda não sabia qual seria a reação deles a minha súbita ação. Eles deveriam ir me buscar, e não me esperar num local para nos encontrarmos.
Respirei fundo mais uma vez e caminhei em direção a eles. Agora estavam parados me esperando, imagino.
Parei na frente deles, tentando prever qual seria suas reações.
- Olá. – falei calmamente.
Eles apenas me encararam calados. Até que um deles andou em minha direção. Parecia tenso, mas cuidadoso.
Ele, assim como os outros, estava vestido totalmente de preto. Mas esse tinha ombreiras douradas, de ouro; e um broche distinto pendurado no peito. General. Ele era o general do batalhão de busca. Ainda era o mesmo desde a minha época.
Ele parou a alguns metros de mim, e inclinou o corpo pra frente abaixando a cabeça, como um reverencia. Ele estava me tratando como... Como se eu...
- General. Fico feliz em encontrá-la. A sub-capitã nos avisou que você provavelmente nos encontraria.
Minha boca se abriu um pouco em choque, mas logo a fechei recobrando os sentidos.
Chelse só me mandou encontrar com eles e seguir o que eles descessem. Se eles ainda me consideravam general de batalhas. Eu agiria como a general. Seguiria o plano de Chelse. Mas quem diabos era essa sub-capitã? Esse suspense já tava me irritando.
Ergui minha cabeça e assenei levemente com ela.
- É bom revê-lo, general Julio. – disse, dando um sorriso profissional.
Ele sorriu abertamente.
- Não nos vemos a algum tempo, Isabella. Como você está? – ele perguntou.
Ele sempre fora gentil comigo, mas depois de estar tanto tempo longe dele. Eu não sentia tanta simpatia por ele. Nem por ele nem por nada daquilo.
- Bem, obrigado. – Respondi séria – Pra onde devemos ir agora?
Ele se virou indo pra frente do batalhão. Fez um sinal com as mãos para que eu o seguisse.
- Vamos encontrá-los. – ele disse apenas, e eu já sabia o que ele queria dizer.
Encontra o meu... Pai.
Eles começaram a correr na direção oposta de onde seguiam. Corri atrás deles.
Passamos a viagem inteira caladas, então resolvi pensar em algumas coisas. Como por exemplo, o que poderia acontecer de agora em diante.
Se eles me tratavam como general, quer dizer que John ainda me considerava general. E essa sub-capitã... Ou ela conhecia o plano da Chelse, ou tinha algum dom. Pois não tinha como saber que eu pretendia encontrar o esquadrão de buscas. Eu estava fugida!
E John... meu pai... o que será que eu sentiria quando o visse? Eu sabia que de agora em diante eu teria de manter a cabeça erguida e encarar de frente. Ficar deprimida não iria me ajudar muito, mas as vezes era difícil segurar. Só de imaginar como estariam todos em Forks nesse instante...
Provavelmente eles agora já sabiam que eu parti. Eu deveria ter ido encontrar Edward na escola e simplesmente ao invés de fazer isso, eu fugi pra reencontrar o papai... Parece que eu teria uma reunião de família... Pensei ironicamente.
E Chelse, onde será que ela estava agora? Ela disse que me encontraria lá. Será que ela nos encontraria no meio do caminho? Será que ela nos interceptaria?
Que merda. Porque que eu não fazia idéia de qual seria meu destino agora?
O único que lugar em que eu gostaria de estar estava cada vez mais distante de mim. As únicas pessoas com quem eu gostaria de ficar agora provavelmente estavam magoadas comigo, talvez até com raiva de mim. E era isso que eu merecia.
Raiva. Porque ele me acolheram, eles ficaram comigo. Me apoiaram quando eu precisei.
Eles até me proporcionaram, sem saber, uma luta super divertida.
Eu não gostava de admitir, porque eu me sentia mais horrível ainda com isso. Mas eu gostava de lutar. E isso fazia eu me sentir um monstro.
Gostar de algo tão... errado. Matar vidas, ser uma assassina. Era algo que eu me afastava. Um prazer que eu me negava a ter.
Quando eu pensava sobre esse assunto, eu sabia que não era de matar que eu gostava. Era a sensação de desafio, de poder provas que eu era forte. A sensação de mostrar aos outros que eu não era nenhuma frágil criança. De saber que eles me respeitavam.
Era idiota e imaturo, eu sei. Mas a sensação de ter alguém te desafiando, a sensação de estar ganhando... Eram ótimas. Até mesmo a sensação de perder, mas perder com honra não me era tão ruim. Lutar me dava prazer, matar me fazia sentir repugnante.
- Estamos chegando, Isabella. – Julio me tirou de meus pensamentos.
- Vocês estavam tão perto assim? – perguntei confusa.
Eu não acho que tenhamos demorado tempo suficiente. É claro que corríamos numa velocidade impressionante, mas se já chegamos é porque eles estavam realmente perto.
Ele me olhou como se eu fosse maluca.
- Isabella, a quanto tempo acha que estamos correndo?
- Eu não sei, admito que não prestei atenção no tempo.
E realmente não tinha prestado atenção. Só fiquei viajando em pensamentos sobre meu futuro e meu passado recente.
- Estamos correndo a um dia e meio quase – ele falou como se aquilo fosse óbvio.
Eu me sobressaltei com aquilo. Tanto tempo... eu podia jurar que foram apenas algumas horas...
- Tanto tempo... – deixei escapar distraída.
Meu corpo ainda não tinha se dado conta disso. Parecia não estar reagindo corretamente aquela situação. Ele apenas obedecia.
Quando eu parasse de verdade eu provavelmente cairia exausta.
- General Isabella, a senhorita está bem? – Julio perguntou formalmente.
Percebi que o cheiro de mestiços ficava mais forte.
Devíamos estar perto o suficiente pra que alguém nos ouvisse. Julio era quase um amigo, mas eu apenas o levava como um colega de trabalho. Não brigávamos, mas também não trocávamos confidencias.
- Não se preocupe General, eu estou bem. – murmurei em resposta.
Não estava prestando atenção de onde estávamos. Estava apenas pensando de como eu encararia John.
Não. Eu não gostava dele. Mesmo sendo meu pai, pra mim ele era um monstro... e pra ele, eu era uma arma.
Ele nunca me tratou como filha, ele apenas me tratava como algo precioso. Algo necessário para seus planos.
Percebi que Julio e o esquadrão pararam de correr, e fiz o mesmo. Agora apenas andávamos em direção a uma cidade.
Espera! Uma cidade? Na ultima vez em que estive reunida com minha "família" nós devíamos ficar imperceptíveis! É claro que tínhamos que guardar nosso território... mas isso?
Andei pela cidade observando pela primeira vez onde eu me encontrava. Mantendo minha mente ligada a meu corpo. E não no torpor da partida nem no turbilhão de pensamento que me rodeavam.
Era uma cidade, parecia relativamente grande. Pude ver várias casas ali. Reconheci alguns membros de minha antiga família, algumas irmãs... elas quando me viam me olhavam espantadas como se eu fosse um fantasma. Outras sorriam ou até mesmo davam tchauzinhos animadas. Imaginei que elas já soubessem o porque de eu ter voltado.
- Parece que as coisas mudaram desde que parti... – comentei com Julio.
- Verdade, General. Mas acho que seu pai lhe explicará tudo. – ele disse formalmente novamente.
Fechei minhas mãos em punhos ao ouvir o que ele disse. Eu não sabia se conseguiria mesmo chamar John de pai. Ele NÃO era meu pai. Ele era um monstro. Um monstro do qual eu queria distancia...
Ele me guiou em direção a um tipo de palácio.
- General Julio, vocês não são mais nômades? – perguntei curiosa.
- Não mais General, agora temos alguns territórios sob nosso comando. Mantemos algumas pessoas de nossa confiança lá guardando-os e sempre que percebemos que alguém irá atacar mandamos um reforço pra lá. Nossos números se multiplicaram bastante.
Eu refleti sobre aquilo. Agora eles eram muitos e tinham poder. Parece que o plano de John funcionou como ele queria.
- Entendo, então se conheço John, ele me quer aqui pra liderar uma batalha grande, certo? – perguntei tentando saber onde chegaríamos com aquilo.
Ele encolheu os ombros. Ele era um dos poucos que sabia minha opinião sobre tudo aquilo.
Assim que soube a verdade eu não parti imediatamente, eu esperei quase uma semana antes de fugir. Tempo apenas para conversar com as pessoas com quem eu realmente me importava. Não queria deixá-las na mão, não queria fugir e magoá-las. Mas eram todas tão convictas em seu destino que não quiseram fugir comigo. Acreditavam de verdade no cretino do John.
- Algo assim, imagino. – ele disse evasivamente.
- Eu não entendo. Se vocês tem tanta gente. Porque precisam de mim? – perguntei sendo sincera.
Eu realmente não entendia, eles não precisavam mais de mim.
- General Isabella, a senhorita sabe que é a melhor. Ninguém nunca lhe escondeu isso. E voce também sabe que seu pai jurou que quem estaria no comando dessa batalha seria você. – ele disse aquilo com sinceridade – e você sabe que apesar de tudo, ele honra sua palavra.
Eu xinguei baixinho.
Um monstro sincero. Grande merda de diferença! Pensei amarga.
- Sabe quando será a batalha? – perguntei sem demonstrar emoção.
- Em algumas semanas. Não tenho certeza absoluta. Mas será logo. – ele disse no mesmo tom que eu.
Eu esperava realmente sentir apenas o torpor de tudo aquilo. Foi o que eu imaginei que sentiria. Mas eu só sentia raiva. Raiva de meu pai, raiva dessa batalha, raiva do meu passado, raiva de mim mesma. Eu estava me odiando sempre que imaginava como minha mãe, Carlos, os Cullen e principalmente Edward estariam. Eles não mereciam o que eu fiz com eles. Edward não merecia amar um monstro feito eu. Mas eu era egoísta demais pra querer que ele se afastasse de mim, era ao que eu devia ter feito. Mas eu não consegui. Eu simplesmente o queria demais pra isso, pra afastá-lo pra prevenir essa dor que ele provavelmente sentiria agora.
Mas eu voltaria, eu voltaria pra ele. Eu o curaria da dor. E se ele me odiasse quando eu voltasse eu imploraria, eu me colocaria de joelhos implorando seu perdão por quanto tempo fosse necessário. Eu só viveria se tivesse ele ao meu lado. E enquanto eu tivesse vida e liberdade eu estaria com ele. Vida eu tinha. Liberdade eu conseguiria assim que terminasse com toda essa merda de batalha.
Apenas me liguei de aonde estava quando Julio ordenou a alguns guardas que abrissem uma imensa porta de madeira. Devia ser a sala do trono, ou algo do tipo.
Dentro era uma sala imensa, muita bem iluminada. Era oval, tinha algumas poltronas e mesas espalhadas por ali. Na extremidade da sala, no canto onde se podia observas tudo, havia um imenso trono dourado. Prendi a respiração ao ver quem estava sentado nele.
John sorriu quando me viu. Ele sempre tentava agir como um pai quando estava perto de mim. Eu odiava isso, era tão falso. Ele era péssimo nessa atuação.
- Bella! – ele disse vindo na minha direção de braços abertos.
Ele realmente esperava que eu fosse correr ao seu encontro e dar uma grande e amoroso abraço, como naqueles filmes idiotas e bregas? Pensou errado papai.
Eu assenei levemente com a cabeça e tentei esboçar um sorriso.
- John. – falei secamente.
Ele abaixou os braços com essa reação, mas continuou vindo ao meu encontro.
Parou a aproximadamente ummentro de mim com um sorriso nos lábios.
- Minha pequena fugitiva. Como está? – ele disse tentando ser simpático.
Eu já o conhecia bem demais. Sabia que aquilo era mera cordialidade. Nada real.
- Cansada. – falei apenas.
Eu estava cansada, mas não da viagem. E sim dessa vida que vivia dando voltas. Não que ele precise saber disso.
- Você poderá descansar em breve.
Ele se virou e foi se sentar em seu trono. Percebi de repente que Julio havia saído. Estávamos apenas nós e sua guarda.
Caminhei ficando perto de seu trono, esperando o que ele faria a seguir.
Ele me olhou dos pés a cabeça. Seus olhos se prenderam aos meus. Droga! Eu já sabia oq eu ele falaria a seguir.
- Olhos vermelhos, Bella? – ele perguntou simplesmente.
- Foi apenas uma briga – respondi seca.
Eu não devia dar satisfações a ele. Mas também sabia que aquilo não fazia muito sentido.
- Sabe Isabella, eu soube que você fugiu porque achava que poderia ter uma vida diferente – ele disse como se aquilo fosse algo realmente idiota, balançou a cabeça levemente e me apontou com uma das mãos – e agora aparece com os olhos vermelhos por culpa de uma batalha.
- Foi apenas uma luta, John – murmurei.
Odiava quando ele fazia isso. Achava que saia de tudo. Ele não sabia. Foi só a droga de uma luta com uma maluca que ficou dando em cima do MEU namorado. Apenas isso. Eu não tinha voltado a lutar nem nada muito menos a beber sangue humano. Bufei raivosa.
- Se é o que você diz... – ele deu de ombros.
Fechei minhas mãos em punhos. Respira, Bella. Respira.
- Então John, porque mandou me buscar? – perguntei indo direto ao assunto.
- Pensei que já soubesse a resposta, filha – ele disse simplesmente.
Filha? Há! Só se ele estivesse maluco.
- Gostaria de ouvir da sua própria boca, papai – falei a ultima palavra com certo sarcasmo.
Ele sorriu da minha irritação, mas aquilo só atiçou mais minha raiva.
- Sabe que logo enfrentaremos uma das nossas maiores lutas. Crescemos Bella. Meu plano está indo corretamente. – ele se levantou do trono e começou a andar de um lado pra o outro enquanto falava – Nós temos um exercito enorme. Temos poder. Temos territórios. Mas agora meu principal objetivo será cumprido.
Esperei pacientemente já entediada. De tempos em tempos minha mente fugia daquela sala e voltava pra Forks. Mas isso não estava me ajudando em nada. Só estava me machucando.
- Enfrentaremos nossa maior batalha em apenas 2 semanas. E você minha General vai comandar meu maior exercito!
Ele disse aquilo como se fosse uma honra. Pra mim era uma tortura.
- Eu tenho escolha? – perguntei secamente.
Ele sorriu.
- Como se você já não soubesse a resposta, Bella.
É claro. Ou está conosco, ou está contra nós. Era o que ele vivia dizendo.
- E quando a batalha acabar?
Eu tinha alguma pequena esperança de que conseguiria voltar pra Forks quando essa batalha idiota acabasse.
- Você poderá seguir seu destino, General. – uma voz feminina falou da porta.
Eu conhecia essa voz. Reprimi um sorriso.
Ela passou por mim e foi em direção a John. Pousou uma mão em seu ombro e sorriu pra mim, que olhava meio atônita aquela cena. John a observava com olhos vidrados. Beijou a mão que estava pousada em seu ombro.
- General, gostaria que conhecesse minha nova esposa.
Minha boca caiu em surpresa. A mulher tão conhecida e amada por mim veio em minha direção com um grande sorriso no rosto.
Estendeu a mão cheia de pulseiras de ouro pra mim e deu uma piscadela.
- É uma honra conhece-la General Isabella. Eu sou Chelse. - ela disse fazendo uma pequena mesura.
Eu me recompus rapidamente e fiz uma mesura também.
- Prazer. - falei simplismente.
Tá legal, ou eu estava tendo alucinações ou de repente Chelse virou minha madrasta! Impossível...
Ou será que afinal de contas esse era o plano dela... Casar com John e fazer a cabeça dele pra me liberar.
- Como vai você, General? - Chelse pergunto com uma voz cordial.
Era pra parecer que ela perguntava apenas por educação, mas eu notei um pouco de preucupação em sua voz. Eramos amigas a tempo demais pra eu não conhecer cada detalhe de sua voz e temperamento.
- Como eu disse cansada, Senhora - disse formalmente.
Ela sorriu e assentiu, se virou e foi andando em direção ao John novamente.
Me concentrei por um instante, eu definitivamente tinha que treinar esse poder depois.
Então era esse seu plano? Virar minha madrasta? Você é maluca C.
Falei em pensamento pra ela.
Ela que agora estava novamente ao lado de John sorriu discretamente pra mim e revirou os olhos, como se não fosse grande coisa o que ela tinha feito.
Mas era! Casar-se com John devia ser uma tortura! Aquele cara era um saco!
.Deus! Tive um pensamento pertubador e fui obrigada pelo meu cerebro a passa-lo a Chelse.
Por favor. Por favor. Diz que voces não estao fazendo sexo!!
Flaie em pensamento novamente pra ela, mas dessa vez deixei claro um tom amargo e enojado.
Ela deu de ombros e prendeu um riso. Cara! Que nojo!
John nem reparou na nossa conversa silenciosa.
- Então General. Quer conhecer suas acomodações?
- Claro - respondi seca.
- Amor, se importaria de chamar um guarda e pedir pra levar Isabella a seus aposentos? - ele falou com doçura na voz.
Deus. Que eu não vomite! Sim, meio-vampiros podiam vomitar.
Chelse sorriu pra ele.
- Não. Eu posso leva-la eu mesma. Adoraria conhecer sua filha preferida - ela disse com um sorriso na voz.
Ela tava usando seu olhar persuasivo, em humanos fazia eles babarem. Eu sorri quando vi John concordar meio cegamente com a cabeça.
Parece que esse olhar funciona com papai. Pensei amarga.
- Vamos, Isabella - ela disse cordialmente novamente e fez um gesto com a mão para que eu a seguisse.
Fomos as duas caladas pelo caminho. Ela me levou até um quarto grande do palácio.
Fala sério! Então John acha que se me agradar eu luto melhor? Até parece...
- Abram as portas - ela disse pra dois guardas que estavam parados em frente a porta.
Ela passou primeiro e eu a segui, ela fechou as portas atras de si e se virou pra mim com um sorriso imenso nos lábios.
- Senti sua falta - ela fez com os lábios, provavelmente para que os guardas não ouvissem.
Eu sorri, e me joguei em seus braços.
- Senti tanto sua falta, sua mestiça idiota! Como você pode fugir e nem me dizer adeus? - eu comecei a murmurar baixo o suficiente para que apenas ela ouvisse.
Mas ainda sim, deixe claro o tom de tristeza na minha voz.
Ela passou uma mão no meu cabelo me acalmando. e murmurou baixo também.
- Foi necessário, amiga. Você sabe que foi. Como você está? De verdade. - sua voz estava preocupada novamente.
Então comecei a chorar silenciosamente.
Ela me guiou até a cama e se sentou ao meu lado, me aninhando em seu colo como uma criança.
- Não fique assim, Bella. Tudo vai dar certo no final. A gente vai voltar... - ela falava maternalmente.
Eu chorei por algum tempo, até conseguir falar claramente novamente.
- Você perdeu tanta coisa, Chelse. Eu queria tanto que você estivesse comigo - eu murmurei.
- Mas eu to agora. Você pode me contar.
- Eu me apaixonei Chelse. Aquela familia de vampiros sao ótimos. São todos uns doces. Foi a mesma famílai que tranformou Rachel e Carlos - murmurei de uma vez só.
Ela ficou em silenvio absorvendo aquilo, depois me colocou sentada novamente e olhou meu rosto.
- Você tá apaixonada? - ela dizia como se fosse impossível.
Tudo bem que eu nunca tinha demostrado nenhum interesse por membros do sexo oposto, mas e daí? Não era tão dificil de acreditar!
- Sim! E ele é tao lindo, C. - falei feliz, ignorando a parte do impossível-de-acredita.
Ela sorriu de orelha a orelha.
- Conta tudo! - ela guinchou.
- Fala baixo sua doente! Alguém vai nos ouvir!
Antes que ela pudesse responder alguém bateu na porta.
Chelse se levantou e se indireitou novamente.
- Entre - ela falou alto.
Um membro do meu exercito entrou, logo reconheci.
- Desculpe Senhora. Não sabia que estava aqui - ele se desculpou com Chelse.
- OK. O que você quer? - ela falou seca.
- John mandou chamar a General. Vamos treinar.
Respirei fundo e me levantei.
- Eu já vou - disse apenas e fiz um gesto para que ele saisse.
Eu ainda era General, e todos consequentemente me respeitavam. Isso deveria servir pra alguma coisa.
- Acho que é hora da tortura, né? - disse pra Chelse.
Ela me abraçou e murmurou um "depois voce me conta tudo" no meu ouvido.
- Não se preocupe. Vai dar tudo certo. E será por pouco tempo - ela falou baixinho depois de me soltar.
Suspirei novamente e fui até o closet do quarto, onde me surpreendi por ver várias roupas. Coisas de Chelse.
Pus minha farda de general e sai do quarto. Hora de voltar a cumprir minha missao original. Hora de ser apenas uma arma de destruição incrivelmente eficiente.
Assim que cheguei no campo de treino todos se colocaram em postura. Fui direto até o vampiro que era do meu batalhao.
Baixei a cabeça e apenas deixei que tudo fosse como antigamente. A dor insuportavel da mordida. A tensao em meus musculos.
A raiva por estar ali novamente me consumia. E enfim uma nova dor. A dor de ter que lutar por obrigação. A dor de estar sendo tudo que eu odiava. Cada mestiço que eu lutava, cada mestiço que perdia pra mim, nada disso eu estava vendo de verdade. Tudo que eu via, tudo que estava na minha mente era o rosto de Edward contorcido de dor. Dor que eu mesma causei a ele.
Quando me dei conta, todos estavam caidos no chão ou afastados o máximo possível de mim.
Era sempre assim quando terminava o treino, todos me temiam. Porque eu era forte demais, habilidosa demais. Cruel demais. Mostruosa demais.
A raiva tinha me tornado ainda pior. Eu estava mais cega ainda, eu nem reparei que usei tanta força assim. Eu estava mais forte que antes, e não era por vontade própria.
Eu estava sendo movida apenas pelos meus sentimentos ruins. Todos voltados contra mim e aqueles ao meu lado naquele instante.
Uma monstra assasina. A pior arma que eu já tinha visto era aquela que eu me tornara. Cerrei os punhos e baixei a cabeça.
Novamente eu era o monstro e nada poderia mudar aquilo. O destino novamente trouxe de volta meu pior lado, só que mais intensificado pelo odio e rancor que eu sentia.
N/A: gente desculpa a demora pra postar de novo.
Eu sei que deveria ter posto o Edward lendo a carta, mas eu nao tava pronta pra isso.
Esse momento tem que ser perfeito, e eu nao to com toda inspiração pra isso.
E eu to doente, e em provas de novo... e super ocupada.
E adivinhem? To com 4 pontos na cabeça.
A droga de um muro caiu em cima da minha cabeça e literalmente ferrou com ela. Tudo bem, pular o muro nao foi minha melhor idéia, mas ninguem poderia prever que le ia cair certo?
Entao se o cap tiver uma mera a culpa é do muro... nao minha !
Prometo que logo terao o PoV do Ed. e será perfeito como deve ser!
Obrigada pelas reviews: Lily A. Cullen; .94 ; Paloma Mary Von Underwood ; cacau1005 ; Lilly Nightfall ; Marie Ann Cullen .
Please. tentem nao me odiar por nao ter posto o tao pedido Pov do Ed. Mas ele vai aparecer logo... eu juro! Via ser um cap inteiro só com o Ed se for preciso!! E vai ser ótimo ^^
Agora deixa eu ir que eu to fugida... eu deveria estar estudando pra quimica... Eu já disse que odeio quimica?
Beijos amores... espero que curtam o cap....
Repondo as reviews por e-mail. amo voces ;*
