Capítulo IX
A cavalgada da manhã seguinte foi informal e muito agradável. Vindos de Cavendish Square, as irmãs Swan, Cullen, McCarty, Jasper e Call pararam nos portões do parque para cumprimentar lorde Black e a Srta. Brandon, que se juntaram ao grupo, para a alegria de Jasper. O parque estava quase deserto àquela hora, apesar do bom tempo. Poucos minutos depois os três casais se separaram pelas alamedas, totalmente absorvidos em seus parceiros. Enquanto isso Black e Call discutiam os detalhes da última moda em trajes masculinos.
Como sempre acontecia quando estava sozinha com Cullen, a compostura de Bella era mais aparente do que real. A cada dia que passava, crescia, uma dificuldade de se controlar e esconder seus sentimentos. Até então, ela não sabia o que ele pensara de seu comportamento na estufa da duquesa de Hale. E, embora continuasse a cobri-la de atenções, cada vez mais devotadas, Edward não mencionara a palavra "amor".
À medida que se embrenhavam no bosque, Bella sentia sua confusão crescer. A segurança inabalável do marquês perturbava seus nervos. Era como se estivesse presa em uma armadilha, cuja isca irresistível tornasse a fuga impossível.
Cullen aproveitou a oportunidade para informá-la de que teria de se ausentar de Londres novamente. A visita a sua propriedade revelara os efeitos de sua negligência, e ele pretendia corrigir o erro. Afinal, deixara claro para todos os membros da Ton a seriedade de suas intenções com relação a Srta. Swan e a provável resposta que ela daria ao seu pedido de casamento. Portanto, acreditava poder partir tranqüilo.
Embora recebesse a notícia com calma resignação, Bella surpreendeu-se ao ouvir:
— Durante a minha ausência, se precisar de qualquer tipo de ajuda, pode confiar em Jasper, Emmett, Embry, ou qualquer outro cavalheiro de nosso grupo. Somos grandes amigos e costumamos ajudar uns aos outros, sempre que necessário.
Como ele não ofereceu maiores explicações, ela decidiu refletir sobre a questão mais tarde.
Experiente, Edward sabia que, se pensasse no assunto, poderia ocorrer a Bella que a proteção dos amigos do marquês seria naturalmente estendida à futura marquesa Cullen. Também sabia que, quando ela se desse conta de que o relacionamento deles fora amplamente aceito por toda a sociedade, talvez ficasse furiosa. Ainda assim, continuava firme em sua determinação de só pedir a mão dela no final da temporada.
Passaram a hora seguinte em um doce interlúdio sensual, do qual ele teve de se esquivar por perceber que seu autocontrole encontrava-se por um fio.
Foram os últimos a reencontrar o grupo, que retornou sem pressa a Cavendish Square.
Um baile de máscaras ocorreria na quinta-feira seguinte, na mansão Brandon. As debutantes estavam enlouquecendo suas mães com pedidos por uma festa assim. Tais eventos haviam sido populares no passado, mas como facilitassem a libertinagem e o mau comportamento, haviam sido banidos das temporadas. Naquele ano, porém, algumas mães, cansadas dos choramingos das filhas, uniram-se e decidiram organizar a festa, embora com regras rígidas. Convidados só seriam admitidos mediante apresentação de convites. Todos usariam dominós negros, a costumeira túnica com capuz inerente a tais bailes, sobre trajes formais. As máscaras seriam entregues na entrada, para que as anfitriãs pudessem ver cada rosto que chegava.
Bella ficou desapontada quando se deu conta de que Cullen não chegaria em tempo para ir ao baile de máscaras. Pensou em não comparecer, mas tinha de acompanhar Rose, uma vez que as acompanhantes mais velhas não podiam entrar no salão. Além disso, a avó fizera comentários pouco sutis sobre a insensatez de se fechar em casa só porque um certo cavalheiro se ausentara da cidade.
Ao chegar à mansão Brandon, as duas irmãs entregaram seus convites e, aprovadas pelas anfitriãs, entraram na fila para receber seus dominós e máscaras. Assim que viu Bella, Alice Brandon agitou-se. Com ar de conspiração, aproximou-se da amiga e entregou-lhe um bilhete.
Bella abriu a mensagem e encontrou uma única frase: "Encontre-me no terraço à meia-noite". Ora, apenas uma pessoa se atreveria a dar uma ordem como aquela. Edward iria ao baile, afinal. Provavelmente chegaria tarde, e por isso preocupara-se em deixar um encontro já marcado.
Apesar do disfarce que receberam, assim que ela e Rose pisaram no salão, foram abordadas por dois homens altos, cobertos por seus dominós e máscaras.
Ao sentir o braço familiar em torno de sua cintura, Bella ergueu os olhos e reconheceu os dele, dourados e sorridentes como sempre. Imediatamente relaxou e riu.
— Já está aqui?
— Já? Como sabia que eu viria? — ele perguntou, visivelmente surpreso.
— Você deixou o bilhete... — ela começou a dizer, mas foi tomada por uma desagradável premonição.
— Que bilhete? Não. Espere. — Cullen levou-a até uma das grandes janelas — Mostre-me. — ordenou.
Bella obedeceu.
O marquês leu a frase e apertou os lábios. A idéia de que Bella poderia se tornar vítima de um cavalheiro tão experiente quanto ele em um baile de máscaras o fizera abandonar os negócios e voltar depressa para Londres. Mas aquele bilhete era uma ousadia que não lhe passara pela cabeça.
Percebendo que ela empalidecera, voltou a passar o braço em torno de sua cintura e conduziu-a de volta ao centro do salão.
— Lembre-me, meu amor, de lhe mostrar minha caligrafia. Assim, se eu lhe enviar uma mensagem, saberá que eu mesmo a escrevi.
— Mas se não foi você, então quem foi?
— Não faço a menor idéia, minha querida.
Uma valsa teve início, e, no instante seguinte, Bella descobriu-se deslizando pelo salão nos braços de Edward. Logo descobriu que a maior atração de um baile de máscaras era o fato de uma dama poder passar a noite inteira na companhia de um único cavalheiro, sem provocar furor. Cullen, por sua vez, não tinha a menor intenção de abandoná-la, nem por um segundo.
Depois da segunda dança, ele a levou até uma alcova parcialmente isolada e, muito próximos, trocaram novidades.
— E lorde Ateara tem sido tão atencioso. — Bella declarou com um suspiro, revirando os olhos.
— Verdade? — Cullen indagou, franzindo o cenho.
— Sim. — ela confirmou, acrescentando com ar inocente: — Ele sugeriu que eu lhe dissesse isso.
O marquês soltou uma gargalhada.
— Não posso me esquecer de agradecer a Quil mais tarde. Enquanto isso, doce tormento, vamos dançar.
Pelo resto da noite, Edward tentou fazê-la esquecer do bilhete, pois pretendia apresentar-se no lugar dela, acompanhado por Emmett. Infelizmente, descobriu que, embora Bella lhe desse toda a sua atenção, risse muito de suas brincadeiras e corasse diante de seus comentários mais provocantes, ela possuía uma calma e um autocontrole excepcionais.
Assim, quando faltavam cinco minutos para, meia-noite, ele desistiu de tentar e perguntou à queima-roupa:
— Tem certeza de que quer levar isso até o fim?
— É claro que tenho certeza!
— Antes que eu a deixe sair para o terraço, quero que prometa fazer exatamente o que vou dizer.
Bella sentiu-se tentada a dizer que o bilhete fora enviado a ela e, portanto, ela decidiria o que fazer. E, com certeza, não precisava da permissão dele para ir ao terraço. Porém, não havia tempo para discussões.
— Muito bem. Eu prometo. O que devo fazer?
— Abra a porta e saia, mas não a feche. Ficarei escondido. Aconteça o que acontecer, não se aproxime demais da balaustrada e não se afaste para nenhum lado da porta. Compreendeu?
Ela assentiu. Satisfeito, Edward escondeu-se entre a cortina e a porta, ao mesmo tempo que Bella saía para o terraço. Bem à sua frente, alguns degraus desciam para o jardim, mergulhado em sombras. Atenta às instruções que recebera, deu apenas alguns passos, mas uma voz chamou de algum ponto do gramado escuro:
— Srta. Swan! Por aqui!
Naquele exato momento, alguém afastou a cortina de uma das janelas e abriu-a, mas ao ouvir as badaladas da meia-noite e o anúncio para que todos retirassem as máscaras, tal pessoa voltou para o salão. Logo, ouviram-se passos que se afastavam rapidamente.
Cullen emergiu de seu esconderijo, dizendo a Bella:
— Fique onde está!
Com isso, correu atrás do fugitivo. Infelizmente, não conseguiu alcançá-lo. E, sendo aquele um lugar conveniente para um rapto, decidiu abandonar a busca e voltar para o lado de Bella.
— Não há sinal de ninguém, agora. Uma pena, mas nenhum mal ocorreu.
— Quem poderia fazer uma brincadeira tão estúpida? — ela indagou, também livrando-se do disfarce.
— Deixe-me ajudá-la — Edward ofereceu, desatando os nós que prendiam a máscara.
Em seguida, afastou o capuz do rosto de Bella e beijou-a.
Mais uma vez, Bella perdeu a noção de tempo e espaço, embora tivessem menos tempo do que haviam desfrutado na estufa. Quando Edward finalmente a libertou, sem esconder sua relutância, ela se descobriu incapaz de raciocinar. No tom sensato de sempre, ele a puxou pela mão, dizendo:
— É melhor voltarmos para o salão, antes que nossa ausência se torne difícil de explicar.
Antes que Bella tivesse a chance de se recuperar daquele verdadeiro ataque sensual, foram rapidamente cercados por amigos, todos rindo e falando ao mesmo tempo. Durante o resto da noite, os olhos castanho-dourados não se desviaram dela.
Mais tarde, quando deixavam o salão, Edward lembrou-se do bilhete.
— Se por acaso, meu amor, você receber outros bilhetes convidando-a para situações que possam, eventualmente, se tornar comprometedoras e pareçam ter sido enviados por mim, lembre-se de que tenho a tendência de fazer tais sugestões pessoalmente.
Não havia resposta decente para tal comentário. Por isso, Bella não disse nada.
Quando a festa terminou, Cullen e McCarty insistiram em acompanhar as irmãs Swan até sua carruagem. Dando-se conta de ter permitido que o marquês a monopolizasse durante toda a noite, Bella lançou-lhe um olhar de reprovação. Ele se limitou a rir e a sussurrar-lhe ao ouvido:
— Se continuar com esses olhares provocantes, não vou resistir à tentação de beijá-la de novo!
Em seguida, aproveitando as sombras dos arbustos que os cercavam, cumpriu sua ameaça e, então, ajudou a ofegante Isabella a entrar na carruagem.
Edward ficara mais perturbado com o bilhete misterioso e o incidente no terraço do que havia demonstrado a Bella. Caminhando de volta para casa, na companhia de Emmett, considerou as possíveis explicações.
Herdeiras já haviam sido seqüestradas e devolvidas mediante pagamento de resgate. Porém, eram sempre jovens muito ricas. Embora tivesse condição privilegiada, Bella não possuía grande riqueza. Portanto, se fosse essa a intenção, o alvo da chantagem seria, provavelmente, a família Cullen. Não lhe ocorrera que, ao tornar público seu interesse, estaria transformando sua amada em um alvo para bandidos.
Olhou para o amigo e percebeu que havia algo errado. A julgar pelo silêncio de Emm, o problema se relacionava com Rosalie. Por isso, Edward não quis discutir a questão, para não colocar mais um fardo nos ombros do pobre coitado.
O romance entre Emmett e Rosalie não transcorria como o lorde esperava. A jovem demonstrara ser tão determinada quanto a irmã. Havia protestado contra o que chamou de atitude possessiva durante o baile de máscaras, deixando Emmett com um profundo sentimento de rejeição. Embora houvesse cedido mais tarde, permitindo que ele a acompanhasse até a carruagem, mantivera-se distante.
Os dois amigos percorreram o trajeto em silêncio, separando-se na esquina de Cavendish Square, cada um seguindo o seu caminho e preocupado, por motivos diferentes, com o que o futuro reservava.
Hi pretty girls and boys,
Tudo bem? Gostando, odiando ou amando a fic?
Para quem quer saber quantos cáps tem a história, sao 14. Esse é o nono então, faltam apenas mais cinco.
Obrigada pelos coments. E quem ainda nao deixou sua opiniao, nao esqueça de comentar. O tempo já está acabando...
Contagem regressiva: 5 dias.
Uma pergunta, voces querem outra adaptação, ou já chega por enquanto?
Beijinhos
