Capítulo Seis - Todo O Inferno Está Desabando
Harry se deitou na cama, ainda se sentindo chapado demais para raciocinar. A única coisa que pensava era que se odiava profundamente. Ele havia prometido. Prometido que não usaria mais a m**** da heroína. Prometido que se curaria daquela droga de vício. Mas ele havia sido fraco...
Chorou. O que lhe confortava era que a dor que sentia por dentro havia passado.
Sentia frio por causa do ar condicionado do quarto ligado. Na TV pequena passava algum jornal em francês. Do lado da cama havia uma cômoda. Harry se levantou tremendo e esfregando os braços nos ombros para ver se havia alguma coisa dentro. Havia uma bíblia vermelho com letreiros de amarelo-ouro. Folheou a bíblia se sentindo levemente culpado e impuro.
Alguma coisa explodiu lá fora.
Harry caiu de costas no chão quanto o vidro da janela que dava para uma praça de Paris se espatifou, espalhando cacos pelo seu quarto. Cobriu a cabeça com a mão enquanto três explosões seguidas aconteciam (pelo estalo de uma, Harry supôs ser o posto de gasolina três esquinas adiante).
O chão do quarto vibrou e o alarme do prédio disparou.
Mas que m**** era aquela?
Dessa vez algo realmente perto explodiu e uma labareda de fogo incrivelmente grande entrou pela janela do quarto derrubando a TV. O quarto do lado do seu entrou em combustão e derrubou a parede do banheiro.
Harry se levantou levando vaporadas de algo ardente. O vento que queimava passou tão veloz que lhe arrancou um pedaço da calça que cobria o joelho.
Outra explosão dessa vez arrasou metade da praça na frente do quarto. O hotel pareceu quase sair da terra quando esta aconteceu.
Harry julgou ter sido jogado por pelo menos três metros em horizontal. Bateu de cabeça na parede que cobria a cama em chamas. O sangue quente começou a escorrer pela sua cabeça e em poucos minutos já cobria o seu pescoço. Fechou os olhos quase desmaiando, mas mais uma vez se levantou. Dessa vez, chapado de heroína e tonto pela pancada.
Cambaleou até a janela espatifada e procurou encontrar o acontecido olhando para fora. O que viu lhe chocou.
Há umas quinze ruas de distâncias, a Torre Eiffel estava divida em dois e pegando fogo. A base dela continuava intacta, grudada no chão. A outra estava atravessada no meio de três apartamentos.
Se deu conta de uma coisa: aquilo não era um atentado terrorista. Era trabalho de um bruxo.
Então, percebeu outra coisa: Neville.
