9- Entr dias para o casamento
Era ilógico o que estava fazendo, sabia disto. Era completa e absolutamente exagerado que corresse a DC neste momento. O dano estava feito, Emily já fora ferida e não podia mudar isto. Era ilógico acreditar que tinha que viajar de imediato, que não podia esperar. Mas na realidade lhe parecia muito mais ilógico ficar, ter um encontro e se preocupar somente depois com Emily. Era muito mais ilógico não querer ir ajudá-la quando tudo que desejava era vê-la.
Era por isto que estava voltando antes que os outros, porque não suportava pensar que algo acontecera a Emily e porque tinha uma urgência desesperada de vê-la. E nem todos os encontros do mundo, com mulheres perfeitas como Claire, poderiam mudar isto.
A viagem parecia não terminar nunca, a preocupação não o deixava em paz um minuto. Diversas questões inundavam sua mente. Como alguém podia trair Emily, que era simplesmente encantadora? Porque justo quando ela já não estava bem? Porque acreditava que vê-la iria mudar algo? Porque não lhe disse nada? Ou iria fazê-lo ainda? Porque desligou o telefone antes de falar? Precisava vê-la, urgentemente, vê-la e saber se estava bem. Queria prometer que estaria sempre ali, que não iria deixar que ninguém a magoasse novamente.
O sol começava a descer no horizonte quando finalmente chegou a DC, apenas pôs os pés em terra e ligou para Emily, mas ela não atendeu o celular. Ligou para sua casa, mesmo resultado. Onde quer que estivesse, emily não queria ser encontrada.
Não sabia o que fazer, sentindo-se bobo por correr para resgatar uma donzela que não tinha pedido ajuda e que nem sabia onde encontrar. Se sua intenção era salvá-la, chegando como um galante herói estava fazendo um péssimo trabalho. Tentou ligar varias vezes, nada.
Finalmente pensou que se JJ sabia alguma coisa, não fora Emily que contara. Isto o levou a pensar diretamente em Garcia. Se Emily voltou antes para a cidade devia ter falado com Garcia em algum momento. Ligou de imediato.
- Garcia.
- É Hotch.
- Senhor? Aconteceu algo? Pensei que tinham encerrado o caso. - Disse confusa.
- Não é pelo caso que estou ligando.
- Não entendo.
- Onde ela está, Garcia?
- Quem?
- Emily. Sei que sabe onde posso encontrá-la.
- Senhor, eu não…
- Não minta. – Disse num tom entre desesperado e suplicante. - Por favor, me diga, preciso vê-la.
Esta última frase, cheia de emoção, foi que alcançou o coração de Garcia. No mesmo instante ela entendeu que não importava se Emily pedira segredo, Hotch estava acima disto. Ele era o único a quem ela realmente precisava ver.
- Na minha casa.
Hotch só precisava disto, imediatamente foi em busca de Emily. Chegar à casa de Garcia foi fácil, reconheceu o carro de Emily e se deu conta que estava ali, mas não sabia o que iria lhe dizer, como explicar a situação. Isto não importava, concluiu. Bateu a porta.
Não houve resposta. Ligou para Emily, mas o celular estava desligado. Tentou novamente. Isto era estranho.
- Emily? – Chamou. – Sou eu, Hotch. Está aí?
Não teve resposta novamente. Tinha certeza de que ela estava ali, a conhecia. Sentia que estava ali, algo no ar indicava tensão, a tensão que vinha dela. Voltou a bater na porta, sem resposta. Tentou uma terceira vez, iria esgotar todas as tentativas.
- Em? – Voltou a chamar, nada.
Emily tinha passado por todos os estados de animo durante este dia. Ninguém havia falado com ela e não queria falar com ninguém. Estava cansada de tudo isto, de tantas mentiras, de tanta confusão, de acreditar que seu mundo ruía e ela não tinha percebido. Era ótima em perfis, viajava pelo país prendendo pessoas más e não podia acreditar que não via os erros na sua vida. Não queria ver ninguém até que lhe passasse o ataque de "ódio à humanidade". Então alguém bateu na porta.
E teve uma grande surpresa ao ver que se tratava de Hotch. Não sabia o que fazer esperava que Garcia a avisasse quanto o time voltasse e acabou sendo pega totalmente desprevenida. Ficou quieta e o escutou chamá-la. Como sabia que estava aqui? Não tinha sentido nenhum. Decidiu não abrir, ainda não queria vê-lo e ao ouvir Hotch lhe chamar se afastou da porta.
- Em, sei que está ai. Tudo bem se não quer abrir. – Escutou-o dizendo. – Sei o que houve e tudo bem se está triste agora e se não quer ver ninguém, entendo isto. Mas estou aqui e vou estar quando precisar. Entende? Vou estar quando precisar, Em. Sou seu amigo e gosto de você. Me preocupo com você.
Emily ficou quieta. Silenciosa, pensando. Ele era incrível. Estava procurando-a e gostava dela, não podia fugir dele. Neste momento o telefone de Garcia tocou e não pode evitar atender, Hotch se foi.
Sim?
- Oi, Emily. Sou eu. – Era Garcia. – Só queria saber se continuava ai. Quer sair para tomar algo? Sei que são quase dez, mas talvez você queira…
- Na realidade, não. Escute, a equipe já voltou?
- Não, falei com JJ, terminaram o caso esta manhã, mas só voltam amanhã. Porque?
- Tenho que desligar amiga, preciso consertar algo. – Disse, desligando com pressa o telefone.
Tinha que alcançar Hotch. Ele voltou antes e só podia ser por ela. Isto significava mais que tudo no mundo, mais que as duvidas e muito mais que a traição. Tinha que correr atrás dele.
Emily saiu tão rápido quanto pode, tinha desperdiçado preciosos minutos e era provável que ele estive bem distante. Xingou em voz baixa, ligou o carro e se dirigiu ao prédio dele. Estava a ponto de ligar, quando o viu na garagem. Estava em seu carro e parecia indeciso em ir ou ficar. Ela correu até onde estava e ele percebeu sua aproximação, saindo do carro. Ela parou a alguns metros dele.
- Voltou antes. – Foi tudo que conseguiu dizer.
- Sim. Precisava saber se estava bem.
- Não sei. – Confessou ela. – Estou mal por tudo isto, mas estou bem porque está aqui.
- Então, fico feliz de ter voltado. - Ele sentia que a conversa não ia para lugar nenhum.
E tomou a iniciativa. Aproximou-se dela e, cruzando os poucos metros que os separavam, sem esperar reação alguma a abraçou surpreendendo Emily. A abraçou com força. E ela simplesmente se rendeu em seus braços. E rendeu todas as emoções que a estavam destruindo.
Emily tinha passado por coisas demais nestes dias e desatou a chorar. Chorava por tinha se sentido só, porque ele a amparava e não iria a deixar cair. Rendeu-se em seus braços e chorou porque não podia mais fugir e ele era tudo que a sustentava em pé neste mundo.
- Como posso te ajudar, Emily?
Talvez por que tudo em torno deles não era normal, ou porque as coisas já não pareciam tão difíceis, ou porque seus sentimentos estavam a flor da pele, não pode evitar consideram uma opção que fazia muitos anos tinha decido que queria esquecer e precisava deixar para trás.
- Beije-me, Aaron.
E como se o mundo ganhasse sentido assim, ele a olhou nos olhos e a beijou como se sua vida dependesse disto. E o mundo lentamente desapareceu. Os minutos foram como horas.
Nem ele estava seguro quando decidiu ir até ali e nem ela no momento que o aceitou ali, nem saberiam dizer quem escolheu o rumo, quem interrompeu o primeiro beijo e começou o segundo, o terceiro. Entraram no elevador ainda se beijando. Cruzaram a porta do apartamento de Hotch deixando a realidade do lado de fora.
O primeiro contato de suas mãos, furtivamente, levou de vez a consciência que o mundo exterior esperava coisa diferente deles. Durante uns segundos somente seus olhos mostravam suas almas e muito mais paixão, saudade e urgência do que esperavam.
Perderam-se um no outro, simplesmente ao primeiro toque. Ela se transformou no centro do mundo dele e vice-versa. Cada toque os incendiava, alucinava, os aprisionava com força. Fundiram-se num furacão de paixão, de amor. Sentiram-se tão parte um do outro que lhes custava crer que eram seres separados.
E cada suspiro, cada grito, cada caricia, cada toque em sua pele, cada sonho compartilhado, os fazia se sentir mais parte um do outro.
Beijar.
Desnudar.
Olhar.
Sentir.
Acariciar.
Prometer.
Sussurrar.
Suspirar.
Desejar.
Gritar.
Compartilhar.
Amar. Amar. Amar.
E logo tudo voltou à calma. Logo depois do amor, ficaram silenciosos se olhando, sem necessidade de dizer mais nada porque já havia compartilhado tudo. Fecharam os olhos e foram se deixando envolver pelo sono, enquanto o relógio anunciava cinco da manhã.
- Quero você, Emily. – Disse ele suspirando nos sonhos.
Estas palavras eram muito para ela, significava que não estava só. Sentiu que tudo dentro dela se movia, sentiu que algo se quebrava por dentro, algo que não voltaria a ser igual. Sentia cada célula do seu ser, sentia cada ar em seus pulmões e o sangue correndo em suas veias. Sentia-se viva. Não estava só, não realmente. Nem no pior momento que tinha passado, porque em algum lugar do mundo ele estava lá para ela. Isto fazia seus corpos tremer.
Ficou quieta uns minutos respirando, como quem respira ar puro pela primeira vez. Esperou que esta sensação se acalmasse, porque era tão embriagadora que não podia se mover. Percebeu que estava quase amanhecendo, que o despertador de Hotch tocaria em menos de duas horas e então teriam que pensar no que tinham feito. Faltavam sete dias para seu casamento.
Sabia disto muito bem, mas isto não lhe importava.
Continua...
